Mudanças de Paradigmas: “As estrutura da revolução científicas” não é só das ciências mas das sociedades e suas políticas.

A teoria dos paradigmas kuhnianos aplicada a ciência e consciência politica

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“O membro de uma comunidade cientifica amadurecida é como o personagem típico do livro 1984 de Orwell a vitima de uma historia reescrita pelos poderes constituídos.” — Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas

Thomas Kuhn foi um cientista, mais especificamente um físico teórico, que lecionou historia e filosofia da ciência, e que acabou por revolucionar não só esses campos mas a própria epistemologia e a sociologia desenvolver uma Estrutura das Revoluções Científicas nova teoria do conhecimento. Essa teoria introduziu não apenas um novo conceito, o paradigma, mas todo uma nova compreensão do desenvolvimento do conhecimento que foi erroneamente classificada como relativistas muito mais pela critica e distancia das teorias positivistas, realistas e pragmatistas do que pela proximidade e alinhamento com as teses relativistas.

Kuhn na verdade desenvolveu uma nova teoria do conhecimento influenciada pelo próprio método cientifico para entender não apenas a própria produção de ciência, mas aplicável ao conhecimento em geral e suas transformações ao longo do tempo. kuhn desenvolveu uma nova abordagem de estudo filosófico, sociológico e historiológico extremamente influenciada pelos axiomas que sustentam o próprio método e investigação científica. E fez da própria ciência o objeto de estudo desse sua nova abordagem paradigmática.

Sim, o conceito de paradigma, é um sacada genial de um professor que frente ao desafio banal dar aulas de história da ciência para alunos de ciências humanas poderia repetir cânones que representam o abismo entre estes dois “tipos” ciências, ou tentar produzir uma abordagem original de sua matéria. Kuhn escolheu o segundo.

Porém essa sacada não é produto apenas de uma nova abordagem mas (talvez por conta dela) de uma novas concepção extremamente politizada, ou mais precisamente inspirada na própria estrutura revolucionária das transformações do pensamento político. Eis o momento chave para entender a politicidade da teoria paradigmática:

As revoluções politica visam realizar mudanças em instituições politicas, mudanças proibidas por estas mesmas instituições que se quer mudar. Consequentemente seu êxito requer o abandono parcial de um conjunto de instituições em favor de outro. E neste ínterim a sociedade não é governada por nenhuma instituição. De início somente a crise atenua o papel das instituições politica, do mesmo modo que atenua o papel dos paradigmas. Em numero crescente os indivíduos alheiam-se cada vez mais da vida politica e comportam se sempre mais excentricamente no interior dela. Então na medida que a crise se aprofunda muitos destes indivíduos se comprometem com algum tipo de projeto concreto para a reconstrução da sociedade de acordo com uma nova estrutura institucional. A essa altura a sociedade já esta dividida em campos ou partidos em competição, um deles procurando defender a velha constelação institucional o outro tentando estabelecer uma nova. QUANDO OCORRE ESTA POLARIZAÇÃO OS RECURSOS DE NATUREZA POLITICA FRACASSAM. Por discordarem quanto a matriz institucional a partir da qual a mudança devera ser atingida e avaliada por não reconhecerem nenhuma estrutura supra institucional competente para julgar diferenças revolucionarias os partidos envolvidos em um conflito revolucionário devem recorrer finalmente as técnicas de persuasão em massa que seguidamente incluem a forca.

Aparentemente o progresso acompanha na totalidade dos casos as revoluções cientificas. Por que? Ainda uma vez poderíamos aprender muito mais perguntando que resultado uma revolução poderia ter. As revoluções terminam com a vitória total de um dos 2 campos rivais, Alguma vez o grupo vencedor afirmara que o resultado de sua vitória não corresponde a um progresso autentico? Isso equivaleria dizer que o grupo vencedor estava errado e os oponentes certos, Pelo menos para a facção vitoriosa o resultado de uma revolução deve ser o progresso.

Além disso esta dispõe de uma posição excelente para assegurar que certos membros de sua futura comunidade julguem a historia passada desde o mesmo ponto de vista. Quando a comunidade cientifica repudia um antigo paradigma, renuncia simultaneamente a maioria dos livros e artigos que o corporificam, dai decorre em alguns casos um distorção drástica da percepção que o cientista possui da disciplina. Em suma vê o Passado da disciplina orientado para o progresso.

O membro de uma comunidade cientifica amadurecida é como o personagem típico do livro 1984 de Orwell a vitima de uma historia reescrita pelos poderes constituídos.

A comunidade cientifica é formada pelos colgas profissionais do cientista. O reconhecimento da existência de um grupo profissional competente e sua aceitação como arbitro exclusivo das realizações profissionais possui outras implicações. Os membros do grupo, enquanto indivíduos e me virtude de seu treino e experiência comuns, devem ser visto com os únicos conhecedores das regras do jogo ou de algum critério equivalente para o julgamentos inequívocos. Duvidar de existência de tal critérios comuns de avaliação seria admitir a existência de padrões incompatíveis entre si para a avaliação das realizações cientificas. Tal admissão inevitavelmente a baila a questão de se a verdade alcançada pelas ciências pode ser una.- Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas

Thomas Kuhn não relativizou as ciências exatas, ele demostrou o componente politico ideológico da suas institucionalização e consequentemente o caráter revolucionário que enseja essa estruturação no processo inerente as mudanças históricas na busca do conhecimento e seu desenvolvimento. Inspirado nas transformações politicas-ideológicas revolucionárias compôs uma teoria do desenvolvimento do próprio conhecimento. Curiosamente essa teoria de desenvolvimento conhecimento que politizou a história da ciência, é muito pouco utilizada como abordagem histórico sociológico das próprias ciências humanas!

No Brasil, por exemplo, abundam as analises e leituras sociológicas da história e atualidade fundamentadas no materialismo dialético e até histórico que sequer dialogam (na verdade simplesmente ignoram a revolução ideológica) da abordagem paradigmática de Kuhn que lembram mais teorias heliocêntricas cheias de epiciclos em pleno revolução epistemológica e social coperniciana. Revolução tanto do ponto de vista metodológico quanto do ponto de vista ideológico quando levamos em conta o novo pensamento libertário não apensa de direita do século XX, mas de esquerda do século XXI.

A teoria do desenvolvimento do conhecimento kuhniana serviu de base metodológica para ao estudos sociais da ciência exatas . Deveria servir também de base não só para o desenvolvimento de estudos acadêmicos mais científicos sobre as ciências humanas, mas sobretudo sobre seus objetos de estudo em especial sobre a ciências politicas — o objeto original da observação empírica que inspirou a formulação das teorias dos paradigmas de Kuhn.

Na verdade, não só acadêmicos, mas todos estudos e investigações de qualquer espécie destes objetos de estudos sociais, políticos, econômicos e culturais tão politizados quanto, mas menos ideológicos e mais científicos.

Eu confesso que uso e abuso da abordagem revolucionária para produzir minhas teorias que não são acadêmicas nem científicas, mas são teorias na medidas em são pretensiosas naquilo que toda teorias deveria se prestam a cumprir: me dizer o que vai acontecer e o que devo ou posso fazer. Ou em termos mais científicos fazer predições com razoável confiabilidade e indicar soluções e procedimentos com o mínimo de aplicabilidade.

Até porque o pensamento que não serve para você decidir se fica parado ou anda, se vai para esquerda ou direita, ou então volta, não serve senão literalmente como passa-tempo. Não sei se na literatura de auto-ajuda, mas a literatura ficcional que é capaz de prover ao leitor bem mais do que isso. E o pensamento completamente fundamentado em axiomas dogmas ou princípios preconceituais ideológicos, não tem a menor condição de desenvolver nenhum tipo de ciência independente quanto mais consciência própria.

Fica a dica, menos ordem e progresso, menos dialética marxista e mais paradigmas revolucionários e libertários nessas leituras de mundo, por favor. Menos preconcepções ideológicos, e mais epistemologia libertária nessa historicidade.

Ou o quê? Tá satisfeito com a representação de mundo atual? Você ainda acredita na democracia representativa liberal? Como diria o ideólogo deste estadismo moderno, “ “A democracia [representativa] é a pior de todas as formas de governo, excetuando-se as demais.”? Não a democracia representativa é a melhor de todas as formas de governos existentes excetuando-se as todas as formas diretas de governo que sequer são consideradas me tese, quanto mais para serem colocadas em prática.

Mas para quê né? As democracia e suas instituições estão funcionando em plenamente. As ideologias estão mais atuais e socialmente produtivas que nunca. E a ciência política e econômica tem produzido as melhores previsões e soluções para as crises que ela NÃÂOO criou. Revolucionário para que temos que ser conservadores ou no máximo progressistas. Olhe que legado ma-ra-vi-lho-so!

Ah, véio… sai dessa Tele-Visão, Jão.

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