Mensagem de um Libertário de Esquerda para os Ativistas de Direita

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Aviso: Caso não esteja interessado em Embromação vá direito a Os finalmente

Embromação

Hoje tive um sonho muito estranho e perturbador. Quero dizer um pesadelo. Sonhei que trabalhava para Gilmar Mendes… e o pior de tudo, ele era um cara até que legal. Porque que diabo, eu sonhei com isso, se fosse supersticioso diria vai ver que é porque no último texto citei o evangelho do Capeta. Mas não… lembrei que quando comecei a trabalhar com ONGs, antes de fundar o ReCivitas fiz um estágio avançado em tudo-que-é-de-ruim e está errado em outra ONG que atuava em Cubatão. Cidade que abriga um dos maiores polos-industriais da América Latina, que foi a cidade mais poluída do mundo com pessoas que nasceram e carregam as marcas congênitas da poluição industrial.

Um município que jamais poderia ser pobre, considerando o que se arrecada só destas empresas. E que foi inspiração para o escritor natal Afonso Schmidt escrever uma das primeiras utopias futuristas: Zanzalá.

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Porém cuja realidade apontava para outra direção completamente distinta, a da distopia. Para você ter uma ideia como em todo os lugares do Brasil e do mundo, os mais ricos tinham o seu bairro-condomínio fechado, mas os big ones, os executivos das empresas é claro não moravam na cidade. Normal. Porém nem sequer o prefeito morava na cidade!!! Algo como se depois de acabarem de vez, com o Brasil, sua natureza e o seu povo, os governantes do Brasil começassem a despachar direto aos EUA ou Europa.

Porém para não ser de todo injusto, dizia por lá que essas não eram as únicas razões para ele temer morar onde governava. De lá fui morar em um lugar ainda mais punk, onde não só o prefeito toda a então sub-prefeitura não tinha um funcionário que morava no lugar. Paranapiacaba no ABC. Em Santo-André a cidade que governava a vila histórica como uma espécie de resort para “inglês ver”, ser mandado para trabalhar em Paranapiacaba era a Sibéria, degredo, punição por alguma coisa. Sorte deles, porque a maior parte do povo que morava lá nem emprego tinha, nem montar o próprio negócio podia para não estragar o paisagismo histórico, do que de fato era uma favela estatizada para o turismo. Mas essa é uma outra história, voltemos para Cubatão? Onde eu estava mesmo?

Ah, aqui:

Uma coisa curiosa sobre a politica é que as pessoas mais perigosas não são necessariamente assustadoras, são simpáticas, algumas delas até mesmo carismática. Mas você nunca sabe o que elas fizeram no verão passado. E nem quer saber. E se souber vai fingir que não sabe. Nem mesmo se o que elas fizeram foi contra você.

Muita gente chama político de bandido em sentido figurado. Mas quem conhece política sabe, ou se não sabe, pelo menos tem uma razões razoáveis para acreditar que essa comparação não é a metáfora. Por isso quem não sabe, nem desconfia, não sabe o risco que corre, quando cruza o caminho dessa gente. Porque todos eles são muito afáveis, agradáveis, desde que você não contrarie seus interesses. Você só conhece quem é uma pessoa de verdade, você não sabe do que ela é capaz enquanto não contrariá-la, você não sabe do que um político é capaz enquanto não representar um problema para ele, principalmente se você não for ninguém.

Quem defende seus bandidos de estimação, porque eles fazem coisas boas, não sabem como o papai mafioso ganha a vida. Ou então se sabem são tão bandido quanto eles, e mais covardes ainda porque não fazem o serviço sujo que eles fazem ou mandam fazer. Mas encobre com seu falso testemunho.

Só quem não tem poder nenhum, quem literalmente não sabe com quem está falando, sabe ou descobriu da pior forma do que eles são realmente capazes. É por isso que, quem sabe mais do que ninguém do que o politico do Mato Grosso é capaz, é o politico, o povo e os ativistas de Mato Grosso. Do Rio de Janeiro, o povo do Rio. Da velha república do ABC quem é do ABC paulista. Do Nordeste quem é do maranhão, alagoas. E o povo brasileiro em geral do que são capazes os poderosos do Brasil.

https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/269873/Delatores-est%C3%A3o-recebendo-amea%C3%A7as-de-morte.htm

Estão e já vinham recebendo… desde o começo. Mas quem já sentiu que era melhor sair fugido da sua própria terra sabe melhor ainda…

Minto. Tem gente que infelizmente ficou pra descobrir se era verdade mesmo. Talvez tenham ficado por coragem, talvez por que não tinham para onde fugir, mas o fato é que eles sabem deles mais do que todo mundo, ninguém sabe, nem vai saber. Morreu, com ele.

O ativista, digo o verdadeiro ativista, não o pelego da esquerda ou direita, esse não se pode dar ao luxo de fingir que não vê. De fingir que a politica não é bandida ou perigosa. Porque mesmo quando não é mais, se ameaçada não tem o mínimo pudor de retornar a sua forma mais primitiva e violenta de “contestação”. Exatamente como a máquina que não só abriga esses animais, mas é feita deles e por eles o Estado. O Estado é sempre muito civilizado desde que você não o contrarie e o obedeça.

Salvo exceção se você for o próprio Estado.

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Ou pior, maior do que ele.

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Não, não estou acusando, ou insinuando, que eles, ou todos que eles representam toda essa classe política bandida são todos bandidos. Até porque não tenho provas. Não tenho como delatar ninguém. E com certeza até como exceção a regra sempre há os inocentes. O que eu estou fazendo aqui é expressando e reclamando e exercendo meu inalienável direito a dúvida razoável. A mesma dúvida razoável que garante a presunção de inocência, e a desconfiança do perigo.

A mesma dúvida razoável que faz de todos nós, inclusive inocentes até que se prove o contrário, também é a dúvida razoável que me faz duvidar da honestidade depois que eles perderam todo o benefício da dúvida razoável para não serem considerados altamente suspeitos.

Não tenho provas para acusar, nem sou juiz para condenar nem quero sê-lo, mas não sou obrigado a me colocar nas mãos de quem eu não confio nem posso ser obrigado a confiar por presunção de inocência. Não sou obrigado a por minha casa, meu país, minha vida nas mãos de quem eu não confio, nem minha carteira, quanto mais meu governo.

Como podem ser as pessoas tão preconceituosas com quem mal conhecem e tão condescendentes com quem tem todas as razões do mundo para desconfiar?

Como podem ser as pessoas tão estupidas? Negam o abrigo a um estranho, um imigrante, um refugiado, um estrangeiro que não tem nenhum motivo razoável para suspeitar como particular, quanto mais acusar como povo. Mas se entregam como gado, para autoridades e políticos que tem motivos mais de sobra não só para suspeitar em geral, mas para a justiça condenar cada um deles em particular: com nome e sobrenome e endereço fixo!!!

Não, eles são inocentes? Que bom… pra eles. Mas não peçam para colocá-los dentro da minha casa e sustentá-los. Que eles tenham os mesmos direitos e prerrogativas de qualquer cidadão brasileiro ou estrangeiro e possam viver em paz como todo mundo. Mas de onde se infere que só por serem inocentes (e quem acha que são em sã consciência que levante a mão), que só por serem inocentes não podem ser removidos do cargo se os verdadeiros donos do país, o cidadão, não confia na sua honestidade e competência?

Como disse não tenho e nem quero ter provas contra eles. Quero o máximo de distancia possível desses caras. Não tenho força, nem o direito de prendê-lo, mas tenho o direito inalienável de preferir eles na puta-que-los-pariu do que comandando minha vida!!! Montem um condomínio, vão jogar War, Monopoly, vão brincar de roubar e matar a sério ou de brincadeirinha entre eles. Mas saiam de cima do povo brasileiro, porque não somos cavalo nem burro de carga de bandido megalomaníaco.

É um crime condenar pessoas sem todo o processo legal, mas um crime maior ainda forçar as pessoas a serem comandadas por pessoas que elas não tem a mínima confiança nem para ficar numa sala sozinha com eles, com medo de receber uma proposta criminosa que teríamos a obrigação moral (e legal!!!) de denunciar! Mesmo com o cú na mão, mesmo sabendo do risco de ser morto, preso, ou perseguido?

Que merda de país é esse onde para ser o básico do básico, ou lutar pelo básico do básico, um pouco de liberdade, justiça ou pão para todos, você precisa lutar contra o mundo? Que para cumprir as obrigações mais básicas que é ser honesto, que não é nenhuma demanda moral, mas apenas a exigência de não foder os outros com a sua falsidade você precisa ser um radical, um pária?

Isso não é um país. Isso sim é um filme de terror do Hitchcock. Um estado terrorista em todos os sentidos da palavra. Como podemos viver num país onde é mais razoável supor que você está em perigoso contrariando e se opondo a políticos, do que contrariando bandidos comuns? Onde você prefere viver com gente violenta que atira no teu peito se você vacilar, do que gente traíra que te embosca, te mata e ainda diz que foi crime comum ou pior, que você é o criminoso!!!

É absolutamente ridículo alguém se arrogar um cientista politico sem estudar psicopatologia e criminologia.

É por isso, que nada é mais tolo e perigoso do que a cegueira da indignação seletiva.

Os finalmente… (a mensagem)

Sou um ativista de esquerda, e como todo moleque trouxa de esquerda já dei tchauzinho pro Lula. Mas que nem precisei descobrir as podreiras, bastou a dúvida razoável para eu não apenas pular fora, mas me opor frontalmente a esquerda autoritária. E isso não foi ontem. Extraoficialmente desde 2008 quando comecei a pagar a renda básica incondicional na minuscula vila de Quatinga Velho. Oficialmente desde 2012 quando discursamos no congresso mundial da renda básica na Alemanha. Por isso, digo, não é fácil, mas vale a pena. E digo para o novo ativista de direita, e esquerda. Não só os libertários, mas os moderados. Vale a pena, pessoal e coletivamente.

Porém quero me dirigir em especial aos ativistas e movimentos de direita, porque são eles que estão agora no maior dilema moral: não cometam o mesmo erro da esquerda. Não se queimem, não se coloquem como guarda-costas de quem não vai titubear para te jogar aos porcos, se não for ele mesmo a te mandar pra vala. Não apoiem quem é capaz de tudo, inclusive destruir um país para ficar no poder.

As mórbidas semelhanças são muitas e gritantes. Mas vou apontar só a que considero a mais preocupante, a romantização do autoritarismo, uma tendência perigosíssima de falsificação da história praticada descaradamente tanto pela direita quanto pela esquerda.

Notem como o esquerdista tenta apagar ou jogar no colo do outro as falhas do seu período no poder, tanto quanto o direitista. Notem como desavergonhadamente autoritários defendem o período das ditaduras de esquerda ou direita ou renegando o que foi feito de criminoso durante esse período, relevando, minimizando, ou sempre tentando pregar sua hegemonia nivelado por baixo e comparando pelo que há de pior, o outro governo autoritário. É a lei Churchill, o meu regime é ruim, mas é o menos pior entre tudo que há de ruim. Como se não houvesse outro mundo possível para além da eterna luta por poder e a briguinha acéfala sem fim dos seus coitados alienados.

Claro que sendo eu de esquerda considero que as conquistas sociais são revelantes, e não consigo encontrar nada de bom nos governos autoritários de direita. Mas é como disse, é porque sou de esquerda. Tenho certeza que a direita saberá apontar os méritos destes governos, e ainda que eu continue achando o oposto que são mais desméritos e vice-versa, o ponto é que não creio que minha visão possa se impor as demais e espero o mesmo deles. Que não imponham sua visão nem contra o meu direito de ter a minha, nem contra os meus direitos fundamentais que são os mesmos que os deles. É isso, esse mínimo denominador comum que gera a paz que falta aos autoritários o respeito tanto às liberdades materiais quanto imateriais que não podem faltar nem ser violadas ou monopolizadas por ninguém, nem que ele se ache uma autoridade.

É completamente maluco por exemplo o fato dos autoritários inclusive ignorar que trocando os sujeitos a gramática e até mesmo os predicados dos seus discursos são exatamente os mesmos!!!

O autoritário de direita diz: “olha quanta corrupção, na ditadura militar não era assim”. E o autoritário de esquerda responde: “não… na ditadura tinha mais corrupção, ela estava encoberta”. Trocam-se as bolas, a direita no poder e esquerda na oposição: olha quanta corrupção, no governo anterior não era assim… E a direita responde… “não é bem assim, é que estava encoberta”. E ainda não estão? Será que os dois lados não estão absolutamente certos no que dizem uns dos outros? Não são eles corruptos acobertadores inclusive uns dos outros? Será que eles não percebem que a corrupção encoberta nos dois períodos é a mesma? Antes o problema era a esquerda no poder aliada com direita. Agora é a direita no poder aliada com essa esquerda. Ora será que os militantes não vêem que é só fachada? Eles podem não ver, mas o povão vê! E a população grita fora todos!!!

E aí alguém diz, vamos radicalizar a democracia e diminuir o poder desse sindicado de criminosos políticos, acabar com seus privilégios.E logo vem a mídia, a academia, o jurista de plantão e diz não, aí, já não… veja bem, não é para tanto, meu caro colega… Ok, não. E então ok, ficar com essa merda ou voltar então ao lixo do passado porque esquecemos rápido o quanto ele fedia tanto ou mais? Ô vontade de viver na merda, desde que tenha alguém que diga o que fazer.

É impressionante o medo que as pessoas tem do progresso da liberdade, da democracia direta e sobretudo do seu próprio povo. Parece até que o brasileiro teme mais seu irmão que ele mal tem coragem de conhecer de verdade porque não sai dos muros dos seus castelos e bolhas, do que estes tiranos que os enganam e espancam todo dia, mas mesmo assim ele volta em sua fidelidade canina para lamber a mão.

Nossa sociedade machista costuma chamar esse comportamento de mulher de malandro, mas não é só incorreto politicamente, é incorreto conceitualmente, porque até mesmo do ponto de vista machista a sociedade não tem coragem de mulher, mas a covardia do pior tipo de corno manso, aquele que apanha do patrão, apanha do politico e bate na mulher, no filho, bate até no cachorro, mas quando chega no trabalho ou na frente da autoridade fica mocinha, mocinha, ou melhor machão machão perto do chefe. Tivesse os homens um centésimo da coragem feminina e o mundo não seria o que é. Tivesse os brancos um centésimo da coragem dos negros. Tivessem os poderosos um milésimo da força de vontade dos que nascem privados de suas liberdades. Tivessem os que tem tudo e se acham forte um nada da coragem dos que eles esmagam como fracos. E o Brasil e o mundo não estaria nessa merda.

Mas que merda, olha eu aqui me dirigindo, para a direita e falando para esquerda… Ou não? Será que esse tipo de pensamento não é simplesmente humanista, social, libertário sem denominações? Não sei. Mas a gente tenta.

A direita não pode cair na armadilha que a esquerda caiu. Caso não se lembrem essa história de eleições gerais, foi defendida muito antes quando a dona Dilma era a presidente, e lógico, a esquerda pelega enquanto ainda vinha chance de se agarrar como chupins ao poder, enquanto não viram outra alternativa não abraçaram a causa. De fato só passaram a defendê-la quando era morta, e isso os mais honestos, porque teve uns que entraram antes só para espalhar a roda mesmo.

Se a direita não tiver coragem de pedir para o sinhozinho Temer e seus coronéis de norte a sul do país desapegarem das costas do Brasil. Se não tiverem coragem de se colocarem do lado da população, vai cair na mesma irrelevância que a esquerda. E não quero nem ver quem vai ser o oportunista que ocupa esse vácuo num estado de tamanha revolta e carestia.

É hora de ter coragem e ser honesto, ter um minimo de imparcialidade e fazer o que a esquerda não teve coragem de fazer e derreteu: pedir para seus bandidos favoritos saírem. Sei que com isso não agrado ninguém, pelo contrário desperto o ódio de gregos e troianos, mas se quisesse ser popular, mentir mesmo sabendo que todos nós vamos se ferrar, não seria um simples cidadão, mas um legítimo representante político. É tudo uma questão de representação e legitimidade. Duas coisas que simplesmente não existem mais nem de fato nem de direito no Brasil.

Vamos tentar fazer de novo, só que certo desta vez:

É Fora Temer? Não, é Fora Todos.

Diretas já? Não. Eleições diretas já para Presidência e Congresso.

Com esses mesmo políticos de sempre? Não sem fichas sujas.

Menos que isso… é trocar eles por eles, porém cada vez piores, mais descarados e autoritários. Sem a menor sombra de dúvida razoável.

Serviço mal feito não adianta, é preciso terminar o que foi começado:

Fora Todos. Eleições Diretas e Gerais. Com Fichas Suja fora e fim do foro privilegiado.

Resolve tudo? Não resolve, mas já é um bom começo.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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