Um paralelo entre os segredos da 2° guerra mundial e os crimes na Síria

Os aliados sabiam? E nós sabemos ou não o que está acontecendo exatamente agora?

Recentemente fiz uma série de questionamentos sobre o que até então seria seria uma hipotética omissão dos aliados no Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial. Levantei essa questão inclusive estabelecendo um paralelo com a Siria.

Eles sabiam destes campos, ou que acontecia neles? Quando exatamente se “descobriu” o holocausto e como? Ninguém desconfiava? Qual era o nível de informação proveniente de denuncias ou espionagem durante a guerra sobre o holocausto? É realmente possível um extermínio em massa desta dimensão passar desapercebido? (…) Até que ponto o extermínio era completamente desconhecido e até que ponto foi tolerado? Ou mais precisamente até que ponto o desconhecimento (ou desinteresse por tomar conhecimento) constituíram tolerância? (…)

Realmente fiquei “curioso” se existem documentos do período ou teses publicadas acerca de qual era o grau de conhecimento do holocausto e qual era os planos estratégicos (se haviam) de intervenção? Em que grau interessava ou desinteressava completamente para o bem e para o mal esse extermínio as demais nações aliadas? E por consequência de que forma as potencias lidam até hoje com os crimes contra a humanidade como no caso do ataque com armas químicas [ou bombas] na Síria? Oportunismo? apoio velado? ou até mesmo um jogo duplo bem mais complexo, onde o líder genocida Assad e os grupos terroristas opostos também não passam de peça de tabuleiro das potencias nesse teatro de operações? Peças a ser movimentadas ou mais precisamente deixadas a se movimentar livremente até que que eles possam o usar o rastro de cadáveres que esses maniacos produzem como base ideológica de suas futuras alianças e disputas nos jogos de guerra da mais nova ordem mundial? — comentários sobre o livro a Não-violência protege o Estado

Pois bem, não sei se por causa do paralelo com a atualidade, mas parece que mais gente está preocupada em entender melhor essa historia.

“Milhares de arquivos divulgados esta terça-feira revelam que os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética tinham conhecimento do Holocausto nazi dois anos e meio antes da descoberta dos campos de concentração, durante a II Guerra Mundial.

Os documentos secretos até agora guardados pela Comissão de Crime de Guerra das Nações Unidas datam do ano 1943 e estão a ser disponibilizados ao público pela primeira vez, pela Biblioteca Weiner, sediada em Londres.

Os arquivos mostram que os governos do Reino Unido, dos Estados Unidos e da União Soviética já preparavam acusações de crimes de guerra contra o Hitler em dezembro de 1942, depois de terem tido conhecimento de que cerca de dois milhões de judeus já tinham sido assassinados e outros cinco milhões estavam em risco de vida. Contudo, na altura pouco fizeram para tentar resgatar ou providenciar um lugar seguro para os judeus em perigo.” — Aliados sabiam de campos de concentração nazis e não fizeram nada

Não sei portanto quais são exatamente os motivos e preocupações pela qual se levanta o segredo sobre essa documentação justamente agora, mas se é mera coincidência então é bastante oportuna, porque entender essa dinâmica das disputas geopolíticas, guerras e genocídios para além da propaganda dos bons contra os maus ignorando mais uma vez como se processa o continuo extermínio daqueles que são considerados “feios”, “sujos” e “mal-nascidos” é algo que não pode mais ser empurrado para debaixo do tapete da história como um “assunto proibido”. É preciso correr atrás do tempo perdido e entender como essa monstruosidade de fato ocorre debaixo dos olhos de todos para termos a certeza de ela não virá (ou já não está voltando) a ocorrer. E isto com uma urgência de meio-século de atraso e obliteração que só segredos e interesses de Estado são capazes de sustentar.

Nos crimes contra a humanidade da atualidade vende-se a ideia que as potencias envolvidas estão empenhadas em descobrir o que aconteceu e quem é de fato o responsável pelos massacres cometidos no curso das suas guerras. Mas vamos deixar a ladainha de lado e vamos direto ao ponto: empenhada elas estão em qualificar ou desqualificar conforme sua partipação e interesses em usar esses crimes; em fazer das suas retaliações demostrações de força e poder bélico; E o mais importante:

tão empenhadas tanto em se acusar mutua e publicamente, estão empenhadas em tacitamente em dar prosseguimento a guerra sem retroceder um milimetro em seus interesses geopolíticos por nenhuma razão humanitária.

Considerando que as partes envolvidas não são fonte de informação fidedigna deixemos a propaganda deles de lado e vamos nos ater somente aos dado concreto que temos:

o assassinato em massas de milhares de pessoas e a fuga de milhões de refugiados de guerra.

Não sabemos exatamente quantos massacres foram perpetrados, por quais das partes, com a cumplicidade ou omissão de quem. Mas uma coisa sabemos: foram perpetrados por uma ou mais partes, sempre com a cumplicidade de um ou mais potenciais de cada lado e com certeza com a omissão de todos. Alias omissão uma ova! Omisso sou eu. Isto é na melhor das hipóteses uma tolerância cúmplice enquanto anuncia tácita ou falta de acordo e proatividade para findar a guerra.

Na verdade a “falta de um acordo de paz” é apenas a forma lógica reversa eufemista de (não) afirmar o acordo tático para manter o estado de guerra. A famosa inverdade no lugar da mentira. Que neste caso, o estado de guerra, implica na aceitação dos crimes contra humanidade inerentes a esses conflitos como meras “casualidades” até que se prove o contrário, ou mais precisamente, até que estrategicamente interesse provar o contrário.

Temos portanto, N suspeitos de cometer os crimes contra a humanidade, N suspeitos de cumplicidade, e N suspeitos de omissão criminosa. não sabemos qual é o papel de cada um deles em cada crimes em particular, mas sabemos uma coisa: nenhum deles é inocente. Ou pior: sabemos exatamente quem são os inocentes, mas são irrelevantes perante as “razões de Estado” e os seus defensores e advogados gratuitos e voluntários.

Não há uma potencia armada envolvida de alguma forma e algum grau neste crime que não seja conivente. Porque para haver conivência não é preciso exigir alianças nem conspiração, não é preciso existir acordos explícitos ou ocultos, basta que haja um único acordo, o acordo tácito da manutenção de guerra para causar, provocar e prolonga um conflito que poderia ser encerrado, pacificamente ou não, se ao menos uma, uma das partes não estivesse ali por interesses militares, econômicos e geopolíticos, e sim de fato para defender a população.

A participação, deflagração ou até patrocínio de guerras por interesses estratégicos e disputas geopolíticas, não é um crime de guerra é em si uma guerra criminosa dado que nenhuma destas ações é feita em legitima defesa ou como intervenção humanitária. Todas essas baixas civis inocentes, sejam elas perpetradas por terroristas rebeldes ou governamentais, ou as potencias que apoiam e também atacam não são casualidades, mas crimes. Definir quem, quanto cada parte foi omissa, cúmplices, coniventes ou a própria executara das mortes perpetradas é importante, mas não neste momento onde os nada inocentes ainda empilham cadáveres. Neste exato o que importa é frear a guerra, denunciar e condenar e frear todos os que com certeza não tem as mãos limpas, e não seletivamente defender as razões ou posições deste ou aquele ou alternamente como se isso fosse sinal de imparcialidade.

Não há como ser imparcial perante ao menos um dos lados, o lado das vítimas humanas. Porque a imparcialidade já é se configura como omissão e cumplicidade com quem quer seja o criminoso o cúmplice ou o omisso, ou com todos eles juntos e misturados.

Há um lado da guerra que não tomar partido constitui sempre um crime de omissão e traição: o lado da humanidade. Não tomar partido dos inocentes que exterminados nesses jogos de guerra, é trair a própria a humanidade. É servir como tolo voluntário no exercito inimigo que não te considera como ser humano, mas ou alvo ou mera eventual baixa civil.

Mas eis a questão: quem de fato está preocupado com isso? Quem está preocupado em tomar partido não deste ou daquele lado, mas daqueles que estão a ser mortos por ambos?

Há muitas analises e advogados pro-EUA e “rebeldes” ou pro-Russia e “regime” de Assad, que transbordam hipocrisia enquanto tentam vender uma neutralidade e imparcialidade impossível. Quem lava suas mãos perante o massacre não é neutro. Ser a favor da inocência dos suspeitos para fins de evitar prejulgamentos é uma coisa, colocar essa presunção acima dos direitos de quem de fato e inegavelmente é a vitima inocente, é na prática concordar com a continuidade do genocídio até que defina os culpados.

Aquele que não toma partido de ninguém mesmo que não constitua suas analises numa critica aberta a todos os lados em conflito, é aos olhos dos beligerantes um inimigo declarado de seus interesses convergentes: a guerra. Aquele que denuncie o próprio acordo que constitui o estado de guerra, seja ele oculto ou tácito este então é o inimigo de Estado. De todos os Estados.

Por outro lado, aquele que se julga neutro por fazer analises que não denunciam nem defendem ninguém, mas apenas colocam as “razões de Estado” para ir guerra como a explicação da mesma, esses então não é neutro mas um idiota útil, a serviço de todos os lados, é o aliado de todos os estados de guerra. O advogado do própria guerra e da inevitabilidade das suas consequências criminosas.

Não. Simplesmente, não. As razões ou motivação dos criminosos sejam eles agentes de Estado ou “pessoas comuns” não explica nem em hipotese alguma justifica a suas ações. Por uma simples razão: elas não se sobrepõe aos direitos a vida e liberdade das vítimas. E as razões do seus crimes e violência seja elas considera uma anormais e patólogico ou socialmente aceitas ou pior legitimadas como legais, são em a causa, o fator determinante para que ocorra a guerra e seus crimes.

Um dos lugares comuns mais absurdos e banalizadores desses crimes de guerra é essa da pseudo neutralidade do “analista” que acha entendeu tudo porque não comprou a propaganda dos mocinhos contra os bandidos de nenhum dos lados e que está explicando as razões da guerra quando enumera as motivações e interesses geopolíticos e econômicos das partes para ir a guerra. As motivações dos criminosos não são as causas do crime, nem as falsas alegadas nem as verdadeiras e ocultas. Psicopatas também não matam porque são bons ou maus, e também tem n motivações bem elaboradas para racionalizar ou suas ações mais absurdas. A motivação deles na verdade não explicam a natureza da suas ações mostruosas, mas a peculiaridade de cada uma delas. Porque o que explica o fato destes ou daqueles serem capazes de perpetrar massacres é justamente o fato de terem essa absoluta certeza de que os seus fins justificam os meios. Psicopatas e tiranos possuem uma ethos semelhante: ambos acreditam que o valor das suas motivações estão acima de qualquer coisa e justificam todos seus atos, inclusive seus crimes contra a vida e dignidade alheia.

Se o fetiche dos tiranos genocidas por posse e poder não fosse compartilhado como normalidade pela maioria das pessoas, será que elas não o tomariam por piscotico? Ou pelo contrário se a mania dos assassinos em série fosse matar para roubar, será que eles seriam tomados por criminosos comuns?

As razões da guerra e sues crimes não estão nos argumentos dos suspeitos e criminosos de guerra, mas justamente neste ethos que pressupõe que podem haver razões ou licença para que eles sejam praticados. Está na ethos subordina os direitos humanos as razões de Estado. Nessa doentia normalidade patológica que aceita como normal e legal a inversão de valores que subordina seres humanos as manias e fetiches de posse e poder, desde que eles sejam devidamente qualificados, legitimidades como interesses estratégicos políticos e econômicos.

Se por exemplo holocausto for cometido não porque o supremacista odeia e quer exterminar aquela raça, mas apenas porque ela constitui um bode expiatório ou um empecilho a consecução dos seus objetivos. Isso muda a monstruosidade do crime?

Se um assassino mata por razões “comerciais” e não pessoais ou raciais, isso torna ele menos perigoso? Se um povo é exterminado porque seus assassinos o odeiam e não porque se queria simplesmente se livrar dele para tomar suas posses

Quando um analista apresenta as razões politica e econômicas quando tiranos matam milhares como se elas fossem ou explicassem as razões da guerra. Ele está não está apenas se esquecendo que não existe justifica para a legitima defesa que senão a própria defesa da humanidade como pessoa (particular) ou multidão(universal). Ele está também tacitamente endossando essa perversão e crimes com base nos princípios que os psicopatas estatais usam para racionalizar seus manias: a fantasia das razões de Estado e personificação de vontades alheias amalgamadas nesta ficção de coletivo.

O que vem primeiro o ovo ou a galinha? Tostines vende mais por que é fresquinha ou é fresquinha porque vende mais?

Reflita: que importa se por exemplo o genocídio e escravidão negro foi praticado por que os brancos odiavam os negros e por odiá-los usaram eles como carne e propriedade para satisfazer seu fetiches e não se engane não só políticos e econômicos. Ou se por ter fetiches políticos econômicos e sexuais frustrados eles tomaram o negro primeiro como objeto para a satisfação e concretização deles e depois justificam seus atos monstruosos com propaganda de ódio, projetando elementos desumanizadores e desprezíveis nas suas vítimas para justificar a barbárie e perversão da reificação do outro?

Como certeza para os sobreviventes entender para curar essa doença e evitar que ela dissemine de novo no inconsciente coletivo da humanidade, isso é importante. Mas durante o massacre, para os que estão sendo dizimados ou aqueles que realmente se importam em acabar com isso, a ordem dos fatores, ou seu ciclo de reprodução é o que menos importa. Importa sim é deter os loucos e maniacos recalcados especialmente os mais perigosos que estão armados, principalmente aqueles que estão armados e protegidos pela força armada e falsa legitimidade de um Estado inteiro.

O estado de paz é um acordo tático da sociedade e governantes, onde a pessoa de paz renuncia ao seu direito natural a violência em favor não de monopólio da violência, mas de sociedades de paz. O estado de guerra é o acordo tácito entre esses monopólios a revelia das sociedades que não apenas viola esse contrato social de paz, mas ataca essas pessoas e sociedades. Seja como alvo, seja como mera casualidade essas vítimas estão reduzidas a mesma condição:

Não podemos ser covardes e ter medo de queimar porque seremos desqualificados pela propaganda ou policia ideológica consciente ou não como radicais.

Onde existe uma diáspora do tamanho que está ocorrendo com os povos do oriente médio, e sempre na Africa. Se não existe um desestre natural de proporções apocalípticas há uma guerra genocídios até onde se sabe de milhares. Examinando as razões justificava dos seus perpetradores nunca há. Olhando para os dados fatos consequentes dessas ações a pergunta se inverte como esconder ou negar isso?

O que está ocorrendo hoje no mundo debaixo do nosso nariz é um crime explicito contra a humanidade. E que tende a escalar diante da nossa omissão. Há idiotas que batem palmas para Trump, idiotas que batem palmas para Assad, e até idiotas que relativizam e racionalizam as ações de Assad ou dos “rebeldes”. E sempre é possível relativizar tudo, menos aquilo que se removem de você já era o seu aparelho produtor de subjetividades e relativizações: sua vida. Ou em termos chulos, relativo e subjetivo é sempre o cu dos outros, o nosso é propriedade absoluta e bem objetiva.

O principio regente dos direitos humanos e constituição da humanidade é a solidariedade, ou irmandade. E ele não é lógica nem dignamente relativo nem subjetivo a nada senão a si mesmo, é universal. Por isso não há o que relativizar ou racionalizar: interesses “militares”, “geopolíticos” e “econômicos” são o mais novo eufemismo para um dos crimes mais antigos cometidos pelos impérios (hoje potencias) em sua noção de ordem mundial em sua marcha colonizatória rumo até a globalização: o holocausto.

As pessoas se preocupam demais em não serem consideradas radicais e estarem dentro da ditadura da normalidade. Meu amigo quem se deixou se levar por isso quando o nazismo ascendeu na Alemanha terminou ou assassinado ou assassino. Quem se deixou levar em qualquer momento de crise história de valores, acabou como vitima ou cúmplice de atos que se dependesse somente de sua vontade, da sua natureza jamais teriam sido cometido. Porque a predisposição para amar alguém que não se conhece nasce conosco, mas a predisposição ao ódio o desprezo ao outro está perversão precisa ser ensinada… e aprendida.

Ok. Nossa vontade e objeções de consciência não valem nada. Não compram um café na padaria, mas esse é justamente o ponto: é por isso que você vai entregá-las assim sem resistência? Elas não comprar um café na padaria, mas a solidariedade pode comprar mais que isso para alguém que precisa. Porém essa vontade solidária não nasce no vácuo, é preciso afirma-la, é preciso deixar de ser neutro e imparcial com nossa própria natureza e humanidade.

Porque o conforto daquele que defender o interesse alheio de quem detém o poder. A neutralidade de quem não toma partido de nenhum lado, nem mesmo o a ilusão do gado de abate. Querendo ou não todos mesmo quando traímos negamos ou nos tornamos monstros que a perseguem: tomos pertencemos e não tomar o partido da humanidade ou tomar partido de qualquer outro que se diga representá-la ou defendê-la a sua revelia. É render-se ao inimigo.

EUA? Russia? governo sírio? rebeldes? Perdão, os únicos interesses legítimos não estão com nenhum deles ou entre eles. Mas mortos, junto com uma parte irreparável da nossa humanidade perdida.

Pobre de quem nem sente mais que morreu junto com essas crianças. Porque já é a imagem e semelhança dos Trumps, Putins e Assads do que gostaria de ver. E nós de todos eles. Porque saber sentir e pensar diferente não nos torna outra espécie. Há coisas que ou mudamos juntos, ou não mudamos: uma é o mundo outra é a nossa natureza humana.

Mas foda-se a evolução espiritual, porque se há alguma coisa que eu disse aqui que presta é isso: ela não está no nosso mundo interior, no além, nas nossas meditações transcendentais, reflexões filosóficas, ou bobagens ideológicas materialistas para esta ou outra vida. Ela está aqui encarnada bem diante dos nossos olhos.

Aqui está o retrato da sua e da minha consciência, da nossa evolução humana e espiritual. O retrato mediúnico da alma de quem somos e não conseguimos ainda ser:

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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