Certa feita, Alexandre, o Grande, ao encontrar-se com o filósofo Diógenes de Sínope, interpelou-o dizendo para que pedisse o que quisesse, que ele, Alexandre, mandaria que sua vontade fosse atendida.

Diógenes dito o cínico — porque vivia como um cão; vivia na verdade como um mendigo e louco nas ruas de Sínope, tendo por hábito importunar os cidadãos, munido de uma lanterna acesa em plena luz do dia e a irritante pergunta: “É você um homem?” Pergunta que às vezes, as vistas de todos, também dirigia às estátuas — não devia, portanto, ser um homem muito querido na cidade.

Alexandre que tivera como preceptor outro filósofo mais famoso, Aristóteles, ao passar pela região durante suas campanhas de conquista fez questão de “visitar” Diógenes.

Reza a lenda que cercado por suas tropas, do alto de seu cavalo e conquistas, Alexandre parou bem à frente de Diógenes e com toda autoridade lhe disse:

- Peça o que quiser filósofo; apenas peça e mandarei que se cumpra.

Diógenes, deitado na rua, possuidor de nada — além de sua famosa lanterna, e quem sabe as roupas do corpo — olhava para Alexandre que estava parado justamente entre ele e o Sol, encobrindo-lhe assim com toda a sua sombra.

Diógenes apontou então para o sol e movimentando lentamente a mão, sinalizava ao Imperador que este simplesmente fosse um pouco mais para o lado, de modo a não lhe bloquear a luz.

Alexandre, para surpresa de todos, assentiu ao gesto um tanto indolente; postou-se mais ao lado de modo que sua sombra não se fizesse mais sobre o homem. E nesta posição permaneceu. Parecia ainda aguardar o pedido de Diógenes.

O filósofo percebendo que Alexandre não havia entendido que seu pedido já fora feito e atendido, complementou dizendo, enquanto sua a mão ainda estava a apontar para o Sol:

- Apenas não me tire aquilo que não pode me dar.

Mais adiante os comandados de Alexandre, que não entendiam o interesse do conquistador do Mundo por um reles mendigo, perguntaram por que ele, Alexandre, o procurara; a que o Conquistador teria respondido:

-Se não fosse Alexandre, o Grande, seria Diógenes, o filósofo.

Algum tempo depois, quando o Imperador já se encontrava no ápice de sua glória, deram a Diógenes saber o quê Alexandre havia dito, que “se não pudesse ser Alexandre gostaria de ser Diógenes”! A que o cínico apenas replicou:

- Eu, se não pudesse ser Diógenes, a última pessoa do Mundo que gostaria de ser… é Alexandre.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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