Microtrabalho, o Turco Mecânico “.com” e a Torre de Babel

Introdução ao Problema da Pulsão de Morte

Introdução, o Turco Mecânico

Era uma vez…

Europa. 1770. Wolfgang von Kempelen inventa o Turco, o Turco Mecânico.

O tal “Turco” era (queimou faz tempo) uma máquina de jogar xadrez que foi apresentada para espetáculos como se fosse um automato (um robô), vestido conforme a moda dos mágicos e ilusionistas da época de turco, ou pelo menos, como as cortes ocidentais assim esperassem que se parecesse um.

Inventado por Wolfgang von Kempelen um funcionário imperial da nobreza húngara, para entreter a imperatriz Maria Teresa da Áustria, o automato, não só era capaz de jogar xadrez e vencer a maioria das partidas mas, como se isso já não fosse espantoso o suficiente, para quebrar o tédio das cortes, o Turco, ao menos nas primeiras exibições, ainda por cima, era capaz de responder perguntas da audiência apontando para letras no tabuleiro. Foi, portanto, ao menos por algum tempo, uma máquina não só especialista em jogar xadrez, mas também em compreender a linguagem humana. Pelo menos assim parecia então. Já exatamente como fazia isto, isto era um mistério que perdurou por certo tempo.

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Que o Turco era construído de elaborados mecanismos e engrenagem, isso era evidente. E nenhuma novidade. Embora não fossem um evento relativamente tão comum, há registros de espetáculos com autômatos para deleitar reis e cortes europeias há alguns séculos antes do turco. E no mundo oriental muito antes disso. Digamos assim, que enquanto a civilização ocidental insistia em cagar onde comia pregando seu “God´s Will”… no Oriente, há relatos de autômatos a exercer função digamos até um pouco menos bestas do que só distrair reis ou Califas:

Al-Jazari descreveu autômatos humanoides complexos programáveis, além de outras máquinas desenhadas e construídas por ele no seu “Livro do Conhecimento de Dispositivos Mecânicos Engenhosos” em 1206. Um de seus autômatos era um barco com quatro músicos automáticos que se apresentavam a convidados em festas da realeza. O mecanismo possuía uma caixa de ritmos programável com cames que trabalhavam em conjunto com pequenas alavancas para realizarem a percussão. Movendo-se os cames de lugar, era possível atingir ritmos e padrões de música diferentes. De acordo com Charles B. Fowler, os autômatos eram essencialmente uma “banda robô” que demonstravam mais de cinquenta movimentos de corpo e face diferentes durante cada seleção musical.

Al-Jazari construiu também um autômato que auxiliava na lavagem das mãos, demonstrando pela primeira vez o mecanismo de descarga utilizado hoje em vasos sanitários modernos. O autômato era uma figura feminina a qual permanecia perto de uma pia cheia de água. Quando o usuário puxava uma alavanca, a água era drenada e então o autômato enchia a pia novamente.Outro de seus dispositivos com este mesmo fim era a “fonte pavão”, um sistema mais sofisticado que utilizava autômatos humanoides como serventes que ofereciam sabão e toalhas. Mark E. Rosheim fez a seguinte descrição: “Quando se puxava um ligamento na cauda do pavão, a água era liberada através do bico; enquanto a água suja utilizada enchia a pia, um pequeno barco subia flutuando e ativava um acoplamento o qual fazia uma figura de um servente aparecer por detrás de uma porta atrás do pavão e oferecer sabão. Enquanto mais água era utilizada, um segundo barco em um nível mais elevado girava e então aparecia um segundo servente o qual oferecia uma toalha!””Al-Jazari foi assim o primeiro inventor a se utilizar de máquinas com figuras humanoides para realizar tarefas práticas como manipular o ambiente a fim de trazer conforto aos humanos. (…)- Wikipédia

Acrescento: Não só conforto mas princípios básicos de higiene. Ou como diríamos hoje em nossa linguagem de programação de idiotas para idiotas, ou se preferir, de convencer pessoas adultas com idade mental de crianças a fazer qualquer coisa: “uma forma divertida de aprender a lavar as mãos!!!” Porém como na idade medieval, as técnicas de “psicologia motivacional” predominantes eram, digamos, “outras”, mais parecidas com a velha e boa trindade da doutrinação,porrete e fome para mover rapidinho os ânimos das bestas humanas. Uma máquina dessa era literalmente coisa do capeta. E bastaria um membro do clero gritar algo parecido com isso para que esse “humanoide oriental” fosse apedrejado e queimado por 3 “razões” distintas: primeiro, porque se movia sozinha, logo, era coisa do demônio; segundo, porque foi construída por um infiel, logo, era coisa do demônio; e terceiro, porque promovia o banho, a lascívia do prazer da esfregação de partes do próprio corpo com água e o pior em público, quanta luxúria e falta de pudor! logo… Claro que isso é uma narrativa completamente fantasiosa, jamais haveria algo assim naquela época… enumeração de razões. Ao menos não fora de um monastério. Brincadeira, luxúria até tinha.

Não é de surpreender portanto que mesmo depois de tanto tempo de monopólio sobre o saber, ainda houvesse na época que o turco começou a circular pela Europa quem acreditasse que o que movia eram forças ocultas, ou mesmo um diabinho escondido dentro da máquina. Já, teorias um pouco menos fantásticas, acrescentam elaborados jogos de espelhos e técnicas de ilusionismo, as quais explicavam que haviam espaço suficiente dentro da mesa para esconder uma pessoa de dimensões extremamente diminutas que operasse o mecanismo, desde que, é claro, soubesse jogar xadrez e fosse capaz de responder as perguntas da platéia, e fosse realmente pequena. Ou seja, por trás, ou melhor, literalmente mas dentro do sofisticado mecanismo do turco mecânico, estava escondido um esquema ainda mais sofisticado, ou nem tanto: um anão dentro da máquina, um anão enxadrista. Ou perdão pela piada racista um turco dentro do turco, afinal se o inventor se chama Wolfgang o coitado trabalhando enfurnado nos porões da máquina só podia ser mão de obra turca…. Pura bobagem, o inventor era húngaro, da nobreza, mas isso é guardada as devidas (des)proporções de tempo e lugar como alguém da nobreza africana trabalhando como barista em Paris… Aliás, diga-se de passagem ninguém jamais soube quem era o suposto anão, ou se era mesmo um, não duvido, mas o filósofo Walter Benjamin garante que além de portador de nanismo era corcunda. Pensando bem, poderia ser uma anã, porque não? O certo é que sabia jogar xadrez e muito bem. E mais certo ainda: não era um computador (nem mesmo a lá máquina de Pascal) nem um diabinho.

Enfim, o fato é que o dito turco entreteve, ou se preferir fez de otário, muita gente graúda do passado, desde reis e imperadores, da corte de Viena à Paris, passando pela Russia. Jogando e vencendo nomes conhecidos como Benjamin Franklin, Napoleão Bonaparte e até mesmo Charles Babbage. Este na verdade o único que realmente (me) surpreende. Mas pensando bem se até Issac Newton perdeu uma grana preta caindo em esquemas de bolhas comprando terras no recém descoberto novo continente das Américas, porque que não o cientista, e pai da computação? Sim eles mesmo, Charles Babbage, não por acaso, considerado hoje o pai da computação, jogou com o Turco, e como tantas outras mentes célebres… e a propósito perdeu.

O que é irrelevante. O que interessa, é que o automato mexeu com seus ânimos e imaginário. Afinal imaginem, do que mais seria capaz uma máquina capaz de computar dados para realizar os cálculos necessários para fazer as operações necessárias para executar aquela tarefa, se ela realmente não era ou fosse uma fraude?

Se hoje existem computadores e laptops dos mais variados modelos e tecnologia, agradeça a Charles Babbage. Talvez você nunca tenha ouvido falar nele, mas o inventor inglês que viveu entre 26 de dezembro de 1791 e 18 de outubro de 1871 é o nome por trás do primeiro computador programável do mundo. A máquina imaginada por Babbage, porém, nunca foi de fato construída por ele. O primeiro computador, na realidade, só apareceu anos depois, em 1936, a partir das mãos do engenheiro alemão Konrad Zuse (…)

Em 1801, o francês Joseph Marie Jacquard criou um tear mecânico, com uma leitora automática de cartões. A ideia inspirou Babbage, do outro lado do Canal da Mancha, a idealizar uma máquina de tecer números que fizesse cálculos e pudesse ser controlada por cartões.

Em 1822, apresentou o projeto de sua grande máquina, a qual chamou de máquina diferencial, capaz de resolver equações polinomiais, possibilitando a construção de tabelas de logaritmos, um dos maiores problemas da época. Em 1823, recebeu financiamento do governo britânico para desenvolver um aparelho que pudesse resolver qualquer tipo de cálculo — ideia por trás dos computadores. (…)- Charles Babbage: saiba quem foi o engenheiro “pai do computador”

Mas eis que não foi o Turco, mas o Tear mecânico a inspirar Babbage. Mas veja como o mundo é cheio de “coincidências”. Sob os olhos atentos do respeitável público do bendito Turco contava gente que ainda não era famosa, mas viria a ser, e fazer história. Entre elas: o Reverendo Edmund Cartwright, o inventor do primeiro tear mecânico em 1785. Outro que teve os ânimos e as ideias, segundo reza a lendas wikipedianas afetadas pelo turco:

O Turco foi visitado em Londres pelo Rev. Edmund Cartwright em 1784, que ficou intrigado pela máquina e questionaria depois se “it is more difficult to construct a machine that shall weave than one which shall make all the variety of moves required in that complicated game” (É mais difícil construir uma máquina que deve tecer que um que fará toda a variedade de movimentos exigidos neste jogo complicado). Cartwright viria a patentear o protótipo da máquina de tear dentro de um ano.[73] O inventor Sir Charles Wheatstone viu uma apresentação posterior do Turco quando este pertencia a Mälzel, e também algumas de suas máquinas falantes. Posteriormente Mälzel fez uma apresentação de suas máquinas para um pesquisador e seu filho adolescente. Alexander Graham Bell obteve uma cópia do livro de Kempelen sobre máquinas falantes após ter sido inspirado por uma máquina similar construída por Wheatstone; Bell foi o primeiro a patentear com sucesso o protótipo do telefone.[3]

O Reverendo, portanto supôs corretamente que era mais fácil construir uma máquina para programar e executar mecanicamente os movimentos repetitivos de um trabalhador numa fábrica do que de um jogador de xadrez. Ou em outras palavras chegou a uma conclusão correta, a partir de uma pressuposição absolutamente falsa, uma observação experimental completamente ilusória, que por ventura no futuro se provaria possível, mas que naquele momento não passava de um dado empírico completamente fraudado, o turco mecânico. Ele acreditou, assim talvez como Babbage que tal advento era possível.

Muito bonito, mas não foi essa a sua grande sacada do Reverendo. Cartwright percebeu que toda a engenhosidade e engenharia desse tipo de maquinação e maquinaria serviria muito melhor para outros propósitos e interesses bem mais lucrativos, como por exemplo, máquinas de tear mecânicas movidas a vapor devidamente projetadas para substituir os movimentos repetitivos dos trabalhadores manuais na industria. As máquinas em fábricas, e não em espetáculos. As vezes o vislumbrar da aplicação de um aparelho para o bem ou para o mal é ainda mais revolucionário que sua própria invenção, e passa a ser o norte do seu advento e desenvolvimento. As máquinas como as conhecemos, e onde a plebe tirando os campos de batalha veio as conhecer. O advento, ou dos, que deu o pontapé inicial do que chamamos revolução industrial (depois, é claro, das alianças politicas estato-burguesas e subsequente encercamento que produziu o capital necessário para financiar esse progresso, mas não vamos complicar demais a história). Uma revolução ou se preferir faceta tecnológica da revolução, que permitiu se livrar de considerável parcela da mão de obra de acordo, produzindo mais com menos custo em gente e tempo, a equação (e mantra) da automação, ou a gênese do tempos modernos.

E o que seriam deles sem o tédio da imperatriz austríaca, a malandra engenhosidade (e porque não genial) do seu empregado húngaro, e a ambiciosa inventividade e pragmatismo do reverendo inglês? Mas espere um pouco acho que estou esquecendo de alguém nessa história? O anão turco dentro do turco mecânico. A exemplo da história, também como num espetáculo cheio de jogo de espelhos e narrativas fantástica orientais simplesmente sumi com o exótico dentro das engrenagens.

Voltemos então, ao presente. Essa máquina é hoje considerada um hoax de uma IA. Ou em bom português, um tremendo esquema de enganação. O famoso 171. E se enfatizo o hoje é porque a época de sua exibições a farsa nunca foi exposta, não completamente como farsa, nem muito menos como hoax nem como IA falseta. Até porque tal coisa não existiam. E explicar tal expediente como um hoax de IA não deixaria de ser curioso, pois é o equivalente a explicar para uma criança que uma carruagem é como um automóvel, só que com bichos amarrados na frente puxando o carro, e não mais o contrário que há um motor elétrico ou a combustão com n cavalos de potencia funcionando como força de tração… ou no futuro termos que explicar para quem nunca viu um carro que ele na verdade é só um avião que não voa, só roda e portanto precisa que as pistas de pouso e aterrizagem estejam conectadas de uma ponta a outra, inclusive com pontes, naquilo que conhecemos hoje, como ruas e estradas. Ajuda a ver, mas não a entender, isto é, a situar e colocar-se no lugar e tempo do outro. Onde no caso nada disso faz o menor sentido. Como aliás não faz ainda para muita gente no mundo atual onde esse futuro não chegou, e sinto muito, nem vai chegar.

Por isso, como não estamos no futuro, mas num país onde a probabilidade de uma parte significante da população e seus descendentes de desaparecer da face da terra antes de sequer saber o que é uma IA um hoax, é enorme, prefiro deixar os termos gringos modernosos de lado e ficar no popular : golpe. Até porque terminologia e tecnologia fora, somos experts tantos neles como contra eles. Ou pelo menos éramos. Malandragem. Esquemas mirabolantes para simplesmente tirar uma grana do próximo. Ou em linguagem técnica: enganar trouxa- seja o rico otário, ou na falta de peixe graúdo no mercado, o miúdo, o pobre coitado e desesperado mesmo. O que não faltam é espertos a comer esperto, até serem comidos pela própria esperteza.

Porque se tem uma coisa que em terra brasilis nunca faltou é phd’s em Harvard’s, e gurus a lá Omar Caiã’s … não o filósofo árabe, é claro, mas o de araque, aquele estelionatário que fez sucesso nos anos 90, lembra dele? aquele, lá… que até deu entrevista no finado programa do Jô? Não? Não tem problema, já tem outro, no mercado, sempre tem outro… Salvadores da pátria, messias, bar, e horoscopo, é que nem benção, remédio e simpatia para curar tudo, de câncer a chifre, a cada esquina tem um, e quanto maior a miséria e miseráveis, ou a carestia do carente emocional ou material ou intelectual, lei da oferta e procura maior o mercado de idiotas como diria incluso o guro deles.

Eis portanto uma arte que por aqui, não precisamos de neologismos nem para entender, nem muito menos apreender como na essência funciona, por quem não conhece na carne, se não conhece ao vivo é telespectador não importa a mídia. Fazer esquemas e aplicar golpes, e viver atento para escapar deles, faz parte do kit de sobrevivência do brasileiro médio. E se não está em seus genes está em seus memes incluso no sentido criado por R. Dawing como unidade fundamental do armazenamento e transmissão da informação e logo formação cultural, ainda que seja como processo evidentemente reverso, isto é, de desinformação e imbecilização cultural das massas. Em outras palavras, na selva da civilização brasileira não cair nesses golpes e esquemas é uma das partes fundamentais da seleção nem tão natural, que permite como dava ao brasileiro sobreviver nesse balde de caranguejos que é o Brasil, ou como diz o dito popular dos século passado, jacaré que dorme de barriga pra cima vira bolsa de madame…. e que o diga os bolivianos que são anão dentro do outro turco mecânico, o das confecções de luxo paulistanas e suas cortes sudestinas que não são de Viena nem de Paris, mas não estraga a infância estendida deles , porque eles ainda acham e juram que são…

Eis o turco mecânico, uma quantidade enorme de engenharia e engenhosidade, jogos de espelhos aplicada a produzir uma ilusão divertida para entreter, distrair quem tenha dinheiro para pagar por ela, e disposição para convenientemente esquecer que em algum lugar há de haver alguém, encerrado em uma caixa para alimentar seu freakshow enquanto não desaparecer completamente da vida, e da história.

Apresentações feitas, saltemos no tempo…

Microtrabalho

2005

A Amazon revolucionou o comércio eletrônico e os e-books. Mas também tem um negócio bem menos conhecido e glamuroso: um site onde qualquer pessoa pode se oferecer para resolver charadas meio esquisitas. É o Mechanical Turk (www.mturk.com), nome que vem do “Turco Mecânico”, um robô jogador de xadrez que foi inventado na Hungria no século 18 mas era uma fraude, pois tinha um humano escondido dentro. A proposta da Amazon é parecida. Ela quer usar a inteligência humana para responder perguntas e realizar tarefas previsíveis e mecânicas — coisas dignas de robô, como analisar milhares de fotos em busca de uma determinada imagem, mas que os computadores ainda não são capazes de fazer. O Mechanical Turk tem sido usado em pesquisas científicas, mas também não faltam projetos estranhos e engraçados(…) — O site de bicos da Amazon

Quão engraçados?

(…) Identificar objetos ou seres (uma mesa, um gato, um ser humano) é das tarefas mais complexas para um computador. É aí que entram as massas. O portal The Verge publicou reportagem sobre moderadores da Cognizant, contratada do Facebook. Foram reveladas condições traumáticas de trabalho, com baixos salários e situações que podem afetar a saúde mental, como a exposição a imagens de extrema violência. Uma personagem da reportagem, chamada somente de Chloe, sai aos prantos de sua sala de trabalho após assistir a um vídeo de um homem implorando pela própria vida sendo esfaqueado e morto. Esse é o tipo de conteúdo moderado por humanos, não máquinas.

O documentário The Cleaners (de Hans Block e Moritz Riesewieck), que estreou no Brasil em março, trata do trabalho dos moderadores, que são terceirizados das grandes empresas tecnológicas do Vale do Silício. O filme apresenta o cotidiano de pessoas de Filipinas, Indonésia, Inglaterra e Turquia que avaliam 25 mil fotos e vídeos por dia, decidindo o que deletar ou não nas redes. O que fazer em relação a uma caricatura de Donald Trump com o pênis pequeno ou ao vídeo da execução do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein? Os critérios passam pelas subjetividades dos trabalhadores que analisam o conteúdo.

Os pesquisadores que se debruçam mais seriamente sobre o tema não usam meias palavras e chamam boa parte do que é vendido como IA de narrativa ficcional. Douglas Rushkoff, autor do livro Team Human, diz que a tarefa inicial para transformar esse cenário é reconhecer a centralidade, a importância, dos seres humanos nas discussões sobre futuro do trabalho e da IA. O jornalista Sidney Fussell, em sua coluna de tecnologia no The Atlantic, afirmou recentemente que esconder o papel dos humanos na IA apenas serve à ficção criada pelo Vale do Silício para vender IA. (…)

MICROTRABALHO

Esta presença humana por trás de supostas soluções de Inteligência Artificial puro sangue fica evidente nas plataformas chamadas de microtrabalho. Nesses lugares, também chamados de crowdsourcing (ou colaboração coletiva), os trabalhadores são pagos por tarefas pequenas, como reconhecer cachorros em fotos ou abastecer bancos de dados respondendo a questionários. As principais plataformas de microtrabalho ou trabalho de clique são Amazon Mechanical Turk, Clickworker, Clixsense, Microworkers e WitMart. A Amazon Mechanical Turk é o caso mais emblemático dessas mega agências de microtrabalho. Lançada em novembro de 2005, a plataforma ficou conhecida pela frase “inteligência artificial artificial”. Seu próprio nome foi baseado, sem ironia, no caso do Turco Mecânico. (…)

Atualmente, segundo dados de pesquisas coordenadas pelo cientista da computação Panos Ipeirotis, da Universidade de Nova York, há mais de 500 mil pessoas trabalhando para a Amazon Mechanical Turk, a maioria dos Estados Unidos e da Índia. Além disso, há mais de 1.200 empresas e pessoas interessadas nos serviços e que diariamente postam atividades de trabalho atraídas pela frase “acesse uma força de trabalho global, por demanda e 24/7”. No site da Microworkers aparece em destaque o número de pessoas que já atuaram nos microjobs: 1,3 milhão. São sempre ocupações de baixíssima remuneração. Pesquisa da Universidade Cornell em dezembro de 2017, com 2.676 trabalhadores da Mechanical Turk, mostrou que o salário médio por hora foi de US$ 2 e apenas 4% receberam acima de US$ 7,25 por hora (salário mínimo federal dos EUA à época).

MODERADORES

Quantas pessoas trabalham nessas plataformas de microtrabalho como Mechanical Turk, MicroWorkers e WitMart?

Em 2015, um relatório do Banco Mundial estimava um total de 4,8 milhões trabalhadores ativos em todo o mundo. E não apenas em lugares mais pobres. Na França, há cerca de 315 mil pessoas fazendo trabalho de clique, segundo dados de pesquisa coordenada por Casilli no país. Do total, apenas 20% trabalham rotineiramente nessas atividades. Um dos exemplos mais recorrentes de humanos por trás da Inteligência Artificial é o trabalho dos moderadores de conteúdo das mídias sociais. São as pessoas que filtram o que pode ou não ser veiculado nas plataformas a partir da análise de fotos, textos e vídeos.

O instituto de pesquisa alemão AlgorithmWatch publicou em abril o Atlas de Automação no país. Em vez de usar o termo Inteligência Artificial, o relatório prefere “Tomada de Decisão Baseada em Algoritmos”, que seria um termo mais preciso. Com isso, a investigação destaca que a responsabilidade pelas decisões automatizadas (ainda) está nos seres humanos, que desenvolvem e aprovam sistemas. Ou que emulam máquinas em trabalhos repetitivos — e mal pagos.

Antonio Casilli, professor da ParisTech, é outro que não compra a narrativa de uma IA sem humanos. Em seu recém-lançado En Attendant les Robots: Enquête sur leTtravail du Clic (À Espera dos Robôs: Pesquisa sobre o Trabalho do Clique, em tradução livre) afirma que a automação é um “espetáculo de marionete sem fios”, pois os maiores êxitos da IA se devem à grande quantidade de dados preparados por trabalho humano. Para ele, máquinas não acabarão com o trabalho humano e são os diferentes tipos de atuação das pessoas nas plataformas digitais que ajudam a ‘treinar’ os algoritmos. Essas atividades podem ser feitas em plataformas desde Uber e AirBnB até aplicativos que trocam dados de geolocalização ou quantos passos as pessoas dão por dia por criptomoedas, como o Bitwalk. Há uma quinzena, reportagem da Bloomberg ecoou Casilli ao mostrar que trabalhadores da Amazon ouvem o que usuários dizem para a Alexa, assistente virtual da companhia. As gravações são transcritas e inseridas no software por revisores humanos.

Posto desta forma, causa até a impressão que essas IAs são uma espécie de Robô Boris, a fraude russa- por sinal dos tempos, bem mais tosca que seu ancestral…

E que portanto, por trás, ou melhor por dentro, de toda engrenagem ou maquinário do homem há sempre um outro homem diminuído, (ou infante) a trabalhar feito um burro de carga, e sempre haverá para sustentar essa farsa. Para trabalhadores conformados com sua sina e claro entusiastas do trabalhismo (não necessariamente no cargo de patrões) uma boa notícia, afinal uma máquina não roubará os seus empregos das suas respectivas proles. Já para o proletariado nem tão contente nem alinhado ao velho trabalhismo, uma notícia não tão feliz, afinal, quer dizer que ele e seus filhos enquanto forem apenas o que são trabalhadores estarão condenados a viver como o anão, puxando as cordinhas para o respeitável público dentro dessa sociedade de consumo. E que consome antes de tudo o próprio espetáculo do ilusionismo. Ou como diria o chef gourmet paga antes, e muito caro, para comer com os olhos.

Mas não se deixa iludir pelo show. Há empregos ainda piores, para empresas ainda piores. E na mesma área de moderadores…

Há empregos piores, nessa mesma área, de moderadores…

Como diria o assassino profissional, máquinas não matam homens, homens matam homens entre outras coisas que se movem e respiram, e com mais eficiência se tiverem em mãos não só máquinas especificamente projetados para tanto, mas com métodos e processos.

Não, não são as máquinas que vão tomar o lugar dos homens, são os homens a se livrar de outros homens, como o fazem de qualquer outro ser, tornado-a em coisa, objeto ou instrumento depois que perdeu seu valor de uso ou troca. A descartar ou eliminar, ou simplesmente deixar de lado gente como se fosse lixo quando esse já não lhe serve mais como tal, como se fosse móvel, imóvel ou maquinaria velha, ou se preferir, o termo técnico a mão-de-obra que já não tem mais emprego, porque na equação custo benefícios já não é capaz de prover seus ganhos e satisfazer seus interesses.

Talvez porque tenha se tornado cara demais, por causa das demandas por direito de igualdade como ser humano e não mais objeto ou propriedade dentro de um determinado território jurisdicional, o maximizador a buscar seus interesses em outros lugares mais vulneráveis as pessoas não possuem o mesmo grau de proteção social e a carne humana seja mais barata. Ou talvez simplesmente porque de fato aquela máquina que antes era cara demais para ser produzida em escala para substituir até mesmo a mão-de-obra mais barata, finalmente pode ser produzida à um custo e produzir numa razão que pague o investimento para quem tem capital ou acesso para financiar sua fabricação ou aquisição. Não importa, o que importa é entender a essência desse processo de criação dos capitais. Seres são tomados e transformada em coisas, uma parte deles é consumida outra é acumulada como riquezas, o que resta é lixo a ser descartado ou eliminado, um custo a ser de preferencia externalizado.

É inegável que não basta inventar o automóvel, a invenção precisa ser mais acessível e barata que o besta de carga para substituí-la. Isso sem contar que o capitalista também não pode ficar com o custo da construção das estradas de rodagem, esse deve ter sido socializado, incluso para as bestas humanas que não só não tem carro, mas que puxam os carros, do contrário, jamais será possível acumular o lucro. A essência do capitalismo de Estado: O estado, e não o capitalismo. Ou seja, a administração que socializa os custos e prejuízos para toda a população, enquanto privatiza os lucros e dividendos para os privilegiados, na razão inversamente proporcional das suas posses. E ainda tem economista trouxa que acha que é possível fazer redistribuição de rendas e propriedades através do próprio aparelho do roubo e expropriação. Mas se tem jurista que acredita que é possível fazer justiça através de tribunais supremos, porque não haveriam economistas a acreditar em mercados subsidiados por monopólios da violência? Cada louco com seu culto e peruca. E dá-lhe cachorro correndo atrás do próprio rabo…

Seres humanos para seu conforto psicológico, seja na condição de gado humano, seja na condição de fazendeiro gostam de contar historinhas para si mesmos e uns para os outros para se reconfortarem mutuamente, ou conseguirem encararem uns aos outros, ou até mesmo a si mesmo diante de um espelho sem verem o que realmente são, ou o que em breve se tornarão. E mesmo nos lugares onde a mão-de-obra é a mais barata de todas, isto é, onde a vida humana não vale nada, e que tanto faz quanto tanto fez o método ou maquinário pelo qual se efetuará esse processo lento de holocausto esse processo de negação da realidade permanece como uma espécie de entorpecente onde a perspectiva de futuro e esperança se confundem com essa forma de viver em perpétua ilusão ainda que no fundo sabendo-se completamente desenganado. Mesmo nos estados-nações totalitários que não passam de feitorias das administrações internacionais para extração de matérias primas e trabalhos forçados onde as classes sociais desempenham funções análogas a de um campo de concentração, desde os prisioneiros passando pela burocracia até o alto escalão, corruptos e mercenários a serviço dos estados e corporações encasteladas em seus burgos que paguem mais ao estado de negação da realidade dos prisioneiros desse jogo cognitivo permanece enquanto interpretam seus papéis nesse panóptico manicomial.

E viver conscientemente dentro do arcabouço deles é como levantar-se e preparar seu café da manhã, beijar seus filhos ensina-los a ler e escrever e vê-los sonhar em ser astronauta, médico ou professor mesmo sabendo que eles tem um câncer terminal que, salvo o desvio padrão, já definiu seu parcos futuros possíveis. Mas o fato é que no jogo reiterado da vida, onde os prêmios são mais ou menos chances de vida, os com menos chances podem ganhar algumas, mas seu destino está sempre selado, pode demorar um pouco mais ou pouco, menos, sua gene vai desaparecer. O resto como disse é canção de ninar para crianças que vão morrer de fome, uma canção de ninar embalada na matemática das loterias e cassinos, onde se vende ganancia como se fosse esperança. O segredo do abate lento e velado: esperança; nunca abater todos de uma só vez. Alimentar a esperança, até porque ela é a base do trabalho alienado. A ilusão do copo meio cheio e meio vazio. Numa população matematicamente analfabeta e materialmente desesperada, pouco importa quantos morreram e vão novamente morrer sem ter a menor chance, basta o recorte da amostragem daquele que conseguiu para alimentar a ilusão de esperança e que afinal de contas existe a chance de sucesso também para eles finalmente nessa geração.

Isto é o microtrabalho, mais uma canção de ninar. Enquanto quem embala e é embalado não tem coragem de olhar para o inevitável fim, ou se levatnar contra a culto milenar de morte que entoa esses cânticos de canibalização do homem pelo homem como se a ovelha estivesse ganhando sua vida quando entrega como pernil ao lobo. Cumprindo seu papel na natureza e sociedade.

Isto é o microtrabalho. Outra canção de ninar para a prole do proletariado que não estará entre nós exetos em traços do código genético ou cultural daqui alguns séculos, ou talvez nem isso, dependendo do tamanho da repulsa daqueles que prevalecerão e ocuparão as mesmas terras de outrora por esses traços tão fenótipos, quanto fenótipos. Talvez, sobre um cabelo crespo, uma comida, uma palavra, uma roupa, uma memória, um rito familiar ou religioso esquecido ou apagado, conforme os interesses dos escribas e arquivistas e quem sabe, quem quer saber eventualmente resgatado em seus restos conforme as disputas dos novos interesses em disputas que evidente não interessam mais a vida desses que foram exterminados fagocitados em seus restos por seus supostos “herdeiros”.

Um novo nome para um velho negócio, que em bom português, ou melhor, “ brasileirês”-em Portugal tem outro significado- conhecemos por “ fazer um bico”, só que agora feito em computador e internet- evidentemente disponível somente para aqueles que não são completos analfabetos (também) digitais. Microtrabalho: pegar qualquer ocupação por uns trocados para sobreviver; se virar com o que tiver e como que puder por sua conta e risco. Ou seja, Bico, agora, na internet. Fenômeno antigo, que economistas preferem eufemisticamente chamar de “emprego informal”, acadêmicos de “precariado”, e por aí vai… mas que na prática é só um alguém ou mais precisamente um ninguém tentando sobreviver na merda com um trabalho de merda, seja vendendo balas num farol ou agora cliques num site a preço de balas. Sobrevivem numa falha residual da automação dos processos do sistema que seu antigo emprego, não vão durar muito tempo, pois se tudo der certo são falhas que em breve serão corrigidas, e não implicarão mais em “custos desnecessários”.

No caso para alimentar IA em suas fases mais primitivas, ou digamos selvagens desse capitalismo informacional. E isso que ainda pagam e não escondem o que estão fazendo! O que, claro, não é nenhum mérito. Mas há megacorporações fazendo coisas bem piores e numa escala digna das piores distopias de ficção científica totalitárias. Que não só não pagam pelos dados que roubam dados dos seus viciados (perdão usuários) como os traficam para alimentar os cibermonstros dos BigBrothers privados e estatais a infestar, vigiar e cometer atrocidades devidamente amparadas pela sua cobertura (e acobertamento) jurisdicional da supremacia das suas forças de fato. Megacorporações que por sinal agora estão apagando os rastros dos seus crimes, ou melhor, “legalizando os capitais” “adquiridos” nessa nova fase de “acumulação” do capitalismo informacional.

Em 2016, a Microsoft desenvolveu uma base de dados com mais de 10 milhões de imagens de cerca de 100 mil pessoas. Nesta quinta-feira (6), o Financial Timesnoticiou que a companhia silenciosamente deletou a tal base de dados, batizada de MS Celeb, da internet.

Antes de ser apagada, a MS Celeb era a maior base de dados pública de imagens faciais do mundo. Era era chamada de “Celeb” de propósito para implicar que os rostos do conjunto eram de figuras públicas. Acontece que, de acordo com o Financial Times, muitas pessoas presentes lá não tinham dado permissão para o uso de suas imagens.

Na verdade, suas fotos foram incluídas a partir da raspagens a partir de buscas por imagens e vídeos sob a licença Creative Commons.[é incrivel como ainda tem gente que embarca nessa licenças furadas]. Sob essa licença, você pode reutilizar fotos para pesquisa acadêmica, por exemplo. E o sujeito na foto não precisa, necessariamente, garantir a licença, uma vez que o dono da imagem já a garante.

(…)

“O site era voltado para propósitos acadêmicos”, disse a Microsoft ao Financial Times. “Ele era mantido por um funcionário que não está mais na Microsoft e desde então a página foi removida”.

Infelizmente, não é tão simples assim. O MS Cebeb já foi utilizado por diversas empresas, incluindo a IBM, Panasonic, Alibaba, Nvidia e HItachi.

A ferramenta também foi usada pela Sensetime e Megvii, duas empresas que são fornecedoras de tecnologia para as autoridades chinesas em Xinjiang, onde o reconhecimento facial e a inteligência artificial tem sido usada para rastrear e prender grupos minoritários como os uigures e muçulmanos.

A Sensetime foi avaliada em mais de US$ 4,5 milhões no final de 2018, e seus sistemas SenseTotem e SenseFace são utilizados por diversos departamentos da polícia da China.

A Megvii recentemente levantou US$ 750 milhões em um investimento e sua tecnologia Face++ foi citada em um relatório da Human Rights Watch como uma fornecedora da Plataforma da Junta de Operações Integradas (IJOP, na sigla em inglês) — um aplicativo da polícia utilizada em Xinjiang. O grupo de direitos humanos, no entanto, alterou seu relatório dizendo que o código do Face++ presente no IJOP não foi ativamente utilizado.

(…) A própria Microsoft expôs sua oposição sobre a utilização de tais tecnologias como uma forma de vigilância governamental. Em uma publicação em dezembro de 2018, a Microsoft pediu para que companhias criem proteções e para que governos comecem a regulamentar a tecnologia de reconhecimento facial.

Nesta publicação, a companhia reconheceu o potencial de abuso do reconhecimento facial por governos. Em abril, a Microsoft supostamente recusou o pedido de uma agência de aplicação da lei da Califórnia para instalar tecnologia de reconhecimento facial nos carros policiais e câmeras acopladas ao corpo dos agentes, já que fazer isso poderia ter um impacto desproporcional sobre mulheres e minorias.

No entanto, as objeções e boas intenções da Microsoft param por aqui. O Financial Times notou que o conjunto de dados MS Celeb continua disponível pata qualquer instituição acadêmica ou empresa que já a baixou, e ela continha sendo compartilhada pelo GitHub, Dropbox e Baidu Cloud. O Gizmodo entrou em contato com a Microsoft solicitando esclarecimentos, mas não nos responderam até o momento desta publicação. -Microsoft apaga silenciosamente base de dados de 100 mil rostos

Perdão, viajei. Isso já não é mais uma questão comercial nem muito econômica, mas geopolítica e de guerra dita híbrida entre potencias com ênfase pelo domínio da tecnologia da informação, automação e telecomunicação, base da nova fase de guerras e revoluções industriais, onde não somos propriamente players, mas cenário e alvos, e claro buchas de canhão e besta de carga. Ok. Rigorosamente, comércio economia internacional no fundo nunca deixaram de ser também formas de guerras hibridas pela posse dos meios estratégicos, menos invasivas, custosas e vexaminosas de operar e obter os resultados até mais lucrativos e eficientes de uma guerra tradicional de domínio, ocupação ou até mesmo pura pilhagem e extermínio- evidentemente que não excludentes e usadas até hoje, de forma combinada e não raro com a própria cooptação e adestramento da administração e oligarquias domésticas (mais redução de custos).

Entretanto, quando tratamos de “microtrabalho” não estamos tratando ainda das fases derradeiras desse processamento de capitalização de um território e suas riquezas. Mas das fases intermediárias desse processo de produção dos capitais inter-nacionais. As fases nos guetos onde aqueles que ainda não sabem que estão condenados em sua maioria a desaparecer de uma outra forma, do DNA da humanidade, irão tentar viver como se sua vida ainda corresse dentro de uma natural normalidade, na medida do possível, trabalhando, fazendo trocas, inclusive, através dos minúsculos buracos dos muros que os apartam do resto mundo…

A vida nos guetos era insuportável. Havia superpopulação, e várias famílias eram obrigadas a dividir uma mesma residência. Os sistemas de esgoto eram destruídos pelos nazistas, e os dejetos humanos tinham que ser jogados nas ruas juntamente com o lixo. Não havia comida, as pessoas viviam famintas. Para manter estas condições subumanas, extender o sofrimento dos judeus ao máximo, os alemães permitiam que os residentes comprassem uma pequena quantidade de pão, batatas e gordura, praticamente insuficiente para sobrevivência, e nada mais. Alguns moradores que possuiam dinheiro guardado ou pertences valiosos conseguiam trocá-los por qualquer comida que entrasse clandestinamente nos guetos. Outros tinham que mendigar ou roubar para sobreviver. Durante os longos e severos invernos europeus, não se conseguia combustíveis para aquecimento das casas, e a maioria das pessoas não possuía roupas adequadas ao frio. Elas ficavam cada vez mais fracas por causa da fome, mau tratos a que eram submetidas, e a exposição ao frio fazia com que ficassem extremamente suscetíveis a diversas doenças. Dezenas de milhares de seres humanos judeus morreram de fome, frio, e doenças nos guetos. Muitos indivíduos desesperados se suicidavam.

Todos os dias havia um número crescente de crianças órfãs, e elas tinham que cuidar de suas irmãs e irmãos mais novos. Os órfãos normalmente viviam nas ruas mendigando restos de pão de pessoas que tinham muito pouco ou nada para compartilhar. Muitas crianças morreram congeladas e com fome durante o inverno.

Para sobreviverem, as crianças tinham que se tornar habilidosas e úteis. Às vezes, crianças pequenas do gueto de Varsóvia ajudavam a contrabandear comida para suas famílias e amigos arrastando-se por pequenos buracos nos muros dos guetos. Isto era muito arriscado, já que os contrabandistas capturados eram severamente punidos, mesmo que fossem crianças.

Em muitos guetos, vários jovens tentavam continuar seus estudos, participando de aulas organizadas por adultos. Como as aulas eram ministradas em segredo, os alunos aprendiam a esconder os livros que conseguiam embaixo das roupas para não serem capturados.

Embora sofrimento e morte fizessem parte do cotidiano das crianças, elas não deixaram de brincar. Algumas tinham bonecas ou caminhõezinhos que levaram consigo quando foram capturadas e enviadas como prisioneiras nos guetos. As crianças também construíam brinquedos usando pedaços de madeira e tecidos que encontravam. No gueto de Lodz, na Polônia, as crianças transformavam a parte de cima de caixas de cigarros em cartas de jogos infantís. —

Pois é. Cada um se vira como pode, dependendo do “Estado-Nação” em que como campo de concentração para extração de trabalhos forçados em que nasceu, perdão, território em que esteja condenado a viver, ou morrer…

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Coleta de lixo é suspensa em Porto Velho após denúncias de trabalho infantil no lixão municipal

A coleta de lixo em Porto Velho foi suspensa , após denúncias de trabalho infantil no lixão municipal da capital. (…)

Mesmo ciente do transtorno ocasionado pela suspensão da coleta de lixo, a auditora fiscal Marinalva Cardoso acredita que a decisão é necessária para o cumprimento de medidas que resguardem a integridade moral e física de crianças e adolescentes no local.

Segundo a fiscal, crianças e adolescentes trabalham de maneira irregular em condições de “horror psicológico”.

“As cenas que vimos são dignas de medidas mais drásticas. São crianças que vivem no mesmo nível que cães e urubus. Todos brigando pela sobrevivência. Ali, há situações muito piores do que encontramos em acampamentos de escravos”, afirma Marinalva.

Segundo a fiscal do MTE, as crianças visitadas não estão com o corpo e mente preparados para as agressões químicas, ambientais e térmicas, características do local de trabalho.

Para ela, caso o atual quadro de violação não mude, os adolescentes poderão enfrentar problemas graves quando atingirem idade legal para trabalharem.

“Essa população em formação (crianças e adolescentes) estará com sequelas e doenças adquiridas ali (do lixão). Provavelmente, serão amparadas pela previdência social ou sistema de saúde. Ou estarão mortas. A situação é gravíssima. Torcemos para que Porto Velho encontre a solução mais rápido possível para aquela população”.

Após as visitas, os fiscais do MTE emitiram três autos de infração à empresa responsável pela coleta do lixo, além do termo de afastamento de trabalho dos adolescentes que, caso venha a ser descumprido, poderá resultar em crime de desobediência à empresa.(…)

O que os fiscais encontraram?

A fiscal Marinalva Cardoso conta ter ouvido relatos fortes que podem colocar em risco o psicológico de adolescentes que trabalham de maneira ilegal no local.

“Lá, até fetos são encontrados diariamente no lixo. É um cenário de horror psicológico para adolescentes que convivem com a morte e acham isso normal”, conta a fiscal.

Segundo ela, o MPT já possui uma ação civil pública contra a empresa responsável pela coleta do lixo na capital. Sobre a Prefeitura, a fiscal acredita que o município também tem responsabilidade.

“A Prefeitura precisa entrar com algumas atitudes que deveria ter tomado há muito tempo. Estamos com tratativas junto ao Município e a elaboração de um diagnóstico à coordenação local (do MTE)”, explica a fiscal.

A equipe visitou locais de trabalho que funcionam dentro do lixão, como lava-jatos, oficinas mecânicas, borracharias, serralherias e granjas de coletas de ovos.(…) -Coleta de lixo é suspensa em Porto Velho após denúncias de trabalho infantil no lixão municipal

Microtrabalho, é portanto uma resultante da massificação da informatização na automação da produção, e logo precarização do trabalho, incluso daqueles diretamente subproduzidos pelo próprio avanço da industria tecnológica. E sob o codinome “precarização do trabalho” leia-se a obsolência programada, descarte e eliminação, incluso dos registros históricos desse outro maquinário que se tornou obsoleto, a velha mão-de-obra, em geral já devidamente discriminada e apartada em sub-raças e sub-classes. O branqueamento dos capitais acompanha o das nações. Não é portanto nenhuma novidade. È o progresso, ou mais precisamente a continuidade de uma progressão. E uma progressão onde simplesmente não há espaços para todos os anões, não todos dentro das engrenagens desses turcos mecânicos… Nem para os anões bilíngues que sabem jogar xadrez…. nem muito menos para gente pequena que só sabem fazer o que uma IA ou robô não sabe ainda fazer sozinho.

Seja diferenciar tartarugas de fuzis…

vender balões em semáforos para menininhos envelhecidos brincalhões…

ou entregar comida como os turcos mecânicos que ainda não tem como fazê-lo sozinho…

Em um momento de crise econômica e alta do desemprego, os aplicativos de serviços como Uber, iFood, 99 e Rappi atraem desempregados e pessoas que têm dificuldades para se inserir no mercado de trabalho com a perspectiva de obter alguma renda.

No mês passado, um estudo do Instituto Locomotiva, publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo, apontou que quatro milhões de pessoas trabalham para essas plataformas no Brasil hoje — 17 milhões usam os serviços regularmente.

O aplicativo colombiano Rappi, por exemplo, começou a operar no país em julho do ano passado e hoje vê seu número de entregas aumentar 30% ao mês.

Por outro lado, o crescimento do negócio vem acompanhado de críticas. Especialistas afirmam que as empresas ajudam a precarizar o trabalho, pois elas não costumam seguir as leis trabalhistas. Seus colaboradores fazem jornadas de trabalho muito mais longas que as oito horas previstas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por exemplo.

‘As vantagens de ser motoboy’

Nas ruas de São Paulo, existem duas categorias de entregadores de aplicativos: os motoqueiros e os ciclistas. Elas concorrem entre si.

Quem tem uma moto recebe mais pedidos, trabalha de uma forma menos exaustiva e, principalmente, consegue ter uma renda maior — às vezes, recebe até o dobro do ciclista. (…)

‘O paradoxo dos ciclistas’

Já o entregador que usa bicicleta, por sua vez, vive uma espécie de paradoxo: por mais que a tecnologia faça a roda do delivery girar, o trabalho dele depende essencialmente da força física. Quanto mais ele pedalar, quanto mais quilômetros percorrer pela cidade, maior será sua remuneração.

Por isso, os ciclistas ouvidos pela reportagem relataram fazer jornadas de mais de 12 horas diárias, trabalhar muitas vezes sem folgas e até dormir na rua para emendar um horário de pico no outro, sem voltar para casa.

Em média, eles conseguem uma renda mensal de R$ 2 mil, segundo relatos. As empresas não revelam dados sobre o perfil de seus colaboradores, mas, em uma semana de conversas, a reportagem constatou que grande parte pertence às classes mais baixas, mora em bairros periféricos e tem dificuldade para conseguir empregos no mercado formal.

‘Uberização’

Pesquisa realizada pela Fundação Instituto Administração (FIA) e divulgada pela Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O) aponta que a idade média do entregador é de 29 anos — os números contemplam motoboys e ciclistas. A maioria (97,4%) é homem; 73% têm apenas o ensino médio completo, e 11,7% já concluíram ensino superior ou pós-graduação.

Durante as conversas com a reportagem, muitos deles usaram o mesmo argumento para explicar por que atuam no setor: “O trabalho é a gente que faz”.

Para eles, os aplicativos de entrega oferecem certa liberdade que não teriam em uma função mais formal. Ou seja, você escolhe seu horário, trabalha o quanto quiser, pode ir embora a qualquer hora e, para ganhar mais, basta se esforçar mais, segundo eles. (…)

Para a pós-doutoranda Ludmila Costhek Abilio, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, a chamada “uberização” é uma tendência no mercado de trabalho. “Esse processo é de informalização, que vem tirando as garantias e proteções. Agora, é o trabalhador quem entra com os meios de produção, além de arcar com os custos e com os riscos da atividade”, explica.

“Supostamente, a pessoa trabalha onde e quando quer, mas a verdade é que ela está trabalhando cada vez mais. O que estamos estudando é como esses trabalhadores estão subordinados aos algoritimos, às regras de cobrança, às comissões e às metas de produtividade. Não me parece que as escolhas sejam tão amplas assim”, diz Costhek Abilio.

Em outras palavras, o motoboy André dos Santos, 30, concorda com essa visão: “Quem tem disposição realmente consegue ganhar dinheiro. Mas tudo o que acontece depende de você: se cair e se machucar, você está sozinho; se chover e não trabalhar, não ganha nada. Se morrer, ninguém vai pagar o seguro para sua família, ninguém vai ligar para sua mulher”, diz.

‘Ida e volta para a quebrada’

Para os entregadores, os dias de chuva e os finais de semana são os mais lucrativos, pois o número de pedidos e o valor do frete aumentam. Um domingo, por exemplo, pode render até R$ 200 em entregas. “O povo não gosta de cozinhar nem sair de casa nesses dias”, explica Welquer Vicente, de 27 anos.

Ele mora no Jabaquara, na zona sul, e trabalha na região da Paulista. Conta já ter virado a noite de sábado fazendo entregas, emendando a jornada noturna ao domingo seguinte, sem voltar para casa. “Tenho pensão de um filho para pagar”, diz.

Seu colega, Gabriel Di Pieri, 18, conta não ter visto muito a família nos últimos meses. “Chego em casa, tomo um banho e durmo. Não vejo ninguém”, diz. Ele tem juntado o dinheiro das entregas para pagar a faculdade de gastronomia que sonha fazer.

Em Pinheiros, Gabriel de Jesus, 22, diz já ter virado o fim de semana trabalhando, também. “Sábado à noite a gente dorme na praça Victor Civita. Não vale a pena voltar para casa e depois vir para cá de novo, de manhã”, diz. Seu amigo, Robert dos Santos, completa: “A gente reveza: um dorme no banco e outro fica acordado para proteger dos roubos”.

Robert mora no Campo Limpo, também na zona sul paulistana. Todas as manhãs, ele percorre 15 km até Pinheiros, de bicicleta. “Isso é só a ida, parça. Depois, trabalho o dia todo, até meia-noite”, diz.

Ele pensa em seguir no setor: quer comprar uma moto para ascender na escala dos aplicativos. “Agora que já tenho as manhas do trabalho, que já conheço as ruas, só me falta um motor.” -Dormir na rua e pedalar 12 horas por dia: a rotina dos entregadores de aplicativos

Ou melhor, não tinham…

Pois é como disse o parça: “Só me falta o motor”. Ou como diria o famoso matemático de Siracusa talvez mais famoso hoje por correr pelado gritando: “Eureka!”: “Me dê um ponto de apoio que moverei o mundo”. E o que seria do mundo (e das trocas de pneus), sem as essas máquinas simples, as alavancas.

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A quantidade de novos “trabalhos ”criados a partir da automação nunca absorveu a demanda dos postos extintos, nem muito menos suprir a necessidade de empregos que precisam ser criados. O pleno emprego sempre foi uma historinha para boi dormir enquanto espera o abate, e mesmo que por um milagre ou necessidade urgente viesse a não ser, a sociedade não teria tempo e capital para acompanhar a produção a formação da mão-de-obra devidamente “capacitadas” para tanto, não na mesma velocidade com a qual se acelerou a automação e consequentemente a obsolescência deste saberes descartáveis.

Não há paradoxo algum. Ou se tem a máquina, ou a grana para comprar uma e montar nela (ou em alguém), ou na falta das duas coisas se corre atrás para comprar uma e poder montar em ambos (na máquinas e nos outros). E quem nasceu sem nenhuma das 3 coisas? Sem máquina, sem grana, e, sem pernas… e aí? E aí nada. Esse já era. Seleção natural, ou se não quiser jogar a responsabilidade para natureza,desumana mesma.

E se por um milagre esse ser humano reduzido a seu estado mais primitivo conseguir sobreviver nessa selva de pedra do velho e bom capitalismo selvagem garanto a você vai querer cruzar seu caminho com ele, seja o primata de terno e gravata escolarizado ou treinado em laboratório, ou o primata que teve que a sobreviver nas ruas, em nenhum dos casos, o produto desse processo civilizatório é o ser humano idealizado, mas o brutalizado e não pela natureza.

Não há paradoxo, substitua a senhora dos balões e o plaboy da mercedez, por neguinho numa bike fazendo a mesma brincadeira com a correntinha da madame…

E nenhuma das tribos irá ao final do dia nem da história ser o vilão da narrativa dos seus contos de ninar. Então aos invés de trocar as práticas, trocamos os nomes. Ou por vezes, mantemos as práticas, mas damos uma maquiada. Na revolução industrial, as primeiras fábricas que se valerem do trabalho infantil não regulamentado, mas pode chamar pelo nome correto, escravidão assalariada de crianças para formar muito do capital que foi reinvestido para formar mais capital… muitos proprietários se consideravam verdadeiros filantropos por fazerem as crianças que trabalhavam horas a fio a cantar músicas pedagógicas que as ajudam a aprender contar e entre um dedo e outro decepado, apreendiam assim a contar… pois é, e quem disse que nessa época já não existia responsabilidade corporativa empresarial?

Livre-se da hipocrisia do politicamente correto e encare o monstro que mora dentro da cultura dos valores das nossas sociedades, não aqueles pregados, mas o de fato praticados, elimine os termos e apenas compute os resultados, e você verá que propositados ou omissos, eles são em efeito e número e sobretudo em método os mesmos. Há 3 formas de se livrar, jurando que ama ou odiando o próximo ou o estranho. Dois deles são bem conhecidos e recriminados, por que como projetos geopolíticos foram derrotados pelo primeiro que se humanizou ou mascarou por algum tempo.

O primeiro, a eugenia positiva: matar o mais rápido possível, o maior número de membros, (se possível a totalidade) de uma determinada “gene” até sua completa extinção.

O segundo, a eugenia negativa: dificultar, proibir a miscigenação e de preferência esterilizar o maior número de membros (se possível a totalidade) de uma determinada gene até sua completa extinção.

E o terceiro, a eugenia passiva: subtrair e obstruir e dificultar todos os meios vitais e ambientais do maior número de membros (se possível a totalidade) de uma determinada gene até sua completa extinção.

Claro que no mundo real, não existe purista, e o que observamos é uma combinação histórica da aplicação desses 3 métodos com a prevalência maior de um ou outro conforme as circunstâncias. Mas o terceiro, a eugenia passiva é o que interessa aqui, por que é elefante, na sala do trabalhismo e industrialismo, o traço genocida comum tanto dos estados mínimos liberais quanto dos estados máximos comunistas. Já que ambos estados são sustentados pelo latrocínio em massa da população, sobretudo a mais carente e vulnerável.

Pois se o estado vigilante noturno liberal usa o monopólio da violência estatal e administra a expropriação criminosa do bem comum (e particular) da população em prol do mercado corporativo doméstico e trasnacionais, enquanto o famigerado comunismo estatal não se contenta com menos que o latrocínio em massa, só que em favor de uma outra classe devidamente entranhada na burocracia estatal, neste caso sem a complexidade e finesse das democracias liberais com seus lobistas, e ilusão de alternância de poder. Mas diretamente através de oligarquia política que acumulam tanto as funções de operadores do mercado quanto da política com autarcas populistas, ou simplesmente ditadores.

Esse é o problema com as teorias sobre microtrabalho e precariado. Elas corretamente entenderam que não importa o quanto a tecnologia avance, sempre haverá, ao menos enquanto perdurar essa escala de valores e costume com traços psicopáticos mão-de-obra mais barata que um prego, por conta da relação custo e beneficio, e oferta e procura de seres humanos. Porém, o que essas teorias, não estão dispostas, ao menos não ainda, a encarar, é o fato que essa mão-de-obra, a gene dessa gente não é a mesma, daqueles que outrora a exerceram no passado, não porque alguns conseguiram como desvio padrão com seu esforço escapar daquela condição, mas porque como um Neandertal a maioria simplesmente desapareceu como gene, etnia e cultura perdida nos códigos daqueles que prevaleceram e o exterminaram usando qualquer um, ou todos, os 3 métodos como que o homem vem dando cabo não só dos outros homens mas de todas as espécies que tem o azar de cruzar nosso caminho.

Em outras palavras sempre haverá segundo as leis de mercado vidas humanas tão desvalorizadas que não valem sequer o investimento na sua própria obsolência descarte e substituição por autômatos. Mais do que isso, que não valha sequer os custos do subsidio da sua reprodução, ou que pelo contrário só valem o investimento contrário o da redução da população, seja como mão de obra desempregada atual, seja como mão-de-obra que não terá nenhuma alienação do capital no futuro.

Tem muita gente no mundo? Depende. De qual tipo de gente, e quando falamos de tipo de gente, estamos falando portanto aos olhos e interesses de quem.

E esses são casos aleatórios. Quem procura, acha. A história de cada tribo-nação enterrada em seu território é um cemitério a repetir o conto de Caim e Abel, cave um pouco mais fundo e você vai encontrar não só famílias inteiras não só de outras tribos mais ou menos distantes dizimadas, mas de primos e irmãos que minguaram até a morte, mas que foram positivamente eliminados por seus antepassados takers/rapers em disputas pela primogenitura pela supremacia na hereditária, ou termos culturais material e economicamente bem estabelecidos como propriedades, simplesmente herança. Direitos hereditários de posse tanto sobre o que outrora fora naturalmente comum, não como abstração ideológica, humanidade, mas como origem da humanidade, seja enquanto mito teológico, de criatura provenientes de um mesmo pai criador, seja enquanto criaturas que na genese compartilham o mesmo gene da sina da puta/escrava que os pariu, e no final das contas, na última geração também inevitavelmente a mesma sina.

A economia é ferramenta cultural. A gene e hereditariedade, governa a mentalidade do homem que governa o mundo. Portanto não se engane, a lógica dos negócios, e da economia, não é uma ciência, é uma ideologia, e como tal não escapa ou supera esses instintos primitivos de sobrevivência embora tente se travestir e ufanar de uma racionalidade capaz de transcender tais limitações e desejos. Porém não supera fatores e condições ambientais nem as vulnerabilidades psicológicas que reduzam na degeneração de comportamentos ditos humanos que levam muita gente, não sem razão, a preferir a companhia e companheirismo de bichos com instintos gregários e empáticos mais bem preservados e desenvolvidos do que de muita gente, sobretudo quando em bandos.

Analisar portanto o trabalho, fora da perspectiva da administração dos ministérios das fazendas de gentes. Sociedades altamente civilizadas e industrializadas, permitiram que se estendesse, intensificasses e exponenciara a infantilização das massas domesticadas ampliando não só a vida útil dessa besta de carga que não quer saber do que é feita sua comida, ou para onde vai suas fezes e seu lixo. Mantidas como crianças produzindo como se fosse um jogo.

Qual população nós estamos falando? E quem supostamente somos esse nós? A grande questão é o que te leva a crer, ou mais precisamente a pressupor que você está está incluso em determinado grupo e não em outro? O que te leva a crer que você está incluso no grupo dos sujeitos a parte a avaliar as populações excedentes e não das povos apartadas tomadas por populações excedentes?

Não, senhores. Tudo depende de quem é considerado como gente e quem não, nesta equação, ou mais precisamente quem é o sujeito da ação e quem são os outros que estão sujeitos a seus objetivos reduzidos antes de tudo a objetos primeiro da sua ideação depois da sua ação, se tudo é claro, sair como o idealizado.

Dependendo da gene com a qual o sujeito identifica e reduz um determinado conjunto populacional, ele pode chegar a conclusões completamente distintas sobre se precisa de gente, se precisa aumentar ou reduzir as taxas de natalidade, oportunamente deixar por sua conta e risco, ou mesmo proativamente fazer crescer as taxas de mortalidade entre aquele tipo de gente, enquanto por outro lado, dentro da sua gente, deve crescer e se multiplicar.

Sem se misturar… é claro. Porque somos todos iguais, desde que devidamente bem longe e separados de preferencia por muros. E ai daquele que tentar expor a hipocrisia dos nossos discursos com atos, ou acordar as crianças confortavelmente postas para nanar…

Enquanto isso, na nossa faixa de Gaza, vai rezando para o deus das pessoas de bem com soluções finais apenas reservadas para os estados-nações tanto com devida licença para matar, quanto para ser abertamente democracias raciais, e não velados como a nossa:

Há aqueles que gostariam de jogar um míssil onde criminosos bem mais perigosos que traficantes estão instalados, palácios, ou que um meteoro caísse levando todos eles, contudo não fazem, não em respeito, aos estatopatas que neles habitam, mas sabendo talvez da futilidade do ato, outro tomará seu lugar, sobretudo sabendo da sua monstruosidade, dado a imbecilidade da arma empregada, afinal misseis, depois bombas radioativas, armas químicas e minas terrestres, são as armas mais covardes e pusilânimas já entregues por seus fabricantes e inventores nas mãos dos piores macacos psicopatas apertadores de botões e gatilhos, dos piores assassinos em massas que já caminharam sobre a face da terra, já não só não separam o joio do trigo durante suas guerras contra a humanidade como continuam matando, mutilando e deformando também inocentes mas continuam a fazê-lo depois que já foram pro colo do capeta faz tempo.

Só a título de exemplo…

1. A ameaça para as crianças

113. As minas terrestres e os engenhos por explodir significam um perigo particular para as crianças, especialmente, porque as crianças são naturalmente curiosas e podem apanhar objectos estranhos que encontram. Dispositivos como as minas “borboleta”, utilizadas extensivamente no Afeganistão pela antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, são coloridas de um verde brilhante e têm duas “asas”. Apesar de não terem sido concebidos para parecerem brinquedos, estes dispositivos podem representar mais uma atracção mortal para as crianças. As crianças são também mais vulneráveis ao perigo das minas terrestres do que os adultos porque não reconhecem ou não conseguem ler as sinalizações de aviso. Mesmo que conscientes do problema das minas, as crianças pequenas podem não ser tão capazes como os adultos de as detectar: uma mina no meio da vegetação, claramente visível para um adulto, pode ser menos visível para uma criança pequena, cuja perspectiva se situa uns centímetros mais abaixo.

114. O risco para as crianças está ainda patente na forma como as minas e os engenhos fazem parte da vida quotidiana. As crianças podem estar tão habituadas às minas que se esquecem que são armas mortais. No norte do Iraque, sabe-se que as crianças usavam minas como rodas de camião de brinquedos e, no Camboja, foram vistas crianças a jogar “boules” com minas anti-pessoais B40, ou mesmo a iniciar a sua própria colecção de minas terrestres(26). Os perigos dos engenhos por explodir são muito semelhantes e, em muitos locais, estas armas são muito mais numerosas. Durante a sua visita de trabalho ao Camboja, a signatária observou que cada vez mais os civis utilizam minas e outros engenhos nas actividades do dia-a-dia, como a pesca, para guardar bens particulares e, até mesmo, para resolver disputas domésticas. Esta familiaridade entorpece a consciencialização do perigo que representam estes engenhos.

115. As vítimas das minas e de engenhos por explodir tendem a concentrarem-se entre os sectores mais pobres da sociedade, onde as pessoas enfrentam perigos todos os dias ao cultivarem os campos, ao tomarem conta do gado e ao procurarem lenha. Em muitas culturas, estas mesmas tarefas são desempenhadas por crianças. No Vietname, por exemplo, são as crianças mais novas que tomam conta dos búfalos de água da família que, frequentemente, pastam livremente em áreas cujo terreno foi minado ou que contêm bombas ou cartuchos por explodir. Muitas crianças pobres também trabalham como varredores de ruas. Numa aldeia em Moçambique, várias crianças juntavam sucata para vender no mercado local. Quando a levaram para o mercado e a colocaram numa balança, o metal explodiu, matando 11 crianças(27). As crianças-soldados são particularmente vulneráveis por serem frequentemente utilizadas para explorar conhecidos campos de minas. No Camboja, um levantamento efectuado nos hospitais militares sobre as vítimas de minas mostrava que 43% tinham sido recrutadas como soldados entre os 10 e os 16 anos.

116. A explosão de uma mina pode causar maiores danos no corpo de uma criança do que no de um adulto. As minas anti-pessoais são concebidas não para matar, mas para estropiar. Não obstante, até a mais pequena explosão de minas pode ser mortal para uma criança. No Camboja, em média, 20% das crianças feridas por minas ou engenhos por explodir morreram dos ferimentos(28). Para as crianças que sobrevivem, os problemas médicos relacionados com a amputação são muitas vezes graves, pois os membros de uma criança em crescimento crescem mais depressa do que os tecidos envolventes e exigem que se repita a amputação. Como crescem, as crianças precisam também regularmente de novas próteses. Para as crianças mais novas, isto pode significar uma prótese nova de seis em seis meses. O tratamento médico contínuo e o apoio psicossocial que os ferimentos das minas requerem, ficam extremamente dispendiosos para as famílias das vítimas e para a sociedade em geral. As raparigas são susceptíveis de receber ainda menos assistência médica especial e próteses do que os rapazes. Os encargos e as despesas com os cuidados de reabilitação devem ser considerados nos programas de recuperação e reintegração social.

117. Mesmo quando as crianças não são vítimas propriamente ditas, as minas terrestres e os engenhos por explodir têm um impacto avassalador nas suas vidas. As famílias que já vivem à beira da sobrevivência, frequentemente, ficam arruinadas economicamente devido aos acidentes com minas. Levantamentos no Camboja revelaram que 61% das famílias com uma vítima de minas a seu cargo ficaram endividadas devido ao acidente. Além disso, quando um dos pais é morto por uma mina, a perda da capacidade de trabalho pode enfraquecer substancialmente os cuidados e protecção prestados à criança. Um levantamento no terreno, efectuado no Afeganistão, referia que o desemprego nos homens adultos subiu de 6% para 52%, em consequência dos acidentes com minas terrestres.

118. As armas indiscriminadas atingem também a reconstrução e o desenvolvimento de um país. As estradas e os caminhos cheios de minas terrestres impedem o repatriamento seguro e o regresso das crianças refugiadas ou deslocadas e das suas famílias. (…)- D. Minas terrestres e engenhos por explodir

Sei que o gozo da punheta do Witzel não será o mesmo, mas talvez se contar para ele que o Brasil não joga mas vende para quem joga, e ainda gera empregos e renda aqui, e nós comendo pelas ponta.

E fazendo nossa parte para que a civilização panda cristã-ocidental que não consegue mais se reproduzir igual coelhos, preocupada demais com sua carreiras, trabalho e capital e envelhecimento precoce, pau mole, bichas, pretos e mulheres no poder não seja tomadas por esses habbibs, slavos, comunas, chinas e islâmicos vindo do oriente. Gods will, sangue e raça. Um filho de habbib a menos, é um futuro terroristinha em potencial que morre, e eu posso viver minha infância estendida até a podridão da minha velhice sem ter que me preocupar com a porra dessas malditas crianças e novas gerações, até onde não puder mais. Baby Bommers, geraçao X, Y, Z, é o caralho. A preocupação, o complexo permanece o mesmo, complexo não, síndrome. Síndrome de Cronos, devoramos nosso futuro como canibais para extrairmos ao máximo nosso prazer sob codinome edonista de felicidade, uma matéria presente, mesmo sabendo a cada instante que ele se esvai.

Os defensores do progresso tem razão, o homem médio moderno vive dentro dos burgos desfruta de certos confortos que reis e senhores feudal, e ainda que em muitos aspectos tenha mantido a mentalidade dos servos e vilões, em outros adquiriu também um pouco da mentalidade de soberanos de seus senhores não porque não poucos sejam descendentes bastardos deles, mas porque passaram a compartilhar dos dilemas da co-soberania, ou melhor da co-tirania, na medida que recuperavam ainda que parcialmente ou devidamente tutelado seu patrio-poder tanto sobre suas terras, vidas quanto sobre proles. É admirável ver como basta haver uma propriedade em disputa e uma herança, para que dois irmãos, já se entreolhem como Caim e Abel, ou como dois príncipes da Monarquia Saudita, ou mesmo como o pai e filho se entreolham com inveja um para outro, um por ter tudo que ele almeja para poder crescer, outro por ter tudo que tudo que ele perdeu e jamais poderá ter de volta, juventude. É uma vinha infectada.

Não é a toa que o pior dos pesadelos que povoa o inconsciente coletivo do homem moderno seja o ataque dos mortos-vivos, devidamente convertido também em produto de consumo, todos se transformando em zumbi e devorando uns aos outros até não sobrar alma viva. Freud explica.

Pessoas se empilham uma dos lados das outras, quando não uma em cima das outras porque não conseguem viver sozinhas, porque tem medo de ficar sozinhas, ou melhor, consigo mesmas, mas levantam muros porque tem medo de ficarem próximas demais para terem que fazer alguma coisa caso essa pessoa realmente precisa mais do que um pálido e falso bom dia. Não, não é hipocrisia. É só medo, que depois de séculos e séculos, acaba se tornando de comportamentos passados de pai para filho passa a se tornar habito e costumes de uma sociedade completamente não só conformada, mas anestesiada em seu conformismo.

Veja, isso não é uma guerra de classes, nem de nações, raças, ideologias, culturas, civilizações, nem de velhos predadores contra as novas gerações, não é nem sequer uma guerra de mentalidades, definitivamente é uma guerra, mas uma guerra da humanidade contra ela mesma. Uma destruição autoimune. Sim é A contra B. Mas troque as circunstancias será B contra A. É o padrão que permanece. Não importa quem prevaleça se o padrão que é sobretudo uma forma ou mais precisamente a forma como deformamos nossa forma ver o mundo, ou o que é a mesma coisa de nos ver (ou não) refletidos no outro. E o quanto não mais já não conseguirmos ver há humanidade nos monstros que não nego muitos se tornaram, é tanto a prova quanto o indicador empírico do grau de degeneração epistemológica não da deles, mas da nossa própria humanidade enquanto consciência não dessa humanidade, mas enquanto a monstruosidade da qual querendo ou não participamos enquanto espécie, mesmo, ou talvez sobretudo não fazemos absolutamente nada. Muito pelo contrário, fingimos normalidade, normalizamos, ou pior do que isso normatizamos a monstruosidade para que no futuro alguém desative os campos minados que nós plantamos ou deixamos plantar. O legado da nossa geração para nossos filhos.

Afinal é como eles dizem, não criamos nosso filhos para nós, mas para o mundo, o que dependendo de onde você viva quer dizer que você os engorda e eles os devoram. E dê graças a deus e a eles de não viver numa Coreia do Norte ou Venezuela, porque lá o gado nem sempre chega a idade do abate, ou nos estados onde o bem-estar é mais bem planejado, de velhice mesmo quando aposentar, desde que é claro, não viva muito tempo depois. Nada que um pouco de estatística e anos de trabalho não consigam resolver, supondo que a imbecilização necessária à manutenção do sistema não tenha já ferido de morte também o sistema nervoso onde a decisão das idiocracias são tomadas. Nesse caso o organismo coletivo, as instituições se reorganizam de forma ainda primitiva, predatória e explicita para preservar seu núcleo fagocitando inclusive o que outrora eram suas partes, prole, membros ou pares. E a isso chamarão de cortar na própria carne, a carne de alguém que já é um outro.

Mais um exemplo doméstico:

Tal proposta foi retirada, não por qualquer ojeriza moral ao principio, mas por medo dos parlamentares de perder em suas bases, ou mesmo revoltas em seus currais eleitorais. Todos já sabem que a reforma precisa ser feita e se ainda titubeiam o desespero do gesto de empresário de Sergipe garantiu que não tivessem como mais fingir que não estão sabendo…

Gente portanto de outra classe cuja vida e portanto a morte tem outro valor e portanto implicação, e para saber exatamente qual é preciso olhar para o mundo sem hipocrisia com os óculos deles, que não são os óculos dos discursos e pregações, mas das práticas e costumes, onde um empresário mediano não vale o uma princesa Diana, um político ou juiz graúdo, mas vale mais que qualquer empregado ou desempregado, mais precisamente como sugere a matéria 600 empregos diretos ou indiretos. Um empresário, proprietário, mas ainda sim outra máquina, ou engrenagem que suponho, porque é tudo que posso fazer pois de fato nada dele sei, suposições, descobriu-se, de repente, obsoleta.

Assim como daqueles que assistem dos altos camarotes e continuam a encenar seus espetáculos das câmaras como se fossem reis, príncipes e princesas a viver de palácios e castelos. Bem, de fato o nome ainda são palácios, e vivem encastelados. De modo quando se diz “o que este precisa ser feito” em matéria de reforma previdenciária e fiscal, isto é, em termos de quanto o Estado precisa tomar e dar para garantir o seu futuro. As palavras empregadas são as mesmas, mas assim como o termo gente, não se referem aos mesmos sujeitos nem objetos, como sequer tem o mesmo significado. Dependendo da posição e portanto visão, interesses e acima de tudo isso valores, que é a forma que ele vai interpretar e processar esses dados no final das suas contas mentais. “Precisa ser feita” significa para quem vive da máquina estatal salvar privilégios de um Estado corrupto falido que insiste em não morrer, e não manter serviços públicos já precários de um estado social tardio que propaganda fora, já se nasceu natimorto pelo mesmo mal que matou cada velha nova república, e constituição brasileira, o parasitismo oligárquico.

O que precisa ser feito para salvar portanto o estado e quem que está pendurado nele, às custas de quem não pode nada, nem mesmo chorar, fica sem teta. Já era. Tá fora e vai pagar a conta, não só morrendo, mas morrendo de tanto trabalhar para sustentar o leitinho dos demais na esperança de que ele ascenderá socialmente por seu… valor.

Não se enganem quanto ao Brasil. A divisão doméstica do trabalho e capital tem evidentemente suas peculiaridades históricas, mas não fosse um único país como sonham os separatistas, na sua maioria de viés racista, e cada região ou Estado uma nação autônoma e veria que a desigualdade social, desapareceria pelo mesmo método nacional-eugenista aplicado desde que o mundo é mundo, levantando os muros e praticando uma política migratória gentrificante dos antigos irmãos, agora chicanos, e de controle populacional de tolerância zero nos guetos que já existem, mas podem chamar de favelas, ou pelo nome politicamente correto, comunidades, entre o Belindia que é uma Belgica, e o Brasil que é uma India. E o que as oligarquias sudestinas e nordestinas estariam ainda mancomunadas, ainda traficando sua gente, terra e riquezas, porém com as vantagens do comércio trasnacional, sobretudo para aquela que fica com o encargo de administradora dos fundos e capitais, deixando para outro território o teatro de operações de fazenda e pecuária humana. A feitoria da senzala-mundi. A diferença entre a inteligência de um capitalista de um território burguês desenvolvido e de um subdesenvolvido.

No primeiro mundo, a burguesia não trepa nem converte os nativos nem escravos- ok Portugal não tinha gente para colonizar então fez com a pica e evangelização, cada um se virá com pode, mas segue- não se mistura, elimina os nativos, mantém somente os estritamente necessários para fazer os trabalhos mais aviltantes, porém devidamente apartados em minoria e em guetos, vigiados, controla sua reprodução, derruba florestas e matas, converte o mais rápido possível matéria-prima em capital e armamento. Vai a guerra, faz novas ocupações, conquista e amplia territórios, ocupando, tomando ou comprando com armas na mesa, de tal modo que, ou melhor, quando essa política encontra seu limite, o cidadão do burgo não vive entocado em sua casa, cercado pela própria mão-de-obra que explora como um senhor feudal ou escravagista, mas recebe o lucro das colheitas e tributos como Roma, das mais distantes rotas do seu império, sem precisar saber como são feitas, por quem, de quem ou quantos são feitas suas salsichas.

Essa é a diferença, os muros e fronteiras das ainda mais primitivas elites provincianas dos territórios subdesenvolvidos param nas cercas de seus quintais domésticos, já os das desenvolvidas são sempre feitos o mais longe possível da sua casas, sempre nas bordas de suas fronteiras, porque para além delas é onde jogam tanto seus dejetos quanto continuam a extrair o grosso do trabalho bruto e matéria-prima. Não é que o povo brasileiro, perdão o povo não, porque povo, é condição ou falta dela, sempre ovelha, os extratos mais privilegiados brasileiro sejam pacífico ou tolerantes, é que eles estão jantando e cagando em casa. Porque? Simplesmente porque podem, é gigante. Mas não vai acabar? É lógico que vai, e você sinceramente acha que eles estão ligando? Nana neném, que a cuca vem pegar…

Isso é como aquela história de rico democrata querendo pagar mais imposto sempre oportunamente em véspera de eleição que virou modo nos últimos anos.

Não, não deu a louca nos bilionários.

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Meu querido, como diria meu demagogo estatopata favorito, esses caras não são losers, são winners, dentro do próprio sistema de valores, e bota winners nisso, bilionários. Eles sabem como funciona o Estado e impostos. Sabem que não existe Estado hobbin hood, a fazer redistribuição reversa, o Estado recolhe para prioritariamente se sustentar, muito obrigado. Depois quem investe nele, com o capital. Ele o investidor que paga a porra do imposto, e se esse imposto não vai para ele como subsídio de alguma forma é investimento perdido. Estados recolhem impostos da maioria, concentram em minorias para realizar obras, e claro, lucros que particulares jamais conseguiriam realizar se tivessem que bancar do seu próprio bolso ou se tivessem que recolher o financiamento do restante da população, sem esse recurso que vem dos subsídios o maior tanto fiscal, o monopólio da violência, que permite fazer com que gente pague incluso pela proteção contra a ameaça que ela mesma representa à propriedade que ela não possui, e que ela deixará de possuir quando a produção do seu trabalho, logo mesmo sabendo que nem sempre o serviço que estará longe de voltar para ela, como público, se voltara justamente contra ela como repressão caso ouse se levantar justamente pela falta dos meios para realizar pela conta própria de fato em sociedade o mesmo. Externalização publica de custos, para realização subsidiada de ganhos privados a começar não pelos servidores públicos, que como o nome já diz são servidores, mas por quem não serve a ninguém, mas governa, ou melhor serve sim como administrador a quem de fato irá financiar sua chegada e permanência ao poder… enquanto precisar deles, ou achar que.

Logo, é razoável supor que são empreendedores de sucesso e como tal, não só sabem como o Estado funciona, mas também os negócios. E por isso mesmo sabem, que se querem, ou se quisessem que algo realmente fosse feito, não pediriam, fariam, e se algum lobby fizessem junto ao governo, de portas fechadas é por incentivos e subsídios fiscais para eles, ou se mais honestos, nenhum nem para eles nem para os demais. Fariam como fizeram para construir suas fortunas, e sabem exatamente como se faz, não fariam promessas, mas manteriam e formariam sociedades, fundos investiriam seu capital, colocariam profissionais capacitados para fazer essa máquina rodar, sem deixar que o motorista o técnico diga para onde vai seu avião e seu dinheiro, e fariam acontecer o que querem de fato realizar, como fazem com o que de fato é seu interesse e tem gana, ou se preferir ganancia.

Eles não tem o menor interesse nem gana em fazer isso, porque não são autosabotadores, não são pessoas que se prometem fazer um regime no fim de ano, para comer um doce em janeiro. Se eles realmente quisessem não prometeriam, fariam. E nem muitos menos pediriam, mas demandariam porque são donos do fiofo de muito gente, especialmente na política. Mas o que está em jogo não é a redistribuição de rendas advindas das propriedades que por sua vez alguém trabalhou, ou precisará trabalhar para transformar em riqueza para transferir como herança e tributo, doação ou expropriação para outrem, mas a corrida para a MadHouse, e a queda de seu possessor Trump.

O que parece um assunto completamente distinto, mas não é. Já que essencialmente o trumpismo a tomou, se aproveitando da rachadura institucional na democracia liberal diretamente ligada a crise na divisão internacional do capital e trabalho derivada por sua vez da revolução tecnológica-industrial da automação da informação e telecomunicação inerentes aos avanços e adventos no próprio sistema de produção, onde essas novas formas de capital se tornaram prevalecentes e não irão no futuro, que já emerge, definir os valores e portanto caracterizar essa nova fase do capitalismo, como já estão tanto em disputa como o prêmio, como já são os principais meios e armas, desta guerra e corrida em curso. Ou seja, é sobre recursos em disputa como matéria-prima, conhecimento, propriedade tecnológica e intelectual a ser apropriada, segredada e transformada em capital, que as potencias, as que tem cacife para tanto, estão na fase de testar suas forças incluso militares uma contra as outras indiretamente, em territórios outros para medir suas forças e eventuais capacidade de danos mútuos e generalizados, sempre buscando aquele ponto onde podem escapar da destruição mútua assegurada e impor a rendição pela destruição certa do alheio, primeiro como ameaça, depois como demostração.

Não. isto não são os Estados Unidos da América. Isto são qualquer Estado Nação do Mundo tanto dentro quanto fora, cantam hinos sobre sonhos e escrevem cartas sobre direitos humanos, mas na hora que neguinho bate na porta, mais água no feijão é o caralho, fecha essa porra e soltam os cachorros amestrados. Direitos humanos é no papel, e civilização é saber com qual e quantos talheres se come essa fruta exótica, e sem agrotóxicos faça-me o favor. Não quero nem saber de onde vem a Bayer-Monsanto, só faça-me o favor de voltar ordenadamente pra senzala e me trazer um melão, ecologicamente bem produzido, porque agora é meu mundo que está esquentando. Salvem o planeta. Mas e as baleias? As baleias que se fodam, esperança dos pobres donos de restaurantes e os empregos que eles geram?

A coisa aperta. Máscaras caem. Portas se fecham e armários se abrem. E neguinho que caçava e comia na encolha para não perder a pose, para não causar. Bem em não perder a pose, mas joga fora os antigos roteiros e scripts e bota atores mais canastrões e mais cara de pau, para dizer que agora é oposto de tudo que dissemos antes, ou melhor, para mim, e não para vocês. E eis que voltamos à América de Trump. Que não por acaso recupera os empregos alterando os termos da globalização para o protecionismo nacionalista de uma guerra comercial, que cobre a sua demanda doméstica da América branca empobrecida… demanda pelo quê: empregos.

O que implica- não importa se com pesar, regozijo, pois o resultado em controle de migração- e logo de quebra para gentrificação eugenista das gentes em sua motherland. Mas e o sonho americano?

Soon we’ll be married and raise a family (oh yeah)
A cozy little home out in the country with two children maybe three
I tell you I can visualize it all
This couldn’t be a dream for too real it all seems
But it was just my imagination once again runnin’ way with me
Tell you it was just my imagination runnin’ away with me

Every night on my knees I pray, dear Lord, hear my plea
Don’t ever let another take her love from me or I would surely die
Her love is heavenly, when her arms enfold me
I hear a tender rhapsody, but in reality she doesn’t even know me…

Como o pai salvadorenho que morreu abraçado descobriu tarde demais, esse sonho não pertencia à ele, não era sonho permitido, ao menos não mais para uma subraça outrora apenas tolerada para fazer o trabalho que ninguém com a devida proteção de nascer no lugar e tempo certo (pode chamar cidadania) queria mais fazer. Era enfim infelizmente apenas sua imaginação fugindo dele…

para morrer numa armadilha…

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…sonhando viver em algum lugar onde poderia ser empregado em alguma coisa.

Trump tem razão, deveriam deixá-lo cumprir sua promessa de campanha, e construir seus muros. E inscrever em cada canto dele em letras garrafais em todas as línguas bárbaras do mundo, seus dizeres: “Não venham”. Ou melhor: “Todo trabalha salva… lá na sua terra e não mais aqui na minha”. Porque pior do que a guerra contra a humanidade declarada, é a hipócrita, tanto de capitalistas quanto socialistas que arrebanham gentes apenas para a hora que da sua carne não precisarem mais, e seu sacrifício simplesmente deixarem apodrecer. E se você acha que os piores dos pesadelos é escapar de terra feito um pesadelo de guerra e carestia só para morrer na porta fechada da Disneylandia, sonhos e fantasias do outro, seja em Miami ou Paris. Infelizmente, as combinações de desgraças, como a história que tem o péssimo hábito de se repetir como farsa para os idiotas e como desgraças para os que estão na ponta da corda não param por aí. Porque pior do que morrer na porta, pagar para entrar e ter que rezar depois para sair.

Bem, mas não sejamos injustos, os sonhos morrem, dentro ou fora dos burgos. Para povos eleitos e não eleitos, incluso para os que não rezam, sabem bem mais cedo que os demais que o sonho sempre foi só um sonho, e que acabou. E só para garantir que tenha acabado mesmo, de preferência com duas balas no peito…

E se a Democracia liberal vai ruir ou já ruiu não foi só em sua hipocrisia, mas por conta do inerente progresso. Progresso necessariamente acrítico, porém, não amoral. A moral, a ética e até mesmo a solidariedade ainda existem, mas elas são também só os negócios para quem desfruta do ócio, e a negação do ócio como mais labuta e deveres, incluso dízimos e tributos. E ambos ócios e negócios, não como a propaganda política-economica idiocratica se vende, uma causa em si mesma, nem muito menos a continuidade pré-histórica luta de tribos e genes entre macacos territorialistas, mas já uma forma de esquecer e transcender justamente essa luta sabidamente perdida pela sobrevivência biológica e materialista, fracassada, por óbvio. Mas a única forma que o ser humano encontrou para canalizar seu instinto tanático de morte, o sacrifício da vida humana por algo maior através do trabalho. Ainda que no final das contas para a grande maioria esse não seja propriamente o legado desse trabalho, a riqueza que irá produzir e a herança que irá deixar para seus descendentes, porém mais trabalho como único e todo sentido da sua existência para as próximas gerações, ao menos as suas, até enfim sua morte e a da sua prole. O trabalho como sacrifício por algo maior, mas que no final das contas é só trabalho… pelo trabalho, ao menos para ele que é carne sacrificial do culto e não dos sacerdotes. É só, e sempre só o infante e não o velho sábio patriarca.

Não se engane, a vida é definitivamente feita dos sacrifícios. De preferencia naturalmente a vida do outro, o estranho, distante, e não a suas e dos seus. Mas de sacrifícios. E isso vale um artigo a parte, mas a do pulo do gato dos cultos que formou a cultura da alienação predominante é justamente este: se apropriar deste instinto do autosacrifício inerente de todos seres naturais para dar continuidade à vida, novas formas de vida e forma de transcender a inevitável morte para criar uma cultura teratológica de morte e sacrifício, de guerra, roubo e escravidão em nome de bem maior personifica em entidades mitológicas do além, mas devidamente realizado e devidamente capitalizado em superestruturas artificiais mundanas igualmente e fantasiosamente sagradas pelo sacrifício humano… do outro.

Um culto antropofágico que se complexifica em seus processos de produção e que se civiliza na medida que se afasta em tempo e espaço dos abatedouros e campos de guerra, mas que em essência e inconsciência coletiva permanece o mesmo gene determinante da sua cultura socioeconomica e geopolítica. E que nos momentos de medo e terror onde o medo da sobrevivência tanto o egoísta como indivíduo, como espécie, que é antes de tudo o saber do biológico do organismo que ele vai morrer, mesmo quando este não sabe ou se recusa a saber, emerge enfim em suas formas mais primitivas, explícitas, nem sempre empáticas, especialmente onde a empatia, sentimento gregário foi podada e amputada como uma desvantagem competitiva em um mercado onde o negócio é levar vantagem em tudo, certo? E o vencedor leva tudo.

E se você não perdeu o fio da meada, com a minha digressão, entendeu que quando eu falo dessas políticas e práticas de tendências facistóides e nazistas, você percebeu que elas não estão tipificadas ao contrário do que a história conta apenas nas personas arquetípicas daqueles que lideram esses cultos, mas emergem constante e inconscientemente e cotidianamente nas relações de posse e poder com mais ou menos força conforme a carestia, medo e sobretudo se intensificam as técnicas mais brutais de convencimento e condução da população como massas.

E nisso, nesses vácuos de insolidariedade é que o ditador sanguinário de ontem- que sabe extrair o trabalho de uma pessoa disposta até mesmo a se matar para se livrar das condições mais aviltantes de exploração, garantido que sua família será executada se ele fizer isso pode ser o aliado de amanhã- desde que é claro, saiba qual é o seu lugar na nova ordem internacional que sempre se reinventa e se mantenha devidamente alinhado, isto é, mantenha seus armas apontadas para seus povos e territórios e não para o dos outros.

Boi preto conhece boi preto, ou branco, tanto faz. O importante é que ele mantenha o campo de concentração trabalhando, e não os esfomeados desesperados, famintos fugindo para bater e morrer na sua porta, ou caindo de rodas de avião no meio quintal da sua população, de modo a provocar comoção e histeria e enfim material político a ser usado por adversários para influenciar a opinião pública e lembrá-la do que acontece fora dos seus condomínios. Embora a memória seja curta, e rapidamente tudo isso se esqueça, se usadas num momento estratégico, como perto de eleições, tais imagens podem mudar o status quo. Se assim o fizer receberá o financiamento, com os famosos 10 por cento pessoal só para ele, of course. Win-Win. Empresas se instalarão e gerarão empregos para a província onde os custos com direitos humanos, políticos, trabalhistas, enfim onde a vida e o custo dela não vale nada. Lucros crescem para a metrópole, onde o estado tem mais orçamento para bancar serviços público e industria, ou mesmo resgatar bancos bilionários falidos. Propina para o governante que fornece trabalho e mão-de-obra semi-escrava, e matéria-prima, e ainda é mercado consumidor de menor valia, mas é. O que poderia dar errado então com a globalização?

Bem… errado, depende para quem, cara-pálida. Vamos à China. Ao que tudo indica nenhum Estado entendeu tão bem, nem tão cedo as falhas e contradições dessa revolução industrial que se aproximava e soube também inverter a mesa a seu favor. Os xeiques do petróleo, e mais recentemente a Russia depois de Putin, também entenderam, mas nenhum deles tem o commoditie que eles deram e venderam a preço de banana para fazer capital: gente. Um Estado que soube manter as placas e muros e armas invertidos para construir os fundos de capital com que hoje despontam para a hegemonia como potência. Queriam territórios com mão de obra barata semi-escrava para instalar suas corporações e mandar seus lixo, e tiveram. Reduziram seus custos de produção, aumentaram seus ganhos, continuaram crescendo através da superprodução e superconsumo. E eis que não é só o peixe que morre pela boca. Ao mesmo que a máquina estatal chinesa ia moindo sua matéria prima mais abundante, gente, para produzir salsichas e brinquedos para as metrópoles ocidentais, matando-a sufocada de comer o lixo que come e caga incluso quando num dado momento não tiver mais onde comer ou jogar o que caga…

Enquanto converte literalmente em fundos de capital tanto a gente que moeu quanto o conhecimento e tecnologia das máquinas dos gringos que foi se apropriando, expropriando intelectualmente enquanto eles os expropriavam materialmente. O barato saiu caro. Não são gado, até porque gado não aprende a usar rifles e montar cavalos, que o digam os Apaches.

Na torre de Babel, falamos a mesma língua, e as línguas e códigos se traduzem, mas as palavras embora façam referência aos mesmos objetos, e sua intenção tanto de quem fala quanto de quem ouve seja o entendimento, isto é, de que ela faça sentido e tenha algum significado. O sentido que se procura não é necessariamente o mesmo significado que se tenta encontrar, assim como o significado que se tenta transmitir não é aquele que de fato se atribui as coisas, de modo que o sentido, ou objetivo, de quem comunica é e o que pensa de fato sobre completamente outra coisa. De tal modo que a palavra ou a representação simbólica e imagética tente assumir a totalidade da representação intermediada não só do pensamento do outro, mas da sua visão do mundo, e por fim do que é mundo ditado por ele, a palavra é apenas um gesto repleto de sentidos e significados e logo intenções, mas a um olhar mais atento para o que uma pessoa realiza de concreto um gesto, essencialmente de sinalização. De tal modo, recolocando a palavra em seu devido lugar, como um fatores a compor a somatória dos gestos e comportamentos e ações que transmitem como sinais o que muitas vezes a pessoa inclusive não gostaria de dizer ou não jamais saber ou sequer pensar como realmente pensa e quer, fica um pouco mais saber saber o que alguém realmente pensa e quer com alguma coisa, lembrando, desde já que essa coisa, embora não tratada como tal pode ser você.

Na torre de Babel, não existem apenas próximos e semelhantes, mas estranhos e dissemelhantes não só pela distancia da gene e gênese, mas pela pura e simples convivência, pelas facilidades e adversidades compartilhadas ou apartadas conforme a escolha estratégica competitiva-cooperativa feita tanto difusa e individual quanto comum e coletivamente para lidar com disponibilidade ou escassez circunstancial ou proposital dos meios vitais e ambientais. De tal modo que a palavra gente para você, embora se refira a uma mesma pessoa, para outra não nem de longe o mesmo significado especialmente se ele é o encarregado da administração ou o administração desse recurso. Você pensa gente, ele pensa em gado. Porque em essência o estadismo pode ter evoluído em técnica e meio, mas não mudou em princípio, ou falta deles, ou finalidade.

Porém, ainda tem muita gente presa na fase dita do politicamente correta, que antecedeu imediatamente e claro contribuição para engendrar a atual chamada pós-verdade, ambas bullshits, dentro das velhas guerras de informação e contra-informação e desinformação por corações e mentes das massas, e o fato é que tem muita gente que ainda sim indigna mais com a deferência exposta explicitamente aos seus olhos, até mesmo como símbolos e representações do que fatos desde que corretamente tratados e processados. Mas sensibilidades deixadas de lado, sem meias palavras, o fato é que Estadismo é pecuária humana. Não é administração de gado humano, porque gente não é gado, porque gado não toca gado. Mas é pecuária bastante particular, já que se trata do lido não só de um animal dotado de níveis de inteligencia, senciência e consciência não só altíssimos mas iguais a daquele que embora tente e precise convencer e convencer a si mesmo e claro o outro constantemente do contrário, não é nenhuma raça ou ser superior. Porque o homem não consegue ser o lobo do próprio homem, precisa antes apartar-se de si mesmo, o organismo não pode ver-se nem sentir-se com um, mas como outro para se entredevorar e devorar-se e restar ainda que amputado e deformado em sua humanidade, aquilo que que querendo ou não fato é, independente de seus delírios e atos predadores-antropofágicos monstruosos.

Como todo bom ditador ou escravagista sabe não há anima que não possa ser domesticada, quebrada ou recrutada. Onde há vida há esperança e se há esperança, há trabalho a ser alienado por qualquer meio necessário, desde que se tenha estomago para atingir os fins ou o que é a não se tenha nenhum principio.

Assim sendo quando um fala do seu trabalho, o outro ouve sobre sua produção, E mesmo enquanto uns falam dos seu corpo, ventres e prole, outro pensem no que isso como seu asset, naquilo que esse órgão e função representa como seja como ou ganho nessa pecuária humana. Seja nas horas perdidas de trabalho, enquanto besta de carga, seja como parideira para reproduzir prole para as mais diversas funções, que segundo a lei da oferta e procura hoje é maior por de herdeiros como pedigree para manter ou repor sua gene do que por bestas de cargas cuja superpopulação é cada vez mais dispensável.

De tal modo que se nas sociedades ricas o chamado conservadorismo avança mandando a mulher de volta para casa para o seu papel familiar de reprodutora, na divisão domestica do trabalho, e que elas abandonem seus sonhos revolucionários de igualdade e emancipação cumpram o seu papel se sacrifício para que a civilização branca crista-ocidental possa voltar a crescer e se multiplicar. Do outro lado, ou melhor, mais embaixo a demanda do sacrifício é ainda maior, e de certa forma mais igual:

Milhares de jovens mulheres em Maharashtra, Estado ocidental da Índia, estão fazendo cirurgias para retirar os úteros. A maioria delas adotou essa solução radical para conseguirem empregos em plantações de cana de açúcar ou porque foram induzidas por médicos inescrupulosos.

Todo ano, dezenas de milhares de famílias carentes migram para uma região conhecida como “cinturão do açúcar” para trabalhar por seis meses na colheita da cana.

Muitas famílias acabam nas mãos de empregadores gananciosos que as exploram.

Eles resistem a contratar mulheres porque o trabalho nas plantações é pesado e, segundo eles, mulheres podem perder um ou dois dias de trabalho por causa da menstruação. Quem falta ao trabalho precisa pagar multa.

As condições de vida no local de trabalho estão longe do ideal e são particularmente complicadas para as mulheres durante a menstruação.

As famílias têm que viver em cabanas ou barracas perto das plantações, onde não há banheiros. Como a colheita às vezes é feita mesmo à noite, não há horas fixas nem para trabalhar nem para dormir. (…) — ‘Aldeias das mulheres sem ventre’: as milhares de indianas que removem o útero por causa de emprego

O triste fim destas mulheres e das mulheres, em essência o primeiro escravo do mundo desde o gênese, conta a própria a história da humanidade, e seu fim: a gene correta, é tocada para a reprodução, a nem tanto é castrada e posta para trabalhar até que sua gene sobre apenas traços. Se no mundo miserável seu destino é a morte velada e lenta. No rico como provedora de proles, não é muito melhor. Porque finalmente o papel do proletário será enfim de fato o de proletariado, O de ser meramente as put@s e reprodutores das proles do mundo, enquanto gente também não nascer de chocadeira e claro máquina não satisfazer melhor as taras, ou custas menos que carne de gente.

Isso, não se preocupe, carne para todos os tipos de taras e prazeres, é infelizmente um trabalho que nunca terá fim, porque sempre haverá fim, porque sempre haverá demanda por gente que pode pagar e caro carne de gente, especialmente as mais tenras.

De modo que se no futuro o único trabalho ou mais propriamente, a única negação do ócio, já que não é propriamente o negócio destas populações menos desfavorecidas, mas sim de quem os governa, ou é proprietário das máquinas e inteligencias artificiais que os substituirão como mão-de-obra na transformação do bem comum dos capitais, será o de consumir essa superprodução, e ocupar seu tempo e territórios ocupados para os verdadeiros donos enquanto vai matando seu tempo com doses cavalares de passatempos e felicidade se preciso for direto na veia. Porque afinal de contas não só cabeça vazia, mas terra desocupada é oficina do diabo. E das funções e papeis sociais do cidadão civilizado, o rito sacro do trabalho alienado pode até perder sua hegemonia numa sociedade onde a máquina realiza esse função, mas a função competitiva, mas a função competitiva de manter aquele território sobre a posse hereditária de uma determinada gene não. Nem de dar saída ao estupido processo de transformação dos seres em recurso e riquezas, que sem uma demanda gigante por consumo simplesmente para. Por mais criativos e mais variados sejam os desejos e necessidades ou taras de uns poucos para ver e inventar formas de extrair e abstrai e reduzir alguma coisa de alguma forma de vida, eles são sempre poucos, em relação a multiplicidade e diversidade necessária da combinação de vários.

Assim, o trabalho pode assumir outras formas enquanto tarefas, mas não enquanto justamente aquilo que justamente não é o trabalho, nem propriamente o cumprir o seu papel para com o coletivo ou a sociedade: a alienação. O caráter do sacrifício permanece, mas não mais voluntario e solidário e natural, mas perverso, submisso e artificial. A arte pela qual nos sacrificamos não mais para o bem comum, mas o artificio pelo qual extraímos pelo sacrifício alheio nossos bens particulares. A essência da perversão. Pegar um ideal, de preferencia instintivo e transformar numa monstruosidade, e vender como no lugar dele, como se isso, o impostor, fosse o próprio trabalho.

Nesse processo, tudo aquilo que é um inerentemente um dever natural que não precisa ser cobrado, e é exercido naturalmente porque é do interesse da pessoa, da proteção da sua terra, do cuidar das suas família, quanto da sua terra, tudo vai se tornando uma obrigação, objeto de tanto de tutela quanto de cobrança, na exata de medida que aquilo que por direito nominal é dele, direito cidadão, político, econômico, e até mesmo familiar, no final das contas está subordinando a uma autoridade e autorização proprietária maior, que define, dita o que é o que não, o que se possui e não possui, quem é quem não é, e que de fato é a proprietária de tudo que está sobre sua autoridade, jurisdição e tutela como titulação para definir os termos do contrato nos quais em que medida, quando e até onde é sujeito e o quanto e até onde é o objeto e se objeto de qual sujeito- pessoa física ou jurídica?

Logo se para algumas tribos do mundo o destinos é o museu depois de pararem de se de reproduzir a uma taxa de natalidade suficiente para repor sua altas mortalidades e logo comer os recursos naturais, leia-se matéria prima das demais. Outras uma vez substituídas enfim pelo maquinário resta o papel de mães e putas do mundo. Não mais crescer multiplicai-vos, pois essa época do patriarcado, já era, mas repor a gene pura e correta, de modo a purgar o fantasmas de um haitismo islamico das grandes metrópoles do mundo via globalização. Não é a toa que é sobre a mulher que todo o ódio do inconsciente coletivo desse patrio-poder se volta com toda sua fúria, porque é sobre sua labuta que não só está a pedra fundamental , mas do controle do sue ventre que depende todo o desfuturo das suas capitais e capitanias heriditárias.

Porque dos seres humanos diminuídos encerrados em caixas, dos turcos dentro dos turcos mecânicos, é a mulher o primeiro dos homens. E se por ventura ela vier a escapar, esses homens não terão mais máquinas, microtrabalhos, escravos e semi-escravos, trabalhos invisíveis, prole, nem proletários nem sequer herdeiros, nem legítimos nem bastardos para fazer suas guerras, ocupar suas terras, carregar seus nomes, genes ou memes, suas fantasias de glória e vida material pós-morte. E principalmente porão esses velhos malditos que temem a velhice e morte mais do que tudo e pervertem o ciclo natural da vida, incluso sacrificar novas gerações em sua síndrome de cronos para tentar prolongar suas vidas mal formadas e apodrecidas sem jamais sequer terem amadurecidos no seu patrio-poder.

E trouxa de quem compra as propagandas de autoajuda, que são definitivamente autoajuda de quem vende, não de compra. Sacrifício alheio e não próprio.

Não se sabe direito como e quando a moda começou — o aforismo “faça o que você ama e você nunca terá que trabalhar um dia sequer na vida”, que já foi atribuído a Confúcio, segue vivo no discurso de aceleradores de carreira, empresários e milionários tecnocratas. “FOQVA” (sigla para “faça o que você ama”) e suas variações são fórmulas repetidas à exaustão em livros de autoajuda, palestras motivacionais e entre coaches de carreira.

Um de seus profetas foi Steve Jobs (1955–2011), o CEO da Apple que, em 2005, falou nestes termos a um grupo de formandos da Universidade Stanford: “Vocês precisam encontrar o que amam. Isso é importante tanto para a vida profissional quanto para a vida amorosa. (…) E a única forma de fazer um ótimo trabalho é amar o que você faz”.

Contudo, a ênfase cultural em fazer o que se gosta, em carreiras de “encanto”, facilita a legitimação de práticas abusivas, injustas ou degradantes no mercado de trabalho. Esta é a tese principal de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), em parceria com professores de psicologia social da Universidade Estadual de Oklahoma (EUA).

Publicado em abril de 2019 no periódico científico Journal of Personality and Social Psychology, o artigo “Understanding contemporary forms of exploitation: attributions of passion serve to legitimize the poor treatment of workers”(Entendendo formas contemporâneas de exploração: ênfase na paixão serve para legitimar condições precárias de trabalho, em tradução livre) reúne oito experimentos e uma meta-análise (técnica estatística que combina o resultado de dois ou mais estudos).

Segundo seus autores, de forma inédita, o artigo pretende mostrar que, como na vida amorosa, estar encantado por algo — no caso, o trabalho — pode “cegar” as pessoas e levá-las a executar tarefas que não foram contratadas para fazer.

O fato de os próprios gestores considerarem legítima a atribuição de tarefas extras, a partir da presunção de que os funcionários gostam do que fazem, leva, em muitos casos, a piores condições de trabalho.

Exploração legitimada

O fenômeno descrito no estudo é chamado de “legitimação da exploração da paixão”. Embora a paixão pelo emprego seja positiva, ela concede licença para práticas nocivas de gestão e exploração da mão de obra.

Para os autores, a exploração é definida “a partir do momento em que a gerência, que representa seus próprios objetivos e interesses, bem como os objetivos dos proprietários, exige que alguns funcionários trabalhem excessivamente ou se envolvam em tarefas degradantes sem pagamento adicional ou recompensas tangíveis”.

Fazer hora extra não remunerada, ficar longe da família, trabalhar aos finais de semana sem compensação e até mesmo ouvir insultos e cobranças excessivas são vistos como comportamentos justificáveis entre pessoas que se relacionam de forma apaixonada com o trabalho — ou que a sociedade considera como “trabalho apaixonado”.

Injustiças ocorrem quando os trabalhadores não se beneficiam o suficiente dessa entrega excessiva. O benefício, nesse caso, é tido como algo a ser colhido no longo prazo. É como se o funcionário dedicado contasse com uma análise positiva futura, por parte dos empregadores, que destacaria sua dedicação para justificar um aumento de salário ou promoção, além de garantir direitos e segurança laboral.

O “pagamento intangível” desse esforço movido pela paixão é uma promessa que nem sempre se cumpre — o que bagunça a noção de justiça ou mérito entre os funcionários.

Segundo o estudo, essa exploração ocorre a partir de dois mecanismos mediadores. O primeiro deles é o que supõe que trabalhadores apaixonados pelo trabalho teriam se voluntariado para determinada tarefa, se tivessem tido a chance. O segundo se dá a partir da crença de que, para esses funcionários, o próprio trabalho é sua recompensa. -Por que o mantra ‘faça o que você ama e você nunca terá que trabalhar um dia na vida’ é uma…

Olho vivo, socialistas que querem abolir a propriedade, alheia por obvio, mas nunca o trabalho alienado. Liberais e conservadores cristãos devotos é claro nunca se lembram de olhar os lírios do campo. Diferentes regimes, mas um só culto o trabalho, e só cultura a plantação e ceifação de gentes para a colheita de posses e poderes. E principalmente um só Deus, o da discórdia e sacrifício do alheios. Diferentes credos e ideologias, mas uma só fé, materialista ou transcendental crescer e perpetuar-se a em vida e em morte não importa exatamente mais como o quê.

A diferença entre o trabalho e trabalho. Avida e a morte moram em maior e menor medida da mesma palavra, como veneno posto no pão que alimenta a vida. O que se faz para dar sentido e proposito a existência enquanto se sacrifica no vida que naturalmente se esvai com o tempo, querendo ou não, para construir algo que transcende a própria materialidade desse tempo de vida e tudo que se faz como desproposito ou desperdício desse tempo, mas como destruição da próprio vida ou que o cerca, mas de toda seu sentido e significado que mais do que uma ideia, é uma potencia, uma força que dá forma para muito além das coisas presentes cujo trabalho não é outro senão desfazer-se, e do seu desfaz-se, da sua criação, gerar o novo.

Eis o paradoxo da bendita salvação e redenção. Não adianta sonhar com a eternidade nesta ou noutra vida. O que é Trabalho é sempre o que de voluntário no esforço humano para produzir algo, trabalhar é consumir sua vida em tempo e energia, lenta ou de uma vez, é viver e morrer pelo que dá sentido que dá razão a sua existência. O resto da sua vida em parte ou inteira é sacrifício é holocausto velado ou explicito. É a parte do seu corpo e anima que é morta no rito, e costume, em nome dos interesses ou vontades alheias. Os sentidos, sentimentos e vontades e forças que se esvazem sem sentido, pois nem aquele que sacrifica nem o sacrificado, no final com nada, porque matérias se transforma em capitais, mas animas não, se transferem nem se apropriam acumulam. Como o tempo, a liberdade e as vidas se ganham ou perdem.

Sei que o uso da palavra holocausto, reclamada mesmo quando empregada nos piores genocídios choca. A intenção não é banalizar. Não é dizer o quanto aquela tarefa chata se compara com as primeiras fases de um gueto, mas deixar claro e muito bem claro, para que não reste a menor dúvida que nas periferias do mundo, onde os “mal-nascidos”, os que não herdaram a gene e a meme correta, vivenciam a mesma transformação do ser humano em recurso humano em coisas através do trabalho até enfim sacrifício derradeiro, a morte, por vezes, inclusive, antes mesmo de sequer atingir a idade necessária para começar extrair a sua produção, apenas nas fases preparatórias para amestrar a mão-de-obra, perdão qualificá-la para uma vida de trabalho: a escola, ou infância.

Holocausto é portanto a palavra. Porque sob termos e condições as vezes nem tão velados assim o mesmo processo se repete, e muito antes de se sistematizar industrialmente como o que se chama holocausto propriamente dito, cuja diferença marcante é a velocidade e automatização dos métodos e processos, ou seja a ausência da fase de solução final. Onde, a otimização dos métodos e processos de engenharia de torcer e moer gente, e claro automatização dessa máquina de morte, são acelerados especialmente em tempos de crise, e a máquina estatal deixa de ser uma máquina que apenas lida com a morte lenta das gentes apartadas e segregadas e vigiadas em seus devidos lugares e funções sociais produtivas, para ser a máquina que literalmente sacrifica, ou melhor coloca ao fim a todo sacrifício dessas gentes já consideradas completamente inúteis seja porque “malnascidas”, ou simplesmente porque já esgotadas não podem mais puxar seu arado. Dentro e fora dos seus domínios domésticos.

A diferença portanto, na equação é o tempo e a velocidade. E claro a capacidade de repor suas população com nascimentos, mas que mesmo alta impulsionada instintivamente, em geral não é suficiente senão para adiar o inevitável, a gradativa eliminação e antropofagia tanto genética quanto cultural. Vai virar tapete, sabão, abajur e historinha para criança dormir.

Parece um tanto quanto apocalíptico o que estou dizendo. E de fato é. É o fim, é sempre relativo ao tempo e espaço não só daqueles que pereceram, mas que estão perecendo, rápida ou lentamente, explicita ou veladamente. É como uma bomba atômica, nem todos morrem com a solução final, basta um um bomba suja, basta a radiação, para que se tenha no final das contas o mesmo efeito, lento, mas o mesmo efeito. E nisto a bomba suja é uma vantagem estratégica das guerras sujas, ela não precisa ser sequer uma arma, ou melhor ser chamada de arma. Ela pode estar travestida de qualquer outra coisa. Pode inclusive ser de fato, outra coisa, apenas contaminada- melhor ainda, venda casada, mata-se dois coelhos com uma cajadada só-, não importa… o ponto crucial é um só. Chame do nome que quiser, use para a finalidade que for sabendo ou não seus efeitos, o fato não muda, a radiação vai matar os sujeitos contaminados, e o enterrar a cabeça no próprio rabo, não muda a natureza das pilhas de corpos. Pode-se tentar reescrever a história, apagar memórias, inventar fatos alternativos, nomes menos ofensivos, versões alternativas, mas o real permanece, e é irreversível.

O ser humano “pós-moderno” se finge de bobo, parece até que inventamos o holocausto só no século passado. E pior que eliminamos todos os males do mundo incluso miséria servidão e escravidão, apenas trocando o nome dos senhores e vassalagens e condições. Me empala enfiando um pau quadrado no meu cú mas me chama de portador involuntário de acessório retal que dói e ofende menos. E quando for enfiar mais fundo não esquece de pedir por favor, educação e respeito é tudo.

Não, não estou dizendo que a maioria das pessoas senta depois de um dia de labuta na sala, e pensa como gostaria que aquela gentinha desaparecesse do mundo, e troque gentinha aqui, por qualquer x pessoa reduzida ao tipo ou caráter qualquer, porque realmente não importa, mas basta a coisa apertar, basta ter muitos gatos ou cachorros que o dito cidadão comum já começa a rezar escondido para a carrocinha volte a circular. Para que alguém tome a frente e faça o “trabalho sujo”, que “deus que me perdoe precisa ser feito”. Escrúpulos feitos de superegos são precários, são feitos de medos, e medos moram no estomago, é só apertar um pouco esses ethos na barriga que ele peida.

Radiação é uma metáfora ao menos para a maioria. Poluição e miséria bastam para a maioria. O fim da natureza viva a natureza morta, seja a diversidade de outras espécies vegetais, animais ou da nossa própria a humana, não importa é o mesmo. Porque o princípio, o meio, e o final é exatamente o mesmo. O padrão, o método e processo e portanto os efeitos e consequências da ação são idênticos. E no final das contas uma população humana submetida a determinadas condições naturais ou artificias encontrará o mesmo ponto que outras populações com um meios ambientais e vitais suficientes para sobreviver, com ou sem uma terra e território para viver em paz, sem gente civilizada trabalhadora e temente à deus para se preocupar com a sua extinção ou superpopulação.

Isto não quer dizer que os holocaustos lentos e velados sejam ineficientes. Eles tem uma relação diferenciada de custos e benefícios. Soluções finais, permitem por obvio uma ocupação, acumulação mais rápida e total do território.

Porém, impedem que mantenha a máscara da hipocrisia. Papai não vende brioches, papai caça cabeças e fede carniça. E o problema dos malditos africanos, não é o que lhes faltava, mas tanto o que eles tinham e lhes foi tirado, quanto o que não tinham ou tinham, e sim o que lhes foi deixado como legado maldito.

Mas não, a bomba é outra, é a demográfica. O que lhes falta é crescimento econômico. Capital. Mas onde será que foi parar esse capital?

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Mas quem precisa de reis, rainhas? Ditadores, Cesares ou Fuhrer? Olhar pro fiofo sujo dos outros é fácil. Difícil, é cheirar o próprio rabo. E quem não tem câmara de gás ou drones, se vira com porrete e miséria. Cada um improvisa com o que tem, ou mais precisamente com o que (o outro) não tem. Pois vejamos:

No Paranoá Parque, conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida que fica a 25 minutos de distância do Palácio do Planalto, em Brasília, as crianças passam os dias livres empinando pipa, de estômago vazio. “No final da tarde, elas me pedem, ‘tia, tem um pãozinho aí para mim?’ Se chega pão de doação, acaba tudo em um minuto”, conta Maria Aparecida de Souza, líder comunitária no bairro.

Foi ali que, em 2017, um menino, na época com oito anos, desmaiou de fome durante as aulas e virou notícia nacional. Ele estudava em um colégio a 30 km de distância de sua casa, onde recebia como refeição apenas bolacha e suco. De lá para cá, a situação dos quase 30 mil moradores da área não parece ter melhorado.

“É muito desemprego, mães com cinco, seis ou oito filhos que não têm nada dentro de casa. Nem mesmo colchão, gás para cozinhar ou cobertor para este frio. Nas férias, algumas mulheres não têm o que dar aos filhos. Tenho 48 anos, sempre trabalhei nisso (assistência comunitária), e nunca vi a coisa tão ruim quanto está agora. Temos aqui no bairro 285 famílias em situação de miséria total”, diz Souza.

‘Se eu pagar a prestação da casa, não temos o que comer’

De acordo com a Fundação Abrinq, que fez cálculos a partir de dados do IBGE, 9 milhões de brasileiros entre zero e 14 anos do Brasil vivem em situação de extrema pobreza.

O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde (Sisvan) identificou, no ano retrasado, 207 mil crianças menores de cinco anos com desnutrição grave no Brasil.

Testemunhos de pessoas em áreas de vulnerabilidade social indicam que (a merenda escolar) acaba sendo a garantia de consumo mínimo de alimentos durante o ano letivo para parte das crianças’, diz especialista; acima, merenda de escola cearense, em foto de arquivo

A mais recente pesquisa de Segurança Alimentar do IBGE, de 2013, apontava que uma a cada cinco famílias brasileiras tinha restrições alimentares ou preocupação com a possibilidade de não ter dinheiro para pagar comida.

Se a pesquisa fosse feita hoje, a família da faxineira Marinalva Maria de Paula, de 57 anos, se enquadraria nessa condição. Com uma renda de R$ 360 mensais para três adultos e uma criança, ela se vê cotidianamente frente a decisões dramáticas:

“Se eu pagar a prestação do apartamento ou a conta de água, não temos o que comer. Quando a situação aperta, prefiro dar comida pra minha neta e durmo com fome”, conta Marinalva, que teme despejo do prédio do Conjunto Habitacional (COHAB) em que mora, em São Paulo, por falta de pagamento do valor do imóvel e do condomínio.

A vasilha de arroz funciona como um termômetro da aflição de Marinalva: no dia da entrevista, restavam apenas dois dedos de cereal no pote. Com as férias da criança, de 3 anos, a comida que avó consegue manter nos armários acaba mais cedo e é preciso partir em busca de doações. O fenômeno que acontece na casa da faxineira já havia sido identificado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) em 2008, quando um terço dos titulares do Bolsa Família declaravam em pesquisa que a alimentação da família piorava durante as férias escolares. (…)

Marinalva não consegue emprego formal há quatro anos. Ela está muito longe de atingir a renda mínima familiar, estimada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em R$ 4.214, 62, para suprir sem carências as necessidades com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência dos quatro integrantes da casa. O valor, calculado em julho, equivale a quatro vezes o salário mínimo atual, de R$ 998. (…)

Na periferia de Belém (PA), Lilia Melo, professora do ensino médio, conta que a colônia de férias da escola pública onde ensina ganhou adesões depois que passou a oferecer lanches.

“Esses dias, servi bolo com suco e vi um dos alunos levantando em direção a sua mochila. Depois percebi que ele deixou de comer para guardar para mais tarde. Perguntei por que, e ele não disse nada. Dei mais um pedaço e ele comeu. Na saída ele revelou: ‘professora, tô levando pro meu irmão’. Ele tem um irmão de quatro anos. Então, há aqueles que levam ‘para mais tarde’, mas que no fundo querem garantir para seus familiares.” (…) -Sem merenda: quando férias escolares significam fome no Brasil

Alguns Dados (2018):

Renda per capita Brasilia:R$ 2.460;

Renda per capita Maranhão R$ 605;

A propósito, não escolhi estes dois dados como exemplo porque são a terra dos palácios da classe governamental e tecnocrática e o outro a terra da casta dos Sarney, mas porque é o maior e a menor renda per capita do Brasil, o resto como aliás tudo neste escrito é só mera coincidência.

Renda sugerida pelo Dieese: R$ 4.214, 62

Renda per capita família Marinalva (4 pessoas): R$ 90

Conclusão: é vergonhoso, mas também é um fato, uma renda básica verdadeiramente garantida ridículos R$ 50, quem dera pudessem ser mais, e quem dera pudessem chegar até ela, seriam R$ 200, que fariam a diferença como fazem para algumas pessoas. E só fazem a diferença porque vivemos entre monstros, parasitas e cegos profissionais que fazem da miséria alheia o campo de concentração de onde cultivam e extraem sua recursos humanos tanto políticos quanto econômicos de baixo custo tanto atuais quanto os futuros, e com enormes perdas (e não estou falando de perdas econômicas) para satisfazer seus mais variados interesses legítimos ou nem tanto. O que é pobreza para uns é o investimento futuro em massas de trabalhadores, fieis e eleitores para outros. A matéria-prima que literalmente constitui tanto os membros, quanto a anima do corpo das suas posses e poder como instituição, sacramentada em ritos e costumes e leis tanto supostamente feitas pelos próprios povos alienados quanto por divindades, nunca é claro diretamente por nenhum deles, mas por quem as dita, ou literalmente os ditadores das concepções e julgamentos, mas pode chamar de alienista que portanto por definição passam a ser para o outro, o alienado, querendo ou não suas preconcepções e prejulgamentos.

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E nesse ditado do que é sagrado, e do que nem tanto. Do que não pode ser posto em questão, jamais. E do que jamais deve ser falado, não se não for para desconstruir e desacreditar. Pelo que somos obrigados a nos sacrificar obrigatoriamente de uma vez ou parceladamente ao longo do tempo. Quais vidas são sagradas, e quais nem tanto, ou agora já não mais. Para que servem ou onde servirão os filhos destes ou daqueles, e não só em tempos de paz, mas em tempos de guerra. Quais serão suas funções sociais obrigatórias, seu trabalho dentro ou fora dos territórios e campos, onde no fundo lenta ou rapidamente a máquina continua funcionando mais ou menos explicitamente da mesma forma, e logo o trabalho alienado demanda filhos menos afortunados pela corporação do patrio-poder continua sendo o mesmo dos matar ou morrer…

Trabalho definitivamente é sacrifico, mas não do outro em favor de si mesmo. Ou o próprio em favor dos outros. É sacrifício voluntário de si mesmo por alguém que não vemos como um outro, mas que conseguimos enxergar como parte de algo maior, não uma fantasia, mas simplesmente não se aparta não como um todo, mas que antes não existia e se integra e realiza em comunhão através do sacrifício, literalmente não religa, mas se cria como algo completamente novo em padrão através somente e tão somente deste gesto, onde algo se desfaz para gerar novas possibilidades. Não há segredo, não só morremos dar lugar ao novos mas nos autodestruímos para poder cria-lo. Quem não cresce, não sabe a hora, em que os outros tem que se sacrificar por pelo novo, e você passa a ter que sacrificar pelo novo. Passa a ser um velho pervertido cagão e maldito, a devorar tudo e todos. Incluso sua prole incapaz de sacrificar-se mas disposta a sacrificar qualquer um para prolongar sua posse e existência e ilusão mumificada de juventude egoísta, consumista-materialista. Em suma uma praga. Mimada e tarada que quando tem muitas posses e poderes, e gente claro submetida a seus caprichos se torna extremamente perigosa.

Uma doença da psique que se transmite hereditariamente mas não pelos genes, mas pelo berço, pelas posses e costumes e mimos, pela educação e costumes, pelos cultos e cultura. Pela mentalidade das gentes, algo que não habita um mundo de penamentos, mas que se materializa e transmite, ou para usar termos modernos se viraliza, sobretudo por atos e gestos, principalmente os mais concretos, ou seja aquele que impactam o mundo simbólico desde que o mundo é mundo, isto é, não com narrativas ou imagens, mas a materialidade da materialidade, de preferencias as mais primitivas, porrada, fome, dor, privação, doença, mortes… enfim misérias que toquem as carnes, os sentimentos e não só as idéias, ideologias, imaginários, ou crenças.

Não, não existe pulsão de morte. O que existe é uma pulsão de vida. É só e tão somente uma pulsão de vida, que transcende o próprio eu, criativa constitutiva do novo, geradora da vida, fecunda, e que só se torna autodestrutiva, destruidora, ou mesma, esquizofrênica e histérica, ou psicopática e assassina quando reprimida, frustrada e pervertida. Uma pulsão ligada a própria natureza do organismo que como tudo se desfaz no próprio processo de constituição, e nesse processo também se preserva não em si, em eu, forma, mas fora, desfazendo-se para constituir outros novos padrões a partir de si mesmo, literalmente criação, algo que a mãe assim como todo ser que entrega, carrega e literalmente dá a luz e cria uma nova forma de vida, sabe mais do que qualquer outra. Viver é morrer por alguém. Um sentido que não remete a uma ideia, mas a vida, que não sendo uma abstração é feita de se no plural de seres vivos e não coletivos novamente sacrificáveis em nome de ideias. Quando a mente concebe a ideia de uma humanidade com todos os seres humanos juntos, é apenas para voltar a ideia de que esse todo é feita de cada pessoa, gente que não é objeto a ser sacrificado, mas objeto do nosso sacrifício. E não a espera de paga, não a espera de nada. Viver, e se sacrificar e não sacrificar outro e aquele que põe outro para sacrificar-se em seu lugar ainda sim morre apenas por outras razões ou sentidos e no fundo outros sujeitos diferentes daquele. Não é pelo quê, mas por quem, não quantos, mais quais. Se vive e morre, não por algo, mas por quem se consegue se ver e sentir, e se não se consegue, é porque não vale a pena. E o velho, ou melhor a criança que cresceu envelheceu e apodreceu em vida sem sequer entender isso que vai virar adubo, mas não consegue encontrar um único ser vivo que valha uma respiração perdida, esse de fato é o esperto, os espertos não serão comidos, já foram pela esperteza, apenas ainda não se deram conta disto porque estão presos demais a sua particular perspectiva. Nada que a natureza não cure mais uma vez, como sempre faz inevitavelmente: com a morte. Ou melhor com a vida.

Porque não existe propriamente uma pulsão de morte. Mas sim uma pulsão de vida. Mas essa é uma questão tão importante que não quero tratá-lo aqui perdida aqui, mas em escrito próprio. Na verdade uma continuação, mas que coloca a solução, e não o problema em destaque. Porém antes, preciso falar de algumas navalhas e espadas, epistemológicas, o método. Ou do método para lidar com toda essa loucura que no final das contas também tem seus métodos. Métodos e processos incluso de administração e engenharia de produção mas pode chamar pelo nome próprio que fica mais profissional e menos pessoal, trabalho.

Trabalho. Trabalho que pode ser uma tortura ou estupro ou holocausto alheio, a mera fonte da sobrevivência, ou perpetuação da espécie por todos os meios necessários, incluso os mais desumanos e teratológicos, ou de fato a própria realização da vocação humana para criação de seus próprios sentidos e formas de vida tanto particulares quanto comuns, de acordo com seu potencial para o livre vontade, livre-arbítrio e sobretudo autodeterminação.

Não é fácil. Principalmente porque o temos por mais sagrado em nosso culto e cultura foi estrategicamente apropriado e pervertido. E mata. Não o corpo, mas as almas. Não se engane. O desministério da descultura adverte: trabalho alienado mata e bem devagarinho que dá mais tesão aos sádicos.

Trabalho, Trabalho, Trabalho… um código para o sacrifício da sua vida ou de outro para a perpetuação de culto para alienação que tomou conta de todas culturas mundo como doença mental a matar toda a vocação humana que não é o trabalho pelo trabalho, como mera terapia ocupacional enquanto a morte não chega, ou tentando pateticamente fugir dela, ganhando mais uns tempo de vida e conforto. Mas o trabalho como criação, como obra, não de perpetuação fantasiosa existências egocêntricas, materialistas, historistas, biologistas nem muito menos as transcendentais metafísicas, mas criação como realização tanto material quanto espiritual, aqui e agora, do absolutamente novo, do futuro, da vida, no presente. O sacrifício da matéria e energia para criar novos seres e fenômenos. Fatos, gestos e atos e obras. Criação e não meramente produção.

E miserável da pessoa que passa a vida sem conseguir converter um único gesto consciente num sacrifício para criar voluntariamente algo que não lhe mate muito, um pouco, completamente sem ser em vão. Que ao invés de só comer o pão da vida, se faça e se dê um pouco dele. Terá enfim entendido porque o sol não só brilha sobre justos e injustos, mas porque morre e há de morrer dando a luz que gera a vida. Esse é o único verdadeiro trabalho que conheço e reconheço, o da Física do Universo que gera energia e vida e criação. O resto… bem o resto é resto, micro ou macro não é trabalho é tripalium.

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PS:

Mas chega, dessas histórias. Vamos a Espada de Alexandre, e Pulsão de Morte, que apesar dos nomes, principalmente o segundo texto, é, ou pelo menos pretende ser a solução, (o segundo é mais sobre o método) dos problemas aqui levantados como introdução. Ou seja, segue…

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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