O Brasil não é a Venezuela o Brasil é as Filipinas

Uma Filipinas a procura de um Trump… que vai encontrar seu Duterte

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Tu és a luz do meu mundo, a outra metade do meu coração”

O brasileiro definitivamente se acha branco. Não estou falando, do negro que veste um terno ou uniforme achando que branco, ou porque pinta o cabelo de loiro. Não, estou falando de quem realmente se acha branco, só porque sua pele é clara, tem um nome, sangue ou sua cultura é ocidental. O idiota que se acha idiocrata, que acha que está na ponta da piramide internacional do capital-trabalho, o idiota que nasce cresce envelhece achando que é Jonh Wayne quando é e sempre será índio, na mira dos John Waynes do mundo. Somos uma piada de mau gosto: bando de nazistas pretos sonhando que são arianos. Quando aos olhos deles, somos tão gente quanto é favelado ou marginal para nós que nos achamos “cidadãos de bem”, o eugenista pós-moderno. Não somos o joker somos a piada mortal. A igualdade é um mito, uma mentira, é a piada.

A igualdade é uma piada. E uma piada de mau gosto. Um comercial de banco. A igualdade é a mentira contada pelos mais iguais que os outros para convencer que não somos diferentes como diferentes vontades e até necessidades. Não, não somos iguais. Nem aos olhos nem em condições, nem de fato. Se somos iguais em alguma coisa é nas infinitas diferenças.

A igualdade não é liberdade, não respira, não morre, não sente, não tem corpo nem alma, não tem vida vida nem sentido próprio; não é uma força é uma equação, que não existe sem a desigualdade, sem a discriminação, sem segregação, não existe sem sujeito e o objeto.

Não existe igualdade não existe justiça, apenas a luta pela vida, a luta pela liberdade. A luta para se livrar das desigualdades e igualdades impostas pelos outros como se fossem nossa própria natureza, nossa identidade e destino, quem somos e sobretudo quem queremos vir a ser.

Não somos súditos do rei, e impérios. Somos ex-colônia de Filipes e papas a pedir por Trumps que pisem no pescoço dos filisteu. E não somos a do povo escolhido, nem por predestinação nem por redenção. Somos a porra dos filisteu. O deus deles deles, não é o seu. Ele é pai só deles, de você ele é senhor. Não a câmara de gás não é para tirar piolhos. Você é o piolho. Um piolho que se acha mais gente apenas por que caça e e entrega os menos iguais a você. Um macaco que se acha mais gente que os selvagens apenas porque é de circo ou vive no zoológico. O animal domestico e amestrado que pensa que é da família. Macaco amestrado por outros macacos.

Política, econômica… justiça dos homens ou divina… a igualdade deles é desigualdades dos nem tão próximos e semelhantes. A humanidade dos senhores é a desumanidade com e dos selvagens. A civilização dentro das domínios e condomínios é a barbárie fora das fronteiras e muros. O seu crescei-vos e multiplicai-vos é o dominar e exterminar os outros. Ideologia fora, um bando de macacos a matar outros bandos de macacos, uns jurando que são humanos outros implorando que também folho do mesmo deus. O deus macaco dos macacos que se acham os filhos únicos desse deus canibal dos seus filhos.

Não, há terras prometidas, não há novos mundos, Já estamos em todos os lugares e em lugar nenhum. Na terra firma e nas nuvens. Cada palmo de chão pertence a uma tribo, e elas já correm se matar até nos mares, até já sonham em devorar outros mundos quando esse se esgotar. Guerras de classes? Guerras de raças? Nações? Guerras de geração? Que gerações? O jovem revolucionário de hoje é o velho reacionário de amanhã. E me aponte um libertador que não tenha se tornado um tirano, que não tenha se tornado a caricatura da caricatura dos seus ancestrais, e eu lhe mostro a cova de mártires assassinado como um cão para ser idolatrado como um deus pelos mesmos homens, seus pais e irmãos.

Me mostre um assassino comum ou em massa, me mostre um estatopata a matar sua “própria” gente a bala ou gás, na fronteira inimiga e eu te mostro outro aliado dos mocinhos a planejar a clamar como um Moloch para que uma criança seja sacrificada no altar do seu deus e pátria.

Somos geração e gerações de velhos malditos sonhando com a eternidade dos deuses e fazendo de tudo para alcança-la inclusive sugar o sangue e devorar as seguintes. E graças a tecnologia não mais só metaforicamente:

Continuamos a construir pirâmides e olhos que tudo vêem, sonhando com vida após a morte, e vivendo como mortos em vida. Sonhando em criar vida artificial, e matando toda vida natural. Sonhando em criar maquinas cada dia mais autônomas, enquanto nos tornamos cada dia, mais desnaturadamente iguais a nossa invenção de ser humano, meros autômatos feito de carne-e-osso… carne-e-osso dos outros.

O que as burguesias ocidentais odeiam nos nazistas não é a caricatura, a pornografia explicita do que são seus cultos e culturas. O espelho sem maquiagem, sem dissimulação ou disfarce de seus desejos mais inconfessáveis. O inimigo que eles precisam para relativizar e racionalizar seus próprios crimes que o diga o Churchill, o das Índias, cujo grande mérito era saber que com Hitlers de fato não se negocia, porque boi preto conhece boi preto. O que incomoda o lord inglês, e o burguês brasileiro não é o genocídio. Mas o genocídio fora do lugar certo, contra as pessoas certas. Os outros. A regra que diferencia as grandes potências e metrópoles, as nações civilizadas e desenvolvidas das subdesenvolvidas e provincianas. O mundo medieval e feudal, do mundo moderno do capital: Não se mata nem se caga em casa, mas na os outros, na terra dos outros, os selvagens, raças sem pedigre.

Por isso quando clama por salvador a seu deus pátria-patrão-pai, ao seu senhores na terra ou no céu por um assassino em massa, que pise no pescoço dos seus inimigos, quando clama pela pax romana, não ganha das acrópoles e oráculos do mundo, um César ou messias, ganha um capitão-do-mato, um assassino dos outros tipos de gente na sua casa. Essa a diferença entre uma potencia e uma província, sempre foi, as grandes potencias marcham para a ocupação e genocídio dos outras terras e povos onde ficam suas plantations e escravos. Patriotas e nacionalistas provincianos, ocupam e atacam sua própria terra e povo. São os covardes dos covardes. Tatuam a testa do bandinho e enfiam o fuzil e a cabeça mais fundo entre as pernas (para não dizer no rabo) quanto maior e mais branco for outro macaco. São a covardia do macaco macho institucionalizada e armada, espancam e matam a fêmea e a filhote mas abaixam a cabeça e levantam o rabo para quem quer que encarne o grande macaco, o grande patrão.

Guerras as drogas…Legalização das drogas. Quem disse que ela não está sendo legalizada… É que ordem dos fatores altera o produto, californianos primeiros, uruguaios depois. Quando os cartéis e máfias ilegais latinos estiverem quebrados e não oferecerem mais concorrência as empresas subsidiada agora legalmente por eles. Ou você acha que eles se importam com os macaquitos da outra America? Tanto quanto você com a cracolândia, meu bom fascista moderado, se eles morrerem, tanto melhor. Monopólio, estado. O problema não é a violência, é a concorrência. Ela é sempre legítima desde que seja a minha.

“Mas você é paulista, não é carioca nem fluminense, do que você está falando?” Estou falando exatamente disso.

Baldwin certa feita disse sobre o apartheid norte-americano não era uma questão negra, mas do futuro de uma nação, o raciocínio vale para o mundo. Não é o futuro deles, é o nosso, e ele é tão promissor quanto pode ser o dos nossos irmãos e vizinhos mais distantes… Um futuro tão negro, quanto só quem se acha mais branco consegue fazer. Tanto faz, nisto somos tão monstruosamente iguais quanto pessoas diferente podem fazer questão de o ser.

Sonhei como muitos que nossa geração iria acabar com a praga da miséria. Mas não escolhemos, as batalhas e guerras do nosso tempo. Não controlamos o mundo, porém controlamos quem queremos ser, como podemos ser com o quer que ser temos. Como o fez o emissário da ONU ao denunciar aos seus pares… o que todos eles já sabem.

A verdadeira guerra já começou, já foi declarado. Dos Estados contra os povos. Agora vem a segunda fase: onde eles jogam povo contra povo, plebe contra plebe para manter intacto seus tronos, palácios os currais de gente, seus territórios nacionais. Definitivamente o patriotismo [e suas guerras] é o último refugio dos canalhas”. E eles não estão nos morros, mas nos palácios. O inimigo não está nas linhas inimigas, mas na aliada, e no comando, não o militar, mas o civil, nos mais altos postos e para além dele. Por isso não se engane se os militares entregarem a cabeça de Temer, não a estão entregando a cabeça mais do chefe de fato, mas do lacaio que ele é. Se tiverem que o fazer, o farão apenas para preservar as instituições não para transformá-las. Os esquemas caem, mas só caem para salvar o sistema em um novos esquemas e regimes. Mas também não se surpreenda se Temer for enforcado como Dilma, com a corda de seus próprios decretos-lei e nas mãos dos seus braços-direito e tropa-de-choque.

Uma coisa temos que reconhecer, os militares entenderam claramente que a guerra começou e se mobilizaram para defender e vender seus interesses e valores, coisa que nós civis, que defendemos direitos civis e humanos e não lideres e projetos de poder ainda não fizemos, e continuamos em fase de negação, a não querer acreditar no que já estamos assistindo no Brasil e no mundo.

Só ciber?

Apontamos os dedos para as lideranças do mundo e perguntamos: vocês são cúmplices por omissão ou participação? Agora chegou a hora de nós mesmos, respondermos essa questão, que paira como espada sobre as nossas próprias cabeças: Também vamos ser cúmplices aclamando, aplaudindo, saudando, ou se calando, fingindo que tudo está normal? Ou vamos alegar inocência pedindo que todo mundo é idiota, dizendo que não sabiámos de nada?

Papai mamãe , vocês eram um nazista? Claro que não filhinha ninguém sabia o que esses monstros iam fazer, nem o que eles fizeram?

E haja entorpecentes para sustentar tamanha normalidade…

Agora com licença cavalheiros que vou acender meu cigarro, afinal de contas também sou gente…

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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