Pelo nível das suas críticas e do que eu já eu li do que você escreveu, duvido. Embora, sou obrigado a confessar, não tenho conhecimento nem capacidade técnica (nem o inglês) para entender tudo que você já escreveu.

Não estou tentando te animar me usando de exemplo, mas eu particularmente sou ciente que já escrevi muita coisa muito ruim, tanto como texto quanto como conceito. E já recebi essas criticas absolutamente sinceras boas que reveladoras da minha mediocridade, mas isso sinceramente é uma coisa que não deve inibir sua vontade de escrever.

Mesmo que fossemos e soubéssemos que somos escritores, pintores jogadores não só medíocres, mas ruins mesmo, deveríamos deixar de seguir nossa livre vontade como inspiração e vocação para obedecer o que dita a utilidade e funcionalidade que mora não só na opinião pública, mas nosso próprio superego?

Você não faz uma coisa só porque os outros aprovam, ou te acham bom, mas sobretudo porque e quando quer, isto se não quiser ser literalmente frustado.

Ademais rigorosamente não existe escrito ou obra ruim. Mas obras feias ou de mau gosto. Porque a manifestação da livre expressão criativa não é objeto de crítica da moralidade, a arte não se mede pelo bem e mal, mas pela estética, e se é objeto do bom ou ou mal é só do gosto.

Não há problema nenhum em ser feio ou de mau gosto, e é mais do justo que as pessoas não apreciam essa obra, a reputem como tal, mas não há motivos para parar de produzir ou nem sequer fazê-lo.

No fundo a produção de saberes é uma questão de sabor no sentido mais amplo da palavra. E a pergunta é qual paladar ou sensibilidade que você quer agradar. Diria que quando você escreve a pedidos é ao paladar de quem irá degustar sua obra. E no seu caso como quem pede é o mais sagrado dos públicos, a sua própria sensibilidade e inspiração, não há dúvidas que a obra cumprirá sua missão.

A valoração das obras de arte é a mais arbitrária, autoritária de todas as artificialidades inventadas pela pensamento simbólico comparativo contabilista. E por mais estética ou culturalmente desprezada toda produção é sagrada é infinitamente melhor do que a omissão.

Seja o artista medíocre pintando na praça seus quadros sem nenhuma técnica; o músico tocando no bar enquanto os outros comem sem sequer olhar para sua cara; ou o escritor que escreve sobre línguas e coisas mortas, eles podem até não fazer bons poemas, mas sua filosofia de vida é a arte em si. E naquele momento eles mesmo feios, ruins e marginais são retrato da vida são a arte em si e muito mais bela que toda arte no Louvre.

É por isso que arte de Toulouse Lautrec estava nos guarda nos nos puteiros de Paris, o que eles tem nos museus, é a múmia, o pobre casca do ser vivo empalhado em salas burguesas privadas ou públicas. E que bato tanto nesta tecla de que o desintegração do discurso e da prática a mais imoral e de profundo mal gosto produção filosófica e artística.

A arte é sobretudo uma filosofia de vida e artistas, livres pensadores bons ou ruins fazem parte da irmandade humana que os colecionadores, os críticos e os voyeurs da vida, jamais vão entender enquanto não ousarem em enfrentar o maior pavor da humanidade, o todo, o público.

Desculpe o diálogo comigo mesmo. Tanta verborragia apenas para dizer algo tão simples: escreva. Será que só um fundo não teria sido melhor?

E se ninguém gostar de nada, acredite você está no caminho certo. Há algo de mórbido no Freakshow na cultura pop. E se você for bastante repudiado, será até um bom sinal. É sinal que você mesmo ativo no seu tempo você está em sintonia com o todo.

Pode dar em arte ruim, mas é uma excelente forma livre de vida.

Abraços

Marcus

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store