Venezuela: Quem vai disparar o primeiro tiro?

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As vezes me pergunto se, ou melhor, o quanto os administradores de fato da geopolítica brasileira, não os puppets, mas a turma das agulhas negras e Haiti, estão a par do quanto hoje dado os movimentos nesse xadrez, ou melhor póquer global, o nosso destino depende em última instancia da decisão racional e consequentemente da avaliação de interesses estratégicos de (para efeitos de representação) apenas dois homens: Putin e Xi Jinping. Ou mais precisamente da avaliação destes se é chegado o momento de apostar tudo e pagar para ver, ou passar a vez deixando para uma próxima rodada quando tiver cartas melhores na mão.

Me deem uma chance de explicar essa fria e monstruosa analogia, porque esse jogo com vidas humanas é ainda mais frio e portanto monstruoso que ela.

Síria, virou teatro de operações e testes de armas e forças das potencias mundias a exemplo da Espanha, sem o menor constrangimento, porque geopoliticamente não era o quintal de nenhuma das grandes potências em questão, a saber: EUA, Russia e China.

Na Ucrânia, foi outra história. Assim como Coréia do Norte. Por que? Em outras razões que não vem ao caso, porque qualquer guerra naqueles territórios seria interpretada pela potência dona do quintal como uma agressão ao seu Estado.

Venezuela não é geograficamente vizinha dos EUA. Porém, como todo nativo latino-americano sabe, ou pelo menos sabe como eles pensam, todo continente americano, desde a doutrina Monroe, pertence geopolitica- e economicamente- aos (norte)americanos. E a última vez que uma outra potencia resolveu interferir militarmente no quintal da alheia (Baia dos Porcos em Cuba, 1961) - hoje sabemos- só não tivemos outra guerra mundial, então nuclear, por conta de detalhes, e não por causa da sapiência dos comandantes-em-chefe destas supernações.

Eis que temos o cenário geopolítico atual claramente desenhado:

Chances do Maduro largar o osso: Praticamente nulas.

Chances dos Militares arrancarem do poder: baixas. Os generais estão envolvidos até o pescoço no regime, constituem a classe dominante. Não é socialismo, não é nada, é uma grande favela controlada por uma milicia de esquerda fardada sob a fachada da legalidade. Um Estado, em seu estado mais primitivo. E com alto risco de uma guerra civil dado as divisões internas não só na corporação, mas nas milicias bolivianas armadas e eventuais insurgentes.

Risco de uma intervenção militar estrangeira capitaneada pelos EUA: absolutamente certas se nenhuma das alternativas acima ocorrer. Colocaram Guaidó lá para isso, para não repetir o erro estratégico de não ser uma força de ocupação “ilegitima” que não foi convidada para agir pelo governante para todos efeitos reconhecido pelos ritos e convenções internacional.

Resumo do cenário, de um dos cenários que não eu, mas vários analistas já dão como provável até agora, Maduro não sai, não é saído derrubado. Guaido pede intervenção internacional e americanos diretamente ou com buchas de canhão aliadas e mercenários entram em cena.

Agora vem a grande questão: O que Russia e China que tem toneladas de interesse e capital investidos na Venezuela vão fazer? Bater em retirada ou armar outra Síria, que provavelmente escalará para uma guerra ainda pior que na Síria, pelas razões geopolíticas acima descritas.

Para responder essa questão, precisaríamos saber, e eu pelo menos não tenho a menor ideia para dar uma resposta, se para Russia e China, e necessariamente precisa ser simultaneamente para as duas- porque sozinhas não tem condições não agora de encarar essa empreitada- se nos cálculos dessas potencias eventualmente aliadas esse seria o momento adequado para medir suas forças bélicas, leia-se o derradeiro para por um fim na hegemonia americana e logicamente subtraindo os custos e prejuízos mundiais desse enfrentamento o que restaria, se é que restaria alguma para eles dominarem e disputarem como novas potencias hegemônicas. Esse é o futuro? Não, esse é um cenário, que não se alguém responsável pela administração pelas políticas internacionais de um país descarta de antemão como impossível, é meramente jogador e ruim, e não estadista- independente da péssima consideração que tenho por essa função.

E quando digo bater em retirada, é o termo absolutamente correto, não só no plano econômico, mas no militar, porque presente eles já estão, resta saber portanto se irão de bom grado sair, ou mesmo como se advogam os mais moderados se com eles um corredor de fuga, para evitar derramamento de sangue de Maduro e sua cúpula. Uma alternativa que pós-Kadafi nenhum ditador evidentemente confia.

Assim estamos portanto num jogo, onde os protagonistas foram longe demais, ou estão em posições que simplesmente não podem recuar, e bandeiras brancas e ONU valem tanto quanto nota de 3 reais, ou de 1 milhão de bolivares mesmo, ou tratados assinados entre grande potências. Os únicos que tem uma boa margem de manobra para administrar suas perdas num eventual recuo estratégico, são Russia e China, mas a pergunta permanece, é esse recuo o que é melhor para seus interesses? O que mais importa, é essa a leitura de quem os administra? Não os culpem se tomarem as decisão errada.

É também por conta da forma que decidimos transferir o poder de decisão sobre os destinos dos povos, a um grupo seleto de pessoas, que hoje o futuro diretamente de milhares vidas e indiretamente milhões, para não dizer do mundo, dependemos e aguardamos o que eles vão decidir.

O que afinal de contas quer Putin e Xi Jinping, você pode não saber e nem querer saber, mas querendo ou não, mais do que nunca, nestes dias seu futuro depende disso. Mas e Trump? ah, meu amigo, Trump é um polenzi durak, o homem certo, no lugar certo, no momento certo, resta saber, exatamente de quem… não tenho dúvidas que Trump que acha que é o dele mesmo, e isso que faz dele, o melhor de todos agentes laranjas… de qualquer um.

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Vladimir Putin and Xi Jinping made Russian pancakes with caviar, and the photos are incredible

Bem talvez ano que vem tenhamos que adiantar um pouco mais o relógio…

Horário do Kremelin, porque não é só o polo norte magnético da terra que está indo em direção àquelas partes do Oriente…

…também outros nortes do mundo…

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