Será que o Brasil precisa de um Chê Guevara? (Parte 2)

Uma resposta libertária ao dilema do Brasil e países periféricos

Isto posto. Agora, desconsidere absolutamente tudo o que eu falei. Vamos voltar ao zero para poder nos ater só a questão que mais importa, por trás de tudo isso, a saber:

A questão monopólios estatais e suas privatizações e concessões criminosas

Vamos manter tudo em suspeição. Os Estados-Nações; os governos; os governantes; as empresas nacionais e multinacionais. Vamos aceitar que tudo o que se afirma a respeito deles está incorreto. Que sua presunção de inocência é dúvida razoável intransponível, ou vamos supor um mundo fantástico onde sua inocência seja uma certeza comprovada mesmo depois de rigorosamente investigada. Vamos pensar, para efeito de argumentação, que todos, absolutamente todos são inocentes e ainda por cima competentes.

E notem como nada disso muda o nosso problema. Pelo contrário complica ainda mais.

Ora se tudo o que eles fazem é o correto e competente então simplesmente o problema não são eles, e sim o Estado que simplesmente não funciona. Se pelo contrário o problema são eles ou também, ainda sim o Estado continua não funcionando como deveria porque está sob o controle deles. O problema portanto não é o corpo, não é a cabeça é a falta de espirito democrático, republicano e libertário.

Partes do corpo podem ser substituídas que você ainda tem o mesmo governo. Cabeças podem ser cortadas e trocadas que você ainda tem um corpo. Mas quando o problema não é só a cabeça ou as partes, mas o todo, o corpo em sua forma, o que cai de podre não são os governos, mas os regimes.

Logo, de uma forma ou de outra, sejam eles bandidos e o sistema incapaz de resistir a eles, sejam eles honestos e o sistema corruptor e imprestável mesmo a despeito de todos os seus esforços. Ou seja, o que é de fato, um meio termo talvez bem mais para um lado do que para outro, mas formado por diversos pontos difusos que formam esse sistema como complexo. De qualquer uma das três formas, o problema ainda permanece o mesmo.

Sejam os políticos e governantes parasitas malditos ou inocentes incondenáveis, ou seres muito, muito cinzentos, o fator determinante não está no que eles fazem, mas no que nós enquanto cidadãos e sociedade, como pessoas naturais conexas em rede e não submetidas a força uma as outras como células de um grande organismo artificial, é o que nós como pessoas livres fazemos, e não fazemos. O que nós podemos ou não podemos, e antes de tudo o que nós temos ou não temos meios como fazer.

Em suma, o fator determinante do problema é a ausência da nossa soberania como nação livre. E portanto a sua solução a resposta a seguinte pergunta: como nos tornarmos uma Nação Livre? ou mais precisamente a federação de povos e estados emancipados e independentes? Povos, estados e sobretudo pessoas livres; da bondade e maldade alheia; da competência e incompetência dos governos e governantes- tanto locais quanto federais, e até mesmo estrangeiros.

Como? Como podemos nos tornar finalmente uma nação livre? Eis a questão. Mas para respondê-la precisamos primeiro entender o que é uma Nação Livre.

Não há nação Livre sem Estado Libertário de Direito Jusnatural

Para entender o que é uma nação livre, isto é, um conjunto de pessoas povos e livres que se reconhecem como iguais em direito sobre o bem comum sobre a terra que habitam como um mesmo território. Precisamos primeiro entender o que é uma pessoa livre de fato.

Pessoas podem ser mais ou menos livres. Mas qual é aquela quantidade ou qualidade minima de liberdade que uma pessoa deve possuir para ser considerada livre?

Uma pessoa para ter o minimo de liberdade precisa possuir absoluto controle sobre seu corpo. O principio de paz que demanda a renuncia a violência e permite legitima a defesa. Mas só ele não basta. Porque um corpo não subsiste sem meios vitais.

Logo uma pessoa ou ser livre também precisa possuir o acesso aos meios necessários para sustentar seu corpo. Menos que isso, coloca a pessoa em estado de privação e vulnerabilidade e desespero tal, que se ele não decai na violência está pronto para renuncia a tudo pela sua subsistência até mesmo a liberdade e dignidade.

É por isso que uma pessoa sem uma quantidade mínima de propriedade e rendimentos que lhe proporcionem o sustento não é propriamente uma pessoa livre, mas tão somente uma pessoa em serio risco de dois fins: marginalidade ou servidão assalariada perpetua. E de fato é nisso que se resume muitas vezes não só a vida das pessoas nas periferias marginalizadas do mundo afora. Mas da população em geral marginalizada das nações periféricas do mundo.

Essa lei da privação é universal. E não só vale para cada canto da Terra, mas desde cada pessoas em particular até comunidades, sociedades e até mesmo nações inteiras.

Povos sem soberania sobre seu território não são nações livres

Povos que supostamente detém a posse de seu pais, mas não detém a propriedade de fato das suas riquezas não podem extrair nem usufruir do rendimento desse capital fundamental que é o seu patrimônio nacional, não são donos nem soberanos de nada, mas literalmente servos feudais do seu próprio território, nascem e pertence a ele como obrigação de servi-lo e não de se servir dele com igualdade e equidade de necessidades vitais.

Propriedade e soberania são, controle politico e econômico são idênticos. Se você é o dono da sua casa, mas não pode vende-la, não pode alugá-la, e se vendida ou alugada não é você que recebe o lucro ou o rendimento do aluguel, você meu amigo não é dono no nome, porque de fato não passa de um empregado.

O dono é soberano, e o soberano é o dono quem manda e recebe os rendimentos do capital seja esse capital privado ou publico. E por sinal manobras ideológicas para te convencer o contrário não são apenas desonestas e falaciosas são parte dessa fraude, desse crime de apropriação indébita via estelionato. Porque a desintegração dos direitos políticos e econômicos já é em si a própria violação do direito natural a soberania sobre seu corpo e sua terra. São por si só a desintegração do direito humano a vida e liberdade e do politico-econômico a democracia e cidadania.

Povos sem terras não são nações livres.

Povos que supostamente são donos de sua terra, mas não tem de fato nenhuma posse comum ou rendimento, não tem sequer um pedaço de chão de onde extrair a sua subsistência, ou um bendito pedaço de pão que não tenha que ser ganho da mão de um governante ou patrão não são pessoas livres quanto mais nações.

E é por isso que a luta de povos que foram escravizados era por uma terra prometida ou um novo mundo. Um lugar que não existia (mais), um utopia onde pudessem novamente comer os frutos da terra diretamente da natureza e não da mão dos senhores do mundo, como seus como servos e escravos nascidos no cativeiro dos arcabouços jurídicos, culturais, políticos, econômicos. Nascidos simplesmente como pessoas livres com direitos iguais inclusive aos seus antepassados, isto é, direito de construir em tempo real como letra viva e não morta a ordem do seu mundo sempre novo. Um direito igual a liberdade portanto não só de todos, mas de toda nova geração. Um direito inalienável e permanente de cada pessoa livre, emancipada e presente, e logo um dever dos presentes com o direito de igual de cada nova geração futura. Ou pelo menos assim com justiça deveria o ser.

O problema é que o bem publico e o patrimônio nacional, embora muita gente ache que não é de ninguém tem sim dono. E não é de quem for mais violento ou quem chegar primeiro, mas de todos, de toda e qualquer pessoa que por direito a vida o direito legitimo de lutar por ele e o dever por inteligencia e humanidade de celebrar a paz pela participação no bem comum.

Um povo é dono de seu território, pela mesma razão que as peixes são os donos dos mares, os pássaros do céu e todos os seres vivos do mundo donos da Terra. A Terra nos pertence por direito natural de usufruto, mas não é nossa para perdê-la, entregá-la nem muito menos para destruí- la; O habitat, o território a terra pertence aos seus habitantes não apenas humanos mas todos habitantes naturais que formam o ecossistema natural, mas não como direito absoluto de posse, mas de usufruto. Não pertence exclusivamente e absolutamente a ninguém. Mas sim a todos tanto como direitos de usufruto e participação tão iguais quanto os próprios deveres de preservação uns perante os outros como comunidade humana, quanto em respeito e observância aos direitos iguais dos futuros herdeiros desse legado, as novas gerações.

Em verdade portanto não apenas os humanos tem o mesmo direito de propriedade sobre a terra, mas quem tem o direito de reivindica-los e consequentemente a obrigação de preserva-los como ecossistema social e natural são os seres dotados de inteligência e consciência das necessidades e direitos naturais não apenas suas, mas de todos os seres vivos que compõe o sistema, ou seja, nós humanos se em sã consciência sensível e na plenitude da nossas faculdades inteligentes e solidárias.

Cada pessoa portanto tem direitos soberanos tanto sobre o que lhe é particular quanto coletivo. Do particular e privado é soberano absoluto. Do coletivo ou comum, democrático. Sobre o que é lhe é exclusivo e privado, do corpo as manifestação do pensamento até a posses das propriedade privadas absolutamente essenciais para sustentar a ambos, tudo isso compõe os direitos individuais invioláveis e absolutos de cada pessoa sobre ela mesma. Quanto aos meios vitais dos quais todos carecem igualmente para preservarem sua vida, liberdade e até mesmo as propriedades privadas necessárias para mantê-los compõe os direitos comuns do qual cada pessoa compartilha em igualdada a soberania e participação mas decisões politica e rendimentos econômicos. São portanto seus direitos individuais e absolutos de cada pessoa de participar do mundo em que vive.

Da proteção mutua desses direitos universais de bens particulares e comuns; desse território ocupado por habitantes que tem por consentimento tácito e instintivo a solidariedade mutua independente de raça, classe gêneros, povos cultos ou culturas; dessa união formada pela resistência frente a necessidades naturais; desse desejo de liberdade e libertação frente a um mesmo dominador e tragédia comum, nasce uma nação livre.

Uma nação livre é um território livre e cosmopolita por definição. O resultado da busca permanente de libertação e preservação da liberdade que constitui ao mesmo tempo os sujeitos livres e seu predicado mais valioso e fundamental a liberdade. Em outras palavras, cidadãos livres soberanos de sua própria terra: uma nação.

Ora, sabendo o que é uma verdadeira Nação livre, a questão que importa, o fato determinante da equação não é mais quem administra, mas quem é o dono, ou mais precisamente: somos os donos da nossa própria terra?

Se somos, podemos portanto delegar a administração dos nossos bens públicos e comuns tanto a gestores privados ou estatais, como o fazemos com nossos bens privados ou condominiados. Porém se não somos os proprietários e soberanos desse patrimônio nacional desses recursos naturais, então pelo contrário justamente pela falta de controle direto e democrático dele podemos não só estar sendo roubados por nosso gestores nacionais como podemos estar em risco de sermos feitos empregados da nossa própria casa, escravos em nosso própria terra.

A grande questão é se somos nós em assembleia de donos e soberanos da nossa nação decidimos como e por quem ele será administrado e servida. ou se somos ao contrário o objeto da servidão deles através da nosso próprio dever perante a nação. Se ao invés de sujeitos do nosso destino somos apena mais um recursos a ser explorado pelo dono e soberanos de fato desse capital e patrimônio nacional chamado Brasil.

O que interessa mizifio não é quem manda em você. Isso é mentalidade de escravo, pessoas livres, proprietários de si e seus posses, não pensam em se entregar a bom senhores, reis ou patrões, mas em comprar bons servidores. Donos do mundo querem saber quanto quem trabalha para eles está produzindo e se quem explora e administra seu capital está fazendo um bom trabalho. Se você fosse livre, e não escravo, isto é o dono da sua fazenda e não o empregado você estaria menos preocupado se o gestor é publico ou privado, católico, protestante, você estaria cagando e andando para ideologia e doutrinas para escravos, você ia sim querer saber onde está o rendimento da sua propriedade, onde está a sua participação igual nesse patrimônio. E estaria se perguntando se esse rendimento é o suficiente ou não. E não implorando como mendigo aos ladrões pelas migalhas do pão roubado da tua própria mesa!!!

Que as ideologias vão para o inferno, você não seria mais escravo e pensando como dono, como sócio, como cidadão e co-soberano finalmente responsável pela sua terra estaria preocupado não só com o seu rendimento, mas se fosse inteligente de como a propriedade, o capital é preservado. E se não estivesse satisfeito seria o primeiro a clamar junto a seus pares o direito reúnir o pais em assembleia democrática para instituir um novo governo, uma nova administração da res pública.

Notem que esse o contrato social livre de atravessadores e do 171 dos velhos estados. permite que celebremos a contratação de novos administradores do patrimônio nacional porém permite, ou mais precisamente não confere dois poderes impossíveis aos pactuantes:

Que renunciamos a nossa soberania, fazendo desses gestores públicos ou privados reis ou governantes. O velho contrato social, retornando ao velho estado de servidão.

Ou que renunciamos a nossa propriedade, fazendo de nós escravos ou empregados do nosso próprio capital. O velho sistema econômico de imposição de trabalhos forçado por privação dos meios vitais e ambientais.

De fato, tanto um quanto outro; seja a renuncia politica ou econômica dos nossos direitos plenos e soberanos de cidadania. são o mesmo contrato de escravidão. Contrato não apenas ilegitimo, mas por direto natural nulo. Uma fraude, pois se baseia na promessa e entrega de bem cuja transferência e alienação é impossível: a liberdade, ou mais precisamente a livre vontade.

Você não tem como prometer e entregar servidão perpetua, porque você não tem como saber se no futuro não irá querer ser livre de novo. E querendo se não fará a guerra com esse rei ou governo para ter de volta os meios necessários para ter de volta sua liberdade. Mais importante, mesmo que você pudesse se dar até para devorar se quisesse, você não pode prometer entregar a servidão perpetua seus filhos e os filhos dos seus filhos que ainda não nasceram, porque não pode exigir que a sua renuncia a vida a liberdade e as terras que também pertencem necessária e naturalmente a eles, se estenda como dever antinatural contra a eles mesmos!!! Ser insano pode ser um até um direito inalienável, mas obrigar as pessoas a viverem na insanidade ou a perpetuá-la bancando os malucos contra sua vontade jamais!

Ou seja, você não tem como prometer ser um servo político ou escravo, não sem ignorância fraude ou mentira, porque a renuncia a sua livre vontade é impossível. Você pode trair sua vida, pode entregar seu pescoço ao inimigo, ou cortá-lo por conta própria, mas não tem como trair e entregar em correntes o sua própria alma, não tem como trair e prender seu próprio espirito libertário, porque seu espirito libertário não é só o verdadeiro senhor da sua vida, seu espirito é a sua própria vida e a maior prova cabal disso é que só há uma forma de se separar a livre vontade do seu corpo, alienar a liberdade da vida, de separar a essência da forma de alienar a liberdade da vida: com a morte.

E o que vale para o seus corpo vale para todas as suas propriedades materiais inalienáveis sejam elas exclusivas como ele, sejam elas compartilhadas como a Terra. Você não tem como renunciar as propriedades mais essenciais, porque elas compõem sua liberdade mais fundamental: sua identidade. Sua identidade como individuo autônomo e ente em comunhão livre com o mundo.

Você não tem como vender ou entregar sua terra a outra nação. Não sem matar a si mesmo material e imaterialmente, não sem perder a sua liberdade identidade. Não sem condenar-se a buscar enquanto tiver vida por esse sentido livre e natural de vida perdido. Porque o chão sobre os seus pés, a ar que entra nos seu peito, e a água que faz parte do corpo, não são suas para dar, mas suas para usufruir e proteger. Suas para lutar por ela, com toda sua força de vontade, tal e qual sua própria vida e seu próprio corpo, sob pena de condenar-se e condenar seus filhos e os filhos dos seus filhos a morte lenta e dolorosa da pior das privação da liberdade, a carestia. A morte por falta de acesso livre ao meios vitais e ambientais do qual o nenhum ser vivo raça ou especie podem sobreviver a extinção sem.

Logo o que nosso governo está entregando, ou melhor vem entregando a 500 anos. Gente e natureza como recursos humanos e naturais não pertence a eles, nem para monopolizar nem muito menos para predar ou alienar. Todos os seus contratos são por direito natural nulos. Ladrões que vendem para seus cúmplices, interceptadores o produtos do seu roubo reiterado da nossa vida. Culpados do roubo do nosso bem comum. Traficantes criminosos dos seus irmãos e carne humana. Usurpadores de direitos políticos e econômicos. Traidores da nossa terra e do nosso povo vendido como escravos em troca de moedas e favores dos impérios nos centro geopolíticos e financeiros mundos.

Não sou fã de Guevara, até porque libertadores autoritários não são só uma contradição de termo, ou paradoxais, mas irremediavelmente no fim a contradição dos seus próprios princípios. Prefiro outros ensinamento como dar a Cesar de volta tudo o que é de Cesar. E ao povo de volta tudo o que é do povo. Ou parafraseando o “primeiro” libertário Diógenes de Sínope: deles não espere nada, não peça nada, apenas tenha certeza de que não estão a fazer sombra na porra do seu lugar ao sol.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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