O suicídio político esquerda governista

Nada mais tira os palacianos do de mundo, resta saber o que mais serão capazes de fazer para não tirarem esse mundo deles

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Não é só absolutamente patético o negaciosismo do esquerda autoritária em reconhecer a importância da última manifestação: é um suicido politico. Alias tentar desqualificar quem esteve nas ruas por ser majoritariamente de classe média é sintomático. Tentar deslegitimar como parte do povo quem não é “suficientemente” pobre nem negro, não é igual o suficiente aos demais para se manifestar ou portar o descontamento de todos é de uma totalitarismo sintomático desta burguesia que tenta renegar seu espelho.

Por que no dia que o Chico Buarque for o Mano Brown e a bossa nova for samba, igreja não vai pedir mas doar, estado não vai mais cobrar imposto mas distribuir lucros e dividendos e o povo não ser empregado mas governo. E então esse vizinhos dos jardins que o-de-i-am e a-mam tanto pobre, poderão enfim fazer as pazes porque até socialista não vai mais fazer redistribuição com o dinheiro dos outros, mas com o seu.

Não faço segredo que apoio o impeachment deste e já próximo governo que se não for investigado e denunciado nos mesmo crimes que este é porque de fato o impeachment é um golpe. Possibilidade que evidentemente não salva o governo atual, mas incriminará o seguinte e minha aposta é que o levará ao mesmo beco sem saída deste se tentar fazer o mesmo: parar as investigações será não apenas um crime mas mais um suicídio político.

Não fui nos protestos, não iria, não compartilho de suas ideologias, mas denuncio a estupidez autoritária e quero reconhecer:

1.Ao contrario do que eu pensava esse grupo porta sim muito do descontamento da população ainda que não seja solidário nem se identifique com ele. Ao menos hoje eles são a voz mais próximo do povo, gostemos ou não.

2. Mesmo que não fossem tão expressivo em números (e são). Ou mesmo que não estivessem expressando a vontade popular (e estão). Isso não anularia o direito dessa minoria, seja em relação aos que ficaram em casa, seja as outras classes ou etnias de reclamar sua representatividade, nem muito menos a obrigação do governo de representá-los com igualdade. Abrir tal possibilidade de discriminação é por si só criminosos e a abertura das portas para o inverso: a criminalização de toda minoria excluída que desagrada quem detenha o poder e se afirme representante do povo a sua revelia. Se não uma estupidez a cumplicidade com um crime de poder.

3.Essa estratégia de desconstrução de tudo e todos, não cabe a ninguém que pertença a uma sociedade quanto mais a um governo. Se querem a população na rua sem revolta, o restante das pessoas sub-representadas pela classe média não-governista então (sei que é tarde) mas parem de tentar forjar acordos de leniência com empreiteiras bandidas; parem de vender o rabo para bancos podres de rico; parem de querem entregar o patrimônio público para partidos e corporações amigos nacionais e internacionais; parem de comprar falsos aliados com cargos e verbas; parem de instigar seus pelegos a violência nas ruas , parem de humilhar a população carente como sua assistência social clientelista, e parem de sustentar seus lideres sabidamente comprometidos com mentiras deslavadas que talvez (muito talvez) a população volte a apoiar alguma outra esquerda, outra porque essa já era.

4. Fora tudo isso. Os mandatos não são direitos pessoais de governantes, mas direitos soberanos dos povos. E o governante que se impõe violando esse direito da população tem nome: é tirano; e sue governo não se chama democracia ,mas ditadura.

A constituinte não é instrumento de garantia de posses e domínios contra a plebe, não é um contrato entre dominantes e dominados, mas, ao menos mundo livre, entre pessoas iguais em poder e liberdade para estabelecer um governo que não pertence a quem ocupa enquanto ele bem entender, mas somente enquanto a vontade popular o legitimar não só de direito, mas DE FATO. O uso de dispositivos constitucionais para proteger mandatos de governantes contra a soberania da nação é uma perversão que fere direitos fundamentais que não precisam estar escritos para existir ou ser cumpridos.

Princípios que mesmos que mandatários mais criminosos legislassem contra jamais não perderiam a legitimidade da defesa por seus titulares. O que esses politicas, em especial Dilma está pedindo violando esses direitos é a unica coisa que tiranos que passam por cima de vontade popular merece uma revolução lockeana, popular mesmo, onde as forças armadas sequer precisam depor os usurpadores, mas só simplesmente se negam a atacar a própria população desarmada.

Pedir a deposição de alguém que tenha o apoio popular é incitar um golpe, mas se impor contra a vontade popular quando já perdeu de fato seu mandato é de fato um golpe já consolidado.

Moral da historia: Não sei se subestimei o poder de mobilização da direita, ou a capacidade de se isolar da Dilma mas o fato é que errei em minhas projeções e esses protestos foram muito maiores do que imaginara. A pergunta que deixo é portanto está: qual é a guarde barreira moral e cognitiva que impede os governistas de admitir seus erros ou qualquer mérito dos seus oponentes?

Sinceramente não sei.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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