“O Brasil pode ser pioneiro em se livrar da corrupção… precisa sê-lo.”

Comentários a entrevista extraordinária de uma jornalista que resolveu de fato investigar nosso mundo… para mudá-lo

Uma história dos grotões do Afeganistão, mas que quem já trabalha com o ativismo social de base sabe que poderia ser em qualquer grotão ou periferia do Brasil

Você viu os efeitos da corrupção em Kandahar, onde estava, no seu dia a dia.
Sarah Chayes — Quase imediatamente. Eu não pretendia me dedicar à questão da corrupção. Nós estávamos envolvidos em projetos de reconstrução. O primeiro projeto que decidimos lançar foi simplesmente reconstruir um vilarejo que tinha sido destruído num bombardeio americano. Nós achávamos que, se a guerra era contra a Al Qaeda e não contra o povo afegão, o mínimo que os americanos deviam fazer era reparar os danos às casas da população causados por nós. Então eu arrecadei dinheiro com amigos e vizinhos nos EUA, de cidades próximas à minha na região nordeste do país, e nós fomos reconstruir um vilarejo de casas de tijolos de barro que tinha sido destruído. E era no sul do Afeganistão, onde há duas coisas de sobra: luz solar e pedras. Mas nós descobrimos que até uma casa simples precisa de fundações de pedra, senão ela se deteriora rápido. E não achamos que isso seria um problema até que tentamos comprar pedras para a fundação das casas e não conseguimos, porque o governador da província tinha concedido a si mesmo o monopólio das pedras, que ele transformava em brita para vender aos americanos que estavam estabelecendo sua base militar no aeroporto. E foi uma batalha inacreditável para conseguirmos simplesmente comprar pedras para substituir as moradias muito simples dos eleitores dele. E esse foi meu primeiro contato flagrante com os efeitos terríveis desse tipo de corrupção.- Sarah Chayes autora do livro Ladrões do Estado

“Contaminado pela corrupção, Brasil pode ser pioneiro em se livrar dela”

“O sistema brasileiro se enquadra entre aqueles que estou estudando. Ele é estruturado, é muito sofisticado, atende muito bem aos membros da rede e produziu um impacto devastador na população brasileira. As taxas de desigualdade do Brasil estão entre as maiores do mundo, o que é, por definição, o tipo de situação que costuma levar a algum tipo de caos violento. A população brasileira tem lidado com esse problema de uma forma muito construtiva, através de protestos pacíficos, tentando forçar tanto a responsabilização dos envolvidos quanto reformas. O que vai acontecer no Brasil vai depender do nível de sofisticação da coalizão reformista no país. Acho que o primeiro passo foi a revelação dos problemas, que deixou o povo com raiva, aí a questão é como canalizar essa raiva da forma mais construtiva possível. (…)

Acho que o Brasil é um lugar incrivelmente sofisticado, equilibrado e dinâmico. Seu capital humano é extraordinário, e acho que o nível de indignação e raiva com o que foi revelado é alto, então a pergunta é: quem são os líderes alternativos, quem são os agentes de mudança que podem capitalizar o clamor público por uma forma diferente de fazer as coisas, que podem capitalizar a aversão do país à violência e dizer que a melhor forma de evitar o tipo de desastre que se abateu sobre lugares como Egito ou Nigéria é aproveitar da melhor forma a oportunidade que foi apresentada pelo poder judiciário?(…)

Eu acredito na capacidade humana de exigir níveis básicos de justiça em relação à forma como nossos interesses públicos são administrados. Portanto, sim, eu acredito que o Brasil pode ser total pioneiro nesse sentido, e o resto do mundo precisa que vocês sejam.-Sarah Chayes

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Democracia Corrupção e Revolução

O título do livro enseja inclusive uma investigação ainda mais profunda: como a propagação do medo da insegurança global retroalimenta essa corrupção colonial. Uma investigação não mais nos palácios e províncias devastadas do mundo, mas no centro do nervoso desse sistema para onde fluem o grosso de todos os capitais. Todos.

Ela viu onde os dinheiro falta e para onde ele vai nas cadeias nacionais de roubo e corrupção dos Estados. Mas esses canalhas etão no meio da pirâmide. Falta agora fazer as conexões internacionais, para desvendar que esses governos e governantes corruptos e provincianos não passam de traficantes de povos e riquezas, a ponta no fim do mundo colonizado de um sistema extorsão e roubo mais antigo que os Estados, mas tão antigo quanto os impérios.

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E vou dizer uma coisa pela coragem da jornalista e esperança que ela tem na humanidade não duvido que ela seja mesmo capaz de novamente meter a mão na massa e seguir o dinheiro. Follow the money.

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Enfim de tudo que ela disse só não compartilho de uma opinião otimista dela a de que o fim de sina virá pelas mãos de futuras lideranças políticas alternativas do pais.

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Já vimos esse filme antes, inclusive na esquerda e logo não é por acaso que nunca saímos do mesmo lugar. Cada dia estou mais convencido que meu ativismo e projetos social fora as pessoas que ele atinge não mudam nada, talvez lá fora, não sei, mas com certeza não aqui… Cada dia que vivo a realidade do meu pais e me debato e sufoco como uma peixe fora d´água tentando mudá-la tenho mais e mais a certeza, aprendo por mais que eu resista está triste lição de que um país não consegue sair da sua condição degradante sem o levante da sua população contra seus mestres. Um levante que deveria ser pacífico, mas cada dia que passa aumenta junto com a indignação o risco dele ser mais e mais caótico e violento.

A jornalista investigou esse condição degradante, nós nascemos presos a ela. É por isso que eu sei de cor até quando fecho meus olhos a lição que todos meus governos e governantes não cansaram jamais de me ensinar desde o dia em que nasci: Nenhum povo se liberta sem derrubar tudo o que está podre. Nenhum homem se emancipa sem nunca levantar sua cabeça e enfrentar olhando nos olhos seus senhores. Nenhum povo funda um pais de verdade e se torna dono da sua terra, sem uma revolução. Pacifica ou não. Mas como pergunta o covarde, o submisso, como será a nossa libertação pacifica ou violenta? Não pergunte isso aos violentados, mas sim aos violentadores. São eles que tem que sair de cima do povo brasileiro e não o povo brasileiro esperar eternamente que eles decidam quando e como parar de coitá-lo.

Estão fechando a ultima porta de saída que o povo brasileiro que não é afeito ao conflito tem para a solução pacifica. aquela porta que ele sempre opta mesmo quando todo o prejuízo e desvantagens ficam com ele. Estão fechando até mesmo isso. E quando isso acontece, o que acontece não se chama agressão, se chama legitima defesa da sua vida e liberdade. Veja que não estou falando aqui como libertário, estou implorando para que até os os autoritários que não são monstros e assassinos, tenham um mínimo de juízo, porque seus colegas estão levando o povo brasileiro para uma revolta e o conflito, se é que não é isso que eles querem.

Há ainda outros caminhos pacifícos, e é por eles que eu clamo. Mas não se engane agora são todos eles revolucionários.

Nós aculturados e colonizados sempre temos medo da palavra revolução. Como cães domesticado a pauladas nos encolhemos e ganimos a seu apito. O resto do mundo, não tem medo da palavra nem do ato. E assim se libertaram e fundaram seus territórios. E assim pretendem reinventar suas supremacias.

E nós o povo mais cagão do mundo para onde vamos? Não vamos? Ficamos? De novo?

E você pensando que a Suiça era problema…

Democracia semidireta na Suíça

Contrastando com o conceito de plebiscitos promovidos por governos para obter suporte a uma política de governo já estabelecida, como no caso das constituições da França[8] e da Áustria[9] (ou mesmo do Brasil), na democracia semidireta da Suíça não compete ao Governo nem ao Parlamento a decisão de submeter qualquer matéria à decisão popular. Em consequência os instrumentos de democracia direta da Suíça são os meios de que o Povo dispõe para se opor, e para controlar, políticas criadas pelo governo e pelos partidos políticos[10]. -Wikipédia

Foi por terem esse instrumento de democracia semidireto de popular, que os suiços puderem debater e votar a questão da aplicação de fato da Renda Básica. Ao contrário do Brasil que tem uma lei que não vale nada, e mais medo que o diabo da cruz de trazer essa questão com seriedade para o debate popular.

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Para quem não sabe o plebiscito da Renda Básica lá foi rejeitado, mas por decisão da população. Aqui nem isso temos, nem o direito de tomar nossas próprias decisões certas ou erradas, podemos. As sabidamente erradas, corruptas criminosas e violentadoras pelo simples fato que são impostas contra a livre vontade da pessoa de paz são impostas assim pela ditaduras criminosos que se passam por tutores. Se não somos idiotas, somos tratados como se fossemos. Isto não é uma democracia. Nunca foi sequer uma república. E bem antes de 2016 o ano que não terminou.

Ô geração de veio cagão que é a nossa. Vamos mesmo deixar todos os problemas para a molecada que terá que limpar todas nossas cagadas e borradas enquanto estávamos nós quietinhos e escondinhos atrás do sofá? Medo de quê? Já mandaram a Dilma pro inferno. Porque não o seu abajur do demônio, o Temer? Vamos e convenhamos temos que terminar uma vez na história o que começamos: é Fora Todos. E depois vamos sentar e conversar como gente civilizada o que vamos fazer do nosso país, mas sem aviões particulares, por favor.

Porque como bem disse o meme: “que foi acidente foi, mas se o Moro entrar no avião eu saio.”

Esse é o melhor retrato do espirito bunda legado geração após geração no Brasil. Quem escreveu isso captou a essência da cultura de medo e resignação que precisamos vencer. É justamente esse o espirito que precisamos vencer:

Dane-se se foi acidente ou não, não quero nem saber se é o Moro ou o Papa, posso até não concordar com nada do que ele diz, mas quem mais tiver a coragem de por fora esses putos eu tô dentro.

E não precisa nem prender não, se conseguir só tirar esse vermes malditos do poder e parar a sua pilharam nacional e internacional que já tá bom demais… mas rápido… Rápido e urgente, porque os Neros já colocaram fogo no circo, e adivinha quem vai morrer nessa tragédia que não termina nunca…

Não… Eles são sempre inocentes. Culpada é a menina que estava no hora e no lugar e nasceu no pais errada. Culpado somos nós que nascemos sem sorte e não queremos nos conformar com fatalidades como essa. Afinal de contas, como dizem os articulistas mais insuspeitos da grande mídia, coisas como essa poderiam acontecer como qualquer um em qualquer lugar do mundo.

Então conforme-se com a sorte que o deus (deles) lhe deu. E vai trabalhar vagabundo, porque aqui não tem moleza não… amanhã é dia de branco. No Estado dos Ladrões todo dia é “dia de branco”. Onde um brasileiro a mais ou a menos fora do “mercado de trabalho” é só outra boca para alimentar e reclamar.

Vai vai trabalhar, circulando, senão cê sabe né? O couro vai comer, ou seria a Lurdinha vai cantar?

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Quem foi Tenório Cavalcanti?

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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