OU NO CORAÇÃO DAS TREVAS: DAS ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA DO NECROCAPITAL

NO CORAÇÃO DAS TREVAS: O ESTUPRO COMO ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA A SERVIÇO DO NECROCAPITAL

Seguindo o rastro dos geno-generocidas: do lítio na AL à rapinagem do cobalto no Congo, outrora só Belga, agora das multinacionais, ou ainda: um ensaio sobre a visão como memória momentânea seletiva

“Poetas, como os cegos,
podem ver no escuro”
Jorge Luis Borges

Como desgraça, notícia ruim e coincidência pouca é bobagem

Enquanto rebeldes no Congo atacam

Adivinha para onde vai a centopeia humana marchando para fazer o serviço sujo de “adestramento”? A Cavalaria norte-americana?

Não, a mais genérica, a Sulamericana mesmo…

Quão oportuno. Digo… a sincronicidade de notícias, porque caga-se e anda-se para Africa no Brasil no mainstream, salvo é claro quando é para justificar alguma ação como esta.

Porque infelizmente gente no Congo é exterminada e escravizada sistematicamente tão denunciado quanto continuada pelos mais diferentes necrocapitalistas desde que os belgas e outros povos governados por tiranos eugenistas chegados em cortar mãos de obra e cabeças botaram os pés por lá com seus mercenários.

Adam Hochschild é um escritor, jornalista e professor universitário norte-americano, tornado famoso por ter escrito este livro.
Este livro centra-se em duas pessoas que fizeram a história do que somos hoje: o rei Leopoldo II da Bélgica e Edmund Dene Morel.
Graças à pesquisa feita pelo autor compreende-se como o rei Leopoldo II da Bélgica decidiu transformar-se em proprietário colonial (propriedade privada, só no final da sua vida foi vendida ao Estado belga) enquanto tentava passar à Europa a imagem de filantropo e “civilizador” europeu.
Leopoldo II da Bélgica ambicionava uma colonia para si. O Congo estava subexplorado pelos franceses na altura e ele viu ai uma oportunidade. Contratou Henry Morton Stanley, jornalista e explorador, que durante cinco anos preparar aquele que seria o Estado Livre do Congo.
A nível colonial o seu projecto era simples: tirar toda a riqueza existente da terra, até não sobrar mais nada. Uma filosofia muito parecida com a dos colonizadores portugueses e a dos colonizadores em geral, diga-se. Primeiro tirou o marfim. Depois, como a borracha passou a ser a riqueza mais precisa…

Mas ao contrário do mito, nenhum “selvagem” era “bom” (“bom” no sentido de obediente só porque os exploradores o desejavam). Por isso tiveram de existir formas de pressão: a ameaça de morte constante sobre as aldeias e recompensas para quem matasse mais congoleses desobedientes. Ninguém o planeou, muito menos o rei Leopoldo II da Bélgica mas o resultado da sua colonização “civilizadora” foi um genocídio, comparável ao nazismo de Hitler ou ao GULAG de Estaline… Mas só podia ser desta forma, com as leis criadas pelo rei para explorar as riquezas até ao máximo!!
(Porque ali, no Congo, local que todos pensavam inexplorado (havia lá populações a viver, mas não contavam para nada) os Dez Mandamentos, que implicam o mínimo de respeito pelos outros seres humanos, não existiam!
Notar que depois da morte de Leopoldo II da Bélgica o seu sistema foi “adaptado” e continuou a ser usado, desta vez por belgas, por alemães e por franceses… Fez escola!
Notar ainda que Leopoldo II da Bélgica não foi o único a criar um sistema que colocava negros a maltratar e matar outros negros, ou colocar crianças desde pequenas a receber formação militar para matar pessoas (e tanto nos preocupa hoje, e ainda bem, o facto de haver ditadores africanos que usam crianças nos seus exércitos)…
Edmund Dene Morel foi o principal denunciador da forma de actuar dos colonizadores às ordens do rei Leopoldo II. Era uma pessoa prática, sem idealismos. Foi trabalhar nas docas da Antuérpia, numa empresa britânica que fazia exportações e importações do Congo para a Bélgica. Vendo que só iam armas e objectos sem valor, mas eram trazidos na volta o valioso marfim e a borracha ficou intrigado. Questionou os superiores mas tentaram corrompê-lo. Contra todas as expectativas, decidiu despedir-se e tornar-se jornalista. Até 1913 liderou uma campanha contra a exploração que estava a ser feita no Congo.
(…)
Este livro também tem um capítulo dedicado ao Sr. Kurtz, que me fez pensar que a minha leitura de O Coração das Trevas foi extremamente ingénua. O Sr. Kurtz é uma personagem que é a junção de vários colonizadores brancos presentes no Congo durante o reinado de Leopoldo II: ele é de facto a face do Mal, mas do Mal como é sentido por quem é colonizado, não pelos colonizadores. Adam Hochschild reparou em pormenores que eu na minha análise não tive em conta, porque o tema e a forma como é abordado eram novos para mim. (…)- Leituras: Desmascarando o mito do colonizador filantropo

Mas, antes de ir de volta para o passado. Falemos do presente que o Brasil vai de novo se prestar ao serviço internacional de peacemaker. E o quão treta é esse negócio. E não pense que estou a fazer acusações infundadas, porque não encontrei registros. Até porque sem ufanismo para haver registros há de haver mais incursões. Mas não estou interessado em reputações internacionais, ou passivos históricos nacionais e internacionais, mas em danos, suas causas e consequências e tanto suas necessárias reparações quanto ainda mais suas mais necessárias ainda prevenções para que não se cometa, ou não sejamos nós a cometer ainda que indiretamente, ou rigorosamente de forma cada vez mais diretamente e participativa e, portanto, mais crimes contra a humanidade. Porque há um ponto onde a ignorância, mesmo a intencional, a especialidade do brasileiro médio que ama seu conforto adornado pela comodismo da imbecilidade da hipocrisia demago-ideológica, também conhecida como cegueira seletiva, já não é alibe para a cumplicidade para o dolo e dano cada vez mais crescente do qual somos não só vítimas, mas cúmplices contra a pessoa humana e não só por omissão em território neocolonial pátrio.

Denis Mukwege é a medicina em seu estado mais puro. O congolês de 64 anos especializado em ginecologia e obstetrícia ganhou destaque mundial por seu impressionante trabalho em defesa das mulheres. Ele esteve essa semana no Brasil, onde realizou uma série de palestras. Seu último evento público foi uma conversa informal com funcionários do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ocasião que ele aproveitou para contar um pouco de sua trajetória e responder perguntas da plateia.

Mukwege se formou médico pela Universidade do Burundi, na África Oriental, e concluiu seus estudos na Universidade de Angers, na França, e na Universidade de Bruxelas, na Bélgica. Ele abandonou a possibilidade de uma carreira de destaque em solo europeu para voltar ao continente africano e atender a população mais necessitada.

Ele foi testemunha viva de um massacre no Hospital de Lermera, em 1996. O ginecologista conta que suas pacientes recém-operadas e os funcionários da instituição foram assassinados a sangue frio durante a primeira guerra civil da República Democrática do Congo.

Três anos depois, o próprio Denis Mukwege fundou o Hospital de Panzi, onde trabalha até hoje. Durante esses 20 anos, ele atendeu mais de 30 mil mulheres vítimas de violência sexual. Um projeto tão grandioso foi um dos motivos que levaram a sua nomeação para o Prêmio Nobel da Paz em 2018, ao lado da da ativista yazidi Nádia Murad.

Histórias aterradoras

Ele conta que, quando ainda estava fazendo os ajustes finais para abrir o novo hospital, uma mulher entrou correndo pelos corredores da nova instituição totalmente desesperada. Seu ventre sangrava muito. As pessoas que a acompanhavam contaram que ela tinha sido estuprada diversas vezes por dez homens. No final, eles ainda enfiaram uma arma em seu canal vaginal e atiraram na direção de seu útero.

Histórias como essa, infelizmente, são comuns no país de Mukwege. “Em média, essas vítimas são estupradas por três homens. Não é raro atendermos bebês de seis meses que passaram por uma violência dessas”, conta.

A República Democrática do Congo vive décadas de guerra. Ao contrário de muitos de seus vizinhos, o problema não se relaciona com disputas entre etnias, religiões ou facções políticas. A questão é tecnológica mesmo — e, de certa maneira, tem a ver comigo e com você que lê esse texto.

Esse país localizado no coração da África detém 60% das reservas de um mineral chamado columbita-talantina (ou coltan). Tal produto é primordial para a fabricação das peças dos aparelhos eletrônicos, como celulares, tablets e computadores, que tanto usamos no dia a dia.

A eterna briga congolesa se concentra, então, no controle das minas desse material tão valioso. Grupos armados invadem territórios e expulsam as pessoas de sua terra, o que já resultou em 6 milhões de mortes, 4 milhões de refugiados e 4 milhões de deslocados internos.

Quando esses criminosos chegam numa nova região, a principal maneira de humilhar aquela comunidade indefesa é justamente atacar suas mulheres, não importa a idade que elas tenham. O ginecologista, aliás, compara o estupro como uma arma de destruição em massa: “Vivemos num mundo que perde todas as suas referências de humanidade. E, pior, não vemos nenhuma reação no plano internacional contra esses crimes que ocorrem todos os dias.”

(…)

É óbvio que um trabalho tão relevante incomodou muita gente poderosa. Em 2012, Denis Mukwege foi alvo de um atentado terrorista alguns dias após fazer um discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), em que denunciou muitos desses grupos criminosos. Ele escapou ileso, mas um de seus assistentes morreu no episódio.

Uma guerra silenciosa

E olha que essa realidade do Congo não está tão longe assim de nós aqui no Brasil. Uma pesquisa do Instituto Datafolha feita a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 27,4% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência. Sim, uma em cada quatro mulheres passou por alguma agressão em nosso país.

Em outro levantamento, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra que, entre 2011 e 2014, 69,9% dos estupros cometidos no Brasil foram com crianças e adolescentes. No geral, 15% desses atos criminosos foram praticados coletivamente e 25% dos autores eram conhecidos pela vítima. Dados tão lamentáveis parecem se repetir nos Estados Unidos, na Ucrânia, no Iraque, no Sudão…(…).- “O estupro é uma arma de destruição em massa” | Túnel do Tempo

E que você não pense que o complexo militar-industrial-cultural brasileiro é tão pequeno quanto parece. Não vou questionar sua capacidade de proteção do território nacional, porque isso ele mesmo reclama e com razão. Mas para serviços internos e externos é tão ou mais eficaz que as empresas terceirizadas americanas ou russas ou europeias e com a vantagem de que tem a bandeira oficial da ONU, e não para todos os efeitos e aparência de uma operação com tropas privadas, mercenários, ou já em casos mais caóticos do emprego “de mão-de-obra” informal seja da qualificação de insurgente ou terrorista.

Mas o que nós estamos fazendo lá? Nós? É uma palavra muito ampla para um grupo muito distinto de interesse. Eu e suponho você estamos aqui, que é um lugar também supostamente menos violento, dependendo exatamente da onde não. Eles, os soldados estão colocando a vida em risco para cumprir sua missão, servir seu país e receber seu soldo. O ESTADO Brasil está pagando os pedágios geopolíticos internacionais e fazendo o que o Estado-Nações sabem fazer, subsidiando o faturamento de alguma pessoa física e jurídica contra outras, aplicando a sua expertise: a supremacia da violência. Seu papel nas revoltas populares domésticas contra a gene dominante, não necessariamente uma maioria, e seu papel especialmente quando os países deixam de ser o teatro e periferia do mundo, e passam a ser as polícias do mundo e pilhadores do mundo, ou seja, de subdesenvolvidos, para desenvolvidos.

O que aqui não é o caso. É só terceirização do serviço de capanga estato-privado internacional mesmo, porque as corporações transnacionais defendidas não geram trabalho nem capital, pelo contrário, também tem em nós um mercado de consumo, o que é a mesma coisa de enriquecimento do saco sem fundo da sua necrocapitalização- ou nossa pilhagem natural (não necessariamente acompanhada de progresso civilizatório).

Um novo processo contra a Apple acusa a companhia (bem como outras gigantes da tecnologia) de incentivar o trabalho infantil forçado em minas de cobalto na República Democrática do Congo (RDC) — um assunto que “assombra” a Maçã há bastante tempo. As informações são do The Guardian.

No caso mais recente, diversas famílias congolesas entraram na justiça relatando que seus filhos foram mortos ou mutilados durante a mineração de cobalto, material usado na fabricação de baterias para smartphones, notebooks e carros elétricos. Além da Apple, o processo cita o Google, a Dell, a Microsoft e a Tesla.

As crianças que exploram o cobalto dos réus não estão apenas sendo forçadas a trabalhar em funções extremamente perigosas que deprimem os seus estudos e futuros, eles também estão sendo mutiladas e mortas regularmente por colapsos de túneis e outros riscos conhecidos comuns à mineração de cobalto.

Os autores da ação afirmam que estão realizando um novo estudo sobre o caso e que acrescentarão outras empresas ao processo. Além disso, eles dizem que essas companhias usam de eufemismos para “facilitar” o trabalho dos menores de idade.

[Os trabalhadores] são oficialmente chamados de mineradores “artesanais” para encobertar o fato de que isso significa que eles estão trabalhando em um grande setor informal de pessoas, incluindo crianças pequenas, que vão para as áreas onde o cobalto é encontrado e usam ferramentas primitivas para cavar e escavar túneis em busca do material — sem nenhum equipamento de segurança e sem qualquer suporte estrutural para trabalhar [nos túneis].(….)- Apple é processada por incentivar trabalho infantil forçado em minas de cobalto

Eufemismo é o eufemismo. É dar uma aliviada para bigcompanys dizendo que a exploração da escravidão é “incentivo”. Em nenhum sentido da palavra, nem usual, processual nem técnico, psicológico e principalmente econômico de onde vem sua cumplicidade autoral como o crime da qual são acusadas. Porque incentivador dentro de um mercado de capitais é quem promove a demanda por um determinado produto, sem estar consciente da cumplicidade na sua cadeia de produção, é o acionista ou consumidor que não sabe literalmente o papel de mercador ou consumidor da morte que tem nessa indústria; e não os grandes investidores, bancadores, traficantes, industrializadores que não por acaso, ficam graças a (falta de) justiça dos monopólios da violência estatal não só com todo o mérito-lucro incluso do que não produzem, mas nunca respondem por todos os desméritos e prejuízos, destes são absolvidos, anistiados, quando não até indenizados! Pelos danos que o estado comete à economia de mercado necrocapitalista e as suas pobres vítimas: as ricas corporações eugenistas privato-estatais.

Prejuízos que novamente são colocados nas costas das mesmas populações marginalizadas promovendo, mais extermínio reiterado e sistemático de uma mera coincidência aquelas crianças. Porque eles perseguem apenas o lucro, e se para obter a maximização do lucro tivessem que colocar sua própria gene, ou se eugenistas lá estariam eles e suas proles a correr o risco que envolve os lucros exorbitantes. Porque é o risco que permite o lucro absurdo, especialmente quando o risco e eventual morte é do alheio e alienado e não do canibal necrófilo, mas pode chamar de necrocapitalizador, que também não deixa de ser um eufemismo. Mas em tempos, em que basta uma pessoa discordar de uma pessoa de esquerda, especial uma totalitária, também cheia de parafilias antropofágicas que caracterizam suas taras e projetos para tomar o necropoder, chamar esse processo de economia corporativa nazi-fascistoide de eliminação e apropriação lenta e dissimulada dos povos e terras, não seria nenhuma hipérbole, mas iria em verdade, por causa da guerra entre os desinformadores só favorecer a propaganda e propagação de ambos necrófagos totalitários alucinados.

Vide o trumpismo-bolsonarismo não só desenvolveram imunidade ao veneno das falsas esquerdas do estatamento como aprenderam a se alimentar dessas desastradas e alopradas estratégias para fidelizar ainda mais seu público alvo-consumidor do produto das suas campanhas políticas. Produto este que é o próprio extremismo e radicalização, um eufemismo, para o apologia ao ódio, a radicalização, que de um ponto de vista interno não tem vencedores, porque promove o enfraquecimento da coesão ou até mesmo a desintegração do tecido social. Mas do externo, sempre não importa se ameaça, é oportunista ou não e se ela incentiva ou é cúmplice da própria industria que vai capitalizar, ou já está capitalizando em cima dessas perdas e até mortes. Capitalizando portanto do ponto de vista de quem está do outro lado desse livro caixa… da vida ou da morte.

Logo “Incentivar” é definidamente um eufemismo. E se não é hora de apelar para hipérbole, também não é hora de se furtar de fazer toda a auxese necessária para deixar claro a natureza de tudo aquilo de monstruoso que, não sejamos hipócritas, não é de agora, está banalizado mas, só agora deixa os ghuetos das africas para bater à porta dos burgos-nações que se podem ser acusadas de algo, é não senão de terem sido manipuladas em sua (in)consciência coletiva para não conhecer seu passado, presente, que dirá futuro. E quando digo burgo-nações, não vá dá um de descendente das mais nobres e ricas famílias aristocráticas brasileiras de políticos, latifundiários, agiotas legalizados e escravagistas, vendilhões do templo e afins, a famosa burguesia de esquerda, que se acha pobre, preta e proletária.

Se em relação dos europeus podemos interpretar com justiça o papel das vítimas do colonialismo, e com mais justiça reivindicar as reparações necessárias junto como os Africanos. Em relações aos africanos, nessa contabilidade, muito do que recebemos, não só há de ser repassado para sanar as feridas e chagas abertas que ainda sangram aqui, mas aquelas que ainda sangram lá, vinda não do europeu, mas do protoeuropeu que já éramos como novos americanos.

Não meu caro, nesta história do mundo salvo os escravos, a imensa maioria do povão que ainda paga inclusive vivendo na merda.

E há quem diga no Brasil… não preciso nem dizer. E ainda coloca a palavra é fato, como se fosse um emoji. Não, é fata morgana… volta pra disney oferenda.

Por isso não se engane nem deixe enganar, o poder do Brasil não é capitalista, é desalmado até a alma das suas superestruturas oligárquicas que não por acaso opulência e prepotência correspondem a falta de infraestrutura e desenvolvimento nacional, é a mais primitiva forma de necropoder que não só é a forma mais abjeta de necrocapitalismo, porque a monstruosidade desde quimera não surge nem cresce na medida que se regride à mera brutalidade do animalismo, mas justamente pela perversão da humanidade com que aplica a inteligência adquirida para os propósitos mais destituídos do mínimo significado, mas do sentido e sobretudo senso-noção e percepção seminal do sentido existencial. Nulidades anuladoras de significados por insensibilidade a significação do sentido existencial, ou barrigas desalmadas ambulantes doidas para devorar e se replicar. O que de fato o fazem. Pela apropriação e desenvolvimento das criatividades e inovação que caracterizam a evolução e progresso civilizatório, não só para os fins produtivos-reprodutivos mais primários e primitivos mais insignificantes. Mas que por precisarem reduzir todo esse capital social, todo essa potência da metagênese da criação da vida a mera propriedade funcional-objetificada, destroem a própria evolução da humanidade e humanidade em si, não só como coletividade, mas essência, alma matter do sentido e vocação existencial.

Eis as raízes dos crimes da humanidade da corrupção que vão muito mais longe dos erros e crimes que esquerda e direita se acusam com razão, porque estão entranhadas um no racismo, eugenismo e escravagismo e holocausto indígena, negro, nas florestas, no campo e na urbes neuróticas, esquizoides e desvairadas que é a plataforma da direita, ao menos a eugenista, que pode ser acusada de tudo, menos de não ser sincero-genocida, mesmo quando ignorante da sua inconsciência e servo-idiota ou servo-idiocrática, porque brasileiro idiocrata, só com dupla cidadania e vivendo fora da senzala, “porque me poupe, meu bem, porque entre semi-gente só para checar como anda a feitoria e férias exóticas”. É por isso que só a burguesia que vai ao Paraíso, perdão à Paris, se ilustra e pode afetar preocupações mais elevadas, já não precisa mais bancar o capitão do mato como os seus pares ignorantes o capitão do mato de direita, que fazendo o trabalho mais sujo, menos intelectual, não podem se dar ao luxo de tratar a gentalha como gente, precisam proteger os privilégios de todos, e perguntam ao seu vizinho de burgo condominial que ele chama quando a coisa aperta: a polícia da milícia de quem? A legal ou ilegal?

Logo a raiz histórica não absolve o caráter mais recente dos crimes do esquerdismo, pelo contrário só condena com ainda mais frescor de memória popular essas lideranças hegemônicas do falsa ou pseudo-esquerda e satélites por terem traído essas populações, e a continuar descaradamente a fazê-lo!!! Vendendo suas carnes e terras como submarinos ideológicos populistas desse necropoder e necrocapital violento a desmobilizar as verdadeiras frentes e vanguardas populares de paz (que o digam os movimentos e organizações sociais não-pelegas e não-paragovernamentais), sempre com um mesmo fetiche, que por sinal é o dos seus falsos arqui-inimigos, os vilões desse espetáculo: a tara narcisista, mitomaníaca e megalomania maníaco-compulsiva-possessiva à violência e violação via monopólio da violência paternalista-patriarcal do pátrio-poder, mas pode chamar de Estado. Eu prefiro ESTAPATIA.

Um ESTADO que em verdade nunca foi nada senão a outra face ora bruta, ora provedora de um mesmo arcabouço de privações primitivas não só política, econômico ou culturais, mas da própria garantia da desintegração não em classes sociopolíticas, ou setores produtivos socioeconômicos, de modo a favor a desigualdade do privilégio tanto ao ócio quanto ao negócio, (afinal um depende do outro), mas o provedor, garantidor, subsidiador e sobretudo naquilo que é minimo da jurisdicional legal policial e clara em caso de emergência sempre jurisprudencial para os eleitos e protegidos da lei, uma plataforma que antes de moldar a cultura ou a psique como inconsciência coletiva , a divide, e dividindo e compartimentando, em infinitas desconexões, forma uma camada ainda mais profunda, que não é infra, nem super, mas metaestrutural a epistemológica- hoje atacada não por gurus, chamas ou velhos líderes populistas domésticos, mas por pesada artilharia internacional da tecnologia da metainformação que opera inclusive no nível da inconsciência coletiva desses próprios velhos manipuladores instrumentalizando para seus próprios interesses eugenistas-pecuniários, ou patrimonialistas-hereditários.

Uma monstruosa e perversa metainversão da obra de Adam Smith que nunca falou nada disso sobre o capitalismo. Porque o padeiro busca seus interesses particulares produzindo bens para todos: o pão. Agora, todos buscando seus interesses particulares no melhor estilo lei de Gerson tentando tirar vantagem de tudo, alimentam a maquinaria dessa maquinação, não só capitalizando financeiramente cada vez mais esses necrocapitalistas, mas aumentando a inteligência artificial dessas máquinas a medida que se servo-imbecilizam voluntariamente, incluso os que se acham muito espertos que usando essas ferramentas para fazer os outros de otário, são nelas feitos, e pensando se fazer idiocratas, de fato se fazem, chegam ao poder, mas na desqualificados como idiotas ditadores não de uma democracia, mas de uma idiocracia já degenerada como idiocratura onde o príncipe dos idiotas, ou primeiro de todos, é o próprio rei dos servos idiotas que se acham, tá ok?

Tá ok, não, certo. Porque essa pseudo-malandragem mal-emulada de branco da casa… é repetição da farsa como história e da história como farsa. Lixo ultrapassado é mandado. Recursos primordiais são mandados embora.

E quem não quiser ou suportar viver na merda, com quem só fala merda que finja que o ame o asqueroso ou deixe-o.

Coitado do Gerson, o canhota era craque em campo, mas não sei porque ele nem lembra alguém…(aliás tô falando o quê eu fumo e é tabaco feito uma chaminé, porra). Estou tentando escolher sabendo quais as substâncias tóxicas que vão me matar em breve. Coisa que não posso fazer com uma série de outras coisas (e não só agrotóxicas) que eu e por sinal você também consome e que competem entre si dentro do meu organismo para ver qual vai ter o privilégio de cumprir sua função de diminuir minha pegada ecológica para que os herdeiros do mundo tenham mais heranças patrimoniais. Sem problema nisto sou zoroastrista, mas que sejam os verdadeiros herdeiros, as futuras gerações e não esses vampiros sangue-sugas que se deixarem se servem não só da memória dos seus antepassados, defuntos até do funeral dos seus filhos e netos mortos para se perpetuar em sua parafilia necrofágica no poder como egolatria simplesmente porque são covardes demais para enfrentar esse simples fato da vida: sua renovação-sucessão cosmopolítica ou pura e simplesmente a morte.

Supondo que você tenha como fugir e um refúgio seguro. Porque outro dia bastou a BBC publicar a matéria dos ultra-ricos norte-americanos que acham que Nova Zelândia é o cofre-bunker para escapar do armagedon-trumpista e bum, é vulcão. Deus Vult? Não, é praga daquela pirralha a menina-greta, queima que é bruxa… aí, aí... só bomba de fumaça, e mais fumaça… digo dos manipuladores. Porque criança é criança, e merece respeito, não importa qual a raça, ou sonho, e vulcão faça-me o favor, “menas” né. Que alteração provocada pela ação do homem é uma coisa, outra é já dizer colocar cacos paranoicos conspiratórios no meio, que só servem para justamente desqualificar a narrativa. Já disse isto antes, é a famosa história machista-estadista da mulher de César, que traduzida da semiótica da comunicação da verdade dos fatos, implica no seguinte lei: não basta o fato ser verdadeiro a narrativa há que ser verossímil, de modo que sem verossimilhança, provas e evidências, ou um mínimo grau de credibilidade da fonte emissor, lucidez do perceptor, ou ainda inteligencia para processar-filtrar a informação, pode cair um elefante na cabeça do coitado ignorante que ele ainda vai continuar achando que é um pássaro? Um avião? Não é o super-homem! E como diria Alan Moore, decadente ou não, ele é (norte)americano.

Então por falar, também não por acaso nos ubermachts, será que as empresas que financiavam o nazismo também eufemisticamente só incentivam o trabalho forçado nos campos de concentração antes da solução final? Se o nazismo nunca tivesse implementado a solução final teria sido menos monstruoso seu crime ou a participação criminosa dessas empresas, por sinal devidamente encoberta também por eufemismos? Será que uma criança judia que morreu só de fome ou trabalhando no campo de concentração está, não estava, a sofrer o holocausto nazista? E uma cigana? E essas crianças negras? O crime se define pela qualidades ou desqualificação da vítimas? Ou pela descriminação e segregação em si? Pergunta retórica. Porque se você que é nazista já não o era quando eliminou o primeiro portador de deficiência, antes de apontar para a vítima, então não consegue entender a natureza desses estatopatas nem antes nem depois de eliminar suas vítimas conforme a lista de prioridades que não tem propriamente um final, mas bodes expiatórios, porque a máquina não pratica um holocausto ela é o holocausto da humanidade, o falso trem da história: necrocapitalismo.

E quanta gente não vai morrendo aos poucos, ou rápido, quanta gente deixou de viver suas vidas seus amores, para que esses monstros vendam abjures feito não só da pele de gente. Mas das almas de gentes, das histórias de vida, dos amores NÃO VIVIDOS, derrubados, esquecidos, vidas no berço como como crianças sem amor e futuro, ou velhos dementes sem infância, todos mortos precocemente em suas expectativas e esperanças de vida, em sonhos e possibilidades matemáticas concretas de vida, que um locupletador realizasse suas fantasias de posse e poder como corpo corporativo violador se ainda estatizado ou já privatizado, em sua violência subsidiada tanto faz. Mas pode ter certeza de uma coisa, seja de bom ou ruim tirando ideias geniais, de concreto, ninguém faz nada sozinho de bom ou ruim, de fortunas ou pirâmides ou genocídios.

Então veja que interessante prejuízo simbólico bota na conta de um só. Um morto, porque morto não tem como se defender. Prejuízo concreto, bota na conta do povão. Lucro bota na minha conta. E a glória? Bota na conta de algum pavão bem vaidoso, porque o verdadeiro pavão misterioso, esse nunca coloca o pescoço para cortar. Porque no dia que se cortar o pescoço ou as asinhas do verdadeiro pavão misterioso, no sentido figurado, você vai ver como o espirito da vida e não mais da coisa vai começar a respirar, transpirar e inspirar novamente.

Será que não nos acostumamos a ter que que passar ter que (sobre)viver tão rápido que já não vemos que essa historinha do quão rápido a vida passa é só a morte chegando em câmera lenta, ou o ser atropelado por um trem da história mais veloz do que consigo não só acompanhar, mas sequer ver chegar? Especialmente quando somos o gato e não os doutores manhatans, porque que trancado este tempo todo no armário não eram eles, mas nós, e muitos de nós ainda nem se deram conta disso, e infelizmente nem se darão conta a tempo. Porque continuam a repetir esse lugar comum de que os monstros saíram do armário.

Não neném, essa portinha não é do armário, é a cela. E os gritos não eram música de ninar. Não, eles só bateram agora foi na porta do seu armário, porque o mostro nunca esteve escondido ou trancado, mas solto e te vendo, porque você é que sempre foi o pet no zoo dele, achando que ninguém estava a te observar ou quem você achava que te contava aquelas lindas historinhas sobre o rei leão para o menino grande dormir sem peso nenhum na consciência, ou de preferência sem consciência nenhuma para fazer peso?

Nisto parte da população belga e europeia, assim como a brasileira, está acordando enquanto a outra insiste pateticamente manter o seu retrato de Dorian Gray nacional bem escondidinho dos olhos do mundo.

Já era o rei-monstro, o estatopata está nu, todo mundo está vendo aquilo que o pequeno príncipe do Zé Perri, Wilde e até Lincoln explicou e o véio sem episteme nem semiótica ou mesmo estética não entendeu, não adianta esconder porque o essencial pode ser invisível aos olhos do agora, mas a longo prazo nunca as marcas vão se tornando mais e mais evidentes, e não há prazo mais longo do que a eternidade, e marca mais evidente ou rastro mais fácil de seguir que o da podridão que vai por desintegrações progressivas resultar no zero absoluto, sem nem a isso conseguir chegar.

O debate sobre o domínio colonial sangrento da Bélgica no Congo foi reacendido após pressão de grupos defensores de direitos humanos para que o país confronte o seu passado. Setores mais conservadores da sociedade belga vivem ainda um estado de negação sobre o período colonial, mas há quem queira ver este assunto discutido mais abertamente. Museus estão começando a mostrar fatos anteriormente ignorados, livros de história nas escolas estão sendo mudados, uma atitude impensável até pouco tempo, cidades estão alterando placas de ruas que homenageam Leopoldo II e denunciam abertamente seu legado.

A Corte de Kortrijk, no oeste de Flandres, região norte da Bélgica, decidiu mudar o nome da avenida Leopoldo II na cidade, argumentando que o monarca era um assassino em massa. Outra cidade ao norte de Bruxelas também pretende alterar o nome de uma rua que faz tributo ao antigo soberano belga para evitar vergonha entre os moradores. As cidades de Bruges e Gand devem seguir o exemplo.

Monarca sanguinário

Leopoldo II da Bélgica foi um dos reis mais sanguinários da história europeia, mas permanece ainda hoje um dos genocidas menos falados. Entre 1885 e 1908, ele fez do então Estado Livre do Congo hoje República Democrática do Congo sua propriedade particular. Para explorar borracha e marfim, escravizou os congoleses e deixou um legado de miséria no país. O monarca cruel instituiu punições severas para quem não coletasse borracha suficiente, entre elas, decepou mãos e braços de milhares de pessoas.

Para manter seu reinado, mandou torturar, mutilar e matou, segundo acadêmicos, entre 8 e 10 milhões de congoleses, sem nunca ter colocado o pé na colônia africana. Durante os 23 anos de terror, ele acumulou riquezas e realizou projetos faraônicos em Bruxelas. Em 1908, após pressão internacional, o parlamento belga retirou de Leopoldo II o controle do Congo.

Protestos

Nos últimos anos, grupos têm realizado diversos protestos contra o uso da imagem de Leopoldo II. Uma das mãos de uma estátua em homenagem ao soberano em Ostende foi cortada, em protesto contra sua política colonial e às mutilações praticadas. Em Bruxelas, em frente ao Palácio Real, o monumento do rei montado em um cavalo foi pintado de vermelho em três ocasiões. Ainda na capital, o busto do segundo rei da Bélgica foi removido de um parque.

Em Flandres, nas cidades de Gand, Ostende e Hal, há placas explicativas ao lado das estátuas informando que “o comércio de borracha e marfim, que estava em grande parte nas mãos do rei, custou a vida do povo congolês” e ainda que “o poder de Leopoldo II e as ações dos colonos belgas sob seu regime no Congo foram brutais com a população local e sua exploração desumana”.

Ironicamente, Flandres também é o reduto da extrema-direita belga, com o Vlaams Belang e o N-VA, de Bart De Wever, a favor da divisão gradual da Bélgica. Nas últimas eleições, em maio passado, 19% dos eleitores flamengos votaram na extrema direita, conquistando 18 dos 150 assentos no Parlamento Federal.

Crimes coloniais no cinema

A discussão sobre a memória colonial ganha reforço do cinema. As atrocidades cometidas pelos belgas no Congo vão ser transportadas para as telonas no ano que vem. O filme, protagonizado pelo ator americano Ben Affleck e produzido por Martin Scorcese, será baseado no livro “O Fantasma do rei Leopoldo II”, do jornalista Adam Hochschild.

No longa-metragem, os personagens principais denunciam os abusos do monarca belga, constituindo assim, a base de um dos primeiros movimentos em defesa dos direitos humanos da história.

Segundo Hochschild, os massacres em massa realizados no Congo durante o reinado de Leopoldo II são “um holocausto esquecido de 10 milhões de mortes”. Uma história de terror, voracidade e heroísmo.

Não é a primeira vez que artistas denunciam esses crimes. No final do século XIX, o escritor polonês, Joseph Conrad, publicou o pungente “O Coração das Trevas”, um manifesto contra a colonização belga. Conrad dizia que “a colonização do Congo foi a mais infame corrida aos rendimentos, tendo desfigurado, para sempre, a história da consciência humana”. — Linha Direta — Bélgica questiona passado colonial no Congo e homenagens a rei genocida

Por isso cada vez mais tenho certeza.

RENDAS BÁSICAS CIDADÃS OU NACIONAIS NÃO VÃO RESOLVER NADA. OU É UNIVERSAL É UNIVERSAL DE VERDADE, OU NÃO É NADA.

ACABAMOS COM AS HIPOCRISIAS E HIPOCRITICAS OU NEM AS CRITICAS VALE MAIS A PENA, SÓ MESMO A PRÁTICA.

PORQUE ESSAS SÃO SEMPRE VERDADEIRAS, SÃO MÃOS QUE SE ESTENDEM ATÉ ONDE OS BRAÇOS DE UMA PESSOA PODEM ABRAÇAR OUTRAS SEM DISCRIMINA-LA

E NÃO ATÉ ONDE OS OLHOS DE UM RACISTA CONSEGUE SE FECHAR, OU PIOR, LEVANTAR CERCAS, MUROS OU TRINCHEIRAS.

ENFIM DE QUE ADIANTA UMA RENDA BÁSICA NA BÉLGICA E NADA NO CONGO?

NA BELINDIA PERDÃO, BRASIL E NADA PARA MOÇAMBIQUE, ANGOLA, NIGÉRIA…

EM VERDADE RESTITUIR O ROUBO É POUCO PORQUE SE FALTASSE EM BRUXELAS NÃO IMPORTA AS RAZÕES NINGUÉM LEVANTARIA CONDIÇÕES, CONTRAPARTIDAS NEM FARIA EXPERIMENTOS, ANTES. MAS AFRICA…PORQUE? NINGUÉM PRECISA RESPONDER. PORQUE A PERGUNTA É RETÓRICA, TODOS SABEM A RESPOSTA, E NÃO É SÓ O LUCRO.

Algum tempo atrás quando falava-se em renda básica era-se louco. Muita gente continua achando, mas em alguns circuitos mais ilustrados vai virando moda, e na medida que vai ficando mais claro que, mais gente que não só a defendia vai se considerando uma espécie de um visionário. E agora que celebram sua visão, e não acusam mais de ser um doido, eis que vai ficando de fato não só um louco, mas um bobo que quanto mais acredita nesta bobagem mais anocronico se torna e perde a capacidade que lhe permitir não antever o que não era especial, mas universal, ou seja elementar e essencial o necessário não só a historia do seu tempo.

De modo que conheci muita gente no topo da renda básica que se acha a ultima bolacha do pacote só poque advoga sobre a renda básica, dos que pagam nunca conheci ninguém que se sentisse assim, e dos que desenvolveram projetos, menos ainda, até porque não tive chance de conhecer outros ativistas já que somos tão poucos, mas ficaria bastante decepcionado se por um acaso eles nutrissem qualquer expectativa, ou pior, essa sensação de quem espera ser reconhecido por aquilo que prega ou faz ou pior já meio amargurado por sê-lo, e isto, é um exemplo, porque, esse sentimento é a essência do ativismo, seja o feito através de atos ou palavras, ou em ambos os campos conjugados em sincronia ou não. Porque essa sensação ver, antever ou pior projetar e fazer o certo ou certo, executar o correto, ou efetuar as correções necessárias, que sempre são necessárias a todo instante incluso como atualizações, como se fosse algo extraordinário, que precisasse de recompensa, e não fosse simplesmente a própria natureza da própria atividade ordinária do saber-fazer, isto em dia não é só o estado que já tem degeneração e cristalização de um organismo de outro tempo esperando virar ou ser feito memorial, mas demência especialmente triste quando é precoce, e sempre é precoce se o mente ainda não se desligou de vez.

Então vamos nos ligar. Não só quem faz acontecer, mas quem paga, quem prega, quem apoia, quem advoga, quem protesta, quem reclama por, quem testa, estuda, porque se referenciar por quem não faz nada, ou ainda só finge que faz, advoga contra, atrapalha, trabalha contra, sabota, não entende, ignora, ou simplesmente não tem tempo para perder, é pior do que se referenciar em nada, para chegar em lugar nenhum, é acreditar que está se esta pagando de bonito que se está na vanguarda construindo o futuro e o extraordinário quando o futuro já chegou e nem vimos. Porque não estamos a fazer nada além do nosso dever. A fazer não tentar, pressupondo que todos estão realmente tentando realizar e não só pregar.

Porque quem faz o que pode não será visto no futuro como nenhum herói pelas novas gerações, mas como nada mais do que velho que não fez mais do que sua obrigação de não ser ou um velho nazi-fascista, ou um omisso. O futuro é agora. As novas gerações já está te olhando, não só do amanhã, mas do agora.

A NOVA GERAÇÃO, OS OLHOS DO FUTURO não estão só vendo como estão falando. QUER QUE ELAS DESENHEM? OU SOLETREM: ou será que estamos mesmos já cego surdo e paralíticos para levantar e andar frente às suas manifestações? Não, não adianta bancar o ESPIRITO DOS NATAIS MORTOS QUE TODO MUNDO SABE o QUE seus antepassados fizeram no VERÃO PASSADO. PORQUE O FUTURO CHEGOU.

E quem ver viverá…

A CEGUEIRA

Jorge Luis Borges

1977

[Entre Junho e Agosto de 1977 Borges proferiu uma série de sete conferências no Teatro Coliseo de Buenos Aires, e dedicou a sétima delas à cegueira). As conferências foram editadas no livro Siete Noches.]

“Poetas, como os cegos,
podem ver no escuro”
Jorge Luis Borges

Em 1955, tive a honra de ser nomeado director da Biblioteca Nacional Argentina. Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca. (Outros pensam nele como um jardim ou, talvez, um palácio.) Lá estava eu, no meio de 900.000 livros em vários idiomas. No entanto, quase não conseguia ler-lhes os títulos, as lombadas. Poder-se-ia dizer que, praticamente, para meus olhos cegos, aqueles livros estavam em branco, vazios.

Continuo cego de um olho, mas tenho visão parcial no outro, e consigo distinguir algumas cores. As pessoas pensam que os cegos vivem em total escuridão, mas o seu mundo não é a noite que as pessoas imaginam. Vivemos num ambiente impreciso, no qual poucas cores aparecem. O branco desapareceu ou se transformou em cinzento. No meu caso, ainda existem o amarelo, o azul e o verde. Eu, que tinha o hábito de dormir em completa escuridão, fiquei durante longo tempo perturbado por ter de fazê-lo neste mundo tenebroso, esverdeado ou azulado, o vagamente luminoso nevoeiro no qual os cegos vivem mergulhados.

Assim, uma das cores que os cegos lamentam já não poderem ver é o negro; o mesmo acontece com o vermelho. Tenho a esperança de que um dia, com os tratamentos, eu possa enxergá-lo. Essa magnífica cor brilha na poesia e tem nomes lindos em tantos idiomas: SCHARLACH em alemão, SCARLET em inglês, ESCARLATA em espanhol, ÉCARLATE em francês.

Como havia perdido o amado mundo das aparências, resolvi inventar outra coisa; eu criaria o futuro, aquele que vem depois do mundo visível que desaparecera para mim. Era professor de literatura inglesa na Universidade Argentina. Que poderia fazer para ensinar essa disciplina, que ultrapassa os limites da vida do homem e das gerações?

“Tive uma ideia”, disse então a uns alunos que haviam acabado de se bacharelar. “Agora que vocês estão formados, não seria interessante estudar a língua e a literatura inglesas livres da frivolidade dos exames? Vamos começar pelo princípio.”

Numa manhã de sábado, reunimo-nos no meu escritório e começámos a ler THE ANGLO-SAXON READER e THE ANGLO-SAXON CHRONICLE. Cada palavra se destacava como se estivesse gravada, como se fosse um talismã. É devido a isso que os versos em língua estrangeira nos parecem em relevo, de um modo que não acontece na própria língua, pois ouvimos e vemos cada palavra, pensamos na sua beleza, força ou simplesmente estranheza.

Quase nos embriagamos com o som de duas palavras: o nome de Londres, LUNDENBURH, LONDRESBURGO, e o de Roma, ROMEBURH, ROMABURGO. Essa sensação ainda se tornou mais intensa quando nos demos conta de que a luz de Roma havia atingido aquelas ilhas boreais perdidas. Penso que fomos para a rua gritando LUNDENBURH, ROMEBURH.

Eu havia substituído o mundo visível pelo audível da linguagem anglo-saxónica. Daí passei para outro ainda, mais rico e mais antigo, o da literatura escandinava; passei para as EDDAS e as sagas. Mais tarde escrevi um ENSAIO SOBRE A ANTIGA LITERATURA GERMÂNICA. Criei muitos poemas baseados nos temas dessa literatura, mas sobretudo o que me encantava era ela própria.

Não permiti que a cegueira me derrotasse. Além disso, meu editor me trouxe excelentes notícias: se eu lhe entregasse 30 poemas por ano, ele os publicaria em forma de livro. Trinta poemas. Para isso era preciso disciplina, especialmente quando é necessário ditar cada linha. Ao mesmo tempo, porém, eu tinha suficiente liberdade, porque num ano surgem 30 oportunidades para escrever um poema. A cegueira não foi para mim uma desgraça total. Deveria ser considerada como um modo de viver, nem por isso completamente infeliz; um estilo de vida como qualquer outro.

Ser cego tem as suas vantagens. Pessoalmente, devo certas dádivas às sombras: o anglo-saxão e os rudimentos do islandês. Existe também a alegria de muitos poemas, além de ter escrito livros, inclusive um chamado, não sem alguma duplicidade, como se de um desafio se tratasse, O ELOGIO DA SOMBRA. Os cegos também se sentem cercados de carinho. Todo o mundo tem afecto pelos cegos.

O poeta espanhol frei Luis de León escreveu:

Quero viver comigo,
Gozar o bem que devo aos céus,
Sozinho, sem testemunhas,
Livre do amor, do ciúme,
Do ódio, da esperança, dos cuidados.

Se concordarmos que entre as benesses que nos são enviadas pelos céus está a escuridão, quem poderá viver melhor consigo próprio, quem será capaz de se conhecer melhor, como disse Sócrates, do que um cego?

Gostaria de evocar aqui outros casos ilustres. Não sabemos se Homero existiu mesmo; talvez não houvesse um só Homero mas muitos gregos escondidos sob esse nome. Eles, porém, gostavam de imaginar que o poeta era cego, para realçar o facto de que a poesia é antes de tudo música, e a faculdade visual poder ou não estar presente num poeta.

A cegueira de John Milton foi propositada. Ele estragou sua visão escrevendo panfletos em defesa da execução do rei pelo parlamento. Costumava dizer que havia perdido a vista em defesa da liberdade. Ele falava dessa nobre tarefa e não se queixava por ser cego. Compunha versos e a sua memória melhorou. Após cegar, Milton passava muito tempo sozinho. Escreveu um longo poema, PARAÍSO PERDIDO, sobre o tema de Adão, pai de todos nós. Embora cego, Milton conseguia manter na cabeça 40 ou 50 hendecassílabos, que depois ditava às pessoas que vinham visitá-lo. Foi assim que escreveu PARAÍSO PERDIDO.

Vamos lembrar outro exemplo, o de James Joyce. A quase infinita língua inglesa, que tantas possibilidades oferece ao escritor, não lhe era suficiente. O irlandês Joyce lembrou-se de que Dublin havia sido fundada por vikings dinamarqueses. Assimilou o norueguês, depois estudou grego e latim. Aprendeu muitos idiomas, e acabou escrevendo num idioma que ele próprio inventou, difícil de entender, mas que possui uma estranha musicalidade. E declarou corajosamente: “De todas as coisas que me aconteceram, a menos importante foi a cegueira.” Parte da vasta obra que deixou foi escrita na escuridão, trabalhando as frases de memória, às vezes passando um dia inteiro preocupado com uma única frase.

Um escritor, um artista ou qualquer pessoa deveria ver nas coisas que lhe sucedem uma como ferramenta, deveria pensar que tudo lhe é dado com alguma finalidade. O que lhe acontece, inclusive as humilhações, fracassos, desgraças, é-lhe dado como uma argila, como matéria para sua arte. É preciso tentar beneficiar-se disso. Tais coisas nos foram destinadas para as transformarmos, a fim de que, a partir das circunstâncias dolorosas de nossas vidas, possamos fazer algo de eterno ou que aspire a sê-lo. Se um cego pensar dessa maneira, estará salvo. A cegueira é uma dádiva.

Pense no crepúsculo. Ao cair da noite, as coisas mais próximas desaparecem, exactamente como o mundo visível se afastou de mim, talvez para sempre. A cegueira não é uma desgraça total. É mais um instrumento que o destino ou a sorte colocou em nosso caminho.-Jorge Luís Borges e a Cegueira

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.