REVOLUÇÃO TRÊS

DAS REFORMAS POLÍTICAS E REVOLUCÕES ECOLIBERTÁRIAS

ⒶRobinRight. 2015

REFORMAS POLÍTICA? NÃO. REVOLUÇÃO

III

A distopia está caindo, mas as malditas múmias do poder vão jogar não só as classes umas contras as contras, mas as nações em guerra para continuar vivendo dos seus privilégios de posse e autoridade. Querem abortar o século XXI que caminha para autodeterminação direta das pessoas e povos. Querem acabar com qualquer chance de coexistência pacífica entre todos os credos não só religiosos, mas políticos não só no globo, mas em cada país. Querem manter o mundo como está. E se preciso for, vão alimentar fanáticos políticos, nacionalistas e religiosos, de todos os tipos, só para que continuem a vender a proteção contra a ignorância e discórdia que eles mesmos semeiam.

O arcaico e falacioso sistema da democracia representativa está esgotado, nu e falido. Os sistemas de poder sem a coerção e imposição da força vai se despedaçar pela sua ineficiência e insustentabilidade. E os donos do poder sabem disto. Por isso se ele não for logo derrubado, será reinventado para ser exatamente a mesma coisa só com uma nova roupagem. Não são só os políticos que perderam a legitimidade, é todo sistema politico. E tanto a nova direita quanto a esquerda cosmopolitizadas e organizada em sociedades livres devem constituir os novos movimentos e instancias de representações democráticas diretas, ou amargar a reação violenta dos conservadores do poder. Veja, não estou dizendo que os supremacistas prevalecerão eternamente. O caminho da liberdade é inevitável, eles vão cair. A questão é quantas vidas e gerações mais eles vão destruir enquanto puderem satisfazer sua tara por ter e poder.

Não podemos ficar de braços cruzados assistindo a avanço mais uma vez dos autoritários e de todos os espectros políticos e religiosos. Liberais ou socialistas, não importa; desde que comprometidos com a liberdade, mas sobretudo os libertários de esquerda e direita não podem ficar a margem das organizações e manifestações políticas. É evidente que, nenhum dos lados deste conflito autoritário entre as velhas forças e formas de poder representam coisa alguma de legítimo, mas tanto os novos liberais quanto os novos socialistas tem por responsabilidade se impor juntos contra essa guerra pelo poder, perpetrada por esses fanáticos defensores tanto do regime atual quanto dos anteriores, defensores de tudo que é não só velho e ultrapassado, mas podre e doentio, os mesmos regimes sempre dispostos a vender o povo e fazer do Brasil uma armadilha de caranguejos.

Novos movimentos e organizações não-governamentais não devem cometer o erro cometido até agora da chamada sociedade civil organizada e movimentos sociais que se mantiveram ora completamente a parte do poder político, ora completamente submissos aos governos e corporações. Devem continuar a se colocar como organizações não-governamentais, mas não apolíticas nem burocráticas. Os novos movimentos e sociedades livres devem ser organizações políticas independentes dos governos e empresas e, se necessário for, contra a legalidade se ela for ou continuar sendo criminosa. Ou não? Quem num Estado Criminoso é o verdadeiro bandido: quem faz o que os chefes mandam, ou quem se recusa a obedecê-los?

A lei contra o direito natural e humano é nula. E o estado que não reforma sua constituição criminosa ou omissa, é passível de revolução, sempre em legítima defesa da paz, mas revolução. Nenhum estado é legítimo só porque detém a supremacia da violência em um território ocupado, é legítimo porque é o estado de paz contra todo projeto supremacista e monopolista de violência e poder, sobretudo contra aqueles que são intestinos aos próprios poderes e governo.

Assim como o estado, também nenhuma revolução é legítima se não puder por fim aos crimes estatais ou comuns. E isto quer dizer por fim a prerrogativa de violência e criminalização da legítima defesa justamente não iniciando nenhuma agressão. Porque no final das contas só estaria trocando o regime e não o sistema de poder baseado na violência. Nenhuma reforma que não ponha um fim no estado de domínio violento do homem pelo homem é capaz de se legitimar ou sequer abolir os crimes de Estado contra a humanidade.

Se toda agressão não for criminalizada, e toda legítima defesa descriminalizada; se todos (incluso o Estado) não responderem igualmente pelo uso da violência; se não formos iguais em autoridade e liberdade; sem a abolição da imposição de poderes supremos e o reequilíbrio das forças entre as pessoas naturais; sem o fim da discriminação dos direitos naturais, e segregação do bem comum; sem autoridades iguais sobre os bens públicos e garantia de liberdades fundamentais como direito as necessidades vitais; sem e a participação igual nas propriedades comuns conforme o rendimento; e, sobretudo sem a proteção mútua das fontes naturais de toda vida: não há reforma, não há Estado, não há revolução, há apenas a continuação do mesmo crime contra liberdade e igualdades fundamentais, o crime do estado belicoso e burocrático contra o direito natural dos movimentos de paz e sociedades livres. O crime contra todo direito à vida e livre comunhão para imposição de ordens e corporações estatais e privadas.

Que o poder do passado caia de vez, e o país do Futuro tenha espaço para vir enfim. Seja por uma reforma constitucional revolucionária, seja por uma revolução popular de paz, que nunca mais caia na armadilha da alienação da autopreservação; ou pior, da renuncia a sua legítima defesa. Reformas ou revoluções legítimas não se arrogam qualquer prerrogativa para iniciar uma agressão só porque existem pessoas, corporações e estados que se imputam tal poder supremo. Crimes não justificam crimes. Reformas ou revoluções legítimas são as demandas justamente do contrário: que ninguém tenha o direito à violência, logo que toda e qualquer pessoa, sozinha ou em sociedade tenha o direito de defender a si ou as demais contra a ameaça ou deflagração da violência seja a eventual seja a sistematizada, seja contra bandidos seja contra justiceiros — chamem-se eles revolucionários, chamem-se eles autoridades de estado.

A revolução não é o conflito nem a derrubada do velho, mas a concepção e defesa do novo contra a intolerância violenta dos velhos. Sem violência nem mobilização de massas inocentes para serem sacrificados aos pés de forças armadas dispostas a atirar. Até porque as forças armadas, policiais, tribunais, juízes e todos os serviços e servidores públicos civis e militares não são o problema, eles não são nem mais nem menos alienados a egrégora do poder que toda a população; eles não servem a tiranos e usurpadores, eles fazem parte da base da pirâmide e servem o que acreditam ser o bem da população.

Entenda: as pessoas que não se importam com nada, nem ninguém, nunca ficam na base do sistema, elas não tem limitações morais e sobem rapidamente ao topo. E assim como é raríssimo quem, no topo da pirâmide seja inocente, a base não é feita de gente bem resolvida com a prática do mal, com certeza tem muita gente ruim, mas em sua grande maioria, pessoas levadas a crer que fazem ou seguem o bem. Acabe-se com o estelionato estatal, finde-se o mito e a farsa, e ninguém além dos psicopatas (bandidos ou policiais) vão atacar quem não oferece perigo.

Felizmente as pessoas não nascem ainda em chocadeiras, elas tem pais, mães, filhos, famílias, amigos, comunidades. A lealdade e a solidariedade dos que estão a serviço do poder, mas não são psicopatas, reside (ainda que esmagada pelas mesmas pressões que todo a sociedade), nos mesmos sentimentos e sentidos naturais da vida, que não estão lá em cima, mas do lado dele dia-a-dia na própria sociedade onde ele no final das contas vive.

Roma nunca caiu com armas. Impérios se desfazem diante da fé dos povos, e se sua fé é na liberdade preocupe-se em manifesta-la como razão e não como força de fato ou manipulação. Não se joga inocentes contra fanáticos, nem se ataca fanáticos para libertá-los do transe. Mate o culto, mate a besta e o joio será separado do trigo, derrube a legitimidade da ordem do poder e quem executa ordens, seja porque é ou se sente obrigado, quem faz o que faz não porque gosta ou quer, mas porque precisa ou acha que tem se não se rebelar, ao menos continuará fazendo tudo exatamente como foi treinado: não tomando decisão nenhuma sem receber antes uma ordem ou comando válido.

Não adianta querer jogar toda a responsabilidade sobre as bases armadas. O problema não são forças armadas, ou só as ordens hierárquicas, mas a hierarquia que todos nós obedecemos. Não só pode haver forças armadas e policiais, mas tantas sobre a terra ou sobre um mesmo território quanto forem as diferentes comunidades e sociedades a se proteger; tantas quantas forem os governos de paz no mundo. Tudo o que é preciso é assim como seus governos nenhuma tenha a prerrogativa de iniciar uma agressão ou vigiar ninguém a não os seus. E a força que intencionar descumprir este acordo que enfrente não mais uma sociedade de cordeiros desarmados, mas sociedades de paz prontas para defender a paz, mútua e reciprocamente contra qualquer projeto de poder ou potencia violenta.

Reforma ou revolução, que não queira se perverter em mero discurso de liberdade e, portanto farsante projeto de poder, que não queira ser esmagado pela contrarreforma e a traição dos falsos libertadores, não pode recorrer aos meios que pretende abolir. Isto até mesmo os governos mais burlescos e os projetos mais golpistas sabem, não adiante nada vencer batalhas e perder a guerra, vencer para não levar. Até a mentira e a propaganda precisam do mínimo de verossimilhança, do mínimo de coerência entre a prática e discurso, para não se virar contra o mentiroso. A completa perda da relação entre a realidade e o discurso leva (como se vê no Brasil) a perda do controle da massa de alienados e dos conformados e ao esvaziamento ridículo entre o que se chama poder e o poder de fato.

Seja dentro dos meios políticos e econômicos, seja excluídos deles, nenhum movimento ou organização que se diga libertária ou revolucionária pode propor menos do que o fim da prerrogativa de violência estatal e a escravatura forçada por privação dos meios vitais disfarçada de direitos trabalhistas. Ninguém que proponha menos do que o fim dos crimes estatizados e legalizados merece o apoio voluntário de nenhuma pessoa que não queira ser cúmplice. Os novos movimentos libertários devem se organizar politicamente, até mesmo como partidos políticos desde que estes sejam disrruptivos da ordem representativa e contestadores da própria constituição violenta e criminosa do status quo; desde que não recriminem, mas apoiem os movimentos dispostos a defender legitimamente a autopreservação e autodeterminação das suas vidas e uma nova constituição.

O ato criminoso ou omisso, dito legal ou ilegal, não derrubado nem impedido pelos representantes da justiça, não demanda menos que a justiça seja retomada por seus titulares, por seus verdadeiros soberanos: as pessoas de paz e voluntariamente dispostas a defender legitimamente seu estado de paz. E nem governantes com seus cúmplices e comparsas, ou oposições golpistas e reacionárias, ninguém predisposto à agressão ou privação do povo poderá manter ou impor seu status quo. O governo que não garante o mínimo vital nem protege os meios vitais incondicionalmente não é só ilegítimo, é criminoso. E a justiça que se omite quanto a esse crime se não é cúmplice é omissa e, portanto ilegítima por falta de responsabilidade. E qualquer pessoas de paz que reclame os direitos de autopreservação ou se levante para defender solidariamente quem privado esteja dos seus direitos naturais não só age com justiça e legitimidade. Chame-se ou chamem-no do que quiser, esta pessoa que decidiu cumprir com suas responsabilidades sociais como o deve ser voluntariamente que é a constituinte do verdadeiro estado de direito.

Onde a lei perverte a moral, e a moral a vida e liberdade, o direito natural que legítima a defesa da vida e liberdade deve ser restituído como estado; e se a reforma constituinte do estado não restituir o direito natural que a revolução constitua o estado de direitos naturais. Não são, portanto as pessoas de paz que devem ser recriminados nem perseguidas pela lei e a ordem, mas a ordem que deve imediatamente legislar com correção pelo direito natural à vida e a liberdade. Se a lei e moral ignoram o necessário, elas não são falhas. Se a lei e a moral mandam o impraticável, elas são nulas. Se a lei a moral mandam o que deveria ser imoral e ilegal elas são corruptas, e devem ser desobedecidas. Porém se a lei e a moral mandam o desumano e o antinatural elas são perversas e devem ser não só derrubadas, mas reconstituídas em harmonia com a ordem livre e natural: das necessidades vitais das pessoas e da natureza.

Os movimentos devem tanto estar prontos para atuar tanto dentro do sistema político e econômico quanto fora dele, sem recorrer aos seus meios violentos e coercitivos- em outras palavras sem se constituir em poderes paralelos ou proto-estatais. Seja atuando em instituições disrruptivas dentro da própria ordem legal, ou fora da prescrição do que é ilegal, dentro ou fora do status quo, mas sempre além do seu dogma: não devem se pautar jamais pela legitimidade da violência ou criminalização da legítima defesa, e sim pelo direito natural e o contrato social voluntário, dispondo-se a proteger as pessoas de paz contra todo ato de violência, sem jamais deflagrá-la.

A reforma que precisamos deve estar pronta para executar constitucionalmente a revolução que já ocorre fora dos centros de poder e palácios não só no Brasil, no mundo que não só se globaliza, mas colateralmente se cosmopolitiza. Que o Brasil seja mesmo então o país do futuro, libertário, o estado de legítima defesa da sua sociedade contra todo poder tirano prepotente e monopolista da violência, internacional, mas antes de tudo nacional. Que seja não apenas uma cultura cosmopolita, mas a primeira terra da cosmopolitização.

Dizem que é impossível atuar honestamente, quanto mais revolucionariamente dentro do mundo político ou financeiro. Se for, então o que restará aos excluídos da participação política e econômica direta e necessária no bem comum senão os outros meios necessários a autopreservação? Aos destituídos dos direitos fundamentais, aos privados de qualquer possibilidade de manifestar sua livre vontade, pensamento e valores, o caminho depois dos protestos, revoltas, depois da contrarreação conservadora é a revolução, que não é violenta nem uma marcha de cordeiros suicidas, mas o levante da objeção da consciência, da fé na liberdade e do direito inalienável de não só se defender contra a agressão, mas de não aceita-la nem financiá-la. O irreconhecimento de fato de que este espetáculo do poder definitivamente não nos representa.

Seja um ladrão de goiabas, seja um governante, não se atira contra ninguém só porque tenha se detenha o poder legal ou ilegal. Só contra quem não vai parar de agredir se não for impedido que o confrontamento é legítimo. Não há segredo, as pessoas dispostas a violência devem ser sempre que possíveis rendidas. Violência encerrada, violentos rendidos, ninguém pode ser agredido nem executado, nem antes nem depois de qualquer julgamento. Em verdade ninguém tem sequer o direito de privar o outro de sua liberdade sem que ele seja uma ameaça, nem tentar libertar quem se dispõe a deflagrar a violência. Danos se reparam com restituição ou compensação, mais do que isso é vingança e punição, violência disfarçada de justiça.

a legítima defesa não dá direito a ninguém de iniciar uma agressão, mas tão somente de por fim a sua ameaça ou deflagração com todos os meios disponíveis e a força necessária. E o uso da violência para preservar ou restituir bens particulares ou comuns é ainda mais ilegítimo. Ninguém tem o direito de matar o latifundiário nem os ladrões de goiabas. Quem tem fome não tem direito de expropriar propriedades nem o produto do trabalho, nem muito menos quem detém propriedades tem o direito de expropriar o trabalho porque o outro não tem o suficiente para se sustentar.

Ninguém tem o direito de impor nada, nem mesmo suas necessidades ao outro pela força, quanto mais propriedades impostas ou expropriações. Ninguém tem o direito de roubar o que é do outro porque ele não tem como se sustentar, assim como ninguém tem o direito de impedir alguém de saciar suas necessidades vitais com aquilo que é natural. Ninguém pode tomar como posse privada ou estatal o que não é exclusivamente de ninguém quanto mais de todo mundo, ninguém pode se apropriar dos meios vitais cujo usufruto pertence não só a toda pessoa mas a todo ser vivo conforme suas necessidades vitais.

A apropriação ordenada e pacífica, tanto privada ou comum de um bem natural, só se legítima quando não se priva nem destrói o acesso aos meios vitais de ninguém, ou o que é a mesma coisa, garante-se que todos tenham participação no rendimento das propriedades comum e da parte natural de toda propriedade privada que não pode ser destruída, mas preservada como condição para a legitimidade desta posse. Em outras palavras, toda propriedade, seja particular ou comum, só é legítima quando não prejudica a necessidade vital de ninguém, nem destrói a natureza e meios vitais necessários não só a todos, mas a toda vida.

A lei que vai contra esse direito natural não é lei é crime contra a natureza e a humanidade. Todo ser vivo tem o direito ao acesso aos meios vitais que são por natureza comuns. E toda sociedade para possuir legitimamente qualquer pedaço de terra onde habite um único ser vivo ou pessoa, não só não pode privá-lo dos seus meios vitais, como deve prover os meios necessários à vida daqueles a sua apropriação faz-se responsável. Quem não é capaz de prover o mínimo vital sobre os dependentes deve abrir mão da responsabilidade, e quem não tem a autorização dos outros emancipados para assumir esta responsabilidade não tem de fato direito de toma-la para si, quanto mais impedir criminosamente que eles busquem pacifica e associadamente garantir sua autopreservação.

Nenhum roubo se legítima por causa da supremacia ou monopólio de coisa alguma, quanto mais da natureza pela violência. O roubo nunca se justifica nem pela ganância, nem sequer pela fome. O faminto que rouba de quem não detém o que é seu não deixa de ser um ladrão, e não é nenhum Robinhood quem rouba dos ricos para dar aos pobres. Não importa o que a falsa lei e moral dos hipócritas e poderosos diga: o faminto que sacia sua fome com o fruto da terra, ou quem redistribui pacificamente o que pertence ao ser vivo porque ele quer viver jamais será o criminoso, mas o justo e libertador. Há coisas sagradas que nenhum poder total jamais terá poder para afirmar nem contrariar, senão como parasita ou perversor de tudo que a vida a liberdade e a criatividade inventam e adventam.

Há ordens e direitos sagrados que antes do homem sequer conceber o que era a ordem o direito e o poder já existiam e continuaram a existir como são depois deles: Livres e Naturais. Sim, o sagrado existe e ele é natural, libertário e harmônico. Chame-o de deus ou não, o princípio criador, a ordem natural que sustenta toda existência e coexistência é um fenômeno não só material, mas formador de toda materialidade e seus valores, é material, transcendental, pacífico e volitivo. Sim, a Liberdade não é só uma ideia, é força criadora, fenômeno que compreende a todos mesmo os que não creem ou lutam contra ele. E se você quer chamar o principio criador de deus, não o represente como ídolo de poder ou senhor de escravos e alienados, mas o entenda como é: Liber do Conhecimento e Consciência: Liberdade. Porque se a ideia de deus tem algum significado que possa ser traduzido em palavras, que possa ser inteligido pela consciência esse sentido de toda vida, criação e criatividade está a Liberdade.

Não tenha medo de reconhecer seus princípios, não tenha medo de trazer para o plano da consciência e racionalidade os seus mais profundos sentimentos e sentido para vida. Não tenha medo de dar significado a sua existência, nem de fazer da sua razão de viver sua fé. Liberte-se da ignorância das preconcepções, liberte-se da ditadura da predeterminação, reassuma seu destino e vocação no mundo, religue-se a sua anima tome o tempo e lugar do mundo devido à sua geração, às suas próprias concepções. Ame a liberdade e você não precisará ir até o novo mundo, o novo mundo virá até você. Não tenha medo de fazer da liberdade sua fé politica, economia e até mesmo religiosa e epistemológica. Sim fé em todos os seus sentidos, como todo o nexo do pensamento livre e não desintegrado por campos de saberes, fechado e encerrado pelas fronteiras imaginarias entre a fé e a razão. Liberte-se de todas as preconcepções, derrube as fronteiras do livre pensamento, retome a soberania sobre sua própria-concepção. Desaliene-se. Tenha coragem de tentar entender o incognoscível, e seu direito de autodeterminação e livre comunhão em paz serão a consequência natural do seu estado libertário de espírito.

Uma revolução é sempre legítima contra tiranias, um imperativo contra os poderes que insistem em permanecer pela força contra a sociedade quando já não representam o estado de paz. Mas repito: uma revolução desnecessariamente violenta é um golpe, não uma revolução. E isto significa que o sacrifício e a martirização só é ato de libertação, como gesto absolutamente pessoal e não movimento coletivos ou de massas. A marcha de coletivos inconscientes de inocentes para serem massacrados por covardes violentos é crime das suas lideranças contra essas pessoas.

Não. Nem armado, nem desarmado; Nem violento, nem não-violento. Não são os violentados que tem o dever moral de suportar eternamente sem reagir contra os violentadores. São os violentos que tem imediata e incondicionalmente o dever de parar com a violência e suas prerrogativas. A revolução não virá apenas pelas palavras e exemplos de paz e liberdade, mas pela disposição de defender legítima toda vida contra a violência dos que querem calar e massacrar tudo que vive livre e em paz. Não se pode buscar o confronto, nem se fugir para sempre dele, mas se pode e deve resistir como se puder contra ele. Ou se diz não e se abre a resistência contra os monopólios a violência ou desaparecemos brutal e lentamente como todos os povos e etnias e espécies pacificas que um dia se entregaram ou confiaram nos líderes e conquistadores.

O inimigo não se converte, o inimigo não se destrói, nem sequer pode ser disperso cortando a cabeça do monstro. A mania do poder só se cura quebrando sua anima, rompendo a inconsciência coletiva pela manifestação pessoal da consciência. A transformação do outro só deve e só pode ser feita com justiça por ele mesmo. Porque com justiça não se pode mudar o mundo a força, mas apenas transformá-lo vivendo nele. E cada livre manifestação desta simples concepção como uma forma de vida já é a morte para a egrégora do absoluto. O despertar de uma próprio-concepção não é só a libertação de uma consciência, mas a quebra da barreira entre a pessoa e sua força criativa e criadora, a abertura de um porta capaz de revelar não só outros estados possíveis, mas a ligação de cada pessoa com nosso estado natural, com seu próprio espaço-tempo.

A revolução não é um projeto de poder é ato de independência e libertação. Revolução são movimentos que materializam a evolução como novos tempos e espaços. É a libertação da ditadura do tempo pela abolição da privação dos espaços naturais na terra. O movimento de libertação do tempo pela pacificação da terra. E o fator determinante para saber quem tem a legitimidade sobre a paz de um estado ou movimento é exatamente o mesmo de qualquer ocupação da terra ou territórios, a apropriação pacífica do espaço e a relatividade do tempo. Porque quem tem seu próprio espaço pode autodeterminar a diversidade do uso do tempo como pessoa livre e não ser o escravo da terra e calendário alheio. Aquele que carece da violência seja para tomar ou manter terras ou territórios contra pessoas e movimentos de paz, que necessita da violência e ameaça jurídica para impor prazos e calendários não é a autoridade legítima, mas o usurpador não só dos espaços naturais, mas dos tempos livres.

A revolução não é a imposição de mudança à força contra quem não quer mudar, mas o movimento de paz e proteção das pessoas de paz contra qualquer prerrogativa de violência contra movimentos livres e pacíficos. A revolução em verdade é um movimento de legítima defesa da vida e liberdade um movimento de defesa de direitos naturais contra a desnaturação e artificialismo estatal e privado. A presunção de violência de golpistas ou de corrupção da política não justifica nem a apatia, nem a rejeição prévia, nem de um, nem outro caminho, nem da política nem da revolução desde que livre dos violentos e autoritários, livre dos partidários da supremacia da violência ou das autoridades.

Reformas podem ser legítimas se revolucionárias, revoluções podem ser legítimas se em defesa da liberdade em paz. Todo sistema por mais forte que seja é vulnerável aos programas que não rodam com os mesmos valores predeterminados. Posto como variável o que é tomado como constante, como tomada de decisão o que é dado, o programa rodando dentro do sistema responde como contradição ao sistema. Em outras palavras as instituições do sistema podem, portanto se constituir como vírus dentro do sistema. Até mesmo um partido político poderia constituir a mudança do sistema se já se estruturasse de fato internamente como um novo sistema de organização e tomada de decisões, se seus princípios de organização não fossem dirigidos para a tomada do poder e sim para a realização de um programa de redistribuição das desigualdades de poder.

Partidos políticos dentro da democracia representativa se corrompem porque eles são constituídos dentro da lógica do sistema e não são programados para abolir a representação do poder e emancipar pessoas, mas para tomá-la ou o que a mesma coisa, submeter as pessoas a seus interesse partidários a força. Todo partido antigo é uma igrejinha, um mini estado, um projeto autoritário de governo. Se os partidos de diferentes espectros da sociedade, definissem como seus princípios constituintes que as suas decisões fossem tomadas pelo caminho inverso: não de cima para baixo, mas debaixo para cima e dessem proporcionalidade a vontade aferida de seus membros constituintes, seriam veículos da democracia direta dentro do próprio sistema de democracia representativa e não mais, a massa de manobra de lideres e lideranças. Veículos imperfeitos, mas não pervertidos. Talvez não seriam sequer mais partidos, mas seriam de fato organizações políticas legítimas.

Um partido não deve ser mais uma instituição de representação, mas um veículo permanente de reunião e tomada de decisão e comunicação pública; a assembleia direta e constante onde se propõe o que está em decisão e se toma partido de uma causa de interesse comum. O surgimento de novos partidos, ou melhor, de novas formas de manifestação direta da diversidade política e das vontades difusas de governabilidade são uma necessidade via reforma ou revolução, mas não mais para disputar quem tem a maioria para impor sua vontade e decisões contra os demais, mas para participar da negociação do que deve ou não ser feito sobre tudo que é comum. Partidos não deverão mais representar classes tentando governar um território por um período predeterminado, cada partido deve governar somente sobre seus eleitores e no que for propriedade exclusiva deles. O que é de interesse e bem comum o partido deve se colocar apenas como instancia de mediação tanto da tomada de decisão dos seus eleitores quanto de elaboração das demandas perante os demais.

Em outras palavras, a questão legítima não é mais quem governa o território ou por quanto tempo, mas quem representa a quem, ou melhor, quem serve a quem, para quê e por quanto tempo, e o mais importante com que facilidade se pode a qualquer tempo, sem sair do lugar trocar de partido político e serviço público pelo concorrente livremente. Neste sistema, como ninguém poderia impor nada a força contra ninguém, seriam sempre os interessados que deveriam arcar com orçamento das suas obras serviços e gestores. Aos políticos contratados por uma associação de cidadãos[1], caberia tanto mediar o maior consenso sem dissidências entre os partidários de uma mesma causa, ajudando a escolher critérios e prioridades, quanto defender junto a toda a população contribuições voluntárias ou pelo menos a não desaprovação à realização das benfeitorias.

Como ninguém é obrigado a contribuir, ninguém é obrigado a prestar o serviço, porém como ninguém tem o monopólio sobre nada, qualquer um que não esteja satisfeito pode constituir e destituir seus serviços social e seus gestores tanto quanto os políticos que advogariam publicamente por seus interesses dentro dos mesmos princípios[2]. Políticos seriam assim mais advogados de pessoas e suas causas comuns, especialistas na arte da constituição de acordos e consensos; responsáveis pela negociação, mediação e arbitragem dos acordos e contratos entre pessoas com interesses comuns e difusos. Uma profissão de servidores em permanente concorrência e avaliação pela sociedade como qualquer outra e não uma casta de atravessadores e intermediários e usurpadores.

A alteração da constituição de um país não é apenas uma possibilidade que deva estar legitimamente reconhecida pelo contrato social de um povo, é uma necessidade diante da mudança cultural e geracional de um povo. Muitas pessoas acreditam que podem mudar a cultura mudando as leis, mas isso é impossível. O que aconteceria, por exemplo, com governante que quisesse impor o canibalismo por decreto? Aconteceria o mesmo que a todo tirano que impor ou manter o mal e o perverso como necessário, o levante popular e o fim do estado de papel. E quem acha que as coisas não mudam assim fácil, ha uma geração atrás era bonito usar um bicho morto no pescoço. Em outras palavras, como bem observou Saint-Exupéry: quem governa com violência contra a natureza é um tirano, e o que governa de acordo com ela é ridiculamente desnecessário.

Elimine os atravessadores, garanta os direitos naturais e não só a natureza se restabelecerá como o que é criativo e tecnológico não se perderá. Muito pelo contrário se disseminará com maior liberdade, sendo inclusive sua produção diretamente bancada por quem tem interesse pelo produto e não pelo lucro. A população não mais desintegrada e reduzida a mero cliente, uma hora eleitor, outra consumidor, portador de fato do poder de decisão como capital básico, poderá financiar a produção dos bens que verdadeiramente lhe interessa (a começar pelos comuns)- e não só se associando emprestando ou investindo seu capital natural, mas com o produto do seu trabalho desalienado. Ou você acredita mesmo nesta balela que capital é como coelho e se reproduz sozinho?

Aquilo que é grande demais, nunca é grande demais para quebrar é sim grande demais para se sustentar, e vai nos destruir. Se continuarmos a servir e alimentar as corporações estatais e privadas contra as formas contra-violentas e contra-privadoras de organização natural humana seremos devorados pelos monstros, máquinas, engrenagens e mitos que nos mesmos inventamos. Ou evoluímos para formas mais livres e elaboradas de sociedade e governabilidade, ou tanto a queda das democracias representativas quanto a permanência burra e cega dentro delas permitirá o avanço das forças reacionárias e fanáticas nacionalistas e religiosas, o retrocesso aos estados de dominação mais brutos, primitivos e ignorantes que os ditados pelos atuais ditadores das nossas formas de governo.

O velho sistema dos Governos democráticos representativos não se sustentam com a nova era das telecomunicações descentralizadas. A economia não engendra o fim dos sistemas econômicos, mas antes o fim dos sistemas políticos como entrave a verdadeira economia, a livre, e por isso mesmo social. As falsas representações políticas são sempre menos competitivas que as forças socioeconômicas livres e solidárias, e não podem fazer frente a livre associação e competição de defesa da paz e produção uma vez desenvolvidas. É por isso que uma vez renascido o espirito libertador, eles não podem deixar que a nova concepção e geração cresça para competir com chances iguais contra eles. Essas corporações que carecem do subsidio do monopólio da violência, se deixar não só desaparecerão com as novas formas livres e diversas de vida na face da terra, mas acabarão como a própria terra.

O povo só se modifica quando uma nova geração e concepção nasce. E para o terror do status quo as pessoas naturalmente ainda se amam e nascem. Entretanto, assim como ela só surge como uma nova geração, ela se destrói sempre da mesma forma: matando a nova geração no berço, antes que cresça e se emancipe. Se a escola e o trabalho não puderem converter em velhos os jovens antes que eles cresçam e se tornem independentes, não tenha dúvidas: quem detém o poder não pensará duas vezes antes de entregar seus próprios filhos e o dos outros à morte. Para isso servem guerras mundiais, Vietnãs, ditaduras latino-americanas, e não se esqueça, sobretudo a eterna guerra civil velada do Brasil que mata mais que muitas guerras do mundo juntas- nosso holocausto da violência urbana e privação agrária.

Os estados de poder não são apenas genocidas são infanticidas. Estão em guerra perpetua contra o novo e as novas gerações. O poder serve para isso, matar o futuro, corromper o novo como velho, preservar a perversa ordem necrófila dos corpos e corporações mumificadas e piramidais que sem suas culturas, ritos e ordens antinaturais, pela lei da criação e o direito natural simplesmente virariam pó, decairiam por obsolência.

As revoluções não são absolutamente legítimas, são necessárias para quem não quer viver sob a ditadura de fanáticos e idolatras. No mundo pós-governamental não há mais espaços não só para estados, não há espaço para corporações, o que deve cair para dar lugar ao novo não é a ditadura do poder representativo, mas a ditadura das representações de poder, as “pessoas jurídicas” as representações corporativas antinaturais contra as sociedades livres e auto-organizadas de pessoas naturais. O fim da expropriação do direito a vida e autodeterminação das novas formas de vida pela absurda apropriação de tudo o que há na terra pela insustentável e involucionária justificativa da violência dos poderes supremacistas apenas porque eles simplesmente se dizem os mais fortes ou os primeiros.

Cada nova geração tem como qualquer expropriado o direito de demandar tempo livre e lugar no mundo. Ninguém tem o direito de exigir um lugar à mesa do outro para comer, mas ninguém pode pressupor que o mundo seja um banquete exclusivo seu só porque chegou primeiro. Nenhuma geração ou classe pode se decretar dona do mundo apenas porque chegou primeiro, nem em hipótese alguma porque tem mais armas ou falta de humanidade para usá-las contra seus irmãos ou filhos. Todo ser humano, simplesmente por ter nascido é naturalmente herdeiro do patrimônio humano e natural, e não pode ser privado nem excluído por nenhum todo poderoso senhor da terra ou da guerra, ou seus servos e adoradores.

É por isso que a natureza é mais do que justa, ela é inteligente: não há velho que viva eternamente. Com ou sem alma vendida, nenhuma geração, querendo ou não, vive eternamente; não há poder que não envelheça e morra para dar lugar ao novo. A sabedoria não está nem na velhice, nem na ilusão de juventude eterna, o saber está no ato e atualidade daquele que vive não apenas o agora sabendo que dará lugar ao novo, mas que faz questão de construir com toda a sua força de vontade o caminho livre para o novo. Livre-se das aparências, não se contente em envelhecer ou plastificar-se, não tenha medo do desconhecido, não tenha medo da chuva, porque como nossa língua, a chuva não chove, apenas chove.

As revoluções dos próximos séculos não serão de máquinas nem informação, mas a revolução de uma nova geração contra velha, da liberdade contra o poder, do conhecimento contra a ignorância. Da paz contra a violência. Da consciência contra o preconceito. Da ordem natural contra artificial. Das utopias contra as distopias, da força de livre vontade contra a Inércia. Do direito natural contra os monopólios da vida. Da próprio-concepção contra a predeterminação. A nova revolução será ecológica e libertária, e mais importante ainda do que saber a linguagem das máquinas será falar a língua de todos os homens e espíritos. Saiba reconhecer os sujeitos e predicados do seu pensamento para reprogramar a si e ao sistema. Desconstrua sujeitos e predicados, faça-se verbo, faça-se luz e mova-se além do limite da informação, recodifique os novos caminhos para a liberdade para além dos lugares e tempos contabilizados. Construa os novos planos do espaço-tempo. Desculturalize-se. Comospolitize-se. Liberte-se.

Não se contente com menos: Governe-se.

[1] Qualquer cidadão sozinho diretamente por conta própria, tem esse direito.

[2] Note-se a importância fundamental da renda básica e da liberdade plena de associação para que o sistema libertário de democracia econômica não decai naquilo que é hoje uma ditadura de quem financia a política e os políticos.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.