Reitero: não é o capital que precisa do trabalho e sim o trabalho e o trabalhador do capital. Do contrário é escravo.

Recebi a primeira objeção a seguinte tese:

Marx portanto assumiu dois pressuposto fundamentais do escravagismo para tentar libertar o homem da exploração do homem.

Um: que a propriedade natural não existe, o que existe é força seja para expropriar ou se apropriar das coisas e definir o que é e o que não é propriedade.

O outra: que toda riqueza é produto do trabalho. E portanto ou você trabalha ou rouba e escraviza para obtê-la. Generalização falsa. Nem tudo é gratuito, nem tudo precisa de trabalho para se reproduzir. Assim como nem todo capital se reproduz sozinho, mas outros sim, especialmente o vivo e natural, se reproduzem e produzem sem o trabalho alheio, o que permite portanto que sejam explorados por parasitas. Prova disso são os recursos animais e humanos cativos que se reproduzem não por causa do cativeiro, mas apesar dele.

O filósofo materialista partilha da maldição do velho testamento que por sinal de liberal tem tudo: ganharás o pão com o suor do teu rosto, e pisarás no pescoço da mulher, o primeiro escravo desse homem. Pelo menos ele era coerente materialista e ateu, dificil é quem se diz cristão e acha que olhai os lírios e pássaros não trabalham e nem fiam de cú é rola. A terra é plana e o essa história de o sol nascer para todos está muito errada, porque nem todo mundo é filho de deus, ou se é é bastardo, porque eles são os únicos legítimos herdeiros.

No fundo a ideologia capitalista-trabalhista é uma religião antiga que o capitalismo e o trabalhismo. E a mito popular contado para os pobres de que não há riqueza que se produza sem trabalho, é entre os iniciados nada mais do que de fato é historinha para o povo dormir.

Porque não o capital reproduz o capital incluso como ou sem o trabalho de gente, ou quando as próprios seres humanos estão condenados a ser capital do outro. Como pelo contrário:

é o trabalho que não se produz nem reproduz sem o capital!!!

De modo que sem o capital o homem não é livre não só para o ocioso, o homem não é livre sequer para poder trabalhar!!! Ou em trabalhar livre para si mesmo, e não escravo ou empregado de outro. E isto é o capitalismo.(…)

Associações baseadas só no trabalho ou sem capital sem a posse da propriedade estão fadadas ao fracasso: primeiro porque elas não tem a propriedades da qual carecem para trabalhar; segundo porque essas propriedades estão nas mãos de quem quer explorar seu trabalho; e terceiro e mais importante que vai implicar no seu extermínio em definitivo: em breve haverá os instrumentos, capazes de trabalhar para reproduzir o capital, as máquinas poderão reproduzir o capital [sem precisar do trabalho nem do trabalhador] sozinhas. E o capital artificial, a riqueza irá se reproduzir com o capital natural sem a necessidade da mão do homem, que era utilizado para aumentar e maximar essa produtividade, e não necessariamente para “permiti-la” de modo que até para isso , sua trabalho ao qual foi reduzida a razão da sua existência será completamente dispensável. E ela com ele. Ou tem alguém que acha que o capitalista vai sustentar o que para ele não passa de um animal que ficou velho, ou uma maquina que virou lixo?

A objeção ao argumento é mais ou menos a seguinte:

“mesmo que as máquinas, venham a substituir completamente o homem, elas foram produzidas, criadas pelo homem, logo não foi o capital a reproduzir o capital mas o trabalho do homem. “

Correto, mas insignificante a longo em termo de resultados a longo prazo. Porque ainda que a primeira geração de máquinas tenha sido criado, a sucessão de maquinas completamente emancipada a produzir e reproduzir toda a riqueza -incluindo as novas máquinas- tende a fazer a participação do homem na somatória da geração dessa riqueza tender ao longo do tempo a ZERO, nula na produção do novo e insignificante no montante do capital acumulado. Por sinal esse é o raciocínio igualmente válido no processo inverso da produção de toda riqueza feito pelo trabalho e trabalho. Onde a participação do capital inicial, tende a ser nula na produção do novo e insignificante no montante do capital acumulado. Embora a pilhagem estato-privada tenha garantido a redistribuição oposta — roubo.

De qualquer forma. O controle do capital seja para produzir ou impedir a produção, bem como determinar o que será ou não produzido e quando é o fator determinante para a possibilidade da manifestação de qualquer trabalho seja ele efetuado por máquinas,bestas ou homens, que na qualidade de expropriados de si mesmo e do controle dos meios de produção são por definição não capitalistas, mas capital, propriedades empregadas por esses. O capital continua a se reproduzir a revelia da intervenção humana, que de fato não cria a riqueza artificial da natural, mas não tem como criar nada sem a matéria prima da natureza. E quando lida com ela no máximo acelera sua reprodução ou exploração ou transformação em coisas, não a sua criação, por definição. De modo reitero: não só não há trabalho sem capital. Como não há sequer trabalho plenamente livre sem posse de matéria-prima e os meios-de-produção naturais ou artificiais que permitam a sobrevivência sem a necessidade forçada de vender o seu trabalho.

Uma pessoa que possua meios naturais ou artificiais para extrair e produzir o necessário a subsistência não precisa necessariamente sobreviver trabalhando deles. Podo perfeitamente fazê-lo vendendo sua trabalho para outros, justamente porque tendo condições de vida é de fato livre para fazê-lo por vontade ou vocação e não por necessidade. Quem não possui tais recursos e meios, esse não tem escolha, para se manter em paz, querendo ou não, vai ter que trabalhar naquilo que lhe derem a oportunidade, isto se derem.

Daí que o problema da falta de uma renda seja ela particular ou básica, isto é , não é nunca uma questão de falta de trabalho, mas sim de falta de propriedade seja ela uma renda básica derivada da propriedade ou bem comum, seja ela uma renda particular derivada da propriedade sobre o bens particulares sejam eles posses de meios-de-produção, matérias-primas, ou da sua própria força de trabalho, ou seja a propriedade tanto do seu corpo e o que ele produz quanto dos meios necessários a sua subsistência, produção e reprodução não como objeto de alienação, mas como ser dono de si mesmo como capitalista e trabalhador e consumidor reintegrados numa mesma pessoa concreta e natural: a humana.

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store