Repúblicas Libertárias e Democracias Econômicas 5

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Artigo extraído e Resumido do Livro Repúblicas Libertárias e Democracia Econômicas

Democracia Econômicas em Repúblicas Libertárias

Como se livrar de tudo de podre no capitalismo e ficar com o livre mercado

Capitalismo

A lei da oferta e procura está para o capitalismo como a lei da inercia está para física: teoricamente perfeita se o universo fosse teoria e não práxis. Perfeita enquanto não existe de fato. E não existi de fato porque assim como não há movimento sem atrito, também não existe para forças de vontade tempo nem espaço livres para coexistir. Não há como haver livre mercado num mundo onde a maioria das pessoas não tem meios materiais para exercer seu poder de decisão sobre o que é naturalmente seu.

Todos economistas[1] do século passado que ainda se fazem presente pelo subsidio estatal neste, se abraçam e se sustentam na defesa do mesmo erro que os sustenta: o estadismo. E se o socialismo estadista prega como correção do mal a maximização da maldade, mais poder central, o liberalismo não se redime tentando reduzir ao mínimo necessário esse mal. Pelo contrário apenas persevera em seus crimes históricos contra a humanidade, porque “o estado mínimo liberal” não é necessário para mitigar o mal, mas uma necessidade só para os supremacistas que desejam sustentar seus territórios de segregação e exploração de povos e etnias dominados como gêneros e classes sociais.

Não tenho dúvidas nem econômicas nem metafísicas, o estado (mínimo ou máximo) é certamente a materialização o mal, e a maldade só é uma necessidade para aqueles que vivem dela. O mal só é necessário para os idolatras do poder único e total que usam do liberalismo capitalista e socialismo estadista e suas leis do capital não só para encobrir seus crimes contra a humanidade, mas para continuar praticando e disseminando seu “mal necessário” com a propaganda milenar do poder supremo “do vou ter currar, mas é para o seu próprio bem”.

A lei da oferta e procura nem precisaria de um mundo sem maldade, mas apenas de um mundo livre do culto a supremacia e sistematização do mal necessário para existir; seria um bom princípio se livres mercados ao menos tivessem um lugar para existir. O problema é que livres mercados não existem e não existem porque não existem pessoas com tempo livre nem sequer para ócio quanto mais para o negócio.

Não existem sociedades livres porque haveria mercados? Mas não se iluda; livres mercados não existem não só porque há estados socialistas e liberais regulando e intervindo nas economias do mundo, mas por três razões bem mais simples e básicas:

(Uma) porque nem todas as pessoas buscam a mesma coisa;

(Duas) nem todos têm os mesmos valores;

(Três), e a mais importante todas, nem todas as pessoas tem meios suficientes sequer para perseguir seus interesses quanto mais fazer valer seus valores.

Uma negociação entre pessoas livres é feita por pessoas com meios suficientes para tomarem decisões de livre e espontânea vontade e não coagidos pela força ou por qualquer ameaça de privação que as impeça igualmente de exercer sua livre vontade. Se uma parte não tem força ou recursos necessários para exercer seu poder de decisão, não tem condições para fazer valer as liberdades de escolha até disponíveis, mas não para ela. É claro que se uma pessoa não pode manter suas posses e meios básicos de vida, seja por falta de capacidade, ou pela força das circunstancias ninguém é obrigado a prover suas necessidades, mas vir e subtrair suas propriedade ou extrair trabalho das pessoas neste estado é o exatamente o mesmo que escravizá-las.

E mais: se nos territórios ocupados e estatizados a expropriação sistemática das propriedades e alienação do trabalhado subsidia pelo monopólio da força sobre o bem comum não se provê necessária e incondicionalmente os meios vitais para as pessoas sob custodia dentro destes domínios, aquelas que morrem pela privação destes direitos naturais mais básicos não são vítimas de nenhuma desgraça natural, mas de genocídio dentro um território supremacista transformado em campo de concentração e extermínio eugenista dos povos, classes e pessoas segregadas do bem comum.

Escravidão

Por isso se uma das partes da negociação não tem meios algum para exercer seu poder de decisão sobre seu bens ou destino e durante uma negociação é obrigada a comprar, vender ou renunciar por medo ou ameaça de privação a tudo o que é naturalmente seu por direito, todos os acordos e contratos com essa pessoa privada de liberdade fundamental não são apenas nulos e ilegítimos, mas também criminosos se a outra parte participa do controle deste campo de concentração dos povos como território, o Estado.

O negócio efetuado entre uma pessoa desprovida do mínimo de segurança social derivado de propriedades e rendimentos que garantam seu sustento e liberdade mais básica, não é um negociação, mas o negócio da sua alienação e seu nome histórico é escravidão. Não se engane: o que se toma das pessoas quando se detém os meios vitais não são seus recursos ou trabalho forçado, mas as suas próprias pessoas obrigadas a se render como objetos dos privadores. E se isso não é uma violência quem estrupa uma pessoa que não tem forças para se defender ou gritar então também não comete um crime até que os violentados não se levantam contra ele.

De fato a parte que detém o capital esteja ele ofertando ou demandando tem sempre uma margem infinitamente maior de negociação contra a parte destituída de rendimentos garantidos pela expropriação de propriedades comuns e particulares que constituem sua liberdade fundamental. O individua que não tem seu sustento garantido, isto é todas as pessoas obrigadas a ganhar sua vida trabalhando não para si, mas para outrem não tem mais direitos naturais: (1) nem ao rendimento dos bens comuns; (2) nem a autopreservação por todos os meios necessários. É, portanto do próprio direito ao ócio e consequentemente ao negócio que o desprovido dos meios vitais está privado quando segregado do bem comum.

Logo o alienado por estatização não é obrigado a sustentar apenas a propriedades e rendimento alheio, mas o próprio sistema que perpetua a sua privação. Literalmente não apenas paga para subsidiar propriedades que não são suas, mas a sua continua e reiterada expropriação; paga não apenas para proteger uma propriedade que não é sua, mas para manter a si mesmo sobre suspeita e vigia- dado que é o suspeito natural de querer tomar aquilo que não se possui. E o pior de tudo paga para não continuar destituído de tudo aquilo que necessita. Ou seja, rigorosamente paga para poder cavar sua própria cova. E se foi “bem educado” desde criança ainda agradece seus senhores todos poderosos da terra e do céu pela vida maldita que não tem.

Uma pessoa submetida a esta cultura de pobreza, submissão ao poder, não é só uma pessoa obrigada a negociar sob a ameaça da privação das necessidades, é uma pessoa privada das condições básicas não matérias e conceituais para manifestar sua liberdade. Privada das condições necessárias para expressar sua consciência, concepção, sua capacidade de significação e valoração das próprias das coisas.

É um acorrentado a uma caverna; um ser humano privado dos meios vitais e conceituais para se libertar, que muitas vezes já perdeu até a força de vontade para querê-lo. Não importa o seu grau de consciência ou conhecimento, enquanto encerrados neste arcabouço dos sentidos e significação são pessoas desprovidas da liberdade tanto ideal quanto factual para manifestar sua livre vontade. Simplesmente não são pessoas livres para assinar contratos sociais ou econômicos.

E é exatamente esse o propósito da negação dos seus direitos fundamentais como propriedade e rendimentos naturais.

Livre Mercado

O indivíduo proprietário esteja ele do lado da oferta ou da procura sempre tem vantagem sobre o indivíduo expropriado, que não compete pela maximização dos seus interesses, mas antes e sempre para pagar suas contas. A escravidão contemporânea é uma mistura de servidão por necessidade e dívidas marcada, sobretudo pela absoluta alienação disseminada pela cultura da propaganda, pelo estado de inconsciência coletiva mantida pela cultura de submissão ao poder político-econômico.

Não existe livre mercado no capitalismo porque o capitalismo não é um sistema de significação das relações livres, mas de representação de poder e sua totalidade. Não existe livre negociação no capitalismo porque o capital implica na imposição de preconcepções como valor, ou melhor, signo de poder:

Que não se ganha a vida sem servir interesses alienados, as coisas só tem um valor possível e acumular esse valor deve ser o sentido da vida. Ou melhor, você pode ter o signo de valor que quiser trabalhar para quem quiser e escolher qualquer coisa mais importante do que ganhar dinheiro ou como o sentido da sua vida, desde que você passe a maior parte da sua vida trabalhando para ganhar dinheiro. Você pode tudo desde que sustente seus governo e seus chefes que não por acaso são os que controlam a emissão dos valores forçados e não você. Parafraseando Ford a essência do mercado capitalista atual é exatamente a mesma da sua democracia representativa “você pode escolher o carro da cor que quiser desde que ele seja preto”. As marcas são como os valores estão e devem estar pressupostos aos discursos.

Para haver um livre mercado é necessário que exista uma rede de livres negociações formada por pessoas livres para estabelecer suas significações próprias e comuns, suas conexões como relações de fato e não teses. Pessoas que não precisam ter necessariamente posses iguais, mas que necessariamente devem dispor de condições básicas suficientes para poder negociar sem serem ou estarem coagidas pela provação das necessidades a aceitar signos e valores que vão contra sua livre vontade.

Sem meias palavras só há uma negociação livre: entre os proprietários, que embora desiguais devem possuir rendimentos mínimos garantidos incondicionalmente para prover não apenas seu sustento mas a sua liberdade de valoração das coisas, de si mesmo e os seus. Quem luta por sobrevivência é bicho, gente coopera para competir para viver. Ou em outras palavras: Criar coisas de valor e ter vocação não é luxo de gente rica como tempo livre, mas necessidade de sociedades formada por pessoas livres.

Se um trabalhador faz greve ele negocia com sua fome contra o quê? A redução dos lucros? Aquele que não tem propriedade, não tem renda garantida, tem uma margem de negociação bem reduzida (menor que o mínimo vital) não só para vender seu trabalho, mas para comprar o quer ou pior precisa. O cidadão desintegrado e reduzido, ora a mero trabalhador, ora a mero consumidor sempre tem apenas a sua resistência as privações contra o domínio do bem comum como seu maior “valor de negociação”. Neste tipo de negação do ócio contra a vida a tendência não é o equilíbrio, mas a imposição do maior custo possível contra o mais fraco, o expropriado. Ou seja, a imposição do limiar do sustento e reprodução dos expropriados, não como seres humanos livres, mas como objetos de trabalho e consumo.

Neste sistema não há competição que seja suficiente para reduzir o preço dos produtos nem o custo humano da imposição de trabalho forçado por privação dos meios vitais porque o interesse de todo aquele que detém o capital e que em última instancia impõe as metas de produção não é produzir, mas lucrar, que quase sempre é a mesma coisa que acumular os meios de troca e propriedades de valor. Mas não sempre, onde os valores preconcebidos estão postos em questão, a maximização dos interesses não é meramente a acumulação de mais do mesmo, mas a própria imposição desta valoração como único valor supremo. Em outras palavras, no inicio e nas crises o interesse volta a ser controlar a predeterminação das coisas naturais de modo que o processo de redução dos seres naturais e humanos a coisas e sua classificação continua a ser com as coisas devem ser vistas: o real.

Porque então a surpresa se neste sistema produções são destruídas produções para elevar o preço enquanto populações inteiras passam fome? O objetivo primordial do sistema não é produzir alimentos, nem obter o maior lucro possível ou minimizar os prejuízos, mas antes salvar a empresa ou Estado, ou o que é a mesma coisa, manter o controle dos seres como coisas, manter a população que carece daqueles bens, submissa. Mercado ou Estado? Não importa, o importante é que a produção de tudo que seja absolutamente necessário não seja controlada justamente por quem carece dos meios de vida: as pessoas naturais.

O estado é um corpo artificial e as pessoas jurídicas apenas os tentáculos deste mesmo corpo. Empresas e estados não são mais sociedades, são corporações e por definição não tem mais por objetivo servir pessoas cumprindo sua razão social, mas se servir das pessoas usando da razão social para se perpetuar; são corpo artificial e não organizações de pessoas naturais. Por isso, o capitalismo não é apenas um sistema destruidor da natureza e do meio ambiente, ele é um sistema inerentemente desnaturador por imposição de meios ambientes necessariamente artificiais e distópico.

Se o estadismo é a inversão dos valores humanos e sociais que transformam as sociedades e associações em colmeias humanas e corporações que obrigam as pessoas a perpetuar a sua existência como culto, pelo sacrifício idolatra a algo que exige ser mais importante que suas próprias vidas; o capitalismo é o sistema econômico corporativo onde todas as pessoas estão alienadas a própria ideologia materialista não só mais como corpo maior, mas como a própria realidade distópica una e total [2].

Se este monopólio estatal ou privado é quebrado pela competitividade de outras empresas capitalistas ou pela regulação governamental, o resultado no final é o mesmo: o controle de alguma corporação estatal ou privada e nunca da sociedade sobre seus bens comuns. O controle burocrático e gerencial. O controle das coisas por quem não ganha propriamente como as coisas, mas antes pela falta delas ou, sua provisão regulada.

Controle Social

Certamente não desse sistema. O que o deveria orientar a produção não é a falácia da satisfação do cliente no livre mercado capitalista. O capitalista que banca a produção de um bem quer lucro, e que o consumidor se dane. O produtor quer ganhar tanto quanto quem o banca, e o trabalhador só não sonha em ganhar como os outros dois, porque o que recebe serve apenas para comprar as porcarias que produz. A divisão da produção capitalista tende a produzir tudo que há de pior, mais caro, e supérfluo possível; dado que o poder de quem detém o capital para baixar custos, aumentar preços e reduzir qualidade só tem por limite a reprodução consumidores como trabalhadores.

O que poderia mesmo baixar os preços e determinar a qualidade dos produtos, a vontade do cliente não é o fator determinante da produção e preços porque eles não são agentes no mercado, não ofertam nem demandam nada de fato, consomem e produzem. O cliente não é um player deste jogo, mas meramente uma variante a ser considerada pelos jogadores. A competição entre empresas é sempre visando maximizar seus lucros, ou seja, não há concorrência de interesses entre empresas privadas, mas uma disputa pelo domínio do mercado que termina sim com o equilíbrio entre os interesses concorrentes, mas daqueles que tem fichas e forças suficientes para competir neste jogo. E poucos são os clientes com capital suficientes para bancar seus interesses no mercado, mas eles obviamente não são estúpidos e não esperam a oferta do que tem, criam demanda do que querem. Atuam no antes e não no depois, logo não mais propriamente clientes, mas os financiadores do sistema de produção.

As empresas podem competir o quanto quiserem, que o quê você não verá no capitalismo é a queda dos preços até o menor custo possível, porque simplesmente o expropriado o reduzido a trabalhador-consumidor não tem forca político-econômicas para gerar demandas de mercado, mas sim protestos e greves. Rigorosamente não tem direitos econômicos e políticos de fato para tomar qualquer decisão nem poder para concorrer para produzir o que realmente quer. Não têm capital nem direitos de livre associação financeira e monetária que lhe permitam equidade para competir com quem detém o capital e a propriedade. O expropriado não é destituído apenas do direito de manifestar seu interesse de produção ou consumo, mas sua liberdade de bancar sua vocação criativa ou dos outros.

Ou em bom português se a maioria mal tem como se sustentar sem trabalhar para outros, como é que poderia gerar as demandas de fato financia o que quer que seja feito política ou economicamente? Sim, existem os financiamentos coletivos via internet. Mas a pergunta que vale para a democracia direita vale para e o livre mercado quem tem acesso a internet? E o quão livre politica e economicamente de fato é esse acesso?

O expropriado tem um controle praticamente nulo para reduzir os preços e aumentar a qualidade e é sempre inversamente proporcional ao grau de suas necessidades e falta de meios para bancar sua própria pessoa não apenas naquilo que ela é, mas naquilo que ela precisa minimamente ter para ser. O trabalhador concorre de fato pelos seus interesses sociais econômicos ou políticos, ele simplesmente não tem como bancar seus interesses e quem não se banca não é independente, e quem não pode de fato se bancar nem é livre é.

No estadismo, o trabalhador é e sempre será o cliente, hora dos políticos hora das empresas que lhe fingindo dar de graça ou cobrando um preço justo o que não sequer delas dar nem cobrar na verdade estão lhe roubando. Logo, para que os preços fossem os menores possíveis (ou pelo menos justos), e os produtos os melhores possíveis (ou pelo menos os que as pessoa querem), seria necessário maximizar a competitividade pela maior diversidade possível de competidores, seria necessário que cada consumidor insatisfeito fosse senão um potencial concorrente, ao menos um potencial financiador associado de um potencial livre empreendedor e concorrente. O que obviamente só aconteceria, ou melhor, só acontece onde e para aquele “consumidor” que tem capital e liberdade de associação financeira não apenas para gerar a demanda produtiva depois no mercado, mas antes nos meios de produção. Demandando a produção de acordo com suas especificações e competindo com todos os que querer monopolizar o mercado e comercializar o lixo para os outros.

Se todas as partes interessadas em maximizar seus ganhos não só tivessem capital para fazê-lo, mas tivessem liberdade econômica e política para determinar quais são seus interesses e valores em associação; se cada pessoa tivesse o direito de competir economicamente para controlar a produção através da liberdade associativa então o interesse das pessoas voluntariamente associadas prevaleceria sobre das corporações privadas e estatais. Teríamos assim um livre mercado onde você poderia comprar o que quer, e não o que eles querem que você compre; e por uma razão tão simples quanto ridícula: é você que controla de fato suas posses e riquezas particulares e comuns e não mais eles.

O controle das coisas deveria ser, portanto daqueles que querem a sua provisão e não daqueles que para ganhar com o sistema reiterado da sua privação e provisão segregada e regulada. Mas o controle da produção está exclusivamente nas mãos de quem detém o capital. Entretanto não é preciso ser tomado deles. Precisamos apenas acabar com seu monopólio simplesmente garantido socialmente a concorrência das pessoas verdadeiramente interessadas na produção do bem comum e serviços sociais. Garantir que o capital esteja nas mãos de quem sabe produzir e de quem quer que os bens sejam produzidos, e não de gente que não tem interesse não sabe, não tem interesse na produção nem no consumo do bem, mas tão somente em empurra-lo goela abaixo dos outros ou pior impedir que os outros tenham o que precisam.

Democracia Econômica

Quem o tem interesse de fato na produção deveria poder financiá-la. Quem tem interesse de fato na produção de algo não poderia ser impedido de usar sua participação nos fundos de rendimentos comuns para financiar o que mais lhe interessa. Os cidadãos reduzidos a trabalhadores-clientes deveriam ter o capital garantido não apenas para sobreviver e reproduzir, mas para bancar diretamente sua produção e desenvolvimento.

Os interessados na aquisição e consumo de bens e serviços não deveriam apenas comprá-lo prontos deveriam poder financiar sua criação. Deveriam ter a liberdade de fato, para sem restrições sem interferência ou imposições de nenhum poder, se unir com outras pessoas interessadas nestes bens e serviços comerciais ou sociais.

Se existe uma fazenda de maçã ela deveria ser financiada não por banqueiro nem em hipótese alguma por uma empresa gerida para maximizar lucros, mas sim logicamente por quem gosta e quer comer as melhores maçãs produzidas por quem eles consideram que são os melhores produtores. Porque se quem bancasse a produção fosse quem iria também comê-las o interesse de quem banca seria o mesmo de quem consome e o interesse particular seria comum, ou melhor, não estaria desintegrado dele. Quem compra uma casa e a financia para morar não está propriamente preocupados como seus lucros de venda, mas com a melhor casa que seu dinheiro pode comprar, exatamente o que faz qualquer acumulador de lucros, que se acumula lucros vendendo lixo é para no final das contas comprar o que há de melhor que o dinheiro pode pagar.

Quando se quer usufruir o melhor os interesses mudam e as escolham deixam de ser a troca e passam a ser o uso. Quem investe hoje não se serviria do lixo que produz para os outros justamente porque não poderia mandar produzir uma coisa para si e outra ou nada para os outros. Não poderia gerar duas demandas distintas de produtos uma para si o financiador e outra para o resto os clientes.

Um estadista logo bradaria pela criação de uma lei obrigando o produtor a consumir o que produz. E até acho que um selo de quem produz consume seria emitido pelos próprios produtores ajudaria a guiar o investimento dos consumidores. Mas é importante saber que estas certificações servem igualmente aos serviços públicos, e que este em verdade não só não deveria ser um monopólio, mas deveria ser regido pelo mesmo principio, o contribuinte deveria controlar o orçamento, ou melhor, os orçamentos porque estes estariam descentralizados e competindo para receber o investimento do cidadão dono da sua propriedade comum e rendimento básico.

A solução, portanto para atender os interesses daqueles que pagam por qualquer serviço ou produto seja ele público o privado ou mesmo financeiro é parar de subsidiar a sua produção estadista capitalista e depois comprar o que os donos do capital impõem que consumamos, mas formar sociedades mútuas para financiar a produção sistemática e consumo do que necessitamos e queremos provendo-o com o menor custo possível. Não há nenhum problema em terceirizar a produção e a administração inclusive política, econômica ou financeira, mas que os mais capazes compitam para prover o melhor serviço e produto. Porém desde que aquele que paga e usa o cidadão não seja obrigado a renunciar por coação ou privação ao controle da alocação dos recursos particulares ou comuns, o controle político-econômico sobre seu bem comum, seus interesses- e no final das contas destino da própria vida.

Se quem deve produzir e enriquecer é quem tem a capacidade e capacitação para produzir o melhor produto ou serviço, quem deve reconhecer proteger e gerar e financiar essa riqueza é quem se beneficia do que é produzido com ela: as pessoas que compõe as sociedades e suas associações. Quem tem o interesse deve poder se associar para alocar os recursos necessários para financiar o que realmente lhe interessa. Quem deve controlar não apenas o financiamento do ele quer e necessita, mas sua disponibilização são as pessoas interessadas no consumo financiando produção.

As pessoas não devem ficar literalmente a mercê de burocratas e tecnocracias ou especuladores porque se eles não fazem o que elas querem é porque seu interesse é outro e está garantido: tanto não consomem o lixo que produzem quanto usam de sua posição privilegiada para garantir seus bens distintos. Quem paga pela produção tem o direito de consumir conforme a demanda não de um poder central, econômico ou político, mas conforme a decisão da sociedade. A solução está, portanto na capitalização das pessoas e na sua liberdade incondicional de sua associação mutual financeira para bancar e controlar a produção de todo e qualquer bem incluindo os meios de troca sem a ingerência de nenhum poder central ou poder centralizador. Democracia direta política e econômica.

A liberdade não é a escolha política ou econômica entre possibilidades e alternativas predeterminadas, mas a autodeterminação das possibilidades e alternativas políticas e econômicas. Algo que exige tanto a livre associação quanto a disposição de condições permanentes que garantam o acesso aos meios vitais e o estado de paz daqueles que compartilham um mesmo lugar.

Democracia direita não é apenas a autodeterminação política de uma pessoa sobre seus bens comuns, mas antes a autodeterminação econômica de uma pessoa sobre suas propriedades naturais para a formação dos bens comuns. Democracias são formadas por repúblicas livres, por sistema de proteção social, sociedades mútuas contra os monopólios da violência e poderes centrais.

Repúblicas Libertárias

Sim, é a revolução do capitalismo não passa apelas pela garantia de uma renda básica para que todas as pessoas possam de fato participar da sociedade como livre mercado, mas passa necessariamente pela inversão da ordem do capital onde o maior interessado o trabalhador-cliente não é último a manifestar o seu interesse, mas o primeiro seja financiando suas obras e produções, seja financiando as obras e produção que deseja usufruir. A desculturação do culto ao poder pelas sociedades para a arte e desalienação da produção criativa.

Quem deveria controlar a oferta do que quer é quem de fato procura. E que para procurar de fato precisa ter os meios necessários para gerar a demanda produtiva. Não apenas porque é ele o fator determinante da demanda e do sistema mais descentralizado auto-organizado e eficiente possível de alocação de recursos, mas porque é ele o coproprietário natural dos rendimentos dos bens comuns do território que ocupa em comunhão de paz com as outras pessoas que compõe não só sua nação ou seu estado, mas seu mundo natural sem fronteiras ou segregação.

Mundo que precisa ser socialmente protegido por sua disposição cosmopolita de provisão universal sem discriminação ou segregação. E tão extenso quanto a rede de proteção da sua sociedade e suas conexões com todas as outras que compartilham do mesmo principio.

Porém apenas uma rede de proteção social sem fronteiras destinada a garantir o mínimo vital para todos como renda básica universal não seria suficiente para fundar sociedades e repúblicas libertárias. As pessoas também deveriam poder investir em fundos mútuos capazes de bancar empresas e bancos e serviços públicos e sociais livres. Um livre mercado social competitivo.

Não é, portanto o Estado nem os maximizadores de lucros que devem estabelecer a oferta nem a provisão dos bens e serviços sobretudo os públicos e sociais, mas as pessoas de acordo como seus interesses particulares que são tanto comuns quanto difusos. O capital distribuído não só igualmente, mas em uma razão suficiente para que todas as pessoas de paz possam participar da alocação de recursos produtiva é a base fundamental não apenas para a fundação de um livre mercado de interesse social, mas de uma verdadeira democracia econômica. Ou melhor, de uma verdadeira república libertária composta por tantas associações financeiras e produtivas voluntárias quanto a diversidade de interesses dos seus financiadores-consumidores.

Não apenas uma democracia direta, mas república libertária constituída pela disposição incondicional de garantia dos bens comuns e meios vitais para a liberdade fundamental não só como respeito as diferenças mas multiplicidade de valores em comunhão de paz. Para tanto, o capital deve estar nas mãos de todos que tem o interesse produtivo, o trabalhador ou empresário, mas, sobretudo nas mãos das pessoas naturais e humanas e não centralizados nas mãos destes monstros corporativos — estatais e privados. O capital deveria estar nas mãos de quem é de direito natural: as pessoas naturais e suas sociedades, e não sob o controle dos alienados e egregados dos estatais e corporativos; e por um motivo muito simples, porque pessoas livres não idolatram e sustentam a privação a guerra e o poder, mas prezam e valorizam naturalmente a vida, a paz e liberdade.

[1] Generalização propositalmente injusta, há bons pensadores libertários que abordam com o rigor que não tenho a economia. Vide Kevin Carson, mas justamente por serem bons seu pensamento não pode ser reduzido apenas a economia e acredito que eles preferem ser conhecidos como libertários e não economistas.

[2] O império dos monopólios estatais e seus apartais entre povos e classes, não apenas desintegra a humanidade e impede a emergência da cosmopolitização, mas mantém todo o mundo egregado desumanamente na cultura do perpetuo conflito e discórdia internacional. A egregora da discórdia é uma cultura de ódio entre os povos e classes é o próprio culto supremacista ao absoluto encarnado pelas potencias idolatras do seu poder.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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