REVOLUÇÃO Final

DAS REFORMAS POLÍTICAS E REVOLUÇÕES ECOLIBERTÁRIAS

ⒶRobinRight. 2015

EPÍLOGO

As revoluções libertárias não são materialista ou idealista, é transcendental e jusnaturalista. Não é o movimento restrito ao espaço-tempo materialista e predeterminista, mas o espaço-tempo constituído pelo movimento das forças libertárias como nova materialidade auto-organizada e autodeterminada não por conjuntos fechados e seus elementos, mas por redes abertas e suas conexões não restritas aos espaços virtuais das telecomunicações e internet, mas restituída nos territórios e calendários naturais.

A mera tecnologia da informação não fará o século XXI um século revolucionário, porque a tekne não é metis e a tecnologia da informação não redunda necessariamente em sociedades abertas de informação, mas tanto na sua possibilidade quanto no estado de vigilância total. A libertação de Metis desta síndrome de Cronos se dará pela recobrar da consciência, a simples retomada da próprio-concepção dos seres pensantes como seres pensantes. A cura da normose pela negação dos lugares comuns, questionamento de tudo está fora de questão e consequente co-significação de uma nova forma de vida.

Não é a tecnologia que cria as invenções, mas os novos paradigmas, as novas visões de mundo que fazem o homem ver aquilo que para ele sempre foi plano como redondo. Sistemas não são feitos de engrenagens, nem elétrons, nem de luz, mas de padrões auto-organizados: são feitos de códigos que constituem seres, ou o que é a mesma coisa, seres constituídos por códigos. A existência é o produto das forças que ordenam os padrões, que em sua forma mais fundamental é incerta, livre e espontânea ou simplesmente criativa. O intelecto criativo que concebe sua auto-organização, se constitui e governa. O corpo que reproduz padrões predetermina a ordem preconcebida, delimitando os limites da percepção não só dos seus dominados, mas da sua própria cognição.

A revolução do século não será de classes, mas da desalienação das gerações. A revolução do século será milenar, será feita da morte de mitos e bestas, a libertação das egrégoras. A revolução do século XXI não será uma revolução da informação, será a revolução do novo contra o velho, será a revolução da restituição da ordem livre e natural da vida. Será a revolução das gerações que tiveram sua vida negada pelos seus próprios genitores que, não apenas consumiram todos os seus meios comuns e vitais, insistem em usar de todos os meios para permanecer no controle privando as novas gerações não apenas do que eles extinguiram, mas dos que eles fazem questão de enterrar com eles, para que ninguém senão eles, possa um dia ter usufruído delas. Será a restituição do direito natural da próprio-concepção, autodeterminação pelo usufruto do bem comum de toda geração presente e futura.

A revolução é anti-patriarcal e feminista, ela se levanta contra essa forma de pátrio-poder que se julga proprietária não apenas dos corpos, tempos e espaços, mas do poder conceptivo e geracional. Os patriarcas e patrimonialistas não se consideram apenas donos do mundo eles se consideram donos das pessoas e seus destinos, acreditam que tem a prerrogativa de pré-conceituar todo sentido da vida alheia, ou até mesmo delimitar as próprias possibilidades de significação da existência e coexiste. É o levante contra esta ditadura da ilusão que aquilo que aconteceu hoje deverá acontecer amanhã, que tudo que está deve continuar sendo ad eternum contra tudo e todos até o juízo final. O levanta contra o estado perpetuador da desilusão de o velho é e deve ser eterno, e cabe ao novo apenas envelhecer e morrer a serviço do mesmo.

O poder é antes de tudo uma doença, uma praga que faz da humanidade um inconsciente coletivo predador. Uma nuvem de gafanhotos carnívoros, devorando uns aos outros e todo planeta. E se os estados de poder não extinguir a vida ou a humanidade antes, certamente promoverá a maior eugenia positiva e negativa da historia, não apenas sobre as outras classes, povos ou etnias, mas sobre suas próprias descendências privadas de um lugar natural num mundo sem espaços naturais nem tempo livre.

Se esse homem alienado atingisse agora sem revolução ou evolução a capacidade de não morrer de causas naturais, não é a morte que teria um fim, mas as novas vidas. As guerras, roubos e assassinatos continuariam havendo para ter tamanho privilégio, o que desapareceria do mundo seriam as crianças. Quanto maior a fantasia de ter e poder, menor a vontade de conceber e criar em todos os sentidos. O homem com fantasia de juventude eterna e poder total tem ojeriza ao envelhecimento e a morte como parte natural da vida, sua ojeriza quase que monárquica a ceder seu lugar na terra, irá simplesmente matar o filho antes que ele nasça nos seus campos de concentração do trabalho alienados precarizados.

Sem uma revolução, teremos o ápice da sociedade ocidental não só como velhos infantilizados e plastificados, mas como um mundo infanticida, sem sexo, nem crianças. Um mundo de velhos decrépitos e caquéticos, a imagem e semelhanças de seus deuses e estados. A velhice de quem decidiu apodrecer em cima da terra, ao invés de baixo dela. Espíritos possessores definitivamente encarnados.

O velho é sábio não quando envelhece, mas quando descobre que a sabedoria vem sempre do novo. Porque se a verdade não está no que se fala, mas naquele que ouve e pratica. E cada nova geração precisa não apenas do seu tempo livre, mas do espaço natural para compor seus entendimentos próprios e comuns da verdade, mas seus discursos para as próximas gerações.

A revolução é a libertação da natureza contra esse patriarcalismo que tenta destruir tudo que é geracional. Tudo que é conceptivo, tudo que é vida. A revolução é o ato de destituição daqueles que insistem em perverter a ordem natural da vida e não dar lugar aos seus filhos. Não dar lugar ao novo. Infantilizando eternamente as novas gerações umas após as outras, fazendo de um jovem cheio de potencial para se governar num velho servil cheio de tiques e frustrações, cheios de taras de mando e desmando sobre a vida dos outros.

É óbvio que a revolução não é violência nem a perseguição dos velhos ou suas propriedades, pelo contrário é a defesa do direito de todo ser humano contra o crime de monopólio de quem, jovem ou velho, se julga dono ou herdeiro do mundo só porque chegou primeiro na terra, ou pior porque seus crimes são antigos e fazem parte da história. Crimes contra a humanidade não expiram, ainda mais quando continuam como crimes contra a liberdade de quem nasceu e por estar vivo tem direito natural não apenas a vida e aos meios vitais, mas de usar de toda a força necessária para defender a preservação da sua vida em paz.

O legado da miséria não se perpetua com o nascimento de outro ser humano, mas com o prolongamento artificial do poder da egrégora dos possessores das pessoas naturais e da natureza; se mantém com a perpetuação da desnaturação da vida. A miséria nunca esteve no ser que nasce nem no que morre, mas do que não vive e não deixa viver, e mata tudo que nasce para não deixar crescer.

Não, a revolução não será feita pela mera apropriação das tecnologias, informação ou saber, mas pela reconexão a fonte natural e criativa de todo conhecimento: a liberdade, tanto como meios vitais quanto direito sagrado e inalienável de autodeterminação dos povos e pessoas com soberania igual compartilhada sobre a natureza como bem comum e direito natural de cada pessoa e todas as gerações.

Definitivamente a verdadeira revolução não é feita da luta de classes, não é feita pelo fim da imposição de preconceitos e classificações, é feita da luta pela vida e liberdade, a luta pela livre concepção das identidades e valores. A revolução não é uma luta entre pobres e ricos ou por igualdade de propriedades para todos, é uma luta por garantia de autoridade e liberdades fundamentais suficientes para cada um, para a preservação da vida, da paz e diversidade entre todos. É a luta contra o ódio e preconceito do poder contra toda liberdade não apenas como discurso, mas como ato.

Por isso não confundir desprezo com ódio. Claro que o pobre odeia o rico quando é menosprezado e o rico odeia o pobre que não quer “reconhecer seu valor” (uma outra forma de menosprezo). Mas nem o pobre tem ódio de rico, nem o rico de pobre. Pelo contrário, ricos até gostam de pobres desde que eles fiquem no seu devido lugar, definidos é claro por eles. E o pobre que não importa quanto dinheiro ganhe é pobre mesmo, não quer tanto se livrar de quem manda nele, não tanto quanto quer ser rico para poder também mandar nos outros.

O ódio e o preconceito não são um privilégio de classe. Pobres e ricos que se odeiam, odeiam qualquer um que não esteja disposto a se submeter a sua mesma condição que não é de classe, mas moral: eles odeiam todo aquele que não esteja como eles disposto a se submeter ao poder para ter. O ódio não é contra quem tem pouco ou muito, mas contra quem prefere não em ter, do que se submeter. O ódio é por quem não participa do culto fanático ao deus do dinheiro, poder e posse. O deus do trabalho alienado e da servidão governamental. O ódio dos playboys que queimam mendigos supostamente vagabundos, e bandidos a degolar gente rica e poderosa supostamente que não faz nada da vida, é o mesmo do crente fanático que persegue o infiel que não compartilha dos seus valores e cultura.

O ódio não é contra rico ou pobre o ódio em, mas contra o vagabundo desobediente, o rentista ou preguiçoso, o incivilizado, o mal educado, ao homem não sedentarizado e não doméstico que não zomba com a sua indolência do seu deus todo poderoso do estado, trabalho e guerra. O ódio é contra quem não quer um bom emprego, um bom salário, uma boa faculdade, uma boa profissão. O ódio, o profundo ódio, dos pobres e ricos alienados é contra o mendigo, o marginalizado que caga e anda em todos os preconceitos misóginos milenares, que caga e anda para as ordens e ídolos, que ama mais seus cães sem raça, ao invés da beleza plastificada e maquiada da raça superior e símbolos supremacistas.

E mais do que os mendigos os alienados ao culto do ter e poder odeiam, sobretudo os vagabundos que sabem viver. Não porque eles não têm nada, mas porque eles têm tudo o que precisam sem ter de lamber o saco deles. Eles que vivem para e pelo capital artificial do poder odeiam os vagabundos capazes de se sustentar, porque eles têm o verdadeiro capital, o capital in natura, o espaço e tempo livres para criar. Porque tempo não é dinheiro, tempo e espaço são o capital de quem é de fato livre para ir e vir, o capital de quem é livre de fato não para só para vagar sem destino predeterminado, mas como pessoa livre e natural sair da inércia dos lugares comuns e ditadura dos zeitgeists e inventar seu próprio destino, sentido a própria vida não como estado, mas como movimento.

Nada é mais perigo para o status quo, para a ditadura da preconcepção do que pessoas com tempo livre não só para não fazer nada do que eles mandam, para fazer nada da vida, mas para entender o que quer da vida e fazer com ela o que sua consciência mandar. E só há uma coisa pior que o tédio. É o vazio de não ter feito nada numa vida inteira de trabalho. E só há uma coisa melhor do que não fazer nada no tempo livre, é trabalhar como pessoa livre não só para ser independente, mas para ser livre. Libertação que nunca é só sua, mas de todos. Porque a liberdade é uma condição do espírito libertário que se amplifica junto com o mundo livre, e o mundo livre uma condição que se dissemina junto com a comunidade destes espíritos libertários.

O deus dos comunistas capitalistas de todos os estadistas é o mesmo: o trabalho alienado ao poder. Se recuse a idolatrá-lo, renegue os trabalhos alienados, exerça sua livre vontade, busque sua vocação, dedique sua vida ao trabalho vocacionado, mesmo que ninguém queira pagar por ele, desprezem ou mesmo te odeie, e você com certeza não será apenas um revolucionário, mas irá revolucionar o mundo.

Os títulos e posses concedidos pelo poder para mandar ou comprar outros seres e pessoas como coisas não dão liberdade nem autoridade legítima a ninguém, porque a liberdade legítima não está submetida a nenhuma alienação, nem contraria a autoridade natural voluntariamente reconhecida. A liberdade fundamental, o direito natural é uma condição necessária para o reconhecimento de qualquer autoridade legítima. A liberdade não está na posse do poder ou autoridade concedida pelo alheio e sustentada pelos outros, mas justamente na capacidade de ser, viver e criar independente de tudo isso. Ser livre não depende do poder que se tem, mas pelo contrário depende do quanto não se depende do poder para se viver.

A Liberdade não é dada pelos valores que se possui, mas no quanto se é livre para criar e recriar constante seus próprios valores. Não é status, é movimento. O libertarismo não é uma ideologia, não é uma verdade moral, mas natural. Direitos, liberdades e propriedades naturais não são necessidades sempre legítimas por causa de nenhuma invenção da fé ou razão, mas pelo simples fato de que não há fé ou razão, não há vida nem existência sem a preservação e garantia destes meios e necessidades básicas. A paz é uma necessidade moral do ser humano, uma escolha da humanidade, não apenas como sua forma de vida, ou organizações sociais, mas como o comportamento que um dia distinguirá nossa espécie.

Os seres humanos não renunciam a violência apenas porque entende que a paz é a melhor estratégia evolutiva, sua identidade, ou simplesmente a forma como querem ser e viver, os seres humanos renunciam a violência, sobretudo porque não estão premidos pelas necessidades vitais. Reduzidos a nossas necessidades básicas não há imoralidade, nem ilegalidade em nossas ações, não somos leões e aquele que preda para sobreviver não está livre de responder por seus atos, mas só na exata medida da liberdade de fato que possui para exercer suas capacidades humanas da autodeterminação perante a necessidade da autopreservação. E não só ninguém pode ser responsabilizado por sua falta de autodeterminação perante o perigo absoluto da autopreservação, como é garantindo todos os direitos de fato a autopreservação que se permite a desenvolvimento de nossa autodeterminação das pessoas e dos povos.

As liberdades fundamentais não são meras regras sociais, são direitos naturais, porque são necessidades que não podem ser violadas ou constituídas por regras humanas, mas precisam ser observadas pelo ordenamento moral e social se queremos constituir sociedades que não são perversas, destrutivas, antinaturais, ou meramente violentas, desinteligentes e insustentáveis. Direitos naturais não estão acima de qualquer juízo, lei, moral ou verdade, eles estão além dos seus domínios por uma razão simples: eles sequer existem onde os direitos naturais não são respeitados.

Pode se dizer que os direitos naturais são a verdadeira lei não porque exista punição para quem o desobedece, mas simplesmente porque ou não podem ser violados ou sua violação implica em dano ou destruição da própria natureza como existência. Os direitos naturais são inalienáveis e defesa a causa legítima de toda revolução pelo simples fato que sua violação não causa danos inventados ou viola leis inventadas ou corpos fictícios, mas mata, fere e extingue seres, povos e espécies vivas, dotadas de anima próprias. O atentado não contra a lei artificial dos homens, mas contra a ordem natural da vida e criação. O crime não só contra toda a existência, mas contra o próprio fenômeno material e transcendental necessário a sua geração: a liberdade como criação, e a criação como liberdade.

Quem quer viver livre e em paz precisa não só deixar os outros viver livres e em paz, precisa estar disposto a defender e preservar toda a paz, liberdade não só preservando todos meios necessários a vida, mas igualmente garantido que todos tenham o mesmo direito de usufruto e poder de decisão sobre estes meios vitais. Em outras palavras é preciso acabar como as prerrogativas de violência, e os monopólios da natureza e os bens comuns para poder garanti-los de fato e pacifica e socialmente em liberdade de cooperação e concorrência.

A ordem natural é necessariamente livre, mas não é necessariamente pacífica. E é justamente por esta razão evidente que devemos proteger a liberdade e ir contra toda violência, se não quisermos a extinção de toda a vida e natureza ou continuar “vivendo” como autômatos, escravos de máquinas estatais e privadas que nós mesmos inventamos. O problema não são os libertários nem mesmo as autoridades quando de paz, mas todo e qualquer violador da liberdade e autoridade legítimas que são de fato e fundamentalmente iguais: o direito ao usufruto dos recursos naturais básicos como bem comuns e o dever da sua preservação como responsabilidade social.

A ordem natural jamais será restituída pela ordem artificial, nem jamais parada de ser destruída por suas corporações desnaturadas e antinaturais. A ordem livre da natureza só será restabelecida e as sociedades de paz constituídas quando a cultura primitiva e corporativa monopolistas da violência, concepção e natureza forem abandonadas, e os povos e pessoas do mundo se voltarem a cosmopolitização. Quando a própria ordem natural for entendida como o princípio gerador e ordenador da sua moralidade e legalidade; quando a Liberdade for reconhecida como princípio gerador da vida e protegida.

A natureza começará de fato a ser preservada pela coexistência pacifica socialmente instituída. Quando a legítima defesa contra a violência e o poder contra seu fanatismo e supremacismo for constituída como disposição necessária não teremos apenas o início de uma revolução, mas de fato de um novo mundo fundamentado na preservação libertária da natureza. Um estado de paz e direito natural sustentado não por discursos moralistas ou direitos de papel, mas pela proteção dos meios vitais e defesa da liberdade como prática permanentemente revolucionária.

A revolução não é discurso é prática, não é o fim é meio, não é status é movimento. Não pertence a nenhum século nem a nenhuma geração, ela é do novo atemporal que se levanta por sua liberdade e criatividade contra tudo que já deveria estar ultrapassado. Que o novo venha e supere todo velho poder monopolista e violento que tente se colocar contra ele. Porque o velho não precisa ser sábio para não ser um canalha que se posta contra o novo, basta ele não encercar mais os caminhos.

Velhos corados e entronados do mundo saiam do caminho e das costas dos seus filhos! Filhos do mundo tomem o trono e as coroas dos seus pais, e deixem um legado para seus filhos, um mundo sem tronos e coroas. Sem velhos maníacos por ter e poder.

Quem quiser entender que entenda o natural, o livre e o novo, são princípios criativos que se encontram eternamente no ponto futuro não meramente da possibilidade, mas da atualidade. E ainda que jamais tenhamos olhos para ver esse tempo ou esse lugar, este novo mundo que criamos virá. Porque o futuro é o fruto de quem gera o novo. Assim como a criação é o fruto da Liberdade.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.