Porque as Igrejas apoiam os lideres políticos messiânicos? E o Estado a cultura do messianismo?

Da separação de Estado e Religião e a Liberdade de Consciência (parte 1)

Terraplanistas

Se você leitor como eu em princípio pensou que a resposta a essa pergunta é um tanto quanto óbvia. E que estarei aqui só chovendo no molhado. Quero alertar que não. Não só as razões do fracasso não são tão obvias para todo mundo, como cada vez menos sequer acredita que a mistura de política com religião seja um problema, ou um perigo, mas até mesmo uma solução. De modo que aquilo que consideramos ao fracasso ou retrocesso civilizacional, outros enxergam um verdadeiro sucesso e reavivamento da sua visão de mundo.

E não estou falando de terraplanistas com argumentos que hoje, ou melhor até ontem, até uma criança com um mínimo de escolaridade conseguiria refutar. Mas sim de acadêmicos e eruditos que resolveram colocar seus títulos e ilustração mais uma vez a serviço da produção de pseudociência. Agora em campos do saber que embora complexos que as ciências físicas, matemáticas e justamente por isso mesmo ainda estão desprovidos da exatidão das mesmas, se constituem em campo fértil não só para o charlatanismo prosperas, mas ter boas chances de voltar a imperar.

Pois é, hoje em dia é um pouco mais fazer uma crítica construtiva a separação do Estado e Igreja, porque a defesa da sua desconstrução ganha força. Estamos em todos os planos e esferas do saber e forma de viver, vivendo no literalmente no dilema entre a cruz a espada. Embora eu prefira a outra metáfora: se correr o bicho pega, se ficar o bicho, e agora se se esconder o bicho acha. Em são consciência, não podemos fechar os olhos e fingir que tudo está bem, e que as coisas como estão vão podem continuar ou vão se resolver sozinhas. Por outro lado, sempre a espreita como predadores estão os reacionários, sempre pronto a impor seu fantasias e castelos de príncipes e princesas da Disney, nem que para isso tenham que voltar a decorar árvores com “outro tipo” de gente enforcada e queimar “bruxas” e “marranos” em praça pública- ou em guetos e campos de concentração mesmo. Para uns seria uma “mal necessário” para o seu bem maior, mas até um prazer.

De modo que a luta pelo verdadeiro progresso é sempre em duas frentes uma contra um status quo que insiste em se perpetuar a todo custo, e outra contra os reacionários que insistem a retomar o poder a qualquer custo, não importa quem, o quanto tenha que sacrificar em holocausto para ficar chegar ou voltar ao poder. Mais do que isso tais forças embora em competição operam como aliadas quando o esforço em conter qualquer levante ou avanço que inviabilize suas posições e ambições.

Com a separação de Estado e Igreja não é diferente.

Mesmo entre os mais fervorosos crentes ou ateus mais convictos. Mesmo entre os patriotas mais fanáticos ou anarquistas que não se contentam com menos que o fim do Estado e Igreja, era um ponto pacífico, não misturar política e religião. É mais ou menos como se beber não dirija, seja você fã de automóveis ou bicicletas, ninguém discorda que se um vez no volante que ao menos se esteja são e sóbrio. Não é preciso nem dizer porque, ao menos não para quem não sofre de demência amnésia ou lobotomia histórica. Foram tantas as desgraças provocadas por essa mistura perigosa e inflamável que ninguém precisa se justificar porque essa nunca foi uma boa ideia, nem muito menos uma boa prática.

Entretanto eis que ressurgem seus defensores. E com argumentos equivalentes ao do bebum que virou até piada, sempre fui estou bêbado, e por isso dirijo melhor sob o efeito de álcool do que sóbrio. Bem seria engraçado se não fosse trágico. Até quem sabe que a igreja é o opio do povo e fez da sua ideologia política uma espécie de religião, sabe como o traficante que não é um idiota narcodependente que não se deve cheirar o produto que trafica.

Logo, mesmo entre as pessoas menos lúcidas e esclarecidas, mas com um mínimo de escolaridade, parecia um tanto quanto razoável pressupor que a ideia de separação entre Estado e Igreja estava suficiente claro e historicamente firmada como um ponto pacífico desde pelo menos o fim da idade media. E exageros e ufanismos racionalistas a parte, o renascimento, e iluminismo não leva esse nome de alegre. Já que o renascimento da artes e ciências no chamado período das luzes, não ganhou esse nome de graça, assim como a idade média não foi chamada por acaso de período das trevas.

Só que não. Ao que parece tem mesmo gente disposta mesmo a recorrendo a argumentos um pouco mais ilustrados e sofisticados para convencer todo mundo que não importa se a terra se é plana ou não, para todos os efeitos ela deveria voltar a ser assim considerada em vários aspectos. Selecionei um paragrafo chave de um artigo que considero um exemplo bastante ilustrativo desse esforço.

Porém antes de apresentá-los faço questão de ressaltar o que é a ponta de um iceberg, apenas uma entre muitas frentes, dentro desse cavalo de pau na estratégia de domínio e domesticação das população diante de um nova revolução nos sistemas de produção e reprodução incluso da comunicação que se tornou um obstáculo a ser contornado enquanto não puder ser completamente tomado. Ou seja, esse é um exemplo dessa nova estratégia de cooptação, que na impossibilidade de controlar o meios de transmissão da informação, volta seus os esforços novamente para outra ponta, controlar a interpretação e o processamento dos receptores da informação. Ou em bom português, já que não podem mais monopolizar os meios de comunicação o negócio agora é investir na radicalização da doutrinação e imbecilização dos consumidores de informação seja na produção do conhecimento, seja na sua divulgação. Segue:

(…) A ideia de que possamos separar a religião da política é “impossível”, argumenta ele. “A fé e a crença estão de volta de uma forma que não teríamos conseguido prever, pelo menos em um mundo ocidental que atravessa um período secular”.

Há cerca de meio século, muita gente supunha que a religião seria relegada à esfera privada, aponta o historiador. “Agora, quando olhamos ao redor, por todos os lados vemos cada vez mais povos se definindo como comunidades religiosas em vez de comunidades políticas.”

Ele cita como exemplo a Rússia, onde o presidente Vladimir Putin tem se aproximado da Igreja Ortodoxa Cristã e estimulado seu crescimento, como parte da identidade russa. Tanto que a catedral Cristo Salvador, em Moscou, que chegou a ser dinamitada sob ordens de Stálin en 1931, foi completamente reconstruída nos anos 2000.

“A religião é um dos grandes construtores da identidade coletiva”, opina MacGregor, porque cria uma narrativa para os povos.

Vladimir Putin durante celebração na catedral ortodoxa de Moscou; presidente russo tenta fortalecer a religião na identidade do país (…)

O historiador também aborda países seculares como a França — onde, desde a Revolução Francesa, impera a narrativa do “conceito de nação como religião”, segundo MacGregor.

Mas talvez essa seja a razão pela qual a França tenha dificuldade em acomodar grupos religiosos que não se definem primordialmente por essa narrativa, mas sim por outras de comunidade e continuidade. (…) — Por que escritor britânico diz ser ‘impossível separar religião e política’

Opa. Devagar com o andor. Eis um típico exemplo de como se pode construir, uma série de conclusões falsas apenas usando um monte meias verdades como proposições, ou seja omitindo da equação os outros elementos relevantes que não interessam ao resultado que seria inconclusivo ou mesmo adverso. Há quem faço isso manipulando as amostragens, há quem faça isso mais substancialmente, manipulando as conceituações. Vamos lá:

A. “A religião é um dos grandes construtores da identidade coletiva”

Credo, mitos, superstições, costumes, ritos, rituais, a fé, o senso comum de sacralidade, os costumes e os cultos a tudo que é considerado místico, sagrado e divino, a própria ideia da divindade, sacralidade e senso de mistério, que antecedem a próprio advento da religação com esse sagrado divino mistério, é a base da construção dos cultos e identidade coletiva cultural, que no entanto não está restrita a culto religioso ou religiosidade ou ao mais precisamente ao que denominamos religião e religiosidade organizada. Em outras palavras nem todo credo ou fé constitui necessariamente uma religião, Mas nenhuma religião ou religiosidade se constitui sem credo nem fé. De modo que a religião é um dos grande construtor da identidade coletivas, mas o grande construtor da identidade coletiva, inclusive a religiosa, é a fé.

B. A França — onde, desde a Revolução Francesa, impera a narrativa do “conceito de nação como religião”.

Segue o emprego falacioso do conceito de credo e crença como sinônimo de religião e religiosidade. Tal analise poderia é até valida na escatologia materialista de dentro de um culto ao Estado totalitário do tipo soviético, onde de fato a figura do Estado e dos grandes líderes assumem o papel de equivalentes das divindades teocráticas ou monarcas eleitos pelo próprio deus para os representam e governar o povo na terra. Ou mesmo para não sair da França ao culto que ao ser supremo da razão que Robesperri tentou implementar no seu regime do terror. Mas mesmo em seus graus mais elevados de fanatismo a identidade nacional, ou o culto a nação enquanto o mais fiel e fervoroso e fundamentalista credo patriótico, embora opere como exatamente no processo de fidelização como o faz religião, não consegue efetuar esse processo como credo independente. De modo que mesmo separada o Estado e a ou as Igrejas continuaram a operar em simbiose nas nações que toleravam o credo ou a emular esse credo fazendo das comunidades políticas cada vez mais aparelhos de uma credo e culto de viés religioso de idolatria a símbolos e personalidades, sejam cruzes ou bandeiras. Que o diga a múmia de Lênin, se ela falasse.

C. A fé e a crença estão de volta.

A fé a crença não estão de volta. A fé e crença nunca deixaram de habitar o corpo do homem nem da sociedade nem dos perseguidos nem dos perseguidores. Seja como a fé na sua religiosidade, seja como fé na sua racionalidade, seja como a dúvida entre pela escolha entre ambas como se fossem polos opostos, seja como o equilíbrio seja como ansiedade. O que estava latente e voltou com toda a carga nos últimos tempos, como uma infecção oportunista que se espalha nos campos destruídos por guerra, pobreza, primeiro como doutrina e pregação dogmática fundamentalista e religiosa, e agora novamente como preconceito e disfarçado de pseudociência é supremacismo em todas suas formas e mitos de gene raciais, cultural, nacional e religiosa. O que está de volta pegando onda na crise sistêmica é o culto aos todos poderosos, o poder total ou simplesmente ao poder como totalidade. Tão velho quanto os impérios, monarcas, ditadores, aristocracias, monarquias e teocracias, mas pode chamar pelo neologismo moderno totalitarismo.

D. “Agora, quando olhamos ao redor, por todos os lados vemos cada vez mais povos se definindo como comunidades religiosas em vez de comunidades políticas.”

Não é pior, o que estamos vendo é comunidades religiosos voltado a ambicionar o poder político, e o poder político flertando com a fidelização religiosa para manter seu gado no cercado. Um reforço de velhas aliança jamais completamente entre Estado e Igreja em torno de um objetivo em comum manter seu rebanho e sua tosa na forma de dizimo e tributos garantidos em tempos de vacas magras e rebeldes.

Aliás chamar Estado e Igreja de comunidades política e religiosas é de um eufemismo com aquilo que tem um nome próprio e poder que se não for brincadeira. Colocar o vaticano e a casa branca no mesmo saco de uma pequena comunidade intencional atéia ou religiosa. É colocar a padaria do Zé e a Apple como se pertencessem a uma comunidade, quando sequer pertencem a um mesmo setor, quando mais a essa fictícia comunidade. Nem corporações são sociedades. De modo que grandes corporações empresariais, Estados tem mais pontos em comuns com Igrejas, que são conglomerados, empresariais, bancários, financeiros e até mesmo ainda Estado Teocráticos Absolutistas como o Vaticano do que com comunidades ou mesmo sociedades de qualquer forma, dimensão ou espécie. Essas pessoas jurídicas tem muito mais denominadores e interesses comuns entre eles do que com as pessoas e suas relações e organizações naturais.

Corporações religiosas ou políticas possuem uma mesma lógica e arquitetura a ordem hierárquica. De modo que é uma comunidade religiosa sem um estrutura política hierárquica não é uma religião organizada

Sem a menor dúvida que as comunidades e sociedades estão mais cosmopolitizadas e não só determinadas, mas que a dispostas a autodeterminação do seu credo e sua fé. Mas é justamente por conta desse progresso na disposição a autodeterminação e politização que em reação contrária, ou contrarreação reacionária se preferir, Estado e Igreja estão novamente se unindo. Dizer que esse tipo de credo e crença estão de volta, e vão prevalecer é tanto uma leitura da atualidade ou previsão de futuro autorealizada, porque é muito fácil dizer que um determinado credo ou crença prevalece quando sua concretização está baseada justamente na repressão e eliminação dos demais.

É muito fácil ler ou predizer que a tendência dos povos é o retorno a idolatria aos todos poderosos quando a cada primavera dos povos é esmagada com toda potencia, prepotência, superpotência e onipotência de bombas e fuzis e a eterna chantagem terrorista do apocalipse agora na forma dos invernos nucleares. È muito fácil dizer que os velhos ditaduras, os velhos monopólios e monarquias, aristocracias e oligarquias hão de manter ou retornar quando jogando novas gerações inteiras na vala para se perpetuar e prevalecer.

E. a razão pela qual a França tenha dificuldade em acomodar grupos religiosos que não se definem primordialmente por essa narrativa, mas sim por outras de comunidade e continuidade.

Outras Quais As que constituíam a identidade e posse de um território pela exclusão e escravidão de outras raças e religiões. Aqui entra a conclusão absurda. Onde se caga na sopa e depois se põe a culpa na água, e não bosta. Pregando que se coma a bosta e se jogue fora a água. Essa é a natureza dessa falácia. O autor chega a conclusão que a intolerância dos Estados-Nações deriva do fato do patriotismo e nacionalismo terem se tornado praticamente a imagem e semelhança de culto religioso à pátria e a identidade nacional. Verdadeiro. Mas daí a conclusão que é impossível separar política e religião, porque a fé sempre esteve presente na formação da coletividade isso é não só completamente falso, isso é dogmático, reacionário e preconceituoso. E preconceituoso contra minha própria fé e religião libertária, que não só é a prova de é possível, como tal impossibilidade já existe. Inclusive institucionalizada e e registrada em cartório- o que diga-se de passagem não é grande coisa, nem significa nada, exceto quem mesmo sendo uma fé libertária não pode ser excluída pelos parâmetros predominantes e excludentes e prepotentes de renegação autoritária do que é fé e religião, não sem contradizer seus próprios critérios.

Há portanto uma falácia autoritária nesse argumento de autoridade. E ela não é pequena. O autor pressupõe- e deponha-se em favor dele assim como os próprio racionalistas- que a fé e o credo sejam objetos exclusivos da pensamento religioso, quando a fé e o credo é a base epistemológicas de todas as formas de pensamento até mesmo os ultrareduzidos ao mero racionalismo ou crentismo. O fanático racionalista não gosta de ver seu pensamento como o fruto do um credo absolutista na razão. Faz parte do seu dogma acreditar que o raciocínio e a racionalidade se sustentem sem carecer de outra base senão a própria razão, como um Barão de Munschangem a erguer-se puxando-se pelos próprios cabelos. Mas como bem sabe o cientista consciente é impossível colocar em dúvida a pressuposição de que processamento racional das observações empíricas fornece conhecimento correspondentes a realidade dos fenômenos sem com isso colocar em xeque a validade da próprio pensamento racional e científico. Tal possibilidade de aquisição do conhecimento e sua validação carece por parte do praticante do pensamento cientifico nada menos de que fé, a certeza ou suspensão da dúvida de que aquele caminho da razão seja o verdadeiro. No entanto essa fé na razão, não faz da ciência uma religião, nem muito menos a reduz a um credo. Para tanto é preciso que esse pensamento reproduza os caracteres que caracterizam a credo organizado como religião, a começar pelo culto a autoridade e hierarquia no lugar da comunidade e liberdade de heresia, ou seja questionamento. De fato dentro da própria religiosidade, há um caminho há uma distancia enorme e substantiva que separa o credo e espiritualidade que busca a ligação ou religação como o sagrado, e a que cultua ou mesmo idolatra como sagrada o poder e ordem piramidal e hierárquica em suas faces singelas ou violentas.

Assim como o cientista não é necessariamente um niilista da religiosidade ou um cultista fanática da razão como uma entidade ou divindade. Também o ateu ou mesmo o agnóstico não é um niilista da espiritualidade desprovido de fé e crença. Nem a convicção de que divindades não existem, ou de que não podem ser conhecidas longe de ser a mera negação da fé alheia é a afirmação da sua fé. O que seja impossível ao menos enquanto ainda se está vivo, ou não se mata é o perfeito niilismo ao menos credo onde a pregação coerente com a prática. Da mesma forma se processa a fé na liberdade e libertação que longe de ser a mera negação do culto e idolatria ao poder absoluto e todos poderosos, é a afirmação na credo na livre vontade e liberdade como força criativas, criadoras inalienáveis e elementares a todo universo e suas criaturas.

De modo que não só é possível separar e sábio separar política de religião, mas é possível conceber e praticar ambas livremente sem precisar cair no vicio das relações de poder e sua adoração nem como estado ou doutrina laica nem teocrático.

Seja portanto uma anarquista ou hierarquista o erro dentro do pensamento político ou religioso não está no credo em si, mas na sua pressuposição prepotente a imposição. A fé na liberdade como razão não carece de subsidio autoritário nem de monopólio da violência nem idolatria e obediência cega ao poder. Mas justamente o sentimento e discernimento contrário. A fé é um estado de espirito de fato inseparável da manifestação da força de vontade e expressão da livre vontade como liberdade de credo e consciência, mas as suas formas preestabelecida não são só desintegráveis como dispensáveis e tão obsoletas quanto presas para um ser que não de livre e espontânea vontade não quer evoluir como um predador. De modo que o argumento que por ter sido assim, não é uma justificativa para que continue assim. A guerra e a violência também estão na gene cultural e histórica da identidade coletiva humana e isso não a justifica nem a legitima os argumentos que pretendem perpetuar sua continuidade.

O Estado como se fosse uma religião que impede a manifestação religiosa, não é senão a imposição de um culto e um credo contra todos os demais. E não mais a tolerância de todos os credos, religiosos ou não, que aceitem conviver em paz com os demais. A base da fundação do estado de paz de direito democrático à liberdade e sua defesa, não composto do culto totalitário nacionalista ou religioso ao poder supremo todo poderoso mundano ou transcendental, mas justamente do principio associativo de legitima defesa mútua contraposto, o contrato social das população contra todas as espécies de tirania de indivíduos, bandos ou seitas que desejam ou se arrogam o direito de impor sua vontade e forma de viver como soberana sobre os demais. Que o digam aqueles que migraram para a América não como conquistadores mas como fugitivos da perseguição religiosa e política no velho mundo.

Não é uma questão se a cultural e sociedade é religiosa ou laica. é uma questão de proteção da paz, ou o que é a mesma coisa da proteção a tolerância necessária a convivência. Proteção a tolerância que longe de ser a tolerância com os intolerantes, é a intolerância com os intolerantes. Sociedades livres não são sociedades sem regras, nem muito menos de cagação da liberdade como regra. São sociedades de proteção mútua da forma de viver de cada pessoa e grupo contra toda pessoa e grupo que não admitam que outros vivam de forma diversa a sua. De modo que seja o Estado-Nação seja a religião, qualquer individuo ou coletivo que queira impor-se através do ameaça, coerção ou monopólio da violento estatal ou não, esses indivíduos e grupos não só inimigos entre si, mas perseguidores de todos os traidores e infiéis são a constante ameaça as sociedades de paz e liberdade e o estado formado por sua congregação e confraternização. Os bandidos e tiranos dispostas a violar e violentar incluso em nome dos seus credo e ordens superiores ditas desse mundo ou além.

Ninguém é obrigado a conviver com ninguém nem pode forçar isso. Mas não pode privar os demais do seu igual direito de sobreviver, enquanto usufruto dos meios e espaços necessários para tanto sob pena de declarar na prática um estado de guerra contra os excluídos. Prover a segurança e subsistência dos meios e espaços públicos e privados para que as pessoas possam viver juntas e separadas se quiserem e quando quiserem livres da coação e coerção, invasão do privado e exclusão do público, garantir o direito bem e espaço comum como participação e acesso, assim como o bem e espaço privado é a base fundamental para a garantia de liberdades fundamentais que fundam o estado de paz. Fazer tal distinção dos limites de jurisdição sobre a liberdade de consciência, manifestação, identidade e forma de viver de cada pessoa e associação religiosa, politica, cultural, é liberdade fundamental, o mínimo denominador comum para que a sociedade se mantenha e com ela o estado de paz.

Claro há o outro método mais primitivo e antigo de manter a paz, o imperial, das ditadura e tiranias, mas como a história ensina ele não passa senão de um o ciclo interminável de entreguerras e revolução a degenerar e decair em novas ditaduras falidas e decrépitas. A mera trégua entre guerras por expansão territorial não raro para sufocar os levante populares em tempos de falência do arcabouço jurídico, socioecômico e institucional. Por sinal estamos justamente num desses períodos de transição onde a guerra que antecede a nova ditadura esmaga de forma definitiva mais um levante dos povos. Uma outra perspectiva da história e seu progresso, um pouco mais popular e libertário. E dentro dessa perspectiva é importantíssimo não se deixar e confundir e apropriar a revitalização da espiritualidade e sacralidade e naturalismo como se fosse o retorno reacionário ao cultismos e adoração ao poder como representação absolutista da realidade e espiritualidade.

A fé é manifestação concreta da liberdade de credo e consciência não é produto do advento da religião, assim como a ordem não é produto do culto ao pátrio poder como o sagrado estado e seus bíblias. Crer no oposto, ou o que é a mesma coisa perder a fé na sua própria livre arbítrio, vontade e razão, longe de trazer luz e lucidez, traz as trevas e banalização da loucura como cegueira da própria sensibilidade e razão. De modo que a revolução como salto e progresso não é aquela que destrói o que foi construído e restitui o velho travestido como se fosse novo, mas o novo que nasce de fato da transcendência das contradições não como síntese dos polos opostos cíclicos e simbióticos a sustentar um ao outro como mera alternância de mais do mesmo, mas como nova ciência e consciência até mesmo da fé.

A fé na capacidade de crer passa longe da credulidade e sua exploração como religião, na verdade caminha no sentido o libertário, como credo e fé. Fé na consciência como manifestação genuína da liberdade de credo, e credo na ciência da liberdade como fenômeno gerador elementar da livre vontade e consciência como a concretização da realidade e seu conhecimento.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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