O fator D: O denominador comum do Mal

Mas pode chamar de Estatopatia mesmo, ou se preferir o nome clássico: Tirania.

Há mais de 100 anos, Charles Spearman disse que a inteligência é composta pelo chamado fator G. (…)

Um século depois, especialistas dizem que essa mesma tendência também pode ser usada para explicar a “malevolência” ou o “lado obscuro” das pessoas. E também lhe deram um nome. Trata-se do “fator D”.

Uma nova pesquisa conduzida por uma equipe de psicólogos da Alemanha e da Dinamarca sugere que características como egoísmo, rancor e sadismo tem um mesmo denominador comum.

Ainda que nos pareça mais normal que uma pessoa seja egoísta e não psicopata, o certo é que o estudo demonstra que todos os aspectos obscuros da personalidade humana estão relacionados e se baseiam numa mesma tendência. (…)

O fator D é “a tendência geral a maximizar a utilidade individual sem levar em conta ou provocar de forma mal-intencionada a falta de utilidade para os outros, isso tudo acompanhado de crenças que servem como justificativas”, diz o relatório.

Dito de outro modo, o fator D é o hábito de colocar nossos próprios objetivos e interesses na frente dos de outras pessoas, sentindo até prazer pelo fato de fazer mal aos outros.

Essa tendência costuma vir acompanhada de desculpas ou justificativas que servem para evitar sentimentos de culpa ou vergonha. (…)

A pesquisa demonstra que os traços obscuros em geral podem ser compreendidos como exemplos de um núcleo comum, ainda que aspectos diferentes possam predominar. Por exemplo, o aspecto das justificativas é muito forte no narcisista, enquanto que o aspecto da falta de utilidade provocada maldosamente é a característica principal do sádico.

Segundo os especialistas, sua pesquisa demonstra como o fator D estão¡ presente em nove traços obscuros de personalidade mais estudados:

Egoísmo: preocupação excessiva com as próprias vantagens ás custa das dos outros.

Maquiavelismo: atitude manipuladora e insensível e a crença de que os fins justificam os meios.

Desconexão moral: estilo de processamento cognitivo que permite que as pessoas se comportem sem ética sem sentir angústia.

Narcisismo: excessivo ensimesmamento e uma sensação de superioridade e extrema necessidade de receber atenção dos demais.

Direito psicológico: crença recorrente de que é melhor que os outros e merece um tratamento melhor.

Psicopatia: falta de empatia e autocontrole, combinadas com um comportamento impulsivo.

Sadismo: desejo de causar dano mental ou físico a outra pessoa para seu próprio prazer ou para se beneficiar.

Interesse próprio: desejo de promover e ressaltar seu próprio status social e financeiro.

Rancor: disposição para causar danos ou destruir outras pessoas, mesmo se machucar a si mesmo no processo. -O que é o fator D, que define egoísmo, rancor, psicopatia e outros traços obscuros da personalidade

Não sei se o leitor atento percebeu, mas basicamente os ‘traços obscuros de personalidade” que compõe o denominador comum da “malevolência”, o dito fator D, são quando somadas todas numa única persona, são as características que constituem a personalidade arquetípica dos ditadores, déspotas e tiranos. Personalidade por vezes, encarnada no corpo de pessoas reais de alguns dos mais conhecidos monstros da historia, reis, imperadores, conquistadores, governantes e estadistas, responsáveis pelos maiores crimes contra a humanidade.

Traços de personalidade que compõe para muitos o perfil do líder, tão elogiados e buscados para os mais altos cargos de chefia e governança. Traços de personalidade que estão presente na esmagadora maioria dos líderes das classes governantes em geral, políticas, empresariais, e religiosas, e maximizados nas personas dos regimes mais autoritárias, absolutistas, despóticos e totalitárias.

Assim se você não tiver nenhum deles, então esqueça, você jamais terá o perfil para ocupar nem mesmo os baixos cargos de liderança nem tão pouco os mais altos cargos dentro das classes governantes e culturas corporativas hierárquicas. Lado bom, da história você jamais será um estatopata, corrupto ou genocida. Lado ruim, num mundo que ainda acha normal segui-los e obedecer seus mandos e desmandos, ou pior até mesmo reverenciá-los e idolatrá-los, você corre sempre será uma das suas vítimas potencial. E considerando o poder que insanamente concedemos temos por habito e costume conceder aos gênios do perfil D, as vítimas continuarão não só a ser exterminadas em série, mas em massa.

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(…)Não era só a mentalidade de um individuo considerado normal que poderia apresentar os chamados “traços” de psicopatia e psicopatia, mas a mentalidade coletiva formada pela sociedade enquanto uma rede de pisque conectas e interação. Uma interação que não se restringia a relação pessoa a pessoa, mas da pessoal com a totalidade dessa mentalidade coletividade através de cada relação pessoal.

Isto implica que a sociedade, ou mais precisamente a mentalidade de uma população não é um campo monolítico, mas um processo simbiótico onde os traços psicopáticos e os psicóticos formavam esse fenômeno manifesto na nossa inconsciência coletiva, que quando interpretado substantivamente como se fosse uma entidade, tomava a a forma desse simbionte psíquico, essa egrégora teratológica que parece ter vontade e comportamento próprio, a inconsciência coletiva. Um simbionte parasitário onde o comportamento psicopático, o comportamento amputado de empatia enseja as traumas que produzem as psicoses que alimentam seu impulsos eróticos e tanáticos dentro do seio da própria sociedade, reproduzindo-se como mentalidade cultura e sociedade doente-doentia de geração a geração. Ou a grosso modo a história da civilização de como pessoas que um dia foram crianças cheias de potencial humano se tornaram o espelho daquilo que matou a sua potencia da sua humanidade.

A história da humanidade de como adultos que um dia foram crianças foram amputados se suas sensibilidade empática e instinto gregários, para se tornarem os escravos de suas psicopatias e psicoses e na busca por satisfazer suas manias matam a humanidade da sua própria prole para reproduzem a imagem e semelhança dos homens e mulheres desumanizados que se tornaram, já incapazes de se surpreender com seu feito: como da matéria senão pura e inocente, livre e repleta das infinitas possibilidades que forma uma nova vida encarnada numa criança, nós criamos esse singular forma de viver, e conviver que não raro há quem prefira a solidão companhia de outros animais para estimar do seus confiar essa estima a seus semelhantes. Passando ainda que não tenhamos consciência disto tanto a odiar a si mesmo como ser humano, quanto o outro como se não fosse, o ser humano que não encontramos nem no espelho do que somos nem do que o outro.

Fico imaginando o dia em que essa mentalidade enfim triunfar de vez, e a tecnologia dessa civilização encontrar não só energia inesgotáveis, mas conseguir satisfazer seu desejo egótico de existência infinita no tempo e espaço descobrindo a “cura” para morte. O dia que esse ser humano completamente envelhecido e desnaturado na alma não sentir nem mais a necessidade egoísta de se reproduzir meramente para perpetuar seu legado, a extensão da projeção imagética materialista de si mesmo. Um mundo onde a o nascimento de crianças se tornará enfim a máximo dos meros caprichos de egos, ou ordem de superegos naturais ou artificiais sem fim. A morte da humanidade de fato como um sono eterno, do qual não teríamos mas nenhuma esperança de despertar, não mais por nossa própria força de vontade como consciência.

KOYAANISQATSI no fundo não passa disso, uma investigação crítica a cerca de como sair dessa problema que já não era simplesmente um problema de trabalho, mas pessoal na medida que essa cultura hegemônica não só despreza o que não entende, ou lhe é estranho, mas faz um ultimato totalitário: submeta-se a ao que lhe foi predestinados, os nós devoraremos você. (…) -Der Ubermensch: Supersapiens? Não, superegos mesmos.

(…) Governar as vontades dos outros permite a um tirano governar o mundo. Mas de que isso serve se a mente tirana que governa o mundo é a mera escrava de suas vontades? Controlar os meios vitais e ambientais permite impor domínios e vontades através de carestias e carências, permite manter o controle sobre os meios vitais e ambientais e até a mesmo influenciar nossa própria vontade, A manipulação das vontades pelas necessidades garante o domínio sobre as condições de vida alheia; que por sua vez é a fonte de poder como privação da liberdade do outro, tanto como restrição das suas possibilidades de escolha e concepções de possibilidades, quanto do condicionamento do mundo como realidade ou ilusão. Um poder que manipula e condiciona a mentalidade do submetido e sua vontade. Mas também inerente e inevitavelmente a mentalidade de quem o controla, tornando não o poder da sua vontade mas o poder que também constitui suas vontade.

E não importa o quanto essa arquitetura do mundo o favoreça, privilegie, ele ainda sim é dependente dela, e não raro mais dependente e carente dela não como fator para satisfação dos seus desejos, mas como fator constituinte das suas própria vontade, muito mais que os seres que submetidos a seus caprichos. Principalmente aqueles que ainda guardam dentro de si, mesmo como potencia irrealizada essa noção de liberdade como vontade que não se faz pela satisfação dos desejos seus ou alheios, mas pela realização do sua vontade de ser independente das adversidades ou facilidades.

Porque embora absolutamente privilegia pelas condições de vida que ele impõe como senhor e tirano, ainda sim também está submetido e é prisioneiro não só de tais condições, mas dos seus vontade reduzida a necessidades e desejos completamente destituída de força ou até mesmo de senso de um vir a ser além de uma barriga ou falo que pensa, mas não existe; sobrevive e se reproduz quando não pode mais crescer nem desaparecer. Pouco importa se foi ele que outrora estabeleceu como tirano ou inconsequente tais padrões. De todas as pessoas do mundo, ele que tem todo o poder para impor seus desejos e vontades aos demais é por conta dessa mesma condição o pessoa no mundo com menos poder e liberdade e capacidade para se livrar dela. Das vontades que sequer forma concebidas como potência, ou que permanecem impotentes, é o senhor o maior dependente e viciado nas manias, hábitos, rituais, desejos e compulsões que só a relação de poder e anulação das liberdades pode satisfazer. Dos habitantes dessa prisão ele é que menos tem poder para escapar dela, porque é o mais satisfeito e aleijado em sua conformidade mórbida.

O mecanismo de prazer do poder é similar ao da droga, não é de se espantar portanto que ele vicie e degenere como tal. Embora não seja produto de fórmulas e manipulação de substancias químicas naturais ou artificiais, ele também acaba por alterar a percepção e sensibilidade da realidade pela manipulação da própria natureza realidade e consequente alteração da sensibilidade e percepção. O problema de se manipular a sensibilidade e percepção é que depois de um certo tempo não é só a noção da realidade que se perde, mas a capacidade de sentir e se adaptar ou mesmo produzir novas e diferentes visões de realidade e padrões de comportamentos diante dos fenômenos que variam, e nem sempre em função das satisfação das vontades e desejos. E se tudo que temos é a força de vontade, para nadar contra a correnteza quando essa não está a nosso favor. Não é dos braços que se acostumaram a serem carregados, mas dos capazes de carregar que dependem o nascimento da consciência.

O tirano que brinca com a vida e vontade sofrimento e humanidade alheia, brinca ao mesmo tempo com a sua própria vida, vontade humanidade enquanto capacidade de entender e sentir. Flerta com tanto com a psicopatia e todas manias e compulsões que acompanham tal patologia, quanto com a imbecilização enquanto perda da sua inteligencia e discernimento do sentir, pensar e agir por falta de reações empáticas que realimentem sua compreensão. A relação de poder produz idiotas autoritários por uma razão simples, ela atrofia não só a capacidade de inteligir, mas o força que produz a intelecção, reduz a força de vontade a mero desejo completamente condicionado a própria presença das condições e sua satisfação.

Não é só um vicio é um ciclo vicioso, onde a perda da empatia diminui as habilidades cognitivas e volitivas correlativas, diminuindo a capacidade de lidar com adversidade e aumentando a propensão a tentar reduzi-la e controla-la como mera manifestação do desejo e brutalidade cada vez mais frequente e compulsivo. De modo que numa posição ou relação de poder quem não é um piscopata se torna. E quem não é um idiota fica. Ainda bem pois se assim não fosse, teríamos o patologia da tirania maquiavélica, o estatopata perfeito. O príncipe capaz de alterar de modificar suas volições e logo seu comportamento de acordo com as circunstancias.

Se até mesmo a ausência de respostas empáticas não produzisse efeitos na psique e cognição dessas pessoas, isto é, na própria capacidade de ler e interpretar os sentimentos e volições alheias, bem como controlar seus próprios impulsos destituídos de empatia, se a sua forma de ser a agir não impactasse na sua vontade e comportamento não teríamos propriamente mais um ser, mas um entidade uma força destituída de volição e apenas dotada de força que a constituem. Quanto mais aumenta o poder e logo a facilidade de satisfazer a sua vontade, mais essa vontade se reduz a desejos prontamente satisfeitos e que por serem prontamente satisfeitos perdem sua força enquanto necessidade de conhecer e capacidade de manipular o outro enquanto ao mesmo tempo aumentam em compulsão e mania e intolerância tanto a sua privação quanto capacidade de automotivação através de outros impulsos volitivos diversos.

A mente do senhor é tão prisioneira dos ritos, cultos, costumes e hábitos que do escravo. Porém como a impotência e dependência se desenvolvem depende não só como tais condições são dadas ou impostas mas como são tomadas e recebidas. Assim, quanto maior é a resistência da vontade em relação as condições, mais essa se fortalece se não arrebentarem. Ao contrário daquele que aquele que tem tudo o que precisa para satisfazer seus prazeres sem precisar fazer a menor força ou esforço de vontade, não só tem sua força de vontade enfraquecida, mas essa vontade como impulso e desejo e ansiedade aumentado em relação a todos outros impulsos que carecem de estimulo, elaboração e respostas. Há portanto um ponto de equilíbrio, onde a completa ausência de possibilidades gera a completamento desamparo e impotência do submetido que uma vez quebrado, não a recupera sua vontade nem mesmo quando as condições basilares aos seu desenvolvimento são reintroduzidas, da mesma forma que a completa ausência de exercício da vontade como força, degenerada pelo querer como poder também mata a capacidade desse desenvolvimento até mesmo quando a necessidade se impõe. É como a conquista de uma montanha, não adianta chegar nela carregado, ou empurrado, é preciso fazê-lo com as próprias pernas, porque o objetivo não da conquista não é conquistar o cume, mas a si mesmo pelo exercício da força de vontade. O ponto de pico muito vezes se atinge sem sequer conquistar o ápice, e impossível atingi-la com uma alma sedentária, que não faz do seu viver uma constante peregrinação rumo a descoberta e revelação do que para ela é o novo.

Porém, o poder, como muitas drogas como um viciado o poder acaba por degenerar a mente dos poderosos, e não raro quanto mais aumenta seu poder, mais e mais eles agem das formas mais estupidas e brutais e cada vez mais inconsequentes não só em relação ao outro que nunca foi a maior preocupação, ou era nenhuma, mas em relação a si mesmos. E também por isso aqueles que detém o poder jamais se contentam com o que possuem, mas sim com o prazer da permanente caça e conquista.

Na verdade não importa as posições, senhores ou escravos, como papel fixo ou que estejamos a desempenhar em diferentes momentos ou relações, quanto mais conformados e habituados menor é o papel da força da vontade seja na consecução da tarefa, seja na tentativa de evitá-la, e se o esforço o vazio da falta de desafio e sentido é maior. De modo que quanto mais fácil se realiza a satisfação mais se aumenta o desejo de realiza como consumo, e mais de diminui a capacidade de consumá-la sem dependência de como ela se dá seja através do poder como querer ou rendição a esse querer como submissão a ele. Se a replicação dessa condições são feitas como o senhor ou escravo da relação, o fato é que nem um nem tem mais a capacidade necessária para controlar sair de tal situação, querendo ou não. A vítima por que está submetida e impotente frente ao poder do tirano psicopata, e o tirano psicopata porque não é cada vez mais incapaz de controlar o desejo de satisfazer suas manias. Mesmo ambos sabendo um o mal que sofre e o outro o mal que causa. E podemos incluir nessa relação qualquer terceiro que mesmo assistindo não se solidariza, especialmente quando tem meios para por um fim a essa violação e nada faz não porque também não saiba, não tenha consciência do que está a acontecer como saber, mas porque também não tem nenhuma consciência como ligação empática e vontade suficiente de agir. (…) -KOYAANISQATSI: A Idade da Consciência

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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