Uns olham por Macri, Outros por Kirchener e pelas crianças da Argentina, quem?

Nada mais natural e lucido do que as pessoas terem e manterem seus pontos de vista. O problema é quando as pessoas se esquecem que entre eles e o mundo não há só uma enorme diferença, mas muitas diferenças que somente juntas compõem o real em sua complexidade. E logo o entendimento para além das bolhas de autojustificação, racionalização e reforço de opiniões.

As pessoas confundiram a emancipação do eu, com a representação do eu, e ao inves de libertar estão se aprisionando na fixação pela sua imagem e opniões. O mundo não é imagem. E a pessoas não são selfies. Na superficialidade de um mundo construído apenas para convencer o outro e a si mesmo, a critica não consegue superar as opniões. E o relatismo decaiu em culto as próprias ideais absolutas e incomunicáveis. Ideiam não se comunicam, se replicam.

As pessoas presas a esses paradigma cada um em suas respectivas bolhas, não se fingem de desentendidas como os politicos profissionais em sua amoralidade, eles perderam de fato sua capacidade de se aproximar e construir entendimentos com os desiguais e estranhos e contrários. Não. os pensadores desse universos são galos de briga, deixe eles sozinhos com suas diferenças e você não terá uma sintese, mas um morto e outro mutilado.

Ok. Eles não são santo e se eles querem se matar por seus credos e cultos que seja. O problema é que esse tipo de pensamento, justamente por não se sustentar sozinho, por ser permanentemente contrádito pelo choque com a realidade e a experiencia, carece portanto dominar a realidade para fugir perpetuamente do rídiculo. E não é a toa que essas ideologias busquem sempre desesperadamente o poder, e não tentem formar uma comunidade para viver e deixar viver em paz. Eles não só não se sustentam com as próprias pernas, mas com a dos outros. E pior, tudo o que não serve de sustentação é a denuncia da sua condição patética de mitomániaco e precisa portanto ser eliminado. Na era informação todo mundo virou marqueteiro de si mesmo. Tudo que faço está certo, e me mesmo que esteja errado, estou mais certo todos que acusam estão sempre mais errados que eu!!!

Isto posto explicado o quão iguais são aqueles que se odeiam e juram que são absolutamente diferentes. Vamos voltar ao mundo que eles transformar em rinha de galo. e ver que quem sai morto e mutilado não são eles, mas quem não tem como se defender. Vamos aplicar essa outra visão de mundo, que não é mais do que mais uma visão de mundo, e ver o que ela explica para nós.

É preciso ler a notícia, porque esse pensamento é sobretudo um diálogo.

Então notem que exatamente em cima dos mesmo dado enfim publicado. Os dois lados constroem suas narrativas, não para fazerem uma interpretação da realidade, mas para usar a realidade em suas interpretações. Rigorosamente, portanto usam a leitura acritica dos fatos para justificar suas preconcepções.

Ora olhemos pelos lado da direita não necessariamente a que defende Macri. É obvio que essa pobreza não é resultado da politica liberal de Macri. Isso não quer dizer que ela não vá agravar ou ser ainda pior que a de Kirchiner, minha opnião é que será, mas aí que está o ponto: há que se ter consciencia que está hipotese não se confirma, nem se exclui com esses dados.

Não assumir a responsabilidade e tentar jogar nas costas dele o que pertence evidente a outro periodo aumenta ainda mais a impressão de quem não pertence ao circulos deste pensamento, que eles são mentirosos e manipuladores de realidade, o corroborando ainda mais o que o dado em si já evidencia. E fornece claro munição ao a outro lado deste joho que faz das suas ideias a competição de quem mente menos.

Agora troquemos de perpectiva, vamos olhar pelo lado da esquerda. Não a kirchenista, mas aquela que assume que o blecaute fazia parte da falsificação da realidade. Ora nem essa esquerda, nem a direita, e principalmente nem mesmo Macri poderia alegar desconhecimento disto, se acusava o adversário de fazê-lo. E acusava pelo mesmo motivo que todo mundo acusava, não adianta publicar dados falsos, ou não publicar dados sobre a pobreza. A pobreza não é uma abstração de intelectuais e economistas como a mão invisível do mercado ou a reificação, elas existem na materialidade e para não vê-la é preciso enfiar a cabeça no próprio rabo do seu universo ideológico. Notem que citei a reificação e as leis de oferta e procura, dois conceitos que uso bastante no meu pensamento, mas são conceitos que fazem sentido dentro da coerência de determinado sistema de pensamento, não encontram correspondência com a realidade apenas como o fato de uma criança morta. Não são um fato, mas teses. Demandam raciocínio e não apenas sensibilidade. Ou melhor demandam trabalho intelectual honesto sem desconexão com a com essa realidade sensível.

Ora vejam como a desonestidade de um reforça a do outro como alibi. Macri diz baseado na falsificação da realidade kircehenista que não pode cumprir sua promessa de campanha da Pobreza Zero, porque não sabia da realidade argentina. E lá vai mais um produzindo a sua narrativa mentirosa não apenas da realidade, mas das suas intenções e e já preparando as desculpas para seus crimes futuros não só de omissão escorados simbioticamente na alienação e falta de credibilidade dos seus contraditores.

Em resumo, então Kirchenistas instrumentalizam o dado como prova dos seus argumentos contra o que Macri não fez ainda. Macri como prova do que eles fizeram e desculpa para o que não vai fazer e nunca teve intenção de fazer. E a realidade onde fica: está lá no mesmo lugar:

Um terço dos argentinos na pobreza. E metade, repito METADE das crianças na mesma condição de violação dos seus direitos fundamentais.

Qual então é a terminologia adequado para responder a quem fica defendo seus idolos enquanto a molecada é reduzida a objeto de suas disputas politicas e ideológicas? Qual é o termo técnico: É vai se foder.

Mas isso também isso por si só é pode não ser desonestidade intelectual mas também não passa como tudo que escrevi aqui de discurso. Saindo da minha própria perspectiva agora para criticá-la. A mesma pergunta que fiz aos alienados da direita e de esquerda, tem que ser dirigida a mim mesmo:

E eu senhores? perguntem-se comigo o que faço por essas crianças neste exato instante senão usá-las para justificar minha visão de mundo? Se quisesse mesmo se honesto e humano comigo, com vocês e sobretudo com elas, deveria estar pagando uma renda básica para tantas quanto pudesse. Ou no mínimo, no mínimo tentando de verdade. Como tenho feito com outros lugares da Europa, Africa e Brasil. Articulando e contribuindo como posso para levar a prática também para America Latina e não só para a Europa.

Mas como saber que eu não estou fazendo demagogia? Com o minusculo sucesso de Quatinga Velho? Não, com todos os fracassos, com todas batalhas lutadas e perdidas junto a amigos para colocar o ideal em prática. Paranapiacaba… Santo Antonio do Pinhal… É a bagagem de todas as tentativas e erros que me levam as vezes a acertar alguma coisa e ao invés de contestar fabricar ou manipular dados, construir novas realidades para alguém.

Mas é daí, foda-se meu orgulho pela minha historia de vida. Fodam-se os idiotas politizados e seus ídolos e demagogias e desculpas. O que importa de fato, a questão é o a vamos fazer? Fazer. Não com a pobreza, ou com as pessoas pobres, mas por elas.

O dialogo, a idealização é fundamental, mas como preludio da ação. Porque o resto punheta coletiva, é selfie. E em cima da desgraça alheia.

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Aliás neste caso o problema e o mico é seu. Porém, posar em cima de seu dos seus próprios crimes contra o povo, fazer dele sua peça de propaganda politica.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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