Totalitarismo: a pobreza intelectual, o nazismo e a insanidade coletiva

Cabeça Dinossauro e pança de mamute

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Esse artigo não é propriamente sobre Charlotesville, mas sobre a liberdade de expressão, ou mais precisamente o entendimento raso da nossa cultura brasileira sobre essa liberdade a luz do caso do conflito em questão. E quando digo raso, quero dizer que vou concentrar minha critica ao que merece dialogo e critica, ao que é um entendimento passível de debate e não meramente um juízo autoritário, dogmático e fanático e violento que não vale a pena dialogar.

Até porque já argumentei, longamente sobre a impossibilidade tentar compreender a complexidade dos fenômenos ideológicos a mapas ou plano cartesianos, e a estupidez de tentar fazer isso reduzindo ainda mais esse mapa de já bidimensional de apenas 2 eixos polares (direita e esquerda; totalitarismo e libertarismo) em um ainda mais reduzido e confuso, unidimensional e linear. Uma projeção onde as ideias conservadoras ou progressistas, reacionárias ou revolucionárias, estão misturas como se fossem posicionamentos e pensamentos que pertence exclusivamente e a todo tempo a um mesmo espectro da ideologias de esquerda ou direita, ou das posturas autoritárias ou não. Ou como se o autoritarismo fosse um fenômeno exclusivo da esquerda ou direita, e liberais e socialistas não tivessem ao longo tempo transitado de posturas revolucionárias a reacionárias.

Cheguei mesmo a introduzir um terceiro eixo prático-teórico que se cruza evidentemente com os dois para determinar a real posição dos atores e seus movimentos (políticos, econômicos sociais) para facilitar essa compreensão que necessariamente varia ao longo do tempo histórico marcado por eventos e portanto se modifica tanto a posição real de cada objeto dentro de cada eixo como em todo esse plano tridimensionado. Esse mapeamento das posições e pensamentos também não é por sinal nenhum mapa da realidade, mas apenas um modelo com um mínimo de precisão e um pouco mais de capacidade de previsão que complexidade dos objetos e esse tipo de estudo exigem, capaz de mapear as posições reais.

Logo se a redução do mundo a planos cartesianos multidimensional do posicionamento ideológico em tempos históricos diferentes é insuficiente para compreender e prever os movimentos sociais e políticos que dirá então do retrocesso a planos lineares, unidimensionais e até mesmo binários! Onde ou se é uma ou outra coisa e para todo o sempre. Um pensamento portanto que não carrega sequer os defeitos e limitações do cientivismo e nem mesmo do medievalismo escolástico, que dirá das virtudes de qualquer um deles. Porque nem o pensamento medievalista ou cientivista pode ser acusado de padecer desses males. Nenhum deles foi tão pobre e primitivo, a ponto de só ver, direita ou esquerda ou no máximo um terceira via, em um nós contra eles que não explica nada, e só faz denunciar uma grave deficiência afetiva por atenção que redunda em tamanha limitrofia cognitiva tanto do real quanto dos seus signos. Está sim espalhando-se como uma peste negra a partir dos vetores daqueles que se arrogam e se supõe ser a intelectualidade atual.

Então não há muito o que argumentar sobre as analises que tentam reduzir o fenômeno do totalitarismo, como se fosse fenomenos exclusivos da direita ou esquerda, ignorando não apenas que porra é essa que chamaram de totalitarismo, mas ignorando ou alterando qualquer fato não apenas histórico, mas da memória presente ou da atualidade com teses e hipóteses dignas de nóias e paranóides, só para satisfazer a sua estupidez e fanatismo ideológico.

O “debate” por exemplo se o nazismo é de esquerda ou direita ou uma “terceira via” é tão non-sense que não seria nenhuma surpresa se daqui a pouco nessa guerra da falsidade e falsificação ideológica dos fatos, promovida por crentes e fanáticos políticos-ideológicos começarmos a ouvir no contra-ataque da esquerda que Stalin é era um ditador fascista de direita e não um ditador comunista de esquerda. Porque na cabeça dessa gente tudo não passa disso: uma guerra ideológica por poder, em atos e palavras inclusive pela posse exclusiva e adulteração dos fatos. E se nessa guerra a estrategia da direita de jogar no colo da esquerda seus monstros do passado é a que vai melhor colar junto a população desatenta, eles vão usá-la ao invés de ficar defendendo nossos regimes totalitários de estimação do passado e presente contra todo e qualquer prova ou evidencia dos seus crimes contra a humanidade.

Até porque na cabeça e boca da esquerda autoritária todo mundo que não pensa como ela é fascista e antiesquerdista. E na direita fundamentalista todo mundo que é autoritário só pode ser de esquerda. Não dá nem para discutir, não contraria que é doido. Claro que é de esquerda… claro que é direita… e a Margaret Tatcher era anarquista… não, era hippie! Não sabia? Tem um documentário da Netfix… Nessa toada daqui a pouco tem doido defendendo que um (ponha o nome do cacique politico que quiser aqui) da vida não é um estatopata sem ideal e adepto de qualquer ideologia desde, um doente maniaco e perigoso por poder, mas na verdade que o sistema esconde é que ele faz parte de uma elite global de alienígenas reptilianos… ele, a Rainha da Inglaterra, e o Justin Biber… aliás tem um documentário…

Seria até engraçado, se não fosse trágico. Porque quando a mitomania paranóide virá uma cultura já não importa mais o quão articuladas são as pessoas qualquer esforço de argumentação é inútil. Pois já não existe sequer o mínimo denominador comum para o diálogo: a mínima noção de realidade, ou conhecimento dos fatos. Quando se começa a adotar teses negacionistas e conspiracionistas sobre o holocausto, escravidão, inquisição, regimes ditatoriais ou corruptos, tentando re-santificá-los ou jogar seus monstros e monstruosidades na conta do outro. Quando a estratégia da irresponsabilidade e vitimização, onde a culpa é sempre do outro, e a cegueira seletiva se dissemina e a fundamentalismo de um lado retroalimenta o do outro, e juntos eles matam qualquer possibilidade de compreensão sem bandeiras partidárias e ideológicas já estamos em estado mental de guerra, ir a ela de fato é mera consequência da insanidade coletiva.

Já não estamos mais falando de negar este ou aquele documento ou tese histórica, de coisas que lemos, ouvimos falar, nos ensinaram nas escolas ou vimos na tv e internet. Estamos falando de realidades e rastros da realidade que estão presentes no dia-a-dia, de fatos históricos que estão presentes em nossa realidade como consequência ou até mesmo de forma reiterada e que podem ser deduzidos e inferidos por qualquer pessoa dotada de razão que queria sair das sua bolhas e olhar com seus próprios olhos o mundo que vive ou vai acabar achando que tudo é mesmo o reverso do reverso do absurdo. Quando não é só isso mesmo, o absurdo mal disfarçado de normalidade.

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Mas é claro que não?

O mundo entrou em crise, as ideologias morreram e as pessoas ficaram sem o chão, porque seu mundo era feito de mentiras e fantasias. Qual é a solução do alienado mitomaníaco? Entortar mais ainda o mundo, seus fatos, seus atos, sua da sua moral e ética a física e histórica, de modo que se tiver que acreditar que o mundo é plano de novo ou introduzir um bilhão de epiciclos para continuar adorando o poder total e acreditando que é seu eu é centro do universo que então seja. Porque simplesmente não. Não é o que não pode ser.

O problema é que é.

Como diz o ditador popular “quem come prego sabe o cu que tem”. Porém o ditado está só metade correto. Porque nem sempre quem come prego sabe ou quer saber do seu próprio rabo. Pelo contrário via de regra está preocupado em vigiar e escrever a história do cu dos outros. Porque tem um documentário na…

Numa galáxia muito muito distante, era um vez um pais chamado Brasil… um império onde nunca antes na história houve nazistas, fascistas, comunistas, nem insurreições militares ou populares armadas… nem genocídios, guerras, ditaduras, perseguições, prisões ou mortes políticas e racistas. Um reino onde a miséria tinha acabado, na verdade nunca tinha sequer existido! O reino onde crimes corrupção sempre foram e sempre serão só intrigas da oposição. O mundo do realismo fantástico, onde a ficção é a realidade e o poste mija mesmo no cachorro. E o que não é, foi. E o que foi, não é.

Mas e o sinhô Getúlio Dornelles Vargas, hein, era o quê? De direita ou esquerda?

Como assim você não viu o filme???

Vargas também é FRIBOI.

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E não falei de novo de Charlottestille. No próximo vai.

A propósito segue artigos recentes em tratei dos temas mencionados:

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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