Tacaram fogo no Congresso…

Calma, não fique tão contente ou assustado… foi o Paraguaio

Não. Não sou eu que estou brincando com coisa séria. São eles, os representantes políticos do mundo inteiro. Até porque não acredito que exista uma instituições ou revolução que valha um fio de cabelo até do piores bandidos, mesmos o deles, os políticos. Mas, não vou ser hipócrita, minhas preocupações são antes com a vida do povo sequestrado e refém desses bandidos políticos do que com eles os sequestradores da liberdade, dignidade e soberania popular. Principalmente porque no Brasil a pessoa humana que corre risco se acontecer assim acontecer não é a do politico, mas a do cidadão. E não se engane o risco não é pequeno e nem está baixando… a chapa só está esquentando.

Esqueça as abobrinha ideológicas de esquerda e direita e olhe só para o poder nu e cru. O que temos no Brasil é situação social e institucional (ainda) não tão grave, mas similar por demais com a Venezuela: temos, como em outros países latinos-americanos, uma democracia de fachada com instituições fracas bem pouco independentes, aparelhadas e corrompidas, sobretudo nas cortes supremas do legislativo e judiciário. E claro, forças armadas que sempre foram mais afeitas a cumprir seguir ordens imperiais inclusive dos impérios de fora do que a vontade popular soberana. O fato de MP e PF e juízes de instancias menores estarem mais alinhados com a vontade popular- muito provavelmente não pelos mesmos motivos- não diminui em nada a tensão, só aumenta, porque nenhuma delas é instituição máxima, mas sim subordinadas a elas.

É inegável que não temos alguns dos maiores problemas venezuelanos, mas temos um agravante: aqui nenhuma das instituição máximas dos 3 poderes está alinhada como a vontade soberana popular. Pelo contrário, estão alinhadas com a doutrina de soberania nacional como interesse de Estado inclusive se preciso for contra a própria sociedade e a favor dos mais ilegítimos e criminosos interesses fisiológicos ou estrangeiros.

Ao contrário do que o estado de direito democrático ordena como causa pétrea inscrita em nossa constituição nossa soberania nacional não emana da vontade popular, mas dos agentes que ocupam o Estado. Ou seja democracia de fachada que pode cair ou pegar fogo a qualquer momento quando o verdadeiro dono da terra e da casa pedirem não mais com a mesma calma para os grileiros saírem dela. Ou o que é mais provável provocar a justificativas que tento eles vem fomentando para uma contrarreação enquanto monopólio da violência.

Em suma, retórica e terminologia democracia só no nome e nas cartas magnas por que na hora do pega pra capa aqui é terra de uma única lei: manda quem tem poder, foge quem pode e obedece quem não quer ir pra cadeia ou desaparecer numa vala.

Entenda portanto que a Venezuela não entrou ontem numa ditadura. Maduro apenas tirou a mascara democrática que só enganava o esquerdiota que gosta de ser enganado. Raciocínio que vale perfeitamente também para o cretino a direta, que não acha que um autogolpe está permanentemente em curso no Brasil. E tudo que ele fez quando de tempos em tempos quando a coisa aperta é o que está acontecendo, nossas instituições e classe politica tiram a sua mal feita maquiagem democrática e assumem descaradamente seu autoritarismo aristocrático.

Quem acha eles não vão mais hora menos promover a anistia e legalização dos seus crimes, empastelando as instituições que ainda fazem alguma oposição (MP e PF) e provocando revoltas como a do Paraguai que acabam por servir de pretexto para aumentar ainda mais repressão e supressão dos direitos civis, é porque não conhece a lei do macaco amarrado a um piano. Dizem que um macaco amarrado a um piano por um tempo infinito produz uma sinfonia, pois eu digo que ele não produz nada e ainda quebra o piano, e não precisa nem sequer do tempo infinito em poder da coisa que os políticos tem.

As classes médias estão de saco cheio desse papo. Querem e podem até certo ponto voltar a tranquilidade da sua vida normal. Um privilégios que a grande maioria da população não tem. É bem provável que o vácuo e o abismo que se abriu entre essas três classes, a política, a média e a povão, redunde agora na ruptura do tecido social com a população tomando as ruas. Talvez não quando as leis que vão foder sua vida forem aprovadas na calada da noite sem fim do Congresso, mas quando estes demandas arrebentarem de vez com o resta de meios para a a sobrevivência com um mínimo de liberdade e dignidade.

E depois quando eles tacarem fogo nos palácios a culpa é dos revoltados. É deles tanto quanto de uma mulher que enfia uma faca no bandido ou marido enquanto ele a espanca e estupra.

Evidente que a revolta popular não é a solução, pelo contrário é um problema muito sério principalmente porque quase nunca derrubar o inimigo mas o fortalece. Mas revolta não é agressão premeditada, é reação muitas vezes legitima contra privações e violações e violências! Não invertamos os papéis! Não podemos pedir jamais que a vítima da violação suporte a violência, quando é o violentador que precisa ser detido como pudermos e por quem puder. Até porque se não pudermos o resultado pode ser pior ainda do que a reação violenta contra a violador mas a morte de inocentes. Quando as violências e violações chegam ao ponto de despertar revoltas populares é porque chegamos no limite do limite. Quando a reação violenta não é mais uma escolha mas uma consequência e reação natural, a base do direito a legitima defesa entramos definitivamente em revoluções.

E nisto que entra o fator determinante de qualquer monopólio da violência: as forças armadas. Já tivemos uma prévia do que será do Brasil no Espírito Santo. E quem acham que nossas forças armadas não vão defender a ordem estabelecida por mais ilegitima e criminosa que ela seja e não vão passar por cima com suas cavalarias da população, conhece pouco a história e o espirito das forças armadas sobretudo as brasileiras. Pode até ser que o circo pegue fogo de vez, mas não sem antes passarem por cima de muita manifestação e revolta até mesmo desarmada.

Nossas forças armadas sempre foram mais Caxias do que Prestes. Sempre foram mais afeitas se submeter a ordens imperiais de dentro e de fora, do que garantir a soberania nacional como democracia, ou seja como soberania popular. Nosso alto oficialato é tão aristocrático quanto nossas classes dominantes, e despreza mais a plebe do que se prestar de capacho de quem quer que detenha o poder nacional ou internacional. Aliás afeitas não só a cumprir ordens de passar por cima de seu povo, como qualquer povo, como fez inclusive no Paraguai.

O Duque de Caxias deu por encerrada a guerra no dia 5 de janeiro de 1868, quando o Exército Imperial chegou a Assunção e estabeleceu um governo títere. Mas a ordem foi continuar. Em carta ao imperador Pedro II, datada de 18 de novembro de 1867, ele pediu demissão. Depois de referir-se à bravura do soldado paraguaio, que via como “simples cidadãos, homens, mulheres e crianças”, questionou: “Quanto tempo, quantos homens, quantas vidas para terminar a guerra, é dizer, para converter em fumo e pó toda a população paraguaia, para matar até o feto do ventre da mulher?”.

Caxias desistiu de ser o coveiro do povo paraguaio, mas o Império, atendendo à vontade maior da metrópole britânica, não arredou pé. Pedro II nomeou para o Comando seu genro, o conde D’eu. Este superou qualquer tipo de violência até então conhecido, a exemplo do episódio de Peribebuy, quando o sádico mandou fechar e incendiar um hospital onde só havia velhos e crianças doentes.

Outro crime foi a batalha de Acosta Ñu, no dia 16 de agosto de 1869. Havia se formado um batalhão de 3.500 crianças, a partir de seis anos, para fazer frente aos invasores, possibilitando a fuga de Solano López com 500 homens, o que restava para defender o país. Cercadas por 20 mil soldados, as crianças foram derrotadas, naturalmente. Muitos, chorando, abraçavam- se nas pernas dos soldados pedindo para não serem mortas, mas não havia contemplação. Eram degoladas sem dó. No final, as mães correram para a mata para resgatar corpos e procurar sobreviventes, mas não parou por aí: o conde foi capaz de ordenar o incêndio da mata, queimando as crianças e suas mães. O 16 de agosto foi estabelecido, posteriormente, como o Dia das Crianças no Paraguai. —

Claro que o texto acima traz todos os vícios da idealização das ditaduras dos caudilhos de esquerda latino-americanos. Olha para a guerra como se fosse uma luta entre um Estado popular e bom, contra um Estado imperial mau manipulado por potencia imperialista pior ainda. E não como 3 Estados jogando com a vida dos seus povos e dos outros como se fossem peças num tabuleiro para ampliar seus domínios geopolíticos e econômicos. Mas se o leitor jogar fora a propaganda ideológica e ficar com os dados, pode imaginar muito bem por conta própria o que aconteceu. Assim como o que pode acontece quando exércitos bem armados e treinados batem de frente com povos mal armados revoltados e desesperados.

Para haver qualquer coisa diferente disso ou similar ao apoio do exercito ao povo brasileiro a democracia e não ao Estado por violador da constituição que este seja seria preciso um motim de oficiais de baixa patente e soldados. Dos generais mesmo que estes se levantem contra os tiranos e ditadores no poder não se pode esperar outra ordem que não outro regime que não de tirania e ditadura. Esperar que os políticos, os beneficiários da corrupção a corrijam já é um comodismo tolo. mas pagar para ver para que generais restabelecerem a soberania nacional é o cumulo desta tolice. Ninguém é mais fiel a doutrina da soberania nacional como poder estatal e não popular do que eles. Jamais tirariam quem quer que fosse se não for para colocar outro ou eles próprios no poder. Eles não conhecem, não concebem e não acreditam em outra forma de organização que não a hierarquia e centralização do poder.

Isto não é nem um recriminação é uma constatação. A mentalidade e cultura militar desconhece a democracia até porque é impossível fazer a guerra com igualdade de poderes e autoridades a base da cidadania. Da mesma forma que é impossível fundar um estado de paz ou civil onde a ordem de guerra e mantida em tempos e lugares de paz. Pois o comando que é a ordem na guerra é a tirania no estado de paz. E a obediência que salva o exercito na batalha é o que a servilidade que mata a sociedade e provoca o levante da população quando. Dai que não há Império que não se mantenha em guerra sempre contra alguém ou alguma coisa e se não tem contra quem ou o que provoca ou inventa. Dai que civil ou militar o governo que aplica o principio hierárquico da ordem de guerra contra a sociedade de paz não preserva a liberdade e democracia, mas a mata a sociedade e a democracia junto com a próprio estado de paz.

Talvez alguém objete meu argumento dizendo que são os bando de revoltados que não representa a vontade democrática. E que eles deveriam obedecer as ordens dos seus governos sem questionar como soldados não importa se legitimas ou constitucionais. Talvez até mesmo quem não considere que o cidadão deva renunciar a sua consciência e que tenha o direito de rebelar de depor governos tiranos e criminosos não considerem que queimar o congresso represente a vontade da maioria.

Espero sinceramente que eles estejam certos. Espero que tacar fogo no congresso, não represente a vontade da maioria ou já a unica esperança de ventos de mudança no Brasil. Mas como saber? Se ao menos ao invés de pergunte a população se Dória, Lula, Ciro ou Bolsonaro e até Luciona Huck quem é o mais presidenciável para 2018, perguntássemos o que eles querem, talvez saberíamos. Talvez se eles puderem dizer qual é sua vontade como palavras não precisem o fazer em atos desesperados. Pergunte se eles querem ver esse estados de coisas queimar até a chão simbolicamente falando, coloque a reformulação politica completa, e o reinicio da ordem política sem todos esses partidos podres e criminosos, e veremos que talvez eles não queiram mesmos ver as casas “do povo” pegando fogo, mas apenas elas desocupadas por quem não representa o povo. Talvez eles apenas digam que não querem mais ser reféns e moeda de troca das classes governantes.

Esse é o grande ponto: o que eu digo, o que todos dizem, tudo isso é puro achismo. E mesmo que viéssemos a fazer essas perguntas como pesquisa de opinião não deixaria de sê-lo. Achismo e opinião. Mesmo sem levar em conta toda a descredibilidade das instituições de pesquisa, ainda sim seria só uma pesquisa de opinião e não a manifestação da vontade popular soberana. Essa é a grande questão: não sabemos qual é a vontade popular, e não sabemos porque não perguntamos, não consultamos. Ou melhor nosso “governos democráticos” não a consultam, mesmo tendo em nossa constituição a possibilidade. E não consultam não porque não querem saber a resposta, mas justamente pelo contrário: eles, como todo mundo, sabem muito bem qual será a resposta. Qual seria o resultado de uma consulta popular sobre o futuro deles.

Não se pergunta, não se plebiscita o que deve ser feito porque eles sabem como todos nós sabemos que a resposta é uma só: a perda dos privilégios criminosos de quem governa; a saída dos bandidos do poder; e manutenção justamente desse instrumento como forma de tomada das decisões mais importantes. Importantes por exemplo como a cassação ou deposição imediata de governos e governantes incompetentes e bandidos, ou pior do isso completamente ilegítimo e tirânicos.

Para começo de conversa se perguntássemos a população se a consulta popular deveria ser uma possibilidade ou uma obrigação; se deveria ser convocada por iniciativa governamental ou popular; e bem provável que a resposta não agradaria nem um pouco aos interesses deles nem de quem os banca no poder.

Em outras palavras a pergunta obvia com a resposta mais obvia ainda para as soluções dos nossos problemas não é jamais feita, porque o que é nosso problema é a eles a solução. Ter uma democracia de verdade onde o povo pode convocar por iniciativa popular a consulta igualmente popular para dar a ultima palavra de aprovação ou não a mudanças constitucionais de protesto, violência ou revolução. Ter um estado de direito democrática de fato e não de papel onde o povo manifesta sua vontade soberana não pro-forma mas como verdadeiro poder de decisão é tudo o que eles não querem.

Poder manifestar e decidir sobre nosso próprio destino sem precisar implorar ou reclamar por nossos direitos inclusive os políticos com protestos, greves, revoltas, ou no fim, sem mais saídas, no desespero com violência e revoluções. Esse é o abismo que separa povo e governo. Estado e sociedade. Democracias e ditaduras. O Brasil do seu futuro. A nossa terra de cegos onde quem continuar tendo um olho só será rei.

Mas quem precisa de democracia de verdade? Para que? Olha a oposição de “esquerda” ao “governo golpista” já se formando suas chapas aí…

https://www.brasil247.com/pt/247/poder/2879 51/Renan-antecipa-tend%C3%AAncia-alian%C3%A7a-com-Lula.htm

Por quantas vezes mais vamos assistir a essa farsa? Até quando as pessoas vão fingir que não sabem o que vai acontecer para suportar não sei. Mas sei que estamos sentado num paiol com eles fumando.

O que me assusta não é a população tacar fogo no Congresso, como disse é revolta natural de quem não vê mais saídas. O que me assusta é que já estamos perdendo o pouco da capacidade de ficarmos indignados e voltando devagarinho feito gado tocado de volta para o cercado “do a vida é assim mesmo”. Perder a capacidade de ficar indignado é sinal de que não há mais dignidade a ser ferida. Mas isso não quer dizer que toda a revolta desapareceu. Não, é o pelo contrário. Não há ser humano mais perigoso do que aquele que tem toda a sua dignidade roubada ou perdida, porque um homem que não liga para os outros, como muitos políticos, é um psicopata, mas o homem que não liga nem mais para si mesmo é a encarnação da revolta pura, é sangue nos zoio, uma bomba humana. Quem já viveu nas periferias cruzou com gente infelizmente assim, inclusive bem jovem. Não duram muito, mas levam muita vida inocente com eles antes de partir.

Portanto se uma coisa dessas vier a acontecer no Brasil, seja um incêndio de um palácio ou coisa pior que não digam que foi por falta de sinais e avisos, o Brasil está virando uma fabrica de gente desolada e miserável até a alma. Que em breve deixará de ser um povo pacifico que convive com os índices mais altos de violência do mundo. Para ser um povo sem esperança e dignidade, um povo literalmente revoltado sem medo da violência.

Quem ainda tem capacidade de se indignar e acredita na paz deveria saber que a máxima “façamos a revolução antes que o povo o faça”, não se aplica aos governos que não fazem nada senão insuflar ainda mais a frustração e repressão e privações que causa a violência. Se aplica a sociedades e comunidades de paz que sabem que não adianta esperar é preciso fazer.

Se não queremos ditaduras nem revoltas armadas e violentas, mas uma verdadeira revolução sem armas contra todas as formas de violência, supostamente leais ou não, é por democracia direta e renda básica via sociedade civil que deveríamos estar debatendo e trabalhando hoje.

Pois não é? E depois ninguém sabe porque o brasileiro quer em ver o circo pegar fogo. Malcolm X explica: O negro-do-campo era espancado de manhã à noite. Ele morava numa barraca, numa cabana; Ele usava roupas velhas. Ele odiava seu mestre. Eu digo que ele odiava seu mestre. Ele era inteligente. Aquele preto-da-casa amava seu mestre. Mas aquele negro-do-campo — lembre-se, eles eram na maioria e odiavam o mestre. Quando a casa pegou fogo, ele não tentou apagá-la; Aquele negro-do-campo rezou por um vento, por uma brisa. Quando o mestre adoeceu, o negro-do-campo rezou para que ele morresse. Se alguém viesse ao negro-do-campo e dissesse: “Vamos nos separar, vamos correr”, ele não diria “Para onde vamos?” ele diria: “Qualquer lugar é melhor do que aqui”.

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