O “negro malandro”, o “índio indolente”, e o o “branco pestilento”. Mitos e verdades da história racista nacional

Na mais insana e transparente pseudo-eleição da história recente do Brasil, com direito a cabo falando de URSAL e Iluminatis e capitão falando ressuscitando o velho slogan do integralismo: deus, pátria e família. Chegou a vez do seu candidato a vice-presidente o general mostrar toda a musculada do seu conhecimento de cavalaria e balística no exercício da antropologia e história. Pois, não é que o dito general soltou uma pérola digna dos gênios da raça (ditas puras) sobre o defeito do DNA da miscigenação vira-lata brasileira: ele seria produto da famosa e infame folclore da “indolência do índio”, e “malandragem do negro”. Nem vale a reprodução da fala. Afinal de original não tem nada. São contos racistas tão antigos quanto a próprio mito da invenção colonial do Brasil e sua miscigenacionalidade. Folclore racista da brasilidade que foi riscado da falsa história do Brasil junto com a pseudo-ciência eugenista mundial. Porém, infelizmente não antes do mundo assistir as pilhas de corpos que essas ideologias provocaram em suas modernas guerras entre raças, estados e nação, com o holocausto de milhões de seres humanos proscritos por esses desclassificadores de gentes: de judeus, a ciganos até homossexuais. e dissidentes políticos mortos não só pela ditadura totalitárias racistas e nacionalistas do nazi, fascistas e soviéticos. Ditadura não, regime constitucional, ao menos para nazi-positivistas, afinal Hitler não deu um golpe militar foi nomeado chanceler por um governo democraticamente eleito.

Mas, fiquemos em terras dos índios indolentes e negros malandros. Ao que parece o general esqueceu um terceiro ingrediente nesse caldo geno-cultural do folclore racista colonial brasileiro, o principal já que predominante: o branco. E o branco? Quem é o branco e qual é a sua contribuição civilizatória nessa seleção genética nem tão natural para a formação da cultura e sociedade brasileira? Quem foi e é, esse esse ancestral do homem brasileiro, do qual herdamos majoritariamente os hábitos ritos costumes cultos e credos, nossa mentalidade, conceitos e preconceituamentos, e sobretudo a identidade coletiva hegemônica?

Parece que faltou o general dizer, como ele pensa o colonizador branco dentro desse mito racial que habita seu imaginário? Só parece. Por que nas entrelinhas ele disse. A contribuição está perfeitamente presente ainda que implícita não só no próprio discurso do general, mas no sujeito que ele como ator social interpreta o contexto.

A herança geno-cultural do branco nesta mito histórico que habita os devaneios das noites de verão do general, mas não só dele, não sejamos hipócritas, é a civilização. Do ponto de vista do branco, ou de quem se acha ou se pensa branco( ainda que diga o contrário ou para efeito dos olhos alheios de fato não seja), a herança dos seus antepassados, que se confunde como o próprio legado da sua raça, é a pacificação, educação, a conversão dos bárbaros e selvagens em gente catequizada, trabalhadora, obediente, produtiva e fiel ao rei, a lei e a deus. Não há segredo, está escrito em nossas bandeiras, ordem e progresso. Mais imperial e fiel ao pátrio poder romano que isso, só mesmo Roma, ou melhor a Igreja católica apostólica romana. Um só rei dos reis, uma só lei, um só povo, um só deus.

Já se dependesse da perspectiva do índio e do negro, a historinha para boi dormir, e virar churrasco seria outra. Seria a história da invasão, ocupação, roubo, guerra, extermínio, traição, captura, escravização, domesticação, tortura, estupro, e genocídio e resistência. Mas mortes não tem a palavra e escravos só tem a palavra, depois para falar em púlpito depois de devidamente catequizados. E aí dos que a tomam sem pedir licença sejam eles negros, brancos ou índios.

Basicamente, evidentemente seria outra se os índios, não tivessem perdido. Para entender como a história funciona é fácil. Imagine que os aliados não tivessem ganho a segunda guerra. Para tanto, bastava que Hitler não tivesse aberto a segunda frente de batalha e mantido o armísticio com a Russia. A guerra talvez nem tão fria, não seria então entre o bloco soviéticos-socialistas e liberais entre blocos nazi-fascistas e stalinistas-comunistas. Mas esse é um cenário imaginário, ficção, onde o que importa é o seguinte: o que você aprenderia na Escola se os Nazis tivessem que ser os super-heróis e os Americanos e seus amigos literalmente os vilões da história? Não é preciso grande imaginação. Nem sempre os cowboys , vencem. E nem muito são os heróis que dos filmes, quadrinhos e livros de história.

Assim imagine qual seria então a história do Brasil se as tropas invasoras não portuguesa tivessem perdido para a confederação dos Tamoios liderada pelos Tupinambás. Se os Tamoios não tivessem assinado o armísticio de Iperoig costurado pelo padre Anchieta, o fundador de São Paulo, com os Vicentinos-Tupiniquins. É improvável que talvez a história fosse outra, mas se fosse certamente não seria contada da perceptiva dos invasores genocidas, mas da resistência dos nativos da terra ocupada pelo invasor estrangeiro. E a cruz de Malta e as bandeiras e bandeirantes paulistas seria em terras indígenas o que é a suástica e a SS em casa de judeu. Talvez o leitor diga que então eu estaria aqui a contar como os vencedores tantos invasores já rendidos como prisioneiros viraram banquete na mão dos tupinambás. Mas como você verá até o final desse texto, a fome carne humana desses nativos, jamais precisaria cruzar terras e mares, nem consumir milhões de vidas para (não) saciada seus desejos, prazeres e costumes.

Dizem que o Brasil foi fundado por ladrões degredados. Uma mentira despeitada de um pais que embora tenha se tornado um Golias, nunca conseguiu se livrar das correntes que o pequeno mas extremamente eficiente colonizador Portugal, soube construir para mantê-lo sob seus domínio a mares de distância. Portugal o império que dividiu o mundo pilhado com Espanha veria a perder o controle da sua besta e levar ele próprio arreio nas ventas de Estados-Nações. Mas o Brasil, não se livraria do seu, apenas seria montado por outros. Nisto devemos reconhecer o mérito de quem domesticou essa gigantesca besta, o colonizador português que não mandou para cá ladrões, mas generais, comandantes militares fidalgos treinados na arte da guerra e administração (para a pax), bem como uma ordem religiosa cuja grande inovação foi a aplicação das táticas e estratégias da guerra, no campo da conversão das almas, os missionários jesuítas. Ou seja, não só mandaram simples criminosos comuns, até porque a maioria desses ditos marginais degredados nem eram gente especializada em matar e roubar, sequestrar, mas muitas vezes perseguidos por heresias, e coisas do gênero. Mandaram criminosos profissionais e legais, landlords, comandantes, mercenários e missionários, gente que Estados-Nações envia quando quer explorar, invadir e ocupar, as riquezas de um território ou estabelecer bases comerciais e militares.

Não o Brasil não embora seja hoje um cleptocracia não foi fundado por com colônia de degredo penal, por ladrões a matar, roubar e estuprar livre e impunemente pelo território, mas por servidores de deus e do rei a fazer tudo isso, mas sob ordem hierárquica e em nome de algo maior daquilo que então significava mais que o progresso, significa o poder total e o própria representação do todo poderoso na terra: a coroa e a igreja.

Nunca foram os bandinhos pé de chinelo, nem muito os ditos menos vagabundos, malandros, nem preguiçosos que nunca acorrentaram, roubaram, nem tiraram a vida, liberdade nem propriedade de um único homem que ditaram os rumos históricos nem as arvores genealógicas que iriam rasgar as terras, e carnes e abrir as veias dos povos e do Brasil, mas a expertise militar política e ideológica dos invasores. Os brancos de raça, os colonizadores. Foram eles que através da estratégia dos cruzamentos inter-raciais (forçados ou não) forjaram as alianças com os tupiniquins. Foram eles que como missionários religiosos conseguiram tratados de paz, que permitiram ataques pelas costas a uma força militarmente superior. E forma eles que como povos escravagistas e mercantilistas exterminaram e caçaram os nativos visando estabelecer o modo de produção clássico dos impérios e colonias que por sinal ainda prevalece no Brasil: a extração de riqueza via extermínio das raças nativas e inimigas do rei e expropriação das terras para a cobrança do quinto dos infernos, o imposto não sobre os vencidos, mas sobre os colonos que venceram. Porque os vencidos, foram dizimados.

Como em todo apocalipse, a colonização foi feita de 4 cavaleiros: a guerra, a fome, a morte, a doença: Ou mais precisamente a pica, a espada (hoje o fuzil), a fome e a peste. Ou em outras palavras estupro, o genocídio, disseminação de doença, como armas de biológicas, e destruição do meio ambiental e vital a ao modo de subsistência do nativo. Técnicas clássicas de extermínio e dominação e domesticação do homem pelo homem por privação, terror, desmoralização, impotência.

Então qual foi então a contribuição do branco então mito miscigenacional brasileiro? Hoje como farsa histórica e discurso é o preconceito e racismo. Como verdade histórica inconveniente é a cultura do estupro, escravagismo, e supremacismo genocida contra os povos marginalizados. Logo uma herança cultural que permitiu ao colonizador branco prevalecer não só em discurso mas na prática como raça predominante através da guerra como estratégica geopolítica de ocupação e genocídio como arma velada de expansão imobiliária higienista e gentrificadora do capitalismo.

Aliás o termo higienismo, é um caso clássico inversão semântica totalitária orwelliana (guerra é paz, paz é guerra). Já que a maior partes dos indígenas mortos nessa guerra tombou por conta da principal arma do homem branco, ou seja ele mesmo, ou mais precisamente a sua imundice e pestilência. Que fazia dele uma verdadeira arma biológica ambulante, imune as doenças, mas mais fatal ao inimigo que uma seta de flecha envenenada.

Assim antes da invenção da desqualificação dos inimigos marginalizados como “malandros e “indolentes”, houve a invenção deles como negros e índios. Uma invenção branca para denominar e dominar os povos não-brancos. Uma invenção que permitiu ao colonizador após seu advento de tal discriminação disseminar a prática do extermínio planejado e sistematizado entre seus servos fieis sem obstáculos da culpa cristã, ou resquícios de qualquer instinto gregário de empatia pelo semelhante. Inclusive fazendo de sua principal arma biológica uma das mais reputadas características herdadas do homem feudal e colonial, e essa não é mito, a sua imundice, ou mais precisamente a pestilência. Ou mais precisamente a resistência adquirida por seleção natural as doenças por hábitos adquiridos durante a idade média e propagado entre outros vetores pelo igreja, ao proibir por exemplo o “luxo” de muitos banhos, o que entre outros absurdos transformou nossos ancestrais europeus em verdeiras biozards. Perigosos dentro de casas, muito úteis se catapultados inteiros ou em partes para dentro das muradas ou paliçadas das cidades e aldeias inimigas. Como dizia o indígena e coro e antes os mouros dos tempos das cruzadas a praga ou sarna cristã. Um verdadeiro apocalipse zumbi encarnado em corpos e almas e atos em nome dos reinos de deus no céu e na sua capital imperial de então na terra: Roma . E não se engane. Essa guerra não acabou há 500 anos atrás:

Armas biológicas, como os vírus da varíola e do sarampo, foram utilizadas no Brasil no século 19 para exterminar os índios.
Pelo menos três casos documentados mostram que o contato dos índios com as doenças dos brancos também ocorreu de forma proposital, com o objetivo deliberado de dizimar tribos hostis.
O mais “clássico” deles, segundo o antropólogo Mércio Pereira Gomes, aconteceu em Caxias, no sul do Maranhão, por volta de 1816. A vila estava se transformando em um grande centro de criação de gado, e os fazendeiros queriam se livrar dos índios timbira. “O plano era atrair os índios para a vila, então atacada por uma epidemia de bexiga (varíola). Uma vez ali, as bexigas dariam conta deles”, descreve o antropólogo Darcy Ribeiro no livro “Os Índios e a Civilização”.
Os fazendeiros de Caxias “presentearam” um grupo de 50 índios com roupas de moradores da vila que haviam contraído a doença. De volta a suas aldeias, os índios espalharam o vírus. A epidemia se disseminou rapidamente pelo sertão e atingiu até tribos a 1.800 km de Caxias.
Francisco de Paula Ribeiro, na época comandante militar no sul do Maranhão, relatou com detalhes o massacre dos Timbiras. O texto, escrito em 1819, só foi publicado por volta de 1930, na revista do Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro. Ele conta: “Não é certamente fácil fazer-se uma idéia de quantos mil desgraçados se evaporaram por semelhante motivo, e ainda muito mais quando sabemos o método extravagante que se pretendiam curar-se, sepultando-se nos rios para suavizar o calor das febres, ou ainda abreviando-se uns aos outros a vida, logo que conheciam com verdadeiros sintomas daquele mal tão cruel, ao que chamavam Pira de Cupé, sarna dos cristãos.”
Os imigrantes alemães se valeram do vírus da varíola na luta contra os índios xokleng e kaiangang, durante a colonização de Santa Catarina e do Paraná, no final do século 19. “Os bugreiros, caçadores de índios contratados pelas companhias de colonização, deixavam nas matas roupas com os vírus da varíola e do sarampo”, disse o antropólogo Gomes.
O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire (1779–1853), que viajou pelo Brasil entre 1816 e 1822, fez referências à guerra bacteriológica contra os índios botocudos, no vale do Rio Doce.
Ele denunciou na Europa as atrocidades cometidas por portugueses e brasileiros, que entregavam aos índios roupas contaminadas por varíola. “Em breve, nada mais restará dos antigos povos indígenas que habitavam as terras do Brasil”, previu o naturalista, em 1847, no livro “Viagem à Província de Goiás”. Ele estava certo. Em 1500, a população indígena no Brasil ultrapassava 2 milhões de pessoas. Há estimativas que apontam até 6 milhões de índios. Hoje restam apenas 300 mil. -Folha de S.Paulo — Brasil usou arma biológica contra índios — 28/10/2001

Não acabou mesmo, nem o genocídio indígena nem a catequização das criancinhas pelos homens a serviço de deus:

Aí que orgulho de meus antepassados… indolentes, malandros, e não sejamos modestos e caipiras, mas orgulhosos da nossa raça: proto-nazis; Anauê nessa porra aí, como diria Plínio Salgado. Afinal não dispunham das técnicas de produção industrial para efetuar o extermínio em massas de seres humanos como nossos irmãos arianos, mas já aplicavam técnicas suficientemente planejadas e sistematizadas para caracterizar o extermínio nas Américas como um proto-holocausto.

Agora só falta o principal o Reichs escravagistas disfarçados de burguesias latinos americanos caírem para que a história seja escrita pela resistência e aliados e não pelas herdeiros oligárquicos das impérios e ditaduras disfarçados de repúblicas e democracias populares.

Graças a deus- ou melhor deus não, ao povo brasileiro, exatamente esse povo que é indolente e malandro- nazi-fascista de fato, mas só projetos mal acabados, como todos os elefantes brancos brasileiros. Porque, no dia que esse povo perder sua malandragem e indolência e virar um bando de fanáticos obedientes, que já está virando, não importa se católicos, evangélicos ou estato-nacionalistas, (ou uma belo mix de fundamentalistas), no que depender dos que babam de tesão por comandar essas manadas a indolência e malandragem vai ser extirpada pelos que se acham os representantes do da civilização branca civilizada em pogroms de negros e índios selvagens nos grotões que faltam ser desbravados e desmatados e capitalizados desse Brasil.

Ironia a parte. É evidente que a malandragem e a indolência não são um mito, se estamos falando de uma guerra que não é feito de armas convencionais. Mas sobretudo culturais, não existem santos, nem trouxas nesse processo. a preguiça, e a pilantragem são literalmente estratégias irmanadas de resistência e sabotagem dos processos de produção, como qualquer patrão e gerente sabe, assim como qualquer vagabundo e pilantra também o sabe ainda que faça parta dessa estratégia de guerrilha cultural que prima pela dissimulação perante uma força belicosa superior negar, renegar e fingir e se vitimizar, até o túmulo o jogo. Capoeira. Ou na arte da guerra a arte da ludibriar a força adversária de fato em posição de superiores cometa o erro da e se superestimar suas capacidades, ou subestimar a dos em posição estratégica de inferioridade. Um erro fatal, já que inferioridade e superioridade como deve saber um general são questão meramente circunstanciais de número, moral, tecnologia, terreno, acesso, recursos, treinamento, disciplina, inventividade, planejamento, antecipação, tempo de reação, autonomia, dissimulação e também sorte.

Não é a toa que de acordo com o dicionários dos preconceitos brasileiros a malandragem seja “carioca” e o vicio compulsivo pelo trabalho seja “paulista”. A locomotiva paulista, a máquina que não era só feita de burocracia, que se instalou no eixo vicentino-tupiniquim abriu uma das maiores veias da America Latina, rasgando, trilhas, trilhos e estradas por ainda escoa a riqueza e o trabalho escravo e servil para o mar pelos mesmos portos que eles chegaram e depois trouxeram os malandros acorrentados em navios negreiros para servirem de escravos, já que os indolentes índios foram outras margens de campos de Goitacases a Cabo frio, onde a guerra de extermínio liderada pelos tupinambás na confederação dos Tamoios encontrou sua fim ou melhor sua solução final com a fundação de São Sebastião do Rio de Janeiro, ou seja passando “passado tudo a fio de espada” como escreveu o fundador de São Paulo Padre Anchieta, até não restar mais nenhum tamoio (tupinambá), pondo um fim a França Antártica, a aliança entre franceses e tupinambás, e realizando o propósito totalitária da aliança da coroa-igreja um só povo, debaixo de um só império e uma só fé. Mas a cultura de resistência e dos tamoios a esse trabalho servil tupiniquim paulista restou na inconsciência geno-cultural dessa população não só malandragem tipicamente carioca, mas na indolência atribuída a toda população não suficiente urbanizada, ou seja domesticada para trabalhar como lenha a ser queimada por essa locomotiva demente e alucinada , um fiel tupiniquim trabalhador devidamente catequizado, um católico romano paulista pronto para servir nos cafezais e fábricas e escritórios da pauliceia desvariada.

Aliás o paulista tanto o que ainda se presta ao papel de indígena tupiniquim quanto o se alienígena europeu, tem esse preconceito instalado em seu inconsciente contra todos os outras populações brasileiras, que não sejam a imagem e semelhanças deles bandeirantes, brancos colonizadores, do mineiro ao baiano cansados. Para felicidade do resto do Brasil e da América Latina, é aos mineiros de Minas Gerais que resta o mérito de por um fim na SS das bandeiras paulistas, matando quietinho em emboscada quase toda esse tropa de elite de caçadores de cabeças, escravos e riquezas.

Mas estou sendo injusto com o general. Ele jamais seria capaz de perpetrar tal monstruosidade. Afinal como ele mesmo disse. Não é (completamente) branco. Mas descendente de índio. Até se registrou no TSE como tal. Essa fala reproduzo:

“É só olhar para o meu rosto. Eu sou pardo? Eu sou negro? Eu sou asiático? Eram as opções que eu tinha, e a quinta opção era indígena”.(…)

“Não sei a qual etnia deveria pertencer, mas pode ter certeza de uma coisa: Cacique Mourão é a solução”.”Cacique Mourão é a solução” — O Antagonista

Novamente, nada de novo, afinal temos o Marquês e Almirante Tamandaré patrono da Marinha Imperial e depois Republicana Brasileira, um dos protagonista da guerra do Paraguai, tomou o nome de ninguém menos que o Noé dos “avós” dos Tupis segundo Olavo Bilac em Contos Pátrios:

Tupã para fazer o céu e a terra, começou criando as mães de tudo. O Sol é mãe do dia e da noite: a Lua é mãe das plantas e dos animais.

Os homens nasceram e foram maus. Tupã, para castigar a sua maldade, mandou que as águas crescessem desmedidamente e cobrissem tudo. Então, viram-se os peixes nadando entre as folhagens das árvores e as onças boiando sobre a vastidão das ondas crescidas. E os homens fugiram de monte em monte.

E o céu se abria em relâmpagos e em assombrosas quedas de água.

Mas um varão forte que Tupã amava — um varão de alma grande, que tinha o nome de Tamandaré, salvou a raça, guardando em uma canoa os seus filhos, livrando-os do naufrágio espantoso.

Os filhos desse “noé”, são os avós dos Tupis, os tupinambás, que segundo a etimologia tupi-guarani significa avós.

Então a pergunta que fica é se o vice chefe que já se arvora Cacique Mourão, (questão de hierarquia deles), é a seguinte: que tipo de cacique ele acha que é? Tupiniquim a lá índio Tibiriça, pronto a entregar suas filhas como concunbinas para os gringos e ajudar a cortar as cabeça de mulheres e crianças em estacas pelos peabirus, enquanto eles rasgam o que restam a desbravar do Brasil. Ou um o chefe Tupinamba da confederação dos Tamoios Cunhambebe, que segundo o cronista e mercenário alemão cativo sozinho comeu, literalmente, no mínimo uns 60 gringos que invadiram suas terras. Ou em termos menos selvagens e mais estratégicos, vai ser um general tupiniquim traidor e entreguista ou general adepto do antropofagismo, o cultural por favor, no melhor estilo dos modernistas de 22 e devorar a tecnologia e cultura estrangeira ao invés de entregar a nossa cultura e recursos naturais?

Como diria o outro Mourão, em um arroubo de sincericídio há os soldados e as vacas fardadas na melhor tradição tupiniquim dos subgrupo dos descendentes com complexo que vira-lata, os nativos que se travestem e macaqueiam os costumes gringos para ver se são tratados pelos seus conquistadores como se fossem iguais em pedigree. O primeiro abaixa a cabeça e levanta o rabo pedindo para entrar no clube dos povos que são considerado mais gente que os outros. O outro levanta e olha no olho sem se achar mais ou menos; sabendo que quanto mais nacionalista e racista é a elite mais ela acha que a sua raça não só a mais civilizada do mundo, mas a predestinada a superioridade, enquanto as raças das periferias do mundo estas estão predestinadas a prover peão de obra, puta e carne de todos tipos de gado, raças não brancas puras como a do brasileiro. Porque não se engane se tem vaca fardada que acha índio é indolente, e preto é vagabundo, pode ter certeza que ainda tem gringo que acha que latino-amerino é macaquito. Só não é tão estupido ou prepotente, (da no mesmo) de revelar sua posição estratégica.

Qual então será a mentalidade do Chefe índio Mourão? A do nacionalista machão de fachada e entreguista na alma para gringo racista e xenófobo ver, comprar e levar em troca de espelho. Ou o nacionalista de um Brasil cosmopolita do futuro que um o alemão espantando com a barbárie da civilização europeu dos anos 30 e 40 do século passado sonhou ao ver a indolência, malandragem desse povo incapaz, ao menos assim parecia até então, de obedecer cegamente ordens de caciques, pastores e estatopatas insanos até as ultimas consequências.

Pois é como diria Bezerra da Silva, Malandro é Malandro e Mané é Mané, com ou sem farda, se achando ou não.

Certa feita o secretário de Estado norte-americano responsável entre outros “feitos” pela operação Condor na América Latina, disse que um povo faz política como joga os seus jogos. Ele está errado, nunca aprendemos a jogar o jogo da política. E o o que aprendemos do futebol estamos desaprendendo. Mas isso não é o problema, o problema é que estamos desaprendendo a ler o jogo como metáfora para vida, e o que aprendemos dos jogos como metáforas para os jogos da vida, não só para a arte da guerra mas para a da guerra com as ideias e seus signos, a política, onde a principal armas não é a porrada mas a palavras que dão ordem as forças armadas adestradas com signos, palavras, e claro, sempre que preciso porrada, a obedecer.

Felizmente, acho que não sou só eu que esse jogo da política não sério. As consequências são seríssimas e gravíssimas, não é isso que estou dizendo. Mas um falta um parafuso na cabeça deles, e agora também na nossa. Um parafuso também soltou da nossa consciência coletiva.

Se a sociedade tem uma mentalidade, (e temos) já passamos do surto histérico faz tempo, estamos entrando em dissonância cognitiva generalizada e completa desconexão com a esquizoide com a realidade. A sociedade está se fragmentando, não em classes, está se fragmento em estados incomunicáveis de compreensão de diferentes realidades e entendimento das suas partes. Quando se diz que a sociedade brasileira está ficando esquizofrênica isto é mais do que metafórico. É um atestado psicanalítico da psique coletiva do nosso Pais.

Quando um candidato que foi assistido e repercutido por milhões mais do que a baleia azul ou o Momo durante um pseudo debate à presidência diz que vai para um montanha porque está sendo ameaçado de morte por Iluminatis e Maçons… e isso é tratado com a naturalidade com que tratamos tudo que não é nem deveria ser normal mas já é tratado como tal, de presidentes acusados de serem integrantes de quadrilhas, a militares nas ruas e civis sendo baleados em escolas e até em hospitais, é porque alguma coisa quebrou. É como ir na casa de um amigo e encontrar merda e sangue espalhada no chão, na parede, na mesa, nos talheres e ele te convidar para tomar um chá. Você não precisa ser formado em psiquiatria para saber que entrou na casa de um maluco, isso é o Brasil. E só não percebemos que isso é casa de maluco, porque somos nós que vivemos, nela acostumados a viver rolando na bosta e sangue. É caso de intervenção, mas não militar, mas psiquiátrica. Até porque se todos malucos do naipe dos presidenciáveis que curtem a paranoia a lá URSAL, se juntassem com os que gostariam que a teoria da conspiração até fosse verdeira para viver isolados voluntariamente numa montanha isso não seria um problema para o mundo, mas a solução. Um sonho. Isso sim é que é utopia.

Brincadeiras a parte, o Brasil está virando um hospício. E um hospícios não de malucos excêntricos, mas de malucos fanáticos e ignorantes. E a ideia é essa mesma. Uma sociedade esquizofrênica, alienada e ignorante que se não pedir, exigirá a intervenção de estatopatas prontos a ditar e receitar o remédio amargo, que se não curar, vai matar o paciente impotente. Tanto faz. O importante não é o paciente, mas o emprego e a casa da classe sempre pronta e alerta a intervir e ditar estar garantido.

Porém, por isso, mesmo o Brasil não é caso nenhuma hipótese de intervenção, nem psiquiatria, porque nenhum tipo de intervenção resolve, mas só tratamento, tratamento humanitário, que por definição envolve não só a vontade e respeito da vontade do outro, mas verdadeira vontade de que se dispõe a fazer algo. O Brasil não é diferente do mundo, e o mundo precisa como sempre precisou só de gente que se pense como gente e seja capaz de tratar gente como gente. Pode parecer uma obviedade, mas não é, não como prático. Porque ao contrário do parece e aparece no Facebosta, as pessoas fingem que olham umas para as outras como se fossem gente, mas a maioria gosta mais de bicho ou grana que do que do seu vizinho e alguma até mesmo do que dos seus filhos. Ademais não sejamos hipócritas ou tolos, só há duas opções humanas para lidar com quem age feito bicho e não nos trata nem considera gente como ele: fugir para uma montanha ou resistir (se puder resistir) para manter sua humanidade. As demais implicam em se converter replicando o comportamento do bicho-homem: seja se aliando a quem não se pode vencer ou pior lutando e vencendo, para no final se tornar a imagem e semelhança dele, o novo herdeiro e hospedeiro.

Não, senhores, com Cabral não chegou o primeiro ladrão. Chegou o primeiro bando de assassinos em massas. E fez aqui casa, escola e herdeiros. Em 1492 quando Colombo aportou nas Américas foi estimada por baixo 8 milhões, mas há quem estime até 100 milhões de índios. As cabeças cortadas não foram contadas. Só em terras brasileiras, em 100 anos, estima-se que 70% dessa população já havia sido exterminada. Perguntar por quantos? Se foram 1, 10 ou 100 milhões de seres humanos exterminados e em quanto tempo, é importantíssimo para resgatar a memória dos que foram exterminados, mas não muda em nada a natureza dos seus perpetuadores, nem do ato perpetuado. O maior e mais longo processo sistematizado de eliminação de outra(s) raça(s) e fé(s) para que só uma civilização totalitária, aquela que se julgava superior, a única que se via gente e eleita por deus imperasse absoluta nesse terra. Isso tem nome, e não é massacre de guerra, é Holocausto. O holocausto em nome de um só deus, uma só lei e um só valor: o capital. Não somos rápidos eficientes, nem metódicos, como os alemães, mas somos “criativos”e não só improvisamos com o que temos, e com diz a propagando “somos brasileiros e não desistimos nunca”. E é por isso, no que depender de nós tupiniquins da taba desses caciques políticos não sobrara nenhum deles, não só os tamoios. Mas não se preocupem sempre haverão os caciques Morão para assumir a identidade e não deixar os índios desaparecem… das estatísticas e propaganda. E escribas dos vencedores para relativizar a história. E fazer dos mortos, marginais, e dos assassinos estatopatas, estadistas.

Os 100 primeiros anos de colonização

Nos cem primeiros anos de colonização o genocídio foi intensivo. Estima-se que neste período aproximadamente 70% da população indígena brasileira tenha sido eliminada. Em 1.560, Men de Sá, governador geral do Brasil, escreveu uma carta ao rei de Portugal contando com orgulho as suas façanhas na colônia: em uma noite, ele havia destruído e queimado uma aldeia próxima à vila, matado todos os indígenas que resistiram a este ataque e seu trunfo foi ter enfileirado os corpos ao longo de aproximadamente seis quilômetros de praia. E este é apenas mais um exemplo da violência que as pessoas que habitavam esta terra sofreram.

Os invasores travaram guerras contínuas e cruéis contra os indígenas. São Paulo, no séc. XVI, era um pequeno vilarejo e as expedições que se dirigiam ao interior do país eram chamadas de “bandeiras”. Os bandeirantes eram pessoas especializadas em caçar e exterminar, ou escravizar os indígenas, ou quaisquer outros obstáculos que se opusessem à conquista do interior das terras brasileiras e suas riquezas. Ao mesmo tempo, as missões jesuíticas iniciaram o confinamento de povos indígenas em aldeamentos. (…)

Formas de exterminar os indígenas

Algumas das técnicas de extermínio utilizadas pelos europeus consistiam em: doar alimentos contaminados com doenças (varíola, gripe, tuberculose…) contra as quais os indígenas não tinham defesa; estupros; disseminação de bebidas alcoólicas; chacinas; invasão e apropriação dos territórios indígenas; devastação do meio ambiente; confinamento nas missões religiosas; entre outras. (…) — O holocausto indígena no Brasil

Com a palavra o colonizador frade dominicano Bartolomeu de Las Casas:

“Certa vez os índios vinham ao nosso encontro para nos receber, à distância de dez léguas de uma grande vila, com víveres e viandas delicadas e toda espécie de outras demonstrações de carinho. E tendo chegado ao lugar, deram-nos grande quantidade de peixes, de pão e de outras viandas, assim quanto tudo quanto puderam dar… Mas eis que os espanhóis passam a fio de espada, na minha presença e sem causa alguma, mais de três mil pessoas, homens, mulheres, crianças, que estavam sentadas diante de nós. Eu vi ali tão grandes crueldades que nunca nenhum homem vivo poderá ter visto semelhantes… Também na terra firme… na madrugada, estando ainda os índios a dormir com suas mulheres e filhos, os espanhóis se lançaram sobre o lugar, deitando fogo às casas, que eram comumente de palha, de sorte que queimavam todos vivos, homens, mulheres e crianças… Mataram a tantos que não se poderia contar e a outros fizeram morrer cruelmente… e a outros fizeram escravos e marcaram-nos com ferro em brasa…”

E quem não tiver sangue correndo nas veias destes homens que tem sangue em suas mãos sujas de sangue que atire a primeira pedra. Mas chega de hipocrisia. Isso não é uma divida do passado. Dizem que cada povo tem o governo que merece, nos temos somos governados por quadrilhas que não titubeiam em pilhar, grilhar, roubar e até mesmo matar gente sem chance de defesa, mentirosos contumazes e incapazes de assumir a responsabilidade por seus atos, tudo em nome do fortuna, fama, cargos e vantagens pessoais, e que constantemente colocam a culpa da sua incompetência na própria sociedade que ele está montado nas costas. Onde será que quando crianças eles aprenderam a ser esses monstros com traços de psicopatia? Com certeza foi com esses andando com esses índios indolentes, esses pretos vagabundos, e com essas puta e viado e deve ter algum muçulmano judeu e comunista infiltrado também, só pode.

Anauê.

Image for post
Image for post
PLÍNIO SALGADO, que passou noites a fio a estudar a língua tupi, que penetrou nas profundezas da alma brasileira, que soube fazer-se o interprete da Raça, recebe agora, comovido e vencedor, os “anauês” mais puros, mais sublimes, mais brasileiros: os “anauês” de 5.000 índios integralistas que o heroísmo de José Guiomar foi evangelizar nas florestas do Amazonas.

As sociedades são envoltas por um conjunto de símbolos historicamente construídos pelos homens e introduzidos nas mentes das sucessivas gerações. Para Hannah Arendt, “Os homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contato torna-se imediatamente uma condição de sua existência. O mundo no qual transcorre a vita ativa consiste em coisas produzidas pelas atividades humanas …”.3 A natureza e os artefatos são parte de um amplo universo de significações que permeiam todos os setores vida. Clifford Geertz afirma que “o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e a sua análise”.4 Dentro de um determinado contexto cultural podemos pensar como as várias estruturas de poder (especialmente o poder político) se consolidam e como os distintos signos de uma determinada sociedade vão influenciá-las. Os signos são fatores que estão enraizados nas práticas cotidianas. Todas as formas de poder fazem uso deles na busca de uma legitimação diante das diferentes sociedades que querem dominar, seja para manter o status quo seja para alcançar mudanças. Essa ação também pode ser vista como uma teatralização, pois o poder precisa de um caráter cênico para que ele possa se consolidar, como mostra Georges Balandier (1982, p.5):

Por trás de todas as formas de arranjo da sociedade e de organização dos poderes encontra-se, sempre presente, governando dos bastidores, a “teatrocracia”. Ela regula a vida cotidiana dos homens em coletividade. É o regime permanente que se impõe aos diversos regimes políticos, revogáveis, sucessivos.5

Vê-se que o poder precisa de instrumentos de representação teatral, não pode viver separado deles. O mesmo autor completa (p.7):

O poder estabelecido unicamente sobre a força ou sobre a violência não controlada teria uma existência constantemente ameaçada; o poder exposto debaixo da iluminação exclusiva da razão teria pouca credibilidade. Ele não consegue manter-se nem pelo domínio brutal e nem pela justificação racional. Ele só se realiza e se conserva pela transposição, pela produção de imagens, pela manipulação de símbolos e sua organização em um quadro cerimonial. (p.7)

Portanto, o poder tem que se mostrar como se brotasse do chão do passado, para apontar os caminhos do futuro, como se estivesse predestinado a aparecer em um momento histórico ou a se perpetuar no comando de uma sociedade. Cultura e poder são fatores que possuem uma grande ligação. -A política como espetáculo: a reinvenção da história brasileira e a consolidação dos discursos e consolidação dos discursos e das imagens integralistas na revista Anauê!

Pague para ver esses caras ganhando e contando a história do Brasil e você vai ver não só criancinhas a fazer os sinais deles, mas a colocarem a culpa nos “porcos marranos”:

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store