Renda Básica decolando: novos projetos em todas as esferas… Governamentais, Não-Governamentais, Municipais e Nacionais!!!

Traduzido aqui.

Em plena guerra da total informação, desinformação e contrainformação eufemisticamente denominada de era da pós-verdade. Nesta onda tão favorável aos demagogos e populistas e seus factóides, em plena carga da aristocratas e seus ricaços fantasiados de pobres com melancias penduradas no pescoço e seu higienismo e desmonte e precarização de direitos sociais a sociedade e o cidadão enfim começa mostrar, resiste proativa e reage, começando de fato a dar os primeiros passos concretos para o futuro.

Vocês não fazem ideia com que felicidade e satisfação transmito a noticia que uma organização não-governamental a cashrelief.org não irá deixar a experiência da renda básica na Índia parar! reiniciando o pagamento inclusive em algumas das vilas onde a primeira experiencia indiana (2011–2013) teve lugar! E não só o fará, mas como utilizará para tanto o modelo que consideremos um dos mais promissores popularizado e disseminado mundo afora pelo GiveDirectly desde 2009: o das doações de cidadão dos mundo para cidadãos do mundo. Modelo que não por acaso adotamos e que foi o que permitiu que constituíssemos e mantivéssemos a experiência de Quatinga Velho desde 2008. E aqui vem a essência dessa mensagem:

Mesmo que uma ONG não tenha a estrutura tecnológica ou financeira de organizações como o GiveDirectly.org ela pode emular satisfatoriamente o sistema dentro das redes sociais sem necessariamente precisar constituir um sitio especifico para manter um projeto-piloto!

Esse modelo de doações voluntárias universais é uma rede. E a rede pode se constituir através de diferentes mídias sociais na internet que por terem arquitetura de redes, assim são denominadas como: facebook, twitter, etc… É sempre possível se virar com o que se tem. Porque quem não tem cão caça com gato.

Hoje ha inclusive n ferramentas de financiamento coletivo, os vaquinhas virtuais os crowdsourcing que podem otimizar e automatizar ainda mais esse processo, mas ele pode ser efetuado, claro que com muito mais esforço e trabalho mesmo essas ferramentas.

Novamente aqui falo com conhecimento de causa. A experiência de Quatinga Velho, nasceu bem antes e se manteve sem tais modelos. Obviamente que se com parceiras e suporte seria muito melhor, mas se você quer realmente colocar de pé um projeto-piloto realista dentro das suas capacidades e disponibilidade de recursos financeiros e parcerias você pode fazê-lo apenas usando ferramentas que, embora infelizmente ainda não universalizadas às pessoas mais carentes e marginalizadas, estão ao alcance até das organizações sociais, mesmo as mais periféricas ou outsiders do mundo.

O recurso inicial correspondente ao primeiro pagamento da RBC foi disponibilizado em sua totalidade pelos 2 primeiros consorciados membros do ReCivitas e proponentes do projeto, que inspirados no exemplo de Muhammad Yunus , contribuíram com o total de R$ 810,00 para que a RBC se iniciasse ao menos com R$30,00 por pessoa, pois este seria o valor estimado segundo cálculos preliminares para que a transição do Programa Bolsa Família à RBC ocorresse sem prejuízo aos rendimentos de uma família média. Os recursos para os meses seguintes vieram da divulgação direta da iniciativa a entusiastas da RBC e membros das redes sociais que participamos, em conversas pessoais ou por e-mail. Destacamos as contribuições vindas da Costa Rica, após visita de Ramiro Crawford, membro do Partners of The Americas a Quatinga Velho; da Itália, em contato iniciado na sede virtual do ReCivitas na “plataforma virtual SecondLife” em 2007; e de Santo Antônio do Pinhal onde importante movimento popular se articula para fazer deste município o pioneiro da RBC no Brasil. — RELATÓRIO SEMESTRAL DO CONSÓRCIO DA RENDA BÁSICA DE CIDADANIA EM QUATINGA VELHO, MOGI DAS CRUZES — SP. — Bruna Augusto Pereira, Marcus Vinicius Brancaglione dos Santos, Marli Brancaglione dos Santos, Pedro Theodoro dos Santos Neto, 2009 fonte: recivitas.org

Na verdade como empreendimento social, como livre iniciativa cidadã, um de projeto renda básica pode nascer literalmente como empresa familiar na garagem da sua casa…

Pode não virar uma Nike (graças a deus), mas pode ganhar o mundo e o que é o mais importante, mudar a vida das pessoas que entram em contato com ele tanto na pequena comunidade onde ele foi feito, quanto em qualquer lugar que sua história sirva de inspiração.

E uma coisa é certa, nunca é um investimento a fundo perdido, em nenhum sentido, porque o que vai volta como inspiração e força ainda maior. Em sinergia. como a Finlândia, Índia e Livorno, Itália.

Traduzido: aqui.

Essa é uma ação governamental e municipal. Que pode quem sabe acordar a prefeitura de Santo Antônio do Pinhal a dar um final feliz a sua Happy History e iniciar progressivamente a experiência na cidade. Porque ela e quem lutou pela renda básica merece não só reconhecimento, mas a efetivação de tudo que construíram voluntariamente.

“Eu acho que subestimei esta nova era da informação, onde é possível que a desinformação promovida pelo hackeamento cibernético tenham impacto nas nossas sociedades abertas”, afirmou. — Obama (fonte sputniknews)

Na era guerra total da desinformação e contrainformação só há uma defesa para quem está no front da resistência da humanidade: a Ação. Ou em outras palavras: chega de papo e enrolação e fantasia… Renda Básica Universal, oxê:

Em rede e na Rede: de cidadão do mundo para cidadão do mundo. De pessoa para pessoa.

“E solta a serpente…

“Quem não tem colírio, usa óculos escuros

Quem não tem colírio, usa óculos escuros

Quem não tem papel dá o recado pelo muro
Quem não tem presente se conforma com o futuro

Essa luz tá muito forte, tenho medo de cegar
Os meus olhos tão manchados com teus raios de luar
Eu deixei a vela acesa para a bruxa não voltar
Acendi a luz do dia para a noite não chiar

Já bebi daquela água quero agora vomitar
Uma vez a gente aceita, duas tem que reclamar
A serpente está na terra o programa está no ar
Vim de longe de outra terra pra morder teu calcanhar

Quem não tem colírio, usa óculos escuros
Quem não tem papel dá o recado pelo muro
Quem não tem presente se conforma com o futuro

Essa noite eu tive um sonho, eu queria me matar
Tudo tá na mesma coisa, cada coisa em seu lugar
Com dois galos, a galinha não tem tempo de chocar
Tanto pé na nossa frente que não sabe como andar” -Raul Seixas, Como Vovó já dizia (versão alternativa ou censurada)

Complemento:

Não preciso dizer que não tenho dúvidas, precisamos de modelos experimentais com avaliações cientificas, mas estas experiências não podem mais estar apartadas do mundo real. Não podem ser laboratório de experimentos sociais com seres humanos.

Precisamos de produtores de conhecimento comprometidos com os anseios, dúvidas e necessidades das populações e sociedades e não de seus chefes privados ou governamentais. Precisamos de estudos independentes que respondam as perguntas não dos estados falidos e mercados financeiros parasitários, preocupados em produzir novas farsas que substituam os direitos precários, os programas compensatórias e assistencialistas e claro os empregos estúpidos e indignificantes- quando não servis mesmo.

Precisamos de cientistas livres do arcabouço das premissas e valores neoliberais, que não se finjam de robôs desinteressados ou a parte das necessidades, vulnerabilidades e interesses mais do que evidentes dos seres humanos. Precisamos de cientistas sociais que não ponham em duvida as necessidades e capacidades naturais das pessoas e comunidades, nem que se ponham ao serviço sujo de questionar ainda que subliminarmente em seus metodologias direitos humanos e naturais inalienáveis aos quais não cabem questionamento não por fundamentalismo ou supremacismo ideológico ou moral, mas por necessidade de ordem geracional, dado que não apenas o ideal e a moral carecem de liberdade conceitual para serem concebidos mas a próprio ser pensante carece de condições vitais básicas para materializar todo seu potencial.

Pessoas desprovidas do mínimo vital não podem ser reduzidas a mero objeto de estudo, elas devem ser sujeitos da construção sobretudo pedagógica do seu conhecimento. Conhecimento não é poder, conhecimento é liberdade e responsabilidade. E nos colocar na posição de estudo não nos livre dos crimes de omissão de socorro. Fazer ciência supondo-se apartado dos objetos de estudo não é fazer só uma ciência desumana, é fazer ciência obsoleta desprovida dos descobertas mais atuais acercas das incertezas sobre os fenômenos no nosso universo, e a profunda relação e interferência do observação na trajetória e historicidade do observado e vice-versa. Por isso se em algum momento os estudos que publiquei até aqui deixaram qualquer impressão errada de eram experimentos de renda básica, e não experiências de renda básica, acima de tudo projetos pilotos de políticas publicas de interesse social quero pedir perdão por não ter sido absolutamente claro em minhas pretensões e estudos.

Não sou um relativista. Nem questiono o direito a dúvida, mas há certas questões que nos fazemos sobre a renda básica que revelam mais sobre nossos preconceitos e pensamentos condicionados e servis do que sobre as pessoas que reduzimos a abstrações em nossos estudos. Toda dúvida é válida, mas por em questão a necessidade daquilo que se sabe sem necessidade senão de sensibilidade e reflexão ou é desonestidade intelectual ou segregacionismo descarado. Garanto a vocês não adianta observar a privação alheia, é preciso compartilhar a dor e medo da privação. E assim como é preciso experimentar da fome para saber porque precisamos de comida. É preciso experimentar da arvore do conhecimento para saber de fato o que é uma maçã.

Peço perdão e faço questão de me corrigir se me expressei mal. A verdade é que como pioneiro da renda básica renegado ou não, me sinto ainda sim responsável e quero dizer com todas as palavras que se o projeto acabou é porque eu falhei. Nunca prometi a comunidade de Quatinga Velho continuar para sempre, sempre fui sincero quanto as limitações de recursos, mas se o projeto morreu é porque não fui capaz de sustenta-lo, porque no fundo nunca quis que ele tivesse um fim. E se pudesse voltar com uma renda básica não apenas incondicional mas garantida certamente o faria. Meu sonho não era provar nada a ninguém, mas construir uma modelo de renda básica que fosse capaz de voar, para tantos que pudesse carregar. Queria que o sonho voasse pelo máximo de tempo que pudesse, mas que ao menos voasse. E peço perdão sobretudo as pessoas de Quatinga Velho por não só por não ter chegado antes, mas também por não ter sido capazes de me manter o projeto piloto mais tempo no ar.

Logo, a principal lição que aprendi não veio da ascensão e desenvolvimento como liberdade de Quatinga Velho, mas com sua queda. E é pelo reconhecimento da responsabilidade que afirmo que precisamos de mais gente disposta a construir suas políticas como tecnologias sociais voltadas a libertação e empoderamento dos povos e pessoas. Precisamos de mais livre pensadores dispostos a construir um novo conhecimento, uma nova ciência tão livre, prática e humanamente orientada a libertação quanto exige o espirito libertário e cosmopolita das garantias de liberdades e conhecimentos como direitos básicos de autodeterminação.

O conhecimento é subjetivo mas a ciência é dialógica. Se saber é sempre objetivo e experimental sua comunicação depende da consciência daquele que conhece não só que quer comunicar mas a quem e para que o que nem sempre significa o mesmo que a troco de quê. Pois assim como nós não devemos entregar a terra aos tiranos e seus estados de poder e corporações, não devemos renunciar a nosso direito de saber sobre o mundo desintermediado dos seus interesses. Precisamos tomar posse direita não só nossos bens comuns e particulares, precisamos nos reapropriar também das nossas experiências como sujeitos passivos e não objetos passivos de estudo ou ensino.

Não podemos renunciar, transferir nem nos alienar de experimentar como sujeitos a renda básica. Não somos nem podemos mais aceitar ser classificados como meros dependentes dos benefícios de governos assistencialistas; reféns da exploração do trabalho servil e emprego de mercados neoescravagistas; mas para tanto também não podemos mais também deixar que nos reduzam a mero objetos da observação, estudo e ensino de uma experiência de vida que é nossa e não de nenhum dos intermediadores de poderes. Precisamos de experiências com a renda básica voltada para os anseios dos povos e pessoas. Principalmente voltada para aquelas pessoas que já conhecem por experiência a necessidade de uma renda básica: os carentes, marginalizados e refugiados. Aqueles que hoje estão mais privados entre todos nós de suas liberdades e dignidades mais fundamentais.

Precisamos formular socialmente nossa própria concepção das coisas como sujeitos capazes não apenas de controlar econômica e politicamente nossa vida particular e comum, mas de conceber nossos ideais, valores e julgamentos como sociedade consciente se o que experimente corresponde ou não aos seus ideais e expectativas. Que construamos, portanto e sem dúvidas suspeitas, egoístas ou servis nossas experiências de renda básica não apenas com ciência, mas com consciência para tomar posse do nosso saber e vivência próprias enquanto iguais em autoridade e liberdade.

Temos direitos não só a terra e ao seus bens naturais; temos o direito de descobrir por conta própria se os frutos de todas árvores sobretudo as do conhecimento são bons ou ruins de acordo com a nossas experiências de paz e livre vontade. Por isso quando digo que precisamos experimentar a renda básica estou dizendo que precisamos nos libertar desta preconcepção alienada de saber, onde o conhecimento empírico é dado por um relato das autoridades que tomaram terras, vidas e vivem não só de comer todas as maçãs, mas sobretudo de proibir que se aproprie da vida como liberdade e do sua fruto da sua fertilidade natural como conhecimento sensível. Não meu amigo se você quer conhecer o poder da renda básica não peça a ninguém que lhe pague uma, tome a frente a faça-a acontecer como quem banca, quem paga, e reflete sobre o que aprende como esta responsabilidade. — Budapeste, 2015

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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