Você é contra ou a favor o desarmamento?

Porque essa questão sem um sujeito é uma armadilha

Você é contra ou favor o desamamento?

Antes de responder prontamente essa questão de acordo com suas convicções. Me de um segundo, para mostrar que o buraco é mais embaixo.

Se você é a favor do desarmamento de todas as pessoas? Todas as pessoas, incluso as autoridades, policiais? Exércitos? Ou eles devem ter a licença de portar e claro usar as armas por que não é enfeite. Podem? Em que circusntâncias? Não importa. Se alguém pode e outros não então rigorosamente você não é a favor do desarmamento de todas as pessoas. Rigorosamente você não é a favor do desarmamento, mas da regulação do porte de armas para pessoas autorizadas. Quem são elas, de que forma se permite que fazer uso dessas armas, quando, contra quem. E quem pelo contrário não pode em circunstância alguma ter acesso a elas. E quem define isso? Os armados ou os desarmados? Ou uns em negociação desigual não só de forças, mas literalmente de potencial ameaça a vida um do outro. Eis a questão.

Da mesma forma cabe a mesma reflexão a quem é a favor do porte de armas? De todos? Claro que não. Em geral quem defende o porte de armas, o defende para se defender dos bandidos. O defende portanto além do porte para as autoridades responsáveis pela defesa e segurança também ao cidadão de bem definido por oposição ao bandido. O problema é que o cidadão de bem e o criminoso, a menos que você seja um nazista, não se define por caracteres genéticos ou sinais comportamentais, mas pelo crimes que se comete ou não . O criminoso não é a pessoa que o outro supõe que cometerá um crime, mas aquela que necessariamente o comete. Da mesma forma o cidadão “de bem” igualmente não se define por sua gene, mas pelos crimes que não comete. De tal modo, todo homem pode cometer ou não crime e quanto mais bem armado, não necessariamente com armas de fogo, maiores os danos que pode causar. Evidente que uns podem ter uma tendência maior a agressão e belicosidade enquanto outros não. Mas são tendencias e não se atira ou prende pessoas por tendências, mas por atos- a menos que se viva um estado criminoso de exceção onde esse tipo de atentado seja autorizado. Logo não há certezas absolutas que alguém que cometeu um crime vá se recuperar, assim como pela mesma razão não há de que irá cometê-los novos cometê-lo. Da mesma forma que não existe essa certeza para de quem nunca cometeu um crime irá cometê-lo. Cada pessoa pode ter essa certeza dentro de si, mas ela está dentro dele, e não no outro, de modo que esse não tem como saber se ele vai cometer ou não vai cometer um crime. Fora o que temos são tendencias e tendencias não se detém com balas não apenas por isso em si é um crime, mas porque não funciona nem para deter o mal nem muito menos para promover o bem, muito pelo contrário.

Rigorosamente ao buscar nos armar então estamos pensando conforme os norte-coreanos ou mais precisamente como se cada um de nós fossemos um ditador norte-coreano. Diante daquilo que consideramos uma ameça nos armamos para reagir, dissuadir e até agir preventivamente caso consideramos a tendência de ataque daqueles que consideramos nosso inimigo, o bandido. Eles se armam até os dentes, eu me armo mais. É a lógica da dissuasão pela supremacia da força. O que sejamos justos, é a lógica que impera no mundo. E é muito boa para quem vende e trafica armas, para quem quer viver em paz, nem tanto.

Pensando taticamente é evidente que ter uma faca é melhor do que ter uma caneta para enfiar no olho de quem quiser te matar ou matar pessoas inocentes e defesas. E uma arma de fogo, melhor ainda. Se então não for um for vários. Armas automáticas. Se for uma exército inteiro, melhor ainda uma bomba. E se for então um Estado melhor ainda uma bomba nuclear. Taticamente é um raciocínio perfeito… se você pretende atacar e extermínio seus inimigos em potencial, todos eles. Porque para todos os efeitos agora, o perigo para seus vizinhos, o potencial mostro armado até os dentes é você. E todos são seus inimigos potenciais.

Mas não você jura que não é um perigo para a sociedade. Todos juram, não só autoridades, estadistas, até bandidos juram que não são um perigo para a sociedade, mas o fato é que quem não pica é o sapo não pica porque não tem presas, e o escorpião pode não picar hoje, mas picará não só porque essa é a sua natureza, mas porque sua natureza, sua estratégia de sobrevivência lhe deu presas e lhe fez um predador. Um homem qualquer homem armado até os dentes é como um leão vegetariano. Uma probabilidade matemática artificial de acidente ambulante. Uma burrice humana como um carro ou avião capaz de alcançar velocidades e alturas que em caso de acidente não sobreviveria. Imagine se por seleção natural houvesse um especies capaz de correr tão rápido que quando caísse e ele vai cair, seu corpo não resistisse ao impacto? O que a seleção natural faria com esses seres se essa espécie não se aptar e desenvolver a capacidade de não se matar com sua própria força.

O fato é que uma arma de fogo, é uma exelente arma tática de assalto praticamente infalivél se usado junto com o fator surpresa. Como arma estratégia de defesa tanto pessoal quanto social, é praticamente ineficaz, sem um sistema inteligência. Seu portador quando acuados pelo inimigo, que tem o elemento surpresa, como é o caso da segurança pessoal em sociedades de paz, tem nela um elemento limitado de reação e um elemento que coloca sua vida em risco caso rendido sem reagir. É o dilema do policial fora do expediente quando está fazendo o que as pessoas comuns vivendo sua vida, e não vigiando cada pessoa como se fosse um possível suspeito e agressor. Nem sempre ele pode reagir com segurança para sua vida ou as pessoas que estão a seu redor. Mas render-se ao inimigo é quase certeza que será ainda pior. Logo.

Logo, a questão da segurança e defesa passa por duas estratégias que competem a inteligencia e prevenção, a defesa e segurança ativa e não meramente vigilante reativa:

a neutralização do poder agressor do inimigo

e a extinção das causas geradoras do conflito e agressão.

O aumento do potencial de ataque e a extinção preventiva dos potenciais inimigos gera duas consequências:

se bem construídas, com uma carro alemão e não uma gambiarra bem brasileira, elimina todos os potencias inimigos ou seja torna o Estado o próprio regime nazista genocida disposto a cometer assassinatos em massa daqueles que classifica como potenciais inimigos ou possíveis bandidos.Não mais pelos critérios originais da legitima defesa por obvio senão esse escorpião precisaria picar a si mesmo, mas pela criminalização de outros que legalizem até mesmo o seus extermínio em massa de gente. E quando a nação e sociedade acorda é ela que está matando inocentes e até crianças sistematicamente para que eles não se tornem os criminosos e assassinos… que eles se tornaram não mais como meros esquadrões da morte, mas como fabricas extremamente eficientes de matar gente. É claro que isso não é um argumento para quem já aderiu a ideologias que pregam a desumanização dos inimigos e o extermínio humano, mas basta ver o que acontece na história com as nações que optam por essa trilha.

Já se mal feitas seja por falta de sistematização ou para evitar propositalmente decair em regimes genocidas. A eliminação dos potenciais inimigos só produz mais inimigos entre os sobreviventes, assim como o crescente armamento só aumenta e afasta antigos aliados, transformando-os em potenciais inimigos. Isolamento, que evidente leva ao esmagamento do belicoso pela coalizão dos que sente ameaçados ou a própria convulsão interna de sua lógica belicosa e autoritária de resolução de conflitos. E não estou me referindo só a Coeria do Norte, a Alemanhã, mas a todos os Estados-Nações com pretensões imperiais como os EUA.

Mas isso vale para governos e não para pessoas comuns. E nisso voltamos para a lógica do desarmamento das ovelhas para os lobos. Essa lógica vale para os Estados, vale para as sociedades, e sobretudo vale para os Estados em relação as sociedades, ou seja tanto para as autoridades e agentes governamentais quanto o cidadão comum, e na relação do cidadão comum armado ou desarmado perante suas forças armadas, que por mais armados que são e hoje infinitamente mais, superiores em poder de destruição que qualquer popular ou população.

O fato é que da mesna forma que nada garante um cidadão de bem armado não cometerá um crime ou fará uma loucura com as armas que tem? Que dirá um governante que não tem pistola, mas exércitos e bombas a sua disposição? O que você vai fazer para se defender desse potencial criminoso ou maluco, comprar uma arma e apontar sua pistola caso ele continue te roubando ou jogar um bomba em cima de uma escola? Che e Bolsonaro tem ao menos uma coisa em comum, ambos acham que colocando essa gente no paredon e fuzilando eles resolvem o problema. Vai pegar sua pistola, e mandar eles saírem da sua propriedade? Ou vai usa-la junto com o fator surpresa estornado os miolos deles antes que eles terminem de roubar e matar você senão a bala de fome? Resolve? Em que lugar do mundo os justiceiros e revolucionários não se tornaram os criminosos e ditadores?

Veja que não estou defendo criminoso, pelo contrário sou a favor a combatermos os maiores crimes e criminosos da humanidade, mas não como criminosos com violência e sim com inteligência. Não criminalizo vitimas, a pessoa que é atacada por qualquer tirano e criminoso seja ele um bandidinho ou um chefe de quadrilha governamental. As pessoas e povos tem o direito a autodefesa, mas esse direito serve apenas para reagir, para se defender quando não há mais alternativas, quando não há como dialogar, não há mais como fugir, quando já é flagrante a agressão ou a ameaça de ataque já se tornou praticamente uma declaração de guerra. Investindo nessa estratégia de “defesa” não construímos estados de paz, nem conseguimos preservá-los mas acabamos para mais hora menos hora para onde estamos tendendo: a guerra. Urbana ou internacional. Vide o Rio, Vide a Síria.

Na verdade como sociedade se queremos viver em paz deveríamos aprender a governar, algo que os Estadistas estão se esquecendo. Quando um estadista fala em desarmamento, ele fala em desarmamento como todo supremacista como toda potencia, ele fala sempre do outro, nunca o dele. De tal modo que se nós as sociedades civis, por definição desarmadas até os dentes, conseguíssemos render todos os criminosos que competem ou detém o monopólio da violência, com a violência, não seriamos mas um sociedade de paz, mas o novo proto estado detentor da supremacia ou monopólio da violência no território. E se todos estivéssemos igualmente armados não teríamos um equilíbrio de forças e poderes, mas não um estado de paz, e sim de pé de guerra, estaríamos sentados como o mundo hoje está em cima de um barril de pólvora, no caso o nuclear.

Quando falamos em desarmamento portanto devemos levar em consideração que não só a universalidades dos elementos mas a ordem dos fatores altera completamente o produto. E que o desarmamento embora necessário não produz a paz, enquanto as pessoas continuam vulneráveis a violência tanto armada quanto desarmada dos violentos especialmente os mais bem armados e mais poderosos.

Em outras palavras produzir desigualdades e injustiças que multiplicam a violência urbana e internacional e depois se armar achando que vai construir a paz é de uma desinteligência tremenda. Mas achar que apenas se desarmando resolve o problema mantendo as condições sociais econômicas e a cultura de violência, tanto de privação quanto de exploração e de ingenuidade mais burra ainda.

Por isso o belicoso e autoritário é pode ser um fascista mas é coerente em todo o processo desde o discurso que acredita até cada etapa daquilo que pratica. Sabe que a massa dos excluídos e despossuídos tem que ser contidas por guardas armados, muros, condomínios e territórios fechados e se preciso for repressão e violência. Já o libertário e pacificista, que não quer ditadura, não quer guerra, mas também não quer sair da sua situação comoda e enfrentar o problema social para além do discurso com a mesma disposição proativa para acabar a desigualdades de vida e liberdades que o belicoso tem para dar fim nas duas ativa ou reativamente, ele se não é um hipócrita é um tolo. Porque será esmagado, não pelas massas desesperadas por justiça, mas junto com elas, mesmo sem ter feito nada além de falar, por totalitários de todos os credos e partidos dispostos a preservar seus bens legítimos ou não com todos os males que forem necessários. E nessa hora, a questão não adiantará mais rezar por desarmamento, mas sim por tropas muito bem armadas capazes de conter esses insanos e seus grandes líderes e estadistas.

A paz não é uma questão do que deixamos de fazer, mas como tudo e sobretudo do que fazemos e como. E detalhe: se fazemos ou não a tempo. Desarmamento e armamentos são como as guerras, não são causas são consequências do grande mal da humanidade que não está na natureza sempre agressiva da maldade e violência, mas da falta de ativismo social de quem deseja a paz e o bem comum, mas não toma a iniciativa apenas espera.

Nisto eu sou obrigado a concordar com o general que comanda as nossas forças armadas, o exercito não resolve nada na Rocinha, nem no Brasil, no máximo ele pode por fim a uma guerra que saiu do controle, mas por fim a um cenário de guerra está longe de constituir um cenário de paz, obrigação de civis, ou mais precisamente de sociedades civis minimamente organizadas.

Não é de surpreender portanto que o autoritarismo e a ditadura retornem com força no Brasil, quando a voz mais lúcida e honesta a pedir ações sociais no pais é a de um general da ativa, enquanto a população desesperada e desiludida cada dia mais cercada pela crime organizado sobretudo o politico-governamental já começa a desistir de pedir paz e justiça e começa a pedir sangue e salvação, o que as lideranças da sociedade e governos civil esperam? Aplausos? Rosas é que não virão.

E então voltemos a pergunta você e contra ou a favor do armamento? Não responda. Tanto faz. O que você ou eu acham. Não somos os protagonistas somos os meros espectadores. E enquanto não formos a tomar a iniciativa e a escrever o roteiro da nossa próprias questionamentos, tudo o que teremos é isso: as mesmas perguntas e respostas prontas que mal tratam da raiz do problema que dirá então solucioná-lo.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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