Trabalho e Propriedade: Do Programa Mais Médicos à crise da ordem geopolítica mundial

Uma viagem sobre a posse, produção e distribuição da saúde, sanidade e vida como bem alienável

O caso dos cubanos no Programa mais Médicos está longe de ser um evento isolado. Muito pelo contrário, é sintomático. Guardadas as devidas especifidades e proporções, como este caso em questão há n outros que trazem a tona um problema muito maior: a crise sistêmica da ordem mundial atual. Embora, esteja ciente e seja importante salientar de antemão, que os problemas do programa em questão, ou mesmo ainda mais especificamente do tratado celebrado entre os governos de Cuba-Brasil (e intermediado pela OMC), não se resumem, nem muito menos se explicam somente pela crise, aliás, Nem nem sequer esses problemas em particular, quanto mais o problema maior da saúde pública e trabalho no Brasil. Por outro lado, também não se explicam isoladamente por essas distorções, e logo nem tão se resolverão somente e exclusivamente as eliminando. Não, não vão.

Evidentemente que reconhecer a complexidade e dimensão do problema não implica em hipótese alguma defender automática (e desonestamente) a manutenção desses problemas em particular. Mas sim em entender que esta abordagem anti-corrupção, ao contrário da crença, não vão resolver o problema. Acredita-se hoje, muito por causa do desespero por soluções urgentes em medidas que sejam milagrosas. Milagres, na qualidade de eventos e fenômenos com probabilidades que tendem ao praticamente zero, ou seja exponencialmente próximos ao absolutamente impossível até acontecem, mas justamente por estas estas características fenômeno-cosmológicas que compõe sua definição conceitual, o praticamente impossível que eventualmente acontece, esperar ou só torcer ou rezar para que eles aconteçam é de longe o menos prudente de todas os procederes comportamentais. Na verdade, como ilusão só perde para contar para o contar que eles aconteçam quando é mais fácil cair outro avião no triangulo das bermudas brasileiro, ao menos para os políticos e empresários brasileiros, do que chover o maná em nosso deserto graças a algum messias ou seus discípulos.

Absolutamente necessário é o combate a corrupção em todas de contratos e contratação desde o governamental ao empresarial, não só dentro das fronteiras jurisdicionais nacionais, mas além no âmbito das relações exteriores. No entanto esse combate não é operação milagrosa, pilula mágica, remédio de olho de cobra nem meia ungida que cura tudo, nem trabalho que trás a pessoa amada em 3 dias. Esse trabalho é tão somente a urgente e necessária assepsia das feridas abertas e nações, mas não é a cura nem muito menos a vacina contra seus males históricos.

O combate a corrupção, é enquanto remédio o procedimento que busca a eliminação dos parasitas e vermes que infestam essa ferida enfraquecendo e causando mais doenças, e enquanto profilaxia os procedimentos de higienização que ajudam a manter-se limpo. Mas não é a cura da doença, nem das chagas que ela provoca, porque se levarmos a metáfora a sério, há de se considerar que está feridas e infestada já gangrenaram faz tempo, e limpar membros e órgãos já completamente mortos apenas reduz o fedor e aparência de podridão, enquanto silenciosamente a gangrena só aumenta.

Em suma estas abordagem reativa, por mais radicais invasivos que sejam as medidas e procedimentos de tratamento de choque, por mais cirúrgicas que sejam as operações e intervenções jurídicas, policiais ou mesmo militares as chances de sucesso sem eliminar as causas socioculturais e infraestrutural dos males é ínfima, para não dizer nula na falta de fé em milagres ou ciência das incerteza mesmo sobre as probabilidades mais remotas. Assim, seja esse combate efetuado somente na superficialidade da epiderme do tecido social contra os menores oportunistas instalados nas extremidades mais periféricas do corpo da nação. Ou ainda, seja este combate efetuado no mais profundo e abrangente centro nervoso e intestinos do poder, contra os grandes e poderosos parasitas do fisiologismo, que diga-se de passagem não infestam mais só o aparelho excretor por onde entraram, mas os órgãos vitais de todo o aparelho estatal hospedeiro, incluso a cabeça para onde migraram e se instalaram faz tempo, afetando as funções mais básicas de muitos órgãos e processos fundamentais a sua sobrevivência, como por exemplo, o julgamento. Isso sem falar no fato que é difícil (para não dizer o erro fatal) contar com a reação e cooperação do sistema imunológico, quando a doença não só o debitou, mas por sua natureza contaminou grande parte das próprias células de defesa, fazendo-as trabalhar para sustentar os parasitas e não para proteger o corpo. Assim seja, portanto, um combate que se volte apenas para as feridas em erupção do tecido social; ou um combate dentro das entranhas do próprios aparelho estatal; ou mesmo ambos, um combate nestes dois frontes simultâneos; essa guerra contra a corrupção, e seus efeitos colaterais (para não dizer crimes correlacionados) como tráfico de drogas e crime organizado, é uma guerra que mesmo quando vencida não entrega jamais a solução que promete.

Mesmo quando bem sucedidas ou mesmos coordenadas entre si essas guerras, contra corrupção, drogas, terrorismo, crime organizado não são procedimentos capazes de sanar os problemas que se propõe a resolver. Isto porque não atua nas causas sistêmicas, mas nos efeitos diretos e colaterais, ou sintomas. Não curam. Não imunizam. E nem sequer higienizam, não sanam nem os ambientes domésticos onde essa doença e parasitas surgem e proliferam, que dirá os exterior que seus procedimentos mal tem acesso quanto mais controle ou jurisdição.

Limpar e fechar as ulceras e feridas, amputar as partes podres, e principalmente eliminar eliminar os vermes e parasitas dos órgãos vitais para que o organismo se restabeleça, supondo é claro que esse organismo que já não esteja morto, ou que ele não seja nada mais do que isso, um vetor para a doença é, repito, imprescritível, mas sendo realista, como solução exclusiva e isolada não resolve. No final das contas, é como costurar um soldado que vai voltar para a linha de frente de um campo de batalha, como espada e garruncha, contra tanques. Ou curar a bicheira de uma criança que vai voltar para sua casa insalubre para passar frio e fome. Uma causa perdida e luta inglória dele e do médico, porque sabemos que o doente tratado com tanto esforço dedicação sacrifício e as vezes até mesmo risco deste médico para salvar sua vida, e tanta luta desesperada do própria pessoa para sobreviver como puder apenas está voltando para sofrer e morrer do mesmo mal.

Logo quando falamos da eliminação dos vermes e parasitas, não estamos jamais falando de pessoas, porque isso seria como combater doença epidêmicas como genocida fanático e higienista, eliminando os doentes e não a doença ou suas causas . Rigorosamente eliminando da sua vista o que de fato lhe causa aflição, a visão dos miseráveis e doentes e não o sofrimento deles ou a doença nem em sua matriz nem em vetores. Até mesmo porque isto seria uma contradição impossível de atuação, mentalidade e interesses, dado, como veremos, que ele como ator social ou institucional é também vetor, e seus interesses incluso as aflições são também parte da matriz desse problema, no qual a mentalidade é um dos fatores determinantes, ou em outras palavras uma das principais causas desse mal.

Ou seja, dentro dessa analogia fisiológica, o combate a corrupção e eliminação dos seus agentes, mesmo quando devidamente entendida não como caça a pessoas, mas ao comportamento e condições não é capaz de corresponder as demandas e expectativas que tenta atender. Pois esse combate não se resume na eliminação de determinada atuação ou mesmo posição de atuação, nem muito menos na atualização ou correção de adoção de medidas e procedimentos preventivos que corrijam suas falhas. Não, a resolução do problemas não bastam medidas e ações de combate a ordem conjuntural, porque suas causas são de ordem estrutural que envolvem muito mais a omissão do que a falta de reação. De tal modo que não basta a derrubada de velhas estruturas viciadas, insalubres e corrompidas, nem muito menos a limpeza de estruturas condenadas, mas preciso é a edificação das estruturas não só institucionais, mas antes socioculturais básicas que sempre faltaram não só para evitar a infestação desses males, mas para garantir e proteger o bem comum. Não se engane, nossas estruturas tem apenas nome e fachada, são instituições que não foram edificadas com a finalidade que consta da sua razão social, nem são feitas senão a imagem e semelhança dos próprios aparelhos públicos estatais de concreto, verdadeiros elefantes brancos como um hospitais que só existem papel, no nome na porta, sem aparelhos, instrumentos, medicamentos, nem médicos. Uma peça de fantasia e ficção celebrada como realização em pomposas inaugurações, mas que na prática, ou seja de fato não passam de fantasmas cuja única finalidade verdadeira é dar razão a entrada e saída de operações contábeis de pilhagem legalizada, ou pero no mucho do erário.

Levando em conta essa característica inerente muita gente defende o Estado Mínimo por ser menos custoso aos contribuintes, nesta linha melhor então seria então logo suas autoridades assumirem e nós nos conformarmos com o caráter e proposito do Estado de transferência de renda e administração e proteção de bens das classes políticas e econômicas a quem ele privilegia e cobrar essa proteção mafiosa sem necessidade de gastar tanto dinheiro tentando fingir que acreditam que existam qualquer interesse que não o particular e que prestam algum serviço público e social. Poderiam cobrar menos e pilhar mais se se concentrassem apenas no que realmente lhe interessa e funciona a cobrança e coleta de impostos e punição de quem ouse não pagá-lo. O Estado mínimo policial ou mafioso, a gosto do freguês paladar que terá que engolir o que na prática é a mesma coisa, pois no final das conta estará pagando apenas para não ter mais de um ladrão a cobrar-lhe pedágio para viver, ou o que é a mesma coisa, o manutenção da pacificação via monopólio de da violência de uma corporação, em vez da guerra pelo controle do território entre várias facções ou projetos de ordem violenta rivais. Abandonamos de vez, o sonho dos direitos e igualdade e justiça e assumimos o ponto de vista clássico aristocrático: Onde manda quem pode, obedece quem tem juízo. Ou seja, nos conformamos que uns nasceram para servir outros para mandar e pisar no pescoço de quem e enquanto puderem, e essa é a natureza da legitimidade de fato de todo e qualquer poder, seus cultos e organizações sociais e estatais. Enfim, nos conformamos como fazem os minarquistas que desse mal não podemos escapar porque não temos meios nem forças nem capacidade para tanto, e portanto, nos focamos apenas em reduzir os danos, convivendo com um mal com o qual não temos como nos curar porque a quem tem o poder e conhecimento para eliminá-lo não interessa fazê-lo, e a quem interessa se ver livre dele, não tem o poder e conhecimento para conseguir fazê-lo.

Evidentemente que não é assim que se processa nem a cura. Mas também nem sequer a doença. Tal conformação não interessa nem mesmo aqueles que ganham com a perpetuação desses males. Vender o sonho e a esperança da sua cura, ainda que ela não exista, não sem abandonar esse paradigma, é fundamental para perpetuá-lo até onde mais cada célula contaminada continue trabalhando na esperança de um dia enfim se ver livre desse mal. Conformar-se sem contudo perder completamente as esperanças, isto é, continuar lutando para viver mesmo que conformado que viverá com um parasita até a morte provavelmente causada por este é essencial para a sobrevivência do parasita que por definição não só vive as custas do hospedeiro, mas não sobrevive sem ele. Por isso que em geral os lemas de independência se resumem a “independência ou morte”. Qualquer outra disposição do doente para tratar desse mal, é apenas uma forma ou estratégia tanto de preservá-lo quanto perpetuá-lo até o limite do interesse do parasita em abandoná-lo, o que só ocorre quando ele tem meios e condições de migrar para outro ambientes favorável para organismos hospedeiros.

O problema portanto é que estamos a pensar no mal como uma doença causada organismos oportunista e parasitários que infestam um corpo. Quando o próprio corpo como um todo, talvez seja o própria organismo parasitário, que sim padece dos males que causa ao hospedeiro, mas que ao contrário do doente não pode corrigir-se ou se livrar do mal, porque basicamente é a doença. Em suma, quando investigamos o problema mais a fundo, em busca de soluções, não podemos ignorar a hipótese que o organismo que estamos tentando salvar não só já tenha se corrompido completamente e entrado em falência irreversível, mas que em verdade, este organismo que rigorosamente não é senão um corpo artificial, nunca foi responsável pela saúde do organismo nem do ambiente natural, mas pelo contrário quando em perfeito funcionamento é o principal responsável pelos males que afligem esses povos e nações dos quais literalmente se sustenta e alimenta, e portanto a própria causa dos próprias faltas e falhas que engendram sua corrupção, decadência. O mal estaria portanto não apenas no seu DNA, mas na gene que constitui esse corpo artificial exatamente naquilo que é, de tal modo que a tão buscada cura, a solução da causa do problemas exigiria nada menos que a completa rearquiteturação dessas estruturas e padrões, mas uma vez isso feito, não só o produto final seria um novo organismo completamente distinto do primeiro, mas a inevitável extinção da antiga forma de organização, a qual não há remédio, nem cura possível. E por uma simples e evidente razão, não existe possibilidade, porque o problema não é uma questão de possibilidades, mas de erro de abordagem e cálculo. Estamos tentando somar e multiplicar com operadores feitos para dividir e subtrair. Não estamos a tratar a doença, doentes nem suas causas. Porque aquilo que desesperadamente tentamos salvar e melhorar longe de ser a uma solução ou bem em si, se não é o mal em si, é uma das suas principais causas, mas ainda sim não a determinante.

Não. Se o fosse bastaria abandonar o falso tratamento que só perpetua a miséria do doente e o parasitismo, a redução do Estado, e bastaria cortar o mal pela raiz. Derrubar o Estado. Mas como prova a história, essa solução nunca funcionou senão como ilusão efêmera de cura, pois assim como a mera limpeza da corrupção, apenas abre espaço, para novo ciclo de infestações oportunista e parasitárias, a destruição do Estado, igualmente também só abriu espaço para a proliferação de uma nova colonia de parasitas, outra arquitetura, outra organização, mas em essência o mesmo padrão de relação doentia, parasitas-hospedeiros. Não. O mal que sempre renasce como promessa e esperança popular de remédio e salvação para matar o infectado nos últimos estágios com o mesmos pilhagem tirania e falência múltipla dos orgãos. Longe de estar na natureza oportunistas dos parasitas e seus processos, está antes na sociedade que não tem absolutamente nenhuma imunidade nem defesa contra eles. Mais do que isso, esses parasitas estão tão bem adaptados para viver as custas dos hospedeiros, e os hospedeiros tão corrompidos que se o primeiro por definição nunca conseguiu viver enquanto tal sem o segundo, este já não consegue mais sequer consegue conceber como viver sem suas chagas, sente falta de cútuca e cocá-la e reclamar delas e toma o tumor como se fosse uma parte do seu corpo, até porque jamais conheceu ou tem memória do que o viver livre dele. Por sinal, uma perda de memória e medo de conseguir sobreviver sem a doença, ou da operação que a livraria dela, fazem parte dos sintomas que dificultam sobremaneira qualquer tratamento, já que ele sequer pode se iniciar se ninguém reconhece ou quer se livrar do mal.

Há portanto, neste mal há 3 dimensões a serem considerados e combatidas e qualquer uma delas que reste, implicará no retorno dessa doenças socioculturais epidêmicas que a humanidade convive literalmente desde que se reconhece por gente, ou pelo menos como gente por exclusão do outro, desde que se reconhece como civilização por oposição a barbárie. O combate aos parasitas político-econômicos; o desenvolvimento de imunidade e defesas socioculturais, e a neutralização das condições ambientais (naturais e sobretudo artificiais) nas quais esse mal se propaga e prolifera e sobretudo prevalece.

Considerando que tanto a imunidade quanto o seu oposto a vulnerabilidade social e cultural as superestruturas políticas e econômicas que parasitam e tiranizam a humanidade são produto da capacidade dos seres e grupos em transformar a si e ao meio simultaneamente, adaptar o mundo a si, e a si ao mundo em constante mutação nesta relação. Temos por imperativo entender não só quem somos e o mais importante o que pretendemos ser, mas que mundo em constante transformação é este, e em qual momento estamos, se num periodo de transformações mais lentas, ou se pelo contrário, justamente num dos pontos de salto e ruptura que caracterizam as crises e revoluções e seu nível. Pois longe das crises serem apenas políticas, econômicas, financeiras, institucionais ou mesmo culturais, as crises por vezes não estão restritas a nenhuma destes campos, mas não só cruzam suas fronteiras como rigorosamente podem ser mais profundas. Podem ser crises sistêmicas envolvendo todo esse complexo, ou ainda mais revolucionárias se o que estiver em queda e renovação não for simplesmente a lógica interna do sistema, mas a lógica a qual o sistemas responde e é composto incluso em suas compartimentalização em campos, uma crise portanto na visão e concepção de mundo e do ser e dos sentidos existências, uma transformação de signos e valores e padrões de ordenação e organização que compõe a mentalidade e a pisque coletiva. Uma mudança na pisque dos indivíduos capaz de alterar não só comportamentos, ou preconcepções, mas a própria estrutura e funcionamento do pensamento não só do indivíduos, mas das redes formadas por esses nexos e ligações. Uma revolução de paradigma que enseja transformações concretas não só no que concerne o desenvolvimento de imunidade contra antigas vulnerabilidades, mas antes disso e por consequências disto, de transformação da compreensão e relações que compõe o que entendemos por mundo e natureza ou ordem mundial e natural. Transformações portanto da ciência e consciência em sentido profundo como estado de espírito, ou da episteme e pisque e não apenas como método de abordagem e aquisição e verificação racional e experimental do conhecimento.

Alguns autores trataram esse mal como subdesenvolvimento e elaboram como remédio o chamado desenvolvimentismo. Que como a experiência histórica demonstra enquanto remédio se constitui em veneno pior que a doença. Mas assim como a metáfora com a saúde, não deve ser descartada porque sempre haverão idiotas e idiocratas dispostos em se apropriar da metáfora para suas taras tanáticas e interesses genocidas, apontando para eliminar seres humanos como se fosse a pessoa humana o mal e não justamente a mentalidade e comportamento que não por acaso ele encarna e replica e propaga quando assim procede. Também a noção de desenvolvimento e sua falta se livres da preconcepção utilitaristas de progresso geral ou dos outros que por obvio não significam necessariamente o seu em particular , mas não raro o oposto, temos nesta tradição de analise do desenvolvimento senão uma solução, ao menos um bom ponto de partida.

Assim quando falamos do mal, como o padrão que se replica e perpetua para além dos os agentes e entidades, atores, cargos, órgãos, funções, dos organismos e corporações, como mentalidade usamos o termo cultura e como estado infra e supraestrutural chamamos de desenvolvimento ou melhor subdesenvolvimento. Embora o politicamente correto nos diga que a palavra subdesenvolvimento seja pejorativa, não é com base na cagação de regras que devemos escolher os termos, mas sim com suas correspondência com a realidade dos fatos ou fenômenos. De modo que em desenvolvimento, ou em construção cabe aquela obra em andamento, ainda que lenta e atrasa, e não pelo contrário, a obra que não só foi abandonada e ocupada para outros fins, mas que em verdade está ruindo enquanto continua a ser pilhada. Neste sentido a palavra subdesenvolvimento também não deixa de ser um eufemismo, mas vamos nele apenas para não perder o fio da meada do contexto histórico.

Logo, considerando a correlação entre os problemas de subdesenvolvimento de ordem nacional, tanto na esferas sociocultural e socioeconômicos quanto nas esferas infraestruturais e infra-institucionais da ordem política-jurídica e política-econômica, estão profundamente relacionados a ordem internacional. Tomarei a questão dos Mais Médicos para analisar (ou divagar) sobre um problema maior: as relações domésticas e internacionais entre o capital e trabalho ou simplesmente a ordem mundial vigente.

Para tanto, para entender a dimensão do questão, ou melhor do problema em toda a sua extensão vou tomar um outro caso como exemplo para traçar um paralelo e equacionar os fatores comuns deste processo: A construção de um navio de guerra Dinamarquês.

O documentário “The Warship’s Secret” (O Segredo do Navio de Guerra), lançado em 26 de setembro [ano passado], diz que o navio dinamarquês de última geração Lauge Koch teria sido construído na Polônia por escravos norte-coreanos. As acusações foram justificadas por contratos, recibos e testemunhas.

O Lauge Koch, que custou à Dinamarca mais de US$ 80 milhões (R$ 253, 16 milhões) e será revelado em dezembro, é obra da construtora de navios Karstsensens Skibsvaerft, que terceirizou a construção para a Crist, na Polônia, que, por sua vez, recrutou um subcontratante polonês que recorreu a trabalhadores norte-coreanos pela companhia Rungrado. A empresa pública Rungrado foi penalizada pelas sanções por alegado comércio de tecnologia de mísseis.

Por enquanto, não está claro quanto dinheiro dos contribuintes dinamarqueses foi parar na Coreia do Norte.

No entanto, de acordo com dados da ONU, Pyongyang recebe até US$ 2 bilhões (R$ 6,3 bilhões) com seus trabalhadores estrangeiros. Desde a chegada ao poder de Kim Jong-un, o número de trabalhadores norte-coreanos no exterior tem subido, totalizando agora cerca de 100 mil.

“Trabalhadores norte-coreanos no exterior são uma importante fonte de renda, usada para desenvolver programas nuclear e de míssil da Coreia do Norte”, disse Jai-chul Choi, embaixador da Coreia do Sul na Dinamarca no documentário da DR. “Caso a verba de impostos dos contribuintes tenha sido usada para programas nuclear e de mísseis, será uma catástrofe”, acrescentou.

Alguns partidos dinamarqueses já exigiram explicações do ministro da Defesa do país, Claus Hjort Frederiksen.

“É um caso constrangedor para as autoridades polonesas, mas também é um caso constrangedor para o Ministério da Defesa dinamarquês”, disse o porta-voz do Partido Social-Liberal da Dinamarca, Martin Lidegaard.

Primeiro, as Forças Armadas do país e a construtora Karstsensens Skibsvaerft negaram o envolvimento de norte-coreanos na construção do navio. No entanto, o brigadeiro-general Anders Maerkedahl admitiu ser impossível excluir a participação dos mesmos. No documentário, vários trabalhadores poloneses confirmaram que alguns norte-coreanos teriam trabalhado na construção do navio como soldadores.

“Seria completamente escandaloso caso seja verdade que trabalho escravo norte-coreano tenha sido usado em um país da UE como a Polônia. Mas eu não vejo o que pode ser feito para investigar as alegações sobre a construção do Lauge Koch agora, alguns anos depois de o navio ter sido concluído”, escreveu o ministro da Defesa dinamarquês, Claus Hjort Frederiksen, em e-mail à DR.

Segundo o documentário, os trabalhadores norte-coreanos vivem em condições próximas da escravidão, privados de seus passaportes e da liberdade de circulação, sendo vigiados constantemente e trabalhando até 20 horas por dia. Anteriormente, algumas organizações não governamentais descreveram os norte-coreanos como “escravos modernos”.

Antes de mais nada um parenteses com viés metodológico.

É evidente que a notícia faz parte da guerra de informação, desinformação e contra-informação na atual conjuntura de crise e escalada dos conflito da ordem geopolítica internacional. E assim como esse episódio ganhou certa visibilidade dentro de uma determinada agenda, outros tantos casos jamais virão a tona como objetos de nenhuma investigação jornalistica, jurídica ou mesmo histórica, nem por parte de um grupo de interesses nem dos outros. Porém, como este escrito não tem a pretensão (nem condição) de fazer nenhum tipo de investigação ou julgamento do episódio em si; nem é essa guerra informacional o objeto desta análise, apenas farei a consideração prévia que as dúvidas razoáveis sobre a veracidade da matéria, não inviabilizam sua utilização dentro do método que vamos utilizar. De fato, a matéria poderia ser até ser inverídica, ou poderia até mesmo utilizar um narrativa de ficção para construir esse paralelo, desde que a trama fosse absolutamente verossímil. Por sinal, o atributo que diferencia uma boa mentira dá má ficção, o nexo da trama que permite nos dizer que mesmo não sendo absolutamente verdadeira, poderia o sê-lo. É portanto sobre essa lógica que as mentiras não só conseguem adulterar, mas precisam obedecer se quiserem atingir seu objetivo, serem críveis. Evidentemente para pessoas livres e não cegas, alienadas e imbecilizadas por credos fanáticos e fundamentalistas, ou mais precisamente, adestradas a responder reflexa e condicionalmente a argumentos de autoridade ou meros sinais e comandos ou estímulos emocionais ou ideológicos dos seus respectivos amestradores.

E aqui uma metáfora ajuda. Se portanto os sensores nem o processadores do sistema não estão avariados nem forma hakeados, se o senso comum e a razão da pessoa não foi sequestrada por esse vírus e sistema operacional não precisa de um reboot (e que bom que os bugs da programação mental ao contrário dos computadores- não vem (ainda) com backdoors de fábrica instalados na nossa placa mãe, a mente). Logo com um bom um firewall de dúvidas e certezas razoáveis baseadas nas seu próprias percepção e noções você pode navegar por essas ambientes em redes de informação mais tóxicos, sem ser contaminado, e extraindo os dados para formar seu raciocínios; até porque essas dúvidas e certezas não interferem na nossa capacidade de discriminar os fatos, muito pelo contrário, é esse combo que nos permitem construir essa projeção epistemológica disso que chamamos de realidade, inclusive por similaridade ou mais especificamente verosimilhança com nossas próprias percepções, noções enquanto experiência da vida.

Portanto, é assim que podemos construir esse paralelo entre os episódios do caso da relação Brasil-Cuba no programa Médicos para identificar os fatores que constituem e caracterizam essas relações internacionais tanto como parte do processo quanto produto da lógica desse sistema. E logo, como exemplos de como funciona essa ordem geopolítica internacional, que antes de ser objeto de escolhas político governamentais arbitrárias, ideológicas ou autoritárias são as resultantes dessa ordem que é antes de tudo econômica e portanto está assentada internacionalmente nos mesmos princípios ou conceitos que regem a econômica política, a saber: a divisão do capital, trabalho, para a produção da riquezas, no caso, das nações. Historicamente um jogo subsidiariamente cooperativo e essencialmente competitivo. Sendo que a palavras “ jogo”, “competição” e “cooperação” estão sendo usadas aqui não como metáfora, mas dentro das suas acepções na Teoria dos Jogos, que rege a geopolítica e ao menos das grandes potenciais e sistema financeiro internacional. E palavra história como reconhecimento de como os fatos se deram e se dão, e não para racionalizar dentro da concepção determinista que os procederes não poderiam, e ainda podem, ser completamente diferentes.

Fecha parenteses.

Logo, não é uma relação especifica sobre Dinamarca, a Polônia ou Coréia do Norte. Ou sobre Cuba e Brasil, mas entre nações relativamente mais ou menos desenvolvidas, mais ou menos capitalizadas, ou mais abertas ou fechadas nas duas vias, sejam por suas políticas sejam por bloqueio e sanções internacionais. Relações bi, tri, ou mesmo multilaterais entre Estados a explorar cooperativamente povos e nações inclusive as próprias populações, para competir por crescimento e riqueza. Numa relação, que se observarmos com atenção, se enquadra no que se tornou na prática após a queda da muro do muro de Berlim, os escombras da velhas divisões ou classificações geopolítica dos Estados-Nações do tempo da guerra fria, a Teoria dos Mundos: Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo.

Uma teoria que a seu tempo correspondia menos a realidade da atualidade do que hoje enquanto escombros de uma velha ordem mundial que ainda permeia as forças e potenciais em disputa pela hegemonia da nova. An passant é importante entender essa discrepância.

Quem é do tempo do mil novecentos e nunca, quando as escolas ainda tinham Educação Moral e Cívica e OSPB, (deus-me-livre-guarde) aprendeu, supostamente mais ou menos o seguinte:

A Teoria dos Mundos foi uma designação dada às subdivisões do mundo por grandeza econômica entre os anos de 1945 a 1990, depois deste período as diferenças entre os mundos se combinam em vários aspectos, sendo usado atualmente países desenvolvidos e países subdesenvolvidos, que também recebe críticas sobre sua abrangência.

Segundo essa classificação, as nações desenvolvidas constituiriam o Primeiro Mundo (exemplo: a Itália, EUA). As nações do antigo bloco socialista constituiriam o Segundo Mundo (exemplo: a antiga União Soviética). As demais nações constituiriam o Terceiro Mundo (exemplo: Brasil, Etiópia, Suriname).

Com a queda da União Soviética e o fim do regime socialista na maior parte do mundo, é mais comum classificar as nações em:

Desenvolvidas: são as nações que compõem o antigo Primeiro Mundo. São ricas, industrializadas, democráticas e com alto índice de desenvolvimento humano. Exemplos: Noruega, Suécia, Dinamarca, Japão, Alemanha, Austrália, Portugal, Itália.

Emergentes: são nações ricas e industrializadas (ou exportadoras de petróleo), mas que ainda apresentam problemas sociais e econômicos. São em sua maioria democráticas, mas existem notáveis exceções, como a China. Exemplos: Argentina, Rússia, China, Índia e Brasil.

Subdesenvolvidas: são as nações pobres, com baixo desenvolvimento humano, alta dependência externa e economia primária. A maioria delas vive sob regimes não-democráticos. Exemplos: Afeganistão, Serra Leoa, Albânia, Haiti.

Segundo alguns teóricos, existiriam ainda mais dois tipos:

As nações internacionalmente reconhecidas, mas não independentes, constituiriam o Quarto Mundo(exemplos: a Palestina e o Tibete).

As fantasias nacionais [grifo meu] (como as micronações) constituiriam o Quinto Mundo. -Wikipedia

Basicamente segundo essa teoria, o primeiro mundo era formado pelos países capitalistas desenvolvidos aliados capitaneados pelos EUA. O segundo pelos países socialistas liderados antiga União Soviética. E o terceiro por países não-alinhados sub-desenvolvidos. Uma teoria notadamente furada. Pois:

(a) tanto nos blocos ditos não-alinhados havia países periféricos extraoficialmente satélites, há habitar zonas de disputas e variando sua orbita entre zona de influencia conforme os resultado das disputas entre as potenciais, não raro decididas em golpes, guerra de guerrilha ou guerras clássicas, que acabava por simplesmente destruir a nação dividindo-a em dois territórios- vide Coreia e Vietnam, com via de regra a subsequente ascensão de um regimes ditatorial fantoche mais ou menos mal disfarçado nas duas coisas.

(b) dentro dos blocos de países declaradamente alinhados tanto do capitalismo, havia países tão ou mais subdesenvolvidos quanto os do Terceiro Mundo, vide o regime de apartheid da Africa do Sul, ou a qualquer países satélite, vizinho ou literalmente encorporado pela “Mãe” Rússia na forma da União Soviética.

Logo, tirando as grandes potencias -um novo eufemismo para os antigos impérios e imperialismo que ficaram queimados em suas pretensões (enquanto nome)- depois da carnificina genocida da Segunda Guerra Mundial, fora esses velhos centro de poder, que não são tão monolíticos quanto o termo bloco sugere nem mesmo durante as guerras (vide as relação de neutralidade dos regime soviéticos e até de norte-americanos enquanto o Eixo não bateu nas suas respectivas portas, para não falar do nosso ditador fascista até hoje de estimação, o pai dos pobres e do DOPS, Vargas); impérios, potencias e centros do mundo, e suas alianças, tratados fora[1], o que subsistia e subsiste é literalmente o resto: a periferia, ora quintal, ora lixão, ora senzala-mundi do outro mundo em geral mais ao sul do equador. O que não tem muito relação com a geografia dos polos, ou clima, exceto no esses fatores contribuem como variantes favoráveis ou adversas para a determinante dos processos de conquista, ocupação e colonização dos territórios e povos nativos: a relação de custo-beneficio da sua conquista e exploração. Logo, salvo as relativas exceções que confirmam a regra, numa sobreposição histórica de mapas, vemos com facilidade a correlação entre os países que foram (e extraoficialmente nunca deixaram de ser) colonias prioritariamente de exploração mercantilista e imperial.

Claro que os países satélites subdesenvolvidos também assinam tratados com potenciais primeiro, mas levá-los minimamente a sério, especialmente quando estes entram em conflito com tratados assinados com aliados mais ricos e desenvolvidos, se provou um erro crasso. Vide o erro de calculo dos generalato argentino na guerra das Malvinas (Falklands) quanto ao posicionamento dos EUA em relação a Grã-Bretanha, entre outros. Um episódio recente de guerra na América Latina que deveria ser mais estudado, até para compreender o quão mortas ou falsas são as letras de câmbio dos tratados de paz e cooperação até mesmo durante a suposta vigência dos seus termos, principalmente quando se passa a considerar a entrada do Brasil no pré-falencial tratado da Aliança do Atlântico Norte (OTAN). Uma tradição brasileira: comprar sucata mal reciclada não só tecnológica mas ideológica do primeiro mundo. Vide nossas já à época “moderníssimas” Usinas Nucleares, e agora a versão tupiniquim tardia da aliança conservadorismo-liberalismo dos tempos de Maywater-Friedman. E ainda por cima meia-boca, porque complexo de vira-lata a parte, Bolsonaro não é a reedição pátria do pai do conservadorismo norte-americano, nem seu “Posto Ipiranga” um Milton Friedman. Mas isso já é uma digressão. Voltemos ao fio da meada a teoria dos mundos.

Curiosamente, mas não por acaso, a fantasia da Teoria dos Mundos, não nasce a partir da visão do Primeiro, nem segundo, mas justamente do Terceiro, ou mais precisamente de uma visão utopia, de fora, ou gringo sobre eles devidamente apropriada e deturpada pela correntes concorrentes.

A origem do nome é do demógrafo francês Alfred Sauvy, que propunha a ideia de um Terceiro Mundo, inspirado na proposição do Terceiro Estado usada na Revolução Francesa. Os países membros do chamado Terceiro Mundo deveriam se unir e revolucionar a Terra, como fizeram os burgueses e revolucionários na França. Os chamados Primeiro e Segundo mundo surgiram de uma interpretação errônea por parte principalmente da mídia, que não entendeu a mensagem de Sauvy. Como consequencia disso, hoje, muitos atribuem o nome a chamada “Velha Ordem Mundial”, a divisão geopolítica de poderes e blocos de influência durante o período da Guerra Fria (1945–1989). O “Primeiro Mundo” seria o dos países capitalistas desenvolvidos, enquanto o “Segundo Mundo” seria o dos países socialistas industrializados. Restariam no “Terceiro Mundo” os países capitalistas economicamente subdesenvolvidos e geopoliticamente não-alinhados. Essa ideia surgiu de uma interpretação desatenta das afirmações de Sauvy.

O termo ‘’Terceiro mundo’’ era a idealização do movimento e ‘’Terceiro-mundismo’’ trata-se da prática, a primeira expressão de tal termo deu-se durante a reunião de países asiáticos e africanos que se emanciparam da colonização europeia, em abril de 1955, na Conferência de Bandung, na Indonésia. É a partir dessa denominação que esses países, considerados pobres e com sérios problemas sociais como a violência, a miséria extrema e a corrupção, buscaram chamar a atenção do mundo inteiro. Porém, englobava muitos países, assim havia divergência de interesses. As divergências internas impediam a tomada de posições mais nítidas e começou a ser articulado o Movimento dos Países Não-Alinhados. A conferencia de fundação desse movimento se realizou em Belgrado (Conferencia de Belgrado-1960). No entanto, muitos desses países acabaram depois cobiçados por forças políticas e sociais ligadas a cada uma das duas facções da Guerra Fria, a capitalista e a comunista.

A articulação do terceiro-mundismo sofreu os primeiros golpes com a aproximação entre a China e os Estados Unidos, a partir de 1972, e com a crise do pan-arabismo, alguns anos depois. Na década de 1980, as crises econômicas e financeiras que abalaram a América Latina esvaziaram as políticas de desenvolvimento nacional autônomo, contribuindo para enfraquecer ainda mais o Movimento dos Países Não-Alinhados. — Wikipedia

Interessante, portanto notar como seja na relação bilateral entre a Cuba e Brasil, ou trilateral entre Coreia do Norte, Polônia e Dinamarca, sem uma grande potencia socialista como a União Soviética a categorias fazem mais sentido pelo menos até ontem.

Potenciais capitalistas que centralizam a geopolítica e seus aliados mais desenvolvidos leia-se o bloco dos mais capitalizados.

Países periféricos em desenvolvimento porém ainda satélites do capitalismo, leia-se descapitalizados e desesperados por investimentos de fundos de capital internacional sabidamente concentrados nesses países de primeiro mundo e seus respectivos paraísos fiscais. (Eis aqui uma boa definição de micro-nações de outro mundo que não são nenhuma fantasia, principados, grão-ducados e protetorados, que funcionam na prática como verdadeiros Estados-Bancos, um territórios jurídico para transações, muitas delas incluso as ilegais.)

E enfim os países também periféricos, subdesenvolvidos, porém órfãos do seu centro de poder, ou antiga metrópole que financiava seus regimes não raro ditatoriais que tiveram que se virar como podiam e o que tinham para tentar se preservar seus regimes, leia-se manter-se no poder. Seja fazendo pequenas aberturas econômicas. Seja fazendo alianças com governos ideologicamente mais alinhados que embora não fossem capitalizados como os de primeiro mundo, estariam dispostos a fazer negócios na posição de capitalistas como eles.

Hoje com a ascensão econômica da China e a relativa recuperação da Rússia como potencia militar capaz de negociar os termos dos seus tratados sobre os negócios mais primitivos da humanidade com, digamos, argumentos bem mais modernos, sofisticados e definitivamente mais dissuasivos do que por exemplo uma Coreia do Norte, esse cenário internacional está em plena transformação ou mais precisamente disputa e reorganização com toda tensão e perigos inerentes. Só para ter uma ideia do tamanho do pepino internacional no qual a América Latina é mais teatro de operações e não ator, basta olhar para a infelicidade de outro nação vizinha que passa por uma das maiores crises humanitárias da atualidade com risco de guerra civil, golpe ou embora ainda remota, mas não mais tanto quanto ontem e menos que amanhã de palco de um intervenção internacional armada- outro eufemismo para uma guerra não declaradas entre potenciais. como acontecia na Guerra Fria, não deixou após, e novamente voltou a escalar com os conflitos no Oriente Médio, onde a Síria foi destroçada por esses predadores e seus respectivos cães de guerra, exércitos regulares, mercenários, terroristas, ditadores fantoches, e “revolucionários” projetos de ditadores de estimação do outro bloco. Na Venezuela, como Síria, embora com origem históricas distintas o povo tem no poder o mesmo tipo de governo e classe governante, reis ou caudilhos, não importa, ditaduras dispostas a cometer qualquer atrocidade para se manter no poder e com suficiente cobertura externa e interna. Mas o seu próprio governo e governante são só uma parte do problema. Só no caso da Venezuela- para não fugir, nem alongar demais o exemplo: o petróleo bruto no qual toda a economia gira é vendido para as refinarias norte-americanas; Russia e principalmente China vem emprestando, comprando e instalando empresas claro de exploração de petróleo, de modo que a divida soberana pertence a fundos de capital chineses e o parque industrial a Russia. De quebra o ouro, ou melhor o que resta do ouro Venezuelano que está depositado nos cofres da Rainha da Inglaterra, foi bloqueado. É deles, mas não podem sacá-lo, e uma vez sacado fica com “eles”, venezuelanos, mas com seus tiranos.

A Venezuela é o exemplo extremo, das forças que constituem esse jogos de poder externo que não deixam jamais de penetrar até a alma das nações, e que podem simplesmente despedaçá-las, principalmente quanto mais a cabeça que estiver no comando desse corpo estatal não entender que a lógica da geopolítica internacional é como a lógica de um presídio dominado por facções quem não pertence a nenhuma delas, mesmo como a bechnigga, não está em paz, está morto. E não adianta achar que a direção do presidio vai intervir e proteger, porque ela não existe, ou melhor até existe, mas a cúpula é compostas pelos integrantes destas facções.

Para quem entendeu a metáfora sabe que estou falando da ONU. Um órgão fadado a falhar como falhou as Ligas das Nações, pelo simples fato lógico de que é composto por integrantes de corporações cujo mal que se propõe a por enfrentar são justamente o negócio que os sustenta e a razão constituinte: a exploração das nações as próprias e as alheias pelo monopólio e supremacia da violência, não por acaso a própria definição desses aparelhos: o Estado. De tal modo que esse união mais serve para passar a impressão de concórdia em tempos e lugares de interesses convergentes das grandes potenciais do que propriamente resolver as disputas e por fim discórdias das mesmas, que dirá fornecer qualquer proteção jurídica internacional (de fato) aos demais Estados-Nações frente aos interesses dessas potencias, ou mesmo aos interesses de seus próprios tiranos quando aliados a estes contra seus próprias nações enquanto de fato nações, ou seja, povos.

De tal modo que os blocos e zonas de influência geopolítica, que nunca deixaram de ser determinadas por questões estratégicas militares de geografia, política e economia nem antes nem após o fim da Segunda Guerra Mundial, voltam a ser preponderantemente determinadas por mais por essas tomada de posição estratégicas de defesa do que laços diplomáticos, incluso no que se refere as relações comerciais. E seja na relação trilateral do exemplo, seja na relação bilateral Cuba-Brasil, estamos falando de comercio entre estado-nações a vender e comprar o bens e serviços incluso os humanos como commodities intermediado por suas corporações e fundos, dentro de um mercado estato-privado internacional onde os estatutos nacionais de direitos humanos e trabalhistas funcionam como mero entrave burocrático ou (a falta ou precariedade deles) como subsídios e incentivos fiscais. Um procedimento que como um todo na prática funciona como lei de zoneamento internacional do capitalismo, ou rigorosamente o conjunto dos códex e estatus que compõe a chamada ordem global, mas pode chamar de divisão geopolítica internacional do capital e trabalho. No qual as diferenças de proteção e regulação definem não o que é legal ou não, mas literalmente quem pode e não pode fazer o quê e exatamente onde. Existem por exemplo países onde é permite caçar certos animais em lugares e períodos determinados. Existem países onde é permitido fazê-lo em qualquer tempo e lugar, e outros ainda que simplesmente não existe necessidade de permissão, porque não existe regulação. Ou seja mesmo quando a lei de uma Estado-Nação criminalize as práticas em si, e não meramente a falta de licença ou autoridade ou ainda da prática liberada em tempo e lugar adequados. Há sempre espaço para maquiar as práticas enquadrando-as simbolicamente terminologicamente dentro das suas regulações de modo que as mesmas práticas e negócios permanecem (e prevalecem) descaradamente como sempre fizeram, apenas tornando alterando suas procedimentos e denominações. O Japão caça baleias, mas sob a denominação e licença da bandeira não da pirataria mas da pesquisa cientifica. Megacorporações estato-privadas caçam trabalho escravo e recursos naturais, não sob a bandeiras corsárias, mas de fundos e empresas voltadas ao “desenvolvimento e crescimento econômico”. Ou seja, os direitos universais não existem fora do papel ou o protocolo de intenções que a declaração de 1948. A engenharia jurídica estatal permanece e prevalece em esquemas e sistemas bem mais sofisticados, mas em essência perseguindo os mesmas finalidades através dos mesmos meios, a contornar os quaisquer princípios. Maquiavel explica.

Voltemos então ao exemplo. Cada Estado entra nesse negócio com o que tem para lucrar. O governo da Dinamarca entra com o capital. O da Polônia como a terra de ninguém e o Coréia do Norte com os escravos. Os 3 saem ganhando. Polônia e Coreia money. Dinamarca seu navio de guerra moderno a preço de banana. Mas se os 3 saem ganhando quem saiu perdendo? As 3 sociedades e o mundo. O povo coreano que permanece numa ditadura que mantem sua população como besta de carga num território explicitamente funcionando como campo de concentração de trabalhadores prisioneiros, um gigantesco gueto. O povo polonês, que compete com o trabalho escravo, e precarização do seus direitos em um território cuja lei e jurisdição é flexibilizada para acomodar os interesses desse capital. E o povo dinamarquês que banca com seus impostos, não só o lucros de um complexo militar-industrial, cujos custos internacionais sociais e humanitários cada dia menos se externalizam, mas pelo contrário retornam em forma de crises de refugiados.

Um dos maiores erros de calculo político está embarcar na propaganda estatal de que os Estado são a mesma coisa que a Nação, quando na verdade sequer sequer seus interesses são os mesmos. A Nação é formada pelos povo ou os povos que conseguem conviver pacificamente num mesma terra. O Estado é o aparelho militar-jurídico-policial-administrativo que vende (e cobra compulsoriamente) a proteção desse território, num negócio armado que não admite concorrência. E que só não são engolidos por Estados-Nações concorrentes mais poderosos não por qualquer questão de princípios, mas de custo e beneficio. O quanto dentro de uma arranjo internacional a relativa autonomia geopolítica de um Estado-Nação provinciano devidamente alinhado ou fantoche é um arranjo muito mais barato e lucrativo do que o controle via ocupação e conquista e colonização no old style. De modo que se nestes cálculos de custos e benefícios, o Estado-Nação em questão tenha muito a ser pilhado, mas pouca força para impor custos a essa pilhagem, ele não vai capitular e já capitulou, ou nem se levantou, e vai ser pilhado ou continuar sendo, lenta e pacificamente com a anuência dos seus próprio aparelho estatal ou ser arrebentado incluso como Estado falido mas como sociedade e nação se necessário for ao “progresso da civilização”. A ordem internacional pode mudar de atores, mas a trama ou a lei do velho oeste permanece a mesma: quem tem armas carregadas fica com o tesouro, quem não cava, paga tributos e vassalagem (moderna, é claro).

O mesmo vale para o caso de Cuba-Brasil nos mais médicos. Senão os cubanos quem cava? E quem serão no final das contas a ficar com o tesouro. Porque não se iludam. Seja na divisão domestica ou internacional da divisão internacional do capital e trabalho, alguém vai fazer o papel do escravo e alguém vai levar o butim, porque essa máquinas simplesmente não se move suas engrenagens sem ganhos, e nem colocam os seus protegidos para fazer o serviços que não fariam sem subsídios ou coerção.

Duas propostas para a substituição dessa mão-de-obra, explicitam o dilema dos sistemas de exploração.

A militarização do serviço. Que não precisa de maiores explicações já que a recusa em assumir a missão implica em punição.

E o emprego de médicos hoje endividados pelo FIES. No fundo a troca de um modelo de exploração de uma condição de vulnerabilidade por outra. Pois se antes nosso sistema de saúde pública empregava o trabalho de mão-de-obra em condições que seriam classificadas como escravidão, ao menos para médicos e não lavradores de um latifúndio disfarçado de agronegócio, agora, segundo essa proposta exploraríamos as dívidas de quem não herdou as condições de financiar sua formação para obter por outras meios, alguém fazendo um trabalho num lugar que não o faria se tivesse a opção. Retire esse elemento, ou por exemplo, o desemprego, e a relação de oferta e procura se desequilibra num verdadeiro livre-mercado. Ou seja, retire as vulnerabilidades inerentes ao subdesenvolvimento e a industria estatal e privada inerente a esses territórios de exploração na melhor hipótese oportunista da pobreza e carestia, na pior, que a sustenta para manter esse negócio, e você terá um dilema paradoxal de países desenvolvidos, shitjobs e uma população com formação sobrando, porém que não está disposta a fazer esses trabalhos, nem tão pouco nasceu em um território ou em famílias tão carentes que precise pegar o que tem se quiser sobreviver, de modo, que ao mesmo tempo que odeiam os migrantes, precisam deles para fazer o trabalho escravo que ninguém quer e que sem eles teriam pelas leis de oferta e procura pagar um preço que inviabilizaria a acumulação de riquezas, ou se preferir a própria exploração do trabalho que ainda para gerá-la.

Como se sabe, não existe em economia um preço justo por nada, existe o quanto um precisa de algo e quanto outro está disposto a pagar para tê-lo. A base da dominação político-econômica deter os meios vitais e de produção de modo quem precise sobreviver tenha que trabalhar para seus donos de acordo com seus termos. Porém numa sociedade onde não existem miseráveis, há de fabricá-los ou importá-los ou ela quebra, porque ninguém vai limpar a latrina de ninguém, a não ser por um preço bem caro, de modo que o lixeiro, ou qualquer trabalhador teria que receber uma paga enorme para fazer por interesse pecuniário e que só se sujeita a fazer por migalhas o que não muitos não fariam nem por fortuna se não fosse por carestia. A menos que você acredite como utopistas dos falanstérios que há vocação que possa ser dirigida Charles Fouier, desde do protopsicopata a matar até sadomasoquista, porque haja doutrinação e amestramento desde a infância para fazer uma criança querer limpar a bosta dos outros quando crescer como sonho de alguém.

O que acontecesse então quando se elimina o subsidio ao trabalho escravo? Como bem observou Darwin em suas viagem para o Brasil, a sociedade passa a ter mais estímulos para encontrar soluções mais inteligentes como a roda ao invés do lombo alheio como besta de carga, por exemplo. Desenvolvem-se tecnologias que dispensam o emprego de seres humanos ou outros seres vivos para sua execução. O que em lugares onde todos tem o sustento garantido e claro supostamente a condição de adquirir essas máquinas ou pagar por seus serviços se constitui como promessa de emancipação da exploração do homem pelo homem, e em lugares onde as pessoas não nenhum capital para sobreviver sem vender seus trabalho em troca de obediência cega ou dívidas e contas eternas, a promessa inversa: de extinção da sua pessoa natural junto com emprego e sua própria função socioeconômica obsoleta que virou lixo. Ou seja a promessa de falta até mesmo dos mais indignificantes trabalhos, dito escravos, para poder sobreviver num mundo onde não possui nada, nem de natural nem artificial, e o que possui sua força de trabalho já não vale nada, porque mesmo vendida o mais barato possível, ou seja como escrava, ainda sim, é mais cara, é o custo maior que simplesmente se livrar do seu emprego como a automação dos processos.

Considerando, portanto, que:

a. a automação desse trabalho com a substituição dessa mão-de-obra altamente especializada ainda não é uma realidade para o ano que vem, especialmente nos grotões do mundo;

b.o Brasil não vive a realidade de um pais desenvolvido onde é preciso importar mão-de-obra barata disposta a pegar os postos de trabalho que a nativa não quer e tem condições de viver sem precisar assumir, mas pelo contrário mesmo no que concerne a mão-de-obra especializada, como médicos, há um bom exercito de reserva que precisa do emprego para pagar suas contas não importa onde nem qual. Mas a pergunta é, quantos e por quanto tempo?

O problema é matematicamente o seguinte: médicos vocacionados que sonham em trabalhar nos grotões do Brasil fora, porque são o desvio padrão, faça o seguinte cálculo: quantos são os médicos brasileiros nativos dispostos a de fato a assumir o compromisso de ocupar esse posto de trabalho e fazê-lo por tempo suficiente? Ou em outras palavras quanto seria preciso pagar para mobilizar x profissionais? Ou pagando-se x, quanto profissionais nativos poderiam se interessar em assumir o emprego? O tamanho do mercado em potencial de trabalhadores interessados em assumir esse emprego se define portanto supostamente pelo valor que tem seus serviços para quem paga versus o valor desse pagamento para quem supostamente o recebe e determina sua execução que não é absoluto, mas subjetivo. E se digo supostamente é porque essa equação na prática não é tão simples quanto faz parecer a teoria da oferta e procura ou o valor marginal, porque somado a esses fatores temos outros mais sórdidos, já que não operamos em nenhum dos casos dentro de um sistema socioeconômico livre perfeito, ou seja, perfeitamente livre da coerção, imposição e exploração.

Suponha que não houvesse leis de nenhuma espécie a regular essa negociações e que todas a relação de trabalho inclusive a dos médicos fosse definida pura e simplesmente pela anuência das partes e tão somente por elas sem a intervenção ou intermediação de nenhum terceiro com poder coercitivo legal ou ilegal,qual seria em geral o valor a ser pago?

Bem para começo de conversa, nessa experiencia mental, pois é um mundo que não existe, cada empregado e empregador negociaria seu contrato sem nenhum teto, nem chão. Não havendo portanto nenhuma coerção estabelecendo que um deve contratar nem que outro deve prestar os serviços, nem uma definição de quanto deva ser a pago, ou mesmo que deve ser pago ou cobrado um valor fixo, tudo o que vai determinar esse contrato seriam a vontade das partes mediante as condições de cada um, ou seja seus respectivas desejos e necessidades, disponibilidade tanto de outros empregados quanto empregadores dentro desse mercado. É claro que dentro desse tanto empregados ou empregadores podem se associar livremente para negociar em conjunto suas termos, mas novamente na medida que ninguém poderia recorrer a violência legal para impor a adesão ou saída desta ou daquele contrato, o fator elementar para a formação dos contratos inclusive os associativos continua sendo o mesmo, o competitivo, ou a competição entre termos e propostas dessa negociação.

Como disse esse é um mundo teórico imaginário, não existe por duas razões, a primeira simples, basta um elemento ou grupo violento devidamente melhor armado sacar uma arma e colocar em cima da mesa para não só desequilibrar os termos deste ou daquele contrato, mas iniciar a disputa pelos mercado do outro negócio sem o qual não existem esses mercados enquanto espaço real , o negócio dos estados, protoestados e máfias, a venda de proteção territorial desses mercados, que notadamente só existem porque uma lei tácita obedecida e feita se obedecer: é proibido usar da violência ou ameaça para fazer seus negócios ou fazer cumprir seus termos, salvo é claro a evidente exceção que constitui o território desse “livre” mercado, o monopólio da violência que o prove, o Estado- este não só tem a licença, mas precisa segundo seus próprios interesses enquanto corporação fazer o uso da coerção, ou literalmente perde seu monopólio e clientes (em todos os sentidos da palavra).

Mas essa é só a primeira razão. A segunda é mais importante já que essa fase primitiva da civilização poderia ser superada, porque é inclusive uma das causas da primeira nunca se tornar obsoleta. A segunda razão desse modelo imaginário não ser aplicado é bem simples. Não funciona, nem mesmo se todos por um milagre todos os indivíduos vivos e que os viessem a nascer, se tornassem incapazes de cometer atos de violação ou violência. O que é impossível não só pela natureza da vida, ou das probabilidades inerentes a própria liberdade cuja supressão das possibilidades é a própria supressão do que caracteriza esse fenômeno chamado vida, mas pelo fato que mesmo se fossemos laranjas mecânicas ainda sim cometeríamos violência e violações involuntárias a menos que ao invés de mais impotentes viéssemos a nos tornar não onipotentes mas absolutamente invulneráveis. Em outras palavras, esse modelo não funcionaria porque não só somos todos vulneráveis, como eventualmente uns são e estão mais vulneráveis que e aos outros.

Voltemo-nos então a questão, dentro desse modelo imaginário, de quanto seria a paga necessária a um trabalhador, no caso um médico para exercer uma determinada função. Suponhamos dois casos distintos um onde só um médico ou grupo de médicos associados, conheça, a cura, remédio ou tratamento de uma doença que sem tratamento é fatal, sem tratamento quase todas são até a diarreia. E outros tantos médicos associados ou não que saibam tratar com sucesso a maioria das doenças, mas não esta em especial. Quanto nesse universo cada grupo de médicos poderiam cobrar pela cura? Bem, considerando que isso caberia exclusivamente aos interesses e valores deles, já que ninguém poderia subtrair nem essa propriedade nem trabalho a força deles, o quanto bem entendessem de quem bem quisesse. Poderiam tratar só só o mais ricos cobrando tudo o que eles pudessem pagar, já que ninguém mais senão eles poderia fazê-lo, poderiam pedir mais que riquezas de quem não pudesse pagar, mas dividas a perdurar por gerações, ou ainda aceitar serviços em troca, sem precisar pagar nada, ou pagando tanto faz, já que na contabilidade, o resultado é o mesmo, servidão, já que nenhuma das outras partes ricas ou pobres, conseguiriam sobreviver sem seus serviços. Em outras palavras teriam por conta de circunstancias especiais, uma doença, a falta de concorrência ou monopólio do necessário a sobrevivência do outro, nada mais nada menos que o poder.

E outro grupo? Bem o outro grupo não possuindo um conhecimento absolutamente exclusivo, nem secreto. Mesmo que não organizados coletivamente para que ninguém aceitasse fazer os serviços por um montante abaixo de determinado valor, ainda sim poderiam ser substituído por pessoas a serem treinadas que por esse montante fariam esse serviço senão pelo que o valor representa em ganho, pela mesma razão que as pessoas se submeteriam aos termos do primeiro grupo de médico, porque precisam sobreviver. Ou seja, nesse caso, a espada da carestia não está na cabeça e não da outra parte, dele tanto a formação quanto o próprio exercício da função são regidos preponderantemente pela carestia suas necessidades particulares e não a demanda pelos seus serviços. Ou em outras palavras, não só quanto mais miserável ou endividado estiverem alguns desses profissional mais barato ele irá aceitar o emprego. Quanto mais colegas de profissão forem miseráveis ou estiverem desesperados, mais o valor de mercado do seu trabalho vai cair, e ele vai ter que vender seus serviços ao mesmo preço ou ainda a um preço menor se não quiser ficar nas mesmas condições, supondo é claro que viva da renda do seu trabalho e não de outros capitais ou propriedades. Ou descubra talvez que lavar pratos em uma sociedade mais rica e menos desigual pague mais, mesmo ele não sendo sequer como cidadão ou as vezes como gente.

Notem contudo que os dois exemplos podem ser reduzidos a um mesmo. Porque rigorosamente o primeiro grupo de médicos, não estão submetidos a fatores distintos, mas estritamente aos mesmos em diferentes graus de condições e circunstancias. Na verdade a condição ainda é a mesma, pois calculando friamente, mesmo com a posse de um conhecimento enquanto bem e serviço exclusivo que devido as circunstancias se ele não disponibilizar os clientes em potencial vão morrer, se esses clientes em potencial seja enquanto sociedade, estado ou simplesmente oligarquias não só extremamente ricas, mas estrategicamente posicionadas na posse de bens comuns vitais e ambientais absolutamente essenciais também a sua subsistência, eles seja como grupo ou individuo se não possuírem meios suficientes para manter a suas exigências por mais tempo que entrarão em carestia não terão jamais condições de impor suas demandas a quem quer que detenha de fato esse posse e poder. Ou em termos mais claros, a doença que eles tem a cura, precisa matar mais rápido que a privação de comida, água, teto, enfim aquelas coisas básicas. De modo o que as pessoas chamam de livre mercado é muito mais parecido com uma guerra de cerco eterna onde ninguém dispara uma bala ou flecha, mas cai ou perece, o grupo que tiver menos recursos disponíveis que carece e outro controla.

Evidente que não é assim, que as coisas procedem nem terminam, não só porque nem todos se comportam como piscopatas, a ética muito embora queiram reduzi-la a tanto não é um mero produto da doutrinação e amestramento, mas muito pelo contrário do instinto gregário e comportamento solidário natural, que quando insuficiente não termina em cálculos teoréticos, mas em guerras, de modo que quando a pressão da privação de uma lados do cerco atinge esses graus de violação e violência contra a a dignidade do outro, ou um lado já pegou em armas para sustentar sua tirania criminosa, ou o outro para derrubá-los, quando não ambos.

Notem a questão do conflito entre empregados e empregadores, não é um um mero contrato entre prestadores de serviço e clientes consumidores, mas de fato entre quem tem a posse do que é mais vital ou capital, e quem não o tem, ou não o tem o bastante para sustentar seus interesses seja como ócio ou negócio pelo tempo relativo que for necessário.

Greves de trabalhadores ou boicotes de consumidores mesmo as bem organizadas, ou aquelas as quais a outra parte não tem recursos suficientes para reprimir ou coagir sistematicamente uma quantidade enorme de pessoas, podem não funcionar e desmobilizar por uma razão bem mais simples e fundamental, sem sequer a outra parte partir para a agressão: a falta de recursos vitais ou estratégicos, mas pode chamar simplesmente de privação. O motor principal dos nossos sistemas socieconômicos coercitivos, que seja no socialismo ou capitalismo passam ao largo dos princípios da livre associação, consensualidade ou não-violência. O porrete para o teimoso e cenoura amarrada na frente do burro que não tem pasto ainda são os maiores “incentivos” ao progresso das bestas de cargas da civilização- na prática uma negação dos termos progresso e civilização.

O que se denomina portanto como o campo da Economia, assim como a política também é uma guerra feita com outras armas, o campo para um outro tipo de guerra a de cercos, ou se preferir encercamentos, onde quem detêm e consegue mantem os recursos vitais e estratégicos, o dito capital, não só preserva sua posição como só precisa tempo para dominar não só a posição e recursos do outro, mas através deles o outro, reduzido agora a parte de seu capital, na exata medida que da sua capacidade de prever e controlar seu comportamento como mero recurso… humano.

O conceito de capital, é fundamental para entender essa guerra econômica e todas as suas diferentes fases do capitalismo, marcadas pela preponderância de um determinada forma de capital sobre as demais enquanto fator determinante ou precisamente qual recurso estratégico dentro da conjuntura se faz o mais decisivo a fixação dos domínios dentro desta somatória de variáveis que não se anulam, mas se sobrepõe como mais prevalentes uma sobre outras. Se outrora a posse dos recursos naturais, em especial o espaço natural sob o qual estes estão assentados, o território tanto como posse política e econômico foi o fator determinante para a vitória e hegemonia nessa guerra da economia. E embora jamais deixe de sê-lo não enquanto os seres que disputam o poder, não forem etéreos ou tiverem fontes de matéria-prima e logo energia infinitas para suprir suas necessidades, a começar pelas fisiológicas mais básicas, esses recursos vitais e logo estratégico, como capital, deixaram de ser conforme a economia se tornou mais complexa, ou se preferir conforme as técnicas e tecnologias empregadas nessa outra arte da guerra foram aperfeiçoadas, como o são todas, em campo de batalha, ou seja na prática. A posse da terra neste sentido, ou seja enquanto capital, já enquanto transformada por instrumento tanto conceituais e simbólicos quanto aplicados e concretos, já um artificio e não mais um simples recurso, o capital nessa fase não é o a terra em seu estado bruto e natural , mas a o artificial, enquanto propriedade vista e trabalhada de outra forma de acordo com a codificação que a caracteriza como programação dentro desse sistema.

Neste processo constante progresso civilizatório, ou seja de avanço e ocupação e dominação de uma forma de organização povos humanos sobre outras espécies e claro populações humanas, a complexidade das concepções técnicas que compõe essa estratégia “evolutiva” baseada em dominação e alienação do homem pelo homem, são aperfeiçoadas de modo que o capital enquanto posse dos meios vitais e ambientais, posse da terra, sem deixar de ser por óbvio absolutamente imprescindível enquanto vital deixa de ser determinante enquanto posse e domínio estratégico para outras formas mais artificiais do capital tanto como o meio-de-produção em si quanto seu conhecimento. Assim, se a posse da terra como propriedade não deixa de ser em todas as suas variantes de concepção, definição, e codificação que a instituem e institucionalizam um artificio fruto da industria humana, essa industria enquanto produção dos meios tudo que é estratégico para a dominação passa a ter mais importância e preponderância enquanto capital do que o próprio recurso natural, reduzido portanto a mera matéria-prima para alimentar a máquina nesse nova fase.

A concepção e posse de outros recursos como ferramentas e artifícios simbólico-tecnológicos passa portanto a ter mais preponderância estratégica a dominação dentro dessa guerra de cercos do que o próprios seres e coisas, incluso as pessoas encercados e reduzidos conceitual-aplicada a mera função desse processo como mão-de-obra ou matéria-prima. De modo que se a numa fase subsequente do capitalismo a industria, a fabrica, a posse de complexos-industriais, incluso é claro os militares se consolida como o fator determinante da supremacia nisto que se convencionou chamar de riquezas das nações. E não só o fez pelo capital acumulado na fase anterior de exploração mais primitiva dos outros seres humanos, através da colonização e escravidão em sua acepção clássica, dos livros de histórica, homens e mulheres sequestrados tratados e traficados vendidos como animais, sem nenhum direito de propriedade não só para os meios necessários a sua sobrevivência, mas sobre seus próprios corpos presos em correntes e açoitados por chibatas literais, e não outros subterfúgios mais “civilizados” como dividas, ou privações. Não só se fez pela acumulação do capital através desse método de exploração e pilhagem via estabelecimento de colonias como se fez pela redução e alienação dessas formas de vida e seus meios vitais e ambientais a objetos de emprego e posse regidos pela abstração do ser em coisa ou mero instrumento e extensão dos meios de produção do capital.

Esse processo de transformação ou conversão dos capitais “deu” a industria a preponderância como capital e arma estratégia nessa guerra da econômica e entre economias nacionais, e marcou corretamente outra fase passada do capitalismo, a industrial. Novamente a industria, assim como a terra, e posse e controle da mão-de-obra, seja na condição de escravo clássico ou assalariado, não perdeu sua importância, mas vai perdendo sua preponderância estratégica na medida que o transporte, a comunicação e o comércio necessários a seu funcionamento são aprimorados e se expandem para atender suas demandas. Neste processo histórico a posse dos meios de comunicação e informação ganha suma importância, mas não tanto quanto outro meios de intermediação absolutamente necessário ao funcionamento do sistema, que não por acaso passa a se chamar financeiro e monetário. A posse dos meios de provisão intermediação dos negócios, não o dinheiro, mas o controle, a posse dos meios de troca, se torna o mais valioso e estratégico capital na fase financeira do capitalismo.

E eis que finalmente, chegamos ao presente momento que estamos vivendo estamos em plena de transição do capitalismo financeiro para o informacional. Ou seja, a terra, a industria,o comércio, os meios de (tele)comunicação, não deixaram de compor os fatores determinantes da domínio e hegemonia, mas perderam o posto de fator determinante para o conhecimento tanto como propriedade intelectual ou conceitual como todos os meio concretos da sua transmissão e reprodução dentro desse novo complexo da industrial, a industria da informação, a mais rica e avançada e logo poderosa forma de capital enquanto principal arma estratégica nessa guerra da econômica, e assim como todas as outras formas de capital também arma nas outras guerras.

O conhecimento em sua forma mais simples como posse de dados ou informação ou complexa como posse e desenvolvimento posse das propriedades e faculdades necessários a sua produção e transmissão sempre tiveram um papel importante e crescente como capital, mas nunca até então foram o capital, o fator determinante e diferencial da riqueza e poder dentro do sistema, ou em outras palavras a posição que uma vez tomada dentro do campo da economia permite o controle subsequente de todas as demais posições. Algo que evidentemente ocorre pela própria não só pela dependência de todas as demais formas do capital, do agrícola ao industrial e financeiro para se reproduzir competitivamente, mas pelo fato de que a própria forma mais primitiva e essencial do capital, a natural, também se torna igualmente cada dia mais dependente desse capital, o conhecimento na forma de posse e usufruto de informação para sobreviver e logo os seres vivos incluso humanos, idem, e de preferência livres e não como robôs ou escravos.

A concepção e posse da informação como propriedade, tanto como matéria-prima como meio de produção-comunicação não só toma a prevalência entre as formas de capital, mas conceptual e tecnologicamente se funde, absorvendo ou sendo absorvida pelas outras formas que automatizadas e computadorizadas. E já eram artificiais já não são mais meramente financeiras ou industriais, mais info-virtuais. E até mesmo a natureza biológica, que já era também alterada desde de tempo imemorial pela intervenção e culturas humanas, hoje, com o emprego desse conhecimento passa a se tornar cada dia mais artificial, produto da industria e informação e portanto objeto de disputa enquanto mera propriedade.

O ser e suas propriedades não só imateriais mas biológicas, tanto seus genes biológicos alterados quanto a sua gene cultural ganhou na era da informação literalmente “corpo e espírito” na qualidade de propriedade. Uma propriedade que outrora era indivisível e inalienável não por respeito, mas literalmente falta de abstração e compreensão intelectual desses atributos como objetos passíveis de alienação, ou posse de outros, e logo propriedade como fruto da apropriação e expropriação, sua industria, artifícios. Um capital em disputa nesse campo de guerra econômica seja enquanto propriedade sobre os dados e informações, seja como propriedade e claro o roubo legalizado que subjaz com tal nome sobre os meios de produção e reprodução do capital enquanto informação e até mesmo comunicação em seu sentido mais profundo.

Novamente estamos em plena fase de encercamento. Uma terra sem lei. Onde aqueles que tomam esse capital enquanto domínio público, como outrora fizeram com o bem comum e particulares antes do advento do reconhecimento e proteção a propriedades como tal direito da pessoa humana. Mas é justamente essa a ideia, nessa fase de criação e acumulação de um bem como uma nova forma capital se desconhece-se propositadamente a suas posse e propriedades naturais, uma corrida do ouro, toma-se o que é de todos, ou o que em particular de cada um, como se fosse de quem puder pegar e manter, e depois de tudo devidamente dominado, cercado, aí sim, parte-se para a negociação para ordenação e proteção jurídica desse bem como propriedade inviolável tanto particular quanto coletiva ou nacional de quem a detém.

Neste exato momento estamos a presenciar o capitalismo se reinventado e como tal ele retorna momentaneamente a suas origens, mais primitivas, tanto na sua gene política enquanto ameaça eminente das vias de fato entre classes, setores e sobretudo nações, quanto na sua econômica, de apropriação a revelia do que naturalmente pertence ao alheio, não só enquanto não houver resistência de nenhum monopólio da violência, mas pelo contrário subsidiado pelos mesmos, no seu interesse convergente: a pilhagem dos comuns, ou em termos mais economicistas a formação do capital e riqueza que amanhã que garantidos estará menos em disputa pelo mercado e Estado como divisão do butim do que propriamente uma divisão entre campos políticos e econômicos completamente distintos e opostos. Uma divisão portanto que é mais peça da guerra de propaganda para os excluídos do que propriamente um trincheira entre os protegidos pelo sistema que no final das contas pertence a eles aos como detentores dos domínios formados por esses capitais.

Cada fase de transição do capitalismo é marcada portanto não só tanto pela desvalorização da antiga forma de capital frente a nova, mas por uma verdadeira guerra de posseiros e grileiros a tentar acumular a maior quantidade possível desse nova riqueza predominante para que posteriormente quando o processo de apropriação e expropriação estiver consolidada, se fazer códigos e leis de proteção dessas riquezas já alienadas. De tal modo que seus direitos sobre a informação construída com base nos seus dados, já estão a compor a riqueza e poder, o capital das grandes potencias corporativas privadas e estatais que amanhã quando você não acessar, usufrir nem muito menos possuir, porque não pertencerão mais a pessoa natural, mas a quem detiver como sua propriedade. E quem tentar reaver seus dados e informações será considerado um invasor e ladrão, assim como o nativo que busca reaver suas propriedades ancestrais ou o trabalhador seus direitos de posse sob o trabalho perdidos antes que essas propriedades fossem consideradas invioláveis, ou seja depois que elas foram devidamente alienadas.

Em suma, basicamente o negócio os Estados e Grandes Corporações na vanguarda dessa atual fase de transição do capitalismo, é o velho negócio: o roubo, pilhagem e acumulação propriedades naturais devidamente desprotegidas, para amanhã estabelecer a lei e ordem sobre os direitos de propriedade já devidamente roubados, de modo a evitar que qualquer pessoa tente não só tomar o que ele roubou, mas reaver o que lhe foi roubado, ou seja criminalizando qualquer tentativa das vítimas em reaver seus direitos de posse, uso ou mesmo acesso sobre que outrora era naturalmente seu, seus dados. A base da riqueza dos Estado tanto socialista quanto capitalista a legalização do roubo, proteção dos ladrões e o fruto da pilhagem via criminalização e repressão mediante a ameaça do emprego da coerção, repressão ou dissuasão pela violência institucionalizada e legalizada. De modo que o ladrão irá recorrer ao velho e bom estado, o monopólio da violência, para processar e prender quem ousar tomar sem butim sem seu consentimento, sem pagar-lhe o que exigirá em troca mediante chantagem o resgate por esse sequestro, incluso a vítima de roubo e sequestro do que outrora eram naturalmente seus direitos não só de informação, mas de propriedade, seus dados, incluso o que não fazemos sequer ideia ainda da dimensão do seu valor, os códigos genéticos e padrões culturais que formam sua identidade pessoal. Uma alienação que através da expropriação capaz de gerar um poder e controle em níveis inéditos para a formação e conformação dos domínios sobre os territórios e populações reduzidos a mero recursos devidamente alienados e legalmente alienáveis como riqueza alheia, ou simplesmente capital.

Um dos maiores erros que estamos a cometer, ou melhor a continuar a cometer na proteção do bem comum, é pensar a propriedades jusnaturais como objeto de domínio público versus a posse e usufruto particular da pessoa natural. Continuamos a pensar como melhor estratégia, manter essa posse e troca de bens como se eles ainda fossem meros commons, quando eles já forma transformados e tratados há tempos como propriedade e capitais. Enquanto a maior parte da população e sociedades lida com seus dados e informação como os nativos lidaram com a colonizadores , partilhando e compartilhando com toda a paz e boa vontade o que não concebem como uma riqueza a ser estrategicamente como se estivessem em guerra com outros seres humanos, Estados e corporação, não trabalham com a mentalidade cooperativa, mas sim a competitiva, tratam a questão estrategicamente como tratam todos os bens e seres, buscam a posse exclusiva de recursos que permitem estabelecer seus domínios e hegemonia; ou o que é mesma coisa buscam tomar e privar o alheio da posse e controle desse capital, porque quem detiver essa nova arma vai mandar e quem não tiver vai cavar até a morte, e se preciso for vai morrer cavando, ou simplesmente morrer sem nem ter como sobreviver reduzido a uma máquina de cavar, para abrir espaço para quem ou o quê vier a cavar mais a um menor custo que ele.

Não por acaso os procedimentos desse roubo são os mesmo, rouba-se o novo ouro distribuindo bugigangas, que como no passado são verdadeiros cavalos de troia, a contaminar e minar as defesas ao mesmo tempo que se apodera as vezes de forma declarada com um consentimento das populações da sua maiores riquezas, mas não raro em procedimentos que não estão descritos nos seus contratos de uso. De redes sociais, passando por navegadores de internet, até os sistemas operacionais, todos os sistemas estão programados para funcionar como cavalos de troia e quem dúvida é porque não entende como um Windows 10 ou buscador Google, ou mesmo Facebook não tem virus eles são o vírus, que constroem sua riqueza vendendo aquilo que pilham silenciosamente incluso para o próprio usuário enquanto consumidor do serviços de uma industria que constrói seus monopólios como todos os monopólios foram construídos com o subsidio ou mesmo emprego do roubo e trabalho escravo devidamente legalizados ou ainda na zona cinzenta da falta de proteção. Porque não abandonamos então esses sistemas? Pelo mesmo motivo que um trabalhador-consumidor não pode abandonar o mercado de e parar de vender o que tem para comprar o que precisa, simplesmente porque quem desaparece é ele, e não os donos do mercado, pela simples razão, na guerra de cerco quem domina esse recurso que já de estratégico passou a essencial há tempos não é ele, mas seus provedores.

Por isso, é muito bom, acabar com os eufemismo e tratar a exploração do trabalho dos médicos cubanos pelos governos de Cuba-Brasil pelo nome correto escravidão moderna, mas não sejamos hipócritas, porque essa negócio de Cuba-Brasil-OMC, ou entre Dinamarca-Polônia-Coréia do Norte, são apenas uma das muitas formas (entre as legais e pero no mucho) de efetivar e ao mesmo tempo maquiar essa exploração, tornando palatável encobrindo o que há de podre no que consumimos de bens, produtos e serviços de proveniência duvidosa, ou as vezes, das quais para nosso conforto e comodidade preferimos nem pensar como foram feitos, ou o que fizeram para que chegassem até nós. O segredo da felicidade bovina em qualquer burgo ou bolha: “dont ask; dont tell”. Bom ma desesperadoramente inútil, porque enquanto a disputa pelo capital se efetua no plano das propriedades intelectuais, debatemos as formas de uso e emprego da mão-de-obra, fadada a desaparecer e serem descartadas como mero recursos obsoletos nessa nova fase do capital.

Um exemplo paradigmático, porque expõe todas as formas. fases e atores que compõe esse processo de produção da riqueza dos nações, ou melhor do roubo das nações e exploração das corporações estatais e privadas. É uma verdadeira industria de roubo e escravidão legalizada. baseada na exploração das contradições inerentes a ordem global mundial, ou mais precisamente na exploração das vulnerabilidades jurídicas, políticas das populações por alianças estato-privadas das relações entre Estados-Nações dentro da ordem geopolítica internacional que é antes de tudo uma ordem socioeconômica global regida pelas mesmas divisões (e contradições) da divisão inerentes a econômica politica: a divisão da posse do capital, trabalho e matérias primas.

Uma ordem que se replica, do agronegócio no Brasil a industrias na China. Das monoculturas de soja nos grotões brasileiros as fabricas de princesas da Disney nos cantões chineses a lógica da relação trabalho-capital que impera é a mesma: a escravidão moderna.

Quem vai ao “mundo encantado da Disney” nem imagina que, para os chineses que fabricam os brinquedos da marca, o encanto passa longe, e um pagamento e condições de trabalho dignos, também. Eles recebem pouco mais de um centavo de dólar por item produzido.

Os trabalhadores chineses que fabricam a boneca da Princesa Ariel Sing & Sparkle, que nos Estados Unidos custa cerca de US$ 35, recebem apenas US$ 0,0125 por brinquedo produzido, revelou uma investigação do grupo de defesa de direitos Solidar Suisse e do China Labor Watch em parceria com o jornal “The Guardian”.

Além da remuneração baixa, a investigação encontrou evidências também de horas extras excessivas e ilegais e trabalho sem férias ou licença médica remunerada para quem trabalha fabricando brinquedos e produtos para a Disney e outras empresas internacionais como a Fisher Price, que pertence à Mattel.

Trabalhadores contaram que eram multados ou até mesmo demitidos caso se ausentassem mais de três dias do trabalho por motivos de saúde.

Funcionários da fábrica de contaram ter feito 175 horas extras em um mês, período em que tiveram apenas um dia de folga, afirma o The Guardian. Isso desrespeita a lei trabalhista chinesa e também os códigos de conduta da indústria de brinquedos. -Trabalhador chinês ganha US$ 0,01 por cada boneca da Disney que produz

A matéria jornalistica fala de leis trabalhistas. Mas em essência a competitividade destes Estados-Nações é mantida justamente graças a aparente falta, ou precariedade delas, aparentemente, por que a lei e ordem é rigida, tanto no que ela regula e fiscaliza quanto no que lenientemente deixa transgride ou deixa transgredir. Novamente essas denuncias longe de revelar os crimes contra a pessoa humana praticados em consórcio entre estado e o mercado, revelam ou a tola ingenuidade ou a esperta hipocrisia de quem acredita ou finge que crê essas leis são instituídas para proteger direitos, e não regular sua exploração. E regular não com o intuito de mitigar essas exploração, mas otimizá-la de modo que o estúpido e irracional capataz, do sistema, as empresas e empresários não mate o burro de carga que sustenta o tributo e a balança comercial das nações. Um mero freio para um motor que não pode ser redesenhado em sua razão social senão perde sua função e utilidade. Afinal novamente hipocrisia a parte, uma empresa não tem por finalidade produzir nem distribui bens comerciais nem sociais e se possível obter lucro nesse processo, mas sim acumular riquezas se valendo da produção ou distribuição de algum bem comercial ou social. De modo que pouco importa se o bem é útil ou fútil, se cumpre a sua função para com o crescimento nacional, se atinge seus objetivos ela continua, do contrário fecha as portas. Evidentemente que para essa regra há aparentemente exceções, como visto na crise econômica de 2008, mas estas exceções não estão dirigidas a natureza essencial do bem que produzem para a população, mas novamente para o processo de expropriação do trabalho e acumulação de riqueza que sustenta o progresso das nações- leia-se por progresso, a progressão de ganhos sobre interesses, e por nação o conglomerado dessas corporações, o mercado, e sua máquina administrativa, o Estado.

Num arroubo de sinceridade ou descaramento, o governo brasileiro busca suprimir o ministério do Trabalho, se sua sinceridade for ainda mais explicita, o colocará sob os auspícios do ministério da Fazenda porque é na regulação do emprego e exploração ótima do gado humano que entra os préstimos da tecnocracia e burocracia estatal. Empresas saudáveis, tributos garantidos. E o gado? A meu amigo, em que fazenda do universo você acha que o fazendeiro, o fiscal, ou o banqueiro que cooperam para construção de um curral mais humano, o fazem por altruismo, e não para melhorar a produção? Isso é um negócio e não uma casa de caridade. É trabalho, não é hoobie. Vacas mais felizes é carne de abate macia.

Alguém aqui pode dizer que estou sendo maniqueísta, as coisas não são preto no branco, e é verdade não são, nem precisam ser, basta apenas as escalas de valores devidamente ordenadas de forma adequada para obter a mesma resposta comportamental de uma pessoa e o mesmo resultado concreto, independente do grau de solidariedade. Raros são os seres humanos que não se sensibilizam com o sofrimento, não se horrorizam com atrocidades, não se indignam com injustiça, nem que estão dispostos a gastar voluntariamente seu tempo e dinheiro para ajudar o próximo e o semelhante, desde que não seja muito tempo e dinheiro e claro não muito diferente ou distante do que ele tolera tanto como igualdade quanto dissemelhança. São cálculos simples: me incomoda o sofrimento alheio, incluso o dos bichos, mas prefiro carne. Me incomoda a exploração de trabalho infantil, mas prefiro meu chá,orgânico por favor. Me incomoda e preocupa a escravidão alheia, mas no momento estou ocupado, com meus negócios e meu ócio. Mas como não gostamos de pensar e nem mostrar que no final das contas, feita a contabilidade estamos cagando e andando para a fome na Africa, ou na esquina de casa, mas para o nosso petit gatou para quem pode e pão com ovo para quem não pode, pagamos para ver e chorar e com o rei leão, só para nos lembrar e mostrar como ainda somos sensíveis e humanos. Justo, absolutamente justo, afinal injusto seria pedir ou pior cobrar para uma aleijado correr, quando não consegue nem mais sequer andar.

Uma vez amputados e reduzidos as faculdades que fazem dos seres vivos, entidades complexas mais de comportamento imprevísivel, fica fácil lidar com essas fazendas orwellianas, de alguma função para o homem se ocupar e orgulhar, encha sua barriga e de algum brinquedo, passa-tempo, distração, deixe os cercados amplos para causar a impressão de liberdade gado vai pastar e engordar sem causar nem se preocupar se é tocado, ou com o abate. E vá lá como somos gente, e não bicho gostamos de pensar ninguém gosta de pensar que é só uma barriga ambulante, precisamos acreditar ou pelo menos mostrar aos outros que somos nobres e temos preocupações maiores, mas no fundo cá estamos presos ao processos como o homem que virou barata do conto a metamorfose de Kafka, ocupados demais como nossas ocupações para nos preocupar em sermos ou pelo menos não deixar de ser humanos.

Não há portanto teoria do caos, nem complexidade alguma nesse sistema determinista. A borboleta que bate asas em Wall Street e o tempestade que termina em enchente e morte nos confins do mundo, o drone que explode gente um casamento no Afeganistão não estão ligados por uma matemática da complexidade, nem por nenhum processo cármico transcendental, mas por uma contabilidade simples e interesses regidos pelos instintos mais primitivos. Do café gourmet nos centros metropolitanos dos Estados-burgos mais desenvolvidos e a pilha de lixo que desaba sobre quem procura dejetos para comer nos grotões mais periféricos do mundo, da represa que arrebenta cobrindo de lama e morte aquela cidade do interior que você já nem sabia o nome e já esqueceu, as motos voadores no deserto de Dubai essas desigualdades extremas estão conectadas por uma ordem artificial muito mais tosca que a lógica da natureza. Fora a cegueira seletiva não há mistério, não existem forças ocultas, números mágicos, nem vetores complexos a produzir essa matriz. Não é o que de desagregador que está por trás a governar o logos desse mundo, mas o que evidentemente falta de gregário o fator determinante desse peculiar progresso.

Sejamos sinceros, estamos cagando e andando, e se estamos, vai dar merda porque a bosta vai para algum lugar. Mas agora vem a parte interessante, ela vai, e por mais longe dos olhos e narinas que mandemos o esgoto da nossa (falta de) humanidade, por mais que seja na cabeça do outro e não na sua, ela vaza, e volta. De modo que na falta ou perda da sensibilidade haveríamos de ter desenvolvidos ao menos a inteligência. Uma inteligência suficiente para que aquele que não sente mais os pregos que come, consiga ao menos como o jogador de xadrez o que vai acontecer nos próximos lances com o seu próprio rabo. Só que não. Até porque inteligência não é substituta da senciência, mas um produto da sua evolução. E quanto mais perde-se da primeira, mais comprometido fica o desenvolvimento da segunda. De modo que trate-se ou deixe-se tratar como animal de fazenda ou zoológico e você vai terminar com como um, batendo sua cabeça na jaula e com tanta vontade de dar continuidade a sua existência quanto um panda com um monte de biólogos fantasiados fazendo dança erótica para ver se levanta sua líbido perdida, ou cuidando da prole que ele renega. Como diria o colunista simplesmente uma fo-fu-ra…

Mais fofo que isso, só mesmo meu chocolate quentinho na noite Natal…

Mas se você é cristão não se preocupe, olhe para a cor da pele do menino da foto, sua pele escura indica que é descendente da tribo de Cam, amaldiçoada por seu pai Noé para ser escrava de seus irmãos de tez mais clara.

Mas não sejamos injustos com a mitologia bíblica. Eles não inventaram isso, copiaram. E copiaram até onde conseguimos até hoje rastrear arqueologicamente dos Sumérios. Ou melhor, copiaram não, copiamos. Já que praticamente tudo aquilo que define o que chamamos civilização, encontra sua origem neste ponto. E até que novos métodos e técnicas de investigação descubram uma origem ainda mais ancestral, se é que existe, fica valendo para todos efeitos, eles, os sumérios. Até mesmo porque se não foram eles que criaram mas também copiaram, assim como nós apenas deram continuidade ao mesmo padrão sem grandes alterações, o que interessa é que outras origem ou padrões civilizatórios concorrentes se não desapareçam por completo da nossa gene cultural não deixaram traços tão marcantes e determinantes quanto eles. Da religião a burocracia Estatal, passando pelos modos de produção, organização e exploração, da terra, dos bichos e dos outros homens. Do cultivo a domesticação, das organizações e relações hierarquicas passando pelo servidão, obediência e idolatria aos senhores todos poderosos somos tributários desses modelo de organização dos povos e populações humanas. E olhar para essa gene da cultura das civilizações ajuda a entender o que hoje está aparentemente separado em Politica, Economia e Religião, em verdade está geneticamente ligado. E mesmo não sendo mais a mesma coisa, ainda sim tem o mesmo DNA que define e portanto a leitura desse código explica, o porque e como, entre muitas outras coisas é tão difícil separar conceitos aparentemente distintos como trabalho, servidão e adoração que dirá portanto as práticas.

Pensamos na escravidão como a corrupção do trabalho, pensamos na mistura entre Estado e religião como a corrupção do Estado, quando em verdade historicamente não houve nenhuma corrupção, pois o que consideramos hoje como o mal e perversão ou o cruzamento indevido dessas instituições é na verdade a própria essência da sua constituição e cuja completa separação leva nada mais nada menos que a ruína das mesmas, que continua a depender simbólica e concretamente uma das outras para se perpetuar e prevalecer como um mesmo modelo de civilização.

Tanto a mitologia quanto as instituições sumérias são transparentes quanto a isso novamente não pelo que tinham, mas pelo o que não tinham tanto etimológica quanto etinologicamente. Assim como no grego antigo não havia palavras distintas para as palavras amor e amizade, no língua suméria não havia distinção para as palavras trabalho, servidão e adoração. Trabalhar como escravo, obedecer servir e adorar os deuses, eram uma única ideia e prática, povo, plebe e escravo eram (vejam só que descoberta completamente contra o senso comum do povão) uma mesma bosta. Assim como dentro das divisões hierárquicas a classe dos governantes e sacerdotes que se sustentavam desse servidão sagrada, também não estavam completamente distintas e mesmo depois de devidamente discriminadas, nunca estiveram completamente separadas nem apartadas. E sejamos sinceros, nem mesmo no mais laicos dos Estados modernos na prática jamais estiveram, e nem poderiam porque a partir do momento que a pedra fundamental do trabalho perde esse caráter de dever sagrado, servil e idolatria aos todos poderosos, caem por terra desde a base toda a pirâmide, a arquitetura vertical as relações de poder e autoridade simplesmente se desfaz em redes horizontes de relações entre pessoas que desconhecem qualquer preconcepção de supremacia, superioridade.

E haja chicote para domesticar colocar essa gente selvagem no seu devido lugar para montar de novo em cima sem cair do cavalo. Porque nessa época a política do pão e circo ainda não havia sido inventada, e nem podia, não tinham tecnologia para estabelecer colônias nem portanto se firmar como impérios. Não podiam, se dar ao luxo de prescindir da servidão da sua plebe mantendo-se a urbes resguarda das suas revoltas provendo o mesmo direito ao usufruto do ócio e futilidade, enquanto não tivessem como administrar a pilhagem e servidão bem longe dos centros palacianos ou importar escravos. Construir capitais administrativas no meio do nada, então nem pensar.

De modo que a divisão e logo disputas pelo poder entre Estado e religião, só podem surgir a partir do momento que a divisão entre política e econômica ou está muito bem sacramentada,ou mais precisamente o bicho-povo está devidamente domesticado, ou corre-se o risco de perder o controle das massas. Assim, mesmo onde o estado laico não só separou mas por ventura veio a a excluir do poder, ou mesmo suprimir os cultos religiosos, não o fez jamais sem ocupar essa dimensão simbólica do poder, assumindo o culto ao estado, o nacionalismo e patriotismo, a função sociocultural de regulação e aglutinação geneológico da identidade das massas, ou seja a representação do patriarcalismo enquanto culto não a divindade paterna mas ao pátrio-poder como instituição temporal. Porém a obrigação sagrada do fiel há que se manter inalterada, seja ao deus pai, a pátria, ou mesmo numa fase posterior quando esses direitos e obrigações são transmitidos conforme o sistema politico-econômico vai se tornando mais complexo para a 3 figura dessa santisssima trindade o patrão: trabalhar, servir e adorar nem que seja hipocritamente com bajulação e adulação, não importa. Se os ritos são cumpridos, por adoração, temor, interesse ou mera força do hábito, pouco importa desde que se cumpra religiosamente a obrigação, o resultado pode até variar mas o objetivo maior que o mesmo está perfeito, o sistema está mantido… e girando.

Diz-se que os médicos cubanos trabalham compulsoriamente para o governo, e vejam que absurdo são obrigados a entregar parte dos seus rendimentos para sustentar a sua burocracia corrupta e tirana senão sofrerão punições. Nossa como será que eles conseguem viver assim pergunta o brasileiro, não o rentista, o sacerdote, nem o governante, mas o assalariado que não por acaso trabalha meses a fio, apenas para pagar tributos que evidentemente ao contrário de lá da ditadura de lá serão empregados no nosso rico e democrático e excelente sistema públicos, inclusive de saúde, e obviamente não para sustentar uma classe de parasitas. Então muda para Cuba, eu não, sou escravo, mas não sou idiota. E por isso mesmo sei diferenciar qual fazenda trata melhor ou pior seus escravos, como também sei que não levar chibatadas ou levar menos, não me faz uma pessoa livre. A igualdade é meramente uma operação mental, sempre relativa, pois depende como o maior o menor, o mais e o menos de no mínimos dois seres ou objetos distintos. Já a liberdade não. Sozinho ou cercado de uma multidão, a liberdade mais do que uma condição relativa a miséria ou prosperidade alheia, é uma propriedade do ente antes de tudo para com ele mesmo. Uma propriedade que sim, pode ser roubada pelo alheio, mas que não pode ser dada por ele, porque somente ao titular natural pertence de fato, enquanto verdadeira liberdade, fenômeno que antes do estar livre desta ou daquela condição de privação é o viver sem ser dependente nem da riqueza alheia para sobreviver, nem muito menos da empobrecimento alheio para enriquecer, algo portanto impossível onde riqueza e pobreza ou a chamada desigualdade socioeconômica não é meramente abstração conceitual, mas um resultado contábil, onde os ganhos e posses de A se fazem as custas de B.

Ora é evidente que é possível produzir e acumular ganhos e posses enfim riquezas sem necessariamente produzir pobreza, até porque mesmo o roubo mesmo o legalizado implica em trabalho no sentido físico da palavra. De modo que poder-se-ia empregar a mesma energia ou até menos produzindo e criando do que pilhando, escravizando, vigiando e domesticando e pior aprendendo e ensinado técnicas essas técnicas a outros seres humanos, mas o ponto não é produzir, nem muito menos enriquecer strito senso da palavra. Riqueza que não produz pobreza ao alheio, apenas aumenta as posses enquanto possibilidades de subsistência e liberdade, mas não enquanto poder, e realização das taras e manias a ele relacionadas. Em outras palavras na cabeça do doente, de que adianta a riqueza se não for para submeter os demais aos seus desejos e vontades? Sem desigualdade a riqueza perde sua função dentro da civilização, e eis que o tarado como um maniaco favelado teria volta a recorrer com ainda mais frequência aos meios mais primitivos e violentos que o privação para poder violar os outros. Ou como diria o padre ou treinador pedófilo o que seria dos orfanatos e do esporte sem a pobreza para eles exercerem sua infinita caridade e filantropia.

Ou como diria nosso querido futuro presidente da república num dos seus arroubos furiosos de sinceridade, tanto faz se confessional ou de denuncia: “serve para comer gente”, em todos os sentidos metafóricos da palavra espero.

E nisto voltamos aos princípios de economia mais básicos, não só domésticos mas internacionais. Uma das definições mais tragicômicas da economia política é aquela que diz que a economia é a ciência que lida com a distribuição dos bens escassos. O trágico e cômico da definição está portanto no seu fundo de verdade. Se não escassos, haverão senão por força econômica então política, de o sê-lo, para o bem da preservação da econômica, a começar por sua predefinição e precondição. De modo que quando portanto falamos em riquezas das pessoas ou nações, se não estão falando das formas de encercamento que gera os domínios e relações domésticas ou internacionais de poder não só não estamos jogando o mesmo jogo, ao menos não o jogo que os verdadeiros players do mundo do qual somos apenas peças, como sequer estamos falando a mesma língua, para entender como o jogo é jogado.

Não que os recursos sejam infinitos. Não são. Mas mesmo que o fossem, ou mesmo abundantes de tal forma que seria como se assim fossem, isto não mudaria a forma de organização das nossas civilizações, dado que não nos organizamos para subsistir ou mesmo meramente multiplicar, mas escolhemos como estratégia ou sentido existencial prevalecer e dominar. Na miséria ou na fartura, o objetivo permanece o mesmo, nossa mentalidade e cultura não é imutável, mas salvo exeções que são rapidamente exintas e absorvidas, e mudanças insignificantes, o padrão civilizacional não só não muda como se expande e replica e complexifica sem sair da mesma toada, isto pelo menos nos útlimos 5.000 anos. ditando o que hoje chamamos estados-nações mas suas relações na ordem internacional.

Há quem acredite que fontes inesgotáveis de energia, poriam fim aos conflitos inerentes entre os povos e nações, supondo como ironizou Machado de Assis que a luta da humanidade seja para ver quem fica enfim com as batatas. Mas assim como no banco imobiliário, ou na caça esportiva, não jogamos nem matamos para comer, desconhece a anima que move os seres e seus atos em busca de sentido para sua existência. Algo que não só fontes infinitas de energia, mas nem mesmo uma fonte infinita de juventude e a extinção da morte, ao menos a natural por velhice, não são capazes de fornecer. Sentido a vida. A unica coisa que uma vida eterna, material ou imaterial ou meios infinitos de produção fornecem sem fim é tempo. E tempo para quem não sabe o que quer, nem onde quer ir é absolutamente irrelevante ou a garantia de tédio e vazio eterno para quem se condenou ao inferno de não mais como se decompor para se reinventar.

Felizmente e também infelizmente estamos longe de compreender isto. De modo que a estupidez que nos mata pouco a pouco também é a mesma que vai nos mantendo vivos e entretidos em viver ou pelo menos tentar. Eis a única coisa que os despostas mais convictos e esclarecidos, e os mais radicais anarquistas tem em comum, ambos sabem que essas convenções são manobras de ilusionismo para a audiência cativa, porque as verdadeiras forças e leis naturais são outras, e se um luta para reduzi-las a desordem e pervertê-las a sua ordem para governar os demais, e outro para libertar-se deles e seguir as naturais para governar a si mesmo, ambos sabem que de fato não existe outra coisa senão essa realidade para concretizar suas vontade.

Ambos sabem que não existem soluções mágicas, nem de transformação do mundo nem dos homens. Sabem que não existe a menor possibilidade de viver me paz, seja porque se tem tudo, seja porque não se tem nada, seja porque nunca se tem o suficiente, porque o suficiente de hoje, é o nada de amanhã. A forma como as pessoas vão canalizar essa força infinita de transformação, se como uma fome insaciável fim de tudo e de todos, um grande cronos a devorar tudo por mais tempo, ou se na própria autorealização atemporal da sua existência, isso já é muita metafisica para tão pouco tempo de vida principalmente livre para gastá-lo com tanta reflexão.

E metafisica fora ou dentro, o que resta de concreto é guardadas as devidas proporções e tempos como civilização somos todos sumérios. Cada avanços ou retrocesso tecnológico, cada máquina e automação otimiza e acelera os processos, mas não muda a lógica do sistema, e mesmo os ditos progressos e conquistas civilizatórias apenas lubrificam a estrovenga, diminuindo inegavelmente os estragos, mas não cessando, porque o padrão permanece e prevalece, mesmo quando uma civilização, potencia ou império desaparece, ele se replica no seguinte. Voltando para o raciocínio que abre esse escrito, a chave não está neste ou naquele sistema, mas no código da sua programação que independente da linguagem ou cultura são ainda escritos dentro de uma mesma lógica. De tal modo que nem o deus ex machina, nem o deus máquina, salvam e libertam, mas pelo contrário, fazem parte da engenharia e arquitetura desse arcabouço desde suas versões de edificação. Porque o deus dos sumérios, o senhor de escravos temporal e transcendental, ainda é o mesmo deus de todas as plebes do mundo. O deus que exige fidelidade, servidão e obediência em todos os tempos e lugares, o dono da vida e senhor do tempo e espaço dos seus criados, o senhor da guerra todo poderoso que demanda o sacrifício e holocausto nas guerras santas perpetradas em seu nome, em nome do pai e da pátria, mas também o senhor, patrono e patrão dos sacrifícios e holocaustos perpetrados em fogo brando da labuta cotidiana em tempos de pax. O deus senhor de escravos que a plebe suméria era obrigada a servir e adorar quisesse ou não como sua cruz, é ainda o deus o mesmo ou dos trabalhadores e desempregados “pós-modernos” o deus do Trabalho, da negação do ócio para os servos e provedor da ociosidade como negócio e sacerdócio sagrado para os eleitos e seus herdeiros, governantes dos fanos e fanáticos, senhores dos cultos e culturas e donos dos templos e palácios. O Deus dos ghetos, campos de concentração, fábricas, prisões que não se contenta com sacrifício de sangue e suor e alma, mas se alimenta do sofrimento e alienação da alma humana, naquilo que só a profissão do trabalho livre e não o servil e alienado poderia dar realização, sentido e vocação existencial. Eis a essência do poder deste culto e cultura sob a qual se erege aquilo que chamamos civilização, o sacramentalização sacrificial da servidão como função social da pessoa humana não como ser, mas como mera criatura que cão ou gado deve sua vida aquele que supostamente a prove, seus criadores e senhores capaz de entregar não só a si, mas sua prole em estase da sua fidelidade canina ao mesmo altar de sacrifícios. Um animal domesticado pelo seu semelhante. A base epistemológica das civilizações que tomam por bárbaro ou selvagem, ou mesmo desumano todos os outros que não rezam nem idolatram a mesma divindade e claro em permanente guerra para impor seu credo e modo de vida sagrado para todos os demais. Pois a simples existência de outra forma de vida ou credo é uma heresia para a pressuposição fundamental que sustenta esse representação de divindade feita a imagem e semelhança das todos poderosos ou mais precisamente as suas taras de violação do alheio, e uma ofensa tácita a sua condição de servo e fiel. A liberdade do outro é a negação da relação de poder e servidão como única legítima e real, e a denuncia e lembrança ambulante de tudo que está profundamente enterrado e amputado e transmutado como inveja, ira, ódio e frustração nas camadas mais profundas da sua inconsciência, a criança que um dia ele foi e o adulto que ele não consegui ser, ambos mortos e sepultada na cova rasa da maturidade verde e apodrecida.

Tome por exemplos os diários do missionário que se martirizou para evangelizar a tribo dos sentinelas, o “último reduto do diabo”, e você vai entender as forças que simplesmente impedem nossas civilização não só de viver em paz, mas de deixar qualquer um, em qualquer lugar vivendo em paz. Não é uma mera questão de não conseguir se colocar no lugar do outro, masa justamente de um instinto de empatia completamente corrompido e adulterado num ethos senão pervertido, furado. Dizemos que estamos sempre a querer fazer pelos outros o que gostaríamos que fizemos por nós, uma mentira deslavada, que contamos senão para só outros para nós mesmos. Estamos a fazer a pelo outro o que gostaríamos de fazer com ele, se estarelemos como regra de ouro, o que supomos que o que ele quer, é o que nós queremos, longe disso ser a resultante do exercício natural da empatia, isto é, o exercício cego de uma doutrinação, porque até um animal que não tenha sido amestrado, consegue ler o que o outro animal deseja pelos sinais claros que transmite do quer ou não quer da sua parte. E se você entra num lugar que para o outro é o que você chama de casa ou território, quando você já deixou claro e patente que simplesmente não quer ver sua cara, tenha ele um exercito com tanques e misseis ou só um arco e flecha, qual parte da mensagem não foi entendida do quer você quer e gosta outro quer distancia, a começar por nada menos nada mais do que ter que conviver com sua própria presença. Não é meramente uma questão de não saber lidar com a rejeição, ou com o fato de não conseguirmos conceber que tudo que achamos tão maravilho em nós mesmos, seja absolutamente repugnante ao outro, e ao contrário do estuprador não ficar pensando que o outro não quer porque não sabe o que está perdendo. Isso vai muito além do desrespeito ou livre-arbítrio, ou falta de noção da consensualidade como base da possibilidade de qualquer relação e comunhão de paz. Nem pode ser considerado com um mero fato isolado, porque guardadas as devidas proporções, é basicamente como vemos e operamos no mundo dentro do modo “civilizado”.

Quando nos perguntamos porque da cisma especifica deste jovem com essa tribo, ou chamado como queiram. Quando nos perguntamos o que ela isolado no seu fim de mundo o incomodava estamos aplicando exatamente o mesmo raciocínio do infeliz, estamos usando nossa régua e sistema de valores para tentar julgar, medir, explicar e prever os quereres que movem que ação e comportamento alheio. Podemos estender essas pergunta a todos chamados ou cismas, especialmente quando uma das partes não tem a menor intenção de ditar como a outra deve viver, mas justamente o oposto apenas ver-se livre dessa ditadura em especifico, nem que seja para viver sob outra. Uma pergunta que desconcerta os ditos autoritários que idolatram onipotência, onisciência e onipresença porque isso implica justamente em aceitar que seu culto e ídolos não tem juridição sobre tudo o que eles querem, mas somente e tão somente sobre quem aceita estar sob está cultura. Mas é também os ditos libertário que acredita que todo esse mal não passa apenas como de uma falta de conhecimento, obviamente do seu modo de saber viver, quando o componente da vontade é o fator determinante, mesmo quando a ação é promovida por alienados, pois se o amestrado e doutrinado não move por sua própria vontade e concepção, ainda sim se move pela vontade de quem o doutrina. E então é sobre essas vontades que estamos no final das contas tratando, vontades que podem ser meros desejos fruto de compulsões, vícios e frustração do qual o doutrinador é também prisioneiro, mas que também podem pura e simplesmente ser fruto nada mais nada menos da manifestação daquilo que ele deliberadamente quer ser e fazer. Uma escolha. Escolha que não só conhece as suas consequências como não se importa ou mesmo é a realização do que procura. Loucura? Não do ponto de vista dos interesses de quem assim procede porque quer proceder. De modo que o desafio da verdadeira libertação, seja a de ontem, hoje e mesmo se um dia num futuro, o desenvolvimento da consciência permanecerá o mesmo: como se lidar como indivíduos e coletivos organizados e constantemente a se organizar dentro desse padrão supremacistas de culto, adoração e sacramentalização do autoritarismo, violação e exploração do outro manifestos como sua forma, razão e sentido de ser?

Já usei em outros escritos a metáfora, com os predadores naturais, podemos não só conviver, mas até mesmo proteger a vida e liberdade desses antigos “inimigos” naturais, desde que estejamos num estágio de desenvolvimento suficiente para nos mantermos fora do alcance da sua violência. Mas essa não é uma metáfora perfeita, porque enquanto o predador natural, mesmo aquele que esteja no topo de sua cadeia alimentar, como por exemplo o lobo pode perfeitamente viver em paz dentro de um território com espaço e recursos suficientes para satisfazer seus instintos predatórios dentro de um ecosistema que mantém equilibrado inclusive no número da sua população por conta dele. O homem é enquanto predador é um lobo de outra natureza, não só porque não se especializou não só em predar e domesticar a sua própria especie, mas sobretudo porque sua fome e portanto sua caça não é das presas que estão a sua disposição, mas justamente daquela que está além. Sua fome não é de qualquer maça, pois se fosse contentaria-se com a sua, mas sempre a maça “proibida”, a maça do outro. De modo que mesmo que tudo tivesse, ainda sim não está satisfeito, porque sua fome e desejo insaciáveis não são de meramente um desejo de possuir mais e mais, mas de possuir nada menos que tudo que seus olhos alcançam, incluso o outro que também não passa de uma maçã. Como conviver com essa pessoa, cuja a pisque, não se satisfaz enquanto não reina, controla e consome a vida e liberdade alheia? Uma pessoa que quando já não tem uma única pessoa nessa condição natural, as cria e cultiva em sua infância com todo o carinho e proteção necessária para que ela cresça e floresça apenas nos primeiros sinais da maturação poder salivar e novamente satisfazer seus instintos primitivos mais pervertidos?

A resposta é simples. Não se convive. Uma resposta que hoje em dia, graças a sociedade da informação onde as pessoas desnudam narcisa e voluntariamente seus pensamentos e disposições mais inconfessáveis em público. E há quem se ressinta pelas relações que rompe, ou culpe exclusivamente a arquitetura das redes de telecomunicação social, por transformar num o monstro aquela pessoa pacata que vivia a seu lado, quando a arquitetura das redes desenvolvida dentro dos valores e interesses predatórios tudo o que faz, é revelar e claro potencializar a perigosa união de quem até então estava disperso e pensando estar sozinho, literalmente e tão somente não se revelava. Longe de transformar a arquitetura os meios e veículos apenas revelam os monstro que havia dentro de você, e se isso serve para você identificar e se unir a seus afins, também serve para as potenciais presas saberem enfim onde estão os predadores, em sua armadilhas e tocaias, inclusive da próprios rede ou veículo de comunicação enquanto tais. Eis o perigo da ditadura do politicamente correto, você só descobre que está dormindo com o inimigo, infelizmente tarde demais. Há quem se surpreenda com o que tem se tornou primeiro o mundo virtual da internet, e agora real das ruas, e os conflitos que como nuvens se espraiam no horizonte anunciando as futuras tempestades, mas apenas porque viviamos sob o véu da ilusão das aparências de civilidade, mantidas não pela tolerância, mas pela submissão silenciosa dos violados e violentados. Bastou, o levante deles, ou melhor deles e principalmente delas, para que o predador que não, não estava dormindo, mostrasse seus dentes e garras e toda a sua disposição para defender com toda a força os meios que tem a sua disposição, incluso a violência o que considera sua posse, domínios e territórios exclusivos, nada mais nada menos tudo ele alcança com olhos e mãos, o seu mundo como tudo o que há dentro dele, incluso a identidade, destino, comportamento, relação, comunhão, das outras pessoas. Um processo reacionário que não se iludam, já vinha ocorrendo a esquerda progressista e agora ganha força ainda mais à direita conservadora, que inclusive se sentia oprimida pelo autorismo disfarçado de proteção da esquerda autoritária. Uma simbiose, que gera um ciclo vicioso já que agora invertidas as forças, será o outro lado a tentar esmagar totalitariamente o modo de vida diverso e impor o seu.

O que os autoritários a esquerda e direita não conseguem aceitar, e nem podem pois isso seria a extinção de tudo que fantasiam e desejam como tara disfarçada e racionalizada como ideologia, é que não tem direitos para impor adesão a um conjunto de normas e formas de viver aos outros. Até porque tal respeito as relações regidas pela consensualidade, implica na renuncia a qualquer pretensão de legitimidade do emprego da coerção, repressão e violação como forma de manter a união leia-se domínios. Tal respeito a liberdade de culto, crença, identidade, relação, comunhão, implica em abandonar seus desejos de reinar e possuir e controlar todos os espaços a todo tempo, ou em outras palavras implica em renuncia nas pretensões jurisdição e governo de quem não deseja estar submetido a esse regime e sociedade, mas a outro, o seu. O que exponenciaria a autonomia e independência dos indivíduos, mas multiplicaria os territórios autônomos (con)federados ou não. De modo que aquilo que é a solução para quem só quer viver em paz e deixar os outros viver como bem entendem em paz por sua conta e risco, é o problema para quem não quer e já não consegue mais manter o sistema que satisfaz seus desejos de posse e poder sem recursos humanos para mantê-lo e satisfazê-lo. Uma padrão de dependência da exploração que antes de ser tão somente material, é psíquico, e não raro o monstro que perde o seu reino, prefere matar todos que estavam sobre seu domínio, e morrer do que renunciar a ele, ou o que na prática a mesma coisa, vivendo livres e independentes dele.

Digamos eufemisticamente que o autoritário daquele tipo de maluco possessivo perigoso que não aceita ser nem contrariado, que dirá rejeitado, e quando não estamos falando mais dessa mentalidade a imperar sobre comunhões pessoais, mas sobre sistemas de produção, temos um sério problema que antes de ser socioeconômico é psico-cultural. Um grave afeção do ethos, como vimos ancestral. Mas uma afeção da alma não só no sentido de uma forma de ser melhor ou pior, bom ou mal, mais bonito ou feio, dentro de conceitos de bondade, beleza, sabedoria ou ética clássicos ou mesmo saúde ou sanidade modernas, mas um problema de teratologia que afeta não só a qualidade manifesta do ser e forma de vida que temos ou somos ou pretendemos ser, mas sua potencia e potencial em qualquer forma ou qualidade, um problema de envelhecimento e morte precoce do que sequer consegui crescer e amadurecer, um questão de extinção do que sequer se se realizou completamente, a humanidade.

Como afirmei anteriormente, esse caos não termina quando a borboleta bate asas num lugar e um terremoto ocorre em outro, ele ressoa, e volta, não por nenhuma razão cármica ou cósmica transcendental, mas por causas e consequências bem mundanas não só transformação do meio ambiental, mas sobretudo do ser vivo ou de potencial pela concretude dos seus atos, um processo de mão dupla que altera sua natureza tanto quanto altera a própria a natureza do mundo esteja o mundo vendo ou não. Uma obviedade. Porém cujo o mero reconhecimento inteligente ou mesmo a vivência sensível não tem alterado, não significamente, a gene dos comportamentos. De tal modo que assim como essas civilizações de outrora que se não engendraram seu próprio fim e desaparecimento com suas contradições, também não foram capazes de superar nem elas nem as vulnerabilidades a que eventualmente foram expostos. Em outras palavras, se suas políticas e econômicas não forma diretamente responsáveis pelos males que determinaram sua falência e queda, fome, pestes, guerras uma coisa é certa, não foram capazes de lidar e sobreviver a elas. Não que isso seja uma tragédia em si, que se tiverem que cair que caim, mas como essas instituições não caem em outro lugar senão na cabeça de quem vive sob elas, o problema são as vidas que se perdem, e eventualmente em alguma momento toda a vida. O que seria o equivalente ao que chamamos de morte natural se fosse produto do esgotamento das suas possibilidades como envelhecimento e morte, o que não se aplica principalmente que chamaríamos ao equivalente as mortes que poderiam ter sido evitadas principalmente se as escolhas poderiam ter sido outras. Uma pressuposição absolutamente necessária não só para se viver, mas para enfrentar o momento derradeiro com o minimo de dignidade e não esperando a morte chegar.

Para entender esse processo do ponto de vista Macro. Deixemos por hora, a gênese da nossa cultura e mentalidade, o passado, descansar em paz, sem contudo apagá-la como da nossa memória, como dado para os próximos raciocínios e voltemos nossos olhos novamente para os desafios de um futuro que já cada vez mais presente e raciocinemos.

Quando portanto falamos do emprego de mão-de-obra mesmo a que carece ser altamente instruída e especializada como os médicos, temos que levar em conta não só como o emprego e exercício dessa profissão como a prestação desses serviços, estão e são regidos por interesses que não são apenas administrados e regulados pela juridição estatal, mas estão submetidos as disputas de interesses nele institucionalizados e que regem suas relações não de domínios geopolíticos mas de disputa das riquezas ou butim, tanto como capital quanto trabalho tanto dentro do mercado doméstico quanto exterior. Precisamos observar qual a forma predominante do capital, e de que forma o emprego dessas pessoas se insere como mero dentro de um sistema complexa mas cujo paradigma é se resume a uma simples questão para quê e portanto quem eles estão a serviço, lembrando pode ser mais de um elemento privado ou estatal, mas enganar-se ou deixar-se enganar que estão servido exclusivamente a si mesmo ou a saúde da população, isto não é desconhecer a condição do trabalho e trabalho desses médicos e pacientes seus desafios, obstáculos, mas é desconhecer a sua própria condição seja como quando presta um serviço ou produz, ou quando o é atendido em suas demandas por ele. A vocação a dedicação não estão excluídas da equação, pelo contrário, são a essencial que move, mas não só se movem sozinhos, é da apropriação e uso ou mesmo deturpação dessas motivação para outros fins que se consiste o emprego de qualquer um que seja um empregado ou mesmo ou empregador que não tenha o controle sobre a produção. Esqueça portanto os termos que mudam como os supermercados de um Abílio de Diniz, e se concentrem na natureza do negócio onde estas mudanças fazem parte não só da sua propaganda mas da sua engenharia jurídica e fiscal. As diferenças de grau de expropriação e alienação e logo autonomia e propriedade sobre seu trabalho e produção são sempre de grau e nunca de gênero. Comprar as maravilhas de um estado e não de outro, é cair e ser conformado a uma outra armadilha ideológica, considere a sua gaiola como se feita de ouro, ou um chiqueiro para porcos a margem de manobra consciente para a verdadeira ação vocacionada e solidária é sempre menor e está sempre restrita e determinada por esses encercamentos. E sair deles longe de ser um mero querer ou saber, mas uma questão de poder, da mesma forma que o operar com o mínimo de liberdade ainda encerrado dentro desses arcabouços.

Dito desta forma parece até que estou me atendando a dimensão micro, de uma problema macro. Não, este arcabouço que rege e delimita o campo das possibilidades de ação dos empregados, também constitui o xeque-mate em que não só os regentes acabam por se colocar, os limites e o fim do próprio jogo.

Algo que se explica e compreende, mais uma vez, melhor com um outro exemplo, e que não precisa nem fugir ao tema, a saúde desse bem, a saúde. Ou mais precisamente, o dilema atual da sua produção e distribuição e sobretudo financiamento no atual de transição do capitalismo entre o estagio terminal do capitalismo industrial-bancário, para o não mais embrionário, mas ainda em construção, leia-se guerra, informático-financeiro.

Um estagio onde o problema da incapacidade de prover mão-de-obra médica nos grotões e periferias mais distantes e consequentemente ao mesmo tempo que se superlotados centros metropolitanos é apenas um das dimensões e sintomas a agravar a falência e esgotamento de um sistema, que está perdendo a guerra que declarou unilateralmente contra a natureza. Explico.

O sistema de capitais, não importa aqui o regime da sua administração dita capitalista ou socialista, se fundamenta na transformação de bens para acumulação de capitais que são investidos para a produção e provisão de bens e serviços artificiais, sociais ou comerciais. Novamente não importa, não neste raciocínio novamente se públicos ou privados, porque nenhum dos modos de produção e destruição nem sozinhos ou em parceira estão conseguindo vencer o problema. No caso da saúde, um dos grandes adventos do século passado que contribui com criação e manutenção grandes centros urbanos e industriais, jamais dada a insalubridade inerente a concentração de bundas e bocas um monte de gente cagando e se contaminando mutuamente, foi justamente a descoberta dos micróbios e consequentemente de uma forma de tratamento baseada no combate aos mesmos, com a produção massiva de remédios quanto vacinas para populações. Para se entender o tamanho dessa revolução e seus impactos, basta pensar se os projetos filantrópicos financiados por Bill Gates tivessem sucesso e as populações humanas adquirissem imunidade as doenças tropicais, quantas oportunidades de ocupação e mercados de negócio se abriram para o “progresso da civilização” em lugares como por exemplo a Amazônia. Pois é. Mas não é por causa disso que o progresso vai parar. E não é pelo que vai acontecer no futuro que o sistema está falindo hoje, nem pelo que deixarmos de fazer que ele, ou mais importante a natureza e a vida das pessoas, vão se salvar, mas justamente pelo contrário, pelo que foi feito e continua a ser feito a espera que algum gênio da raça humana encontre a solução ou melhor remédio que irá mais uma vez remediar o problema e transferi-lo a uma próxima geração. Mas não nos percamos o fio da meada, estamos ainda no século XX. A revolução cientifica como bem sabemos não ficou só a medicina humana, mas também a animal. e assim como na agricultura o uso intensivo de aditivos agrotóxicos permitiu produções de grãos, também o uso de antibióticos também permitiu ganhos em produção industrial, novamente o calculo de bundas, bocas, sujeira e fezes entre na equacionamento do espaço e tratamento das populações que passam a literalmente cagar uma em cima das outras e até serem alimentadas dos restos moídos uma das outras sem maiores prejuízos, conhecidos até então, doenças como a da vaca louca, ou variedades ultra-resistentes aos antibióticos senão eram até então complementarmente desconhecidas eram ignoradas bem como suas possibilidades de mutação e proliferação em outro ambiente ideal para tanto os hospitais, em especial do mundo subdesenvolvido, onde a salubridade não é uma das prioridades no trato e tratamento dessa outra espécie recurso vivo, o humano. Some-se então o uso indiscriminado dos antibióticos em humanos e animais, com condições de tratamento e assepsia hospitalar precários e você tem a cultura perfeita para produzir cepas mais resistentes, é como se estivéssemos a imunizar… as bactérias.

Um problema até então menor, aos menos para os civilizados, mais para nativos e eventuais turistas e trabalhadores exceto evidente para gado e gente tratada com tal. Afinal, se os microorganismos se adaptam aos velhos medicamentos, a ciência desenvolve novos. Certo? Errado. Não é a ciência é a industria que usa os avanços científicos para produzir novas drogas. E embora a lógica que produzimos nossos bens, o capital, incluso como conhecimento científico também é capaz de adaptar, não na mesma velocidade competitiva, ou melhor na progressão com que a natureza no caso específico a microbiótica tem demostrado possuir, ou seja, numa velocidade inferior a necessidade. A última grande corporação a trabalhar com a produção de novos antibióticos vendeu seu asset recentemente, não simplesmente porque vender outros remédios e cosméticos dá mais lucro, mas simplesmente porque mais do que inviável produzir qualquer lucro com essa produção, não é possível produzir medicamentos que funcionem, não em tempo. Entre o processo de investimento, pesquisa, produção, aprovação e enfim distribuição da nova droga contra a cepa anterior que adquiriu resistência , novas cepas já se multiplicaram. Mesmo que não houvesse nenhuma perde nesse processo de produção, com por exemplo burocracia, ou seja mesmo com todo o investimento e pesquisa e produção necessárias para produzir novas armas contra esses pequenos agentes biológicos, a corrida armamentista para a produção estaria perdida, porque na medida que o homem elimina ou neutraliza uma variedade, a partir dela e da própria necessidade de mutação desencadeada pelo ataque, n outras se desenvolvem cada vez mais rápido e diverso. E aqui entra o problema que vai muito além apenas do financiamento em pesquisa e desenvolvimento, a evolução. Os vírus ou bactéria, mesmo fungo assim como nós seres humanos não só sabem se adaptar para sobreviver incluso em nossos ambientes tóxicos como tem naturalmente uma capacidade muito maior de mutação, adaptação e proliferação do que a nossa, apresentando não só resistência mas variedades numa velocidade muito maior que nossa capacidade não só cientifica, mas econômica de produzir as armas biológicas contras eles, drogas.

A industria farmacêutica não tem conseguido acompanhar as transformações ou mais precisamente as mutações que a próprio combate potencializa, ou seja não ao mesmo intervenção humana tanto econômica quanto cientifica ao mesmo tempo que elimina uma ameaça, engendra outras mais agressivas e resistentes por seleção natural. E não só por conta das contradições e falhas inerentes aos nossos modelos econômicos, mas por conta da própria visão e abordagem da questão que define tanto a economia quanto a própria ciência como uma especie ou combate aos inimigos, ou seja uma guerra. Uma guerra contra um outro reino da natureza, que está perdida desde que foi assim entendida e declarada, porque a vitória completa a extinção desses micro organismos resultaria na morte do vencedor e a adaptação deles contra nossas armas os torna não só mais agressivos e resistentes, mas amplia sua diversidade e potencial aleatório destrutivo.

Guerrear contra a natureza é como travar uma luta contra uma hidra, onde você corta uma cabeça e não só duas, mas incontáveis novas cabeças surgem em seu lugar, algumas não só resistentes a sua velha espada, mas prontas para se multiplicar em novas formas resistentes as espadas que nem sequer ainda pensamos em criar ou conseguimos criar. Uma luta portanto contra a própria vida. Uma estratégia que tem colhe seus sucessos no primeiro momento da batalha, mas enseja sua própria derrota sempre a longo prazo. E acaba por prejudicar o próprio desenvolvendo de medicamentos que visam promover a resistência do homem a esses micróbios, o processo do desenvolvimento de vacinas que trabalham com a abordagem inversa, a imunização, isto é, a produção de medicamentos que permitem ao organismo humano conviver com esses micro organismo sem ser mais prejudicado por eles. O que não afeta a sua capacidade de se mutar e eventualmente se tornarem novamente nocivos, mas a um progressão evolutiva que os avanços da medicina e economia teriam a mínima chance de acompanhar.

Notem portanto que seja nas limitações intricaras das nossos modelos socioeconômicos, sejam nas limitações intrinsecadas do nosso modelo de saúde e medicina como combate as doentes, a raiz do problema é mesma, e não (só) de paradigma cientifico nem econômica, mas epistemológico, um problema de visão e concepção da natureza e ação humanas, onde impera a abordagem de guerra, cuja finalidade não é por sua natureza estabelecer ou manter equilíbrio ou harmonia, mas impor domínios e hegemonias. Digamos como o general que escolhemos mal não só nossa estratégia de guerra bater de frente com um inimigo que não podemos vencer, mas escolhemos mal nossa estratégia e ponto. Elegemos como inimigo um força que não pode ser subjugada: a natureza ou mais precisamente a vida.

Não, não estou defendendo que deveríamos cruzar os braços, enquanto pessoas morrer doentes, mas entender que cada investida onde somos escolhemos ou somos obrigados a atacar uma determinada doença ao invés de trabalhar com a imunização não só estaremos dificultando a posterior cura em definitivo, como fortalecendo e ampliando o espectro desses males.Um padrão de abordagem de solução e resolução dos problemas que está presente portanto não só na relação com esse reino, ou a produção desse bem, a saúde, mas em todas as relações e processos produtivos.

Em suma, mesmo que o processo de produção de um novo medicamente, antibiótico ou vacina, tenha todo financiamento, e nenhum entrave, o processo no que tange a fase de pesquisas e desenvolvimento, não é de modo algum automático, pode consumir uma quantidade imprevisível de tempo e trabalho, e sem garantia de sucesso. Como um outro fator importante neste sistema de produção e reprodução do capital, cada vez mais significativo na era da informação, o conhecimento em sua forma de propriedade intelectual é uma das contradições inerentes desse sistema socioeconômico, pois ao mesmo tempo que a valoração e proteção garante o retorno, ela por outro lado acaba gerando obstáculos sobretudo a quem não possui capitais para adquirí-lo. De tal modo que quando um Instituto como o Butantã que produz ciência de ponta, como recentemente a vacina contra a dengue esse conhecimento é facilmente comprado para produzido em massa por pelo capital privado de empresas do mundo desenvolvido. Mas o caminho inverso, não, quando por exemplo um pais subdesenvolvido precisa adquirir mesmo readquirir de volta esse mesmo produto ou a licença para produzir e distribuir a sua população, e simplesmente não tem capitais para tanto, levando a guerra de quebra de patentes. E nisto voltamos a questão da propriedade, a quem pertence o conhecimento, a informação desenvolvidos com base no patrimônio não só genético não só cultural mas biológico e natural de uma pessoa como indivíduos, nações como coletivos e humanidade como bem comum enquanto simplesmente vital a todos sem nenhuma especie de segregação ou discriminação.

Como se vê não o questão das produção e prestação de serviços de saúde, vai muito além do problema da formação e emprego de mão de obra especializada, ele passa pela posse e produção dos meios necessários tecnológicos para que essa mão de obra possa fazer seu trabalho, um trabalho que hoje regulada pela juridição sobre o trabalho mas sobre a propriedade intelectual, e cuja contradições e desigualdades não afeta só o campo do desenvolvimento e pesquisa, mas também o exercício de toda a clínica em geral determinando não só a precariedade da sua prestação, mas da formação e em ultima instancia da própria relação de trabalho enquanto emprego de uma mão de obra menos mais defasada, menos competitiva, e mais barata, porque mais otimizada, mas porque menos valorizada. Mão de obra pobre, para gente pobre em lugares pobres com recursos pobres recebendo salário de miséria. Não surpreende portanto que o emprego de subterfúgios que recorram a formas mais ou menos mal disfarçadas de coercitividade baseados senão na ameça na falta carestia ou falta de opções sejam empregados como gambiarras provisórias que se se tornando definitivas.

Da mesma forma que desenvolvemos nossas defesas, não só colateralmente nas externalidades, mas inerentemente a sua arquitetura constituirmos também nossas vulnerabilidades. E o homem que é o biozard para as formas de vida nativas, e os nativos, também é o vetor dessa mesmo mal em constante mutação em seu meio já transformado. E esse principio não é um padrão apenas da vida biológica, mas da vida social e cultural, política e econômica, simplesmente um padrão de organização da vida em todas as suas dimensões e possíveis relações, não por uma razão mistica, ou axiomática, mas porque o ser completamente apartado do universo é uma abstração conceitual e não o fenômeno. De modo que mesmo quando nossos males não são causados por como consequência das nossas próprias ações, não são em sua grande maioria evitados pela pobreza da nossa visão e projeção, algo que como concebemos nós e o mundo do que propriamente como ele é de fato. Em outras palavras, muito embora sejamos dotados da capazes de problematizar e solucionar situações, incluso as que não criamos, a dura verdade é que não só não solucionamos o que problematizamos como estamos criando problemas a longo prazo insolúveis com nossas soluções imediatas.

No fundo a grande odisseia da progresso da história da civilização dentro dessa mentalidade se resume apenas simples pergunta: quem vai limpar a nossa merda?

Falta agora só inventar as bundas pensantes, talvez mais fácil do que a castas dos patros cagantes e fodentes adquirem consciência e começarem a pensar…

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, prometeu construir 60 milhões de banheiros em residências das áreas rurais do país ao longo de seus cinco anos de mandato, iniciado em 2014. A ideia é acabar com a evacuação a céu aberto, uma das principais fontes dos problemas de saúde pública por lá, e resultado da falta de acesso a estruturas sanitárias de qualidade. O governo foi pego de surpresa, contudo, ao detectar que mesmo com novas latrinas em casa, parte da população continua indo à natureza para fazer suas necessidades fisiológicas. O sistema de castas, os hábitos enraizados e até mesmo o machismo são os principais fatores que afastam grande parte dos indianos das áreas rurais do país, onde a prática é mais comum, do sanitário privativo. A questão é colocada como um ponto central das mortes de crianças até cinco anos na Índia. Isso porque a diarreia lidera o ranking de causas desse tipo de ocorrência e é gerada por problemas sanitários e ausência de higiene básica. A dificuldade em destinar dejetos humanos de maneira correta tem um papel importante nesse caso. 130.000 crianças de até 5 anos morreram por diarreia na Índia em 2013, segundo a Unicef 22,8% das mortes no mundo decorrentes desse problema aconteceram no país. A evacuação a céu aberto não é um problema exclusivo da Índia. Outros países, principalmente na África e no Sudeste Asiático, com economias pouco desenvolvidas e onde grande parte da população não tem acesso a saneamento básico de qualidade, também convivem com o problema.(…)

Por que fogem do banheiro?

PRECONCEITO DE CASTAS No sistema de castas da Índia, que divide em classes hierárquicas a população de acordo com seu nascimento, a tarefa de limpar dejetos humanos é diretamente associada aos dalits. É a casta que ocupa a posição mais baixa da hierarquia e sofre com um profundo preconceito estrutural no país. Eles constituem 16,6% da população. A ideia de limpar o fosso do banheiro é ainda mais delicada por esse motivo. Famílias que podem — e querem — construir seus próprios banheiros, optam por gastar mais e construir fossos maiores, que não precisem ser esvaziados pelo tempo aproximado de uma geração. O relatório da Rice aponta que como os fossos dos banheiros construídos pelo governo são menores, as famílias optam por nem começar a enchê-los para não terem de encontrar uma forma de limpá-los posteriormente. “O ato de esvaziar o fosso é associado com o degradante sistema de castas. As pessoas temem que, quando eles encherem, ninguém irá querer limpá-los por causa do estigma social. Esse medo desencoraja o uso dos banheiros” Sangita Vyas Diretor da ONG Rice, em entrevista ao “Washington Post” (…)

MACHISMO O contexto de violência disseminada contra a mulher, em um país que estupra 92 delas por dia, segundo dados de 2014, faz do acesso ao banheiro mais do que uma simples questão de saúde, mas também de segurança. A população feminina se vê ainda mais insegura quando tem que sair de casa para se aliviar, especialmente durante a noite. Casos de estupros e mortes de mulheres nessa situação não são raros, e o direito delas a ter um banheiro em suas casas passou a ser uma demanda do próprio movimento feminista indiano. Contudo, campanhas publicitárias que associam o uso do banheiro à segurança da mulher, delegando inclusive a missão de construir o toalete ao ‘pai de família’, tiveram como uma consequência não prevista a associação do uso da latrina à feminilidade. Para os homens, evitar o banheiro passou então a ser também uma questão de reafirmação da própria masculinidade. -Castas, hábito e machismo. Por que a Índia constrói banheiros, mas sua população não os usa

Uma questão de falta de infraestrutura politica-econômico ou organização sociocultural? Só na Índia? Ou um problema de falta e corrupção de algo ainda mais essencial e universal?

Em busca de um ‘momento de glória’

Em 1901, um médico britânico que morava na Malásia descreveu um fenômeno que lhe chamava atenção: o de pessoas sem histórico criminoso que tinham rompantes de violência e saíam cometendo assassinatos indiscriminadamente, atacando a quem não havia feito nada contra elas.

“Um homem de 23 anos roubou uma espada e atacou seis pessoas que estavam dormindo ou fumando ópio. Ele quase decapitou um, matou outros três e feriu seriamente os demais — tudo sem razão aparente”, escreveu na época o médico John Gimlette no Journal of Tropical Medicine.

Era o fenômeno cultural local chamado de amok, quando uma pessoa alvo de frustrações ou humilhações — na maior parte dos casos, um homem — passava por um período de reclusão e isolamento e depois se lançava em um ritual catártico e bárbaro: ir a um lugar público e movimentado para matar pessoas desconhecidas, sem motivo ou conexão aparentes. A palavra deu origem ao termo em inglês “running amok”, que pode ser traduzido como “tomado pela ira”. (…)

Diferentemente dos amoks originais, de caráter catártico, os atiradores da atualidade parecem nutrir a ideia de que as matanças lhes proporcionarão o momento de glória, triunfo e atenção midiática que não haviam conseguido em vida até então, avalia o acadêmico brasileiro Gabriel Zacarias, professor de História na Unicamp e estudioso de casos recentes de extremismo islâmico na França (abordados no livro No Espelho do Terror: Jihad e Espetáculo; ed. Elefante, 2018).

“A maior parte é de pessoas apontadas pelos conhecidos como introspectivos, que ninguém imaginava que poderia fazer uma coisa dessas (uma matança indiscriminada). São homens geralmente, de alguma forma, frustrados”, explica Zacarias à BBC News Brasil.

Essas frustrações podem ser pelo fato de não terem desfrutado de popularidade, sucesso profissional ou integração à sociedade competitiva onde vivem, exemplifica.

“Os extremistas na França geralmente são de um estrato social mais baixo e de família de origem imigrante, o que coloca o preconceito em jogo na sua dificuldade de ascensão social. (…) Parecem ter encontrado no terrorismo uma forma de dar um sentido mais nobre a uma vida que já estava fora da norma”, explica. “Quem comete um atentado sabe que vai ser apresentado de uma determinada maneira na imprensa, nos telejornais, nas redes sociais jihadistas. Vai ter um momento de ‘triunfo’”, explica.

“O que nos leva ao caráter espetacular desses fenômenos: a maioria (dos extremistas) produziu vídeos com armas, mensagens ou até filmagens de seus próprios ataques. Eles já tinham a percepção de que seria um momento de grande repercussão midiática e de que eles, até então fracassados (dentro de suas comunidades), teriam seu reconhecimento.”

Claro que frustrações em si não bastam para explicar uma matança indiscriminada — todos, afinal, temos momentos de frustração, e pouquíssimos de nós transformamos isso em violência extrema. No caso de extremistas islâmicos, é preciso levar em conta também componentes étnicos, religiosos e geopolíticos. No caso dos atiradores de escolas, porém, há pesquisadores nos EUA que acreditam que existe no país uma “crise de masculinidade”: jovens do sexo masculino que se sentem desconectados da sociedade e encontram na cultura de valorização das armas de fogo uma forma de expressar que são “durões”.

“Todos os atiradores de escola e terroristas domésticos que analisei em meu livro exibiam raiva masculina, uma tentativa de resolver uma crise de masculinidade por meio de um comportamento violento e demonstravam fetiche por armas”, escreveu em 2008 o pesquisador Douglas Kellner, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, autor do livro Guys and Guns Amok.

Kellner estava se dirigindo à imprensa poucos dias após o atirador Steven Kazmierczak ter invadido a Universidade Northern Illinois e matado cinco pessoas, em 14 de fevereiro daquele ano.

“Tanto em massacres em escolas quanto em atos de terrorismo doméstico, os perpetradores usam armas e/ou cometem violência para resolver crises de masculinidade e se constituírem como ‘durões’, ‘homens de verdade’. Também usam a imprensa para criar espetáculos de terror e firmar-se como celebridades”, escreveu Kellner em artigo posterior.

Para o pesquisador, “em cada caso, os homens sofriam de problemas de socialização, alienação e busca por identidade em uma cultura que valoriza armas e militarismo como símbolos poderosos de masculinidade”. (…)

Mas esse é apenas um aspecto da complexa questão.

Para Gabriel Zacarias, é difícil propor soluções sem antes refletir para além das motivações imediatas dos perpetradores de massacres e para as contradições da sociedade ocidental atual — que estimula a concorrência aguerrida e a busca (principalmente masculina) por um ideal de sucesso nem sempre fácil de ser alcançado.

“Existe um problema mais profundo de crise do sujeito: do ponto de vista clínico, se manifesta na enorme epidemia de depressão que vemos. (Mas também) é concorrencial: da busca por triunfar aniquilando os concorrentes, que é como estruturamos nosso mercado de trabalho atual”, diz.

“Os indivíduos frustrados não sabem contra quem se vingar e vingam-se contra alvos aleatórios. Daí mais uma vez que as justificativas simbólicas que canalizam o ódio e o ressentimento são extremamente perigosas. Se for dito que a culpa de todos os males é de um certo sujeito social, o tipo se torna alvo potencial dos atiradores. Os EUA atuais exemplificam bem isso. A ascensão da extrema direita e de discursos racistas, homofóbicos, anti-intelectuais e antissemitas tem redirecionado a ação de atiradores, caso dos ataques em sinagogas e boates. Há razões para se esperar fenômeno semelhante por aqui.”

O americano Kellner, por sua vez, defende controles mais rígidos para o porte de armas nos EUA, mas também “a projeção de imagens novas e mais construtivas de masculinidade”, menos associadas à violência e a agressividade. (…) -O que pode levar a ‘explosão de violência’ como a do atirador de Campinas, segundo a ciência

Ah, se bastasse só a projeção de imagens… ou difusão de novos valores…

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Direitos da imagem @shivsunny@SHIVSUNNY

Por trás da imagem está a história de Anil, um indiano de 27 anos que trabalhava na rede de esgotos da capital, Nova Deli, e que morreu quando a corda que usava em serviço para descer até um bueiro se rompeu, provocando sua queda.

Estimativas apontam que cerca de 100 trabalhadores morrem na Índia todos os anos nesse segmento. Muitos deles são sufocados pelos gases tóxicos presentes nos esgotos.

Sindicatos denunciam que isso ocorre porque muitos dos funcionários não contam com equipamentos de segurança adequados. A forma de contratação desses trabalhadores, eles acrescentam, também contribui para deixá-los vulneráveis. A maioria não tem contrato fixo e acaba sendo paga por dia de trabalho, sem direito a assistência médica ou seguro de vida.

Segundo seu depoimento, a intenção da foto era chamar a atenção para a morte de trabalhadores nos esgotos na Índia. Mas acabou sendo fundamental para mostrar a difícil situação daquela família.

O jornalista disse que eles precisaram contar com a ajuda de vizinhos para bancar os custos para cremar o corpo.

Parentes da vítima contaram a Sunny que um dos filhos de Anil havia morrido de pneumonia uma semana antes, por falta de tratamento, já que ele não tinha dinheiro para comprar os remédios necessários. O bebê tinha quatro meses.

O homem também tinha duas filhas, de sete e três anos de idade, além do menino de 11 que aparece junto ao seu corpo.

Sunny disse que tirou a foto minutos antes de Anil, que foi identificado apenas por esse nome, ser cremado.(…)

As inúmeras perguntas e comentários sobre a família que surgiram nas redes sociais levaram o jornalista a procurá-los.

Foi aí que ele conversou com o desolado filho de Anil, que lhe disse que às vezes acompanhava o pai no trabalho e esperava por ele do lado de fora, para evitar que as roupas e sapatos que deixava para trás quando estava sem serviço fossem levados por ladrões.

“Meu pai dizia que ainda não era a hora de eu entrar nos esgotos”, disse o menino, conforme o relato do jornalista Hindustan Times. (…) -A comovente foto que chama atenção para o drama dos trabalhadores mortos limpando esgoto na Índia

Enquanto isso,futurólogos prevem a formação de assentamentos urbanos e metropolitanos ainda mais densos e gigantescos, as chamadas megacidades globalizadas. Mas nessa guerra, falta combinar com os russos, a natureza. A gestão da água, do lixo, e da saúde cuja qualidade incluso a mental é medida hipocrisia fora, no final das contas e contabilidades, pelo número de dias “utéis” perdidos, pelos dias que a galinha não está botando ovo nesse gigantesco galinheiro. Pode dar certo, claro que pode, desde que os recursos estratégicos não se esgotem, e as doenças não se espalhem ou então o que teremos outras aprenderemos com os civilizações antigas a lição derradeira que temos fugido: como é que uma civilização aparentemente tão desenvolvida simplesmente desaparece. Algo inevitável porque quem vive como um sumério, morre como um sumério. senão hoje, amanhã - que o diga lendário pastor de cabras e patriarca de tantas civilizações que não nasceu no campo, mas na Ur dos “Caldeus”.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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