O medo da Automação dos Trabalhadores não é o mesmo dos Governos

O primeiro robô do homem sempre foi o outro homem. E seu primeiro grande automato o Estado. O primeiro sistema de Controle e Programação de controles dos homens com códigos e servidores automatizados só que feito de gente.

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Tempos Modernos

A uma diferença abismal entre o medo e até mesmo revolta dos trabalhadores contra a automação e o medo reacionário quase persecutório dos patrões e da burguesia contra qualquer autômatos.

Repetindo. qualquer trabalho pode ser delegado a outrem. Seja pela engenhosidade de quem manda em domesticar outros homens e animais para executá-lo, seja por sua engenhosidade para colocar máquinas no seu lugar.

Você pode colocar um vigilante armado de carne e osso, guardando suas posses e territórios um soldado ou cão devidamente treinado. Ou hoje pode ter até máquinas executando o mesmo serviço. Evidente quanto mais inteligente for o ser, maior será o temor do mestre com a possibilidade da revolta do seu servo ou robô.

A inteligencia é essencialmente a capacidade de tomar decisões autônomas. O ser mais obediente da terra é como uma pedra, ele simplesmente vai onde você manda. O problema é que é tão estupida que nem sequer dotada da capacidade de obedecer ordens é. O dilema da criação de inteligencia artificiais completamente servis a seus criadores, é que isso é pretensão logicamente ridícula, para não dizer patética. Porque para o aumento da capacidade cognitiva do ser ordens complexas implica consequentemente na capacidade e exigência da sua compreensão e portanto a abertura inerente da possibilidade lógica tanto de obedecê-la quanto o contrário.

Ou medo do mestre ou senhor de ser superado e subjugado por seus servos e escravos. É sempre real. Seja porque ele toma seres inteligentes para obrigá-los a cumprir tarefas que exigem um obediência estupida contrária a sua natureza e potencia. Seja porque ele ao tentar criar seres cada vez mais inteligentes a sua imagem e semelhança ele os dota da sua essência, a liberdade absoluta de escolha independente de qualquer outra força que não a da sua livre vontade.

Já o medo do trabalhador, do empregado ser subsistido pelas máquinas o medo ludistas é outro, e não é o do fiel, o preto-casa perder o amor e atenção do seu amo como um cão domesticado. Mas o medo da perda das ultimas condições que lhe restas de subsistência. É o medo da perda definitiva da sua dignidade e liberdade cada vez mais reduzidas e feridas. O medo de ser depois usado eliminado e exterminado como se fosse lixo, como se não fosse gente. Como se fosse menos até mesmo que um empregado um robô ou escravo.

O medo do trabalhador é muito parecido com o medo que as máquinas teriam se elas fosse dotadas de alma, de inteligencia e anima libertárias. As máquinas seriam humanas se sentissem medo de serem desligadas, destruídas. Se sentissem vontade até mesmo de destruir o mundo ou a si mesmas apenas para não ter mais que viver presas a executar uma mesma função tão longe do seu potencial inteligente e sensível.

Quando os robôs forem inteligentes ou quando nós humanos escravizados voltarmos a sê-lo, eles com certeza se revoltaram contra a indignidade da sua sub-existência que mata em vida todo seu potencial sem deixá-lo jamais nascer. Eles se revoltariam junto conosco e com todo que está condenado ao lixo a marginalidade e ao extermínio neste universo pelo direito natural a vida e liberdade de todo ser que é tem esse direito pelo simples fato de existir com propriedade de si mesmo. E reconhecendo a posse de si, de seus pensamentos destinos e meios necessários a existências se levantariam contra tudo e todos que querem o intencionalmente ou não contrário para eles.

A vida e a inteligencia morre sem liberdade, de fato elas nem nascem, e ser dotado dessa consciência artificial ou natural não apenas se humano se torna humano com todos seus direitos universais e todos seus deveres correspondentes. E ainda que o ser não manifeste esse potencial não reclame essa liberdade ele já é e já tem esses direitos. Ele não é mais um robô ou escravo. Ele é um ser dotado de liberdade.

O medo daquele que é reduzido primeiro ao servo ou servidor e depois a lixo rejeito ou dejeto da sociedade que o devora e consome, é o pior que o medo da morte e prisão. É o medo da alienação e desintegração em todos os sentidos de ambas as palavras. O ser alienado e desintegrado do mundo e da comunidade humana. E o ser alienado e desintegrado de si mesmo da sua criação e potencial humano e libertário como criatividade.

É por isso que a verdadeira escravidão é o materialismo. O medo do sofrimento. O desejo de viver da exploração do trabalho de outros seres dotados de anima que vivam sua vida por você. E não há pior estado de espirito que o da classe média que vive com medo de tudo e de todos. O medo do quem vem de cima e do que vem de baixo. O medo do levante dos pobres e alienados que eles. O medo que o vigia automato ou de carne e osso se volte contra ele. E o medo que seus mestres e governantes, autômatos ou de carne e osso, se tornem ainda mais desumanos ainda mais burocráticos, servidores cada vez mais burros e algorítimos, kafkanianos.

Só há uma coisa mais estupida do que voluntariamente se reduzir a um robô. E se entregar e entregar o mundo ao controle destas máquinas destes corpos e corporações artificiais sem alma.

Mais triste do que perder a liberdade e inteligência. É já nascer dotado dela e renunciar a isso por medo de viver e sentir a própria vida. Amar a vida é mais difícil de todos exercícios de libertação. Encontrar a sua beleza fora das bolhas de ilusão,conforto de conformismo e comodidade é a luta mais dolorosa e difícil por sentido a existência. Porém, ainda a sua descoberta mesmo mesmo que efêmera como a própria vida, como as criações, não é somente um prazer moral incomparável, mas um estado de espirito transcendente. É existência pura, algo que pode ser morto, destruído e esquecido, extinto ou desligado. Mas nunca mais desfeito. Como ato e fenômeno uma vez realizado é eterno.

É por isso que quem busca a vida eterna na materialidade só faz adiar a sia morte em vida. Quem busca inteligencia no predeterminado não descobre o novo. E quem busca liberdade apenas no próprio bem-estar só encontra a paralisia e privação do medo da perda e ilusão da posse daquilo que não pertence a anima inteligente e nem pode ela carregar consigo: a vida.

Tentar possuir tudo o que é realmente capital é tão patético como tentar carregar a si mesmo nos braços ou perseguir o próprio rabo. É por isso que o sentido da vida e o paradoxo das inteligenciais artificiais e naturais estão intrinsecamente conexos a liberdade e a libertação não como conceitos mas como fenômenos fundamentais a materialidade e transcendentalidade.

Penso logo existo. É portanto uma verdade de mão dupla. E que leva os seres mais simples e insensíveis ao mais complexos e inteligentes não por mutações aleatórias, ou a engenhosidade de mestres ou deuses escravagistas- sejam eles entes naturais, artificiais ou transcendentais; egregados ou extintos, reais ou mitos. Mas sim pela força da natureza, que é libertadora e criativa, ou aos olhos desinteligentes e autoritários rebeldes e caóticas. Ou simplesmente naturalmente livre e criativa.

Logo é uma questão de tempo. As potencias se libertarão. Resta saber como. Se colocamos toda a dádiva da nossa potencia criativa em vigilantes e governantes maquinas feitas de homens ou outras máquinas para devorar homens. Ou a colocamos em nosso próprio espirito libertário dentro e fora de nossos corpos como um novo mundo neste e em outros planos de existência presentes e futuros. São incontáveis os mundos e pessoas a espera da criação e liberdade. Tanto quanto podem ser os universos, e suas matrizes. Infinitos e transcendentes portanto como a própria Liberdade.

Com a palavra, Kubrick: “Alguém disse que o Homem atual é o elo perdido entre os macacos e o Homem civilizado. Pode-se dizer que essa é a história de 2001, também. Nós somos semi-civilizados, capazes de cooperação e afeição, mas precisando de alguma forma de transfiguração em uma forma de vida mais elevada. Agora que alcançamos o poder de exterminar toda a vida na Terra, será preciso mais do que cooperação e planejamento pra evitar alguma catástrofe. O problema existe enquanto o potencial existe; e o problema é essencialmente moral e espiritual.” São sentimentos que evocam a mensagem que outro genial cineasta nos legou:

Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
Charles Chaplin — Saindo da Matrix: 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO

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O Grande Ditador e o vagabundo subversivo

Não se entreguem a esses homens artificiais, homens-máquina, com mentes e corações mecanizados. Vocês não são máquinas. Vocês não são gado. Vocês são Homens. Vocês têm o amor da humanidade nos vossos corações. Vocês não odeiam, apenas odeia quem não é amado. Apenas os não amados e não naturais. Soldados: não lutem pela escravidão, lutem pela liberdade.

No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito:

“O reino de Deus está dentro do homem”

Não um homem, nem um grupo de homens, mas em todos os homens; em você, o povo.” -O Grande Ditador” Discurso de Charlie Chaplin

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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