São Francisco: a indústria da seca, o Meio Ambiente e o Sudeste contra o Nordeste

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Você está certo. Primeiro em alterar permanentemente suas convicções frente a realidade sensível. Depois quanto a possibilidade de fornecimento de água onde há carestia que em verdade é uma obrigação de quem detém o poder os recursos e portanto a responsabilidade de fazê-lo. E não fazê-lo de qualquer forma, mas com responsabilidade ambiental. De modo a garantir o usufruto humano desse meio vital justamente pela preservação desse bem natural comum através do manejo ecológico sustentável.

Impacto sempre haverá, mas não só o impacto é infinitamente menor que outras formas mais extensivas de exploração das águas. Como é perfeitamente possível e absolutamente capital executar as duas obras tanto de manejo quanto sustentável quanto de provisão do mínimo vital.

Desconheço as particularidades técnicas da transposição do São Francisco ou se existem alternativas mais viáveis. Mas você pegou o ponto, discutir alternativas, a provisão e manejo sustentável que não existem ainda é uma armadilha para perpetuar dois processo que caminham juntas, se mantém e reiteram política e economicamente de forma simbiótica entre eles e parasitária em relação aos povos e sociedades: a industria da seca (e escravidão assalariada) e a destruição (e rarificação) dos bens vitais e naturais.

Você deu o excelente exemplo de Israel, deixe-me dar um outro.

Durante a “crise hídrica” no Sudeste, o o governo paulista, valendo-se inclusive do próprio clima de medo amplificado pela propaganda da oposição. declarou emergência e fez obras ligando os reservatórios passando por cima de vários os estudos ambientais. E claro não fez isso preocupado com o desabastecimento de aguá ou falta de saneamento básico que ainda afeta a periferias onde habita sua mão-de-obra- cuja composição étnica é (não por acaso) basicamente de descendentes de negros e nordestinos. Mas o fez antes que a discussão de qual deveria ser a prioridade de uso da água, ou melhor, de quem teria a prioridade, as pessoas ou as empresas.

Mas essa é a questão, tanto ambiental quanto humana. Não só é possível prover nossas necessidades vitais com os meios ambientais, quanto proteger o meio ambiente de acordo com as nossos recursos disponíveis…

É impossível e insustentável fazer uma das duas coisas de forma isolada e criminoso não fazer imediatamente ambas de forma sistemática e integrada.

Há uma falacia entre a oposição dos interesses humanos e naturais ainda mais anciente do que a própria falacia do interesses do mercado e empresas. Governos e empresas concorrem em todos os sentidos da palavra para um mesmo fim: explorar os seres naturais como coisas sejam eles humanos ou não. Seres naturais concorrem por um outro e mesmo fim: a preservação da sua vida tanto particular quanto em comunidade.

Concorrência implica competição, mas também cooperação nas regras que sustentam o jogo, no caso do jogo privato-estatal o de privação dos meios vitais, no caso do natural de usufruto e preservação dos meios vitais e naturais, respectivamente.

A questão não é portanto o ambiental x social. Mas o social e ambiental (as pessoas naturais) contra o estatal e privado (as pessoas artificiais). A ordem e lei da liberdade e natureza, o direito natural e humano contra a falsidade ideológica da legalização dos crimes contra a humanidade e natureza como Estado e (monopólio do) capital.

Logo não dei o exemplo do governo e do capital paulista de graça. Assim como os países centralizadores extraem e rarificam os recursos naturais e depois exploram como donos do capital a mão-de-obra dos povos privados de seu meios vitais e bens comuns, o Sudeste não apenas tira proveito de um desastre natural, ele investe nas dinastias que o fabricam sem parar esse crime, e que são não passam de capataz das suas feitorias transnacionais.

A divisão internacional do trabalho, também é nacional.

A quem menos interessa o fim dos governos e dinastias corruptas nos países periféricos é ao capital transnacional que pode comprar territórios inteiros (e seus habitantes como empregados) ao preço que valem seus tiranos: uma banana. Assim como, a quem menos interessa o fim dos governos e dinastia corrutas que fazem dos seus Estados seus feudo colonial é o poder politico- econômico que se não existiria sem a industria nacional de carestia.

A industria da seca é um crime tanto ambiental contra humano e que produziu uma das maiores ondas refugiados internos ignoradas da história e claro, muita, muita riqueza, ou melhor poder politico-econômico, porque riqueza de verdade não se produz com a privação, alienação e exploração dos outros, mas produzindo.

Não meu amigo, a água esse capital que falta no Nordeste jamais será a que carecem pessoas, e a natureza. A água que falta no Nordeste move um mito da Locomotiva do Brasil, pesada, atrasada, mal industrializada e obsoleta antes mesmo de conhecer qualquer. A água,a terra e o ar, os recursos naturais e e a natureza que e faltam e faltarão cada vez mais para as pessoas do mundo, estão sendo tragadas por máquinas que não tem sede de vida, mas de poder desnaturado e desumanizador.

Nenhum monopólio da violência legalizado estatal ou privado tem prevalência sobre direitos naturais de propriedade do bem comum, seja ele a terra, o ar, a água ou até mesmo a luz. Sim, até mesmo o Sol já foi objeto de prerrogativa de expropriadores.

Normas e títulos de propriedades sobre aquilo que é direito de uso e dever preservação não são nulos, são criminosos.

Todo monopólio do bem comum é no mínimo um crime de apropriação indevida, porque exclui os demais da participação como direito (e dever) sobre um bem que também é seu. E se os monopolizadores, estejam intitulados como entidade pública ou particular, além de roubar negam a provisão e preservação aos expropriados, eles não são apenas ladrões mas assassinos.

A privação dos meios vitais e ambientais que conduz a morte em massa é genocídio. A exploração das pessoas privadas dessas condições básicas de negociação de trabalho é escravidão.

Isso não quer dizer que devamos estatizar, nem privatizar, nem socializar esses bens comuns, isso quer dizer que devemos restituir os direitos de propriedade a quem de fato pertencem.

Propriedade e riqueza e apropriação pacíficas mesmos que improdutiva são perfeitamente possíveis e legítimas deste que se dê pela negociação e concorrência pacífica sobre o excedente e não privação e exploração da carestia subsidiadas por prerrogativas de monopólio violento.

Enfim… antes de tudo (e sempre) a a água é uma propriedade natural de quem tem sede. Um direito natural de quem carece e um dever de provisão quem quer que a detenha. E é portanto um daqueles meios vitais cuja garantia de fato constituem ou estados de paz ou a sua negação a legitimidade do levante e revolução dos povos contra seus exploradores/exterminadores da sua propriedade e natureza, no sentido mais fundamental destas palavras.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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