Rajoy: o Maduro espanhol que mirou num povo e acertou… acertou o próprio pé, de novo

Já não é mais a independência da Catalunha que está em xeque, é prepotência e soberba das lideranças da Espanha e UE. E agora?

Não poderia ter sido uma derrota pior. Nem uma estratégia mais desastrada. Depois de proibir e reprimir o referendo da independência com toda brutalidade policial; criminalizar e prender as lideranças eleitas; suspender o estado de direito e colocar um interventor biônico; depois de apelar para todos argumentos e recursos políticos jurídicos, mediáticos e até mesmo econômicos para bloquear e desqualificar a independência, no melhor estilos das ditaduras latino-americanas, o governo espanhol- provando que toda prepotência é burra- decidiu realizar eleições acreditando que a população legitimaria a sua intervenção autoritária! No melhor estilo caudilhesco tão bem conhecido e apreendido das mãos dos nossos colonizadores aqui nas Américas Latinas. Rajoy o grão-vizir del rei de Espanha promoveu uma eleição típica das democracias de fachada com direito até a candidatos presos ou exilados e ainda perdeu. Uma proeza.

Depois de reprimir e derrubar e desqualificar o referendo independentista alegando que havia uma maioria silenciosa que a favor da união com a Espanha que não votou resolveram organizaram uma eleição marcada para se transformar no referendo contrário, e mesmo apelando para procedimento típica de ditaduras caudilhescas, perderam numa eleição com recorde de participação onde a maioria continuo a ser do bloco dos independentistas enquanto a sua representação e moral no bloco opositor dos unionistas se desintegrou.

Em suma fizeram das eleições o plebiscito que tanto fizeram para impedir e e anular e entregaram de bandeja isto que a tanto custo tentaram bloquear e desqualificar: o reconhecimento da legitimidade e legalidade dos independentista; perdendo para uma oposição literalmente presa e amordaçada. Não é de surpreender portanto que de quebra tenham se desmoralizado completamente e perdido para os Ciudadanos a liderança entre os unionistas. Sinceramente nem um agente anarquista infiltrado no governo conseguiria ser tão eficaz. Nada como um autoritário autêntico para expor e implodir o autoritarismo.

Eis o balanço das eleições: A composição do parlamento entre independentistas e unionistas ficou a mesma, o que mudou foi a liderança entre os unionistas que passou para o Ciudadanos na exata medida da desintegração da partido governista que passou a ter a representativa dos chamados “anti-capitalistas” ou “extrema-esquerda”. O velho partido governista não só perdeu a eleição para os separatistas, como também perdeu sua representação para a nova liderança da direita conservadora: os Cidaundanos. Não demoveu os independentistas um milimetro da sua (auto)determinação republicana, como entregou de bandeja a legitimidade legal do independentismo que tentou barrar a todo custo até com brutalidade policial ao obter novamente a maioria numa pleito desenhado pelo governo para liquidá-los como de quebra se apequenou e perdeu a liderança para as novas forças conservadoras de direita.

Querer reverter a posição dos separatistas a força era algo que se não fossem tão prepotentes haveriam de esperar que falharia. Contudo perder espaço dentro do campo dos próprios aliados, esse é um revés com implicações politico-eleitorais ainda maiores, e que certamente irão para além das fronteiras Catalunha, afetando as disputa de poder em toda a Espanha. Ou seja foram simplesmente geniais: involuntariamente ratificaram institucionalmente a perda Catalunha, e ainda por cima abriram caminho para sua derrocada frente a seu verdadeiro concorrente: a nova direita conservadora.

E a velha esquerda? Como ficou? Aquela famosa esquerda que na horas derradeiras está sempre unida como direita aqui, na Espanha ou na Conchinchina, essa só não derreteu (mais) da mesma forma que sua aliada de direita, porque a nova esquerda espanhola, o Podemos, resolveu subiu no muro, e claro vomitado como os mornos são. O Podemos nem assumiu o lugar da esquerda autoritária, apoiando os unionistas, nem se colocou como alternativa clara entre os independentistas, propondo ativamente o federalismo republicano. Talvez porque queira governar um Nação gigante ainda que sem plena liberdade de autodeterminação das populações que a compõe, do que ser um partido internacional nas tantas comunidades espanholas formadas por suas repúblicas, federadas ou não.

Mas não são eles que importam, e sim quem tomou a força e está dando as cartas. O governo espanhol. Porque ele fez, o que fez? Será que acreditaram na sua própria estórias de “maioria silenciosa”? Ou confiaram demais que o terrorismo de estado quebraria a a moral e dobraria o povo catação ao seu “legalismo”? O fato é que conseguiram o efeito oposto, não converteram separatistas como conseguiram perder apoiadores mesmo entre os que não querem a separação. E essa é uma postura digna de nota de ambas forças antagônicas da Catalunha, tanto dos que defendem dos independentistas quanto unionistas. Nem um outro lado deixou mover, demover ou convencer por esse tipo de propaganda ou pressão política econômica baseada em pressão e manipulação. Não foram vencidos nem se deram por convencidos por esse tipo de autoritarismo. Simplesmente não se deixaram levar nem de um lado nem de outro por esse tipo de intervenção autoritária.

Esse comportamento merece ser notado, especialmente por nós brasileiros, primeiro porque não temos uma sociedade extremamente vulnerável em ser reduzida e manobrada como massa, trocando de opinião e convicção como quem troca de roupa, como se não tivesse nenhum memória nem mesmo de curto prazo. Talvez se o grão vizir del tivesse, uma população mais vulnerável ou volúvel, como dispõe nossos governos brasileiros poderia tal manobra poderia ter funcionado. Ou talvez se o governo espanhol seguisse o velho manual dos tiranetes: não apenas manipulando as massas, mas deixando a porta aberta para fraudar as eleições sempre que necessário. Talvez precisem fazer um curso de reciclagem aqui no Brasil como os mestres Temer e Gilmar Mendes: “Como emular regimes ditatoriais nos Estados de direito democrático”, um curso onde eles podem ensinar não só como realmente fazer eleições de cartas marcadas, fraudando e os cambau, mas até como trocar até de sistema sem consulta popular! ou mesmo legalizar a criminalidade ou criminalizar a justiça. Esses sim são aprendizes que superam os mestres: conduzem as ex-colônias ibéricas com mais autoritarismo e privilégio do que se vivessem nas antigas metrópoles.

Pensando bem, melhor fazer um mea culpa. Talvez o mérito não seja deles, mas sim o desmérito seja todo nosso. Quem sabe se fizéssemos o contrário, se mandássemos nossos criminosos estatais para fazer governar no primeiro mundo, eles não teriam a mesma sorte. Mas isso é outro assunto. O que interessa é o que a Espanha fará agora? Agora que só resta admitir a derrota e recuar sentando a mesa com os independentistas para negociar os termos da capitulação. Quem acredita que depois do que eles fizeram vão recuar e entregar. Mais provável é que tentem criar situações para usar mais “bombas atômicas”, quantas for necessário para acabar de vez com os independentistas, mesmo que isso custe a mascará de democracia a monarquia espanhola.

Só quem não entende como sente e pensa quem quer o poder acredita que isso não vai terminar com um dos lados capitulando de livre e espontânea falta de saída. Porque erros como o governo espanhol cometeu se explicam, desde que queira se olhar para a verdadeira motivação de quem detém busca o poder a todo custo. Para estadistas melhor ser um rei degenerado do que um simples cidadão sem nenhum reino. Melhor ser um rei criminoso do que um mero plebeu inocente.

Enfim, a verdade é que a Catalunha permanece na mesma. E enquanto o risco e custo de mantê-la como domínio espanhol não for maior que ganhos, justa ou injusta este domínio será mantido, e leis serão feitas desfeitas e refeitas para justificar a dominação. Porque o resto é propaganda e manipulação. E se há uma coisa que essa eleição prova é que os catalães não estão dispostos a ser levados nem a uma condição nem a outra, por esse tipo de imposição ou manipulação. É isto que faz deles, unidos ou separados, um povo livre. E a nós pelo contrário um povo a viver (e ser tratado) como escravo mesmo tendo supostamente um pais livre, com republica e democracia. Pensando bem, também somos no fundo um povo unido apenas por outras razões. Esquerda ou direita, velhos ou novos, ricos ou pobres, patrões ou empregados, no fundo todos somos brasileiros porque partilhamos de uma mesma cultura: a do me engana que eu gosto.

Moral da história: a conquista da soberania e autodeterminação não é só uma questão de número ou decisão, mas de força dessa determinação, que não é outra senão a própria força de vontade de cada pessoa em torno de alguma coisa em comum. E quando esse coisa em comum se torna a própria a coisa comum, a república. Prender não adianta, só matando mesmo. Não sei se é trauma de ser brasileiro, mas eu se fosse independentista não entrava numa aeronave nem pagando. Mas deve ser só trauma mesmo. Cada povo tem seu cultura, seus ritos e costumes e claro seus métodos. Veremos quais são os espanhóis e europeus?

Diálogo e negociação, ou o quê?

Veremos.

Veremos onde a política da imposição e intransigência vai chegar e até onde vai levar também a Catalunha.

Uma bomba caseria explodiu na madrugada desta sexta-feira (22), na porta do Tribunal de Apelações de Atenas, na Grécia, sem deixar feridos, mas provocando danos materiais, de acordo com informações da polícia.

A explosão aconteceu por volta das 3h25 no horário local (23h25 em Brasília). A autoria do ataque é desconhecida, mas, 40 minutos antes de ocorrer, houve um aviso para um jornal.

Na chamada, uma pessoa afirmou que não se tratava de uma brincadeira e exigiu que se esvaziasse o edifício do tribunal e o prédio ao lado.

A explosão causou danos na fachada do edifício e detonou vidros nos arredores.

No dia 20 de abril deste ano, uma bomba similar explodiu na frente de uma filial do Eurobank, no centro de Atenas.

Esse tipo de ataques, que acostumam causar danos materiais mas não pessoais, são relativamente frequentes na Grécia e nos últimos anos costumam ser reivindicados por membros de grupos anarquistas. — Bomba explode em frente a tribunal em Atenas, na Grécia, sem deixar feridos

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