O Brasil não é provinciano…o Brasil é uma Província.

Image for post
Image for post

Quem acha que a burocracia e a corrupção que se entranha nela é uma falha do sistema, não sabe para que e para quem a máquina estatal trabalha. Como bem sabia a administração do império português a burocracia e a corrupção eram absolutamente necessárias para que um se manter o controle politico e econômico e administrativo de uma província distante com dimensões continentais.

Libertar-se no grito ou pior por proclamação e decreto, derrubar governos ou até mesmo trocar de regimes nada disso mudo a condição do Brasil colonial brasileira. O pais continua a ser uma colônia de exploração extrativista e o brasileiro de boi de abate e burro de carga no mundo. Não é quintal, é fazenda e senzala como qualquer outro pais periférico. Aquilo que chamamos de independência, república e democracia jamais mudou a nossa condição servil. apenas trocamos de donos. Quem passou por revoluções foram os sistemas de produção, o Brasil permaneceu na mesma, ou mais precisamente apenas adaptou a administração provinciana da fazenda aos novos tempos e proprietários.

Rigorosamente foram os sistemas de produção e administração do capital internacional que passaram por revoluções industriais financeiras. Foram os impérios de outrora hoje denominados potencia e superpotências que perderem e ganharam hegemonia. O que chamamos de independência, republica e democracia, nossas troca de regimes governamentais, não acompanham jamais foram uma resposta soberana ainda que tardia a essas transformações culturais e econômicas, mas tão somente a adaptação da administração provincial a esfera de interesses da potencia a qual então pertencíamos.

O mercado internacional (anglo-americano) aplaudo a tirania dos feitores da direita. A militância de esquerdas (da Europa Central) a tiraria dos outros feitores, mas nenhum deles quer um capitão-do-mato desses como seu governante da sua civilização. Tirano populista seja de esquerda ou de direita é sempre bom nos confins do mundo, nunca nos centros. Vide o desespero dos “bem-formados”e “bem-informados”, com Trump, Le Pen e etc… Vamos trocar? A gente manda nossos salvadores da pátria para aí e vocês mandam seus direitos para gente? Ou ficamos empatados: sem tiranos nem aí nem aqui e com nossos direitos soberanos aqui e aí, que tal?

Por isso enquanto o povo brasileiro reza para eles morram juntos e abraçados. Eles aplaudem os feitores mais afins não apenas a sua ideologia mas do que ela sustenta os interesses geopolíticos e econômicos.

Emancipação e autodeterminação nas periferias empobrecidas do mundo é anarquia, marginalidade e barbárie. Nos centros das Burgos-Nação democracia, cidadania e civilização. Tirano de esquerda é revolucionário. De Direita administrador publico. E qualquer um deles um estadistas se devidamente alinhados aos interesses interesses internacionais na divisão internacional do trabalho e capital. Um aliado a ser preservado no poder se cumpre sua função de governante da província. A saber: traficante de riquezas naturais e nacionais e feitor da mão-de-obra escrava dentro da sua própria terra.

O que chamamos da “nossa” intelectualidade é igualmente provinciana não passa de repetidores desses ideologias e interesses seja para comer da mão dos tiranos ou poder frequentar as cortes e academias internacionais. Falam de Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Josué de Castro, Gilberto Freire, mas na hora de aplicar e bater palmas para as politicas públicas se juntam aos tecnocratas do Banco Mundial e não ao Cepal.

Novamente o processo de aculturação se replica: Renda Básica para os países ricos e desenvolvidos é solução as revoluções do sistema de produção, nos países pobres e periféricos onde a carne humana vale menos que uma robô, é estimulo a ociosidade. Rico com dinheiro e tempo livre é base do desenvolvimento. Pobre é a oficina do diabo. Não é a toa que todas a políticas de financiamento das agencias de desenvolvimento internacional desembocam no mesmo saco sem fundo dos governos sabidamente corruptos e ineficientes e não vão diretamente para a mão das populações sem o “custo político”. Porque o que é custo para nós é investimento para eles. Os escambos mais lucrativos da história. Um punhado de ouro para os lideres vendidos em troca das terras e dos trabalho servil de nações inteiras expropriadas.

O que nossos bancos e agencias nacionais de desenvolvimento fazem financiando os “negócios estratégicos” daqueles empresários no nosso “capitalismo” de compadrio é a replicação e transferência da função estatal para o privado, inclusive, é claro, ao capital privado internacional. Parte significativa da grande lavagem de dinheiro que compõe a descapitalização e endividamento do patrimônio dos países provincianos que sustenta o a crescimento politico econômico e militar das potencias contemporâneas.

O capitalismo nas províncias do mundo continua colonial. Privatização e financiamento do desenvolvimento promovida pelos novos Estados-Colônia não passam do subsidio e terceirização do cumprimento da função sua função provinciana perante as metrópoles imperiais: expropriação do bem comum e exploração do trabalho escravo- inclusive o ilegal.

O discurso do imperialismo como fachada imperialista

A esquerda tradicional (brasileira e latino-americana) que já teve em mãos o controle desse aparato burocrático-administrativo estatal como feitores, prega que se nos livramos da ingerência estrangeira teríamos a soberania.

Não, não teríamos, Nem como eles a esquerda. Nem sem eles a direita.

Guerras e revoluções políticas e econômicas foram revolucionando o mundo, mas o Brasil permaneceu exatamente na mesmo lugar no mundo a margem. Mesmo que as potencias mundiais por ventura desaparecem e que por mágica o Brasil e sua população ficasse tão somente a deriva dos interesses nacionais. Deixaríamos de ser uma província, mas não um reino composto de vários feudos e capitanias. Não seriamos uma Federação dos povos dos diferentes Estados que compartilham uma mesma cultura, linguá e território, mas exatamente o que somos um reino governado por senhores coloniais que livre da sua condição servil de feitores do interesse estrangeiro, passariam a se dedicar a administração da colonia agora ao único interesse nacional que predominante: o seu.

O povo permaneceria na sua condição de plebe, algumas classes como escravas outros só como servos, mas todos ainda não-cidadãos perante a aristocracia politica e econômica que rege o pais. Atingiríamos a condição de reino medieval. Com os nossos senhores feudais, os coronéis da política, nossa aristocracia deixando a condição de governantes provincianos para assumir a sua posição como tiranos de um pais que cultural e administrativa ainda não passaria de um reino. O reino deles.

Esses feudos são evidentes tamanha a a similaridade dos atuais latifúndios e Estados dominados por esses latifundiários as antigas propriedades e senhores feudais. Mas também nos outros Estados mais aburguesados e que se consideram “mais desenvolvidos” há feudos baseados em outros capitais que não a terra. Feudos mais modernos, mas ainda sim feudos pela forma das relações patriarcais e patrimonialistas medievais de organização.

É um erro falar em burguesia no Brasil, muito mais ainda quando apenas se copia as analises da condição europeia ou norte-americana. Naqueles países não só ocorreram revoluções burguesas e em alguns até socialistas com verdadeiras guerras civis. Mas a reforma protestante teve lugar ou uma forte influencia na sua colonização.

Aqui a burguesia não passa de aristocracia disfarçada. Enquanto a classe média, que seria a burguesia encontra-se ainda naquela condição servil das europeias almejando privilégios políticos e econômicos da aristocracia seja com cargos e posições de status (em geral dentro do Estado) ou casamentos.

Aqui o protestantismo dominante é o evangélico que não passa de igrejas medievais seja na ideologia seja nos interesses pecuniários de seus ministros.De protestantes não tem nada. São essencialmente católicos em sua mentalidade servil arrebanhados por outras agremiações que ocuparam os espaço da rica poderosa mas decante igreja católica. Forte ainda nas cortes e intrigas palacianas para defender seus interesses político-econômicos, mas completamente distante e alienada da plebe e atualidade.

O Brasil é portanto é um pais colonizado tanto por uma das mais bem sucedidas máquina burocráticas da história do passado, a portuguesa quanto pela fora outrora a maior instituição ideológica aliada dessas máquinas na reprodução da servilidade como cultura: a Igreja Católica. Portugal não é um império a séculos, nem a Igreja Católica tem o poder e influencia que já teve, eles passaram, mas o Brasil ficou no mesmo lugar. Como sua cultura de esperança não de liberdade, mas de líderes e salvadores. Novos senhores de suas terras, mentes que guiem seu destino. É um tanto quanto óbvio que uma pessoa que pensa assim é um lacaio sem dono. Não é preciso nem dizer que quando essa é a a cultura de um povo qual é então o estatus da sua cidadania seja perante os outros povos seja perante seu próprio governo.

Não basta que os senhores caiam para nos livrar da servidão. Não basta se livrar dos governantes e seus regimes autoritários é preciso ter vontade política… própria. Algo que inexiste nas culturas e educação para formar fieis obedientes as instituições supremas todo-poderosas nacionais, internacionais deste mundo ou outro, servilidade até mesmo no além.

Dizem que o português é burro. Burro somos nós que declaramos independência (ou pelo menos achamos isso) e continuamos a viver com os hábitos servis de escravos e nativos colonizados, entravados sobre os mesmos grilhões culturais e arcabouços jurídicos.

Outros dizem então que os crentes são fies fanáticos. Fies fanáticos somos todos nós! Que ainda confundimos burocracia com ordem, escola com educação, estado como nação e culto com cultura. E sobretudo reinos com governos. Fieis somos nós criados para crer em qualquer mito de poder e nos tornar fã de qualquer rei da música ao futebol até politica, obedecer religiosamente as ordens que vem das instituições toda poderosas que eles se prestam a personificar.

Servos e fieis fanáticos e aculturados da nossa servidão.

Em suma sendo a sociedade brasileira culturalmente servil porque haveria de se surpreender com sua administrativamente tirana e corrupta? Não temos governos, temos rigorosamente ainda reinos, , porque não somos um povo mas a sua plebe. Porque onde o poder e a lei emanam de quem ocupa os palácios e não da cidadania da população, são os governantes que detém um pais e um povo, e não um povo que tem uma terra, um pais e seu governo.

Corrupção? Não existe corrupção em reinos. Não aos olhos de quem o governa. O tesouro nacional não pertence ao povo pertence a eles, as classes governantes. Aquilo que chamamos de cultura patrimonialista da administração do Estado e coisa pública brasileira não é uma cultura de ladrões comuns, mas de ladrões coroados. Landlords. A cultura de quem foi criado para considerar a rapinagem sua posse e a pilhagem seu direito de tributo.

Para eles o crime não está nos seus roubo e sequestro de bens e pessoas naturais mas naquele nas denuncias e resistência que as pessoas eventualmente possam oferecer a sua autoridade sobre todas coisas sobre sua juridição auto-outorgada, suas prerrogativas de reger tudo dentro do seu território, inclusive o povo, sua plebe, como coisa politica e econômicas.

O tirania paternalista e o patrimonialismo do Estado brasileiro nada mais é do que a extensão da própria constituição cultural supra-jurídica da nossa sociedade patriarcal que faz dos cidadãos não mera crianças tuteladas dentro do direito moderno, mas coisas regidas pelo pátrio-poder nas diversas instancias e esferas da vida pública e privada.

Até nisto o Brasil é uma província patriarcal alinhada com as mais retrogradas e atrasadas. A mulher, a criança, o empregado, os animais, os animais, outras etnias, classes, gêneros, gerações tudo que é considerado inferior e subornado aquele que incorpora o espirito patriarcal e assume seu papel social é tratado por aqui como o estrangeiro é considerado e tratado como nos centros do mundo contemporâneo: como objeto desprovido de direitos iguais, isto é sem os mesmos a cidadania e portanto dos direitos dos nacionais.

Ser brasileiro é viver como estrangeiro e refugiado em sua própria terra. E reconhecer essa sua condição e dos outros povos e pessoas marginalizados pelo mundo afora não te torna mais cosmopolita nem menos aculturado. Mas com certeza bem menos integrado tanto aos ritos das colônias quanto das metrópoles.

Nunca me esqueço quando falava de cidadania, nos confins rurais onde fazia meu trabalho social de campo. E o trabalhador rural me disse de uma forma tão singela que nunca esqueci: “Eu não sou cidadão eu trabalho no campo”. Eu sorri da simplicidade com que ele lidava com as palavras e as coisas. Quem diria que eu precisaria viajar o mundo inteiro e lutar mais dez anos pela dita cidadania para finalmente entender o que ele homem já sabia na pele praticamente desde que se conhece por gente. Para entender a simplicidade das coisas escondida por trás das palavras.

Não tenho cidadania brasileira. Porque não existe cidadania no Brasil. Nossa cidadania é tão real quanto nosso governos são legítimos e o povo brasil é soberano. Não sou um cidadão brasileiro. Nem sou um cidadão do mundo. Sou brasileiro. Sou cidadão de lugar nenhum.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store