Parabéns, pelo seu texto, mas sobretudo pela sua autodescoberta. Você tem toda razão, quando você inicia a sua jornada o universo possuir mesmo um algorítimo que aproxima pessoas conhecimentos e oportunidades, e quem roda esse algorítimo é você, quando justamente faz o que você fez, deixa de rodar a programação antiga que a mantinha em inércia, e passa a rodar a única que pode ter mover, ao menos para onde você quer ir, a sua.

De fato quando isso ocorre passamos a ver as conexões e caminhos onde não havia senão portas sem saída, e para cada nova porta aberta, uma nova rede de oportunidades, onde cruzamos com aquelas pessoas que parecem foram colocadas ali para ajudar a encontrá-las.

Me permita te contar uma rápida história. No começo do meu, que não vem ao caso qual é, conheci uma senhora que mantinha praticamente sozinha um abrigo para crianças em Praia Grande, ao qual fui prestar serviços voluntários. É ela me disse duas coisas, na verdade me deu dois presentes para minha jornada que eu mal pude compreender então. Ela disse que eu faria aquela trabalho por uma duas semanas e depois iria embora, porque era assim que as pessoas passam uns pelos caminhos das outras. E me disse algo similar ao que você descobriu, mas em termos mais exotéricos. Não me recordo exatamente das palavras, mas era dentro do contexto, algo mais ou menos assim dentro :

Para cada ação que você faz, você como protagonista ou co-protagonista da sua jornada e não seguidor, abre um “portal”, esse termo eu lembro, um portal de algo parecido com o que você descreveu como “pessoas, oportunidades e conhecimentos” e que vão lhe ajudar a perseverar no seu caminho.

Porém ela também disse outra coisa, que é a razão deu estar te contado essa história:

Para cada portal desse que se abre onde parece que “o Universo conspira a seu favor”, um outro quase que simultaneamente também se abre “conspirando contra.” As vezes como obstáculos que parecem intransponíveis, as vezes como atalhos que parecem te levar mais rápido ou a lugares melhores, mas que só te tiram do seu caminho.

Para quem está parado, papos como esse soam, como paranoia ou premonição dependendo do grau de credulidade ou ceticismo do observador. Mas no fundo são apenas um sinal deixado por outro navegante que já cruzou esses caminho para os demais.

O fato é que ela estava certa, pouco tempo depois, nunca mais apareci no projeto social dela, nem tive ou dei notícias; passei, e segui em frente, e confesso que encontrei algo mais ou menos como ela descreveu, um universo conspirando contra e a favor. Mas acho sinceramente que você não terá problemas com isso, pois já encontrou a metáfora é perfeita para resolver a questão, afinal enquanto você não desligar as lanternas, a luz e a lucidez que iluminam onde quer que você, todos os caminhos continuarão a te levar a Roma, a sua, seja qual e esteja ela onde for.

Mais uma vez parabéns

Marcus

PS: E a propósito só mais uma dica… essa bem mais antiga: não desligue a lanterna nem mesmo durante o dia…

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Um Homem Leal.

Apaguemos a lanterna de Diógenes: achei um homem! Não um príncipe, nem eclesiástico, nem um filósofo, não pintou uma grande tela, não escreveu um belo livro, não descobriu nenhuma lei científica. Não, o homem que achei não é nada disso. É um barbeiro, mas tal barbeiro que, sendo barbeiro, não é exatamente barbeiro. Perdoai-me essa logomaquia; o estilo ressente-se da exaltação da minha alma. Achei um homem!

Se aquele Diógenes pode ouvir; do lugar onde está, as vozes cá de cima, deve cobrir-se de vergonha e de tristeza: achei um homem! E importa notar que não andei atrás dele. Estava em casa muito sossegado, com os olhos nos jornais e pensamento nas estrelas, quando um pequenino anúncio me deu rebate ao pensamento, e este desceu mais rápido que o raio até o papel. Então li isto: “Vende-se uma casa de barbeiro fora da cidade, o ponto é bom e o capital diminuto; o dono vende por não entender”.

Eis aí o homem! Não lhe ponho nome por não vir no anúncio, mas a própria falta dele faz crescer a pessoa. O ato sobra. Essa nobre confissão de ignorância é um modelo único de lealdade, de veracidade, de humanidade.

“Não penseis que vendo a loja (parece dizer naquelas poucas palavras do anúncio) por estar por estar rico, para ir passear à Europa, ou por qualquer outro motivo que à vista se dirá, como é uso escrever em convites destes. Não, senhor, vendo a minha loja de barbeiro por não entender do ofício. Parecia-me fácil à princípio: sabão, uma navalha, uma cara; cuidei que não era preciso mais escola que o uso, e foi a minha ilusão, a minha grande ilusão. Vivi nela barbeando os homens. Pela sua parte, os homens vieram vindo, ajudando o meu erro; entravam mansos e saíam pacíficos.Agora, porém, reconheço que não sou absolutamente barbeiro, e à vista do sangue que derramei fez-me recuar. Basta, Carvalho (este nome é necessário à prosopopéia), basta, Carvalho! É tempo de abandonar o que não sabes. Que outros mais capazes tomem a sua freguesia…

A grandeza deste homem (escusado é dizê-lo) está em ser único. Se outros barbeiros vendessem as lojas por falta de vocação, o merecimento seria pouco ou nenhum. Assim os dentistas, assim os farmacêuticos. Assim toda casta de oficiais deste mundo, que preferem ir cavando as caras, as bocas, as covas, a vir dizer chãmente que não entendem do ofício. Esse ato seria a retificação da sociedade. Um mau barbeiro pode dar um bom guarda-livros, um excelente piloto, um banqueiro, um magistrado, um químico, um teólogo. Cada homem seria assim devolvido ap lugar próprio e determinado.

Machado de Assis — A Semana.( 26 de julho de 1896)

Fui.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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