O Império Contra-Ataca (ou seria o Ataque dos Vermes Malditos)?

Não. É GOLPE DE ESTADO. Mesmo, não o “mimimi” petista.

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Não é brincadeira.

Ao invés de impeachment ou melhor cassação da chapa Dilma-Temer e a prisão dos chefões dos partidos, adivinha quem pode sofrer impeachment e sabe mais o que depois?

Pois é, eles voltaram. E com toda carga. E agora é no velho estilo do cangaço, na cara-de-pau e truculência.

Renan devidamente blindado e apoiado por toda a classe política, especialmente o centrão alargado dos pseudo-adversários PT-PMDB-PSDB agora que a merda passou do pescoço vai pra cima da LAVA-JATO para salvar toda a canalhada.

Repito, isso não é o golpe que a esquerda palaciana tenta vender. Ou só mais um movimento da “banda podre” da política para fugir da cadeia. Não é mais só mais um capítulo dessa grande farsa. Quero estar errado, mas isso é muito pior.

E mesmo querendo crer que a chance deles consumarem seus esquemas seja remota (não é o que diz o procurador). Não posso ficar calado. Isto não cheira a pizza, isto é, ou pode ser, o prenuncio de um (verdadeiro) golpe de Estado.

Um golpe que pode sim acontecer, principalmente se não encontrar nenhuma resistência. Principalmente se não fizermos nada, nessa fase preliminar em que eles estão mais lançando esses balões de ensaio para testar a reação da opinião pública do que atacando mesmo seus adversários no poder judiciário.

Este tipo de intervenção mesmo que seja (por enquanto) mais uma ameaça do que qualquer outra coisa é algo (como a própria da intervenção militar) que não pode se propagar sem resistência. Por que se consumada, é golpe de verdade.

Vejam que não estou usando as palavras, como políticos petistas que falam em golpe e saem para comemorar ou negociar com os “golpistas”. Ou tratando do golpe como a pilhagem e entreguismo do patrimônio nacional, mas golpe em sentido clássico de quem detém o poder de fato contra o estado de direitos, contra a vontade popular. E até mesmo contra a população para continuar metendo a mão nele.

Estou usando a palavra golpe, exatamente da mesma forma que como ativista penso que vou ter que sair corrido (de novo) do Brasil para continuar falando o que eu penso sem medo de todo o tipo de represálias. E olha que (embora abuse da sorte) nisto sou um privilegiado, porque se não for pego de surpresa posso bater em retirada para contra-atacar. Mas e os outros?E quem não tem como fugir do seu próprio país?

Sei que essa história do golpe foi propositadamente banalizada e até ridicularizada, tanto que chega a ser exaustivo e nauseante falar e ouvir falar dela, mas isso é sério. É uma denúncia que não deve ser confundida com reclamação dos bandidos petistas que tomaram a rasteira dos seus comparsas do PMDB. Estamos falando agora da ameaça real e a guerra é aberta e declarada:

Contra o FORA TODOS agora temos TODOS ELES JUNTOS.

Agora a ameaça de retrocesso do estado de direito (por mais precário e injusto que ele seja) é mais real do nunca: não são bandidos se traindo e lutando pelo poder, são todos eles juntos prontos para quebrar qualquer um que se atreva a os denunciar ou tirar o poder governamental, a começar pelos procuradores e juízes rebeldes que não concordam com a operação abafa.

Os chefões que agora não vem mais chance de emplacar a farsa do “Fica Temer”, nem do “Volta Dilma”. E com um cagaço desgraçado das “Eleições Gerais” — já que até os estepes, os outros “presidenciáveis” de Aécio a Marina estão enrolados em delações- estão mais do nunca dispostos a tudo para parar a Lava-Jato.

E se a LAVA-JATO for assim flagrantemente empastelada antes de pegar os chefões não será o fim de uma tentativa de moralização da política, mas o início de um contra-ataque de toda uma classe de mandatários bandidos prontos a se manter unidos criminosamente no poder contra todo o povo e todos aqueles que defendem um estado mesmo de direito.

Eles perceberam que perderam o controle do aparelho repressivo e agora querem retomá-lo e apontá-lo de volta contra a população pronta a se manifestar. E já que não estão conseguindo mais cometer seus crimes escondidos, vão partir para cometê-los em público mesmo, e mandar prender quem ousar reclamar.

A ordem de quebrar uma vez dada não irá parar só com ou na LAVA-JATO. Não será apenas para salvar os Peixes Grandes, mas irá continuar valendo até acabar com todos os peixes pequenos- sobretudo os inocentes e desobedientes.

Isso não é uma brincadeira. Gente assim não cai de mãos limpas.

Há muitos esqueletos no armário, muitas histórias mal contadas…

Muitas…

De Celso Daniel até a primeira prefeita a lançar o programa bolsa-escola quando ele ainda “revolucionário”. Alguém já ouviu falar dela? Nem eu até 2010.

“Mundo Novo-MS foi a primeira cidade de porte pequeno a adotar o programa. Segundo a prefeita Dorcelina Folador, do PT, o programa foi copiado do Governo do Distrito Federal, o Bolsa-Escola, e adaptado à realidade de Mundo Novo:

“é uma cidadezinha localizada na fronteira com o Paraguai — fronteira seca […] Temos inúmeras mulheres chamadas de mães viúvas de maridos vivos, porque, na verdade, as mulheres da nossa fronteira residem no Brasil enquanto seus maridos e os filhos que já atingiram a idade de sete ou oito anos vão para o Paraguai em busca de emprego e de uma renda familiar melhor. Instituímos a bolsa-escola em Mundo Novo pensando nos meninos de rua e nessas crianças “brasiguaias”, os filhos de nossas mulheres que vivem num país vizinho, separados de suas mães, de suas famílias, de nossa Nação (FOLADOR citada em CONFERÊNCIA, 1998: 80).”

Como a prefeita não tinha maioria na Câmara, em vez de oficializar o programa de bolsa-escola ou renda mínima, em 1997 incluiu no Orçamento Geral do Município um item denominado “recursos para ajuda a estudantes”. As famílias que tinham todos os seus filhos de 7 a 14 anos na escola recebiam R$ 84 por mês. As crianças que estavam no programa ficavam meio período na sala de aula, e meio período em aulas de marcenaria, informática, trabalhos artesanais, música, dança, coral e uma banda.” Fonte: aqui.

Está história foi me contada pela primeira vez, quando começamos a pagar a Renda Básica em Quatinga Velho.

Não. Não foi uma ameça velada, mas um aviso (quero crer sincero) que há muito mais esgoto passando debaixo da ponte do que aqueles que não estão atolados nele podem imaginar. Porém no ativismo social e político fazemos coisas com tamanha inocência que mal sabemos com quem estamos mexendo ou quem são os verdadeiros inimigos. Mas precisamos estar cientes do que eles são capazes de fazer. Porque mesmo sendo absolutamente honestos, ninguém é, nem quer virar santo, ou pior mártir de porra nenhuma, só quer um mundo melhor.

É por isso que não podemos deixar ninguém mesmo por quem não botamos a mão no fogo, passar por qualquer tipo de intimidação contra o seu trabalho, desde as mais leves até as mais pesadas, que não deixaram de acontecer, não enquanto protegidos pela impunidade disfarçada de imunidade de leis que eles escrevem e apagam, cumprem e descumprem a seu bel prazer.

Tenho certeza que não só eu mas muita gente já disse o que pensa de Sarney, Renan e Cia.

E agora?

Pois bem, agora que quem tomou coragem para bater de frente com eles começa a ser pressionado não podemos nos calar nem olhar para o outro lado.

Como eu disse não boto a mão no fogo pelo Janot, Moro, Lava-Jato. Eles podem até não ser nenhum japonês da Federal, mas também não são nenhum coitadinho ou moleques para não saber com quem estão se metendo. Também não sei qual são ambições pessoais, profissionais ou políticos e não me interessa, porque o que eu estou dizendo que eles não podem ficar sozinhos:

Primeiro, porque sendo egoísta, se eles rodarem os próximos somos nós, a começar por gente que não tem medo de falar o que pensa. Depois, porque sendo honesto: quem fala o que pensa, ainda não pediu para que eles fossem detidos? Ademais, como posso querer movimentar um processo em favor da Renda Básica se a Justiça voltar a ser subordinada a classe política que a impede e desqualifica?

Repetindo: Por mais esclarecido que seja o desposta, não sou fã, nem chupa-saco de nenhuma autoridade fundada na força bruta. Pelo contrário temo sinceramente pelo Estado Policial. Mas agora temo ainda mais, porque estado policial na mão dessa gente é Milícia.

O Estado Policial não se consuma contra governantes e empresários notoriamente suspeitos, mas como violador legalizado dos direitos do cidadão comum e protetor corporativista das “autoridades”. Ele se qualifica sobretudo quando o ministérios dos “homens brancos e impunes” mandam apontar suas armas e atirar, cara-pálida.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-morte-de-konibu-e-o-crime-de-genocidio-de-romero-juca

Quem não tem o rabo-preso precisa mais do que nunca gritar em favor da sociedade. Ou nós apoiamos abertamente quem precisa, ou vamos pagar o preço da falta de mobilização independente.

Não espere nada dos movimentos sociais pelegos da esquerda ou já cooptados da direita nem do jornalismo e ativismo chapa-branca — não para ir além da coleta de informação e desinformação.

Impeachment do Senado e Apoio a PRG

Eu particularmente se pudesse pediria não só o impeachment em todos os senadores mas a extinção do Senado. Mas tenho soberania suficiente para realizá-la, nem tempo para abrir mais uma frente.

Porém, não. Agora não é o momento de abrirmos mais uma frente. Embora mais hora menos hora, querendo ou não, teremos que enfrentar esse antro de problemas.

Lembro-me em 2013 quando um amigo que participou e ativista da elaboração da carta em favor da Democracia Direta Digital que uma das suas demandas era a extinção do Senado. Ele tinha razão:

Evidentemente o congresso mesmo sem o senado não deixará de ser uma câmara de bandidos, nem se tornará a casa dos comuns. Mas certamente se queremos um dia ter um congresso que seja verdadeiramente uma casa onde a soberania popular e direitos humanos sejam escritos e assinados como lei. Precisaremos nos livrar dessa câmara de (land) lordes e coronéis. Tanto faz. A escolha da “patente” militar falseta só muda de origem etimológica. Porque a lei e o Estado Mafioso é deles.

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É cada vez mais urgente, precisamos declarar abertamente não só nosso repúdio a classe política, mas o apoio oficial a quem está batendo de frente com eles: no caso (ao menos por enquanto) a Procuradoria Geral da República.

Não se cale. Apoie a Procuradoria Geral da República nesta batalha.

E é isso que de certa forma já fiz neste artigo, e também na carta que segue abaixo. Diferentemente da carta aberta a OAB, esta não tem nenhuma intenção de desdobramentos. Mas mesmo sendo mais simbólica que qualquer outra coisa, é a tomada de posição pública, a qual não posso me omitir, principalmente presidindo um organização social de interesse público:

À PGR:

Como ativista social e Presidente do ReCivitas, mas sobretudo como cidadão, repudio as tentativas de desqualificar e impedir a PRG e seus membros de realizar seu trabalho. Declaro meu apoio a continuidade das investigação das ligações criminosas entre os grandes partidos políticos e seus líderes com os desvios de recursos e cargos públicos.

Marcus Brancaglione — Presidente do ReCivitas 2011–2016

Segue os contatos da PGR para se quiser também enviar sua declaração de apoio e claro se puder, torná-la pública:

Mostre aos inimigos da sociedade que não será tão fácil assim parar o espírito de um novo tempo. E se tiver algum credo, não tenha vergonha de fazer como os Yanomamis, reze para que a nossa terra seja definitivamente liberta e exorcizada daqueles que encarnam nossos piores medos, vícios e demônios.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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