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Quem diria… Papai Noel é o precursor da Renda Básica de Cidadania

Quem diria… Papai Noel é o precursor da Renda Básica de Cidadania

Um curioso estudo denominado Scroogenomics foi recentemente apresentado nos Estados Unidos onde o autor Joel Waldfogel aponta para o desperdício de cerca de US$ 25 Bilhões em “presentes inúteis” durante o período do Natal.

O estudo não é uma crítica ao comportamento consumista obsessivo-compulsivo dos americanos, aliás, sejamos sinceros, uma tendência que encontramos cada vez mais também no Brasil, mas sim uma crítica ao desperdício do capital em compras inúteis.

Comportamentos condicionados, e histeria coletiva de consumo a parte; o que chama a atenção no estudo é a proposta de um uso mais racional do capital. O autor chega a sugerir que este seja empregado em “vales-presente”, e mais, até mesmo doados em proveito de trabalhos sociais de ONGs.

Em pleno Natal, o que será que o bom velinho do saco cheio de presentes diria deste suposto atentado contra seu meio de vida? O que é que o Papai Noel diria especialmente da segunda proposta: trocar presentes por uma quantia em dinheiro destinada aos mais carentes?

Por incrível que parece esta não é uma resposta tão difícil de imaginar: o verdadeiro Papai Noel ou a figura histórica de São Nicolau de Mira, certamente não apenas concordaria, mas de certo ficaria profundamente grato a este autor por tentar libertar seu espírito de um serviço que jamais se prestou; e talvez mais ainda, por resgatar não apenas o significado de seus atos, mas literalmente o próprio ato. Pois para quem não sabe, o homem que inspira o Natal, o verdadeiro Papai Noel não distribuía presentes, mas renda.

Reza a lenda que São Nicolau deixava pequenos sacos com moedas a noite na porta de pessoas carentes. A mais famosa destas histórias é a do dote que uma família muito pobre não tinha como custear para casar as suas filhas.

Evidente que seria um exagero afirmar que São Nicolau assim agia por entender que todo ser humano tem o direito a uma renda incondicional minimamente condizente a uma vida digna, mas é inegável que na essência do ato é o mesmo: respeito à liberdade humana e solidariedade.

Afirmar que “Papai Noel” foi o precursor da Renda Básica de Cidadania é um exagero. Mas será que seria tanto exagero assim ver nele um precursor daquilo que hoje chamamos de “transferência de renda”?

É Natal, um tempo não de ciência e certezas, mas de refletirmos sobre aquilo que realmente acreditamos e praticamos. E a pergunta que está no ar é: qual é o Natal que você acredita? O Natal solidário de Nicolau e sua renda, ou o Natal dos milhares de Santa Claus de Shopping, em pleno verão tropical com suas barbas falsas e fantasias pesadas; pessoas obrigadas a ficar longe de suas famílias por um punhado extra de renda, para também, quem sabe, ter uma noite de Natal mais digna?

Acreditando ou não em rendas básicas ou em Papais Noel, na dúvida, faço coro com o autor Joel Waldfogel e proponho que fiquemos ao menos com o Natal de Scroogenomics. Só para lembrar que existem pessoas que vivem tentando manter acesso o espírito do Natal vivo todos os dias do ano, não com propaganda, mas com trabalho.

Conheça nosso trabalho com Garantia de Renda em Quatinga Velho, e escolha o significado que você quer dar ao seu Natal.

Porque sim, existem lugares onde todo mês é Natal.

Roma, 24 de Dezembro de 2009.

Marcus Vinicius Brancaglione dos Santos

Originally published at mvbrancaglione.blogspot.com.br.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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