O Brasil contra os brasis. (Um manifesto antropofágico contemporâneo)

Pelo fim do brasil tupiniquim e pela reencarnação do brasil tupinambá.

Conversei sobre esse tema com um colega francês do movimento da RB em Bordeaux, Damien Vasse, onde ele discorreu brevemente sobre a formação da identidade francesa a partir da união de diversas tribos até então rivais, perante o inimigo alienígena maior, no caso o Império Romano. A formação da identidade deles como a de muitos outros povos, se deu através deste processi de união em torno de um inimigo comum, como a confederação dos Iroquais (Irocuá) na America do Norte e a Confederação dos Tamoios aqui no Brasil. Uma história pouco conhecida e estudada, basta ver a bibliografia sobre ambas, mas que está na gênese da formação do povo brasileiro como um povo tupiniquim e não tupinambá.

Entretanto a construção de identidades nacionais não se opera unicamente como um processo de afirmação de uma identidades comum como mera negação da identidade invasora ou alienante material e imaterial. Mas como um processo de busca de afinidades, capazes de pacificar e aproximar diferentes tribos e culturas e interesses conflitantes dentro de uma mesmo território em busca da comunhão de paz. Ou seja é tanto um processo de completa negação da identidade totalitária -não necessariamente alienígena ou invasora, mas que pode eventualmente crescer dentro do próprio seio destas nações- quanto simultaneamente a formação de uma união segundo as afinidades comuns e individuais segundo o principio universal mutualista (o federativo) que preserva a identidade desde as individuais, passando pelas comunitárias até chegar a comunhão maior que em princípio não é outra senão a formada pela vontade de paz e defesa mútua desta identidades individuais e comuns contra o genocídio e etnocídio- seja ele estrangeiro, ou interior. Dando assim um corpo a essa grande-nação como meramente como negação de outras, ou mera imitação das mesmas, mas com gênese e identidade e autodeterminação própria que a imagem e semelhança do corpo natural dotado de anima, constituem o que chamamos de alma brasileira, e nossa brasilidade.

Assim se o Brasil se forma através do extermínio total das nações que oferecem resistência ao invasor e aliados. A união das diversas regiões e povos que foi muitas vezes mantida pelo mesmo principio imperial belicoso de um poder central, não teria se sustentado pelo uso permanente dessa força coercitiva, e portanto, não só pela unidade linguística e religiosa, mas por essa afinidade comum que envolve uma forma muito particular de enxergar e lidar com a vida, que amamos e odiamos compõe a brasilidade.

Não sei quanto a você, mas é impressionante sempre que viajo para fora do Brasil, reconheço um brasileiro de longe antes dele abrir a boca, mesmo para os gringos por conta da nossa miscigenação sermos um povo com as caras de todos os povos do mundo. Essa forma de ser, que não tem relação com as ideologias, preconceitos e doutrinas, as camadas mais superficiais do pensamento onde atuam os processos de amestramento e alienação, permanece como um espécie de campo transcendental que nos liga a passagem peculiar do tempo em nossa terra, especialmente nas regiões mais profundas e intacta das origem e alma dos povos, o interior, onde a natureza do homem e da terra ainda não estão completamente adulteradas.

O Brasil é uma nação em formação. E o brasileiro ainda é uma identidade sequer juvenil. É infantil. ainda está a procura de figuras de autoridade paternais como referencia para a construção de sua identidade ainda entidade como uma totalidade coletiva e não sociedade livre e federada capaz de efetuar de fato a comunhão sem coerção de tantos milhões de pessoas, comunidades e sociedades que compõe os diversos brasis.

Então concordo em muito do que fala na sua resposta sobre a identidade falsificada do Brasil, especialmente quando diz:

Veja que a pessoa que se diz “brasileira” é patética, mas a pessoa “bairrista” na verdade é menos patética. As identidades dos estados, e das cidades, são o que ainda temos de melhor, pois ao menos não são (ainda) identidades completamente gangrenadas.

Sobre a falsidade das representação intelectuais e autoritárias do Brasil tanto como imagem, instituições de poder e classes dominantes completamente alienadas e alienígenas e em permanente estado de guerra e colonização civilizatório dos muitos brasis e brasileiros de raiz.

O brasil oligárquico, não é só uma farsa, é uma negação, uma desrrepresentação do brasil enquanto povo, são sua antítese desconstrutiva a medida que não só renegam o popular na sua cultura, educação, formação, mas abominam e temem o povo como a própria barbárie incompatível com a sua gene e interesses estrangeiros, compondo uma imitação simiesca da civilização alheia. Não é a toa que aos olhos dos racistas estrangeiros essa aspiração das elites tupiniquins tenha sido representada como macacos vestidos como europeus.

Existem portanto o Brasil e os Brasis. O Brasil como unidade coagida, união de um corpo coletivo totalitário, imperial é (como em qualquer lugar do universo) uma farsa que semeia a discórdia e impede a fundação da verdadeira república federativas dos brasis. A própria União o dito poder “federal” é a próprio representação-mor dessa farsa extrema de parasitismo, onde um grupo se hospeda no corpo, e passa a controlá-lo e sugá-lo até a morte. Enquanto os brasis, o povo, identidade construída por afinidade de sofrimento e oposição a esses privilégios parasitários e alienígenas vai se formando, amadurecendo enquanto tenta desesperadamente e muitas vezes desesperançadamente residir a esse genocídio e etnocídio perpetuo dos brasis pelo Brasil.

O brasileiro existe, invisibilizado, mas sobrevivendo muitas vezes no ostracismo social, exilado nos interiores e exteriores do representação central e centralizadora do Brasil. Insistindo em tentar afirmar a sua identidade, resistindo ao roubo das suas terras e liberdades disfarçados de “presente de branco”, lutando como podem e não podem contra o etnocídio e genocídio lento e doloroso de suas famílias, tradições e culturas reduzidas a preconceitos, doutrinas e rituais. Identidades e comunidades que estão literalmente desaparecendo como se fossem coisas do passado, como crianças a brincar na rua.

O Brasil em formação ainda luta e resiste a pior doença trazida pelos colonizadores e mentes ainda colonizadas de hoje, as ideologias servis-autoritárias. São ainda elas as doenças que mais matam os povos brasileiros, a doença que mata a vontade de liberdade e independência. Essas ideologias de despersonificação das pessoas natural pelo culto as personas do poder, essas mentalidades que desprezam o principio fundamental a soberania e emancipação de um povo e qualquer individuo: a sua liberdade de autodeterminação que matam o brasileiro como concepção e como gente. Para fazer desse povo a massa amorfa sem esperança, e identidade ou sequer vontade de se levantar contra a sua servilidade política e econômica, de escravo assalariado e idiota político. Um pais reduzido a pior tipo de dominação, a escravagista idiotizante que leva ao habitante alienado das suas liberdades mais fundamentais a perder a capacidade sensível-intelectual de reconhecer sequer a sua condição nesses domínio, ou pior de que vive em um domus.

Autodeterminação não só da identidade e propriedades pessoal, mas individual, comunal, social e nacional, e até internacional. E nesta ordem porque a ordem dos fatores altera o produto, que de libertário se torna totalitário. Porque é da livre comunhão de paz que se produz a união, e não das uniões e relações forçados que se produz a paz. A primeira produz um pais de pessoas livres e iguais, a segunda de estupradores e supremacistas e suas vítimas completamente submissas, alienadas e destruídas ou cheias de ódio e revolta, com é claro farsantes e hipócritas no meio a fingir que não são o que para gringo ver.

Há uniões e uniões. E o principio federativo que deveria transcender as fronteiras nacionais, formando confederações internacionais de fato, precisa antes se estender no sentido global, se voltar para a pessoa humana. Estar garantido universalmente em acordos mútuos de proteção de liberdades e soberania não só das comunidades, mas sobretudo de cada pessoa humana e das relações absolutamente regidas pela consensualidade, o principio constituinte das comunidades e sociedades de paz, globais ou locais, nacionais ou internacionais.

É por isso que gostam que enxerguemos e nos representemos enquanto brasileiros como um povo tupiniquim, e não tupinambá, porque os Tamoios e suas confederações precisam ser exterminadas até, literalmente, o últimos dos nossos moicanos. Não só em corpo, mas em alma.

Para os Tupinambá, entretanto, a luta em defesa do território é por todos, pois se a mata for derrubada, ou se o mercado de crédito de carbono for instaurado, os efeitos negativos sobre a caça e a água atingirão a todos os moradores e não distinguirão indígenas de não-indígenas. Assim, a autodemarcação está intimamente vinculada ao que muitos Tupinambá identificam como um modo de ser indígena, e uma recusa a um determinado modo de vida em que o trabalho urbano e a venda e compra de mercadorias têm centralidade. Trata-se de uma organização política de resistência, diante de uma situação de guerra tornada norma. -A autodemarcação da Terra Indígena Tupinambá no Baixo Tapajós

Como os índios tupinambas entendiam o mundo e sua economia

Enquanto observava tudo isso, Léry registrou as ideias de um ancião tupinambá:

“Uma vez um velho perguntou-me: ‘Por que vindes vós outros, maírs e perôs [franceses e portugueses] buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra?’. Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas”.

“Retrucou o velho imediatamente: ‘E porventura precisais de muito?’. ‘Sim’, respondi-lhe, ‘pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados’. ‘Ah!’, retrucou o selvagem, ‘tu me contas maravilhas’, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: ‘Mas esse homem tão rico de que me falas não morre?’. ‘Sim’, disse eu, ‘morre como os outros’.”

“Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: ‘E quando morrem, para quem fica o que deixam?’. ‘Para seus filhos, se os têm’, respondi. ‘Na falta destes, para os irmãos ou parentes mais próximos’. ‘Na verdade’, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, ‘agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que, depois da nossa morte, a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados’.”

A reprodução do argumento inteiro a respeito de assuntos complicados como economia era extremamente rara nos tempos de Jean de Léry. Tão rara que este é um dos únicos textos do século 16 capazes de permitir um registro respeitável das ideias tupinambás.

Esse trecho, especificamente, contém o núcleo do coração do pensamento econômico: uma teoria do valor completa. Para o velho tupinambá, o axioma máximo da economia era a preservação dos bens na Terra, capaz de guardar como ninguém os tesouros para alimentar e nutrir as gerações futuras. Sendo esta preservação o objetivo maior da atividade econômica, o ato de acumular bens sem necessidade aparecia como insano, contrário à razão –daí sua classificação dos europeus como “grandes loucos”, que correriam o mundo fazendo saques contra a felicidade de seus descendentes.

O emprego da preservação como ente de razão em economia permite tornar inteligíveis os outros pontos da teoria do valor tupinambá. A alocação de trabalho para produzir ficava subordinada a ele –e não oposta. A diferença é importante por causa do modo de perceber europeu: nunca faltou quem qualificasse os tupis de preguiçosos ou indolentes.

AMBIENTE

Basta o trecho de Léry descrevendo os trabalhos necessários para o corte e transporte do pau-brasil para perceber que as coisas não eram bem assim. Aliás, o trabalho aplicado pelos tupis na natureza era altamente produtivo. Essa produtividade começava pelo domínio tecnológico do ambiente ao redor –tão sofisticado que apenas no século 20 foi devidamente avaliado por cientistas.

Na época de Léry, os europeus apenas se espantaram com o imenso conhecimento que os índios da floresta tropical tinham das propriedades e usos farmacêuticos das plantas. Vindos de uma sociedade que mal começava a dominar com mais eficácia as fórmulas medicinais vegetais, os recém-chegados não podiam acreditar nas prescrições medicinais indígenas –muito mais sofisticadas.

Era uma diferença espantosa. Os europeus conheciam o uso de algo como uma centena de espécies; os nativos manipulavam cerca de 3.000 –que hoje são tesouro da humanidade.

Além disso, os tupi-guaranis (os tupinambás eram parte deste grupo) obtiveram outro diferencial tecnológico importante: a domesticação de espécies e seu cultivo. Desenvolveram técnicas de cruzamento e hibridação para obter melhores sementes e variedades mais produtivas. Criaram a tecnologia de cultivo de alguns produtos agrícolas hoje básicos de toda a humanidade: milho, algodão, amendoim e tabaco se espalharam por todo o planeta a partir dos cultivares domesticados por eles.

Além dessas culturas universais, foram responsáveis pela domesticação, cultivo e posterior difusão do uso de dezenas de produtos, muitos deles parte da dieta de todos os seres humanos: mandioca, feijão, abóbora, pepino, chuchu, batata-doce, berinjela, alcachofra, pimentas, abacate, abacaxi, caju, mamão, maracujá e cacau são os mais conhecidos.

TEMPO LIVRE

A combinação da capacidade tecnológica com o princípio maior da preservação determinava o ritmo de vida. Os tupis conseguiam viver de maneira confortável –isto é, produzindo além do necessário para sobreviver, mantendo estoques seguros de alimentos– com um número pequeno de horas de trabalho.

Estudos realizados por antropólogos no século 20 mostraram que o número médio de horas diárias de trabalho necessárias para a manutenção deste padrão de vida não excedia três. Por isso, os tupis tinham muito tempo livre. Não vendo nenhum sentido lógico em se extenuar para acumular bens e prejudicar descendentes, eles empregavam esse tempo para pensar na vida, descansar –e em seus ricos rituais cerimoniais e festas, onde parte dos excedentes era consumida.

Neste ponto de sua evolução os tupinambás passaram a fazer negócios regulares com os europeus e a discutir economia com pessoas como Jean de Léry –um momento no qual a Europa se transformou a partir do contato com a América.(…)

Assim a conversa entre Léry e o chefe tupinambá era uma conversa entre adeptos de duas teorias do valor diversas, mas não totalmente incompatíveis no que se refere ao lugar de uma noção central: “natureza”. Para ambos, ela aparecia como algo central, criação frutuosa cuja preservação deveria ser o próprio objetivo da atividade econômica. (…)

Aqui [no marxismo] se chega ao extremo oposto da teoria do valor tupinambá: a natureza seria apenas uma fonte de matérias sem valor próprio, sobre a qual o homem aplicaria suas ideias de justiça, tendo como instrumento o intercâmbio. Assim a produção social se ampliaria em escala ainda maior que na produção mercantil do capitalismo, tirando o homem do reino da necessidade, da luta conta a natureza, das limitações das trocas com ela –e isto seria a realização do socialismo, o reino da liberdade.

Antes que o prometido reino chegasse, no entanto, houve quem visse a solução como problema. Num texto de 1947, Theodor Adorno e Max Horkheimer notaram:

“Assim a relação entre a necessidade e o reino da liberdade ficou sendo puramente quantitativa, mecânica. A natureza, definida como algo totalmente alheio, tornou-se totalitária, como na primeira mitologia, e absorveu a liberdade junto com o socialismo”.

A questão tratada em “Dialética do Esclarecimento” é mais ampla que aquela do socialismo. Trata-se de uma reflexão sobre o Iluminismo como um todo, sobre o processo secular que levou à inversão completa da relação entre natureza e valor.

Se Marx, como iluminista que era, era otimista e queria libertar totalmente o homem do reino da necessidade, Adorno e Horkheimer notaram que a possibilidade de ampliar quase infinitamente a produção material existia, passara a ser apenas um problema técnico –mas isso não levava exatamente ao reino da liberdade:

“A matéria pode ser efetivamente dominada, sem apelo a forças ilusórias que a governem ou que nela habitem, sem apelo a propriedades ocultas. Uma vez que pode se desenvolver sem ser perturbado pela opressão externa, nada mais há que possa lhe servir de freio. O Iluminismo se torna totalitário”.

Nesse admirável mundo novo, a liberdade viraria prisão:

“O mito passa a ser iluminação e a natureza, mera objetividade. O preço que os homens pagam pela multiplicação de seu poder é a sua alienação daquilo sobre o que exercem o poder. O Iluminismo se relaciona com as coisas como o ditador se relaciona com os homens. Este os conhece na medida em que pode manipular; o homem de ciência conhece as coisas na medida em que as pode produzir”.

Na época em que o livro foi escrito (foi editado em 1944) não havia ainda uma crítica à noção iluminista –pressuposto tanto de Adam Smith como Marx– de que “natureza” seria, além de fonte gratuita, um repositório infinito sobre o qual o homem sacaria para produzir mercadorias com seu trabalho. Mas, desde os anos 1970, cientistas começaram a se debruçar sobre a hipótese de que o limite quantitativo para sacar sobre a natureza estava sendo atingido.

Torna-se cada vez mais senso comum a impressão de que as trocas entre homem e natureza não são gratuitas e infinitas –e isso nos leva de volta ao ponto central da teoria do valor tupinambá: preservar deve ser um ente de razão econômica. A noção de “natureza”, como se vê, tem uma história que muda. -Como os índios tupinambas entendiam o mundo e sua economia

Habitamos como se pode ler no texto acima, não só um dos lugares mais ricos do planeta em termos de ambientais, mas um dos lugares mais ricos em humanidades e culturas. Porém temos sido reduzidos a coisas e fieis de uma seita que contamina o mundo inteiro como uma espécie de doença, de loucura de posse pelo poder sem nenhum sentido além do material em si.

Não é a toa que mesmo sendo ricos o povo brasileiros é pobre em todos os sentidos, não temos noção de valores, de valores das coisas, ou das relações, que dirá então do nosso valor próprio. Mas o brasileiro não é um povo macunaíma, sem caráter, é um povo sem liberdade para dignidade, são coisas distintas. O mito do Brasil é de fato uma farsa descarada. Mas o povo de carne-e-osso morto e substituído reiteradamente por essa impostura é autêntico literalmente a ser extinto antes mesmo de crescer é uma realidade ainda que diferentes tribos composta pela identidade forjada pelo invasor-colonizador como sofrimento comum.

É uma cultura dotada de originalidade e inventividade nativas a todo instante ser assassinada e o seu cadáveres ocultos para serem substitutivos por suas cópias fajutas e biônicas importadas, versões estrangeiras as vezes da sua própria cultura, criatividade e identidade cultural!!! Porque as ditaduras do signo sem significado; a ditadura dos significados sem sentido para prevalecem como os fachadas, dos nomes das imagens vazias das coisas que não representam como ideias mas falsidade ideologica, precisam constantemente se livrar do verdadeiro, do autentico e original para impor a farsa como impostura pré-fabricada.

Há portanto cultura brasileira alienada-alienista: o culto ao poder e supremacia estrangeira, ou que é a mesma coisa, a apologia ao seu próprio complexo de inferioridade e conformação servil como sina natural ou provação de deus. O culto Brasil. E a sua oposição a cultura brasileira. A genuína, de raiz, popular ou erudita, mas que sincretiza as diversas culturas que compõe a sua gênese e pensamento a partir da base da sua ligação com a sua terra e natureza e seres outros seres naturais e humanos que compõe uma nova nação onde os valores estranhos não simplesmente são impostos pela destruição dos locais, mas incorporados pelos nativos- jamais o contrário. Ou seja uma verdadeira contra-cultura que tanto incorpora valores nativos quantos exóticos, mas para rigorosamente integrar numa cultura nativa completamente nova, ainda em construção e refente a nossa vida e interesses naturais ao invés de se desintegrar para servir de lugar e alimento aos interesses capitais do velho e decadente.

Nós (como povo) não sabemos disso, mas nossos antigos colonizadores sabem. Basta ver o terror que os europeus terem de ser islamizados e passarem por processo similar que submeteram os americanos nativos. E verem seus filhos como o espirito do indígena do passado olha para os descendentes do seu sangue hoje a adorando o deus do holocausto e escravidão feito a imagem e semelhança dos seus algozes.

Por isso não importa de onde veio, se em um dado momento o individuo não se sentir e comportar como nativo, não estabelece um elo natural entre a terra aqueles que vivem nela, antes dele; se vive geração após geração como um mero ocupante, invasor, pilhador e rei, em permanente guerra com todos os seres vivos, humanos ou naturais cuja mera vontade de existir, de sobreviver livre já é inimiga do seu progresso civilizatório, do seu direito de expandir das suas posses e poderes e impor seus valores como absolutos; esse individuo nunca será parte de nenhuma comunidade nem sociedade, de nenhum pais, nação, cidade, nem muito menos cidadão do mundo. Será pelo contrário o que o parasita inimigo gente e mundos. Um parasita não por causa de sua raça, classe, origem ou nacionalidade, não porque é estrangeiro ou nativo, mas pura e simplesmente por sua vontade impor suas vontades a força, sua vontade de ser pervertida em (vontade de) poder — especialmente repugnante quando disfarçada de solidariedade e compaixão.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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