Por que a Liberdade e não a igualdade?

E porque não só a Liberdade sem a igualdade e universalidade?

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Liberdade é uma propriedade, igualdade um padrão pelo qual organizamos tal propriedade. A igualdade ou sua ausência antes de ser um estado dado por comparação é uma lógica. Uma condição entre pessoas e não das pessoas. A igualdade e a desigualdade são abstrações que carecem de referencia a coisas reais para fazer sentido enquanto uma condição. A liberdade é uma dessas referências, ou formas de referenciar a realidade que confere sentido a tais conceituação. A liberdade também se refere a relações. Mas não só a elas. Podemos nos perguntar quando dizemos que somos livres: De quê ou de quem estamos livres? Mas por vezes a palavra liberdade pode estar nomeando uma outra condição ou fenômeno que como a chuva não precisa de sujeitos. Quem chove? Para quem? A chuva choveu? A nuvem choveu? Não. Simplesmente chove. Ela é um fenômeno em si. Como ser livre. Ser igual ou desigual sempre implica uma relação. Ser livre implica estar sobre a posse e controle de si mesmo como a propriedade das propriedades. Isto é ser um sujeito e não uma coisa, um ser ao qual se atribui qualidades e propriedades sobretudo inerentes que o definem como ser e não como coisa. Ser livre é por definição possuir a propriedade de não ser uma propriedade mas o proprietário de si mesmo. Não estar sob a posse de ninguém por nenhuma força ou desejo seu ou alheio, mas governar a si mesmo de acordo com o fenômeno que constitui seu existência como entidade e identidade autônoma: a força da sua livre vontade.

A liberdade é portanto um fenômeno que independe da nossa capacidade de concepção e entendimento e até mesmo da nossa existência particular e material. Pelo contrário, ele é a condição absolutamente necessária para o surgimento e desenvolvimento das três: as concepções; o entendimento; e a própria existência dos seres dotados de intelecção, capazes de efetuar a ambas, sozinhos ou em comunhão de significados e sentidos existenciais.

A liberdade é neste sentido mais do que uma propriedade natural dos seres, a liberdade, é a sua essência. O fenômeno que dá origem a sua existência como propriedades. Na natureza não existem propriamente falando portanto igualdade nem desigualdade, mas diferenças de forças e condições de existências. É da capacidade dos seres de abstrair tais propriedades como concepções e estabelecer relações entre eles que nasce a noção da igualdade e desigualdade.

Isto não quer dizer que a desigualdade ou igualdade sejam meras abstrações ou ficções. Isto quer dizer que estes estados de relações são construídos artificialmente quando os seres dotados da capacidade de intelecção para conceber propriedades e liberdades passam a estabelecer relações intermediadas por essa intelecção do mundo.

As relações não são abstrações, não são invenções do intelecto. Elas são ligações tão reais quanto as propriedades e forças dos seres e entre as coisas. Porém sua conceituação, a lógica pela qual as compreendemos não corresponde a nenhuma relação além daquela que estamos construindo de acordo com a manifestação dessa vontade enquanto concepção que assim exatamente dessa forma se manifesta no mundo.

As diferenças de igualdade, isto é as desigualdades e igualdades entre os seres naturalmente diferentes ou comuns são produto da nossa discriminação. A liberdade que emana inclusive para a construção mental e social desse processo de inclusão e exclusão não. Já a liberdade não é meramente uma concepção, mas uma força criativa geradora das concepções e lógicas que operam e relacionam esses seres tomados como propriedades dos sujeitos pensantes, tanto no plano das ideias quanto nas das suas relações reais, incluso mais ou menos iguais ou desiguais.

A igualdade não se opera sem primeiro efetuar a discriminação entre ao menos dois seres distintos e reconhecer suas distinções. A igualdade entre todos que compõe tanto o conjunto universo, quanto as noções de universalidade que são a igualdade entre todos, da mesma forma, não se efetua sem a religação entre todos os seres percebidos e reconhecidos em sua comunhão como partes de um todo.

Nesse processo o ente pensante pode supor que esse todo é apenas um construto mental, que o Universo é apenas a ideia do conjunto de todos as coisas. E não a existência como um todo manifesta em cada ser particular ou até mesmo abstraída em coisas ou propriedades sem existência própria de fato, isto é, sem força própria inerente que confere a sua capacidade de manifestar como ser dotado de livre vontade, o fenômeno natural gerador da vida: a liberdade.

O porquê então da igualdade? Porque estabelecer sociedades iguais?

Iguais em quê? Essa é a grande questão. Se a igualdade não existe sem referencia sobre o real, e dependendo sobre o que se estabelece esta igualdade entre os seres naturalmente diversos não temos igualdades, mas de fato travestidas de igualdade de termos. Não temos um ideal de justiça, mas ideologia.

A justiça, é uma noção e sensação que se estabelece entre os seres que acreditam que são iguais e tratados com equidade por seus semelhantes. É uma noção de pertencimento a uma comunhão que estabelece a identidade comum desses seres e reconhece e protege nesse reconhecimento sua existência ou mais precisamente sua forma de vida. A falta de justiça fere os até mesmo os animais dotados das formas mais rudimentares de sensibilidade e consciência pelo simples fato do que ela implica: renegação existencial.

Uma pessoa que não é considera uma igual enquanto pessoa está vulnerável a ser tratada como coisa e propriedade das demais na exata medida da sua despessoalização.

Tomem os macacos, por exemplo.

Suponha agora que os macacos são seres dotados de sensibilidade e intelecção e consciência similares a nossa, mas não suficientemente articulados para manifestá-las, ou nós insuficiente inteligentes sensíveis e conscientes para notar seus apelos pela sua vida. É a falta de uma noção de justiça baseada no conceito de respeito ao direito igual a vida e liberdade dos seres que impede a abolição do holocausto dessas outras formas de vida, e claro a nossa humanização além de macacos apropriadores de tudo que está ao não alcance incluso a vida dos outros seres sencientes, conscientes humanos ou não como se fossem coisas. Supremacistas, emfim. Isto é, defensores da desigualdade mantida inclusive pela violência que quem se pressupõem como seres superiores impõem como seu “direito” de dispor da vida dos que tomam por inferiores para fazer o que bem entendem. Mas que superioridade é essa que carece da violência e monstruosidade para se manter?

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Quando falamos de liberdade como fenômeno e direito natural não estamos nos referindo as relações subordinadas a lógicas das concepções ou condições artificiais e até mesmo antinaturais das ideologias humanas. Essas são as relações de poder, que se estabelecem por oposição das forças de vontades através do emprego da força sobre a propriedade alheia e comum como agora exclusivamente sua e não mais do outro ou também dele.

E dizer que os limites que se estabelecem entre as relações humanas se dá sobre as limitações suas liberdades é um crime contra essas liberdades e humanidades.

Não se protege liberdades usurpando-as ou delimitando-as. As liberdades como direitos naturais estão delimitadas justamente pela co-existência não de vontades que se destroem ou violem a liberdade e a vida alheia. E definir atos de força, poder e imposição da vontade como se fosse um excesso de liberdade, é uma inversão de valores e perversão de principios, que funciona como uma armadilha de poder. A armadilha de quem toma o direito que todos de temos de frear não só violência e violação como uma forma de poder absoluta, mas que funda a contradição na qual a liberdade que era originalmente para ser protegida passa a ser perseguida pelo poder e violência maior para dominar tudo e todos como monopólio da violência.

“Excesso de liberdade” não é portanto só um eufemismo, é uma deturpação, porque os excessos que violam e violentatam os outros não se efetuam através da liberdade sobre o controle ou descontrole da própria vida, mas sobre o controle e descontrole, invasão e interferência sobre a vida, o que não é liberdade, nem direito, nem dever, o contrário de tudo isso, mas poder e suas violações da vida e liberdade alheia.

Logo nenhum poder estabelece justiça. E não o faz exatamente porque se arroga como qualquer outro criminoso ou tirano o direito sobre o que não tem jurisdição a soberania sobre o outro, algo que um não tem o poder para renunciar, nem o outro o direito, nem muito menos o dever para exercer em seu lugar.

A justiça se estabelece como ato de legitima defesa de preservação e restituição da igualdade sobre aquelas propriedades que correspondem justamente a liberdade dos indivíduos. E tão legitimo é esse direito de defesa como justiça quanto maior for a violação contra as formas mais fundamentais e necessárias de manifestação da liberdade, como a vida.

Disto também se infere a outra falácia de quem toma a vida e liberdade alheia como propriedade da sua jurisdição e poder: A falsa distinção ou discriminação entre Vida e liberdade: que não são meras abstrações ou decretos mas fenômenos integrados que não existem nem se sustentam apartados um do outro. E só são tomados assim segregados por seus apropriadores e violadores. De tal modo que as suas posses de fato e de direito são inalienáveis. Pois a liberdade como anima não dá apenas o sentido da vida, mas é como sua força criativa a essencia que dá lhe dá tanto forma como todo o potencial da sua vocação e geração.

Igualdade de liberdades ou autoridades?

A igualdade portanto inexiste onde há o desigualdade de poderes e autoridades, porque essa condição é a negação da liberdade e sua redução a relação de poder e consequentemente a redução do conceito de liberdade a liberalidade a permissão de quem detém o controle sobre a vida e liberdade dos demais do que eles podem fazer ou não sobretudo contra ele mesmo que ele seja a próprio violador da vida, liberdade e propriedades absolutamente necessárias a sua preservação.

A redução da liberdade enquanto fenômeno natural e absolutamente necessário a vida e a sua preservação a mero privilégio concessão de quem detém o poder e a posse de fato dos seres naturais como objetos de consumo ou recursos ambientas sob a sua jurisdição é a própria essência da ideologia de poder como negação da vida e liberdade natural. É a essência da perversão desses ideias e ideais pela renegação desses direitos naturais como fenômenos independentes da sua intervenção. É o supremacismo, a cultura ao poder que leva a credulidade de que sem este poder, as pessoas estariam completamente vulneráveis, não teriam como se defender sem ele, quando em verdade é na submissão a uma potencia supremacista que as pessoas perdem sua força para se defender mutuamente de toda tirania e violência, a começar do seu monopolio: o estatal.

O culto ao estadismo, a cultura do monopólio da violência leva seus crente a fieis a acreditar que sua vida e liberdade são dádivas do poder supremo e não atributos naturais sagrados da sua própria existência, inclusive para viver em livre comunhão de paz. A igualdade que se estabelece pelo reconhecimento de propriedades que pertencem a cada ser como suas propriedades fundamentais tanto particulares quanto comuns. A comunidade dessas propriedades tanto como respeito a exclusividade de posse e usufruto dessas propriedades do que é particular, quanto respeito a propriedade comum de tudo que direito de usufruto compartilhado e dever de preservação de todos.

Umas sociedade entre iguais que aol longo da história “pode” se estabelecer pela posse de todo e qualquer tipo de coisas até mesmo de gente ou outros seres dotados de anima. Mas isso não destitui os expropriados e apropriados de seus legítimos direitos naturais de defender sua vida e liberdade com todos os meios necessários contra esses apropriadores violentos. Ou seja poder pode, porque as leis do poder são invenções e convenções, já as consequencias e desastres e misérias ainda que sejam provocadas pelas ações humanas são regidas pela lógica ou razão da lei natural e nela as punições são consequencias da inconsquencias a longo prazo para toda a humanidade. O que não quer dizer que seus causadores saibam ou se importem como isso mesmo se forem também afetados.

De fato é um monopólio da violência (e ignorancia) e não um estado de paz. Ou mais propriamente é um estado de guerra mantido não só contra todas as pessoas obrigadas a lutar por não ter como para sobreviver porque privadas de seus meios e direitos naturais, mas de permanente insegurança e terror contra todos diante da eterna ameaça de uma possível revolta dos dominados, marginalizados e excluidos pela desigualdade de liberdades, posse e autoridade sobre o que é vital para todos.

Um estado de paz que só se estabelece como justiça, com a extinção das razões mais primitivas para o conflito. Ou seja, com o reconhecimento do direito a vida e liberdade de todos os seres dotados de vontade, força e portanto todo o direito natural do mundo de lutar por elas. Pois, não existe paz sem justiça. O que existe é tregua forçada e efêmera promovidas por dissuasão da supremacia da força. Varie o equilibrio da forças dessas ameaçãs e o que temos é a história da humanidade: paz e prosperidade entre períodos de crises, guerras e holocaustos. A ilusão de segurança por poder e violência.

Liberdade como direitos e Justiça como deveres sobre bem comum

Justiça demanda igualdade não de riquezas mas de propriedades fundamentais, aquelas que não são concebidas nem podem ser concedidas tiradas nem tomadas pelos homens uns dos outros por relações iguais ou desiguais de poder. As propriedades fundamentais que compõe a liberdade como direito natural. Do corpo, da vida, do pensamento, e também dos bens comuns que não podem ser apropriados com exclusividade por ninguém individualmente ou em grupo sem colocar a preservação da vida e liberdade dos demais em risco. Aquela propriedade natural que numa comunidade é o poço de onde todos retiram a água, e que se algum bandido se disser o dono o governante para tomá-lo exclusivamente para si ou regulá-los aos demais, acabar com ele ou defecar nele, aquela propriedade que quando violada é como se esse violador invadisse a casa de cada um dos habitantes e desse um soco em cada morador e cagasse em sua comida.

Isso é um bem comum, o que se faz com esse infeliz na exata medida para impedi-lo de tomá-lo e destruí-lo legitima defesa, e o usufruto desse bem a liberdade que ninguém dá nem tira do outro apenas se respeita como um direito natural, se não quiser viver como em permanente estado de guerra como o inimigo deste povo, desta humanidade e de toda a natureza que carece desse recurso como a liberdade fundamental absolutamente necessária a sua vida.

Ninguém pode decidir sozinho o que fazer com esse fonte. Ou fechar as estradas e caminhos que dão acesso a ela. Não pode cobrar por isso, porque não é seu. Não pode ter posse sobre o que não é fonte de riqueza mas de pobreza e morte alheia, fonte de vida do outro que não criou, mas tomou e com certeza se o fez considerando as consequências não fez sem violência ou a ameaça de usá-la.

Igualdade sem referencia as propriedades não tem sentido. E sem referencia as propriedades que são universais porque são fundamentais a todos, não é senão uma falsificação ideológica para assinalar quem detém privilégios antinaturais como se fossem direitos naturais e poderes baseados na violência e violação como se a as liberdades fossem meros atributos de relação e não a condição derivada do acesso as propriedades necessárias quanto as próprias propriedades e capacidades de usufruí-las como o fenômeno natural indissociável da vida como liberdade.

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Não há irmandade sem igualdade, nem igualdade sem liberdade.

É por isso que a liberdade, não está acima da igualdade nem da universalidade, ela vem antes como fonte geradora e principio criativo necessário a ambas. É a propriedade de fato da igualdade e o da iversalidade o principio gerador. O fundamento da ligação tanto conceitual e social quanto de fato e natural da diversidade entre todos os seres constituídos a partir desse mesmo fenômeno complexo: a liberdade.

Renunciar a ordem natural, geracional, gregária e libertária da vida em favor da ordem hierárquicas, autoritárias e supremacistas é entregar-se em holocausto, é perder sua sua alma, sua livre vontade em favor do poder e vontade alheia. É alienar-se da sua identidade e sentido de existência que não é outro senão aquele que você concebe como tal, pois nessa capacidade proprioceptiva reside toda a sua humanidade, renunciar ao que há de sagrado e divino em nossa existência. É desistir da vocação da nossa forma original de consciência, que a imagem e semelhança da própria criação é capaz de se materializar e transcender como próprio-concepção da sua essência : a liberdade.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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