O brasileiro é um coitado: tem gente ainda preocupado (de verdade) com as urnas eletrônicas…

Recentemente li uma matéria sobre uma pesquisa sobre se os brasileiros confiavam ou não nas urnas eletrônicas. Ou qualquer coisa do tipo. E a única coisa que veio a cabeça foi? como assim? O instituto que fez essa pesquisa veio da onde? De Marte?

Que porra importa se as urnas eletrônicas são ou não confiáveis, se elas já estão nas mãos dos políticos e seus juízes de estimação? Isso é como perguntar se um cofre é seguro ou não, quando o ladrão tem ele e as chaves. Eles tem medo de quem invadir nossas “urnas”? Os russos? Invadir para quê? Os “russos” dos brasileiros são seu próprio governo, e eles já não precisam invadir nada, porque já tem as chaves não só das urnas, mas de todos nossos cofres! Porque haveriam de arrombar o que já tomaram e pilharam?

Que importa as urnas ou os candidatos se os canalhas que estão no poder controlando as eleição são a mesma canalha impune até mesmo para circular decretos que alterar o próprio regime de governo a revelia da aprovação popular!!! É sério? Eles já entraram na fase de considerar livre e impunemente alterar o regime de governo, e estamos ainda preocupados com as urnas ou quem vai concorrer? Deixa eu repetir, eles estão descaradamente articulando para acabar com o presidencialismo, e se eternizar impunemente na impunidade dos palácios e estamos debatendo as urnas, os candidatos e eleições? Que urnas? Que eleições? Que candidatos? Ah, por favor.

Mané urnas… mané eleições… Mané congresso… mané supremo tribunal. O que mais eles precisam fazer para o brasileiro acordar? Gozar na sua cara dentro do ônibus? De boa, quem é que acredita nesse 171 que é o estado de direito brasileiro?

Debater as urnas é tão absurdo quanto debater se Lula vai ou não vai participar das eleições. Como se o problema fosse quem vai ser permitido ou impedido de participar das eleições, quando a organização não só das eleições mas de todas as instituições democráticas já está nas mãos do sindicado deles, o sindicado dos ladrões!!!

Fora fieis e pastores políticos será que tem gente mesmo que acredita que há perseguido político e não um bando criminosos estatais uns com foro outros sem?

Falar de urnas ou eleições em 2018, não é só dar testemunho de fé que vai aparecer salvadores políticos, é acreditar em ressurreição dos mortos. É acreditar que a república e democracia vão ressuscitar e pelas mãos de charlatães do tipo de um Lula, Bolsonaro ou qualquer outro dom sebastião convertido no Jesus da política. Loucura por loucura, melhor fazer como crentes do cinturão bíblico dos EUA que financiaram um Trump só para que cumprisse a profecia do apocalipse e ajudasse israel a poder reconstruir o templo de Salomão para que enfim Jesus voltar e salvar a eles, os escolhidos, em meio ao ranger de dentes dos infiéis. Não não é fakenews, parece mas não é. Melhor que fosse… como a pesquisa, o semi-presidencialismo, o indulto… etc… etc…

Ok, você quer discutir as eleições, a democracia, as urnas, quer comprar esse debate, é um direito seu, mas não me venha com esse papo-furado de otário, que somos nós que colocamos eles lá, quando Temer e Gilmar Mendez tocam a boca e do puteiro e eu tenho tanta liberdade para me livrar deles quanto um morador de favela para desobedecer aos traficantes do morro.

Será que eles não percebem que quanto mais eles vem com esse papo-furado mais vontade o povão tem vontade de Lula ou no Bolsonaro, no Tiririca ou num meteoro que exploda de vez com tudo, mesmo que com eles junto que diferença faz? A sensação de absoluta impotência leva a vontade de autodestruição. E a impotência consumada a sabotagem e autodestruição certa mesmo que seja com a absoluta inércia e conformismo.

É claro que eles percebem. Porque nisto consiste a primeira lei da domesticação governamental dos povos: manter as massas divididas ao ponto que jamais se unam de fato como um povo contra o poder que sempre está por definição não está no centro, define o centro, mas ao mesmo tempo sem permitir que a tensão social entre os polos extremos dos apartados desintegre seus domínios.

E quando digo eles não estou me referindo aos capangas e fantoches nos cargos mais altos 3 poderes. Pois, nisto se constitui a segunda lei desta domesticação: o poder ou autoridade mais exposta ao povo, independente do seu título ou diploma, é a que de fato a menos governa, e se um dia governou não mais. Quanto mais exposto a opinião pública mesmo o mais alto cargo e representação governamental menor é ou está seu poder de fato. O verdadeiro poder é sempre patrão, ele não faz, manda fazer. Ele nunca põe a mão na massa, ou a cara para bater, de fato quanto mais invisível é a mão e quanto menos se conhece quem de fato manda, menor é vulnerabilidade desse poder. É por isso que até aos bois se dá nome quando a coisa apeta, mas nunca aos verdadeiros donos da boiadas.

De modo Temer e Gilmar, estão aí para literalmente fazer o serviço sujo. São os braços das cabeças que sempre mandaram de fato no pais, mas que hoje depois da morte institucional da legitimidade dos 3 poderes de fachada, que nem mais para gringo ou otário nativo ver para crer servem, agora governam de forma absolutista. Ou quase.

Há uma classe que ainda não desistiu, e nem vai largar do seu osso tão fácil. A do generalato. por uma acaso quem é a ultima instância do poder, depois que a legalidade e legitimidade foram para o espaço, que pela auto-desintegração ou destruição mútua da sua credibilidade elevou os militares a condição que eles se pensam como tal desde a queda da monarquia e proclamação da república, a de poder moderador, responsável por restituir a ordem, mesmo que isso na verdade significa uma ditadura de 20 anos, e manter a estabilidade, mesmo que seja desse puteiro tocado pela corrupção da classe política atual em causa própria e em favor do mercado.

Patriotismo, legalidade, legitimidade, é conversa para boi dormir o que eles estão interessados é em manter a estabilidade, não do Brasil, mas a deles. E não faço essa afirmação baseado em preconceito ou demonização das forças armadas, mas pelo simples fato de que se qualquer um desses princípios fossem verdadeiros e não propagandas eles mesmo dariam voz de prisão a um comanda-em-chefe emitindo ordens inconstitucionais (para não dizer criminosas) ao invés de ter como uma espécie de eminencia parda das intrigas palacianas um general.

Porque a legalidade e legitimidade do governo já foram pro espaço faz tempo junto com a dignidade de quem o serve. E se os últimos decretos flagrantemente inconstitucionais do estado de exceção e ditadura mal dissimulado desse governo não são provas disso, nem se Temer tirar o pau pra fora e gozar na bandeira nacional ou no pescoço do general de pelo menos 3 estrelas, o patriota se enfurece.

De fato os militares não fizeram nenhuma intervenção não porque acham que não devem, não podem ou temem fazê-lo, mas simplesmente porque estrategicamente não consideram oportuno nem vantajoso. Digamos que por enquanto não precisaram, na situação atual ter um um general a controlar as alcovas do palácio da presidência lhe é mais do suficiente para preservar suas posições. E sejamos sinceros estão numa posição privilégiada que não ocupavam desde a ultima aventura ditatorial explicita. Aliás ninguém destrói uma própria sua reputação nem reconstrói a dos seus inimigos com um governo.

Eis portanto a ordem nacional pós-mortem da mais nova já também velha e república pronta para ser passad@:

Enquanto os pau-mandados dos 3 poderes executam a agenda impopular do mercado em troca do privilégio de manter o privilégio da impunidade, as forças armadas permanecem de prontidão como a faca no pescoço dos bandidos auto-legalizados caso eles mijem fora do pinico, ou a “lei e ordem” seja quebrada, e lei e ordem não é um presidente soltado a gangue com decretos, lei e ordem é o povo se levantado contra os mafiosos que os governam.

Generais não são soldados. Soldados são educados e acostumados a obedecer muito e mandar de preferencia nada, generais a mandar muito, e obedecer o estritamente necessário, e olhe lá. Pode até ser que nem todos sejam motivados pelos mesmo sentimento, mas o que não são como classe é trouxa, não vão enfiar a mão nessa privada entupida, a menos que seja estritamente necessário para preservar os privilégios de modo que não vão se sujar ou limpar esse monte de merda enquanto tiver quem faça o serviço sujo.

Trocando em miúdos a questão da intervenção militar não é se eles fariam ou não. Porque eles já sinalizaram que se necessário o farão. De modo que a questão é quais cenários de instabilidade configurariam na cabeça do alto-comando essa necessidade excepcional. Quais cenários seriam estes que o levariam a ampliaria suas ações excepcionais por conta própria, já que por emprego do próprio, e a contragosto manifesto do alto-comando são empregados como forças policiais já em situações específicas de exceção . Ou seja, eles já estão a intervir e interferir quando chamados ou em defesa dos seus interesses muito mais por incompetência civil do que por ambição militar. A questão é se ou talvez quando a forma não mais irresponsável mas criminosa que vem sem conduzida pelos 3 poderes políticos não irá incendiar de vez o país. Ou do ponto de vista dos incendiados- e não dos piromaníacos- qual é o ponte de ebulição da revolta das pessoas, se é que há um.

Colocando nesses termos uma revolta pode parecer certa. Mas não é. Por mais incrível que pareça tudo isso tem boas chances de não dar em nada, ou em máscaras de carnaval, algo que vai depender mais do tamanho da nossa vontade em fingir que fomos enganados para não fazer nada, do que da capacidade dos enganadores para nos conformados a uma condição que já nos conformamos faz tempo. Porque vamos ser sinceros, ao menos uma vez com nós mesmos, não estamos dormindo nem sendo enganados. Somos tão iludidos quanto eles são honestos. Ou mais precisamente estamos sendo tão enganos quanto eles escondem bem que são bandidos. Temos tanta fé na política e nos políticos quanto o fiel que espera que deus e na igreja lhe dê um emprego ou um carro.

Para que perder tempo com tanto fingimento e hipocrisia? Eles fingem (e mal) que são honestos e nós fingindo (e mal) que somos de novo enganados. Nem nós nem eles acreditam em nada, mas na falta de algo melhor, como por exemplo, dignidade fingimos. Queremos ser enganados por bandidos e eles querem nos enganar como bandidos esse é o nosso verdadeiro contrato social. É assim que queremos ser e viver: com eles cagando e andando para o povo, e nós cagando e andando uns para os outros, todos abraçados rolando na bosta jurando para gringo ver que é chocolate. “Quem rouba mas faz”, nos representa, por isso “relaxa e goza”.

Vai, vamos ser mais sinceros ainda… Quem é que se importa? Quem é que acredita que alguém se importa? Quem é que acredita que alguém está disposto a fazer qualquer coisa? Qualquer coisa além de reclamar protestar? Tudo o que sabemos fazer como classe popular é ficar puto. E ficar ou não é indiferente, porque querendo ou não já somos putas deles. Se ofender em ser chamado é só uma questão de manter aparências. E num lugar onde estamos mais preocupados com os termos e dizeres do que com os atos e fatos. Com o nome da rosa e não com as rosas, é muito fácil governar apenas jogando tudo para debaixo dos tapete. Definitivamente o Brasil é o pais do me engana que eu gosto. O brasileiro não quer mudar de condição ele apenas quer ser tratado de forma diferente, ainda que vivendo na mesma merda. É um prisioneiro do mundo simbólico onde a sátira da sua condição miserável lhe ofende mais do que sua própria miséria e o bobos da corte que fazem graça da sua desgraça são mais odiados que os tiranos que os enganam e fodem com todo o devido respeito seriedade e autoridade.

Você não conhece o futuro de um país pelos discursos de seus supostos melhores elementos, porque discursos e virtudes e principalmente em virtudes em discursos são altamente simuláveis. Você conhece o futuro de um pais pelos atos mais monstruosos e insanos de seus elementos mais marginais e ideologicamente perturbados em momentos de crise. Os elementos mais beligerantes e violentos, entre os franceses, entre os americanos, russos, ingleses, alemães, ou italianos, em momentos de crise do sistema cortam a cabeça de reis, assassinaram presidentes, executaram famílias reais, penduram ditadores como porcos, cometeram as maiores atrocidades contra seus líderes. O que os elementos mais perturbados e violentos fazem em tempos de crise, queimam mendigos homossexuais no natal, espancam ladrões de bicicleta ou basicamente matam família e vão ao cinema.

Pessoas que se dizem virtuosas podem disfarçar a sua covardia e omissão fingindo ser pacifistas e tolerantes. Pessoas que não tem nenhum pudor de usar da brutalidade e violência não. O grau da sua covardia e servilidade está explicito e manifesto no seu ato. Não sei dizer quanto de nós que nos chamamos pessoas de paz somos só covardes e omissos, afinal não sei, nem sou juiz do que as outras pessoas estão fazendo. Mas sei o quanto o quanto somos covardes não só por aquilo que os mais belicosos e violentos fazem e contra quem, mas por aquilo que os que se dizem os mais solidários e virtuosos se contentam em falam para nunca fazer. No fundo o brasileiro é uma nação de torcedores. Torce para alguém explodir o congresso torce para alguém acabar com a pobreza e corrupção, torce pelo violência. O brasileiro simplesmente torce. E se não encontra um time para torcer nem assistir consegue, que dirá participar. Tomar a frente e a iniciativa então é algo tão inimaginável a sua pisque quanto ter uma base na Lua. Uma nação de torcedores que lida com suas lideranças de modo infantil e carente, querendo amar e ser amado. Literalmente um coitado que busca a figura do pai na pessoa dos seus sequestradores e estupradores.

Maquiável perguntava se a um governante é melhor ser amado ou temido por seu povo. Essa é uma pergunta que uma cada simples cidadão deveria se fazer em relação do que esperar daqueles que querem por as mãos neles para governá-lo. É melhor que esses homens que tem a pretensão de mandar o amem ou o temam?

Você tem medo de ser morto, preso processado por seu governo se denunciá-lo ou falar mal dele? Ou são eles, seus governantes, que tem medo de perder seus cargo se você simplesmente achar que eles são bandidos ou indignos?

Em cima dessa resposta, você sabe se vive de fato numa ditadura, um país de cães amestrados a lamber as botas de seus mestres e autoridades, ou no pais livre onde o poder não é um privilégio, mas uma espada sobre a cabeça de quem o exerce e não nas mãos de estatopatas.

Quem vive com medo na terra em que dorme não é dono do território é a presa das pragas e predadores que a tomaram e atormentam. E se nem mais isso sente, se medo mais tem, ao ponto de comer na mão dos seus algozes, então nem mais presa é, é animal o de abate deles, devidamente domesticado. Não ter solidariedade, não ter dignidade, degenera. Mas perder a noção do perigo, a noção do lugar em que vive e do tempos que estão por vir e já batem a nossa porta é fatal.

Há um tempo, para tudo. O de acordar e levantar passou faz tempo.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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