O mito do desenvolvimentismo e da soberania nacional

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Quando o argumento para salvar instituições politicas e econômicos falidas e criminosos é que precisamos preservar a soberania e estabilidade “do Brasil” temos um atestados dado pelas mãos dos donos do poder de que o que precisamos é uma revolução. Este não é um argumento que depõe contra nosso sistema politico-econômico isso é uma confissão de que eles chamam “de Brasil” é o produto do roubo de uma Nação. É a prova de com quantos crimes se constrói um império. Primeiro impunes. Depois anistiados. Até que enfim esquecidos para finalmente ser celebrados como o orgulho de mais uma pátria de alienados.

E o pior de toda essa propaganda é o que elas continuam a tentar empurrar guela abaixo a força todo esse esse lixo mesmo depois que todo mundo já sabe que está tudo podre. Insistem em maquiar e vender o mito que os interesses Estatais são a mesma coisa que os interesses nacionais quando já sabemos que é justamente o contrário. Especialmente quando a sociedade não controla seu Estado, mas sim o Estado a sociedade.

Uma coisa que a velha esquerda encarnada pelo petismo e satélites e a velha direita encarnada na ditadura militar e seus “filhotes” políticos e “simpatizantes” civis compartilham entre outras é o mito do desenvolvimentismo. Quando digo entre outras, leia-se o gosto por poder centralizado, burocracia, pau-mandados, tudo isso regadas a privilégios e propinas escandidos por patrulhas político-ideológicas e doses cavalares de propaganda estatal. Não é a toa que o mister 10 por cento, Delfim Neto seja o conselheiro econômico perpetuo de todos esses governos faraônicos e sua obras, esta múmia política-econômica é 2 em um: propina e desenvolvimentismo.

https://www.brasil247.com/pt/247/economia/285735/Leonardo-Stoppa-o-inimigo-n%C3%A3o-%C3%A9-a-Friboi.htm

Nunca me deixa de impressionar e revoltar a hipocrisia dessa gente. Da desonestidade com a coisa pública até a intelectual sua falsidade ideológica não tem fim. E não quero nem saber como levam sua vida privada porque não é da minha conta e não tenho estômago pra isso.

Já não é de hoje que canalha e malandramente tem se introduzido o discurso do interesse nacional e o jogo de interesses internacionais como um argumento para por um fim de vez nas já quase completamente empasteladas investigações da Lava-Jato e afins.

Os “campeões nacionais” estão sendo demolidos pelas investigações e ganham com isso é o capital internacional e quem perde é o Brasil. O Brasil… Odebrecht, JBS, agronegócio, empreiteiras… que Brasil perde? ou melhor o Brasil de quem? O Brasil dos corruptos que usa mão de obra escrava e deposita o seu dinheiro roubado na Suíça?

O Brasil que entrega mais da metade do seu riqueza para bancos e afins e consome quase dois terços do que sobra para sustentar sua máquina burocrática e corrupta? E ainda por cima faz propaganda como se fossem os Messias da população miserável que eles fabricam quando devolvem migalhas de tudo que roubam como programas e serviços sociais que tratam a população como gado?

Os pau-mandados dizem que quem quer por fim a essas quadrilhas em forma de Estado é querer acabar com o Brasil. Isto é a mesma coisa que dizer que quem queria por fim a a escravidão na época da monarquia queria derrubar o imperador e acabar a economia do Brasil. Quando a verdade é o contrário. Era o império e a economia brasileira se sustentava criminosamente, como ainda se sustenta, da exploração do seu povo em favor desses donos da terra e escravos e sua produção totalmente voltada aos interesses do mercado internacional. Por isso que o império não dura um ano após a assinatura da lei áurea. E se há alguma critica justa nisto, é que a queda do império não formou uma verdadeira republica. A coisa pública continuou não pertencendo ao povo, na verdade sequer trocou de donos. Por isso o que se dizia a época para defender quem detém o poder é o mesmo que se diz hoje: os privilégios aristocráticos, os latifúndios e trabalho escravo por mais criminosos que sejam não poderiam ser tocados em nome da estabilidade soberania nacional e nosso desenvolvimento econômico.

O Brasil mudou os nomes e adaptou seus sistemas de socioeconômicos aos tempos modernos, mas fundamentalmente não mudou nada. O Brasil Colônia, entreguista, patrimonialista e escravocrata é na alma o mesmo. apenas agora travestido nos termos e modos de produção e exploração dos recursos naturais e humanos da atualidade.

Dizem que o Brasil foi colonizado por criminosos. Ele não foi, continua. Ele continua a ser uma colonia de criminosos abastados que dominam politica e economicamente nossa terra com tanta legitimidade quanto um traficante ou senhor feudal domina “seu” território com armas e tribunais e decretos. Continua a não ser uma federação mas um união de capitanias hereditárias governadas por famílias que mantem sua supremacia hora com terror hora com benesses e muita pregação a população que tem a infelicidade de habita seus domínios como servos condenados a trabalhar e pagar tributos a eles pela sua “proteção”.

E tem panaca copiando a expressão Pós-verdade, pós-verdade onde aqui no Brasil que nunca foi um pais de verdade? O Brasil não é um Estado. É um protoEstado. um Estado em sua condição primitiva e bruta que não consegue fazer a população dominada esquecer qual é a verdadeira origem e natureza e propósito dos seus governos governantes e compadres. E quem diz que estou exagerando é porque não sai dos castelos. Vive nas bolhas das casas grandes, nunca viveu como ou entre novos escravos mantidos com outros grilhões nas periféricas e grotões desse campo de concentração da divisão do trabalho (e capital) internacional chamado Brasil.

Dá náuseas quando a classe politica e intelectualidade lambe-saco fala em entreguismo e soberania nacional quando em essência eles vivem de manter o Brasil como feitoria como pretos-da-casa. Da direita de dos governos das potencias mundiais não se há outra coisa a se esperar senão exploração ou guerra. Não há nem o que se criticar, esse é o jogo de deles, fingir que se desconhecia a verdadeira posição geopolítica e econômica destes países é a mesma coisa que dizer que não sabia que os filhotes da ditadura do PMDB eram corruptos. Me engana que eu gosto.

O Brasil não está sendo atacado agora pelo interesse internacional porque está vulnerável com as investigações contra nossa elite criminosa. Ele como todos os Estados-Nações mesmo quando não estão envolvidos em conflitos armados direitos ou indiretos estão sob permanente ataque e permanente estado de guerra não declarado. Espionando, vigiando, tentando ampliar seus domínios políticos e econômicos diretamente ou através de capitais e empresas transnacionais. Estou sempre se armando para impor sua hegemonia por dissuasão, isto é, por demostração que é inutíl se contrapor ou resistir a sua superioridade bélica. Estados-Nações estão sempre defendendo seus interesses “nacionais”. ou mais precisamente Estatais seja contra os povos alheios, seja contra sua própria população. E se necessário for inclusive utilizando em ultima instancia valendo valer sua principal serviço, vocação e razão social: a violência armada.

O Brasil estava se tornando uma potencia? De que tipo? Do tipo que exporta ou transfere seus sistema de exploração para outros países através de suas campeãs nacionais como as grandes potências? Do tipo que sustenta o bem estar da sua população com as migalhas dos impostos das suas empresas e capital transnacionais feita da exploração em terras estrangeiras com o subsidio sempre alerta das suas forças armadas? Era esse o tipo de potencia internacional que nossas desenvolvimentistas de direita e esquerda sonhavam para o Brasil. O desenvolvimento feito a imagem e semelhança dos seus senhores que se sustentam e crescem da exploração das populações periféricas e marginalizadas tanto no seu território quanto no alheio? O império regional da America do Sul e países africanos de linguá portuguesa.

Será que nossas empresas criminosas nacionais sonhavam um dia, em explorar o trabalho escravo no Congo? Em vender armas para a Nigéria? Queria um dia encontrar um camisa de marca brasileira feita com o trabalho de crianças escravas na própria Bolívia e não nos porões de fabricas clandestinas em São Paulo? Sonhavam em provocar desastres ambientais, fome e violência bem longe dos olhos da opinião de uma população brasileira finalmente então “educada” e “civilizada”? De fato um avanço dos primitivos senhores feudais que defecavam onde comiam e viviam com medo de serem mortos por seus servos, para os mercantilistas que deixam outros fazerem os serviço sujo nas fazendas humanas pelo mundo periférico. Enquanto eles vivem sem muros nem armas num pais inteiro transformado em um grande condomínio burguês. Quero dizer isto antes da crise mundial econômica e consequentemente humanitária provocada por esse modelo economicamente insustentável de civilização.

Econômica e ecologicamente insustentável, mas não geopolítica e militarmente. Ou em outras palavras, nada que muros e guerras não resolvam… de novo. Embora resolver seja um termo bastante relativo.

Será que erá isso que era esse o desenvolvimento os desenvolvimentistas queriam? Que o mundo olhasse para o Brasil e o brasileiros como olha para americanos e europeus. E você pode pensar então: “com respeito?” Sim, com respeito entre os privilégiados e como alvo e inimigo entre aqueles povos que são hoje a principal fonte de lucro dos “negócios” estatais e paraestatais.

Se era isso o desenvolvimentista esqueceu a peça fundamental desse tipo de desenvolvimento. Aquela “vantagem competitiva” que garante as grandes potencias que os crimes dos seus estados ou suas transnacionais não serão punidos, ou mais precisamente, que não haja quem possa os fazer pagar. Suas forças armadas. O que impede que genocídios, crimes de guerra, acidentes ambientais como o da Samarco ou atentados como os testes nucleares, praticados por grandes potencias e transnacionais sejam investigados e seus responsáveis sejam investigados é o mesmo principio que garante a impunidade das próprios generais, juízes e governantes dentro da jurisdição do seus territórios: a supremacia bélica.

Nas constituições ou seja em tese os Estados-Nações são instituições cujo poder emana do povo, na prática são megacorporações sustentadas de fato pela extensão do monopólio da sua violenta que pertence como poder auto-outorgado de quem os detém de fato. E se há uma prova empírica de que a constituição o poder constituinte do povo é ainda mera ficção e o poder de fato o monopólio da violência estatal essa prova é o Brasil. E se há uma prova que a declaração dos direito universal e internacional é mais fictício essa prova é a Síria.

Se há portanto o critica que com justiça pode ser feita não é as investigações e denuncias e que estão a ser feitas, mas aquelas que não estão sendo feitas. O problema não é vulnerabilização de nossa elite criminosa que se considera dona do Brasil, o problema é que criminosos com status privilegiados continuarão devidamente acobertados dentro e fora da jurisdição nacional. O problema é que no final das contas irá se trocar 6 por meia duzia, e manter o mesmo sistema de expropriação da soberania e propriedade nacional não deste ou daquele bando que toma de assalto o poder, mas do verdadeiro dono o povo brasileiro.

O problema da investigações da Lava-Jato não é “o muito” que ela derruba na politica e econômica criminosa e servil do Estado-Nação Brasileiro mas sim “o pouco”. É o pouco que ela é capaz de verdadeiramente transformar do nosso sistemas de exploração e expropriação da população e riquezas nativos, talvez até pela falta de vontade de seus agentes para ir além, mas sobretudo pela falta de jurisdição e até meios para chegar onde precisamos.

Tentar construir um projeto de nação apostando não só em empresas e partidos criminosos, mas sobretudo macaqueando um falso processo civilizatório fracassado supremacista e genocida não é um crime não contra a leis dos Estados-Nações, mas um crime contra nossa humanidade. Apesar de todo o sofrimento do brasileiro e até mesmo por conhecê-lo tão bem somos capazes de fazer melhor do isso. E um passo importante é parar de acobertar e mitificar esses criminosos e traficantes do povo brasileiro como se fossem santos e heróis nacionais, do passado e pior ainda… do futuro.

Quando o argumento para salvar instituições politicas e econômicos falidas e criminosos é que precisamos preservar a soberania e estabilidade “do Brasil” temos um atestados dado pelas mãos dos donos do poder de que o que precisamos é uma revolução. Este não é um argumento que depõe contra nosso sistema politico-econômico isso é uma confissão de que eles chamam “de Brasil” é o produto do roubo de uma Nação. É a prova de com quantos crimes se constrói um império. Primeiro impunes. Depois anistiados. Até que enfim esquecidos para finalmente ser celebrados como o orgulho de mais uma pátria de alienados.

E o pior de toda essa propaganda é o que elas continuam a tentar empurrar guela abaixo a força todo esse esse lixo mesmo depois que todo mundo já sabe que está tudo podre. Insistem em maquiar e vender o mito que os interesses Estatais são a mesma coisa que os interesses nacionais quando já sabemos que é justamente o contrário. Especialmente quando a sociedade não controla seu Estado, mas sim o Estado a sociedade.

“Talvez seja a hora de a gente cumprir o artigo 14 da Constituição. Afinal, o artigo 1º da Constituição estabelece que o povo é soberano, o povo é que é titular da soberania, logo ele é que deve decidir em última instância. O artigo 14 da Constituição de 1988 prevê esses mecanismos. Talvez já tenha passado da hora de a gente começar a adotá-los para que o povo se manifeste” — Carmem Lúcia presidente da suprema corte brasileira

Talvez? Talvez, tenha passado da hora??? Talvez não. Com certeza. Só estamos algumas gerações perdidas e séculos atrasados. Diria mesmo, que agora, ao menos nesses termos, já era.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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