Porque as revoluções desta geração não estão perdidas

Ser ou não ser eis a questão.

Recentemente abandonei o debate sobre a política institucional no Brasil por dois motivos. Primeiro: porque não tenho mais nada a acrescentar. Segundo: porque nada que se acrescente neste vai fazer qualquer diferença.

No plano estratégico o poder politico-econômico tanto nacional quanto internacional que de fato controla e manipula as instituições já se adiantou e posicionou de tal forma que caia governo, fique governo, tenha-se novas eleições, ou instale-se ou regime interventivo judicial ou militar nenhuma mudança estrutural irá ocorrer. Não para melhor. Quem quer que assuma terá que cumprir a agenda. E não cumprir ou não for capaz de fazê-lo será cuspido. E se cumprir idem e se queimar idem, porque uma vez feito o serviço sujo já não é mais necessário. Nenhuma mudança no sistema irá ocorrer dentro do sistema.

E nem por pressões de fora dele. Ou seja através da sociedade. Isto muito porque no plano das mentalidades o debate também já está perdido. Isto é, novamente reduzido a correntes ideológicos que redundam no mesmo mar de bosta. Quem pauta o pais é novamente a classe política com seu terrorismo de Estado e não mais o a sociedade e sua luta por mais direitos e igualdade política. Não estou sendo pessimista. Estou avaliando o atual o quadro. Eles estão mantendo seus foros e privilégios, mas a população está perdendo seus mais direitos cidadãos e sociais. Seus capos dos capos, permanecem intocáveis, mas a violência inclusive como crimes de ódio contra a pessoa humana cresce de forma alarmante.

Basta verificar a diferença das proposta entre 2012 um ano antes das revoltas de julho e as de 2017 um ano depois do golpes entre os golpistas. Se em 2013 discutia-se a necessidade do aprimoramento da democracia em suas formas mais diretas hoje perdemos essa oportunidade e temos que nos voltar a resistência contra os fanáticos por poder e seus “mitos” e salvadores da pátria para todos os gostos.

Alias golpe é um eufemismo para um pais cuja as instituições estão sob suspeita de serem verdadeiras casas de criminosos comuns e políticos. Suspeitas aliás para as próprias instituições porque aposto que o povão não tem a menor dúvida quem são e o que fazem seus governantes.

E isso não faz a menor diferença. Porque mesmo que nossa população exploda em revolta o que vai eclodir é uma revolução clássica: veremos apenas a troca de uma antiga hierarquia podre por uma nova que ainda sequer amadureceu.

Então porque volto-me mais uma vez a este assunto? Apenas para fazer um parênteses. E reforçar a busca alternativa por outros caminhos.

Hoje me deparei com a seguinte “notícia”.

E talvez não devesse nem colocar tais informações providas por nossas mídias tantos as pequenas como 171, o Governista, quanto as “grandes” porque embora sejam fontes de informação eles não são propriamente provedores de notícias. Mas aqui no Medium não tem problema, porque é uma rede de leitores-escritores que muitas vezes entendem melhor o que estou querendo dizer do que sou de fato capaz de expressar — o que me ajuda muito. De qualquer forma peço perdão por tais referencias lixo por migalhas de informação. Mas lixo ou não, tento sempre dar crédito a referência que uso.

Neste caso, a informação relevante é uma só. Vai cair alguém do STF? Quem? Como eu já disse isso será usado apenas para recuperar a credibilidade perdida da instituição para evitar revoltas populares. Se vier a ocorrer, virá com planos de contenção de danos muito bem traçados, de modo a não mudar um milimetro. Mas e se mudasse? Porque seria importante? E se porventura, eles ficassem por um tempo com um flanco aberto. Isto é, um STF sem gente com o rabo preso o que isso abriria de oportunidades para a sociedade?

Isso não vai ocorrer. Mas explicar o que poderia ocorrer caso contrário. Nos da uma medida de porque não temos uma democracia. Mais. Revela que nunca tivermos uma democracia, e o que aconteceu em 2016 apenas revelou isso.

É aquela história: você é livre para fazer o que quiser, desde que não queira fazê-lo. Vivíamos com a nítida impressão de estar num estado democrático de direito mas simplesmente porque nunca precisamos de fato acionar suas instituições para fazer funcionar. Aos olhos do povo elas pareciam solidas mas simplesmente porque nunca foram usadas pela povo. Eles estavam lá, eles estão lá, você paga por eles. Responde a eles. Eles tem o poder de te prender. Mas fora isso, mas nada. Todo o resto é engana trouxa. Ilusão de liberdade e segurança. E ilusão cara, bem cara, perigosa e prepotente. Porque como disse para te proteger nada. Mas para te cobrar e prender…

Se anarquistas dos século XIX reincarnassem no Brasil, eles não abdicariam de todo protesto e propaganda de ato. O Estado brasileiro é uma sabotagem anarquista clássica. É uma propaganda pelo ato institucionalizada. Nada que alguém faça consegue voltar a população mais contra as instituições do que as próprias instituições e seus “servidores”. Ninguém trabalha o pais do que o próprio Estado Brasileiro. Ninguém trabalha melhor contra a sociedade do que nossos Estados. Ninguém consegue ser mais pernicioso ao Estado do que os próprios agentes do Estado.

Participei de Congressos e reuniões de que propugnavam a criação da Democracia Direta. Dentro do sistema há 2 vias institucionais. A jurídica que toma os dispositivos constitucionais já disponíveis e demanda a instituições de novas leis ou o devido cumprimento das existentes pelos seus representantes. E a politica, parlamentar e executiva que cria novas leis e programas governamentais que instituem a verdadeira democracia como regime de governo. Porque essas estratégias não funcionam hoje. Nem teria funcionado antes? Simples porque mesmo que todo o congresso fosse partidário da democracia direta, se o governo fosse eleito para esse fim. E aprovasse. Isso cairia na Suprema Corte. Descobriríamos quem ela é, e a natureza de fato do nosso “estado de direito”.

E nisto está a maior mérito por si só das revoluções dos anos 10 que ainda não terminaram. Nunca tantos pessoas “comuns” souberam o que se passa nas cortes. Nunca tantas pessoas simples do povo souberam o que se passa por trás desse teatro burlesco das representações politicas. Como diria o outro nunca antes na história tanta gente do povo soube como funciona o seu regime. E saber, conhecer a sua condição. Revelá-la é o passo mais importante, o passo fundamental para transformá-la.

Muitos enterram a cabeça ainda mais fundo no rabo, para não ver nada, para não sair do seu velho mundinho que está caindo aos pedaços. Mas nunca vi tanta gente livre dessa credulidade besta. Triste ou não. Livre dessa estupidez corna e besta, de quem só é coitado e nem sabe porque nem por quem.

Talvez essa parcela consciente do povo brasileiro ainda não tenha descoberto as respostas para o fim das suas ilusões. Com certeza, serão perseguidos pelos fanáticos dos dois lados que querem o poder apenas porque a máxima dessa gente é quem não está com eles, está contra eles. Mas o novo, não só o Brasil, mas o mundo sairá das experiências de vida dessa pessoas. Talvez não para essa geração se ela se deixar perder como massa de manobra no jogos de ódio e guerras de seus líderes e governantes. Mas com certeza das próximas.

Supondo é claro que consigamos resistir a tamanha imbecilidade humana. Assusta as vezes pensar que as pessoas precisem passar por grandes guerras e fomes, pestes para só depois parar para pensar e se reunir depois dos holocaustos para declarar o óbvio: os direitos humanos são invioláveis.

Ouvir Jader Barbalho falando sob perigos do genocídio…

Renan sobre transparência e verdade…

https://www.brasil247.com/pt/colunistas/renancalheiros/283166/A-transpar%C3%AAncia-%C3%A9-amiga-da-verdade.htm

Só não é mais repugnante do que as manobras do própria Corte para salvar seu regime de compadrio entre coronéis.

É desalentador pensar que as revoluções dos anos anos descambem em guerras e contrarrevoluções. Que a humanidade não seja capaz de fazer transição sem tentar exterminar as novas gerações e novas formas de vida e pensamento. Que o velho não consiga perceber que o novo sempre vem, e que o novo sempre envelhece. Impressiona a incapacidade e imaturidade da nossa consciência coletiva para lidar com nossa mortalidade.

Nós não vamos chegar lá. Nós chegamos. O que eles estão tentando matar é um novo estado de consciência. Isso é inútil. Porque os estados de consciência morrem naturalmente junto como qualquer forma de vida. Mas a consciência formada esta não morre mais. Sua existência é como um momento do tempo, o fato dele não estar mais presente, não significa que ele tenha se apagado. Pelo contrário. É justamente como consciência e não mais como mero estado que está deixa de se disseminar para se infundir.

Isso é algo que jamais o materialismo e o poder compreender em nenhum sentido da palavra:

a força transcendental daquilo que se desfaz, se perpetua. enquanto a força daquilo que busca se perpetuar se desfaz.

O poder e todas suas corporações e cultos perseguem a onipresença, onipotência, e até a onisciência as quais são a encarnação da própria contradição. Mas sua perseguição antinatural da perpetuação em todos os planos vai desintegrando sua essência, apodrecendo-os em vida até desaparecer como carcaça completamente podre e vazia, derrotados na sua luta inglória contra a vida.

A posse e poder não dão uma falsa ilusão de propriedade e perpetuidade. Elas são essa ilusão.

Morrer todos vamos. A questão é não é quando mas quanto. Ou o que é a mesma coisa, o quão vivos, sencientes e conscientes estamos ou estivemos por algum instante. O ser é um fenômeno atemporal, eterno. Desde que em alguma momento da nossa vida sejamos alguma coisa. O quê - como diria o homem que falava com caveiras - eis a questão.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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