O Paradoxo das Escolhas do Consumidor de Barry Schwartz

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http://www.slate.com/articles/technology/history_of_innovation/2014/05/abraham_lincoln_steampunk_president_oversaw_fantastic_innovation.html

Leiam a matéria se quiserem entender melhor a crítica abaixo: http://www.sobreadministracao.com/paradoxo-da-escolha-ter-mais-opcoes-para-escolher-e-realmente-bom/

O Paradoxo da Livre Vontade

O verdadeiro paradoxo das escolhas não está na multiplicidade infinita das alternativas nem nos critérios de discriminação, está no puro e simples fato de que não somos nós que determinamos o que queremos ou não escolher. Por trás do mar de supostas livres escolhas do atual mercado de consumo e trabalho, existe a privação da mais fundamental das liberdades: a livre vontade não para fazer escolhas predeterminadas, mas para conceber nossas próprias alternativas. Uma liberdade imprescindível não só a mera satisfação dos desejos de consumo, mas das necessidade existenciais mais profundas de autodeterminação: a vocação.

Vocação, palavra esquecida num mundo de coitados onde a maior liberdade possível já nasce amputada: é comprar e se vender. O ser humano não nasce acorrentado, nasce apartado da vida, desintegrado dos seus direitos naturais que são direitos políticos e econômicos não apenas inalienáveis, mas inseparáveis. Apartado ora na condição de trabalhador ora na condição de consumidor não tem o essencial: o capital. Não tem o básico para financiar a produção daquilo que gostaria escolher.

O ser humano não tem como exercer a condição de livre produtor e livre consumidor em um verdadeiro livre mercado, porque não tem nem o mínimo de capital nem para fazer valer direitos de livre associação financeira porque teria para as outras que não existem sem esse poder?

Ora acordem, quem não tem o capital não tem capacidade para gerar nem oferta nem procura, só quem detém o capital suficiente para financiar a geração de trabalho e produção é minimamente livre politica e economicamente. Os demais dependem de quem detém seus direitos e liberdades naturais, de quem tem o poder para gerar as falsas expectativas de consumo ou empregos a revelia das leis de oferta e procura simplesmente porque detém os meios vitais para impor sua oferta mesmo contra a demanda das necessidades mais básicas.

Pessoas não precisam da liberdade das infinitas escolhas dos outros, só precisam de uma a sua ou melhor as suas. Tantas quantas ele quiser produzir sozinho em junto com outras pessoas ou simplesmente financiar quem sabe que faça o que ele quer para ele. Ah, meu amigo, pense aqui comigo: se os consumidores tivessem o capital para bancar a produção não apenas dos seus interesses de consumo, mas seus interesses sociais isso não seria uma revolução socioeconômica isto seria uma revolução democrática?

Imagine se as pessoas tivessem a verdade liberdade de escolha para financiar diretamente seus bens e serviços não apenas particular e comercial, mas antes de tudo públicos e sociais? Não teríamos livre mercados fakes, mas livres mercados sociais. E isso não interessa nem ao poder politico nem econômico. Por isso vamos de propagandas de paradoxo de escolhas políticas e econômicas. Liberdade de escolha? Isso se compra em shoppings e em eleições, eu quero a garantia incondicional dos meu direito atual de defender legitimamente meus direitos naturais de: autopreservação; autodeterminação; e não menos, proprioconcepção.

Direitos que não se comprar nem se vendem não se votam se conquistam socialmente em acordos constitucionais de paz. Não precisamos de muitas escolhas só precisamos de uma escolha: liberdade individual para todos. Não quero a riqueza nem os valores de ninguém, basta devolver meu mínimo vital para que eu possa construir os meus. Basta o essencial para ninguém morrer ou ter que se vender para poderes políticos ou econômicos e depois ainda por cima ter que pagar pela propaganda, tributos e escolhas dos outros como se fossem suas.

Em suma, não passo sua oferta, minha demanda é por capital básico para que todos tenham o mesmo direito de acesso ao livre mercado ou que libertem os povos do criminoso monopólio da violência sobre o bem comum. Liberdade tem quem faz suas próprias escolhas. E livre é o pais que garante que todos seu mínimo vital capital garantido para não dependerem de ninguém contra sua vontade. Que se garantam, portanto que todos tenham renda básica e liberdade de associação plena para financiar a produção de tudo o que necessitam ou desejam — desde que seus desejos não sejam nunca mais o de produzir a necessidade dos outros.

Entendem por que eu defendo que a verdadeira democracia direita não existe sem renda básica e liberdade plena de associação? Entendem porque chamo a Democracia Direita de Democracia Econômica? Por que digo que não existirá um verdadeiro estado de direito democrático sem um sistema socioecológico libertário?

Eu que não sou autoridade em coisa alguma, portador de cefaleia em salvas, sei que a felicidade é um luxo, ao menos a felicidade do mero prazer ou ausência de sofrimento, mas a a busca de um sentido próprio para vida, não. Liberdade para definir qual o sentido da vida, além do que as autoridades dizem que é ou não é, não é favor é direito inalienável à existência. Logo não trabalho com baixas expectativas, mas sim com utópicas e embora seja arrogantemente feliz com meus patéticos resultados continuo inconformado com o absurdo de viver num mundo que não escolhemos, suficientemente inconformado para me negar a transmitir essa cultura doentia as próximas gerações.

Minha filosofia de vida está baseada na critica atualíssima e quase premonitória de Machado de Assis[i]: Nós velhos não temos o direito de transmitir as novas gerações o legado das nossos fracassos frustrações e manias, não temos o direito de transmitir o legado da miséria da nossa existência, sobretudo renegando que novas vidas e formas de vidas nasçam e tenham espaço e tempo livre para construir seu próprio mundo natural livre e limpo de todo entulho dos nossos medos e desejos e mitos de poder.

Schwartz, Piketty, Zizek e outros que me perdoem mas ignorar a ecologia e o libertarismo, como o princípio das suas sua “novas” visões de mundo é produzir a velha reciclcagem das ideologias de séculos retrasados como a nova futurologia dos século XXI. Não é que já deu, foi. Por isso vou indo de Carson, Long, Zerzan, Freire, RAM, Bay, Paine, Illich e outros… sim, todos os “velhos” anarquistas e novos libertários de esquerda e direita que como tanta gente ainda esperam uma lugar de verdade neste mundo para chamar de seu.

Como disse Mujica, há que se abrir espaço para os jovens cometam os erros da sua geração e não a da de vocês. E nisto eu estou com ele e com eles. Não. Não somos mais os mesmos e não queremos viver como nossos pais[i]. Governe-se. Por que da minha parte, já eu não me satisfaço com menos.

[i] Obrigado, Belchior.

[i]Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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