Xeque-Mate? Catalunha declara a independência…. mas já a suspende?Como assim?

Entenda como esse movimento pode colocar a Espanha, a um movimento, o dela para o xeque-mate

Não foi a meia independência, foi uma independência inteira, o presidente da Catalunha declarou com todas as letras a Independência da Catalunha, e pediu para a colocar em suspenso apenas por algumas semanas para eventual negociação com a Espanha. Ou seja, declarou a Independência mas manteve “todas” as portas abertas para negociá-la, ou quase todas, abriu a porta apenas para negociar os termos acordados para a independência e durante o período da vigência da suspensão.

Assim ao mesmo tempo que declara e coloca uma data, para sua efetivação, obriga o governo espanhol a assumir a responsabilidade por qualquer medida intransigente que tome que não seja a negociação e o diálogo. Ou seja fez sua declaração de independência sem deixar espaço para que o seu adversário a acuse de ser uma declaração de guerra. O primeiro-ministro espanhol se apelar para o emprego da força, ou se mantiver durante a semana a postura irredutível das ameaças sem se abrir para a negociação, não terá como dizer que foi forçado a fazer o que não queria.

O problema é que se ele tiver que negociar a partir de uma independência declarada, aí sim ele está a fazer o que não quer, e para não fazer o que não quer, o governo espanhol está disposto a tudo, e tem o poder de fato, das armas leis e tribunais para agir como quer e ainda por cima legalizar suas ações, mesmo que já sem a menor legitimidade. E mesmo que elas impliquem na prática uma declaração de guerra contra a Catalunha.

É um movimento arriscado que novamente conta com o erro e a falta de visão das próximas jogados do reino e do governo espanhol. O governo espanhol pode numa mudança de estratégia fazer o mesmo que o governo catalão ir para um debate e manter-se firme nos seus termos. Eles podem portanto vir a negociar, e simplesmente declarar que a negociação é falha, porque não existe a menor vontade de chegar a um meio termo por parte do Governo Catalão. E a partir daí, inverte-se as posições, ou pelo menos se não se divide genuinamente a responsabilidade pela intransigência, confunde-se e divide-se as ainda mais as opiniões de quem é o intransigente. Ganha-se assim maior apoio da opinião pública para qualquer medida judicial para a “intervenção” na Catalunha. Medida judicial por sinal é só um eufemismo. porque tanto a intervenção quanto os estado de exceção dos direitos e da democracia, na prática implica o uso de força armada para a suspensão de direitos e da democracia por força armada. Ou seja uma ditadura ou um estado ditatorial, ainda que prevista e delimitada em tempos e poderes pela constituição.

Logo, é bom portanto lembrar que a estupidez que impede de o adversário de ver os lances futuros, é exatamente a mesma que o compele a tomar atitudes ainda mais estupidas por falta de visão das consequências. Logo esperemos que os independentista saibam o que estão fazendo. Porque não só nada impede a Espanha de bancar o pombo enxadrista, dar um tapa no tabuleiro e se proclamar vencedora. Mais do que isso, esperemos que os independentistas saibam contra quem estão jogando. O que me faz lembrar a recomendação do primeiro filme de Hans Solo para Luke quando jogava contra xadrez contra Chebaca “melhor deixar ele ganhar porque ele costuma arrancar os braços do do vencedor quando perde.”

Não é preciso deixar o adversário belicoso e mais forte vencer. Mas deixá-lo acreditando que venceu e domina é a melhor segurança contra a sua violência ao menos enquanto você não tem defesas nem quem o defenda. Porque isso não é um jogo nem um filme.

E se portanto essas duas semanas são para ganhar o apoio e reconhecimento internacional que carece. Em suma ele está ganhando tempo. Mas a Espanha também ganhou tempo. Mas se no final não tiver conseguido essa posição infelizmente o presidente da Catalunha vai ter que recuar, se não quiser ver muito mais violência e sangue. Porque uma coisa é certa. Ganhando ou perdendo quem não vai mais recuar agora é a Espanha.

Quanto a independência em si minhas considerações são a parte das estratégicas e as farei em artigo a parte mas desde já quero dizer com todas as letras:

viva a a independência da Catalunha. Todo respeito as decisões soberanas e democráticas.

E mais uma vez obrigado a Catalunha. Se não fossem vocês a história e identidade do Brasil ou dos brasis teria sido outra. Talvez nem português estaríamos falando agora.

Mais uma vez ao lutar pelos seu direito de poder decidir seus próprio destino a Catalunha está a mudar os rumos da história não só a dela, mas a do mundo em lugares que nem ela, nem nós agora mesmo imaginamos que já está acontecendo.

A última vez que Portugal precisou de batalhar com Madrid pela sua independência (início em 1 de dezembro de 1640, com duras batalhas durante mais de vinte anos), beneficiámos do facto de os principais exércitos imperiais estarem exatamente a esmagar a independência catalã, no lado oposto da península. — O princípio da Catalunha

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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