Quem tem medo de Kant? Quem tem medo da molecada?

Repito:

“Eu estava errado, pensei que o Brasil precisasse de um revolução iluminista que nunca tivemos.

Não.

Precisamos de uma reforma muito mais profunda, precisamos de uma reforma verdadeiramente protestante que mande toda essa nossa cultura de submissão, de sacrifício do povo em prol dos reis e reinos de volta pro inferno de onde vieram.”

O problema não é Kant, nem a filosofia alemã e seus períodos longos, mas o vestibular, a universidade e todo processo escolarização arquitetada como a própria fabrica de negação de todo ideal iluminista. Já passei, pela Fuvest e pela Faculdade de Filosofia da USP. E sei que embora tenham professores e aulas sequer o esclarecimento e maioridade que nem Kant prega tão tímida e obedientemente na sua versão “progressista” de iluminismo, bem ao gosto do academicismo.

Leiam ou revisitem o texto de Kant que disponibilizo aqui, e vocês verão que tem uma garotada, hoje bem mais adulta, emancipada e esclarecida que o genial Kant senão nos valores transcendentais da vida, nos morais e materiais. Porém, muitos deles não terão a chance de entrar para a elite dos supostos pensadores livres adultos e emancipados… a elite dos tutores de um outros cultos onde os sacerdotes são tão absolutamente crentes da sua verdade relativa ou absoluta, que mal conseguem se reconhecer como crentes e cultistas dessa seita chamada racionalismo. Tão devotos das sua escrituras sagradas e capazes de produzir conhecimento novo quanto um padre um pastor ou um rei. Salvo é claro as raras exceções, que apesar de lutar contra a corrente, apenas confirmam a regra.

Kant? Se fosse o Kant metafisico o Kant transcendental de um morto e cego para o além do obvio pelo materialismo e suas ideologias, ok. Vá lá. Mas o Kant político? Esse é o Kant é leitura confortável e conveniente que soube policiar e conciliar muito bem seu pensamento a sua posição social e profissional. Do ponto de vista do revolucionário do próprio iluminismo, do própria esclarecimento e emancipação, nem a sombra do Kant que “dialogou” com Hume para construir sua obra monumental. Em suma brincadeira de criança para uma geração autodidata que anda lendo Bakunin e Proudhon por sua conta e risco na Internet.

Image for post
Image for post
a casa não começou a cair em 2016, a casa começou a pegar fogo e desabar de vez lá em 2013, Lembra?

Mas segue o texto de Kant, que vale a leitura que seu alto grau de maturidade perto de um pais de gente tão ignorante e diplomadas em ignorância que elegem nazi-fascistas sem nem saber, e nazi-fascistas que são mais ignorantes ainda que elas: porque não se acham porque nem eles sabem o quê são! E como poderiam saber? Sem a mínima ideia do que é nazismo ou fascismo, ou minima noção do que é humanidade e humanismo? Como eles poderiam saber o que foi nunca foi o iluminismo no Brasil?

“Em seu texto O que é o Iluminismo?

Kant sintetiza seu otimismo iluminista em relação à possibilidade de o homem seguir por sua própria razão, sem deixar enganar pelas crenças, tradições e opiniões alheias.

Nele, descreve o processo de ilustração como sendo “a saída do homem de sua menoridade”, ou seja, um momento em que o ser humano, como uma criança que cresce e amadurece, se torna consciente da força e inteligência para fundamentar a sua própria maneira de agir, sem a doutrina ou tutela de outrem.

Kant afirma que é difícil para o homem sozinho livrar-se dessa menoridade, pois ela se apossou dele como uma segunda natureza. Aquele que tentar sozinho terá inúmeros impedimentos, pois seus tutores sempre tentarão impedir que ele experimente tal liberdade. Para Kant, são poucos aqueles que conseguem pelo exercício do próprio espírito libertar-se da menoridade.

Vida de Kant:

Kant nasceu, viveu e morreu em Königsberg (atual Kaliningrado), na altura pertencente à Prússia. Foi o quarto dos nove filhos de Johann Georg Kant, um artesão fabricante de correias (componente das carroças de então) e da mulher Regina. Nascido numa família protestante (Luterana), teve uma educação austera numa escola pietista, que frequentou graças à intervenção de um pastor. Ele próprio foi um cristão devoto por toda a sua vida.

Passou grande parte da juventude como estudante, sólido mas não espetacular, preferindo o bilhar ao estudo.

Tinha a convicção curiosa de que uma pessoa não podia ter uma direcção firme na vida enquanto não atingisse os 39 anos.

Com essa idade, era apenas um metafísico menor numa universidade prussiana, mas foi então que uma breve crise existencial o assomou. Pode argumentar-se que teve influência na posterior direcção.

Kant foi um respeitado e competente professor universitário durante quase toda a vida, mas nada do que fez antes dos 50 anos lhe garantiria qualquer reputação histórica.

Viveu uma vida extremamente regulada: o passeio que fazia às 15:30 todas as tardes era tão pontual que as mulheres domésticas das redondezas podiam acertar os relógios por ele.

Kant nunca deixou a Prússia e raramente saiu da cidade natal. Apesar da reputação que ganhou, era considerado uma pessoa muito sociável: recebia convidados para jantar com regularidade, insistindo que a companhia era boa para a constituição física.

Por volta de 1770, com 46 anos, Kant leu a obra do filósofo escocês David Hume. Hume é por muitos considerados um empirista ou umcético, muitos autores o consideram um naturalista.

Kant sentiu-se profundamente inquietado. Achava o argumento de Hume irrefutável, mas as conclusões inaceitáveis. Durante 10 anos não publicou nada e, então, em 1781 publicou o massivo “Crítica da Razão Pura”, um dos livros mais importantes e influentes da moderna filosofia.

Neste livro, ele desenvolveu a noção de um argumento transcendental para mostrar que, em suma, apesar de não podermos saber necessariamente verdades sobre o mundo “como ele é em si”, estamos forçados a percepcionar e a pensar acerca do mundo de certas formas: podemos saber com certeza um grande número de coisas sobre “o mundo como ele nos aparece”.

Por exemplo, que cada evento estará causalmente conectado com outros, que aparições no espaço e no tempo obedecem a leis da geometria, da aritmética, da física, etc.

Nos cerca de vinte anos seguintes, até a morte em 1804, a produção de Kant foi incessante. O seu edifício da filosofia crítica foi completado com a Crítica da Razão Prática, que lidava com a moralidade de forma similar ao modo como a primeira crítica lidava com o conhecimento; e a Crítica do Julgamento, que lidava com os vários usos dos nossos poderes mentais, que não conferem conhecimento factual e nem nos obrigam a agir: o julgamento estético (do Belo e Sublime) e julgamento teleológico (Construção de Coisas Como Tendo “Fins”). Como Kant os entendeu, o julgamento estético e teleológico conectam os nossos julgamentos morais e empíricos um ao outro, unificando o seu sistema.

Uma das obras, em particular, atinge hoje em dia grande destaque entre os estudiosos da filosofia moral. A Fundamentação da Metafísica dos Costumes é considerada por muitos filósofos a mais importante obra já escrita sobre a moral.

É nesta obra que o filósofo delimita as funções da ação moralmente fundamentada e apresenta conceitos como o “Imperativo categórico” e a “Boa vontade”.

Os trabalhos de Kant são a sustentação e ponto de início da moderna filosofia alemã; como diz Hegel, frutificou com força e riqueza só comparáveis à do socratismo na história da filosofia grega.

Kant escreveu alguns ensaios medianamente populares sobre história, política e a aplicação da filosofia à vida. Quando morreu, estava a trabalhar numa projetada “quarta crítica”, por ter chegado à conclusão de que seu sistema estava incompleto; este manuscrito foi então publicado como Opus Postumum. Morrera em 12 de fevereiro de 1804 na mesma cidade que nascera e permanecera durante toda sua vida.

O trabalho filosófico de Kant está na confluência do racionalismo, do empirismo inglês (David Hume) e a ciência física-matemática de Isaac Newton.

Seu caminho histórico está assinalado pelo governo de Frederico II, a independência americana e a Revolução Francesa.”

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store