Renda Básica Genuína? Plunct, Plact, Zum não vai lugar nenhum

Uma carta aberta aos “genuínos” ativistas da renda básica

Image for post
Image for post

“Tem que ser selado, registrado, carimbado
Avaliado e rotulado se quiser voar!!
Se quiser voar
Pra lua, a taxa é alta
Pro sol, identidade,
Mas já pro seu foguete viajar pelo universo
É preciso o meu carimbo dando, sim sim sim sim”

O que é preciso para realizar um projeto ou ação genuína de Renda Básica Universal?

Não sei, não tenho o mapa de todos os caminhos que vão dar na renda básica “genuína”. Nem tanta pretensão assim. Mas posso contar sobre os caminhos que abri e trilhei e onde ele foram dar. Um caminho que pode ser muito útil para quem não tem autoridade, autorização, apoio e nem muito menos grana. Pelo contrário, tem tudo isso contra. E mesmo assim quer sair da inércia e não envelhecer frustrado com seus projetos parados na garagem.

Vamos lá…

Para quem não tem muita coisa além da sua boa vontade, eu só tenho 2 dicas para dar:

A primeira é tomar ciência das teorias e práticas disponíveis como referência . E a segunda é pegar o que acha que presta e mandar um “foda-se” para todo o resto. Aliás não precisa nem perder tempo mandando, basta pegar o que interessa e jogar o peso morto fora, que você já mandou.

E se quiser mandar eu e minha cagação de regras pro mesmo lugar, manda que eu vou também. Manda porque o que move a verdadeira renda básica não são predefinições vazias e letras mortas. Mas sim a palavra e ação viva, sem carimbos de qualquer um que se ache um sumo-sacerdote da sagrada igreja católica romana da renda básica.

Ou o quê? O que há a temer? Eles tão te pagando? Eles vão pagar a renda básica? Não? O que eles vão fazer, te processar? Mandar prender? Ameaçar de morte? Não. Então o que eles lhe impedem de levantar voo por conta própria?

Olha, eu já trombei com gangue de políticos, mas nunca vi gangue de intelectuais. Então posso garantir que não ter a chancela e a benção dessas autoridades é o menor dos problemas. Ou o que eles podem fazer? Ignorar? desqualificar? Difamar polidamente? E isso aí é bloqueio? É intimidação? De boa, de que lugar você vem? Isso no máximo é bulling de escolares. Coisa de primeiro mundo. E não estamos falando da renda básica desse mundo, mas de renda básica para todo mundo, todo mundo de verdade, incluso a gente que não é nem cidadão nesses lugares. Nós!

Estamos aqui falando de renda básica para todos na real e não no papel. Ou seja, renda básica que inclui na prática também as pessoas mais pobres que mais se precisa de uma, nos lugares mais pobres e esquecidos do mundo. Estamos falando de renda básica para pessoas pobres, marginalizadas, segregadas, discriminadas, excluídas, ignoradas, desqualificadas, refugiadas, sem cidadania, chancela e autorização sequer para viver. É dessa batalha real que estamos falando, não dessa pentelhação intelectual de quem é “só o chato que dá no saco do outro chato”, esse grande sim é o perigoso porque detém o poder de fato legal (ou nem tanto) para dar fim em seus projetos, ações e se bobear até você.

O que os intelectuais querem afinal? Os nomes? Os termos? as definições? O palco, então entrega para eles!!! Deixe eles em paz nas suas torres e clubes, na sua masturbação intelectual coletiva e lambeção de saco de políticos e governantes. Eles não vão fazer nada. E você sabe que não vão, não é? Porque se não for você mesmo, sim você que não é ninguém a fazer alguma coisa, quem vai fazer? Os governos? Os barões do capital? Pode até ser, mas você sabe que a “genuína” renda básica deles não vai nem ser parecida com o que você pensava que deveria ser uma renda básica.

O que esses papas podem e querem demais com seu furor dogmático e fundamentalista? Qualificar e desqualificar as rendas básicas para excomungar quem não se submete a autoridade da sua Santa Sé? Querem a propriedade intelectual da renda básica? Querem a marca? Então entrega para eles meu amigo, e continua fazendo. Entrega ou continua usando, tanto faz, porque não interessa o que eles querem, mas o que você quer.

O que você quer com a renda básica?

Ou o quê? Qual é o seu propósito?

Você quer acabar com a miséria das pessoas com a renda básica ou quer usar as pessoas miseráveis para colocar a sua marca da renda básica? Pelo que você luta? Você está na guerra de egos por nomes e carreiras? Ou está lutando para colocar um fim no sofrimento das pessoas? A renda básica é o que para você? Uma doutrina, uma ideologia, ou um meio, um instrumento para acabar com a miséria material e política das pessoas? O que é a renda básica para você? Um solução libertária e democrática ou um dogma fundamentalista autocrático, capitulo 3 versículo 4 aprovado pelo consílio sei lá de quem ou da onde?

E se surgisse uma outra solução social que não só não se enquadre nos velhos ditames da renda básica, mas que de fato não seja uma renda básica, e ainda sim cumpra a sua finalidade social? O que você faria então? Diria: “não. Isto não é a minha renda básica(???)” Afinal quem é você? O que você quer? Acabar com a miséria usando a renda básica? Ou se promover usando a renda básica e a miséria?

Não precisa responder. Essa é uma resposta que só interessa a sua dignidade, mas para o futuro da renda básica e do mundo isso pouco importa. Porque com ou sem dignidade quem tiver a tecnologia e o capital, é que vai colocar a renda básica de pé, e dar o nome que bem entender a isso. Isto se quiser. Porque na verdade quem detém o poder de fato pode fazer exatamente oposto: colocar qualquer coisa, mesmo que completamente o contrário de uma renda básica, e chamá-la de renda básica. E eis que vocês verão os milagre que o poder e dinheiro fazem por aqueles que tem fé neles. Convertem os mais intransigentes fundamentalistas em transgressores tolerantes, e fazem até os mais cegos enxergar renda básica até mesmo em bolsas-famílias.

Na prática, os novos player do Vale do Silicio, que entraram no jogo da renda básica agora, são de longe quem tem mais chance de definir o que será de fato essa tal renda, ou que qualquer coisa do mesmo nome. Se quiserem podem cortar essa querela que não leva (literalmente) a lugar nenhum com um nó górdio, simplesmente colocando o ovo em pé. Ou pegando o que está de pé para eles. O que eles querem? Quais são seus interesses na renda básica? Há controvérsias.

Mas não haveria certas características que uma renda básica precisa ter para ser verdadeira?

Então estou dizendo que não existe uma definição de renda básica?

É claro que tem. E uma das mais importantes delas é não impor nenhuma dessas características autocraticamente, de modo a fazer das suas preconcepções teoréticas uma condição para que as pessoas receberem a sua renda básica! Porque essa imposição se não uma nulidade, há se tornar uma condição que pressupõe que o predefinidor detém o poder para conceder (ou não!)o minimo vital de outra pessoa. E se há uma coisa que a renda básica ensina é que esse poder de uma pessoa sobre outra é uma usurpação que jamais deveria existir!

Porque quer a pessoa concorde que todo mundo deva receber uma renda básica sem nenhuma discriminação, segregação ou imposição de condição, ou com nada disso, seu direito uma renda básica derivado como dividendo social derivado da propriedade de um bem comum permanece inalienável assim como seus direitos de propriedade sobre o que é bem particular. De modo que também sobre tudo que é particular também que se respeitar o consentimento das pessoas em participar da renda básica ou o que é a mesma coisa de assentir com a sua definição.

Aqueles que defende mesmo a mais universal de todas as rendas básicas, uma renda básica não só para quem viva no seu território, ou tenha a raça, nacionalidade ou cidadania, mas para todo estrangeiro em qualquer lugar do mundo. mas não paga para uma unica pessoa sequer, nem mesmo o seu vizinho. Qual é o validade ou autoridade da sua opinião sobre a renda básica no estrangeiro ou na sua própria vizinhança? Fora a da coerência dos argumento é nula. Porque a renda básica neste caso é resultante do acordo entre todas as partes, as que pagam e recebem. E quem não concorda em pagar nada nem receber, não tem nenhum direito nem poder de fato (ao menos construtivo) para definir o contrato social alheio. Literalmente não tem jurisdição, nem autoridade, de tal modo que se quiser fazer da sua prepotência e autoritarismo mais do que uma piada, vai ter que impor seus preceitos com tirania e violência.

Quem não não contribui absolutamente com nada só tem um modo de fazer valer o que ele pensa independente da opinião alheia : com brutalidade da imposição ou repressão. Ao contrário de quem contribui ou participa solidariamente não precisa da autorização nem opinião de ninguém alheio para fazer valer sua aprovação ou contrariedade, basta dar ou retirar sua contribuição ou participação mesmo que essa participação seja só o consentimento em recebê-la.

Eis mais uma razão de todos terem uma renda básica derivada da participação no bem comum. É como ela que todos sem exceção tem os meios absolutamente impreteríveis para negociar os termos dos seus contratos sociais e proteção mutual. Porque a assimetria entre quem paga e quem recebe não pode ser tal que o consentimento do outro esteja reduzido ao mero receber.

Logo não só existem princípios que definem o que é a renda básica, mas entre todas as predefinições essa é mais uma: assim como não se pode tomar nem regular o que é participação do outro no bem comum. Não se pode impor não só nenhuma contribuição, mas nenhuma predefinição para rendas básicas que são financiadas por particulares. Assim além da força da coerência do seus argumentos, na prática a força de uma opinião em sociedades exclusivamente de paz é exatamente o da extensão da participação da pessoa. Já em estados onde existem prerrogativas de uso da violência não só a validade é defina pela intimidação e repressão como apelando as elas, se invalida a opinião de quem de fato participa. Sem o subsídio dessas prerrogativas o insolidário e prepotente não conta então com mais nada senão a submissão voluntária do outro a suas regras e autoridade.

Será que é tão difícil entender assim que o fato de possuir uma verdade, não dá a ninguém o direito de impô-la. Que a imposição do conhecimento não é dar a conhecer, mas sua negação? Que a verdade dos princípios não estão só na finalidades, mas no método? Enfim será que é tão difícil perceber que a legitimidade da renda básica carece do respeito a democracia e direitos individuais? E que estas coisas assim como a própria renda básica se desmancha quando impostas? Que toda imposição é contradição de termos e princípios que definem a renda básica?

Mas Voltemos para a guerra de nomes e egos.

O mundo enfrenta uma onda autoritária e reacionária. E é claro que a renda básica mesmo sendo uma proposta extremamente progressista e revolucionária não ficaria incólume. Mais do que isso. É claro que depois de vencida a barreira da desqualificação de toda renda básica como utopia que novas trincheiras se abririam contra ela enquanto desqualificações das práticas que já não podem mais fingir que se “não existem” ou que são “insignificantes demais”.

Não se pode achar que vamos chegar e dar um basta, e dizer “chega de papo e vamos fazer” e não vai haver nenhuma reação. Era lógico que quem tinha interesses direta ou indiretamente relacionados a renda básica (ou mais precisamente na falta concreta de uma), iria reagir para defender o seu. Era de se esperar que quem ganha (e muito) não ficaria de braços cruzados. Mas não há porque temer toda essa vontade autocrática de qualificar e desqualificar. Porque outros caminhos já foram abertos, e barreiras quebradas. Não se preocupe porque a renda básica já não lhes pertence, nem está a seu alcance, não como monopólio, não para derrubar e trancar as novas práticas nos seus velhos arcabouços dos lugares nenhum e comum. É um ideal que já não é mais o sonho e a utopia guardada bem longe dos movimento sociais e populares. Foi, véio, voou. Para o horror da sua sacrossanta autoridade a renda básica, esse ideal já não é mais a sua velha utopia de estimação encerrada em seus domínios, mas uma protopia cidadã e popular que está sendo construída apócrifa sem seus mandamentos. De tal modo que agora a eles só resta isso mesmo: tentar rotular e desqualificar, tentar colocar seu carimbo de não aprovado.

Ignorar e fingir desimportância ou até mesmo renegar a existência é uma estrategia eficaz para desmobilizar e destruir a autoestima e autovalorização das iniciativas sociais e cidadãs, mas somente contra quem não tem consciência dos interesses dessa fogueira de vaidades e do valor da sua liberdade e independência. Quem conhece as duas coisas sabe que eles não entendem bulhufas do que é verdadeiramente uma renda básica, sua práxis, sua ética inerentemente libertária. São velhas virgens e beatas falando de um prazer que desconhecem: o dar sem esperar nada em troca. Não sabem que a liberdade, a libertação da renda básica não esta somente no falar ou recebe-la, mas no ato de pagá-la e com o que é seu e não do outros. Não tem a minima do que é o esse ato incondicional que liberta as pessoas tanto as que recebem quanto as que pagam. Não conhecem e não saberiam reconhecê-lo nem se ele caísse de graça sobre a cabeça deles.

Tentar definir o existente pelo universais que não existem fora do mundo das ideias, e não pelos particulares que constituem de fato os universais como manifestação concreta do universal é uma querela medieval. Pode funcionar dentro dos próprios cultos mas não entre para quem não é crente e define a validade das suas teorias pelos resultados das experiências e não as o valor e resultados das experiências de acordo com suas preconcepções. De tal modo que seu fervor e furor em qualificar e desqualificar, desclassificar o que não tem nenhuma prerrogativa nem poder, nem conhecimento de causa é praticamente inofensiva e chega até a ser cômica. Desde que é claro eles não encontre o subsidio da força de fato a legal para se impor sua cagação autoritária de regras. E é quanto a isso que devemos estar atentos.

Enquanto estiverem restrita ao plano intelectual acadêmico essa prepotência autocrática e fundamentalista, claro que não ajuda, mas pouco atrapalha. De tal modo que suas posturas autoritárias e dogmática são mais problemas deles do que dos outros. Ademais aprovar ou reprovar o que quiserem é um direito deles, como é o nosso de não dizer amém e afirmar e fazer o contrário o nosso. E é quanto ao cerceamento desse direito que devemos nos preocupar. Porque a luta por afirmação e legitimidade existencial em todos os planos faz parte da própria luta pela renda básica. A luta real e não a guerra dos papeis.

O que as as inciativas populares e cidadãs não só de renda básica, mas da sociedade civil organizada em geral que atuam em diferentes causas do interesse público e social principalmente as periféricas e marginalizadas , devem estar alertas é para os movimentos que essas estratégias de desconstrução e desintegração vão tomar. Porque essas estratégias inerente aos campos autocráticos do saber e da política embora se vendam separados, estão umbilicalmente entrelaçados com a mão que alimenta e a boca que come e quase sempre se reencontram e se abraçam.

Luta de classes?

Entretanto isso não é nem deve ser visto como nenhuma luta de classes. Os meios intelectuais e acadêmicos não são uma classe antagônica a sociedade, nem muito menos monolítica. Nem mesmo a classe politica formada por burocrática, tecnocrática e políticos e militantes partidários ou para-governamentais o é. Mas ignorar que essa guerra epistemológica por apropriação e monopolização dos termos definições, normas e regras essa luta por hegemonia é um erro tão grande quanto se deixar frear para ser envolvido nela. Deixe-se engolir por essa classificação e a luta será a únicas para sair da sua condição vira-lata que as divisões por classe e classificação ensejam. Deixe-se enquadrar nas sua classificações e desclassificações e você não será só apagado da sua própria história mas desterrado do seu campo de interesse e saber. Será reduzido (novamente) a objeto de estudo e não produtor do seu próprio conhecimento e mundo. Por isso, antes de se perguntar sobre se há uma luta de classes, devemos nos perguntar existe classificações qualificando e desqualificando dividindo e segregando as pessoas, os movimentos as sociedades. Porque onde não há segregação, porque haveria luta?

Tentar portanto desqualificar projetos sociais iniciativa cidadãs de renda básica porque não foram criados, chancelados, ou não se adequam as mais novas ou velhas normas e processos da santíssima trindade do economismo, governismo ou academicismo, cada qual tentando manter seu monopólio politico, econômico e cultural pode funcionar, mas somente se cairmos nessa armadilha das (des)classificações que dividem e desintegram não apenas a sociedade mas as pessoas e ações das sociedades.Nada que nesta fase atual da prepotência sem o subsidio da intimidação das potencias destrutivas de fato não se resolva com um belo: “foda-se, vamos fazer e chamar como quisermos” não resolva.

Definitivamente esse não é um problema que se resolva com ideologias de classes, mas como uma pergunta e resposta simples individual : “você vai só ficar falando só fazer alguma coisa? Tá pagando? Não? Então sai da frente que eu estou passando.”

Dito isso se eu estiver atrapalhando por favor fiquem a vontade e passe por cima, mas com ações e não proibições ou desqualificações. E Plunct, Plact, Zummm, pode partir sem problema algum. Até porque não sou nenhum carimbador maluco, sou brasileiro, só mais uma mosca na sopa… tentando viver.

Mas ora, vejam só, já estou gostando de vocês
Aventura como esta eu nunca experimentei
O que eu queria mesmo era ir com vocês
Mas já que eu não posso, boa viagem!
E até outra vez!

Plunct, Plact, Zummm
Pode partir sem problema algum
Plunct, Plact, Zummm
Pode partir sem problema algum

Boa viagem

Image for post
Image for post
https://www.amazon.com.au/UNIVERSAL-BASIC-INCOME-Bruna-Augusto-ebook/dp/B01N6565Q6

“Renda Básica Genuína”… Pois é mais essa… agora conta outra… porque por essa tal de renda básica eu tô pagando e não é só pra ver não…

Fui.

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store