Oi, Obrigado pela resposta. Li também o seu artigo, Brasil, uma ditadura dos cartolas, muito bom. Concordo com você, que as o cidadão comum deveria definir democraticamente seu candidato. Porém, a estrutura burocrática e hierárquica partidária é assim toda as instituições da própria democracia representativa não foram desenhadas para esse fim. O arcabouço legal é constituído para que o exercício do poder oposto como você bem definiu “a ditadura dos cartolas” retome o poder.

Conheço uma experiência prática recente do que você propõe que obteve relativo sucesso. Alunos da USP por exemplo usaram o sistema de prévia do PT, para se filiar e “tomar o poder” em um dos diretórios mais importantes da cidade de São Paulo, se não me engano Pinheiros. Com o poder adquirido puderam impor um secretário ao então prefeito Haddad. Mas, na prática, não puderem ir muito além disso.

Quem a cúpula não esmaga, coopta.

O problema é que uma vez constituída a lideranças, as diferenças de direitos e poderes entre representantes e representados sempre reproduz seja nesses neste microcosmo politico partidário, seja nos 3 poderes da república, seja em qualquer organização, as relações de poder e consequentemente desigualdade de autoridade sobre o bem comum, constituindo a classe política, a cúpula partidária, e a burocracia gerencial que existe em todas organizações hierárquicas não apenas públicas, mas privadas.

É um problema de governança que nas corporações passa batido em tempos de bonança, mas em momentos de crise sistema, onde as receitas não cobrem as despesas esses corporações falem. Mesmo o Estado que de tão gigante e monopolista ele também é suscetível a queda de regime. E portanto as alterações constitucionais não são apenas possíveis são necessárias. E mais uma vez o problema se replica. Os cartolas legislam, mudam a constituição em causa própria para manter intacta a sua burocracia gerencial contra os a classe dos cidadão comuns os trabalhadores e contribuintes.

As burocracias gerenciais, as diretorias, tendem a se tornar ditaduras em qualquer organização seja ela governamental ou não. Para que a administração de qualquer organização se torne verdadeira democrática é absolutamente necessário o reequilíbrio de poderes entre os membros comuns e os diretores. Na verdade é preciso a reinversão de poderes, de tal modo que a diretoria se torne uma função e não um poder, e a posição de simples membros ou sócio detenha a todo o tempo os poderes essenciais da tomada de decisão que é o da troca a qualquer tempo dos seus funcionários incluso administrativos.

Você tem razão é uma questão de mudança de cultura que gera a mudanças dos ritos, costumes inclusive os normatizados como norma constitucional do contrato social. Essa mudança de cultura de governança passa essencialmente por dois elementos a desmitificação das lideranças, gerencias, diretorias. E o fim do patrimonialismo isto é as prerrogativas de posse e poder de quem é eleito sobre o bem público como se fosse privado.

Enfim o problema da falta de representatividade do sistema democrático atual, não é apenas um problema no processo de elegibilidade, é um seríssimo problema burocrático de governança que constitui dos eleitos uma outra classe, com direitos, poderes, liberdades autoridade e privilégios completamente distintos do cidadão comum e sem nenhum dispositivo constituinte legal que obrigue esse representante a se submeter a soberania popular. Em outras palavras uma constituição que diz que todo poder emana do povo, mas concede poderes aos eleitos para usurpá-los e submeter o soberano a vontade do tirano.

Sem a correção desta brecha constitucional da democracia representativa, sem a restituição da ordem e reequilibro dos poderes entre o Estado e a Sociedade, podemos colocar quem quer que seja no poder, que por obrigação constituinte, pelos poderes que essa lhe concede como deveres ele querendo ou não será o representante não do povo, mas da sua classe, a política.

Ou cortamos os privilégios e poderes dos eleitos e aumentamos a representativa e controle social dos comuns. Ou podemos tomar o controle de todas as etapas do processo eleito que no final teremos o mesmo resultado, a eleição de um ditador representante agora da sua classe a dos cartolas e não do povo como sociedade.

Ditaduras são o mundo de cabeça para baixo. A inversão completa de todas os valores e sinais. E eu creio que esse é o problema Peter a ditadura dos cartolas é feita na brecha constitucional que institui essa ditadura distópica como um realidade e legalidade e isso não apenas reduz o direito legitimo a utopia mas marginaliza e até criminaliza o poder exercido pelo povo.

Mais uma vez obrigado pela troca de idéias e pelo excelente texto que compartilhou para refletirmos.

Abraços

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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