Sou um dos embaixadores do seasteading.org no Brasil. E o presente texto é parte do livro Republica Libertárias e Democracias Econômicas, e contém princípios que considero fundamentais do Ecolibertarismo. Complemento a recente proposta entregue a fundação para os refugiados

Da necessidade de sistemas de garantia da vida e ecossistema independente da moralidade e capacidade produtiva

O vinculação da manutenção do ecossistema a capacidade de produção e ao trabalho resultará eventualmente em extinção dos habitantes seja do ecossistema artificial ou natural.

Um ecossistema não se sustenta pela capacidade dos seus componentes de preservá-lo, mas pela sua invulnerabilidade da fonte primária de energia aos danos e consumo.

Se a preservação dos meios ambientais preserva o ecossistema é a geração independente dos meios vitais que permite a manutenção da vida como diversidade. Onde a sobrevivência do habitat está condicionada a capacidade dos habitantes em sustentar-se ou pior sustentar todo o seu meio ambiente é apenas uma questão de tempo até a colônia ou a espécie desaparecer em disputa ou escassez de meios vitais.

Regras de proteção e preservação do meio ambiente são essenciais e podem otimizar a sobrevivência dos habitantes, ou até mesmo sustentar fontes secundárias de vida , mas se a fonte primária de geração da vida ou energia não for autossuficiente, imune e capaz de suportar os impactos gerados pela população da plataforma, a vida dentro do ecossistema natural ou artificial tende a extinção.

De fato não só a geração da fonte primária de energia de todo ecossistema não pode depender dos indivíduos como todo ecossistema não pode depender prioritariamente da produção (econômica) dos indivíduos. Se cada criatura dependesse única e exclusivamente do seu esforço e não da abundância natural dos recursos mais básicos e vitais, o constante estado de risco levaria não só ao reiterado conflito, mas a extinção.

O Sol, a base de toda vida na terra não é dada de graça nem cobrada; e a persistência em juízos de valor fictícios sobre tais valores e meios naturais como a água ou terra nos levará não apenas a rarificá-los artificialmente mas a extingui-los como natureza.

Não haveria nenhuma forma de vida se os meios e recursos fundamentais geradores da vida fossem propriedade ou responsabilidade das criaturas que dependem dele. Quanto maior o custo para adquirir os meios vitais menos garantida é a subsistência e quanto menos garantida é a subsistência de cada membro da espécie, maior é a possibilidade da sua extinção.

Logo o ecossistema deve não apenas garantir fontes primárias de energia e subsistência absolutamente abundantes e incondicionais, mas o acesso aos meios de auto sustentação da vitais sem nenhum impedimento. A provisão e acesso incondicional aos bens comuns e provisão dos meios vitais devem ser garantidos a cada pessoa que habite esta plataforma incondicionalmente enquanto esta existir e eles pretenderem viver e conviver socialmente em paz.

Claro que por não monopolizar todos os espaços naturais necessários a subsistência, a plataforma não precisa se arroga a obrigação de manter a guarda das pessoas que não queiram tomar parte de suas sociedades. E mesmo podendo exigir um alto grau não apenas de moralidade mas de desempenho e produtividade de todos os seus habitantes, por poder simplesmente devolver ao continente as pessoas que não cumpram seus compromissos sociais voluntários, não podem simplesmente expulsar dissidentes pacíficos ou obrigá-los com tal coação a aderir a “vontades coletivas”.

Cair nesta tentação é o mesmo que encerrar a experiência dos Seastanding na ditadura das tecnocracias. Decair nesta ideologia totalitária é renunciar as plataformas Seastanding como novos mundos. Sem a pretensão de emular tecnologia e socialmente a vida em sua ordem natural e livre as plataformas e nunca serão uma rede de eco cidades no mar capazes de dar suporte a vida como uma novo território livre, mas tão somente um posto avançado de colonização das velhas civilizações e suas pax imperial.

Independente do espaço continental ou não, a capacidade de um novo meio ambiente para dar suporte a vida, deve comportar o incentivo que todo novo mundo possui: a possibilidade de cada pessoa construir sua própria rede de valores, pensamentos e propriedades de acordo com sua livre vontade e comunhão de paz.

A grande propriedade da vida natural é que ela, ao contrario dos Estados corporativos artificiais (hobbesianos) não são ditaduras da escassez planificada ou da predeterminação das possibilidades meios ou valores. Nos mundos são e precisam ser os meios ambientes próprios para a vida e liberdade, e não para a extração de recursos e trabalho, devem ser feitos de abundancia e incondicionalidade dos meios necessários a autodeterminação auto-organização e inovação.

A vida e o desenvolvimento são fundada nas evoluções e revoluções; na inovação dada pela coexistência e concorrência pacífica de paradigmas não apenas científicos, mas sobretudo econômicos religiosos e políticos, na coexistência de toda diversidade de culto e cultura sem discriminações ou prerrogativas supremacistas de nenhum tipo. Se o planeta fosse reduzido as fronteiras geopolíticas de um único pais ou cultura, o supremacismo do culto aos absolutos reduziria a diversidade exatamente como faz toda espécie carnívora fechada dentro das fronteiras de uma ilha até o limite da sua própria predação. Homo homini lupus.

Logo ao mesmo tempo que plataforma de vida da Seastanding deve estar além do alcance das preceitos e preconcepções dos seus habitantes, os habitantes devem a todo tempo, a toda geração ter o direito de formular suas sociedades e comunhões de paz. Os contratos sociais que regem uma mesma plataforma ou rede delas devem ser leis vivas, em permanente formulações pelas gerações humanas com plena liberdade de associação e dissociação e livre negociação dos seus interesses comuns.

E assim se é então pela paz e liberdade em tempo real que deve se reger cada plataforma e seus habitantes há portanto um compromisso tácito exigido de todos: a intolerância contra a violência e os projetos de poder, sobretudo como privação dos meios necessários que levam os seres a luta pela subsistência ou aliciamento aos exércitos alienados do poder até a destruição dos seus meios de vida e ambientes.

Cada Seastanding, portanto deve emular tanto com estado de segurança social quanto ecossistema a propriedade e provisão dos direitos naturais. Não apenas na provisão dos recursos da natureza, mas na possibilidade da absoluta liberdade de expressão de pensamento, negociação e sociedades desde que de paz. Deve ser uma república libertária pronta inclusive para se sustentar de forma independente e sim reintroduzir e disseminar a vida livre e a liberdade nos velhos continentes.

A colonização de territórios inóspitos, e a construção de ecossistemas artificias demanda, portanto a superação do paradigma estatal do trabalho, ou mais precisamente a constituição de habitats que emulem a sustentação das formas de vida pelo mesmo princípio do mundo natural, isto é: a provisão dos meios vitais não condicionada a moralidade, a produtividade nem a capacidade dos seus habitantes. A plataforma de sustentação da vida deverá ser capaz de prover incondicionalmente os recursos necessários na medida suficiente, mas em quantidade abundante para todos os habitantes sendo por consequente dever de cada um deles preservar e proteger esse sistema de sustentação da vida como meio vital e ambiental.

Todas as pessoas naturais são iguais em autoridade sobre o bem comum. E devem garantir-se mutuamente os meios e recursos básicos necessários para exercer seu direito de autodeterminação sobre sua vida particular, quanto participar das decisões sobre o bem comum.

Autopreservação como princípio. auto-organização como meio. E auto-sustentação como finalidade. Mas antes de tudo há que se ter coragem e a coragem que só as pessoas de fé têm para revolucionar ou construir os novos mundos. Sim fé, mas não nos dogmas e de poder e senhores da terra, há que se ter fé na Liberdade. Porque se viver é preciso, navegar também o é.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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