PANARQUIA

Panarquia : Uma ideia esquecida de 1860 (na verdade mais antiga que isso…)

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Texto publicado em 2013

“A verdade é que não há a liberdade que deveria haver, a liberdade fundamental de escolher ser ou não ser livre. Cada um julga por si mesmo e define a questão de acordo com gostos e necessidades particulares. Como há tantas opiniões quanto há indivíduos, tot homines, tot sensus, é possível ver a confusão disfarçada com o bonito nome de política. A liberdade de uns é a negação dos direitos de outros, e vice-versa. O melhor e mais sábio dos governos não funciona com o livre e pleno consentimento de todos os governados. Há partidos triunfantes ou vencidos, há maiorias e minorias em luta perpétua; e a paixão com que se apega a um ideal é tão grande quanto é a confusão de idéias. Alguns oprimem em nome do direito, outros se revoltam em nome da liberdade, para se tornarem eles mesmos opressores, quando chegada sua hora.

Entendo! — diz um leitor. Você é um desses utópicos que constroem a partir de muitas peças um sistema no qual a sociedade deve estar compreendida, por vontade ou força. Nada será como é, apenas sua panacéia salvará a humanidade. “Comprem minha salvação!”

Errado! Não tenho uma salvação que não seja a de todos, eu sou diferente de outros apenas em um ponto, é que sou partidário de todas as salvações, permitiria todas as formas de governo. Ao menos, aquelas que têm alguns partidários. Eu creio que a respeito disso todos devem ser totalmente livres para tomar suas decisões. Essa é a base do meu sistema: Laissez-faire, laissez-passer.Não é uma questão de imigração. Um homem não carrega a sua terra nativa na sola do sapato. Além disso, tamanha expatriação é e sempre será impraticável. O custo envolvido não seria coberto nem por toda a riqueza do mundo.

Eu não tenho o propósito, por exemplo, de realocar a população de acordo com suas convicções, relegando os Católicos as Províncias dos Flandres, ou marcar a fronteira de Mons a Liège. Eu torço para que todos nós possamos continuar vivendo juntos onde estivermos, ou em qualquer lugar se se deseja, mas sem discórdia, como irmãos, cada um livremente com suas opiniões e se submetendo apenas a um poder pessoalmente escolhido e aceito.

Nada dura se não for baseado na liberdade. Nada que já exista pode se manter, ou operar com eficiência plena sem a livre interação de seus agentes. Assim eu demando, para todo e cada membro da sociedade humana, liberdade de associação de acordo com a inclinação e com a atividade de acordo com a aptidão. Em outras palavras, o direito absoluto de escolher as vizinhanças políticas nas quais eu vou viver, e nada mais.

Por outro lado eu estou bem ciente das dificuldades de mudar o estado de coisas para o que as coisas deveriam ser e no futuro se tornarão. Eu simplesmente expresso minha ideia sem desejar impô-la a ninguém; mas eu não vejo nada que possa para-la a não ser a rotina. Não sabemos quão ruim união governo e governados fazem hoje, em qualquer lugar? No nível civil nós nos livramos de uniões que não deram certo através de divórcio ou separação legal. Eu sugiro uma solução análoga para a política, sem ter que circunscrevê-la com formalidades e restrições protetoras, uma vez que na política associações prévias não deixam filhos ou marcas físicas. Meu método difere dos procedimentos tirânicos e injustos tomados no passado no fato de eu não ter intenção em causar violência para ninguém.

Alguém deseja promover uma cisão política? Esse alguém deveria ser permitido, propriamente apenas com uma condição, que ele o fará apenas dentro de seu próprio grupo, sem afetar nem os direitos nem as crenças dos demais. Para alcançar isso, é absolutamente desnecessário subdividir o território do Estado em tantas partes quanto existam formas conhecidas e aprovadas de governo. Como antes, eu deixo tudo e todos em seu lugar. Eu apenas demando que as pessoas deixem espaço para dissidentes de maneira que eles possam construir suas igrejas e servir o Poder Supremo à sua própria maneira.

Esse é precisamente meu ponto principal. Você sabe como um escritório de registro civil opera? É apenas uma questão de fazer uma nova aplicação dele. Em cada comunidade um novo escrito é aberto, um “Agência de Filiação Política”. Esse escritório mandaria para cada cidadão um formulário a ser preenchido, assim como para o imposto de renda ou registro de cães.

Livremente você responderia monarquia, democracia ou qualquer outro.

Pergunta: Se monarquia, você a prefere absoluta ou moderada…, se moderada, como?

De qualquer forma, seja lá o que você responder, sua resposta daria entrada em um registro; uma vez registrado, a menos que você invalide sua declaração, de acordo com os processos e formas legais, você então se tornaria tanto um súdito real ou um cidadão da república. Dessa forma você não estaria de forma alguma envolvido com o governo de outras pessoas. Você obedeceria seus próprios líderes, suas próprias leis, e suas próprias regulações. Em última instância, todos viveriam em sua própria comunidade política individual, como se não houvesse outras, digamos, dez comunidades políticas nas redondezas, cada uma com seus próprios contribuintes.

Se uma desavença acontecesse entre membros de governos diferentes, ou entre um governo e um súdito de outro, seria simplesmente um caso de observar os princípios até então observados entre Estados vizinhos pacíficos; se uma discrepância fosse encontrada, poderia ser superada sem dificuldades pelos direitos humanos e todos os outros direitos possíveis. Qualquer coisa seria o trabalho de cortes de justiça comuns.

Haveria e deveria também haver interesses comuns afetando todos os habitantes de um certo distrito, não importando sua filiação política. Cada governo nesse caso, estaria relacionado com a nação mais ou menos como cada Cantão Suíço, ou melhor, como os Estados da União Americana se relacionam com o governo federal. Dessa forma, todas essas questões fundamentais e aparentemente chocantes são respondidas com soluções rápidas; a jurisdição é estabelecida sob a maioria dos assuntos e não apresentaria nenhum tipo de dificuldades.

Certamente acontecerá de alguns espíritos maliciosos, sonhadores incorrigíveis e naturezas insociáveis não se acomodarem em nenhuma forma de governo. Também haverá minorias muito fracas para cobrirem os custos de seus Estados ideais. Pior para eles. Esses poucos excêntricos são livres para propagar suas idéias e recrutar pessoas até sua complementação final, ou ao invés, até suprirem as necessidades financeiras, já que tudo se trataria num problema de financiamento. Até lá eles teriam que optar por alguma das formas de governo. É assumido que tais pequenas minorias não causarão problema algum.

Isso não é tudo. Problemas raramente surgem entre opiniões extremas. Briga-se mais, luta-se com mais afinco, por tonalidades do que por cores fortemente contrastadas.

Uma das vantagens incomparáveis do nosso sistema é tornar compreensíveis, naturais e completamente legalizadas aquelas divergências de opinião que em nossa época trouxeram uma má reputação a cidadãos justos, e que foram cruelmente condenadas sob o nome de apostasias políticas. O que não é a tamanha impaciência por mudanças, que foi considerada criminosa em pessoas honestas, que fez com que nações novas e velhas fossem acusadas de libertinagem e ingratidão, senão um desejo de progresso?

Ademais, não é estranho que, na maioria dos casos, aqueles acusados de impulsividade e instabilidade são precisamente aqueles que são os mais consistentes consigo mesmo?

Minha panaceia, se me permite o termo, é simplesmente livre competição no ramo governamental. Todos possuem o direito de prover sua própria possibilidade como bem entender e obter segurança por conta própria. Por outro lado, isso significa progresso através da competição entre governos tendo que competir por seguidores. Verdadeira liberdade global é aquela que não é forçada à ninguém, estando disponível a todos justamente a quantia desejada; nem suprime nem engana, e está sempre sujeita a um direito de apelação.

Para fazer tal liberdade acontecer, não haveria necessidade de abdicar de tradições nacionais nem de laços familiares, sem necessidade de aprender a pensar numa nova linguagem, de atravessar rios ou mares, carregando os ossos de seus ancestrais. É simplesmente uma questão de declaração ante sua comissão política local, para se mover da república à monarquia, do governo representativo à autocracia, da oligarquia à democracia, ou até a anarquia do Sr. Proudhon — sem a necessidade de tirar a roupa ou os chinelos.

Está cansado da agitação no fórum, o pedantismo da tribuna parlamentar, ou dos beijos mal educados da deusa da liberdade? Está tão cheio do liberalismo e do clericalismo que as vezes confunde o Sr. Dumortier com o Sr. De Frè, esquece as diferenças exatas entre o Sr. Rogier e o Sr. De Decker? Você prefere a estabilidade, o suave conforto de um despotismo honesto? Sente a necessidade de um governo que pense por você, aja por você, veja tudo e tenha uma mão em todos os lugares, e cumpre o papel de representante-provedor que todos os governos têm predileção? Você não precisa migrar para o Sul como os martinetes no outono ou gansos em Novembro. Tudo o que você deseja aqui, ali, em todo lugar; assine seu nome e se acomode.

O que é mais admirável sobre essa inovação é que ela acaba para sempre com revoluções, rebeliões, e brigas de rua, até as últimas tensões no tecido político. Está insatisfeito com seu governo? Mude para outro! Essas três palavras, sempre associadas com horror e derramamento de sangue, palavras que todos os tribunais, superiores ou não, militares e especiais, sem exceção, culparam unanimemente de incitar rebeliões, essas três palavras se tornam inocentes, como se estivessem nas bocas de seminaristas, e inofensivas como a medicina ministrada tão erroneamente pelo Sr. De Pourceaugnac.

“Mude para outro” significa: Vá à Agência de Filiação Política, com o chapéu na mão, e peça educadamente para seu nome ser transferido para qualquer lista que lhe apeteça. O Comissário colocará os óculos, abrirá o registro, marcará sua decisão, e lhe dará um recibo. Você parte, e a revolução está completa sem derramar mais que uma gota de tinta. Como ela afeta apenas a você, eu não posso discordar da sua decisão. Sua mudança não afeta mais ninguém — esse é seu mérito; não envolve uma maioria vitoriosa ou uma minoria derrotada; mas nada prevenirá 4,6 milhões de Belgas de seguir seu exemplo se eles desejarem. A Agência de Filiação Política necessitará de mais funcionários.

Qual, basicamente, sem levar em conta pressuposições, é a função de qualquer governo? Como indiquei acima, é suprir seus cidadãos com segurança, no sentido mais amplo da palavra, e sob condições otimizadas. Estou ciente de que nesse assunto em particular nossas idéias ainda estão um tanto confusas. Para alguns nem mesmo um exército significa proteção suficiente contra inimigos externos; para alguns nem mesmo uma força policial, uma ronda, um promotor público e todos os honoráveis juízes são suficientes para garantir ordem interna e proteger títulos de propriedade e direitos.

Alguns desejam um governo abarrotado de cargos bem remunerados, com legiões de servidores públicos mantendo as finas artes, teatros e atrizes. Eu também sei que aqueles são slogans vazios propagados por governos brincando de providência, como já mencionamos. Até a liberdade de experimentação lhes ter feito justiça, eu não vejo problema algum em deixá-los continuarem a satisfazerem seus partidários. Eu peço apenas uma coisa: liberdade de escolha.

Então, livre competição no ramo governamental assim como em todos os casos. Imagine, uma vez que tenha superado seu espanto, o quadro de um país exposto à competição governamental — isto é, simultaneamente possuindo tantos governos competitivos quanto já foram concebidos e ainda serão inventados.

Você lembra quando as pessoas berravam suas opiniões religiosas ainda mais alto que quando elas berravam brigas políticas? Quando o criador divino se tornou o Senhor dos Convidados, o impiedoso e vingativo Deus em cujo nome sangue desceu nos rios? Os homens sempre tentaram trazer a causa divina para suas próprias mãos — fazer Dele um cúmplice de seus desejos sanguinários. “Matem a todos! Deus reconhecerá Seu povo!”

O que se tornou de tal ódio implacável? O progresso do espírito humano já o varreu para longe, assim como o vento faz com as folhas caídas de outono. As religiões, em cujo nome foram confeccionados estacas e instrumentos de tortura, sobrevivem e convivem pacificamente, sob as mesmas leis, com o mesmo tipo de orçamento; se cada seita prega apenas em sua própria excelência, é bem raro que persista em condenar as rivais. Então, o que se tornou possível nessa região obscura e insondável da consciência, com o proselitismo de alguns, a intolerância de outros, com o fanatismo e ignorância das massas; que é possível ao ponto de ser praticável em meio mundo sem resultar em inquietude e violência, muito pelo contrário, já que particularmente aonde há crenças divergentes, numerosas seitas existem numa base de completa igualdade legal; onde as pessoas são, de fato, mais prudentes e cuidadosas com sua dignidade e pureza moral e do que em qualquer outro domínio; que se tornou possível sob tão difíceis condições, não poderia ser mais claramente possível no domínio secular da política, aonde toda ciência pode ser expressa em três palavras?

Sob as condições atuais um governo existe apenas pela exclusão de outros, e um partido pode exercer poder apenas ao destroçar seus oponentes; uma maioria sempre é prejudicada por uma minoria impaciente para governar. Sob tais condições, é quase inevitável que os partidos se odeiem e vivam, se não numa guerra, num estado de paz armada. Quem se surpreende ao ver que as minorias conspiram e se agitam, e que governos destroem à força qualquer aspiração a uma forma política diferente que também seria exclusiva? Então a sociedade acaba sendo composta por homens ambiciosos e ressentidos, esperando por vingança e por ambiciosos homens de poder, sentados complacentemente na beira de um precipício. Princípios errôneos nunca trazem consequências justas, e a coerção nunca leva à verdade ou ao direito.

Agora imagine que toda essa compulsão termine; que todo cidadão adulto é e continuará livre para escolher dentre as formas possíveis de governo oferecidas uma que se ajuste às suas convicções e satisfaça suas necessidades pessoais; livre não sí no dia seguinte a alguma revolução sangrenta, mas sempre, e em qualquer lugar, livre para escolher, mas não para forçar sua escolha a outros. Nesse momento, toda a desordem chega a um final, e lutas irrecompensáveis se tornam impossíveis.

Esse é apenas um dos lados da moeda; ainda resta outro: a partir do momento que todas as formas de governo estão sujeitas a experiência e livre competição, elas estão destinadas a progredirem e a se aperfeiçoarem; essa é a lei da natureza. Não mais hipocrisia, profundidades aparentes que contém apenas um pequeno vazio. Sem maquinações se passando por sutilezas diplomáticas. Não mais movimentos covardes ou impropriamente camuflados de política Estatal. Não mais brigas militares ou judiciais enganosamente descritas como honráveis ou de interesse nacional. Resumidamente, sem mentiras no que toca a natureza e a qualidade das ações governamentais. Tudo é aberto a um exame detalhado. Os súditos fazem e comparam observações, e os poderosos finalmente vêem essa verdade econômica e política, que no mundo há apenas uma condição para um sucesso sólido, duradouro, e que é governar melhor e mais eficientemente do que outros. Desse momento em diante um acordo universal emerge, e forças anteriormente desperdiçadas em trabalho sem sentido, em fricção e resistência, se unirão para realizar um poderoso impulso, maravilhoso e sem precedentes em direção ao progresso e felicidade da humanidade.

Eu acredito numa linguagem universal da mesma forma que eu acredito no poder supremo da liberdade em trazer a paz mundial. Eu não posso prever nem a hora nem o dia desse acordo universal. Minha idéia é meramente uma semente ao vento. Cairá ela em terra férteis ou estradas de paralelepípedos? Eu não tenho o que dizer quanto a isso. Não proponho nada. Tudo é uma questão de tempo. Quem, a um século atrás, acreditava na liberdade de consciência, e quem, nos dias de hoje, a questionaria? Faz muito tempo que as pessoas ridicularizavam a ideia da Imprensa ser um poder no interior do Estado? Agora até estadistas se curvam perante ela. Você por acaso previu essa nova força da opinião pública, cujo nascimento todos nós presenciamos, a qual, apesar de apenas em sua infância, impõe seu veredito sob impérios? É de maior importância até nas decisões dos déspotas. Você não teria rido da cara de alguém que se atrevesse a prever sua ascensão?

Quanto a identificação governamental de seus súditos, constituintes e contribuintes, apresentaria isso mais dificuldades do que existem para uma igreja manter um registro de sua congregação, ou cada companhia seus acionistas?

Note que de qualquer forma, graças a lei da competição, cada governo se esforçaria para se tornar o mais simples e econômico quanto possível. Os departamentos governamentais, o quanto nos custam, apenas Deus sabe! Nossos própria vigilância os reduziriam ao mínimo necessário; e burocratas supérfluos teriam que abdicar de seus postos e se engajar em trabalho produtivo. Essa forma a pergunta estaria apenas metade respondida, e eu não gosto de soluções incompletas. Muitos governos constituiriam um mal e dariam margem para o aparecimento de despesas excessivas, para não falar de confusão. Entretanto, a partir do momento que alguém percebe esse mal, o remédio está em suas próprias mãos. O senso comum das pessoas não apoiaria nenhum excesso e rapidamente apenas governos eficientes seriam capazes de continuarem em atividade. Os demais definhariam até a morte. Como pode ver, a liberdade é a resposta para tudo.”

Paul Emile de Puydt

DAS ANARQUIAS, HIERARQUIAS E PANARQUIA

A Arque Versus Cratos

Redes: Sistemas ou Estruturas?

A representação clássica das redes é dada por Baran que as classifica em três conjuntos distintos conforme a distribuição de seus nodos pelo espaço. Centralizada. Descentralizada e Distribuída. A rede propriamente dita seria a distribuída, enquanto a centralização das estruturas seria o fator determinante da desconfiguração da rede.

Podemos ainda dentro de uma abordagem estrutural classificar as formas de organização em três formas arquetípicas central, piramidal, matricial.

Novamente a matriz mais perfeitamente distribuída, representa a rede ideal, porém essa pode ser negada ou desconfigurada não mais apenas por organizações centralizadoras, mas também por organizações piramidais. Estruturas piramidais são representações figurativas de um bastante tipo especial de organização centralizadora a hierárquica. Uma hierarquia não deixa de ser um tipo de organização centralizadora, porém seus vetores possuem ramificações.

Estruturas centralizadoras são formas bastante simples de organização. Estruturas hierárquicas podem atingir níveis de complexidade extremos. E se combinar com estruturas centralizadoras de modo a proteger seu núcleo. Tais combinações produzem o fenômeno da corporação, onde elementos componentes da matriz perdem sua autonomia para o núcleo central. Deixam de ser um ente autopoiético para ser parte do corpo que apresenta comportamento uniformo e centro de comando.

Claro que pode também ocorrer o fenômeno oposto onde o fluxo de informação ou comando seria reverso, mas isso como veremos mais adiante seria insustentável, porque a quantidade de demandas-informação para um único núcleo só pode ser destrutivo. Se os vetores estão voltados do centro para nodos temos a representação de uma relação de comando, se os vetores estão voltados dos nodos para o centro, temos um cerco e a imanente destruição do centro, no mínimo por sobrecarga informacional.

Sim como diria Hobbes ou São João esse tipo de besta tenha uma ou sete cabeças, felizmente são monstros que tem algo que podemos cortar. Como veremos mais adiante o maior problema não são os bichos que não tem corpo nem cabeça, e que habitam nossas cabeças.

A hierarquia é, portanto um tipo bastante especial de estrutura onde a estrutura matricial que controla o comportamento dos seus componentes e não os entes que geram o comportamento matricial. Não há autopoiese exceto no centro de comando da matriz. E a estrutura é mais resistente a inversão dos fluxos informacionais.

Comportamento é um fenômeno dinâmico e analise estático-estruturais por obvio não comportam muito bem o movimento, nem tão pouco as estruturas em redes que de fato correspondem ao muito mais as evoluções da rede do que a própria estrutura em rede. As redes são o fluxo, a matriz a decomposição epistemológica da rede em tempo espaço e movimento.

A rede como percepto é, portanto uma matriz, mas não se define apenas pela distribuição de seus entes ou componentes pelo espaço, mas pela variação de suas trajetórias ao longo do tempo — ou como já dissemos ao introduzir o conceito de movimento se concebe dinamicamente. A rede se concebe em fluxo sendo rigorosamente, portanto um sistema vivo ou dinâmico, não necessariamente matricial, mas euclidianamente matricial.

Em representações ou abordagens não físico-espaciais ou geométricas a rede pode ser concebida compreendida de outras formas, como proporemos mais adiante.

Simulações Computacionais Booleanas (pode pular se você não for nerd)

Por hora continuemos a montar nossa rede no mundo dos quadrados.

A introdução da variante fluxo não introduz apenas uma historia para a matriz ou seus e entes ou componentes, mas um histórico de variação das estruturas, compondo o conceito de um padrão de comportamento para só os componentes, mas para as estruturas. Isto gera tanto possibilidades quanto demandas.

Podemos ter uma ideia muito melhor do que são as redes naturais e sociais a partir da analise destes padrões de comportamento sistemático ainda que reduzidos a conceptos matriciais espaço-temporais analisando as evoluções representadas graficamente por estes sistemas computacionais booleanos. Mas isso demanda o desenvolvimento do conceito em nível algorítmico de um logos para o sistema, quanto o conceito e novamente o algoritmo correspondente e muito mais complexo de uma arque autogeradora para cada ente do sistema, uma autopoiese da autopoiese.

De acordo com esta abordagem seria possível não reproduzir padrões apresentados por uma matriz-multiverso, mas a partir desta analise enumerar as diferentes logica passiveis de serem aplicadas a uma matriz de modo a produzir os mais diversos padrões de auto-organização e evoluções. Considerando ainda o principio de autopoiese essa logica não poderia ser de antemão única ou centralizada, devendo emergir de entes autônomos dotados de inteligência suficiente para se autoproduzir em interação com o sistema eminentemente determinístico. Computacionalmente dá um bocado de trabalho e não sei se os resultados seriam satisfatórios. Porque a simulação de redes autopoiéticas demanda a criação de inteligências artificiais, ainda que em seus estágios muito primitivos e meta-realidades virtuais no mínimo extravagantes.

Suponho por exemplo a criação de uma matriz representando o nada, dotada de uma vontade primal como liberdade (a logica do sistema) da qual qualquer ser que ainda não existisse, mas que tivesse vontade de existir(?) tomasse essa vontade(???) como liberdade individual (logica própria e indeterminada) para constituir a identidade logica ou sentido evolutivo por geração inconstante de seu ser em interatividade com os demais dentro desta rede autopoética difusa que não seria senão a própria manifestação desta vontade primal libertaria difusa como sistema matricial.

Entre outros problemas graves desta proposição, (como não fazer nenhum sentido[i]) a simulação do principio indeterminístico, e da vontade primal como logica geradora de uma espécie de direito difuso é uma dificuldade enorme porque o processo algorítmico da randomização não equivale a indeterminação.

A abordagem Sociológica (ou podem voltar daqui)

Claro que não precisamos simular matematicamente comportamento de redes autopoiéticas a partir de inteligências artificiais, ou do zero. Podemos traspor redes sociais para modelos geométricos e analisar a historicidade das estruturas de modo a identificar os padrões de comportamento que definem as redes não como estruturais cristalizadas, mas como sistemas dinâmicos e auto-organizados.

Mas ainda sim não creio que tal abordagem seria capaz de sugerir o que é a rede para além da representação simbólica, ou o que são estes fenômenos. Porque pensa-los como fluxos, ou qualifica-los como sistema dinâmico apenas me diz o mesmo que Sócrates disse a respeito do conhecimento só sei que nada sei. Em outras que precisamos reaprender constantemente com esta forma viva, com este vir a ser está, ou estava porque como Tao o que vemos são suas pegadas — luz de estrelas mortas a milhares de anos.

A pergunta então não é o que são estes fenômenos, imponderáveis por natureza, mas qual a melhor forma que dispomos para retrata-los neste momento. Creio, portanto que para entender as redes como fenômeno, dentro de uma abordagem mais próxima dos sistemas dinâmicos não dispõe de melhor metáfora melhor do que a sociológica.

A diversidade do mundo social exige que nos apropriemos de conceitos que podem nos ajudar a entender melhor as redes. Mesmo perdendo muito do rigor que a visualização estrita das estruturas que a metáforas físico-geométricas pode conferir, ganhou em amplitude conceitual na analogia desta com a complexidade da vida cotidiana. A metáfora sociológica também é bastante oportuna já que as comunidades e redes do mundo virtual parecem querer replicar e multiplicar suas estruturas dinâmicas no mundo real.

Da virtualidade à realidade

Assim tanto para sair do mundo das ideias e ir ao mundo real, para fazer esta transição das estruturas em redes, para os sistemas dinâmicos como analogia sociopolítica o método que utilizaremos nos inspiraremos mais uma vez na alegoria libertaria. O método é o seguinte, e o descrevo, mais uma vez dentro do modelo matricial computacional booleano:

A matriz é constituída por entes cuja dinâmica é definida a partir de uma força motriz fundamental (logos), que é sua vontade constituinte. Seu objetivo é criar trajetórias no espaço tempo não apenas sozinho, mas em interação com os demais de modo a criar comportamento integrado. Neste processo em principio o comportamento original é libertário. Isto é governado apenas pela vontade de ser (arque). A inteligência em questão comunica-se desenhando uma trajetória no espaço com as demais inteligências de modo a propor uma espécie de dança conjunta. As evoluções deste universo são sinônimo desta espécie de dança polinizadora.

Considerando que elementos ocupam uma matriz de espaço limitado. Não temos apenas uma espécie de cooperação competitiva, mas a possibilidade de eventuais choques de vontades, ou completa frustração de inventivas. Essas duas possibilidades poderão gerar randomicamente a alteração do comportamento libertário para o autoritário. Isto é de um ente que tenta afirmar o seu ser, perante os demais ou em comunhão com os demais, para um ser que tenta conformar os demais a seu ser ou a sua vontade. Há uma gradual inversão de comportamento de comunicativo para violativo. Conforme as livres iniciativas do individuo são frustradas. Ou ignoradas, violentamente interrompidas seja porque não encontram espaço, seja porque entram em choque com outras evoluções ou estruturas seja simplesmente porque deliberadamente outro(s) individuo(s) a interrompe.

A inteligência não tentará comunicar suas intenções ou convidar as outras inteligências a construir trajetórias junto com ela seu objetivo agora passa a ser o de: interferir mandar, possuir as trajetórias das outras inteligências. Ele não constrói mais trajetórias, conexões ou comunicações, ele interfere, interrompe, bloqueia, destrói. Seu comportamento não é conectivo é disrruptivo. Numa espécie de replicação ou contraposição ao comportamento disrruptivo sofrido. Sua função é interromper as evoluções. Sua atuação na rede é de força, suas relação agora de poder. Seu principio sua arque não é mais eros, amor ou liberdade, é tanatos, violência e poder, não é mais um ente autopoiético gerador de evoluções cocriador da dança do universo, é componente do meio do corpo, do leviatã, artificial, servo de um status quo cristalizado, que executa movimentos reiterados e automatizados, programados, adestrados e predeterminados por um grupo que atua como espécie de sistema imunorrepressor atacando e destruindo qualquer célula que apresente um comportamento diferente. Aqui o sistema já começa a apresentar comportamento corporativo do arcaico para o tipocrático. Quem não dança conforme a música, já era.

Entes assim tendem a se constituírem, portanto como instituições não apenas agregando mais indivíduos frustrados, mas reproduzindo frustrações. Tal comportamento se não puder ser eliminado rapidamente contamina toda a rede paralisando todo o sistema destruindo qualquer possibilidade de evoluções. Monopoliza, repete, cristaliza e morre.

Monopólios

O objetivo do ente frustrado ainda é o mesmo, mas como todo violador seus métodos é que são distintos. Incapaz de chamar ou centralizar as atenções com suas evoluções, a célula ansiosa por poder não tentará mais gerar evoluções, criando conexões, mas tentará ter manter e controlar outras células e conexões, pela eliminação da liberdade, privação e alienação dos corpos e vontades (fluxos) de outras células e conexões. A centralização é a hierarquia emergem quase sempre como estruturas cristalizadas ou status quo destas estratégia, que embora emerja como configuração centralizada ou indiretamente centralizada (hierarquia) é do ponto de vista dinâmico a mesma estratégia monopolista.

A diferença parece pequena, mas não é. Uma célula libertaria tentando centralizar de forma absoluta as atenções tem muito pouca chance de sucesso, ou um sucesso bastante fugaz, afinal devemos lembrar que ao contrário do mundo em que vivemos no sistema aqui em proposição as demais células não foram programadas adestradas para serem telespectadores, todas ainda querem ser o centro das atenções. O ponto é que como célula livre nada faz ela além de dançar, comunicar-se. Uma célula mesmo sem muitas pretensões centralizadoras, mas digamos infectada pelo vírus do poder ou completamente frustrada, irá se valer de violência- digamos chocar-se com todas as células dentro do seu raio de ação, simplesmente como forma de demonstração de sua força seu domínio sobre um território, a base da construção do seu campo de força ou domus sobre o qual outros indivíduos não gravitam propriamente por desejo, mas por medo, em principio de serem atacadas, depois de não serem protegidas por sua violência ou ansiosas por partilhar desta mesma força e elas mesmas tomarem parte deste poder e lugar neste domus. Isto são as chamadas hierarquias, mas que não tem, mas nada de arque são qualquer forma piramidal entre uma monocracia e uma anarquia. Uma democracia onde algum tipo de escravo de tempo integral ou meio período trabalha para que algum desfrute do ócio parlamentar e mandar.

Monopólios são estas redes de poder são constituídas no mundo real para criação de matriz- domus e a exploração político-econômica do homem pelo homem através dos sistemas sociopolíticos.

É importante notar que nesta simulação computacional booleano de evoluções e constituições de sistemas sociopolíticos, as diferentes ordem ou estruturas que emergem não são necessariamente boas ou ruins, uteis ou inúteis, mais evoluídas ou menos evoluídas, elas são sim produto da maior ou menor liberdade difusa ou libertarias, de vontades reprimidas ou expressas. Assim, quanto maior for a quantidade de células executando evoluções integradas por livre e espontânea vontade, maiores será o grau de autopoiese deste sistema. A inteligência destas células, ou seja, a capacidade de expressar estética simbolicamente suas evoluções de forma a conectar-se a outros intelectos e constituir novas estruturas integras por padrões complexos arquitetados por evoluções expressas por livre e espontânea vontade como um princípio criativo a arque de um logos. Neste sentido o próprio fluxo da rede como ente autopoiético.

A hierarquia

Por outro lado quanto maior for o grau de desintegração do sistema seja ele provocado pela falta de inteligência dos seus componentes, isto é, a falta de capacidade de comunicar-se simbolicamente (conectar-se), maior serão o número de entes frustrados e frustradores. E dessa desinteligência do sistema emergirão as relações de força ou poder, com a destruição obstrução, centralização por monopólio das conexões. As tipocracias.

Cratos” é poder e toda a forma de cracia é a proposição consciente ou inconsciente de uma regulação da rede pela força de um determinado “cracia”. O que vem na frente buro, aristo, mérito, auto, demo, pouco importa o que importa é o que vem literalmente por trás, o poder da força. Arque é princípio, um sentido para um movimento, não uma força que empurra puxa, atrai, ou cria vetores de força o campo domus. É inteligere muito mais uma vontade à medida que cria um sentido para um ente com autonomia e capacidade para gerar dinamicidade própria.

A arque claro pode ser empregado com sentido pejorativo como em hierarquia, e com razão já que nunca conheci organização humana que tivesse tentado imitar a estrutura fractal como intenção libertarias. Contudo é importante lembrar que estruturas podem ser formadas até simultaneamente pelos dois tipos ou tendências organizacionais, à medida que um mesmo nodo pode reagir ou interagir de modo diferente a outros nodos conforme os reconhece ou irreconheça como pares ou diversos. Inimigos, amigos, neutros, desconhecidos. O seu padrão de comportamento é determinado não apenas pelas circunstancias, mas pelo condicionamento ou experiência recebida, assim como pelo comportamento tanto do ente em interação quanto de todos os demais que em interação com ele, influenciando sua evolução-decisão-comunicação nesse jogo social.

Isto significa que uma hierarquia não é necessária uma tipocracia se não apresentar as características das relações de poder, isto é se seus componentes não se valem da do poder força ou violência para controlar os fluxos da informação evoluções ou ainda a formação de diferentes arranjos ou configurações entre os seus componentes ou as demais estruturas ou evoluções.

Nem todo corpo com seus órgãos forma uma estruturas corporativa, nem toda a colmeia com sua rainha forma uma estrutura absoluta. Nem toda a estrutura de comunista forma uma estrutura totalitária. E nem toda estrutura libertaria o anarquismo individualismo absurdo. O elemento fundamental para a geração da perversão da arque em cratos é a supressão de eros por tanatos. A conversão de um ente livre dotado de vontade e inteligência própria num ser autômato.

A arque é um princípio o logos dinâmico constitutivo do sistema dentro da geometria fractal o próprio princípio criador e replicador não apenas das estruturas, mas de sua evolução.

Das Autarquias

A arque como vontade primal ou inerente a todo ente cuja existência é movimento é em sua essência é a liberdade plena de fluxo dentro da rede. Logo a corrupção primeira da rede ou do princípio constituinte das redes é a negação do fluxo. A relação de poder. O impedimento da expressão da vontade. Vontade não de terceiros, mas dos entes gerados da entidade fundamental de uma conexão os nodos. Em outras palavras um ente não tem apenas liberdade plena para se conectar, mas para também se desconectar de qualquer outro nodo. Ora essa liberdade que ninguém pode obriga-lo a ficar conectado a um centro, a uma hierarquia, mas também ninguém pode impedi-lo de fazê-lo se essa for a sua vontade!

Ninguém pode obrigar os entes livres de uma rede a se distribuir ou mesmo a fluir contra a sua vontade, porque o fluxo, não é a dinâmica física aparente o fluxo é manifestação da Vontade! Em outras palavras o princípio autogerador das redes é a liberdade.

As hierarquias, monarquias, anarquias, oligarquias, panarquias, não são em si sistema bons ou ruins, são apenas formas de auto-organização, ou desorganização dependendo do ponto de vista ou do gosto do freguês.

Se um maluco quer se coroar rei do seu quintal e outros tantos acreditam que ele é soberano por vontade de deus, ou por sua própria vontade, ou é a própria senhor dos céus que o fez senhor da terra, ou qualquer coisa similar quem é o soberano mor pra impedi-los com a força bruta de idolatrarem seu rei, de prestarem seu culto, de terem sua cultura politica? Deixem que tenham sua religião monoteísta laica em paz. Quem eles incomodam? Não batendo na minha porta aos domingos como pregadores ou cobradores de impostos incomodam menos que muita gente.

Deixem que eles paguem seus tributos, corem seus reis, passem faixas em seus presidentes, encham de títulos eméritos e pronomes de tratamentos os meritíssimos, os magnânimos, as suas excelências, deixem que eles coloquem peruca e toga em seus deuses e os idolatrem, porque não? Que elejam seu cavalo para o senado, porque não?

Porque as pessoas não devem ter liberdade de culto laico? Porque as pessoas não podem idolatrar as autoridades medicas como os senhores absolutos de suas vidas se assim o desejam?

Porque as pessoas não podem entregam os seus filhos as escolas e professores para que eles aprendam a obedecer, a fazer fila, comer e fazer xixi ao sinal de campainha como um cão de Pavlov? Se for o que elas querem, porque não?

Quem nomeou a mim ou a você os salvadores e libertadores do mundo?

O que podemos fazer de melhor além de sermos nós mesmos e vivermos em paz?

O que podemos fazer além de tentar Inteligir?

Se as pessoas querem entregar seu poder de decisão a outros e for roubada vigiada e tratada eternamente como crianças por políticos se essa é sua vontade deixam que é a façam? Se querem ser governados por ditaduras de maiorias ou minorias? Que seja.

As pessoas tem o direito tanto o direito de obedecer quanto o tem de desobedecer. E se organizar em tantas formas diversas quanto são as suas vontades e possibilidades no tempo espaço.

O Eros é o fator determinante da arque é, portanto a própria indeterminação difusa da diversidade. Não há certo, não há errado, há sim acertos e erros, e, portanto experiência e aprendizado. O sistema é inteligente e sensível, capaz de definir seu próprio sentido, e sentindo estrutura-lo de acordo com suas vontades, seu logos é a diversidade, e sua finalidade a evolução não para um ponto definido, mas para a indeterminação da multiversidade, uma panarquia, onde o mais absoluto e centralizador dos princípios a monarquia consegue conviver em paz como o mais desconstrutor e, portanto revitalizador dos princípios a anarquia simultaneidade.

O Panóptico

Ora é evidente que para que tamanha harmonia possa de fato ocorrer em simultaneidade à violência e a força bruta precisam ser senão completamente neutralizadas, reduzidas com eficácia suficiente de modo que o ruído que ela introduza jamais venha a novamente a contaminar o sistema com o vírus do poder.

Quando a Eros, a arque, a estética da vida, paz, e liberdade é convertida Em tanatos, o cratos da cultura da morte, violência e poder? Quanto o Pai-Pátria-Patrão, o culto ao Patriarcado subjuga a natureza da terra, e a diversidade da rede é reduzida ao uno? Mais profundamente quando a mente se aliena de ente criativo e passa a ser um mero processador epistemológico deste tribunal supremo, deste inconsciente coletivo do Todo Poderoso, deste culto maldito ao Absoluto e a verdade única e excludente de todas as demais?

Tal trauma, tal perversão da ânsia por liberdade e existência em medo e desejo de ter e poder não é mero um processo arquétipo de centralização, mas cratológico de monopolização, de alienação do homem pela privação dos meios de subsistência existência e expressão. Mais do que a exploração do homem pelo homem, através da rarificação e escassez é o monopólio do homem pelo homem é o controle absoluto da arquitetura física e metafisica do homem pelo homem. O homem que nasce em correntes servo de um próprio criador no céu de seus capatazes na terra.

Onipresença, onisciência, onipotência, O panóptico metafisico projetado como entidade dividida e introjetada como superego, amaldiçoado a própria concepção de nossa vil existência. Intermediação do corpo, intermediação da alma, condenação do homem a viver como meio, não como ente. Amputado de sua beleza, divorciado de toda perfeição, Reificado no domus-matrix. Condenado a pena de Morte em vida da Servidão como autômato coisa. Propriedade.

A totalização. O poder total e o mito do todo poderoso, são a chave da cultura do absoluto, producente da frustração original do pecado contra eros contra a criação a criatividade a fertilidade e toda identidade criativa, bloqueador da personalidade. Dentro da rede este processo não se produz apenas como força que impede a expressões das evoluções livres dos indivíduos ou pensamento, mas o cerceamento da livre associação ou desassociações.

Estupradores

Se nossa seita de adoradores do rei, ou de pagadores de tributos de uma oligarquia persegue alguém decidisse abandonar o grupo, ou ainda se esse grupo passasse exige a conversão obediência, tributos, ou mesmo a audiência dos demais interrompesse obrigatoriamente sua novela com mensagem politicas bem temos claramente não mais um grupo com princípios uma arque, mas um grupo com um cratos, ou seja, um profundo desejo de poder desejo de tomar o poder, de se se fizer poder, se estar no poder, de mandar e ser obedecido. Temos enfim a pior estirpe de sociopatas soltos a ruas estupradores no caso políticos, ou seja, pessoas dispostos a satisfazer seus desejos e vontades sem se importar se os outros estão com a mesma vontade de satisfazê-los.

Se estes violadores não tem uma autorização legal são bandidos; se as tem então você é o bandido se recusar fazer a vontade deles. Às vezes eles escrevem antes o que vão fazer com você, e a isso se chama constituição- e então você não tem mais o direito de negar a dar porque não sabia que não tinha que dar. É claro que estou pintando o quadro com cores pesadas. Mas não raro ele tem mesmo essas cores. E a ideia é justamente usar o contraste para denotar bem onde a inversão do principio se faz perversão.

O fator determinante a constituição de uma corporação tipocrática é obviamente o cerceamento da liberdade individual, ou do ponto de vista da rede o controle do fluxo ou das conexões e dos isto não implica num ataque não só direto tão somente ao individuo, mas a todas as formas de expressões de sua identidade criativa ou diversidade pessoal que não estejam absolutamente condizente com as normas funcionais da organização.

O corpo funciona como sistema imunorepressor de seus componentes internos e externos interagindo de forma não apenas resistiva ao meio, mas destrutiva a qualquer alteração de sua forma- configuração. O sistema atua, portanto normalizando, uniformizando, mediocrizando seus entes em componentes, fazendo-os partes de um conjunto e não mais de uma rede. Ovelhas de um cercado. Moradores de um território e não mais cidadãos de uma sociedade. Não há mais evolução, mas estatus quo. Não é de se espantar, portanto que a partir deste momento, a única expectativa possível de inovação sejam as revolucionarias; ou seja, as que quebrem a inercia do sistema, atacando violentamente as amarras artificiais que libertando prendem pessoas e movimentos naturais desta engrenagem. O problema é que uma revolução não como os meios denunciam não tem princípios, mas fins. É movida igualmente por frustrações e frustrados e ainda que tenha uma causa não tem uma arque, mas um cratos. Seu fim é arcaico o poder. E sua cultura a da violência.

A cultura da Violência

As culturas da violência é o produto imediato da relação de poder. Sendo que a própria ideia de cultura já é uma perversão da autopoiese, à medida que não se cria se cultiva. Cultura é extensiva, é uma ideia odiosa. A estética é a expressão original da rede. A rede cria arte, o sistema reproduz cultura. Semeia doutrinas em crianças, para colher adultos obedientes. Nessa plantação de gentes, nessa cultura de escravos em sua grande maioria assalariados, imigrantes pobres nos países latrinas na divisão de trabalho do mundo[ii], não se mantem apenas com repressão física ou aprisionamento de corpos, é necessário o controle psicológico.

Antigamente duas pessoas eram capazes de se matar sem se conhecer apenas por ter deuses diferentes, uma língua diferente, uma bandeira diferente, desde que seus mestres mandasse que o fizesse. Infelizmente ainda existem pessoas subjugadas e condicionadas a este ponto no mundo, mas não em numero suficiente-espero. Técnicas mais aprimoradas de terror contra seu próprio povo, e incentivos mais sofisticados são necessários para empurrar pessoas se matarem umas as outras para viverem uma vida diferente de sua própria vontade comprar lixo, ou até contraria todo dia seus instintos mais básicos de vida, liberdade ou dignidade. É preciso muitas vezes trancar uma criança vinte anos numa escola e muita TV para conseguir isso, e nem sempre funciona.

A chave é o mito do Uno para que ninguém escape da formação, para que ninguém deserte das fileiras, deve ser incalculado que só existe uma verdade. E essa verdade é seu deus, todo poder e o poder total. Deverá ser escravo dele, deverá se submeter a ele, deverá adorara-lo. Mas como? Com devo idolatra-lo? Como devo servir a meu mestre, criador, e senhor? Ora simples seu vagabundo inútil: Trabalhando!

Trabalhando! Trabalhando! Trabalhando! E se de vez em quando dando seus filhos para morrer na guerra. E fincando orgulhoso com isso. Só o trabalho salva.

Há todo um processo de falseamento da raridade, tudo é escasso. Tudo é raro. Tudo precisa ser produzido a duras penas. Nada é de graça. Como se toda a vida não adviesse de uma fonte de energia inesgotável e ainda possível distribuída de forma completamente indiscriminada e universal de energia, a luz solar, horror dos monopolizadores. Não por acaso os primeiros sacerdotes monoteísta espertamente identificaram deus ao sol o provedor da luz. Se ele é o senhor que de dá a vida é ele que você deve à paga, e eu sou o seu cobrador na terra. Dízimos e tributos. Igrejas e Estados são frutos da mesma vinha esperteza e ódio.

A ideia central é o sacrifico de muitos para o desfrute do ócio criativo e politico de poucos. A centralização não basta, é preciso construir uma periferia permanentemente excluída pela ausência dos meios para pô-la a servir o centro. A base da pirâmide nunca ascende, e nunca tem chance de sair da base porque esta esmagada sustentando toda a estrutura. Não é propriamente necessário mais agir para manter a estrutura, o própria do jugo, a própria destituição das liberdades fundamental dos indivíduos para estabelecer as conexões em rede já constituem impedimento mais do que suficiente para que outras formas de organização não tenham chance de emergir, e as evoluções fora do cratos sejam marginais, vagabundas, condenadas a morrer de fome.

Nas estruturas político-econômicas não há espaço para ver a beleza dos os lírios do campo. Ou compreender a complexidade de porque os pássaros do céu que não plantam nem fiam não caem amaldiçoados por deus, raivoso, agourento, porque não deu morreu desde seus gêneses trabalhando como o suor do seu rosto ou pisando no pescoço da sua mulher.

Fractais

A arvore cresce naturalmente hierarquia fractalmente como um corpo hierárquico, a floresta se espalha anarquicamente pelo território. As abelhas polinizam em padrões entrópicos tão complexos que parecem completamente anárquicos. Animais organizam-se sob os mais diferentes arques tanto socialmente quanto sexualmente. Monogâmicos, poligâmicos… Qual o principio correto? Qual o principio verdadeiro?

Estas são perguntas que não cabem à natureza das coisas criativas Porque a natureza das coisas É ser e não ser julgadas por servos de seres e poderes supremos e representantes autorizados legalizados e titulados de verdades absolutas. A arque quando se torna verdade absoluta se torna arcaica e morre, vira uma verdade. Somente aquilo que ainda não verdadeiro é interessante porque não existindo carece ser realizado, utopia ideia, futuro, vontade de ser poieses. Evolução. Quero dançar como abelhas. Eu sou a mosca na sua sopa.

Quero me coroar como Quincas Borba e abdicar do meu próprio reino. Quero servir a quem vence o vencedor. Quero obedecer ao meu mestre e desobedece-lo. Quero ser mestre do meu mestre e abandona-lo. Quero ser um homem livre com direito e liberdade de credo religioso e politico sexual, liberdade de associação e dissociação em todos os sentidos humanos, sem sofrer violência privação ou expropriação dos meios naturais. Quero ter direito ao ócio e ao capital e colher tanto seja o lucro ou o prejuízo por me expor a este risco, quero ter o direito de me associar com outras pessoas para me proteger deste e de outros riscos em contratos sociais como ou sem intermediários de acordo com minha vontade, para nossa proteção mutua ou mesmo universal.

Evidentemente que entre a expressão de uma vontade e a construção de uma realidade a uma distancia razoável e muito trabalho, trabalho no bom sentido da palavra, a ser realizado, ou seja, há muita criação a ser feita por ociosos absurdamente compromissados com sua vontade de nada mais nada menos criar um novo sentido, juntos. Esculpir o social. Libertar.

A arvore não foi apenas podada, faz tempo que rio foi desviado. Não estamos apenas falando então de técnicas de libertação da escravidão, mas da alienação. O desejo de poder mora, sobretudo no nosso coração frustrado. A libertação começa quando nos libertamos dos anseios cultivados por ter e poder dentro de nós, das vontades plantadas de mandar e obedecer que não são um fetiche nosso. Traumas, medos e anseios, muitos deles completamente reais frutos de uma sociedade que priva as pessoas dos meios de vida mais fundamentais e ao priva-las da dignidade embrutece. Não falo apenas da privação material, falo da privação estética da privação cidadã.

Não devemos confundir a privação com pobreza. Ser privado de algo não produz instantaneamente pobreza. Assim como a falta de luz não leva a cegueira. A violação está na perpetuação no prolongamento da privação contra a vontade de modo que o individuo perca não sua capacidade, a intenção aqui não é cegar, mas a sua vontade de ver, alienar. Ele continuará vendo, mas não mais enxergando, só verá o que é para ser visto. E como o sequestrado que passa a idolatrar seu violentador por sofrimento ele ainda por cima será grato àqueles que lhe tomaram sua visão, e chamarão o seu novo estado de inconsciência e alienação de revelação.

A esse processo de educação feito por todo vida conosco chamamos educação a base da transmissão daquilo que chamamos cultura, o cultivo de gentes, ensinamento, doutrinação, por negação do florescimento de qualquer espirito estético artístico, por negação da capacidade co-significativa do aprendizado criativo em rede. A autopoiese esta morta o espirito estético destruído o ente é uma estação repetidora retransmissora da programação da emissora de telecomunicação. As tecnologias totalitárias do século XX não inventaram nada elas apenas amplificaram um sistema muito antigo de adestramento-programação de seres humanos em servo-escravos-autômatos.

Transcendência

No cratos contemporâneo a e é reduzida doutrinação. A estética é reduzida a cultura. A ecologia é reduzida economia da escassez e a dignidade a provisão da materialidade do mínimo. A ordem é reduzida ao poder politico. O direito é reduzido cidadania. E a sociedade é reduzida ao estado civil submetida ao monopólio do poder estatal. E a liberdade ao direito liberal de papel. Liberdade não é poder de escolhas é o poder de transcender as privações Superar a pobreza. Transcender é diante de caminhos ou escolhas preestabelecidos construir suas próprias. Não é a negação nem a afirmação, não é nem mesmo a síntese. É a superação do problema, pela recusa da aceitação dos termos em que ele estão propostos, em verdade as soluções de um problema já estão inseridas em sua proposição. O importante não são as respostas que se pode dar mais as perguntas que se é capaz de fazer? Criar suas interrogações consiste no verdadeiro estado de transcendência, negar ou afirmar as respostas são evoluções naturais que podem ser ou não desenvolvidas conforme a vontade. Ser livre não é escolher entre os caminhos preestabelecidos, mas questiona-los e questionando-os construindo os seus próprios novos ou completamente idênticos aos antigos, mas indiscutivelmente criação da sua fé, dos seus principio. Sua evolução. Compromisso como sua vontade.

Libertação

Libertar-se não é sair da privação, mas é necessariamente sair da pobreza, porque a pobreza é o estado de espirito que fica mesmo quando se vai à privação. A privação escraviza, a pobreza aliena. A privação, pobreza, e alienação; os três estágios para a formação da mentalidade completamente submissa no culto ao absoluto e devidamente conformada ao estatus quo; Mentalidade alienada, pronta a preservar a estrutura que a conforma como se fosse a própria fonte de sua existência. Funcionando como parte de corpo. Idolatrando essa totalidade estruturada não importa exatamente como… O importante é que agora o alienado não apenas não abandonará mais a formação, mas como parte deste todo irá dar a própria vida para preservar essa forma com a qual identifica a sua imagem e semelhança. Sem ela sua vida perde função e sentido. Ele não é mais um ser com sentido próprio, autônomo. O alienado é o Todo. Deus salve a América. God Save The Queen. Brasil ame ou deixei-o : “tudo no estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”.

O maior problema deste modelo tipocrático é que ele sendo fundamenta na mais absoluta intolerância autoritarismo, totalitarismo, monopólio e verdade únicas, a tendência é que todo individuo pertencente a este culto tende a considerar uma ofensa pessoal e direta a ele, a deus e a própria verdade qualquer forma de pensamento, estilo de vida, que contrariem a cultura dominante. Mesmo quando o conceito chave do adorador é o relativo, a tolerância, a diversidade o anarquismo, a igualdade, a liberdade, a arque perturbada do individuo, transtornada pelo poder, tende a fazer a de seu pensamento não uma entidade aberta a entendimento, mas tão somente discriminação e julgamento fazendo seus juízos e emitir suas sentenças monocráticas.

A liberdade então passa a ser a proibição de proibir. A igualdade a obrigação de compartilhar. Até a anarquia passa a ser uma estrutura estática onde é proibida a emergência de qualquer padrão que não seja entropicamente complexo ou perfeitamente distribuído. A relatividade até a relatividade passa a ser a mais absoluta de todas as generalizações, ou seja, a negação absoluta da verdade pela máxima relativização de todas as perspectivas. A negação de qualquer universalidade pelo BIGBROTHER relativista. A policia internacional do politicamente correto para a relatividade cultural adverte: Direitos universais são proibidos porque ferem a multiculturalidade.

Democracia

A republica então se torna cracia do demos. Uma ficção já que a ditadura da maioria sobre as minorias leva aos genos e etnocídios. A democracia de fato é a ditadura de poucos atores representando figuradamente a vontade de todos os demais. Literalmente uma representação.

A panarquia exige naturalmente um mínimo denominador comum à paz, ou de razoável expectativa de segurança. Algo que evidentemente não se produz com violência, nem com redes completamente indefesas perante estruturas tipocráticas. Defesas não significam capacidade de ataque. Significa ter um sistema com capacidade para neutralizar tanto os ataques quanto antes das fontes geradoras da violência como padrão de comportamento ou formação estrutural. Não apenas neutralizar a perversão da eros em tanatos, mas subverter com suas evoluções as estruturas arcaicas; desconverter pela transcendência simbólica-comportamental as mentalidades alienadas e tipocratificadas; quebrar o processo de escassez natural ou monopolização artificial ou compartilhando não apenas o virtual que pode ser infinitamente dividido, mas também o pão multiplicável pelo milagre da teia da vida; explodir com o domus da privação-pobreza-alienação o templo do culto piramidal ao absoluto e onde idolatras cegos imolam a humanidade a baal há milênios.

Liberdade não depende apenas da liberalidade que um indivíduo tem para desenvolver suas potencialidades ou evoluções, liberdade emana, sobretudo das condições reais ecológicas-politicas-estéticas plenas para manifestar na realidade sua vontade como a expressão do sentido-significação para sua identidade em interação com os demais entes dotados da mesma liberdade sócia interativa. A liberdade é não estar apenas de estar livre das privações, da pobreza, é estar livre dos condicionamentos e alienações, é estar livre das compulsões psicológicas que impedem a manifestação da vontade para além dos medos e desejos meramente circunstanciais e manipuláveis pelo sofrimento e felicidade. Liberdade é poder sobre si e sobre mais ninguém para dar sentido a própria existência acima das condições preestabelecidas pelo próprio meio ou sistema. É criar sua própria evolução em conexão com a rede que sustem a sua própria existência. Liberdade para todos é o próprio etos da rede enquanto multiverso. A dinâmica do sistema ou a arque do qual emergem os seres e suas vontades como a própria manifestação da vontade de ser. Liberdade como fonte geradora da segurança existencial e não violência. Abundancia. Plenitude, universalidade, compartilhamento por multiplicação e não divisão. Desigual mas autossuficiente para enquanto autogerada pelos coparticipantes do sistema.

Cosmopolitas

Para tanto é necessário um sistema desintermediado P2P de segurança como seguridade desta liberdade real no mundo real, um sistema de seguridade descentralizado sem autoridade central, mas ao mesmo tempo universal que garanta sem discriminação à tolerância e o estado de paz necessário à liberdade como estado de segurança sobre os direitos fundamentais a liberdade em rede. Uma Internet para a paz como liberdade para todos. Um sistema livre de seguridade descentralizado e sem fronteiras.

Essa garantia de bens comuns e particulares para todos, essa renaturalização dos recursos básicos definida e regulada pelos próprios componentes da rede seria suficiente para aplacar a assanha por ter e poder? Quebrar os sistemas ou mesmo impedir as hordas de estupradores político-econômicos dispostos a espalhar e impor seu culto a ferro e fogo novamente por toda a terra usando exércitos armas e violência voltem a emergir? Não se imporia novamente as ditaduras das maiorias sobre as minorias, dos mais fortes sobre os mais fracos? Não haveria de novo um ciclo de autodestruição? Não faz parte da própria dança da vida que a espécie que nasce sob o signo de eros naturalmente seja violada e sucumba como tanatos?

Não necessariamente a liberdade precisa se perverter em poder. Ou a resistência a violência se faz com violência. A transcendência é uma possibilidade nos sistemas. Quando uma pessoa se revoluciona passa a apresentar evoluções libertarias, dotadas da capacidade de provocar disrrupções internas e externas capazes de provocar curtos-circuitos nos programas e novas e inesperadas conexões. Aonde até agua virá vinho.

São formas de comunicação por atos simbólicos de desobediência civil que transcendem o status quo e são capazes de reinspirar à vontade primal fonte da vida que mantem todo ente da vivo respirando apesar de tudo. A libertação é sobretudo um ato não egoísta daquele que ao olhar e se solidarizar com o outro consegue libertar a si mesmo. Não é um ato de paixão por um semelhante, mas o ato de compaixão para com um desconhecido, por um estranho. A capacidade de compartilhar deste profundo sentimento existencial e sentido de existência para além do seu próprio nariz, para além da sua própria barriga para além da sua própria desejos e necessidades. De fazer do diferente, não objeto de xenofobia, mas de universalidade. É o etos de conectar-se com o tudo. Sentir. Sem medo de sofrer. E lutar como dignidade pela vida, sem medo de morrer lutando.

Parece que o fim da violência está apenas quando abaixamos as armas. Esse é o maior engano. Quando um pacifista abaixa sua arma e abre o peito pede para morrer como um cordeiro. Como uma criança. Como um inocente, Sacrificado. Quando ele levanta suas armas para lutar já perdeu a guerra porque cruzou a trincheira. A única arma da não violência é a não omissão perante a privação material a pobreza politica e desigualdade cultural-estética a cavalaria dos patronos de toda injustiça social, bancadores dos signos de poder e monopólios da violência.

Ter um planeta para chamar de terra é antes de tudo, ter um mundo para chamar de humanidade. Não há sentido sem sentimento, nem significado sem liberdade. Liberdade Real para Todos.

Governe-se.

[i] E nunca faz até se programar alguma concreta.

[ii] Na teoria do mundo privado-privada o Brasil Social é o um microcosmos do planeta, igual a todos habitantes do planeta terra e ao europeu branco medieval ainda cagamos onde comemos.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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