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Por favor, soldados não façam uma intervenção militar

Não, este texto não é uma parodia. Também não levo a sério o pedido de intervenção militar para vir contestá-lo. Não é esta intervenção que me refiro; a chance da parcela mais sem noção da população sensibilizar os militares com seus apelos é praticamente nula. Militares não atendem pedidos, obedecem ordens. Talvez os soldados possam ouvir algum apelo popular, por isso tudo que peço aos soldados é que não atirem contra seu próprio povo, mesmo que esta seja suas ordens superiores. Isto não é insubordinação, é a recusa em cometer crime não apenas contra os verdadeiros soberanos, mas inocentes. A população não tem poder para pedir nem ordenar golpes porque tudo o pode fazer é se rebelar e protestar, golpes só pode ser dado por governantes que não respeitam manifestações populares e pacificas e se levantam contra o povo.

Falar sobre isso agora pode parecer muito absurdo, mas a história mostra que quanto mais as crises aumentam a noção da realidade de quem está no poder diminui, e o que tende a prevalecer são os piores abusos contra a população. Por isso como não é possível mais saber o que nenhum dos atores políticos que ficam ou querem a todo custo são capazes de fazer, tudo o que resta é pedir para quem estiver na ponta de lança, que se a economia estourar, os governantes surtarem de vez e a população forem pras ruas não vão obedecer nenhum comando de repressão contra greves e protestos mesmo que os golpistas as decretem, digam que o povo é massa de manobra de fascistas, golpistas ou que os manifestantes já não seja mais gente tão “branca e educada”.

Sigam sua consciência, não queiram e não façam. Na revolução as pessoas se arriscam e lutam voluntariamente nas suas próprias causa por sua vida propriedade e liberdade, nos golpes manda gente, soldado para fazer o que não tem coragem por conta própria, e eles não têm coragem de lutar nem por conta própria. Não falo, portanto dos tolos que pedem, mas os idiotas que tem poder para mandar e mandam. De qualquer forma a burguesia pequena ou alta de esquerda ou direita não trai suas origens, nem deixa de lembrar a origem do próprio Estado. Tentam ainda imitar a nobreza, na hora H chamam o soldado e o assalariado para se atracarem uns aos outros. É manifestação popular? Chama os soldados da polícia. É guerra é revolução? Manda os soldados do exército. Tome por exemplo a guerra com o Paraguai. Quem foi para luta pelos interesses dos outros. Os escravos. Porém vale lembrar que são deste tipo de torpeza uma que surgem as transformações sociais, delas vieram a abolição e a república, tortas e ainda esperando para serem completadas e refeitas, mas surgiram.

Isto não é a historia do Brasil isto é o Mundo. Você acha que se guerra e revolução fossem feita por quem as inventa, provoca ou declara, você acha que quem lutasse fossem os filhos deles e não vocês? Você acha que os dois lados da ponta de qualquer cano de arma não tivessem a mesma origem tinha tanto governo tão prepotente, um contra o outro, ou com o seu próprio povo? Você acha que se as pessoas tivesse como viver ia ter tanta gente se pondo para morrer e matar gente que não fez nada contra elas, gente que nunca viu na vida e por trocados? Você acha que se rico tivesse o poder politico e econômico tivesse que lutar suas guerras por poder, morreria tanta gente inocente?

Tudo o que peço para os militares não é que façam alguma coisa, é que não façam nada contra gente inocente para salvar bandido. Por favor, não interfiram quando receberem ordens para reprimir quem protesta por justiça, não impeçam o avanço pacífico das manifestações pacíficas de gente honesta e trabalhadora mesmo quando a revolta não for mais de gente tão branca e rica.

Há horas que a maior coragem de um homem não é a luta, mas a paz. E isso não é covardia nem traição, é o oposto é enfrentar covarde e traidores porque quando os governantes de um país se vendem, e seus comandantes junto com eles são todos subordinados não só pode desobedecer os traidor e criminosos, ele tem o dever de destituí-lo do comando e prendê-lo em flagrante quando sua ordem for para ir contra a população.

Não deem ouvidos a malucos, não precisa derrubar governo nenhum enquanto ele não se levanta contra a população. Se tiver que ficar os políticos, seja do executivo seja do legislativo que fiquem, se tiverem que cair que caiam, mas sem violência sobretudo contra gente de paz que tem o direito de pedir sua queda. São os governos que tem obrigação de não se fazerem de surdos ou loucos a demandas populares e não a população que deve se calar ou se conformar com crimes, com medo do que pode vir de pior. As máscaras dos falsos salvadores da pátria caíram. Por isso quando o perfil das manifestações mudarem, quando vier gente pobre e desesperada, sem apoio da TV sair para ruas, e pior for acusada pelo seu governo popular vendido de ser massa de manobra de fascistas, não acreditem.

Evidentemente que não estou falando do momento atual. A economia pode se recuperar, mas essa história de vai que dar certo porque “tem que dar certo”, quem lembra sabe onde dá. Embora não me identifique com seus atores, não desqualifico o momento atual das manifestações nem as relego a um plano menor. Mas a insatisfação e revolta popular que narro aqui ainda não existe e só considero ela um risco justamente pelo ridículo negacionismo governista e conspiracionismo até mais aliado do que oposicionista. Esta disputa de poder irresponsável e explosiva não tem aumentado nem diminuído os riscos de golpe, mas sim só feito o risco de uma explosão social crescer. E eu não estou preocupado com eles. Eles eu quero que se explodam mesmo. O problema é que não se surpreenda que os mesmos atores políticos que incitam o ódio, depois que a fumaça do circo pegando fogo encobrir seus rastros vão voltar abraçadinhos em públicos para pregar a paz e o amor e a eterna salvação de suas peles.

Guardadas as proporções, esta é a mesma tática norte-americana no mundo, primeiro tacam fogo e bombas em tudo, depois vem pagar de vítima, polícia e bombeiro. Pois nada, como puxar brigar com Estados e governantes de outro lugar ou do passado piores ainda que você para fazerem seu próprio se esquecer do quanto você é ruim aqui e agora. Eles são todos iguais. Porém alguns mentem melhor que outros. Ou pelo menos disfarçam. Que político é viciado em poder todo mundo sabe, mas Brasília parece uma cracolândia, eles mal saem da UTI jurando que estão limpos e que vão pensar no Brasil, e no dia seguinte a pauta é… eleição 2018. Não tem mais jeito. Salvo um novo evento e não, nem virá da Globo nem ITAU, a tendência é que eles aprofundem a resseção e o arroxo a níveis que nem a economia nem a dignidade do brasileiro aguente.

Talvez esteja errado. Talvez esteja idealizando o brasileiro. Dizem que o brasileiro é um povo bovino que vai pro abate feliz e caladinho. Duvido. Alguns dizem que surgiu uma nova classe social que não vai aceitar perder tudo o que ganhou nos últimos 20 anos. Eu acho que não será nem esse o fator determinante da insurgência, mas algo bem mais simples e que renasce naturalmente bastando não ser podado. Há uma nova geração que não vai engolir todo esse lixo calado simplesmente porque nenhum jovem ou povo é quebrado sem um regime que destrua sua moral com censura, polícia ideológica e claro, violência contra quem não se cala.

O momento pode parecer bastante ruim. Mas é também uma oportunidade única. Lembrem-se quanto mais ao topo os autoritários vão perseguindo seus desejos de poder, mais distante de tudo e de todos e da realidade eles vã ficando. Foram cheios de si, sozinhos, teimosos e encastelados, falando e ouvindo seus bobos da corte que os reis caíram. Hoje o topo da esquerda e direita autoritária no poder estão mais poderosos e próximos dos poderosos, e mais do que nunca, mais distantes e isoladas como nunca antes na historia do Brasil.

As eleições estão chegando. As conspirações de alcova podem ter dado um tempo para que resfriem os ânimos da população, mas poucos deles parecem ter mesmo entendido que não estas ou aquelas eleições que estão em jogo, mas o regime que pode implodir antes delas por falta de sustentação. A pergunta não é quem vai disputar 2018 ou se a Dilma fica até 2018, a pergunta é que país haveremos de ter até 2018?

1. Será que carnaval e as olimpíadas vão dar conta? Globo futebol e novela já parecem não ter exatamente mais o mesmo efeito que tinha na sua avó. Militância de Internet vai segurar o rojão? O povo vai mesmo suportar indefinidamente pagar as contas do estupro da república? E essa nova geração, o que estes velhos no poder o que eles vão fazer com ela? Precarizar direitos de trabalho, prender e matar?

2. A economia se recuperando, haverão aqueles que pagaram a conta aceitando o seu futuro roubado? E se não se recuperar? Greves e protestos acontecerão? Os soldados que vem estão mesmos “treinados” para atirar no seus próprio povo? E mesmo o baixo oficialato que vem da pequena burguesia a mais revolta hoje, vão eles também aceitar as ordens dos velhos corruptos e obedecer como “vacas fardadas”, assim como os novos juízes?

Não sei. Mas a persistência em erros e perspectivas tão contraditórias só me dá uma certeza, neste choque de realidade pode haver confrontos e por mais otimista a parte desarmada costuma não levar vantagem. É por isso mesmo que não podemos nem devemos esperar por isso. E se escrevo este artigo é justamente como todos os demais. Não é para fazer previsões, mas evita-las. Não é um chamamento, quem me conhece sabe que eu não fico pregando esse tipo de coisa. A carestia ou mesmo a privação de liberdades poderá sim desencadear um ato de revolta legitimo da população que deve ser apoiado, mas estas revoltas populares embora legitimas deveriam ser evitadas por atitudes de instauração da ordem e não acobertamento de crimes. O que no Brasil não quer dizer restaurar nada, mas revolucionar tudo.

Sim, prego a queda de tudo que está atrás não dos políticos, mas de toda a politica representativa; não quero este ou aquele fora, que caiam todos com seus sistemas e esquemas junto. Não nego que defendo a substituição desta estrutura arcaica e podre por uma nova, mas não assim. Já disse antes e faço sempre questão de repetir, não quero poder quero liberdade: não quero projetos de poder nem golpes, mas revoluções e garantia de liberdades fundamentais. Não exijo a queda de ninguém, tudo que eu demando é que eles renunciem a sua pretensão de soberania sobre a minha pessoa.

Entretanto tudo isso eu já disse antes. Aqui para encerrar, quero dizer que para chegarmos lá, sem retrocesso, vejo no poder judiciário uma saída pacifica principalmente em caso de emergência. O poder judiciário deve fazer tudo que é preciso para que se restitua pacificamente a ordem e isto significa diante da deflagração de revoltas populares não dar aval a perseguição da população, ou esperar por atitudes de renuncia magnânima da classe politica em favor do país. Deve o poder judiciário diante do conflito deliberar pela convocação de uma nova constituinte antes que seja junto com executivo e legislativo, também destituído pela população, senão por conivência por omissão.

Não adiantaria numa revolta desta ordem inventar bodes expiatórios, nem a cabeça de presidentes salvam, nem muito menos a convocação de novas eleições ainda mais junto aos mesmos partidos que jogaram o país no caos. É preciso convocar uma nova constituição através de instrumentos de comunicação entre o poder público e a sociedade capaz de instituir uma verdadeira democracia direta. E para não dizer que estou pedindo uma nova constituição sem ter em mente novos princípios constitucionais que justifiquem tamanha revolução, segue ao final deste texto 10 sugestões EcoLibertárias de princípios constitucionais.

Claro que nem eu, considero que tudo que eu proponho é o ideal, nem que a maioria das coisas será aplicada. A bem da verdade, escrevo mais por desencargo de consciência, não vejo no presente quem queira me ouvir, e como disse como sou libertário e não autoritário, não me acho dono de verdades nem muito menos com direito de impor nada a ninguém. De qualquer forma, ou melhor, por isso mesmo acho que toda discussão aberta a decisão da sociedade que não seja fruto da imposição ou manipulação da prepotência governamental e empresarial é melhor do que o descaminho que eles estão nos levando. A austeridade deles vai funcionar? O ajuste fiscal vai funcionar? Com todos certeza, para eles… Porém até mesmo aos seus interesses a uma dúvida no ar: vai dar tempo?

Lei antiterrorismo? Terroristas? Se vossas excelências me permitem o aparte foram vocês que transformaram o Brasil numa bomba-relógio. E acho melhor acabarem com esse Rio-Centro logo porque caso não tenha percebido essa bomba ainda está no colo de vocês. Tic…Tac..

As sugestões:

1. Os direitos a autopreservação e autodeterminação deverão ser direitos naturais inalienáveis constitucionalmente reconhecidos, positiva e socialmente garantidos. Tanto como direito a legitima defesa individual ou em sociedade de paz, como para a provisão voluntária de serviços e bens sociais desde que não se apropriem, nem destruam o meio ambiente ou os meios vitais de todos os seres humanos dotados de direito a vida e liberdade, mas de todos a natureza.

2. A privação da natureza e dos meios vitais serão crimes contra a própria vida. Toda violência, privação, todo monopólio, sobretudo o monopólio da violência do bem comum e vital privado, mas sobretudo o estatal é crime contra a natureza e humanidade e deverá ser reconhecido como crime também pela sociedade. O direito a autopreservação como legítima defesa não poderá ser propriedade ou prerrogativa de ninguém, nem a propriedade do território seus, dos meios vitais ou da natureza.

3. Nenhuma ação poderá ser imposta por violência por nenhuma causa ou justificativa, somente por ameaça, somente a violência e ameaça flagrante poderão sofrer a interferência de força de fato proporcional.

4. Serviços sociais e de defesa terão, portanto que ser competitivos e autorregulados e financiados sem o uso de tributos ou ameaças fiscais ou governamentais.

5. Para tanto dois direitos naturais de autopreservação e autodeterminação não deverão ser apenas restituído, mas garantidos constitucionalmente através da garantia inviolável de acesso e controle das propriedades particulares e comuns, e da liberdade absoluta de associação e dissociação de paz.

6. Todos rendimentos e controle deverão ser garantidas para seus donos. A começar pelo rendimento das propriedades comuns públicas e naturais distribuídos como dividendos sociais igualmente para todos.

7. A propriedade particular e comum não poderá ser tomada, mantida nem instituída por violência, dita legal ou ilegal, mas tão somente reconhecida em reciprocidade por acordos e negócios de paz, entre pessoas de paz. Nenhuma posse pacífica poderá, ainda que não reconhecida pela sociedade, ser destituída por violência, mas por qualquer sanção proporcional ao dano.

8. A justiça se estabelecerá não por desigualdade de poderes, mas igualdade de autoridade sobre bens comum e o estado de direito se dará perante igualdade de liberdade fundamental para todos, como propriedades comuns derivadas dos bens públicos e naturais de propriedades de todos.

9. As decisões públicas não serão tomadas por ditaduras nem de maioria nem de minoria, mas respectivamente dos grupos de interesse para suas propriedades e interesses particulares financiados por seus recursos particulares ou comuns associados. Interesses comuns ou difusos ou concorrentes devem ser pacificamente negociados e acordados e sem consenso mediados.

10. A recusa, primeiro em negociar ou em apontar um mediador implica em perda da causa. E o mais importante a aplicação da ordem não será feita por nenhum poder supremo, mas pela federação de todos os estados brasileiros e municípios brasileiros e suas forças reunidas para, tanto em igualdade de poder e autoridade ainda que municípios e estados ocupem o mesmo território e tenham uma única e mesma obrigação, e legítimo soberano, o ser humano que habita o que deveria ser a republica federativa do Brasil.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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