Penso Fabi que você, está no caminho correto. Claro que estou sendo parcial nesta resposta, mas não poderia ser diferente. LETS, Worgl Experiment, moedas e bancos sociais, microeconomia, tudo é e faz parte fundamental do background do associativismo e economia solidária, que por sua vez fazem parte do trabalho do Terceiro Setor e, portanto, desta que é afinal de contas a minha formação e profissão. E que também evidentemente foram referencias para a construção da experiência de Quatinga Velho.

Esses são assuntos que realmente estudei a fundo, e tive a oportunidade de debater e aprender muito com pessoas que são verdadeiros mestres nessa área no Brasil, como Idalvo Toscano nas microfinanças e Luiz Carlos Merege no associativismo. Com relação ao segundo, inclusive trabalhei como professor em seu Instituto, por volta de 2010–2011, onde contribui também com aproximadamente 40 verbetes para o Dicionário do Terceiro Setor. A maioria deles girando em torno de economia social ou solidária. LETS Systems (se não me engano) era até um deles.

Nenhuma maravilha, os meus verbetes, não o dicionário. Mas rememoro tudo isso para te dizer o quanto me interesso por essa linha em especifico, para a construção de projetos e modelos aplicados para a renda básica e que “você está no caminho certo” não é meramente uma expressão. No entanto isso não responde as questões que você fez. E como elas merece (e demandam) uma resposta melhor, bem menos genérica de véio preguiçoso, “você está no caminho certo, gafanhoto”, já estou escrevendo algo bem mais apropriado. Mas confesso estou ficando véio antes do tempo. Mas como não queria deixar você sem uma feedback imediato, mas estou ficando meio lento, quando terminar o que já deveria estar escrito aqui, no lugar dessa enrolação, sinal de senilidade precoce, te mando.

Mas já adianto, garanto que você vai ficar bastante decepcionada; já que estou criando uma expectativa sobre algo que terá pouco a acrescentar, e cuja introdução ainda por cima é mais longa que a resposta propriamente dita. Mas é isso, acho que você está no caminho certo. Esse é o tipo de referência que inevitavelmente produzem projetos concretos: experiências sociais que fizeram história e nesse sentido, Wörgl experiment é praticamente literatura obrigatória. Se você quiser, acho que posso te por em contato com André Presse da Universidade de Karlsruhe, que fora ser um grande estudioso dessa experiência trabalhou para Gotz Werner no modelo de renda básica que este propôs ao parlamento alemão. Não sei o que ele está fazendo hoje, mas acho que não se furtaria em trocar umas idéias sobre Worgl e renda básica é claro. A propósito o mesmo vale para Idalvo. Já Merege perdi o contato.

Em tempo, outra experiência paradigmática que faz parte dessa história, pouco contada e não-estatizada, e que guarda relações com o que você está desenvolvendo, -mesmo com as objeções que apresentou sobre a teoria do valor-trabalho (também tenho)- é o Cincinatti Time Store de Josiah Warren, talvez o primeiro banco de tempo, e moeda social propriamente dita, e que influenciou (e muito) as concepções e funcionamento da comunidade livre Modern-Times, afinal Warren foi um dos seus idealizadores e fundadores.

Perdão. Você deve conhecer tudo isso, mas é que não resisto a uma homenagem a experiências que evidente admiro. Prometo que na resposta propriamente dita serei menos bibliográfico e mais direto.

Abraços Fabi, e te agradeço por trazer de volta, experiências como estas, que em tempos de fanatismo e imbecilização ideológica, já não ouvia ninguém citar há muito.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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