O Debate sobre as “(In)Diretas Já” me dá ânsia de vômito

Da falsidade ideológica a insanidade intelectual

Ver os pretos-da-casa defendendo que o ápice da sua liberdade e cidadania é escolher o seu sinhozinho, o seu bandido favorito já é deprimente. Mas aguentar os pretos-da-outra-casa a defender que nem isso é direito desses escravos políticos, que eles tem que se calar e obedecer os jagunços que essas Oligarquias Mafiosas e Escravagistas enfiaram nos palácios com seus mandatos políticos, isso é repugnante demais.

Ver as pessoas precisarem implorar por aquilo que é um direito natural, já perversamente reduzido a mera escolher do canalha favorito ou o mal menor já é um dos espetáculos mais tristes, absurdos e revoltantes dessa terra. Mas assistir esses senhores de escravos e seus pretos-da-casa com toda a sua arrogância e soberba, exigir que esse povo roubado e explorado se submeta a vontade deles e e obedeça aos seus bandidos e vassalos no poder, é mais do que revoltante, é mais do que humilhante é absolutamente nauseante.

Como essa oligarquia criminosa e seus jagunços e cangaceiros conhecidos como a “classe política” tem o desplante de continuar renegando a soberania do povo isso não me surpreende. Mas ainda me surpreende e quero morrer perplexo como uma pessoa que nasce para ser livre e senhora do sua vida e destino aceita se submeter a isso. Quero morrer e revoltado como seres dotados de razão, consciência, e livre vontade ainda aceitam como cães amestrados a quem se impõe como seus mestres.

Como em plena era da informação as pessoas ainda aceitam a redução e até mesmo anulação do seu poder de decisão, que em verdade não é poder mas uma liberdade fundamental? Como pessoas que se dizem livres, emancipadas e adultas aceitam que o questionamento de seus direitos civis mais fundamentais? E não, não estou falando de votar de quando em quando para ver qual será o usurpador a decidir nosso futuro, mas votar sempre, decidir sempre que decidirmos que julgarmos necessário juntos sobre NOSSO futuro.

Já é de uma alienação e idiota injustificável aceitar passivamente a que o direito de participação seja reduzido ao mera escolha de governantes e legisladores que por sua vez escolhem nossos juízes, vigilantes, ou melhor o deles. Já é patético acreditar que ser obrigado a renunciar e delegar periodicamente nossa soberania a um tirano e usurpador é democracia ou pior o ápice do progressismo civilizatório. Agora defender que nem isso, nem o direito de escolher quando e por quer o idiota voluntário vai ser violado, impor descaradamente a servidão é arrancar a mascara e declarar novamente guerra contra o povo e sua soberania, em nome daquela ditadura que nunca termina apenas troca de maquiagem e roupagem.

Talvez seja o que melhor possa acontecer para o povo acordar de vez e perceber que isso é não é uma democracia, mas uma aristocracia, onde posses e poderes, e dividas e obrigações, inclusive como trabalho alienado e forçado são transmitidos como privilégios e sinas hereditárias. Desperte e veja que aquilo convencionamos chamam de república é um império, que aquilo a que eles chamam de democracia é uma aristocracia; aquilo a que chamamos de cidadania é servidão tutelada e aquilo que chamamos de civilização é barbárie mais bruta e primitiva meramente bem vestida, diplomada e ilustrada. Desperte e se levante contra escravidão assalariada travestida de trabalho livre. Contra a doutrinação e adestramento travestida como educação. E contra alienação e culto ideológica travestido de fé e liberdade de consciência.

Ter que pregar o naturalmente óbvio, ter que defender sobre direitos fundamentais, ter que debater sobre o que não pode ser sequer objeto de questionamento já é uma derrota, ou o sinal que há muito tempo a liberdade já foi derrotada e suprimida.

O simples fato de se questionar se uma pessoa tem ou não direito a vida. Se ela é ou não livre e emancipada; se ela é ou não igual ou capaz de ter plenos direitos de decisão já uma violação. Liberdades e direitos naturais são objetos de questionamento meramente hipotético e filosófico, questionar com seriedade se um povo, uma raça, uma classe ou uma pessoa por conta da sua identidade, autoridade, sexualidade, formação ou credo tem ou não condições ou direito de fato de exercer seus direitos já é por si só não uma ofensa, mas uma ameaça declarada a liberdade e a forma de vida dessa pessoa.

O debate sobre as diretas ou indiretas já é portanto uma falácia que nada mais faz do que revelar o nosso grau de alienação e dominação idiocrática.

Por definição soberania é o poder absoluto de decidir sobre o que absolutamente lhe pertence. É o poder de um proprietário sobre sua propriedade. De uma pessoa sobre seu corpo, pensamento e palavra e identidade. É o poder de rei sobre seu reino. É o poder de quem a ultima palavra sobre o que lhe pertence.

O que está se questionando portanto é a soberania do povo. Ou mais especificamente se demostrando que a soberania do povo inscrita como causa pétrea constitucional é nada menos do que uma farsa.

Questionar o direito ao voto, o tempo, a circunstância, em que ele pode ser exercido, ou as capacidades e condições em que o povo pode exercer esse direito é numa democracia é a mesma coisa que questionar numa monarquia quando como rei pode deve exercer seu poder soberano. Não, na verdade é pior do que isso. Porque um monocrata público é por definição um ladrão de direitos propriedades e liberdades individuais alheios. É uma violação muito pior. É como num verdadeiro estado de direito (se houvesse um) colocar sobre questionamento se os cidadãos como pessoas livres tem o direitos de decidir o que vão fazer da sua vida, ou se pelo contrário eles não são obrigados a obedecer e dar o rabo para qualquer tirano que monopolizando a violência mande e vigiar o rabo dos outros e dizer como, quando, como e para quem os violados tem que dar o que só a eles pertence. E mais: quem decidi sobre o que não poderia sequer questionado é congresso dos usurpadores e violadores!!!

Quando se fala em direito ao voto do povo numa democracia, está se falando do direito de deliberação do soberano sobre sua nação. Voto é a deliberação do soberano quando a soberania é não é monocrático mas democrática. E não a democracia oligárquica de poucos que se acham reis e aristocratas, mas a democracia onde todo cidadão capaz em regime de soberania igualmente compartilhada sem discriminação de nenhuma espécie deliberam. A prevalência da decisão da maioria simples, absoluta ou a necessidade até mesmo do consenso absoluto, são objeto da deliberação dessa assembleia soberana e o respeito a tais convenção ou decisão das maiorias não é uma obrigação que um ou mais soberano pode impor ao outro, mas a resultante da concordância da minoria vencida mesmo que ela seja de um não viola seus direitos naturais e que é do seu interesse soberano manter-se mesmo contrariado dentro dessa sociedade.

De fato nenhum soberano sozinho ou em união tem o direito de impor sua vontade a outro soberano, e todo soberano não tem direito só de se lutar por sua soberania e independência, mas de unir-se a outros soberanos para defender mutuamente seus direitos soberanos hereditários, tanto sobre o que é de posse exclusiva e particular de cada um deles, seus direitos individuais, quanto o que é de posse igual de todos eles: seus direitos comuns. Se essa posse comum hereditária pode ser divida é possível então varias nações soberanas dividam um mesma habitat em vários territórios avizinhados. Se não é possível dividir esse bem comum resta duas opções: a guerra e pax, ou a legitima defesa e a paz.

Ou se adere a guerra para dominar violenta e absolutamente esse bem comum e chama essa dominação de pax. Ou se a defesa contra toda dominação violenta e absoluta para se livrar e voltar a compartilhar em paz e igualde democrática de direitos o que é bem comum a todos.

Questionar ou exigir a obediência de um idiota alienado que aceite ou reclame para se submetido é tirar vantagem e violar um coitado imbecilizado para reduzi-lo por servo e escravo e exercer uma tirania criminosa sobre ele. Mas impor essa tirania pela força de fato contra a pessoa que não quer nem aceita ser submetida isso não é violação de um idiota que não se reconhece como homem livre, mas uma verdadeira declaração de guerra contra um homem livre, uma declaração de guerra contra a liberdade e emancipação da pessoa enquanto indivíduo igual em direitos, e de guerra contra a soberania e autodeterminação de todos um povo enquanto enquanto cidadãos livres de uma nação soberana.

Há muita confusão proposital a cerca da democracia. Não se sabe diferenciar o que Estado e Sociedade. Nem o que pertence a um e não ao outro. Confunde-se partidos, políticos como partes integrantes da sociedade ou de até mesmo de classe quando eles não pertencem a sociedade, mas por definição e função são representações ilegítimas ou não, das partes da sociedade. E portanto quando as representações políticas de classe se tornam em si uma classe políticas não temos mais uma democracia representativa, mas rigorosamente uma oligarquia dos representantes e uma ditadura das representações onde quem comanda e dirige esses atores políticos governa de fato como rei ou reis de fato da farsa democrática tomando para si como propriedade particular o patrimônio do que era (ou era para ser) uma republica.

Sim reis não é uma analogia. Há tanta gente no Brasil que se acha como rei, se comporta como rei, e vive com a riqueza e impunidade dos maiores tiranos porque de fato eles são monarcas, a aristocracia que reina de fato ainda que vassala de outros impérios do ainda provinciano e colonial Brasil.

Leia as classificações de regimes que te ensinam nas escolas, com bastante reservas, elas foram escritas por filósofos chupa-saco de reis, estados e governantes, os preto-da-casa de outras eras. Quando não sob a caneta ou a mando do próprio tirano. Temer, o criminoso, por exemplo não é nenhum filósofo político, mas é referencia bibliográfica como jurista e constitucionalista. E FHC, o neoliberal, foi um dia um sociólogo marxista. (Vale a pena ler a entrevista de Florestan a Folha reproduzida no blog abaixo):

Uma monarquia é a ditadura de um homem só. Se “absolutista” esse poder tirano é exercido sobre tudo e todos sem limites ou restrições, se “constitucional” esse poder fica restrito “somente” ao bem comum e a coisa e patrimônio público reduzidos a reino e tesouro real enquanto os direitos individuais e civis são garantidos a seus titulares, sendo que quanto mais delimitada é a interferência do governante sobre a vida privada, e mais restrito seus poderes sobre o bem público mais liberal é esse constituição e menos totalitário é esse governo.

Uma oligarquia é a ditadura de poucos sobre muitos enquanto a poliarquia é ditadura de muitos sobre poucos, e não deveria ser confundida democracia que é o governo de todos ou do povo. Como na monarquia ambas podem regidas por constituições mais liberais ou totalitárias. Ou até na mais absoluta tirania sem nenhuma constituição. Ou ainda com farsas constitucionais, que na prática resultam em direitos de papel e na ditadura da vontade absoluta de quem detém o poder fato. Porém a diferença não é apenas no número de iguais soberanos ditadores sobre os demais, mas também no modo que esses ditadores compartilham sua soberania, dividem suas posses e poderes e negociam as decisões que serão tomados sobre o que pertence a todos e a controlado por eles. Não necessariamente entre esse iguais se estabelece a decisões baseadas na prevalência da vontade da maioria ou divisão igual de poderes e autoridades. Pelo contrário, em geral a ordem é piramidal e hierárquica onde os superiores em autoridade tem maiores posses e poderes ou mais direitos e menos deveres, enquanto os subordinados tem mais deveres que direitos.

Poder-se ia considerar o cidadão comum, como o membro de menor escalão dessa hierarquia, mas isso é um erro. Porque ele não pertence hierarquia que forma a pirâmide estatal, mas sim de fato a sociedade que a sustenta. O cidadão não é o menor titulação de poder dentre os poderes e poderosos. Ele não é o sujeito dessas relações mas o objeto. É a pessoa da qual se destitui a liberdade para estabelecer para estabelecer o poder, seja ele distribuído igual ou desigualmente entre os privilegiados em autoridade.

De todas as formas de governos ditatoriais a único portanto que pode deixar de sê-lo é a poliarquia, se constituindo como verdadeira democracia ao deixar de ser a ditadura de muito sobre poucos para ser o governo de todos. Não o governo de todos sobre todos porque essa seria a pior das ditaduras a mais perfeita ditadura comunista, onde não haveria um oligarquia burocrática a vigiar e comandar a vida alheia. Mas onde cada pessoa seria o vigilante e tutelador da vida um do outro com a completa anulação dos direitos individuais e privados. Um inconsciente coletivo perfeito, uma colmeia sem abelhas rainhas, porém onde nenhuma abelha é livre nem autônoma, mas todas servas operárias de um coletivo onde cada uma delas é rei e tirano da vida alheia uns dos outros.

Mas sim o governo de todos sobre o que é de todos. E o de cada um e ninguém mais sobre o que é somente seu. Um homem livre é o ditador, o monarca absolutista sobre si mesmo. Isso não quer dizer que ele não é inimputável. Isso quer dizer que todo soberano é por definição livre para fazer e dizer o que bem entende, mas isso não significa que os demais devam renunciar ao seus direitos de legitima defesa ou de exigir que ele responda pelas consequências dos seus atos. Existem direitos naturais, porque existem leis naturais cujas causas e consequências já se constituem como elementos de punição e dissuasão inerentes.

O equilíbrio entre soberanos não se dá pelo direito de intervenção de um sobre o que é de direito do outro, mas sim pelo seu respeito a pessoa território e propriedades uns dos outros. Direitos que exigem o respeito absoluto as relações consensuais, e as tomadas decisões de tomada acordadas sobre o que não posse exclusiva de nenhum deles. Pertençam essas posses a nenhum deles ou todos igual ou desigualmente. Seja para compartilha-las, dividi-las ou mesmo disputá-las o acordo de paz entre as partes é o que constitui tanto a sociedade quanto a propriedade estabelecida por consenso entre eles. Determine esse consenso que a propriedade seja convencionada como de todos, de quem tomar primeiro, de quem estiver usando, ou até mesmo de ninguém, de modo a ser preservada naturalmente intacta. Essa convenção é ato soberano destes iguais em autoridade e que estão submetidos tão somente ao direito e as leis naturais do qual nenhum deles pode escapar de modo que a paz e estabilidade do contrato social depende portanto da sua observância e respeito.

Se o contrato social implicar em violência privação ou prejuízo do direitos de um, alguns, muitos no ápice da estupidez de todos, nenhum soberano é escravo da suas própria ignorância nem da do alheio podendo e devendo corrigir seus atos ou demandar a correção dos seus pares com as medidas que forem necessárias para tanto, até mesmo se valendo da legitima defesa onde o diálogo e as negociações e acordos de paz não tem mais lugar.

Quando portanto de fala em democracia se fala na soberania absolutamente particular de cada cidadão sobre sua vida privada e da soberania compartilhada em absoluta igualdade sobre a vida e a coisa pública. Direitos deveres iguais enquanto liberdades individuais e poderes sobre o governo do que é público. Isso não quer dizer que esses co-soberanos não podem delegar a adminstração ou procuração sobre seus propriedades particulares ou públicas a representantes, isso quer dizer que os esses representantes e administradores continuam subordinados a TODO TEMPO a autoridade e vontade soberana do cidadão exercida em assembléia popular não apenas para elege-los, para determinar os direitos e deveres incluso dos governantes.

Em outras palavras, o contrato social não é entre aristocratas e plebe, governantes e o povo, mas entre pessoas livres e iguais em direitos e deveres soberanos. Os direitos e deveres dos representantes e administradores da dessa sociedade são os direitos e deveres iguais de todo trabalhador livre. E seus cargos e mandatos assim como as regras que regem essa Estado democrático sob o poder dos titulares sejam eles os fundadores ou os seus herdeiros. A posse e poder sobre esse bem comum pertence a todo tempo a geração presente. E se uma parcela significativa da população dela exige eleições diretas, seja para a formação de um novo governo, ou novo congresso para a formulação de novas ou outras leis, o povo deve ser imediatamente convocado para quem queira deliberar o faça.

O congresso nada mais é (ou deveria ser) a assembleia constituinte em permanente estado de deliberação em conformidade como as diretrizes estabelecidas pelo povo. A população não precisa de fato nem sequer saber o que quer, basta que como cliente ter o poder constante de sempre pedir e poder escolher o que de fato quer. Esse poder já é mais do que suficiente para estabelecer uma concorrência sadia entre quem quer prestar os serviços de governança. Afinal, aquele realmente entende da arte de servir com pessoa livre sabe que atender o pedido é simplesmente sua obrigação. Descobrir o que se quer, e saber ofertar até mesmo o que ainda nem se sabe que um dia as pessoas irão querer ou tomar como necessidades é a arte de quem sabe produzir os bens não só comerciais mas sobretudo sociais é arte da inovação daqueles que verdadeiramente produzem a dita evolução humana e o seu progresso civilizatório.

Quero então com todos esses argumentos comprovar o direito fundamental das pessoas a democracia, mesmo quando não a concebem, nem a chamam como tal?

De modo algum. Esses argumentos não comprovam nem descomprovam nada desses direitos. Esses direitos não estão submetidos a nenhum argumento que os afirme ou renegue. Esses direitos enquanto liberdades fundamentais compõe tanto a possibilidade dessas afirmações e negações quanto são os critérios que como princípios constituem a base de juízo sobre sua validade e legitimidade.

Tentar afirmar ou negar direitos naturais e liberdades fundamentais não passa jamais de um mero exercicio e convite a reflexão sobre o que é um dado factual e não propriamente uma invenção ou descoberta. Quando nos debruçamos para estudar coisas tão elementares quanto a vida e a liberdade e chegamos a conclusões que essas propriedades naturais estão subordinadas as nossos ideias e razões, não estamos enunciando nada senão a nossa insanidade e fazendo o elogia a nossa própria loucura.

Somos como matématicos tentanto provar a existência de que as pedras existem. Se chegamos a esse resultado não comprovamos nada que a percepção sadia e o senso comum não forneça sem calculo ou reflexão mesmo a quem não conhece nenhuma linguagem nem mesmo matemática. Se por outro lado chegamos ao resultado oposto, mesmo sentado sobre pedras, então não chegamos a lugar nenhum senão a um erro. E se não reconhecemos tal resultado como um erro ou a acerto como uma obviedade e passamos ao contrário a negar que as pedras não existem, ou que a comprovação da sua existência passa por esse tipo de calculo, entramos na nóia das fantasias dos fanáticos ideológicos, uma nóia que tanto pode produzir cegueira seletivas, quanto ver concretude e naturalidade nas entidades imaginários e relações mais absurdas.

Ou seja, aqueles que renegam descaradamente leis e direitos naturais tão básicos e evidentes aos demais, mesmo sabendo que sem eles para si não poderiam nem mesmo compor sua apologia a sua violência e violação ou colocá-las em prática. Esses ou são farsantes, ou já ensandeceram com a representação da sua própria farsa. Depois de tanto tempo tempo interpretando o mesmo papel chega uma hora que a pessoa esquece quem ela foi e passa de fato a ser e acreditar mesmo que ele é aquilo que representa e o seu jogo das representações o único mundo possível.

Poucas formas de alienação são mais tristes que essa, a do farsante preso e reduzido a mera fantasma da sua farsa.

“toda autoridade é degradante. Degrada aqueles que a exercem, como aqueles sobre quem é exercida. Quando usada de forma violenta, brutal e cruel, dá bom resultado, porque gera ou, de algum modo faz aflorar o espírito de revolta e o Individualismo que lhe deve dar fim. Quando usada com certa dose de amabilidade e acompanhada de prêmios e recompensas, torna-se assustadoramente desmoralizante. Os indivíduos, neste caso, têm menos consciência da horrível pressão a que estão sujeitos. Assim, atravessam a vida numa espécie rude de conforto, como animais domesticados, sem jamais se darem conta de que estão pensando pensamentos alheios, vivendo segundo padrões alheios, vestindo praticamente o que se pode chamar de roupas usadas do alheio, sem serem eles mesmos por um único momento. “Quem é livre”, diz arguto pensador, “não se conforma”. E a autoridade, ao seduzir as pessoas a se conformarem, cria e alimenta uma espécie muito grosseira de barbárie.” — Oscar Wilde, A alma do homem sob o socialismo

http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-absurdo-das-diretas-ja,70001827526

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store