O “Fim da Historia”, e o começo de uma nova era. Mas qual?

Das estagnações que matam e dividem os ciclos. E das re-evoluções que re-nascem os tempos

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No fim do século passado o historiador Fukuoyama declarava após a queda do muro de Berlim que a historia havia acabado com a vitória retumbante da democracia liberal ocidental sobre todas as formas religião, o socialismo e o fascismo. Claro que não. A afirmação lembra a do físico e Lord Kevin e presidente da no Royal Society Britânica em palestra para a British Association for the Advancement of Science no do século XIX (1900):

“Agora, não há mais nada novo para ser descoberto pela Física. Tudo o que nos resta são medições cada vez mais precisas.”

O século XX viria a ser marcado já nas primeiras décadas por duas das teorias mais revolucionárias não só da Ciência, mas do conhecimento humano: A Teoria da Relatividade de Einstein e uma série de trabalhos de diferentes físicos ( Heisenberg, Planck, Broglie, Bohr, Schrödinger, Born, Neumann, Dirac, Pauli, o próprio Einstein e tantos outros), cujo conjunto ficaria conhecido como Mecânica Quântica. Descobertas com implicações monumentais sobre o estudo da Cosmologia e das partículas elementares do Universo. Mas não só sobre elas, mas ainda em curso sobre o senso comum da origem destino e essência de todas as coisas, não apenas materiais, mas imateriais, tais como o tempo, espaço, o invisível, o imprevisível e até mesmo o (até então) impossível e as forças elementares que afetam ou até mesmo constituem. E tais avanços não mudaram apenas o modo de ver ou pensar ou mundo, mas consequentemente a forma e as cosias que fabricamos para o bem ou para o mal. Da bomba atômica ao computador, nada disso existiria sem essas teorias que dividiram a história da ciência.

Logo tanto o historiador quanto o físico, além de ignorar a natureza das próprias coisas ignoram por consequência a natureza do conhecimento das coisas. Mas ao contrário do físico, que desconsiderou o possível caráter revolucionário das soluções que viriam a ser futuramente formuladas para as questões que ainda permaneciam sem resposta, o historiador, ignorou o impacto das soluções mal resolvidas aos problemas jamais completamente superados da humanidade, e ainda presentes o nacionalismo, o fundamentalismo, o racismo, a pobreza… Seu erro não estava apenas no superestimaram suas respostas, mas subestimaram as questões não ou mal resolvidas e o impacto das respostas que seriam dadas a elas nos séculos seguintes.

Tanto o físico quanto o historiador acreditavam que ao proclamar o “fim da história” dos seus campos de estudos estariam decretando o inicio do período de eternidade do que estava dado então como realidade. Eles erraram feio no que queriam enunciar: a vida eterna daquela Era, mas ao contrário do que esperavam acertam em cheio no que não desejam: marcaram com notável precisão a morte daquele Era. De fato, foi o fim da história, Lord Kelvin e Prof. Dr. Fukowama dataram o momento claro do esgotamento do fim de uma cosmovisão, o primeiro da ciência, o segundo da humanidade. O da história “deles”. Cada um percebeu o fim de um determinado período da história de um determinado campo de estudo, e constituirão um bom marco referencial do que iria ser o começo do fim desses períodos. Na ciência do século XX o inicio da crise entre o paradigma da física clássica frente a física moderna. E já na historia, entre a democracia liberais nacionais do século XX, e… qual???

Eis a grande questão do nosso tempo. Ao menos em história ou melhor em política, que é praticamente a história sendo escrita, ou mais precisamente ainda- colocando os fatores na ordem correta da geração de causas e consequência, é na verdade a história a política registrada.

Assim, sou tentado a preencher a lacuna, a responder a essa questão com as palavras democracias econômicas, repúblicas libertárias, arriscando tanto termos que possam a vir nominar sistemas quanto nos sistemas socieconômicos que poderão a se tornar os novos paradigmas do futuro em curso. Mas, o fato é que não importa meu entusiamos por essas novas teorias libertárias democráticas, elas são apenas algumas entre tantas possibilidades concorrentes. E possibilidade que não significam necessariamente uma evolução em relação ao antigo paradigma já em decadência.

Ao contrário de Thomas Kuhn não acredito que um paradigma decadente só é substituído quando surge um novo e este novo represente suficiente ganho de custo-beneficio em relação ao antigo, ao menos para as novas gerações não tão comprometidas em todos os sentidos e planos com o velho. O velho paradigma sobretudo o político não entra em decadência porque surge novas teorias, ele entra em decadência porque é incapaz de lidar com as próprias transformações culturais e tecnológicas que as sua cosmovisão contribui para criar. Ele é engolido não por paradigmas ou visões de mundo concorrentes, ma rigorosamente pelo próprio mundo que ele ajudou a gerar como transformação!!! Outro paradigma na verdade, por mais contraditório que seja aos seus pressupostos, salva o seu legado enquanto “evolução”.

Na história da humanidade temos um período que é chamado impropriamente de período das trevas ou período medieval, pelos partidários tanto do período clássico quanto seu renascimento (das luzes, do conhecimento). E que juízos de valores fora, representa notadamente uma ruptura dos valores que definem o que seria tais evolução e revolução, constituindo notadamente um ruptura muito mais drástica e profunda do que qualquer reforma ou revolução poderia provocar.

Esses 3 grandes períodos que dividem a história da humanidade (ocidental), representam um conjunto completamente distinto não necessariamente de conhecimento mas de valores, de sentidos para coisas e conhecimentos, em todos os planos político, econômico, cultural.

Existe uma certo predeterminismo hoje um certo doutrina predestinatória racionalizada em termos mais contemporâneos que já utilizam conceitos extremamentes atuis de auto-organização e redes e ecologia, que acreditam e pregam que as soluções irão emergir naturalmente do “sistema”. Evidentemente que alguma ordem irá emergir consequentemente desse caldo pré-existente não importa o quão caótica parece ser a sua complexidade de visão e forças e vontades concorrentes e difusas. Mas esperar passivamente que dela surja o melhor dos mundos, ou o mundo que queremos é uma nova versão da cosmovisão “god’s will", que tende a produz a hegemonia de tal vontade, ou melhor a pavimentação do caminho para seu retorno.

Entre a vontade de conhecer o futuro e mudar o mundo, há duas forças contraditórias o predeterminismo e a autodeterminação que estão em permanente batalha não apenas para contar a história da humanidade, mas para escrevê-la ainda que finjam que são meros personagens não um entre tanto dos seus co-autores.

Vivemos um momento de crise onde a persistência em manter um sistema decante e podre para além do são e tolerável, tem nos feito perder momentos históricos estratégicos e preciosos para inciar as fundações necessárias do novo. Essas oportunidades são como portais para o futuro e não vão ficar se abrindo eternamente porque o tempo não é linear. E em alguma momento tais futuros possíveis não estão mais disponíveis como alternativa. Vai inclusive chegar um momento que a ditadura desse mundo como o único mundo possível já decante vai se decompor completamente não apenas como previsão de futuro, mas como imposição de ordem presente. E neste instante, se não houver outro paradigma ao menos com suas fundações estabelecidas o que veremos acontecer será algo semelhante ao que vimos no período medieval.

Do ponto de vista de muitas liberdades e conhecimentos um profundo retrocesso, mas necessário para o surgimento de novos valores e ideias, embora não absolutamente já que podemos evitar perdas desnecessárias evitando uma decadência tão destrutiva que gere um período tão prolongado de transformações 1000 anos, que poderiam ter passado com muito mais brevidade e sem perdas se essa evolução fosse dada em saltos revolucionários e não nos passos graduais de um momento que em verdade não se pensa como o o pressupor do instante seguinte, mas como a totalidade da eternidade, ou o que é a mesma coisa o fim da humanidade.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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