Renda Básica: aos mestres com carinho

Anoiteceu… é Natal

Após escrever dois textos sobre o “Jornalismo de merda” do nosso Brasil-Colônia confesso que recebi com espirito de muita gratidão dois textos que li hoje: o primeiro de Kate McFarland sobre a nossa vivência da Renda Básica:

O segundo aqui no Medium de Marcelo Voos

Eles tem uma ligação profunda.

É muito especial para mim. Illich, Freire junto com os anarquistas clássicos e atuais como Kevin Carson Ⓐ foram as maiores referencias para o desenvolvimento da experiência da renda básica como projeto de independência politica, econômica e cultural. E algumas das maiores influências para meu ativismo social libertário. Meu não, nosso. Do ReCivitas que completou 10 anos de luta.

Quero então fazer deste texto meu agradecer a todos… todos que se sentem parte desta realização. E por simplesmente se sentirem parte e felizes por essa realização já são parte dela sem que precisem ser reconhecidos ou enumerados por tanto. A renda básica é feita dessas pequenas gotas que muitas vezes caem desapercebidas no sertão que é o nosso mundo. Mas que graças a cada uma delas, cada um de nós um dia (cumprindo a profecia) há de fazer esse sertão virar mar.

Quero agradecer não apenas em meu nome, ou do ReCivitas, mas em nome de cada uma das pessoas de Quatinga Velho, que durante essa nossa travessia pelos sertões e desertos são as nossas gotas do verdadeiro saber de verdade o que é viver, ainda que com uma minúscula renda básica garantida.

Que esse saber se espalhe pelo mundo, como a mensagem, o sinal que nenhuma palavra é capaz de substituir: o ato. O ato de doação que liberta quem doa e quem recebe. O ato de quem mesmo não tendo nada, se solidariza com quem tem menos e por isso precisa ainda da Liberdade que no fundo é a mesma e Uma só.

E que o milagre da multiplicação dos peixes, que ele também se multiplique porque todos somos filhos de deus e antes de tudo irmãos. Porque renda básica não é nada senão isso. O “milagre” da multiplicação dos peixes. Basta ter fé e jogar a rede. Porque não? Que mãe haveria de dar pedra a quem pede pão? Que natureza haveria de semear a morte e privação se ela é a vida e liberdade?

É Natal.

E me lembro de um judeu marginal:

“O Talmud (Mishnah Sanhedrin) diz que “Aquele que salvou uma vida, salvou o mundo inteiro” ou, mais especificamente, “Quem quer que destrua a vida de um único ser humano… é como se ele tivesse destruído o mundo inteiro; e quem quer que preserve a vida de um único ser humano… é como se ele tivesse preservado o mundo inteiro”. — Joseph Shafan, Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro

É Natal.

Mas nunca me esqueço o que uma criança me disse quando ainda passávamos com a Brinquedoteca e Biblioteca Livres junto com a Renda Básica. “Parece até que todo fim de semana é Natal”.

Parecia.

Hoje é só a renda básica… e para muitos nem mais isso…

Anoiteceu… Boas Festas.

Anoiteceu o sino gemeu

e a gente ficou feliz a rezar

Papai noel vê se você tem

a felicidade pra você me dar

Eu pensei que todo mundo

fosse filho de papai Noel

Bem assim felicidade eu pensei

que fosse uma brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi

Mas o meu Papai Noel não vem

com certeza já morreu

ou então felicidade é brinquedo que não tem. -Assis Valente

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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