Thomas Paine e Renda Básica

“Onde não há liberdade, aí está o meu país”

Não há ainda uma referência mais pertinente e atual para concretização de uma renda básica do que Thomas Paine. E não estou falando apenas da sua obra clássica sobre o tema: “Justiça Agrária”, mas de todo o seu pensamento e filosofia política em que ele se insere e faz pleno sentido:

Ninguém foi mais longe do que Burke na defesa e no direito do passado governar o presente, negando, pois, o direito à revolução. Ninguém foi mais longe do que Paine, na defesa e no direito dos vivos romperem com os mortos, consagrando, pois, o direito à revolução (permanente). Da lógica das idéias e da argumentação de Paine, decorre, portanto, que todo sistema, ou regime, político-social é legítimo, desde que desejado pela maioria, e transitório ou reversível, desde que essa mesma ou uma nova maioria dele se queira desfazer. Assim, hoje — com o abismo crescente entre ricos e pobres (intra e entre países, e o aumento cada vez maior dos últimos), e com o colapso do socialismo real e com a crise do Estado de Bem-Estar (e da social-democracia, atacados pelo neoliberalismo) -, parece não haver proposta tão revolucionária e, portanto, tão atual, quanto à de Paine. Em outras palavras, com o(s) projeto(s) socialista(s) bloqueado(s) neste momento, que outro(s) projeto(s), dentro da ordem capitalista, é mais revolucionário do que o de Paine? Pois, Paine, foi simultaneamente um social-democrata e um neoliberal avant la lettre. Como o nosso tempo, ele queria simultaneamente mais democracia (isto é, mais igualdade, mais social-democracia) e mais liberalismo (isto é, mais autonomia, e portanto, e paradoxalmente, menos Estado). Mas, sobretudo, reler Paine, nos ajuda a manter a indignação e o espírito de luta para não aceitar, como natural, o mar de miséria que nos cerca de todos os lados. Hoje, certamente, se Paine ressuscitasse, ele que era revolucionário e democrata por instinto, mudaria sua divisa para “onde há miséria, aí está o meu país”. — Modesto Florenzano, Thomas Paine Revisitado

Recomendo a leitura do trabalho a seguir como introdução a obra de Paine, bem como evidentemente a obra (e biografia) de Paine para quem de fato se interessa não só por renda básica mas por novas formas libertárias de contrato social e o futuro das democracias:

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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